domingo, dezembro 30, 2007

"A Guerra", de Joaquim Furtado e da RTP, o acontecimento do ano em Portugal

O “Gato Maltês” não gosta de entrar nessas futilidades de nomeações e eleições das personalidades do ano que passou e do ano que virá. Muito menos de se arvorar em justiceiro ou pitonisa. Não gosta dessa personalização da vida pública, normalmente razão para que, consoante o quadrante político, se promovam uns e denigram outros, à medida das necessidades e agenda política desses uns e daqueles outros.

Mas o “Gato Maltês”, sem abdicar desse seu princípio, não gosta de ser injusto, e acha o já terá sido muitas vezes e o será de certeza ainda muitas mais, se a vida e a morte o permitirem. Se o for menos uma vez, fica desde já muito feliz. Por isso, quer desde já deixar aqui bem expresso que considera o acontecimento do ano em Portugal a exibição pela RTP dos primeiros episódios do documentário “A Guerra”, da autoria de Joaquim Furtado (o seu a seu dono). A começar pelo tema, arvorado até aqui em quase tabu ou tratado de forma parcelar e parcial, acho que menos por pudor mas mais por falta de fôlego e capacidade para o analisar na sua globalidade. Mas também pelo rigor histórico, pela abordagem global, pelo trabalho exaustivo de documentação que lhe está na base, pela independência, pela qualidade documental, pela realização depurada, pelo facto de ser exibido em horário nobre. Querem melhor exemplo da sua qualidade? O silêncio sepulcral que se seguiu à sua exibição, ao contrário da “peixeirada” gerada por um concurso idiota e sem qualquer representatividade que deu a vitória a Salazar.

Muito bem, pois!

A "ViniPortugal" e os vinhos portugueses

Quase todas as manhãs de Domingo (confesso que, ás vezes, já um pouco mais "tardes") vou ao Centro Comercial das Amoreiras, o sítio mais perto aqui do bairro, desde que a Repsol decidiu fechar as suas lojas de conveniência, onde é possível satisfazer integralmente duas das necessidades mais básicas dessas manhãs quase tardes: beber um razoável café e comprar os jornais. Por vezes, acontece mesmo que também por lá vai o filme a ver e, nesse caso, o ramalhete fica completo, com direito a prémio e tudo.

Nessas minhas já habituais surtidas, deparo frequentemente, em pleno corredor e utilizando um balcão para o efeito, com uma acção de prova e promoção de vinhos portugueses, levada a efeito pela ViniPortugal, associação inter-profissional do sector. Primeira surpresa: se a esmagadora maioria dos visitantes das Amoreiras são portugueses e a esmagadora maioria destes (99%?) já consome em quase exclusividade vinhos aqui do “rectângulo”, a acção não será algo de parecido a vender gelo no polo norte, isto é, qualquer coisa que talvez venha a ser necessário dentro e um ou dois milénios mas que se revela actualmente um disparate? Bom, mas manda a boa vontade pensar que se poderia dar o caso de se tratar apenas de um tentativa de upgrade, isto é, de levar os consumidores portugueses de vinhos também eles portugueses a comprarem e consumirem vinhos de maior qualidade, algo que descobri não ser verdade numa primeira abordagem mais atenta: a grande maioria dos vinhos em prova não pensaria sequer em comprá-los cá para casa, para consumo no dia a dia, quer por se tratarem de vinhos sofríveis quer por uma relação preço/qualidade medíocre. Para cada um dos que por lá vejo, facilmente faria uma lista de pelo menos meia dúzia com uma melhor relação qualidade/preço e, principalmente para os brancos, a preços a rondar os cinco euros por garrafa ou até menos.

Pois aqui começa já o desperdício e a ausência de uma réstia que seja de profissionalismo, mas o pior ainda está, neste momento, para vir. Provar um vinho, por modesto que ele possa ser, exige um momento próprio, vontade, alguma calma e concentração necessárias para nos apercebermos das suas características, para que com ele possamos criar ou não empatia, para que ele se nos revele. É algo para um momento reservado ou para fazermos com alguém ou um grupo que nos acompanhe. Nada, portanto, para ser feito como quem bebe uma cerveja, na balbúrdia de um corredor de centro comercial num princípio de tarde de domingo, entre barulho, correrias e até encontrões ocasionais, o que, em conjunto com o que veremos de seguida, só contribui para desvalorizar o vinho enquanto bebida que se quer promover (?). Mais ainda, exige copos adequados e, surpresa das surpresas, não vulgares copos de plástico (sim, de plástico!!!) que foi o que me foi dado observar das várias vezes que me aproximei e perguntei. E, imaginem lá os detractores da ASAE antes de virem a terreiro bradar “às armas”, não por uma qualquer decisão legal aplicada por esta, actualmente tão vilipendiada, instituição, mas pela administração da Mundicenter, gestora do espaço do centro. Fora eu dono das marcas e seria condição suficiente para desistir de qualquer acção de prova ou semelhante.

É talvez por esta conjugação de factores que por lá – nessas provas(?) - proliferam vinhos ignotos, e quem cuida das suas marcas se põe, e as põe, a bom recato. Mas o que é de facto espantoso é que a acção seja da responsabilidade (ViniPortugal) de quem deveria fazer exactamente o contrário: promover e valorizar os vinhos portugueses e não desperdiçar recursos na sua desvalorização. Pois é, mas este nosso incipiente mercado acaba por perdoar tudo, pelo menos por enquanto. Mas a continuar deste modo, pode ser que, assim, daqui a poucos anos e por “obra e graça” da ViniPortugal, seja mesmo necessário, talvez ainda não vender gelo no polo norte, mas promover, de facto, os vinhos portugueses aos meus concidadãos. Talvez já seja é tarde!

sexta-feira, dezembro 28, 2007

"Call Girl" e "Corrupção"

Os dois filmes portugueses actualmente com maior sucesso, “Call Girl” e “Corrupção”, tratam ambos, ao que parece (não vi nem irei ver nenhum deles), de questões de corrupção, no desporto e nas autarquias, curiosamente com prostituição à mistura, chame-se o que se lhe quiser chamar, “alternadeiras” ou “acompanhantes”. Triste retrato - real - de um país, ou parte dele, ansiando e embasbacando por aquilo que nunca teve: poder, dinheiro e sexo.

"When I woke up this morning" - original blues classics (20)

Son House (1902 - 1988) - "My Black Mama, Part 1"

Exploitation (8)

"Hotel For Women" de Gregory Ratoff (1939)

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Grandes Séries (25)


"Trial & Retribution" (1997 e seguintes)

É uma das melhores séries policiais britânicas de sempre. Da autoria de Lynda La Plante, a mesma de “Prime Suspect” (onde pontificava “Dame” Helen Mirren) e também de “The Commander” (esta não tão excelente, mas mesmo assim recomendável, com Amanda Burton, a mesma de “Silent Witness”, como protagonista) cuja última série de episódios a tem acompanhado nas madrugadas da SIC Mulher. Chama-se “Trial & Retribution” e aqui o polícia é um homem (David Hayman ou DCS Mike Walker), não lá muito recomendável no modo como gere a sua vida privada e em algumas das suas opções na actividade profissional. Acompanha-o, nos primeiros episódios, uma excelente Kate Buffery (vimo-la, mais nova, em “Wish Me Luck”, por exemplo) e, depois, Victoria Smurfit. Todos os episódios têm passado na SIC Mulher (já lá vão treze e o último chamou-se “Curriculum Vitae”) e agora entram pela madrugada de sábados e domingos, pelo que se recomenda ressuscite o seu velho VTR para o caso de não ser noctívago. Se a ordem for seguida o próximo será “Mirror Image”, com um rating de 8.0 em 10 na IMDB. O suficiente para não deixar de ver? Por mim, de certeza absoluta: nem só de HBO se faz a vida!

O vídeo é extraído do segundo episódio da série, um dos meus favoritos.

"Portugal, The West Coast of Europe". Elementos para uma avaliação consistente

Infeliz, para não dizer fútil, ligeirinha e pouco ou nada rigorosa, a forma como a imprensa e os comentadores políticos se têm, na generalidade, referido à campanha “Portugal – The West Cost of Europe”. Não admira: mais do que uma análise rigorosa sobre a forma como é promovido Portugal e de como e quanto se investe nessa promoção, o objectivo é, pura e simplesmente, usar essa campanha como arma de arremesso contra o governo, e para isso é bem melhor apanhá-la pela rama de um qualquer humor fácil em vez de se tentar ser mais sério e radical. Mas quer isto dizer que a campanha é correcta e o governo, seu investidor e mentor, está acima de qualquer suspeita? Nada disso, mas para se chegar a uma conclusão acertada é bem melhor começar por fazer algumas perguntas e tentar encontrar as respostas. Quais? Por exemplo, estas:
  • Quais os resultados e onde está a avaliação da campanha subordinada ao tema do Euro 2004?
  • Como está a ser acompanhada, e em que parâmetros, a campanha "Allgarve"?
  • O conceito “Portugal, the West Cost of Europe” é credível junto do público-alvo a que se destina? Que problemas se propõe resolver? Está de acordo ou em conflito com a estratégia turística actual? Uma campanha publicitária é a escolha adequada para “vender” o conceito? O investimento é suficiente? Os endorsees (os que “dão a cara” pela campanha – Cristiano Ronaldo, Mariza, etc) são compatíveis com a imagem que se pretende projectar? Quais as acções complementares programadas para “ajudarem” a criar consistência à campanha? De que modo vai essa mesma campanha ser monitorizada? Pode Portugal (ou qualquer outro país), assim “do pé para a mão”, mudar o seu “posicionamento” apenas com recurso a uma campanha de publicidade ou isso terá de ser resultado de um plano estratégico de longo prazo envolvendo várias vertentes? Existem alguns case studies, a nível internacional, que possam servir de referência?

Enfim, algumas outras perguntas poderiam ser feitas, mas estas são suficientes e fiquemo-nos por aqui, já que, assim, e na eventual ausência de respostas convincentes e factuais não justificadas por “acho que” ou “penso que”, poderia finalmente juntar-me ao coro dos maldizentes! Mas com uma diferença que não reputo de somenos: poderei justificar o porquê, pois claro!

quarta-feira, dezembro 26, 2007

O Sr. Biscaia, presidente da Câmara de Manteigas, gosta de túneis

O futuro da Serra da Estrela visto pelo presidente da C. M. de Manteigas

Parece que o autarca de Manteigas, fazendo jus ao nome "lacticínico" da vila, quer ver a serra da Estrela esburacada tal qual queijo "emmental". Provavelmente acha que assim venderá mais queijos (os da “serra”), simpáticos cachorros da raça local, por sinal uma das minhas favoritas, e atrairá mais turistas para as anémicas pistas de ski lá do alto. Ridículo, dirão muitos. Ridículo, pois claro, mas, de uma maneira ou de outra, este não tem sido, entre algumas auto-estradas despropositadas, estádios para o Euro 2004, mono-carril de Oeiras e metro do sul do Tejo, acabando no novo aeroporto de Lisboa e no TGV para o Porto, o modelo de desenvolvimento prosseguido e que, durante muitos anos, nos foi apresentado como exemplo por muitos que não só não vivem em Manteigas como ainda se acham cidadãos do mundo?

"A Christmas Gift For You": The Phil Spector Xmas Album (9)

Darlene Love - Winter Wonderland (Felix Bernard - Dick Smith)

domingo, dezembro 23, 2007

"A Christmas Gift For You": The Phil Spector Xmas Album (7)

The Ronettes - "I Saw Mommy Kissing Santa Claus" (Tommie Connors)

A ASAE e a política

De uma vez por todas, sejamos claros. A actual campanha de contestação às actividades da ASAE tem uma forte conotação política. E não apenas num sentido mais geral, isto é, nas opções que propõe para o Estado e para o seu papel na política de prevenção e saúde pública; não apenas nos modelos de vida e organização social, diversos e diferentes, que essa contestação, conjunturalmente sob um denominador comum, subentende e propõe, mas política no sentido mais restrito de oposição e luta contra o actual governo, alicerçada numa base que, à esquerda e á direita, toma por mote aquilo que tem sido designado por uma certa tendência para o autoritarismo e arrogância, alguma vocação “controleira” e “totalitária”, do primeiro ministro e do seu governo, muito alicerçadas numa personalidade que, como ele próprio afirmou, por um pouco provinciana tende para encarar com alguma desconfiança um ambiente político tradicionalmente mais cosmopolita e “aristocrático”. No fundo, nada disto é muito novo e repete o acontecido com personalidades como Salazar e Cavaco Silva, salvaguardadas todas as distâncias políticas, ideológicas, de regime político e até de outras facetas das personalidades respectivas.

Sejamos uma vez mais claros. Não é por acaso – e sabemos que em política mesmo o que acontece por acaso deixa logo de o ser – que essa contestação aos modelos e métodos da ASAE tem partido essencialmente dos sectores políticos em que a oposição ao governo se tem mostrado mais activa e consequente, desde a direita nacionalista (com uma capacidade limitada), aos ultraliberais, passando por comunistas e “bloquistas” e acabando nos eurocépticos ou, mais propriamente, eurocríticos (ver meu post anterior), estes com expressão mediática relevante. Também não é por acaso que a actuação da ASAE, aparentemente e à partida destinada a uma relevância menor - quase de nota de rodapé de jornal - na actualidade portuguesa e até a obter um consenso favorável na opinião pública, ganhou um estatuto e uma dimensão aparentemente inesperadas: trata-se (ao contrário do que acontece com o novo aeroporto, o TGV ou o déficit orçamental, por exemplo) de um tema aparentemente pouco “técnico” e popular (devo dizer, susceptível de exploração e manipulação populistas?) com reflexo na vida do dia a dia do comum dos cidadãos (todos já usámos uma colher de pau e muitos comemos bolas de berlim nas praias das nossas infâncias ), e a sua contestação permite, conjunturalmente, unir eficazmente as diversas oposições ao governo em torno de um tema que desde cedo se tornou leit motiv dessa mesma contestação: a tal arrogância e autoritarismo que a oposição tenta colar ao governo e da qual este, fundamentalmente por erros próprios, tem tido muita dificuldade em descolar.

Tentemos ainda ser mais claros, por fim: será também por acaso que todos esses sectores partilham, em doses maiores ou menores, de um certo grau de eurocriticismo? Estará esse mesmo eurocriticismo a tornar-se a questão política chave da sociedade portuguesa, tal como em Espanha o é a questão das nacionalidades?

Ficam as perguntas... com algumas respostas já implícitas.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Fado - o acervo de Bruce Bastin

Madalena de Melo acompanhada à guitarra por Armandinho e à viola por Georgino de Sousa - "Fado Estoril". Gravação de 13 de Agosto de 1928
Durante muitas décadas, o fado, que me lembre a única forma de música popular genuinamente urbana em Portugal, terá sido menosprezado. Canção do “regime” (ou seja, da ditadura), para uns, ou de bordéis, prostitutas e marginais, para outros. Ou, ainda, de uma aristocracia marialva e ociosa, desenquadrada da sua época e do seu tempo. Terá sido tudo isso e ainda mais (foi também expressão musical operária, o que é muitas vezes esquecido) e, excepto a sua classificação como canção do regime, é também tudo isso que molda a sua importância.

Nos últimos tempos o panorama tem vindo a mudar, muito por “obra e graça” de alguns nomes como Rui Vieira Nery, Ruben Carvalho, Eduardo Sucena, José Moças e outros de que não me lembro o nome e peço desculpa pela injustiça que esteja a cometer. Acto importante dessa mudança é a compra do acervo de Bruce Bastin, cuja decisão há anos se arrastava. É uma decisão que faz de Portugal um país um pouco mais civilizado, como civilizados são todos os que preservam a sua cultura e património, as suas tradições populares ou aristocráticas, o que só quem possui mentalidade tacanha e provinciana pode confundir com qualquer tipo de conservadorismo.

Por isso, o “Gato Maltês” associa-se ao acontecimento e saúda-o, divulgando uma das faixas do acervo de Bruce Bastin que foi editada em CD na década de noventa do século passado pela Strauss (“Arquivos do Fado”), uma gravação de 13 de Agosto de1928. Madalena de Melo, acompanhada por Armandinho na guitarra e Georgino de Sousa na viola, interpretando o “Fado Estoril”.

A Guerra Aqui (mesmo) Ao Lado (29)


[CNT, National Committee AIT, Office of Information and Propaganda. Fascism]. Signed: Monleón. Oficina de Información y Propaganda. Gráficas Valencia, Intervenido, U.G.T. C.N.T. Lithograph, 3 colors; 100 x 69 cm.

Here the Spanish conflict is presented as the struggle of man against beast. The revolutionary--red--hued, naked, and muscular--wields his hammer against a serpent coiled about his body; the man's nakedness reflects the purity of his cause, in contrast to the insidiousness of the coiled snake of fascism. The caption announces that the poster was produced by the anarcho-syndicalist trade union Confederación Nacional del Trabajo (CNT) in conjunction with the international anarchist organization Asociación Internacional de los Trabajadores (AIT). The presence of the AIT initials on anarchist propaganda gives the illusion that the domestic movement was backed by an international organization similar to the large and vigorous Communist International, or Comintern. In fact, by 1936 the AIT listed fewer than 100,000 members and was able to provide relatively little aid to Republican Spain. As the war progressed, the Communists, as administrators of Russian arms and supplies, progressively dominated the Republican camp. Lacking this international clout, the Spanish Anarchists, despite being numerically much larger than the Communists at the beginning of the war, found themselves increasingly marginalized and powerless. The artist Manuel Monleón (1904-1976), like his more famous contemporary, Josep Renau, was a graphic designer who specialized in photomontage techniques. He was committed to left-wing politics and in 1933 joined the radical artists' group, the Unión de Escritores y Artistas Proletarios, formed by Renau. In the same year his work was included in an exhibition of revolutionary art in Madrid. Monleón contributed to three left-wing Valencian publications before the war: Nueva Cultura, Orto, and Estudios; the latter was an anarchist-backed magazine which advocated free-love, and whose covers were often graced by Monleón's pictures of voluptuous, naked females. Between 1936 and 1939, Monleón produced propaganda posters for the CNT and the Partido Sindicalista. At the war's end, he was imprisoned for four years, after which he took exile in South America, first in Colombia and later in Venezuela. He returned to Spain in 1962.
The poster was produced under the aegis of the UGT and CNT control committee, which controlled the production process in Valencia until the Republican government transferred there from Madrid in November 1936. We can thus date the poster to the first months of the Civil War.

O "Gato Maltês" no "Público"

Mais uma vez, o "Gato Maltês" viu um excerto de um seu post publicado pelo "Público". Este. Embora o excerto publicado seja de molde a induzir em erro sobre o exacto sentido do post, o "Gato Maltês" é grato e agradece, desejando ao "Público", de que é leitor fiel, um Bom Natal e um 2008 cheio de sucessos.

"A Christmas Gift For You": The Phil Spector Xmas Album (5)

The Ronettes - "Sleigh Ride" (Leroy Anderson - Mitchell Parish)

A PSP e as novas pistolas

A notícia é de hoje do Rádio Clube, mas parece que os agentes da PSP, ou os seus representantes, ficaram um tanto ou quanto amuados por não terem recebido o brinquedo novo prometido pelo Natal, seja, as novas pistolas. Parece que faltam os coldres... e as antigas têm vinte anos.

Em primeiro lugar uma recomendação: espero que ninguém tenha a má ideia de lhes entregar as ditas pistolas sem os respectivos coldres: com elas nos coldres já se sabe quão ligeiro é o dedo dos agentes da PSP para o gatilho fácil, o que faria sem eles. Em segundo lugar, lembrar a PSP que existem polícias, em países da UE mais desenvolvidos e de maior e mais grave criminalidade, que nem sequer andam armadas e não consta que, assim, sejam menos eficazes no combate à criminalidade. Em terceiro lugar, lembrar a PSP que uma boa parte do armamento utilizado pelo exército português durante parte significativa da guerra colonial datava da WWII, o que não o impediu de cumprir com tarefa de que foi incumbido (o facto de essa tarefa ser injusta e votada ao fracasso não foi culpa dele). Por fim, perguntar aos agentes da PSP quantas vezes, efectivamente, se viram obrigados a usar a arma em situações extremas (que são as únicas em que, de facto, devem ser usadas e sob normas bem restritas) e não apenas fazendo fogo na carreira de tiro ou usando-as no dito coldre como elemento dissuasor. Se tudo tiver corrido de acordo com as normas e o bom senso, aposto que muitíssimo poucas.

Triste país, este, em que a restruturação das polícias, tornando-as mais eficazes no combate ao crime organizado, começa pelas pistolas, cedência clara ao negócio e ao lobby corporativo.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Em defesa da ASAE

Confluem na contestação à actuação da ASAE – que, claro, como qualquer outra instituição ou entidade não está acima dela, mas cuja crítica se tornou numa moda com alguns laivos de pedantismo – vários grupos e ideologias, mas que podemos sintetizar nas seguintes áreas tipificadas.

À extrema direita, o saudosismo por um Portugal provinciano, de pequenos produtores e comerciantes, de uma ruralidade “salazarenta” que confunde tradição e preservação dos seus valores culturais essenciais com conservadorismo e imobilismo, esquecendo que esses mesmos valores só poderão ser mantidos vivos se e quando se poderem adaptar, sem perderem essa sua essência, ao correr dos tempos e da modernidade. São os saudosos do “pitrolino”, do leite vendido “porta a porta” em bilhas e manuseado e misturado como calha, das casas dos bairros sociais, em Lisboa, com o galinheiro ao fundo do quintal.

Um pouco por todo o lado estão os que fazem do eurocepticismo e do eurocriticismo o seu campo, e onde tudo o que, de modo directo ou longínquo, pode remeter para uma directiva ou sugestão de Bruxelas logo é classificado como filho (ou filha) dilecta e directa de Satanás, ai Jesus que nos despersonalizam. É a área que mais se confunde com um certo “pedantismo” individualista, que durante muitos anos achava que vivia na “piolheira” mas não dispensava uma ida a Paris para o cinema e que hoje contesta a “Europa” como fonte de abastardamento do seu very typical way of living. Um pouco de género: o que é bom é podermos comer uma “sande” de couratos, de preferência com a “barba” mal feita, um caldo verde com azeite adulterado ou de má qualidade numa tasquinha do “bairro” e um caneco de vinho da “pipa” já oxidado, e assim sucessivamente, pois é isso que nos confere individualidade, e depois embasbacarmos perante um Dom Perignon ou um Romanée Conti, feitos com recurso à mais moderna tecnologia do sector, ao mesmo tempo que elogiamos a ginginha vendida em Alfama na noite de Stº António, a pior que já alguma vez bebi. Se querem um exemplo típico deste grupo, ele aqui vai: Mª Filomena Mónica.

Depois, os ultra-liberais, claro, para quem a mínima regulamentação sobre o que quer que seja é vista, de imediato, como um atentado aos direitos e liberdades individuais, desde a obrigatoriedade do uso de cinto de segurança à existência de qualquer legislação sobre o trabalho ou sobre a venda de bolas de berlim com creme nas praias, em caixas sem climatização, à torreira de um sol de 40º. Provavelmente, não se importam de comer couratos com a barba feita pela lâmina que sobrou da higiene diária do dono, ou dona, da roulotte, mas eu importo-me que eles o façam. Acha mal, Helena Matos?

Ah!, e falta alguma esquerda que tem horror a tudo o que é grande indústria e comércio organizados, desde que o estado não seja o dono, sonhando com um país de pequenos e médios empresários tidos como explorados pelo “grande capital” e, de outro modo, pela ASAE, que impede a sua existência, o que uma análise com algum rigor por certo desmentiria e que, verdadeiramente, são aqueles que piores remunerações e condições de trabalho proporcionam aos seus trabalhadores. Claro que saberíamos o que aconteceria a esses pequenos e médios empresários. Ou não?

Nota final: para que não restem dúvidas, gosto da gastronomia tradicional, de vinho, não sou frequentador do McDonald's, bebo ginginha, detesto comida de plástico, não me quero ver obrigado a comer queijo da serra feito com leite pasteurizado (compro frequentemente Camembert e Brie no El Corte Inglés, originais, feitos com leite crú) e sempre comi “bolas de berlim” no Guicho e na Praia Grande. Ah, não fumo, excepto um charuto de vez em quando. Deve ser esse, talvez - o facto de não fumar -, o pecado.

"A Christmas Gift For You": The Phil Spector Xmas Album (4)

The Crystals - Santa Claus is Coming To Town (J. Fred Coots - Haven Gillespie)

quarta-feira, dezembro 19, 2007

"A Christmas Gift For You": The Phil Spector Xmas Album (3)

Bob B. Soxx And The Blue Jeans - "The Bells Of St. Mary" (A. Emmet Adams - Douglas Furber)

Uma história do dia-a-dia, ou como só mesmo alguém do Brasil para me orientar na confusão

Amoreiras, hoje, hora de almoço. Como tinha uns cartões de Boas-Festas para enviar (assim, à antiga, como se estivéssemos na era pré “choque ideológico”), dirigi-me à estação de correios que por lá existe. Sem grande ou pequena esperança, tentei a máquina automática de venda de selos. Digo isto porque, das poucas vezes que tenho tentado recorrer a elas nos postos de correio aqui das redondezas (Amoreiras, Rato, Campo de Ourique ou Lapa), isso se revela tarefa mais impossível do que o meu SLB ser campeão esta época, pois só aceitam quantia exacta, o que só por mero acaso encontro nos meus depauperados bolsos. Adiante, pois já imaginam que, mais uma vez, foi isso que aconteceu. Senha tirada, a “coisa” até correu bem, pois passados pouco mais de 3 ou 4 minutos, aí estava anunciado o meu número com a indicação 6 como posto de atendimento. Pois aí é que tudo se revelou bem mais complicado. Talvez por causa deste meu malfadado raciocínio um pouco anglo-saxónico, para mim posto 6 deveria estar assinalado e bem visível, claro, capaz de ser identificado num imediato glimpse of eye. Mas não, engano meu. Depois de uma eternidade de segundos de nariz no ar tal foca no circo, e na ausência de um posto de atendimento ostentando tal número, alguém, falando português do Brasil, solicitamente me indica: “olhe, é capaz de ser ali”. Olhei noutra direcção e lá estava uma pequena secretária, que tinha interpretado como sendo um ""género de welcome desk, funcionária sentada atrás dela, sem qualquer indicação, visível ou não, de número de posto de atendimento. Chamei a atenção da dita funcionária para o facto, ao que me respondeu que não tinha qualquer indicação pois tratava-se de um posto de atendimento provisório, ao que respondi que, assim sendo, deveria ter uma indicação também ela provisória. Depois de lhe desejar um Bom Natal, solicitei então fizesse o favor de corrigir o problema, ao que me respondeu com um qualquer grunhido, que me pareceu desagradável, imperceptível para os meus ouvidos já um pouco “moucos”. Paciência. Agradeci a quem, em português do Brasil, me tinha dado uma ajuda e acabei a pensar que, dado as minhas aventuras em postos de correio do Brasil darem, pelo menos, para um grotesco sketch dos irmãos Marx (os verdadeiros, os legítimos: Groucho, Harpo, Chico e Zeppo e não Marx, Engels e Lenine), só mesmo alguém da nacionalidade para me dar tal ajuda. Pois que tenha um Bom Natal!

As "jotas"

Parece que a JS se manifestou a favor do referendo ao Tratado Reformador e a JC (não há qualquer ligação, juro) contra o salário mínimo. Ora aqui está para que servem as “jotas”: trompe d’oeil dirigidos à esquerda (a primeira) e á direita ultra liberal (a segunda) dos respectivos partidos. E o que é pior é que parece que se sentem bem nos seus papéis...

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Clássicos do Cinema (45)


Um Belenenses - Benfica de 1959

No passado sábado, dia de Belenenses - Benfica, dei por mim a tentar lembrar-me daquele que terá sido, talvez, o mais polémico e controverso CFB – SLB de sempre, disputado a 1 de Fevereiro de 1959 no Estádio do Restelo (isso descobri depois). Tenho do acontecimento uma vaga ideia, tão ténue quanto a minha condição de criança me permitiu guardar, mas sabia que o problema tinha a ver com uma daquelas situações, em que o futebol é fértil, da “bola que entrou ou não entrou”, ninguém sabe muito bem e TV com replay ainda não existia. Sabia, também, que o jogo acabaria por ser repetido e lembrava-me de ter assistido à dita repetição, não tendo qualquer memória de ter ido com o meu pai ao Restelo no jogo da polémica.

Mas enfim, como nessas décadas de 50 e 60 o meu pai estava muito perto do inner circle do “Belém”, o clube tradicional da família (só a minha geração já saiu benfiquista), nada melhor do que pesquisar em alguns livros sobre a história do clube, com dedicatória e assinatura dos autores e tudo, que fazem parte da biblioteca familiar da qual a minha mãe se assume como guardiã. Claro que, depois de com ela ter pesquisado durante uns bons 15 minutos, lá dei com a descrição muito “camisola azul e cruz ao peito” dos acontecimentos e com uma fotografia do Costa Pereira aparentemente socando a bola já dentro da baliza. Bom, apesar do árbitro ter sido um tal Macedo Pires, parece que tudo isto aconteceu no ano da “tal” história do Calabote e de um Benfica – CUF e Torreense – Porto na última jornada, mas o que é facto é que nesse dito jogo, se o “Belém” tivesse ganho igualaria o Benfica no topo da classificação e assim não aconteceu (a repetição também acabou empatada) e pronto, lá de foi, mais uma vez, a miragem do título para os simpáticos “pastéis” (o FCP acabou campeão, o que torna as coisas ainda bem piores).

Ah, mas isto vem a propósito de quê, para além da evocação sempre gratificante de algumas memórias de infância? Já sei! À noite, ao ver um Restelo, hoje em dia bem mais confortável, quase vazio (o “Público” fala em cerca de 5000 pessoas) a assistir ao jogo, lembrei-me, de imediato, de algumas fotografias vistas nessa tarde e nesses livros, de jogos com o Benfica e o Sporting: um Estádio do Restelo com 80 ou 90% da sua capacidade ocupada e um entusiasmo que se imagina. Pois, eu bem me queria parecer que isto ainda iria acabar em nostalgia...

"A Christmas Gift For You": The Phil Spector Xmas Album (1)


Darlene Love - "White Christmas" (Irving Berlin)

A partir de hoje e durante os doze dias seguintes, o "Gato Maltês" irá divulgar na íntegra aquele que foi considerado por Brian Wilson, dos Beach Boys, o melhor álbum de canções de Natal de sempre e que a "Rolling Stone" classifica da posição 142 no seu ranking de melhores albums da música popular: "A Christmas Gift For You", produzido por Phil Spector com arranjos de Jack Nitzsche e gravado em 1963. A versão em CD está incluída na colectânea Phil Spector "Back To Mono" (1958 - 1969) - ABKO, 4 CD's.

sábado, dezembro 15, 2007

Ainda a "noite" do Porto

A mega operação policial de ontem à noite no Porto, dirigida, por incapacidade ou falta de vontade de o ser de outro modo, para as margens do efectivo problema existente de criminalidade organizada e redes de tráficos vários, teve apenas dois objectivos essenciais, bem demonstrados pelos ridículos resultados alcançados completamente off target:

- Em primeiro lugar trata-se de uma gigantesca operação de propaganda para mostrar “serviço” e obter impacto mediático, campo onde quanto maior for o “espavento” mais o espaço e tempo conseguidos, principalmente nas televisões populares. De caminho tenta-se responder às preocupações do Presidente da República, que, como não é parvo, se deve estar a rir de tanta demagogia e a lamentar os recursos esbanjados e a triste figura feita. Nós também, claro.
- Em segundo lugar, face á deserção de uma boa parte da clientela, prestar um serviço inestimável ao negócio da “noite” do Porto, para que ele continue, tanto quanto possível, a sua actividade sem danos de maior para clientes, empresários e tudo o que vier por acréscimo (principalmente?). Business as usual... portanto.

Apenas ridículo? Talvez mais: patético!

sexta-feira, dezembro 14, 2007

A "noite" do Porto... (cont.)

Sr. Ministro Rui Pereira: alguma vez ouviu falar no guarda Abel?

"When I woke up this morning" - original blues classics (19)


Kokomo Arnold (1901 - 1968) - "Milk Cow Blues"

The Kinks - "Milk Cow Blues" (1966)

Mourinho e o futuro

Arrisco que não vai ser assim tão fácil a José Mourinho arranjar emprego. Pode ser que me engane, mas prefiro arriscar.

Claro que não estou a falar de um emprego qualquer, mas o de treinador em um entre aquela menos de uma dúzia de clubes (mais coisa, menos coisa) a que Mourinho, legitimamente, se sente com direito a aspirar: Real Madrid e Barcelona; Milan, Inter ou Juve; Bayern; Man. United, Arsenal ou Liverpool - ele que nunca treinou um “grande”, sem desprimor para FCP e Chelsea. E o facto do Chelsea continuar a ganhar com Avram Grant, e de este ter renovado contrato, em nada o ajuda, mesmo que tenhamos em consideração que foi ”José” que escolheu o plantel e Ballack e Shevchenko continuam em eclipse mais ou menos permanente.

Bom, e porque digo isto? Será que Mourinho não é um dos melhores treinadores do Mundo? Claro que é: estará entre aquela meia dúzia (mais coisa menos coisa, uma vez mais) que pode aspirar a essa classificação. Mas então?...

Bom, Mourinho é uma estrela; uma estrela mediática que não deixa espaço, junto de si, para que outros também o sejam. Ele não é o primus inter pares, é o 007, o herói individualista e bem parecido que enche o écran, destrói os terroristas e fica com a “pikena”. E ainda bem, Portugal precisa desse tipo de heróis. Mas a contrapartida é que isso requer um plantel sem estrelas, estruturado em função de si próprio e do seu modelo de gestão. Mas, dir-me-ão: Drogba, Lampard, Terry e Carvalho não são estrelas? Claro que não: são excelentes jogadores de futebol, dos melhores do mundo mas falta-lhes aquele “je ne sais quoi” para atingirem o estatuto de estrelas mediáticas (acrescento que ainda bem). Ora dificilmente, em algum desses clubes, Mourinho vai encontrar um plantel sem estrelas ou a possibilidade de as descartar (terão custado milhões e terão de ser rentabilizadas...). Por outro lado, já ganharam algo e estão em clubes de topo. Quantos directores desportivos e presidentes desses clubes quererão arriscar no perfil de Mourinho em função daqueles que são o seu registo e experiência anteriores? Quem lhe dará “carta branca” como de início teve no Chelsea?

Mais ainda. Não sendo propriamente um trouble maker, Mourinho tem um personalidade forte e, por isso, potencialmente conflituosa. O seu registo fala por si e não vale a pena acrescentar muito. Volto a afirmar, para que não restem dúvidas, que nada disto o diminui, antes pelo contrário. Mas esta personalidade, que faz parte dos seus activos, tem também o reverso da medalha: algum clube estabelecido quererá arriscar, desde que, eventualmente, possa ter acesso a uma outra opção de qualidade mas menos, digamos assim, problemática?

Poderão dizer: Mourinho deu-se ao luxo de recusar a selecção inglesa. Certo. Mas isso não significa tenha um convite irrecusável de um “grande”. Quantos treinadores de topo, que não estejam já na fase de pré-reforma e tenham feito o seu percurso bem sucedido em clubes, aceitam treinar selecções? Mesmo a inglesa que tem algo de único? Ter aceite não significaria uma manifestação de impotência, um atirar da toalha? Tendo recusado, Mourinho valoriza-se, perfilando-se como ainda aspirante a um desses clubes de topo. É uma excelente jogada mediática, mas que, pela simples razão de se ter visto obrigado a assumi-la, revela, sob a capa de uma posição de força, alguma fragilidade não completamente disfarçada.

Sinceramente, espero não ter razão.

O Mundo em Guerra (41)

France

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Afinal o PCP é a favor do Tratado!!!

O PCP, que apoia Castro e apoiou o "sim" ao referendo que tornaria Chavez num presidente vitalício, que não tem a certeza se a Coreia do Norte é uma democracia (a propósito, já lá foram confirmar?), que não aprovou o referendo sobre a IVG tentando fazer aprovar por via parlamentar uma lei que tinha sido anteriormente rejeitada em referendo, que, que, que e que e assim sucessivamente até ao fim dos séculos, acaba de entregar na Assembleia da República um projecto de referendo ao Tratado Reformador, rápido, rapidinho, antes que arrefeça. E qual é a pergunta, qual é ela? “Aprova o Tratado Reformador que altera o Tratado da União Europeia e o Tratado que institui a Comunidade Europeia?” Repito: “Aprova o Tratado Reformador que altera o Tratado da União Europeia e o Tratado que institui a Comunidade Europeia?” Mais ainda?
Não é preciso!: nada mais claro, não é assim? Então não estão a ver os militantes do PCP lá no "Centro de Trabalho" de Eiras de Cima a ler afincadamente os tratados e a discuti-los, no espírito e na letra, com o “camarada” Jerónimo? Ou será que o CC do PCP, tão voltado actualmente lá para as "latinaméricas", anda a ver os filmes do Mário Moreno, vulgo Cantinflas, que com alguma frequência têm passado na RTP Memória? Será que os seus membros já terão mesmo aprendido a dizer “Ai, mi gabardini?!!!" no fim dos seus discursos? Ou, pura e simplesmente, andam a “mangar” connosco e neste momento estão todos a rir que nem nababos?
De qualquer modo, o “Gato Maltês”, que se assume como federalista, pró tratado e não vê conveniência especial na convocação do referendo, agradece ao PCP a graça concedida, isto é, o seu inestimável contributo para a descridibilização da consulta referendária. É que, depois da péssima defesa do tratado efectuada por Gomes Cravinho e Sérgio Sousa Pinto no último “Prós & Contras”, bem estava a precisar de algum alento. Avante, pois, PCP: “junta a tua à nossa voz”!

A "noite" do Porto...

Na “Quadratura do Círculo” de ontem (SIC Notícias), Pacheco Pereira afirmou que os recentes acontecimentos na “noite” do Porto estão de certo modo ligados ao que ele sugeriu serem as relações espúrias entre alguma actividade económica (construção civil, por exemplo) e claques de futebol (mormente FCP), promiscuidade essa especialmente fomentada no tempo em que o PS era dominante na Câmara do Porto e à qual Rui Rio veio, de certo modo, pôr termo. Mais ainda, afirmou Pacheco Pereira ser um fenómeno específico da cidade do Porto (peço desculpa se o rigor não é total mas penso consegui exprimir, na generalidade, o que pensa e disse JPP) e que é sintomático que o filme “Corrupção” tenha por cenário a cidade.

Em primeiro lugar a minha “chapelada”: JPP consegue condensar numa frase, que é também um programa político, a defesa do seu amigo Rui Rio e o ataque a dois dos seus principais inimigos de estimação: a “futebolite” (a expressão é dele) e o Partido Socialista. Mas tem razão! Tem mesmo toda a razão, só que as suas afirmações se limitam a ser uma mera, embora verdadeira e tocando onde mais dói, constatação da realidade, e há que levar a análise um pouco mais longe, tentando encontrar as razões profundas dessa – vamos chamar-lhe assim – especificidade portuense. Pois vamos a isso, começando por afirmar que nada me liga ao Porto, cidade onde me desloquei maioritariamente por questões profissionais, onde nunca vivi e com a qual não mantenho laços familiares ou de excepcional afectividade.

Algumas pessoas do Porto costumavam dizer-me que Lisboa era uma cidade aristocrática e o Porto uma cidade burguesa, o que, podendo à primeira vista ser considerado uma versão do lugar comum “Porto, capital do trabalho” (todas as cidades portuguesas são, hoje em dia, capitais de qualquer coisa – até as Caldas da Rainha...?!), contém em si algo de verdadeiro: historicamente, Lisboa, capital do império, sempre foi a cidade da Administração, da Banca e dos grandes grupos económicos ligados ao capital financeiro e à aristocracia (Alfredo da Silva, por exemplo, casou a filha com o conde do Cartaxo, D. Manuel de Melo) e o Porto do empreendorismo burguês, mais individualista, mercantil e exportador. A própria localização das duas cidades parece não ser alheia a estes modelos, sendo que para as fábricas da zona de Lisboa emigram os proletários agrícolas do Alentejo e Ribatejo, sem terra, ou até camponeses das Beiras que pela distância perdem mais facilmente as suas ligações às “terras” de origem, e o Porto recruta a sua mão de obra no minifúndio circundante, onde essa ligação à terra se mantém e os proventos dela retirados ajudam à manutenção dos baixos salários numa indústria de pouco valor acrescentado. Também nas mulheres, fruto de uma indústria considerada mais “vocacionada” para a mão-de-obra feminina (têxteis, etc) e onde o salário assume muitas vezes a forma de um complemento ao rendimento familiar. É isto que, em traços muito gerais e grosseiros, o 25 de Abril vai encontrar, tendo como resultado uma muito maior implantação do PCP e "esquerda revolucionária" naquilo que passou para a história do PREC, e não só, como a “Cintura Industrial de Lisboa”. Mas como, com este “arrazoado” mais ou menos histórico, queremos chegar aos homicídios da noite portuense? Vamos ver...

É esta estrutura empresarial e social que faz com que a luta contra a hegemonia do PCP no pós 25 de Abril se venha a “centrar” no norte, muitas vezes com recurso a algum bas fond da região para determinado tipo de acções mais marginais, nas margens da legalidade mas, por necessidade, reconhecidas e incentivadas. É também este tipo de estrutura empresarial e estes acontecimentos históricos que vão dar origem a uma hegemonia económica do norte nos tempos subsequentes, tendo como ponta de lança e cimento ideológico o Futebol Clube do Porto na sua luta, também ela nem sempre clara e muitas vezes recorrendo a métodos mais ou menos subterrâneos, contra a “capital”, e constituindo a sua principal claque, com as suas ligações espúrias, uma “tropa de choque” (SturmAbteilung) disponível. É a partir da estrutura política do Partido Socialista no Porto e em aliança com ela, aliança começada a forjar durante o PREC e na luta contra o PCP por si maioritariamente dirigida (muitos futuros dirigentes do PS portuense, como Fernando Gomes, nascem aí), que este “modelo” alcançou força e influência políticas. É o empreendorismo e individualismo do norte, o seu espírito de iniciativa fundado em razões históricas e tão presente na sua estrutura empresarial onde a pequena empresa é elemento constitutivo essencial - e exemplo do sucesso desse esforço individual - que fomenta a livre iniciativa e ânsia de enriquecimento rápido, o que tendo muito de positivo, claro, também impele, numa região onde a formação escolar é tradicionalmente baixa, ao recurso a expedientes e actividades facilmente lucrativas mas nem sempre legítimas, muitas vezes ilegais ou, pelo menos, situadas na área da economia subterrânea. Por fim, é o menor cosmopolitismo do Porto ou até mesmo um certo provincianismo social, um certo novo-riquismo com raízes já fundas e moldado por esta estrutura, que tornará o negócio “da noite”, com características que bem o diferenciam de Lisboa, especialmente apetecível e lucrativo, porque muito frequentado e também ao abrigo de um estatuto de alguma impunidade estabelecido pelas cumplicidades ao longo dos anos forjadas e pelas interdependências tecidas.

Pois voltemos então ao princípio: tem razão José Pacheco Pereira (um portuense) quanto às especificidades da “noite” do Porto. Foi este o “caldo de cultura”, este entrelaçar de vários tráficos de influência e cumplicidades várias forjadas ao longo de anos, que, aqui traçado na forma de um esboço ligeiro, esteve e está na base dos acontecimentos recentes, o que torna o caso bem mais melindroso e de resolução complexa e prova, uma vez mais, como se isso fosse necessário, que tudo tem duas faces: muito do que jogou a favor da democracia, em determinado tempo e contexto históricos, joga agora contra ela. “Cruel dilema”, como diria Vasco Santana!

História(s) da Música Popular (69) - Ike Turner (1931 - 2007)

Ike & Tina Turner - "River Deep, Mountain High" (Jeff Barry - Ellie Greenwich - Phil Spector)
Aparentemente, Ike Turner (1931 Clarksdale, Mississippi) é o Turner errado e, sendo assim, poucas razões haveria para muito destaque: Tina Turner tornou-se vedeta já sem ele (a massificação tem destas coisas), Ike parece que a sujeitava a repetidas cenas daquilo que hoje se chamaria “violência doméstica” e teve uma vida muito mais cheia de álcool e drogas do que, talvez, rock n’ roll. Se calhar, pelo menos qualitativamente, muito menos do que nós (e ele?) desejaríamos. Mas o que é facto é que depois dele e de Phil Spector (outro que tal) nunca mais a música de Tina atingiria os píncaros, por muito que o cinema, a TV, os mass media e algum gosto pelo menos duvidoso tentassem provar o contrário. Exactamente por isso aqui o recordo, e exactamente pelas mesmas razões recordarei também Ike (e Spector) no dia em que Tina desaparecer, caso por aqui ainda ande.

Para além disso, se me perguntarem qual o melhor exemplo daquilo que passaria à história como o “Phil Spector wall of sound” não deixaria de mencionar, espontaneamente e “top of mind”, este “River Deep, Mountain High”, gravado em Março de 1966 em LA e da autoria de uma das duplas mais famosas do Brill Building, Jeff Barry e Ellie Greenwich, cuja história começarei a contar, conforme prometido, no próximo “História(s) da Música Popular”. Fica, como amuse gueule, este "River Deep, Mountain High". E fica muito bem como tributo a Ike Turner.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Outras Músicas - Mozart, a Sotheby's e a Sinfonia Concertante KV 364 (V)

Wolfgang Amadeus Mozart - Sinfonia Concertante em Mi Bemol Maior para violino, viola e orquestra KV 364 (3º andamento, "Presto"). Maxim Vengerov (violino), Yuri Bashmet (viola).

Sugestão de presentes de Natal para a PJ

Dá bem para ver que este blog tem um “fraquinho” por cinema e por séries britânicas de televisão. Ele é mais um “fortezinho”... Como estamos em época de Natal e de presentes - e DVD’s fazem habitualmente parte do lote – apetece-me sugerir ao Director Nacional da Polícia Judiciária (não, não é um curso de comunicação...) dois DVD’s para oferecer este Natal às equipas que investigam o “caso” McCann e os assassinatos na noite do Porto – neste último caso, se é que existe alguém a fazê-lo. Para os primeiros um dos episódios de “Waking The Dead” (passou na SIC Mulher), “Thin Air” de seu nome. Para a equipa da “noite” do Porto o filme de João Canijo “Noite Escura”, que além de tudo o mais é um excelentíssimo filme com aquela que é talvez a melhor actriz portuguesa da actualidade, Beatriz Batarda. É que para além da simpatia do gesto e da distracção que pode proporcionar aos "rapazes", ocupando os seus tempos livres e, assim, afastando-os dos lautos almoços bem regados, até pode acontecer que isso inspire as respectivas equipas da “melhor polícia de investigação criminal do mundo” - dizem eles.

Norman Rockwell Christmas Album (series II - 3)

London Coach - 1925

terça-feira, dezembro 11, 2007

Outras Músicas - Mozart, a Sotheby's e a Sinfonia Concertante KV 364 (IV)

Wolfgang Amadeus Mozart - Sinfonia Concertante em Mi Bemol Maior para violino, viola e orquestra KV 364 (2ª parte do 2º andamento, "Andante"). Maxim Vengerov (violino), Yuri Bashmet (viola).

História(s) da Música Popular (68)


Paul Revere & The Raiders - "Kicks" (Barry Mann - Cynthia Weil)

The Brill Building (XVIII)
Pois acabemos este capítulo do Brill Building dedicado a Barry Mann e Cynthia Weil com Paul Revere & The Raiders (1960, Portland, Oregon), um grupo mainstream que coleccionou alguns êxitos nos anos sessenta e actuava vestido com uniformes estilizados da Guerra da Independência. Destes, o mais notório terá sido este “Kicks”, um manifesto anti-droga de Mann e Weil que trepou até #4 em 1966 e tinha sido inicialmente escrito para os Animals. Mas outro acontecimento importante a que o grupo está ligado, pelo menos para quem se interessa por estas coisas da música popular e do r&r, é o facto de ainda hoje se discutir se teriam sido os primeiros a gravar o celebérrimo “Louie Louie”, considerado o tema com mais covers na história do r&r. Não se chegou a qualquer conclusão, como convém a algum mistério sempre associado a estas coisas, mas o facto é que, apesar de ter sido a versão dos Kingsmen, gravada em 1963 no mesmo estúdio, a alcançar a glória, “Louie Louie”, contribuiu para lançar Paul Revere & The Raiders no difícil, por concorrencial, período da "British Invasion".

E assim sendo, até ao próximo capítulo dedicado ao Brill Building, agora com Jeff Berry e Ellie Greenwich.

O "Arrastão", o "europeísmo" e José Pacheco Pereira

Pergunta a Daniel Oliveira a propósito deste seu post: a sério, Daniel, que v. não se sente mesmo um nadinha incomodado, um frémitozinho ligeiro, que seja, por ver Miguel Portas concordar na substância com a argumentação eurocéptica (só?) de José Pacheco Pereira, o mais inteligente, bem preparado e consequente ideólogo em Portugal da doutrina "neocon" e dos interesses da administração Bush? Nem um bocadinho, mesmo? Sim, eu sei que Sérgio Sousa Pinto e Gomes Cravinho estiveram muito mal – poderiam ter estado melhor, sendo quem são e valendo o que valem? – e quase se poderia dizer que foram escolhidos a dedo pelos defensores do anti-europeísmo mais extremo para que MP e JPP brilhassem, mas essa está longe de ser a questão essencial, não é assim? Voltando ao que afirmei em outro post: estamos aqui perante a versão pós moderna do Pacto Germano-Soviético - salvaguardadas as devidas distâncias, evidentemente – ou face a uma ressureição da teoria do social-fascismo? Como quero ser benevolente, acho que se trata apenas de um “Ensaio Sobre a Cegueira”.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Outras Músicas - Mozart, a Sotheby's e a Sinfonia Concertante KV 364 (III)

Wolfgang Amadeus Mozart - Sinfonia Concertante em Mi Bemol Maior para violino, viola e orquestra KV 364 (1ª parte do 2º andamento, "Andante"). Maxim Vengerov (violino), Yuri Bashmet (viola).
Apenas para os não iniciados: afinal o que é isso de uma viola, que não se parece nada com aquilo que entre nós assume normalmente essa designação e acompanha a guitarra portuguesa no fado de Lisboa ou de Coimbra? Bom, digamos que é assim um violino um pouco maior (o tamanho varia um pouco) e com um som mais grave, em rigor uma “quinta”. É também mencionado por vezes como contralto. Contrariamente ao violino, juntamente com o piano o instrumento mais comum como solista, existem muito poucas peças em que a viola assuma um papel relevante e ainda menos aquelas nas quais é solista. Assim de memória, lembro-me de um concerto para viola de Telemann, compositor do período barroco de que particularmente gosto. Se procurarem na net, encontram uma lista de peças para viola solista ou em que a viola tem alguma relevância, mas, como poderão ver, essa lista passa bem ao lado da grande maioria dos compositores mais importantes e conhecidos. Com Mozart, para além da Sinfonia Concertante, a viola assume um papel de alguma importância nos seus seis quintetos de cordas (dois violinos, duas violas e um violoncelo), mesmo assim das suas composições de câmara menos divulgadas e menos frequentemente executadas. Muito menos do que os quartetos, claro.

Os portugueses e o café...

Comecei a beber café muito novo, para aí com 12 ou 13 anos ou coisa do género. Talvez por influência do meu pai, quando, por vezes, o acompanhava, ao fim da tarde, nas tertúlias do “Belenenses”, o clube da tradição familiar, que se reuniam no café Nicola; talvez por hábito de me sentar ao lanche junto da cama de uma das minhas avós durante a sua doença; talvez por causa da loja de chás e cafés, a poucos metros de casa dos meus pais, onde passava diariamente e de onde vinha um cheiro de que gostava, aproveitando para ficar alguns minutos a ver na montra os montinhos de café de vários lotes e com nomes sugestivos, os rebuçados Heller coloridos e os bombons da Regina com corações desenhados no papel de prata em que se embrulhavam e que as raparigas tinham por hábito (“possidoneira” suprema, diga-se) guardar entre as folhas dos livros. Talvez por nada disto, e tudo o que disse não passem de memórias quase esquecidas de infância sem qualquer influência no hábito, mas o que é certo é que lá em casa o café era omnipresente, trazido em grão e moído na altura desse mesmo Nicola quando, em época pré- supermercados, apenas aí os seus lotes se vendiam.

Serve este intróito para dizer quanto estranho o hábito, tão português, de sair após almoço ou o jantar para beber um “expresso”, não mais do que sofrível, no café da esquina, normalmente local pouco ou nada acolhedor ou recomendável, em vez de, em balão ou apenas naquelas pequenas cafeteiras prateadas de “ir ao lume”, beber um bom café (prefiro o “Moka Harrar” ou o "Colômbia Supremo", já que o Kona havaiano ou o Blue Mountain da Jamaica têm preços que desencorajam qualquer mortal sem aspirações a novo-rico emergente) sentado no meu confortável sofá da sala, acompanhado por um pequeno quadrado de chocolate preto e, por vezes, um excelente LBV não filtrado. Será que isto significa que não bebo café fora de casa? Claro que bebo, excepto no Algarve onde a qualidade da água torna o "beber um café fora" um sacrifício semelhante ao óleo de fígado de bacalhau. Mas normalmente faço-o de manhã, quando saio, já que o pequeno almoço, excepto ao fim de semana, não é normalmente dado às “grandes calmas” de degustar um bom café. Ou se almoço ou janto fora, claro. Mas isso de sair do conforto de uma casa e de um bom café em troca de um balcão frio e barulhento, ou então – nova moda – importar para dentro de casa o hábito do expresso ou do café em pastilhas, sem denominação de origem, do George Clooney, é pelo menos tão mau como o chá em saquetas, que está para o verdadeiro chá como o café solúvel ou o descafeínado estão para o café. Bom, mas isto do chá já outra conversa que fica para ocasião mais propícia.

domingo, dezembro 09, 2007

sábado, dezembro 08, 2007

Outras Músicas - Mozart, a Sotheby's e a Sinfonia Concertante KV 364 (II)

Wolfgang Amadeus Mozart - Sinfonia Concertante em Mi Bemol Maior para violino, viola e orquestra KV 364 (2ª parte do 1º andamento, allegro maestoso). Maxim Vengerov (violino), Yuri Bashmet (viola).
Pois, a propósito do manuscrito de WAM leiloado pela Sotheby’s, continuemos. Como o próprio nome indica - isto para os não iniciados, claro - sinfonia concertante vem a ser algo mais ou menos a meio caminho entre o concerto e a sinfonia. Com origem nos concerti grossi, ou grandes concertos, barrocos (o melhor e mais conhecido exemplo serão os Concerti Grossi de Händel), na época do classissismo vienense a sinfonia concertante toma do concerto os instrumentos solistas (ou apenas um) e os três clássicos andamentos e da sinfonia uma maior proeminência da orquestra face a esses mesmos instrumentos solistas. Na sua essência, é, portanto, uma obra de construção sinfónica, mas onde existe também um lugar para solistas. Existe também uma outra sinfonia concertante atribuída a Mozart, para oboé, clarinete, fagote e trompa em mi bemol maior (K 297 b), mas a sua “paternidade” é considerada duvidosa, não estando mesmo incluída no catálogo inicial Köchel de 1862. De qualquer modo, tentarei um dia destes incluir aqui alguns excertos, como exemplo.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Norman Rockwell Christmas Album (series II - 2)


"Good Deeds" (1924)

Outras Músicas - Mozart, a Sotheby's e a Sinfonia Concertante KV 364 (I)

Wolfgang Amadeus Mozart - Sinfonia Concertante em Mi Bemol Maior para violino, viola e orquestra KV 364 (1ª parte do 1º andamento, allegro maestoso). Maxim Vengerov (violino), Yuri Bashmet (viola).
Segundo notícia da Lusa, uma página do manuscrito de Mozart desta partitura, escrita no Verão de 1779 tinha WAM 23 anos, foi leiloada pela Sotheby's, em Londres, por 156.047 euros. Penso ser uma boa oportunidade para a revisitar. Não é uma das minhas interpretações favoritas (das que tenho, gosto particularmente da interpretada por Itzhak Perlman, no violino, e Pinchas Zuckerman, na viola, com a Orquestra Filarmónica de Israel dirigida por Zubin Mehta), mas é o que se arranja no You Tube. Os blogs têm destas coisas: permitem transcrever a notícia e mostrar e fazer ouvir o que está em causa. Neste caso, vale bem a pena! Tanto quanto os 156 mil euros (mais uns "pós") do manuscrito.

João Cravinho e o novo aeroporto

Nos últimos dias, João Cravinho tem vindo a desenvolver um ataque cerrado a qualquer opção para o novo aeroporto de Lisboa que não passe pela mega-estrutura aeroportuária localizada na Ota. Esse ataque tem passado não só por críticas ao Presidente da República, por ter aceite um estudo cujos patrocinadores não são todos conhecidos (aqui poderá ter alguma razão, enfim, embora em última análise o PR tenha agido correctamente ao aceitá-lo), bem como por algumas afirmações sobre o modelo de desenvolvimento que a localização “Alcochete” ou a solução “Portela +1” consubstanciariam (“regresso ao passado”, modelo de desenvolvimento “marcelista”, cedência a interesses imobiliários, etc). Seria interessante que João Cravinho, convidado de um colóquio organizado pelos defensores da “solução Ota”, tivesse aproveitado a oportunidade para, em vez de se limitar a emitir alguns sound bytes, esclarecer, segundo ele, em que consistiriam e qual o conteúdo efectivo de cada um desses modelos de desenvolvimento alternativos, e quais as razões que estariam na base da sua avaliação negativa de alguns deles. Essa sim, teria sido uma contribuição bem mais positiva para uma discussão essencial sobre o futuro do país. Infelizmente, não consegui encontrar dela menção. Crédulo, decidi concluir que talvez tenha sido eu a não procurar bem.

Veiga vs Vieira

José Veiga e Luís Filipe Vieira representam as duas faces de uma mesma (má) moeda: a gestão desportiva populista e demagógica que desde há mais de uma década assentou arraiais no Sport Lisboa e Benfica. Por isso, a actual polémica não pode merecer mais do que este sintético post.

"O Gato Maltês"

Problemas informáticos levaram à interrupção das actualizações deste blog durante quatro dias. Aqui se retoma, esses mesmos quatro dias e cento e oitenta e sete euros depois!

domingo, dezembro 02, 2007

"When I woke up this morning" - original blues classics (18 )

27 de Novembro de 1936 (San Antonio, Texas) - Robert Johnson - "Cross Road Blues" (Robert Johnson)

1968 - Cream (Eric Clapton+ Jack Bruce+Ginger Baker) - "Crossroads" (Robert Johnson)

"Paranoid Park"

Mesmo que possa não o parecer - mas as semelhanças temáticas e narrativas estão lá, bem visíveis - “Paranoid Park”, de Gus Van Sant, é uma nova abordagem e um segundo “mergulho” no mesmo tema de “Elephant”, em que talvez a escrita de uma carta que se queima substitua o massacre, em que essa comunicação, suscitada por um vislumbre de amizade que não se confunde com companheirismo na prática de skate, num caso, ou de sexo, no outro, o evita. Ou então “Elephant” foi apenas o primeiro capítulo de um, até agora, díptico sobre os jovens na América, ou a América e os jovens. Sensível porque inteligente. Também cinema, claro, e não só pela homenagem na banda sonora a Nino Rota. A uns bons milhares de células cinzentas da alarvidade boçal de um Michael Moore, citado aqui apenas a propósito de duas abordagens tão diferentes a um mesmo tema.

sábado, dezembro 01, 2007

O "meu" Benfica

Esta equipa do “meu” Benfica é mesmo a imagem do seu treinador: mais genica do que cérebro, mais instinto do que ciência. Corre mais do que joga, luta mais do que pensa. Baralha-se no discurso do seu próprio futebol, mais sôfrego e atabalhoado, menos organizado e colectivo. Obviamente que não chega, e entre duas quartas-feiras deve ter dito adeus aos seus principais objectivos. Nada que aqui não se tivesse previsto na pré-época.

Norman Rockwell Christmas Album (series II - 1)

Christmas Carol - 1923

quinta-feira, novembro 29, 2007

História(s) da Música Popular (67)

The Animals - "We've Gotta Get Out Of This Place" (Barry Mann - Cynthia Weil)
The Brill Building (XVII)
Pois continuemos com Barry Mann e Cynthia Weil e agora com o tema "We’ve Gotta Get Out Of This Place" (#13 em 1965 nos USA e #2 no UK) dos britânicos Animals (Newcastle, 1963), de Alan Price e Eric Burdon, talvez o grupo mais importante da British Invasion depois dos intocáveis Beatles e Rolling Stones. Pelo menos, o único que eu vi ao vivo, numa primeira fila do antigo Teatro Monumental sob a vigilância apertada da polícia para que ninguém saísse da linha – era proibido ir dançar para as coxias – que isso era coisa a que a ditadura não se poderia permitir.

Bom, mas sobre os Animals falaremos depois com mais pormenor, quando falarmos da British Invasion, pois o grupo bem merece alguns posts e parágrafos bem extensos. Sobre “We’ve Gotta Get Out of This Place” podemos dizer que ele é um dos melhores exemplos das preocupações sociais presentes em muitos temas de Mann e Weil. Embora isso hoje pareça difícil de entender, foi inicialmente composto para os Righteous Brothers, mas acabou por ir parar ás mãos de Mickie Most, produtor do grupo de Newcastle, segundo consta com ligeiras alterações na letra original. Claro que foi rapidamente adoptada pelo exército americano no Vietnam... ou não fosse o refrão inteiramente apropriado.

Bom, mas musicalmente, para além da voz de Burdon – embora eu seja um admirador de Alan Price, o fundador e mentor do grupo que em Maio de 1965 o abandonou para formar o Alan Price Set e, mais tarde, interpretar um célebre (?) dueto (“Rosetta”) com Georgie Fame – é de salientar o papel do baixo de Chas Chandler na introdução. Ficamos por aqui e, pela 1ª vez, resolvemos incluir a “letra” para melhor ilustrar aquilo que aqui se disse sobre as suas preocupações sociais.
"In this dirty old part of the city where the sun refuse to shine
People tell me there ain't no use in trying
Now, my girl, you're so young and pretty
And one thing I know is true,
You'll be dead before your time is due, (I know)
Watch my daddy in bed and dying
Watch his hair been turning grey
He's been working and slaving his life away, (Oh yes I know)
He's been working so hard
I've been working too baby, (every night and day)
(Chorus)We've gotta get out of this placeif it's the last thing we ever do
We've gotta get out of this place
Girl there's a better life for me and you

Now my girl you're so young and pretty
And one thing I know is true
You'll be dead before your time is due, (I know it)
Watch my daddy in bed and dying
Watch his hair been turning grey
He's been working and slaving his life away (I know)
He's been working so hardI've been working too baby,
(Chorus)
Somewhere baby
Somehow I know it baby
(Chorus)
Believe me baby
I know it baby
You know it too

The Hammer Collection (8)

" Frankenstein Created Woman" de Terence Fisher (1967)

quarta-feira, novembro 28, 2007

Quatro "posts" de actualidade - 4. Novos investimentos na Autoeuropa

A decisão positiva sobre a produção do novo VW Polo na Autoeuropa e os novos investimentos que irão aí ser efectuados é, claro, uma excelente notícia. E não só pelo volume de negócios acrescido, pelo seu efeito multiplicador, o reflexo nas exportações e no número de postos de trabalho, directos e indirectos, qualificados, mantidos e/ou criados. É que a Autoeuropa é um exemplo a vários níveis, da gestão ao sindicalismo, que tem um efeito indutor; e no qual o país precisa de se rever e do qual necessita para progredir.

Quatro "posts" de actualidade - 3. A entrevista de Ana Lourenço a Miguel Sousa Tavares

Tenho respeito pelo percurso profissional de Ana Lourenço (AL) e Miguel Sousa Tavares (MST). Sou mesmo habitual leito deste último. Mas a entrevista de ontem, na SIC Notícias, de AL a MST não foi mais do que uma acção promocional, em prime time, integrada no lançamento do novo livro (“Rio das Flores”) de MST, da qual, aliás, não me parece nem MST nem a sua editora necessitarem. Ou tratou-se apenas de irritar o "Público" e "roubar", por momentos, a vedeta da concorrente TVI? Bom, no fim, depois de tanto charme despejado sobre MST, só faltou AL convidar este para jantar em “directo e ao vivo”. Senhora jornalista...

Quatro "posts" de actualidade - 2. O novo aeroporto e a ACP

A opção Portela +1 defendida pela Associação Comercial do Porto (e que este blog também tem defendido por razões que se não confundem e foram por aqui devidamente expressas e fundamentadas) não é, claro está, politicamente neutra: ela tem na sua base um modelo de desenvolvimento que, em poucas palavras, tenta evitar a polarização na área centro-sul, em torno de Lisboa, e valoriza uma maior autonomia do norte centrada na região galaico-duriense, transnacional. Claro que, vindo de onde vem, as suas conclusões são como a pescada: antes de o ser... Não é por isso inocente o destaque que o jornal “Público” e o seu director José Manuel Fernandes hoje lhe concedem. Não se poderá neste caso dizer “cherchez la femme”, mas nem sequer será preciso ser inteligente para procurar o “homem”. Enfim, embora seja a “minha” opção (sem TGV Lisboa-Porto, acrescento, o que certamente já não será defendido pela ACP) não será assim que se credibiliza a decisão a tomar.

Quatro "posts" de actualidade - 1. A deputada Luísa Mesquita

Ao contrário do que ela própria e outros afirmam (Jorge Coelho, por exemplo) a expulsão do PCP da deputada Luísa Mesquita está longe de se restringir a uma questão puramente administrativa: ela é, isso sim, política e ideologicamente determinada. Nos partidos comunistas, a subordinação do individual ao colectivo, e o primado deste, são parte integrante e fundamental (que está nos seus fundamentos e sem a qual não existem tal como os conhecemos) da sua ideologia, forjada na primeira e segunda vagas industriais, nas lutas pelos grandes contratos colectivos no tempo em que a organização industrial pressupunha enormes e pesadas estruturas hiper hierarquizadas e onde predominavam, a nível do operariado, as funções indiferenciadas, pouco qualificadas, repetitivas e, por isso, com salários idênticos. Onde a luta era muitas vezes desigual e difícil e efectuada em condições de risco elevado. É isto que está na base da matriz ideologica “colectivista” e anti-liberal (onde as liberdades individuais valem o que valem: pouco) dos partidos comunistas. Afastado este quadro - que apenas vai subsistindo com algumas dificuldades em alguns sectores da função pública - varrido pela globalização, pelas novas tecnologias e subsequentes novas formas organizativas empresariais, o PCP, tal como o conhecemos, tem dificuldade em subsistir, embora essa continue a ser esta a ideologia que lhe dá forma. Um pouco como acontece nas revoluções como a de Outubro, ex-libris do PCP: mesmo depois de destruído o aparelho de estado "burguês” “a mentalidade e comportamentos da antiga classe dominante continuarão a subsistir durante longos anos sendo necessário lutar contra ela de forma permanente para que não destrua a revolução”. Ironia, pois claro!

terça-feira, novembro 27, 2007

"Arte popular" no "Estado Novo" (8)

Capa de Almada Negreiros para a revista "Panorama" do SNI (1941)

O IGAI e o OSCOT - ou Clemente Lima vs Garcia Leandro

As afirmações do general Garcia Leandro, presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, sobre a entrevista concedida ao “Expresso” pelo Inspector Geral da Administração Interna (uff!, denominações complicadas!), por alguma razão pondo em confronto um militar responsável pela segurança “pura e dura” e um civil, juiz, vêm mais uma vez pôr em evidência duas concepções diferentes, mesmo antagónicas e até inconciliáveis de país, de estado e de nação. Poderia dar-se o caso de reflectirem nada mais do que as funções conjunturais de cada um, mas são muito mais do que isso. De um lado, o de Clemente Lima (IGAI), vemos a ansiedade por um país mais europeu, uma sociedade mais aberta, mais plural e tolerante, mais cosmopolita, com níveis de educação em progresso, mais responsável e confiante na capacidade de iniciativa dos seus cidadãos, tanto a nível social como económico. Um país mais culto e confiante, que não hesita em olhar os seus problemas de frente, discuti-los com abertura e resolvê-los, porque os cidadão se querem menos dependentes da “segurança” do estado e das suas instituições. Que tenta ver ao longe. No outro, no de Garcia Leandro, revemos um pouco do Portugal do passado, autoritário q.b., provinciano e fechado sobre si próprio, pouco confiante na capacidade e espírito de iniciativa dos seus. Uma sociedade que gosta de ser ver tutelada e militarizada, de súbditos, de cultura retrógrada, governada pelas corporações para quem tudo está sempre bem excepto os meios sempre insuficientes que lhe são concedidos para que se calem e tudo fique na mesma.

No fundo, nada disto constitui novidade de maior e, mesmo que sobredeterminado por conflitos conjunturais, é algo que nos tem acompanhado durante, pelo menos, os últimos 200 anos. Também algo sobre o qual partidos e governo não deveriam ficar mudos e indiferentes. Ou apenas aproveitar a situação para chicana de oportunidade. É que é a isto que chamam política, sabiam?

segunda-feira, novembro 26, 2007

Cinema e Rock & Roll (14)

Adriano Celentano - "Ready Teddy" (in "La Dolce Vita" de Frederico Fellini - 1960)

Little Tony - "Che Tipo Rock" (in "I Teddy Boy Della Canzone" de Domenico Paolella- 1960)
Pois aqui, nesta ligação entre o cinema e o rock n’ roll nunca tinha a Itália passado. A explicação é bem simples: se em França o chamado movimento yé-yé ainda teve alguma importância e influência - questões de qualidade à parte, já se vê – e uma boa dose de imitadores aqui pelo “rectângulo”, em Itália a importância do rock terá sido bem mais diminuta, tanto quanto eu saiba, cedo silenciada pela proeminência internacional que o Festival de San Remo, com os seus Domenico Modugno, Gianni Morandi, Bobby Solo, Cinquetti e tutti quanti, conseguiu alcançar. Lembro-me, embora muito por influência de primos mais velhos, de duas excepções: Little Tony, que até era de S. Marino, e Adriano Celentano, ambos assim um pouco de Johnny Hallidays com um traço da comédia italiana dos anos sessenta de Sordi e Gassman.

Pois aqui ficam então dois exemplos: Celentano interpretando “Ready Teddy”, de Blackwell – Marascalco, no filme de... adivinhem lá, Frederico Fellini “La Dolce Vita” e Little Tony no filme de um tal Domenico Paolella chamado "I Teddy Boy Della Canzone" ambos de 1960. O ano de produção deve ser mesmo a única coincidência...

A selecção de Malta no grupo de Portugal e o autor deste "blog"

Como não poderia deixar de ser, este blog saúda e congratula-se com o facto da selecção nacional de futebol de Malta integrar o grupo de Portugal na qualificação para o Mundial de 2010. Integrar, disse bem, pois lutar pela qualificação é algo que seguramente não estará ao seu alcance. Mas, mais do que isso, o autor deste blog partilha ainda com a selecção maltesa algo mais do que um simples registo comum de antepassados e culturas: um dos “médios”, normalmente convocado e que fez parte do plantel no apuramento para o Euro 2008, ostenta, certamente com orgulho, o mesmo apelido, tão caracteristicamente maltês, que este que se assina. E, tanto quanto sei, até marcou um golo à Suécia, em jogo das selecções de sub – 21 disputado em 2005 que Malta perdeu por seis a zero. Pormenor: o golo foi na própria baliza, claro. Parentes afastados...

domingo, novembro 25, 2007

Em louvor do Inspector - Geral da Administração Interna

Pedra de toque importante na “civilidade” e qualidade de uma democracia é o modo como actuam e se comportam as suas polícias, a forma como se relacionam e interagem com os cidadãos e a sociedade, como se comportam no cumprimento dos seus deveres de combate à criminalidade e protecção dos cidadãos. O seu grau de profissionalismo e preparação, a adequação, em termos da proporção dos meios empregues, a cada uma das situações que enfrentam. Pela sua própria natureza e registo histórico, principalmente num país de larga tradição autoritária e de grau de educação abaixo de sofrível, a tendência para o autoritarismo, para a assunção fácil de uma política de intimidação e intolerância autistas em vez do objectivo de servir o cidadão, de arrogância para com alguém que até há bem pouco era “um seu igual” na modéstia, ou de vingança perante os que, por nascimento, educação ou dinheiro, sempre se habituou a invejar, são riscos enormes que só uma preparação de qualidade e um rigoroso controle permanente, sem transigências, permitem minimizar. Daí a extrema importância da entrevista ao “Expresso” do Inspector Geral da Administração Interna, Clemente Lima, que reputo de notável como exemplo de cidadania e empenhamento no caminho para um país mais civilizado, uma sociedade mais aberta e tolerante. Está lá tudo o que nos devia preocupar: a existência de uma polícia de carácter militar (para cidadãos de 2ª?) a par de uma outra civil; a desproporção dos meios muitas vezes utilizados contra delitos menores, inclusivamente o uso indiscriminado de armas de fogo; o desrespeito e a desconsideração pelo cidadão; a relativa impunidade dos agentes que prevaricam; o exibicionismo gratuito; os gastos inúteis e a falta de preparação técnica; a mentalidade obsoleta. Por fim, a proposta assumida de um futuro apenas com uma polícia, civil. É uma entrevista contra a corrente, quando o sentimento dominante na sociedade, mesmo dentro de uma esquerda normalmente mais liberal a anti-securitária (daí algum silêncio desta?), é no sentido de um reforço dos métodos e das práticas. Fez bem, o cidadão Clemente Lima: faz-nos acreditar no primado da inteligência e num país ainda com futuro. Respirável. Civilizado.