Depois digam que a culpa é da ASAE...
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
terça-feira, junho 23, 2009
A culpa é da ASAE?
Depois digam que a culpa é da ASAE...
sábado, janeiro 12, 2008
MST, VPV. AB, o "Expresso", o "Sol" e o futuro da pátria
O “Gato Maltês” tem estado para aqui a pensar - e o “Gato Maltês às vezes pensa, principalmente quando, como hoje, o Benfica não ganha e faz triste figura –, em propor a tão insignes figuras e instituições nacionais como, por exemplo, MST, VPV, AB, “Expresso” e “Sol” que, pelo menos durante uma semana (uma semaninha, não custa nada), em vez de estarem permanentemente preocupados com assuntos de sobremaneira graves e estruturantes para o futuro da pátria e na nação – e o “Gato Maltês”, apesar de muito arraçado e de ter tido os seus ascendentes e agora os descendentes espalhados aí pelo mundo, lá nasceu e cresceu por aqui – tais como as bolas de Berlim com ou sem creme, colheres de pau, rissóis das “tias” e ginginha “com elas”, por exemplo (é verdade, e das iscas e da fava rica, já algum deles se lembrou?), talvez fosse tempo de fazerem uma pausa e, para variar, descontraírem e arejarem um pouco a cabeça, distraindo-a de tão profundos pensamentos e passando a dedicar, durante essa semana, alguma da sua energia, papel e bytes a assuntos de índole um pouco mais ligeira, quiçá fútil, que os distraiam de tão magnos e preocupantes problemas. É que o “Gato Maltês”, se calhar por não ser fumador (vá lá, de vez em quando lá fuma um “Romeo e Julieta” nº 1, pecado confesso), até se preocupa com a saúde de tão brilhantes mentes e instituições - caraças! - e não os deseja, de modo absolutamente nenhum, ver em sofrimento súbito por via de uma qualquer surmenage!
Assim, e em conformidade com o desejo acima expresso (sem aspas e com letra minúscula), o “Gato Maltês” propõe que tão ilustres e reconhecidos cidadãos e instituições, durante uma semana (só uma, vá lá), dissertem apenas sobre problemas sem importância, que não exijam grande estudo e tempo de consulta, conhecimentos académicos e coisas de magitude tal e tamanha. Para isso, não se importa mesmo nada de deixar aqui algumas pequenas sugestões, que, pensa, poderão bem caber dentro dessa definição, não se importando, contudo, que outras de conformação semelhante ou até julgadas mais discipiendas lhe possam ser ajuntadas. Como exemplo – e, frise-se, trata-se apenas de um exemplo – aqui ficam algumas sugestões e “dicas” (segue lista) à consideração dos referidos destinatários: estabilização orçamental; crescimento económico; desemprego; modelo de desenvolvimento e da nova estrutura aeroportuária; rede(?) de alta velocidade; abandono escolar e modelo de gestão da rede de escolas públicas; reforma da administração; desigualdades sociais; situação da Justiça; sustentabilidade da segurança social e do SNS; reconversão empresarial; integração europeia e futuro da União; modernização e liberalização da sociedade portuguesa nas chamadas questões de sociedade; flexibilidade e legislação laboral, corrupção; actuação sindical e concertação social, etc, etc, etc.
Como se pode sem qualquer esforço verificar, nenhuma delas tem qualquer relevância, mas, que raio, a vida também não se pode levar sempre demasiado a sério, pois não? E, como disse, é só uma semana. Uma pausa, uma simples semaninha.
quinta-feira, janeiro 03, 2008
O presidente da ASAE e a sua cigarrilha
domingo, dezembro 23, 2007
A ASAE e a política
Sejamos uma vez mais claros. Não é por acaso – e sabemos que em política mesmo o que acontece por acaso deixa logo de o ser – que essa contestação aos modelos e métodos da ASAE tem partido essencialmente dos sectores políticos em que a oposição ao governo se tem mostrado mais activa e consequente, desde a direita nacionalista (com uma capacidade limitada), aos ultraliberais, passando por comunistas e “bloquistas” e acabando nos eurocépticos ou, mais propriamente, eurocríticos (ver meu post anterior), estes com expressão mediática relevante. Também não é por acaso que a actuação da ASAE, aparentemente e à partida destinada a uma relevância menor - quase de nota de rodapé de jornal - na actualidade portuguesa e até a obter um consenso favorável na opinião pública, ganhou um estatuto e uma dimensão aparentemente inesperadas: trata-se (ao contrário do que acontece com o novo aeroporto, o TGV ou o déficit orçamental, por exemplo) de um tema aparentemente pouco “técnico” e popular (devo dizer, susceptível de exploração e manipulação populistas?) com reflexo na vida do dia a dia do comum dos cidadãos (todos já usámos uma colher de pau e muitos comemos bolas de berlim nas praias das nossas infâncias ), e a sua contestação permite, conjunturalmente, unir eficazmente as diversas oposições ao governo em torno de um tema que desde cedo se tornou leit motiv dessa mesma contestação: a tal arrogância e autoritarismo que a oposição tenta colar ao governo e da qual este, fundamentalmente por erros próprios, tem tido muita dificuldade em descolar.
Tentemos ainda ser mais claros, por fim: será também por acaso que todos esses sectores partilham, em doses maiores ou menores, de um certo grau de eurocriticismo? Estará esse mesmo eurocriticismo a tornar-se a questão política chave da sociedade portuguesa, tal como em Espanha o é a questão das nacionalidades?
Ficam as perguntas... com algumas respostas já implícitas.
quinta-feira, dezembro 20, 2007
Em defesa da ASAE
Confluem na contestação à actuação da ASAE – que, claro, como qualquer outra instituição ou entidade não está acima dela, mas cuja crítica se tornou numa moda com alguns laivos de pedantismo – vários grupos e ideologias, mas que podemos sintetizar nas seguintes áreas tipificadas.
À extrema direita, o saudosismo por um Portugal provinciano, de pequenos produtores e comerciantes, de uma ruralidade “salazarenta” que confunde tradição e preservação dos seus valores culturais essenciais com conservadorismo e imobilismo, esquecendo que esses mesmos valores só poderão ser mantidos vivos se e quando se poderem adaptar, sem perderem essa sua essência, ao correr dos tempos e da modernidade. São os saudosos do “pitrolino”, do leite vendido “porta a porta” em bilhas e manuseado e misturado como calha, das casas dos bairros sociais, em Lisboa, com o galinheiro ao fundo do quintal.
Um pouco por todo o lado estão os que fazem do eurocepticismo e do eurocriticismo o seu campo, e onde tudo o que, de modo directo ou longínquo, pode remeter para uma directiva ou sugestão de Bruxelas logo é classificado como filho (ou filha) dilecta e directa de Satanás, ai Jesus que nos despersonalizam. É a área que mais se confunde com um certo “pedantismo” individualista, que durante muitos anos achava que vivia na “piolheira” mas não dispensava uma ida a Paris para o cinema e que hoje contesta a “Europa” como fonte de abastardamento do seu very typical way of living. Um pouco de género: o que é bom é podermos comer uma “sande” de couratos, de preferência com a “barba” mal feita, um caldo verde com azeite adulterado ou de má qualidade numa tasquinha do “bairro” e um caneco de vinho da “pipa” já oxidado, e assim sucessivamente, pois é isso que nos confere individualidade, e depois embasbacarmos perante um Dom Perignon ou um Romanée Conti, feitos com recurso à mais moderna tecnologia do sector, ao mesmo tempo que elogiamos a ginginha vendida em Alfama na noite de Stº António, a pior que já alguma vez bebi. Se querem um exemplo típico deste grupo, ele aqui vai: Mª Filomena Mónica.
Depois, os ultra-liberais, claro, para quem a mínima regulamentação sobre o que quer que seja é vista, de imediato, como um atentado aos direitos e liberdades individuais, desde a obrigatoriedade do uso de cinto de segurança à existência de qualquer legislação sobre o trabalho ou sobre a venda de bolas de berlim com creme nas praias, em caixas sem climatização, à torreira de um sol de 40º. Provavelmente, não se importam de comer couratos com a barba feita pela lâmina que sobrou da higiene diária do dono, ou dona, da roulotte, mas eu importo-me que eles o façam. Acha mal, Helena Matos?
Ah!, e falta alguma esquerda que tem horror a tudo o que é grande indústria e comércio organizados, desde que o estado não seja o dono, sonhando com um país de pequenos e médios empresários tidos como explorados pelo “grande capital” e, de outro modo, pela ASAE, que impede a sua existência, o que uma análise com algum rigor por certo desmentiria e que, verdadeiramente, são aqueles que piores remunerações e condições de trabalho proporcionam aos seus trabalhadores. Claro que saberíamos o que aconteceria a esses pequenos e médios empresários. Ou não?
Nota final: para que não restem dúvidas, gosto da gastronomia tradicional, de vinho, não sou frequentador do McDonald's, bebo ginginha, detesto comida de plástico, não me quero ver obrigado a comer queijo da serra feito com leite pasteurizado (compro frequentemente Camembert e Brie no El Corte Inglés, originais, feitos com leite crú) e sempre comi “bolas de berlim” no Guicho e na Praia Grande. Ah, não fumo, excepto um charuto de vez em quando. Deve ser esse, talvez - o facto de não fumar -, o pecado.