Mostrar mensagens com a etiqueta país de tristes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta país de tristes. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, maio 31, 2013

Indiferença

Em 1969, durante a final da Taça de Portugal disputada entre a Associação Académica de Coimbra e o Sport Lisboa e Benfica, os estudantes de Coimbra, em tempo de luto académico, manifestaram-se nas bancadas do Estádio Nacional, de forma bem visível e audível, contra a ditadura. Era um tempo em que quem se manifestava corria sérios riscos de ser espancado, acabar na prisão, expulso da universidade ou incorporado á força no exército colonial. Em sentido contrário, já após a tentativa de golpe de estado de 16 de Março de 1974, no estertor do regime, muitos dos espectadores presentes num jogo SCP-SLB, realizado no estádio José Alvalade, aplaudiram Marcelo Caetano, que assistia ao jogo. Na final da Taça de Portugal do passado domingo, numa conjuntura terrível para grande parte do povo português e perante o Presidente da República da democracia com mais baixos índices de popularidade de sempre, e apesar de terem sido expressamente convidados por uma organização política a manifestarem-se e a presença da TV  incentivar ao protesto, amplificando-o, nem um só gesto de desagrado para com Cavaco Silva se fez notar ou ouvir no Estádio Nacional. Este é o retrato de um país anestesiado, adormecido, que parece permanecer absolutamente indiferente e conformado com um presente de sacrifício sem que se lhe vislumbre um sentido e um futuro de empobrecimento e retrocesso civilizacional. 

terça-feira, março 05, 2013

Faltam as minas da Panasqueira...

Vinho, azeite e cortiça à conquista do mercado indiano - TSF



Desculpem "qualquer coisinha" mas tenho de fazer comparações. No tempo dos governos de José Sócrates, com todos os erros e responsabilidades que não podem deixar de lhes ser apontados (ressalvo para os mais sensíveis), o objectivo era exportar tecnologia e produtos de elevado valor acrescentado, incluindo o tão execrado, vá lá saber-se porquê, Magalhães. Bem ou mal (ingenuamente?), com muito voluntarismo à mistura e muitas vezes com meros objectivos propagandísticos, a Finlândia era o termo de comparação. Mas pelo menos, com a Finlândia como horizonte, mesmo que utópico, estava assim definido um padrão de excelência cultural, civilizacional e de desenvolvimento. Agora, parece que o foco é o azeite, a cortiça e o vinho e, independentemente dos sectores do vinho e do azeite serem dois casos de reconversão de inegável sucesso, os produtos para exportação regressam às lições de geografia da minha infância e o país parece (só parece?) voltar à pobreza triste de há 50 anos. Para completar o ramalhete ficam a faltar as minas da Panasqueira, mas parece que o ministro Álvaro Santos Pereira também tem andado a tratar disso... 

segunda-feira, março 04, 2013

A medalha da atleta Sara Moreira

Não sou grande entusiasta de atletismo. Mas sigo a modalidade o suficiente para perceber que campeonatos do Mundo e da Europa de pista coberta são assim um género de provas de preparação para a época de "ar livre" e de onde muitos dos grandes nomes da modalidade estão normalmente ausentes ou comparecem em má forma. Assim sendo, a medalha de ouro da atleta Sara Moreira tem com certeza o seu mérito, mas este andará muito longe da "charivári" que por aí se faz com direito a felicitações do primeiro-ministro e do Presidente da República. Ela que me desculpe, mas é assim mesmo. Quando é que este país aprende a deixar de ser provinciano? 

quinta-feira, dezembro 27, 2012

Artur Baptista da Silva e o sentido de humor do regime

Enfim... eu sei que o homem tem um registo digno de nota, até parece que já cumpriu pena por desfalque (ou falcatrua do género), mas será que é caso para a Procuradoria Geral da República "se meter ao barulho"? Será que a austeridade fez desaparecer o sentido de humor, o gosto pela pequena transgressão, a atracção pelo "charme" dos Arséne Lupin de ocasião? Estou a ver que sim, excepto àquele que deveria ser o mais acabrunhado de todos, o jornalista Nicolau Santos, mas que numa pequena nota de pedido de desculpas - no seu "mood & tone" - não deixa, contudo, e pela expressão utilizada ("fui mesmo embarretado"), de esboçar um quase-sorriso e aceitar, mesmo que apenas subliminarmente, ter-se deixado seduzir pelo "glamour" do galã Artur.  Era a única atitude inteligente que lhe restava? Talvez, mas por ter sabido manter o seu sentido de humor e ter conseguido discernir, numa situação para si incómoda e quase-limite, qual a resposta adequada, já merece o meu respeito.

A este propósito convém também lembrar aos mais novos, mas também aos mais esquecidos - que os há -, que nos idos de 70 (1973, 1971, para ser mais preciso), em plena "crise do petróleo", um grupo que incluía Mário ("Nicha") Araújo Cabral, o futuro "chef" Michel Costa, "Manecas" Mocelek e Jorge Correia de Campos se fez passar por um conjunto de dirigentes árabes ligados ao principal mentor da OPEP e enganaram bem enganado o jornalista do Século José Mensurado, tendo o jornal publicado notícia de primeira página com tal extraordinário exclusivo. Pois, estávamos em plena ditadura, vivíamos numa sociedade fechada, de um conservadorismo bafiento e tudo o que "cheirava" a transgressão, mesmo que vindo de alguns "playboys" do Portugal de então, era como que uma lufada de ar fresco numa época que já tresandava a fim de regime. Mas convém também lembrar que apesar dessa mesma ditadura, do conservadorismo e do regime não ver com bons olhos qualquer transgressão à modorra instituída, não consta o governo e os poderes oficiais tivessem pedido a cabeça dos "charmeurs" de ocasião e, excepto talvez o pobre do Mensurado (e se calhar até ele, embora não conste o sentido de humor fosse um dos seus activos), todos acabámos por rir a bom rir com um acontecimento que quebrou a monotonia do país provinciano da época. O que, claro, serve de exemplo para a única coisa saudável que devíamos fazer agora.

terça-feira, dezembro 18, 2012

Música? Apenas negócio.


A "coisa" funciona assim: juntam-se dois intérpretes de prestígio, um da área do fado (Carlos do Carmo) e outro da música erudita (Maria João Pires), com a popularidade de um divulgador musical (António Vitorino de Almeida) e mais uns tantos poetas conhecidos e com qualidade indiscutível (Graça Moura, Nuno Júdice, etc), embrulha-se em embalagem de luxo e está feito um CD/DVD para "papalvos" oferecerem no Natal, fazendo figura de gente culta e interessada nas artes. Claro que nada disto tem a ver com música, é negócio "puro e duro" - o que também é legítimo. Mas lá que estou aqui em "ganas", pelo oportunismo que demonstra, para lhe dar o prémio do pior disco do ano...

quinta-feira, novembro 08, 2012

"Very light" revisited

A história é conhecida de todos: em 1996, durante a final da Taça de Portugal, no Jamor, um espectador, adepto do SLB, matou casualmente, através do lançamento de um "very-light", um adepto do SCP que assistia ao jogo na bancada do lado oposto. Condenado a cinco anos de prisão, quatro por homicídio involuntário e um por tráfico de droga, evadiu-se, foi recapturado e acabou finalmente por cumprir a totalidade da pena a que fora condenado. Pois acontece que ontem, durante o jogo SLB - Spartak, foi novamente detido por ter arrancado uma cadeira da bancada e com ela agredido um polícia. A pergunta que deixo é a seguinte: certo, cumpriu pena e agora é um cidadão livre - e ainda bem que assim é. Mas como é possível permitir a alguém com este registo frequentar um estádio de futebol decorridos apenas escassos  meses após a sua libertação? Não será possível à direcção do meu clube tomar uma atitude em relação a este adepto (espero não seja sócio), impedindo-o de frequentar as instalações do clube? Ficam as perguntas.

segunda-feira, setembro 10, 2012

"Os amanhãs que cantam"

"Não baixaremos os braços até o trabalho estar feito, e nunca esqueceremos que os nossos filhos nos estão a ver, e que é por eles e para eles que continuaremos, hoje, amanhã e enquanto for necessário, a sacrificar tanto para recuperar um Portugal onde eles não precisarão de o fazer." - Pedro Passos Coelho, 1º ministro de Portugal

Empobrecimento (5)


sábado, setembro 08, 2012

O dia seguinte

  1. Depois da comunicação de ontem do primeiro-ministro e das gravíssimas medidas anunciadas, esperava ouvir hoje Paulo Portas explicar ao país porque razão o CDS mudou de ideias e resolveu aceitar, ao contrário do que vinha apregoando, uma gravoso e iníquo aumento de impostos para a maioria dos portugueses. Em vez disso - e uma mudança de   atitude tão radical por certo só poderá ter sido ditada por razões muito graves -  ouvi apenas alguns recados transmitidos por criados de ocasião, enquanto Portas, no estrangeiro, tratava de ser pôr a bom recato.
  2. Do mesmo modo, teria esperado ouvir o líder do principal partido da oposição, António José Seguro, imediatamente a seguir à comunicação do primeiro-ministro, dirigir-se formalmente aos portugueses explicando, de forma inequívoca, porque não é a estratégia de empobrecimento o caminho e qual a alternativa que o Partido Socialista, um partido com raízes nos valores da social-democracia europeia, propõe para que os portugueses mantenham alguma esperança e confiança no futuro. Em vez disso, tivemos apenas direito a uma breve comunicação do líder parlamentar Carlos Zorrinho, mais radical na forma do que no conteúdo, continuando, vinte e quatro horas depois, Seguro "desaparecido em combate".
Vale a pena acrescentar mais alguma coisa?
    

Empobrecimento (2)

Empobrecimento

terça-feira, agosto 14, 2012

Desabafo...

"PSD critica postura «irresponsável» do PS"

"PS desafia Passos Coelho a apresentar medidas de estímulo à economia"

Peço desculpa, mas com o PIB a cair 3,3% e o desemprego a atingir os 15% numa altura do ano que até costuma ser favorável ao emprego, os portugueses deveriam exigir mais do que este tipo de afirmações ocas dos dois partidos charneira do seu sistema político. Mas deviam também exigir mais de tanta coisa...  Dos jornais, das TVs, dos dirigentes olímpicos, da actuação das polícias, da Justiça... Mas será que o sabem fazer?

domingo, julho 29, 2012

A "moda estatística" e os portugueses nos Jogos Olímpicos

Quem nunca passou pelas coisas da matemática talvez não saiba o que é a "moda estatística". Pois bem, é um conceito muito simples que pode definir-se como "o valor que ocorre com maior frequência", isto é "que aparece um maior número de vezes" numa dada série numérica. Daí - penso eu - virá o termo "moda" aplicado ao vestuário, por exemplo, definindo-se "moda" como as peças de roupa, estilo e cores mais populares em determinada época ou estação do ano. Mas também poderá ser o inverso, tendo a matemática decidido apoderar-se de um termo já popularmente utilizado. Tanto faz.

Pois vem este "arrazoado" a propósito de me ter lembrado qual será a palavra modal, a que aparece com maior frequência, nas notícias dos "media" portugueses sobre os Jogos Olímpicos. Querem adivinhar? Pois bem, consultados esses "media", e no que diz respeito às notícias sobre as prestações dos atletas portugueses, chego à conclusão que é "falha". Exagero? Nada disso, é "Fulano falha o acesso às 1/2 finais", Sicrano  falha a final", Beltrano falha o record nacional" e por aí fora. Lá está "falha" como o termo que aparece um maior número de vezes, embora "afastado(a)" não deva andar longe e até possamos estar perante um exemplo caracteristicamente "bimodal". Falando mais a sério: uma triste realidade e um exemplo de esbanjamento de recursos a que se deveria pôr fim.

sexta-feira, julho 27, 2012

Pavilhão Atlântico: a política da calúnia

Para começar, devo dizer - e quem faz o favor de me ler sabe-o bem - que não nutro quaisquer simpatias políticas, de personalidade ou pedagógicas (foi meu professor) pelo cidadão Aníbal Cavaco Silva, o pior Presidente da República da democracia. E nunca o escondi. Mas devo dizer também que tal não me impede de  achar ignóbeis, para não dizer nojentas, as tentativas, expressas ou, pior, apenas sussurradas nas entrelinhas (ao estilo "da mulher de César), que de algum modo pretendem ligar a venda do Pavilhão Atlântico a um consórcio do qual faz parte Luís Montez a uma qualquer acção de favor pelo facto deste ser genro do antigo primeiro-ministro e actual Presidente da República. Luíz Montez - que, devo dizer, não conheço pessoalmente - é um empresário reconhecido da área da música e do espectáculo, um dos mais proeminentes do sector, o suficiente para, à partida, poder ser considerada como normal a decisão tomada pelo Estado. A sua situação familiar terá tido alguma influência na evolução dos seus negócios ao longo dos anos, enquanto empresário? Não faço ideia, mas arrisco a dizer que é provável: nada mais natural que o facto de ser casado com uma filha de Aníbal Cavaco Silva ter contribuído para lhe "abrir algumas portas", mesmo que Montez possa ter sempre feito questão de evitar usar demasiado esse "cartão de visita", facto que ignoro, ou que Cavaco Silva se tenha sempre esforçado por se manter à margem, o que também desconheço. Mas ter o nome certo ou cultivar os conhecimentos adequados (e a ligação familiar de Montez é conhecida) foi sempre um activo importante no mundo do empreendorismo e dos negócios (e não vejo mal nisso nem que tal possa ou deva ser evitado), e neste caso sempre se poderá dizer, em abono de Montez, que não consta alguma vez tenha herdado do seu sogro algum gosto ou embrião de empresa na área musical. Enfim, como já vem sendo habitual estamos, mais uma vez, no grau zero da política ou, pior ainda, na sua metamorfose em pura e simples calúnia.  

quinta-feira, julho 26, 2012

Do "manicómio em auto-gestão" ao laboratório do Dr. Frankenstein

Lembro-me, no chamado Verão Quente de 75, quando em Portugal tudo mudava diariamente ao sabor de mais uma manifestação ou de uma qualquer afirmação, mais ou menos radical, de um também qualquer pensador, escritor ou filósofo de visita, normalmente ligado à chamada "esquerda festiva", de se afirmar que o país se tinha transformado num manicómio em auto-gestão. Era o tempo da "via portuguesa para o socialismo", da "experiência portuguesa", dos SUV, das "armas em boas mãos", da "sociedade sem classes" (proposta também pelo CDS, em que todos seriam proprietários) do "socialismo sim, ditadura não", do "último a sair que apague a luz" e lembro-me eu sei lá mais do quê. Mas, no fundo, existia em tudo isso uma naiveté que, se acabava por nos envolver e se tornar entusiasmante, acabava também, por via disso, por definir os próprios limites da sua validade temporal e da sua exequibilidade: sabíamos que, mais mês menos mês, para um lado ou para outro, da democracia ou de uma qualquer ditadura, tudo acabaria por se resolver e a normalidade regressaria.

Lembrei-me disto hoje a propósito das inúmeras propostas, muitas delas a roçar o delirante e até incompatíveis entre si ou com os objectivos propostos, agora já não de filósofos, pensadores ou ensaístas políticos sonhadores, mas de organizações tidas por social e cientificamente responsáveis como o FMI, UE, OCDE e BCE, para a economia portuguesa. Não direi que estejamos de volta ao "manicómio em auto-gestão" do ano de 1975, até porque a apatia, quase uma paz de "zombieland", substituiu o frenesim e a actividade fervilhante de então. Mas direi que Portugal mais parece um daqueles laboratórios onde, em inesquecíveis filmes "série B" dos fifties, cientistas loucos efectuavam estranhas experiências que, uma vez falhadas, davam origem a monstros e criaturas bizarras que acabavam por se voltar contra o seu criador e, até, ameaçavam pôr em perigo toda a humanidade. O problema, o problema mesmo, é que desta vez, ao contrário do que acontecia em 74/75, não sabemos quando ou como regressará a normalidade, ou mesmo  qual será o seu aspecto e se tal coisa ainda existe no nosso horizonte.

Pedro Passos Coelho e o seu "país dos simples"

O deputado João Galamba já disse quase tudo e parece ser, no PS, e mesmo que por vezes talvez demasiado radical, dos muito poucos a quem ainda resta alguma capacidade para se indignar. Mas a afirmação de Pedro Passos Coelho de que "as pessoas simples percebem o que o Governo está a fazer", não é só, na sua essência, salazarenta. Condensa em si, toda ela, um programa de governo que despreza as qualificações, o conhecimento, a investigação, o desenvolvimento humano e tecnológico, a sofisticação, a cultura e o cosmopolitismo. Despreza quem ouse ter um pensamento mais elaborado e use a cabeça para desenvolver um raciocínio mais complexo. Que, enfim, despreza o objectivo e a ambição de um país mais moderno e civilizado, mais culto, apelando, em vez disso, à sujeição a uma pobreza e ignorância que têm tanto de inibidor como, infelizmente, de ancestral. Indo um pouco mais longe, despreza o investimento que centenas ou milhares de portugueses fizeram, nos últimos anos, na sua educação, muitos endividando-se para poderem frequentar algumas das melhores escolas e universidades na Europa e no resto do mundo. No fundo,  não é mais do que o retrato de um primeiro-ministro para quem o teatro são as produções de La Féria, de um ministro da Educação que, ao arrepio das recomendações internacionais, propõe a crianças de dez anos escolham uma profissão, para uma Ministra da Justiça que não pára de brandir uma proposta de programa político que é, todo ele, um assustador panfleto populista, de um ministro "não sei bem de quê" que consegue uma licenciatura em "um ano e quatro cadeiras" numa universidade de "vão de escada" que o Estado coloca ao mesmo nível de uma Técnica, Clássica, Nova ou Católica. No fundo, de um país que o primeiro-ministro quer que se continue a rever nos "Correios da Manhã" e nos Medina Carreira deste mundo. Pois que vá para o Diabo e leve esse país com ele.

Nota: peço desculpa pelo tom, talvez um pouco exaltado, mas a minha paciência para esta gente começa rapidamente a esgotar-se.

Imagens do Portugal "pós troika"


Imagens de trabalhadores portugueses uma ano após terem sido implementadas todas as recomendações da "troika", OCDE, "Fórum para a Competitividade", etc, etc.

 Mães portuguesas depois de terem recebido os incentivos sugeridos pela "troika" para regressarem ao mercado de trabalho.

Antevisão de uma empresa-tipo portuguesa pouco anos depois do país ter terminado o seu "programa de ajustamento"

terça-feira, julho 03, 2012

Relvas, Sócrates, Zacarias e Zebedeu

As questões agora levantadas sobre a licenciatura do ministro Miguel Relvas sugerem-me os seguintes comentários, alguns deles que não serão por certo virgens neste "blog".
  1. Se alguém ainda tinha dúvidas, o problema das licenciaturas "à pressão" não é exclusivo de José Sócrates, como não o é de Miguel Relvas, de Zacarias ou de Zebedeu. É um problema comum a uma geração de políticos, oriundos das "jotas", aos quais faltou tempo, talento e/ou apetência para melhorarem os seus conhecimentos académicos. O drama é que estamos hoje em dia perante duas situações extremas: os académicos com escassa experiência política, de um lado (v.g Vítor Gaspar), e os políticos experientes sem qualquer formação académica (Relvas, Sócrates, etc), do outro. "Cruel dilema" diria Vasco Santana.
  2. Para estas licenciaturas "proveta" é indispensável a colaboração de várias universidades privadas criadas pelos vários governos através de processos nem sempre muito claros e leccionando cursos sem qualquer prestígio académico ou profissional, mas que esse mesmo Estado reconhece. É óbvio que os favores se pagam e "não há almoços grátis".
  3. Todo este sistema" é validado e potenciado por uma divisão de carreiras no Estado entre "técnicos" e "administrativos", o que significa que quem não seja licenciado, por muito competente que possa ser, nunca passará de funcionário administrativo e quem tiver uma licenciatura, mesmo que seja uma "besta quadrada" e tenha obtido um diploma numa área que nada tenha a ver com a actividade profissional que desempenha, passa de imediato para a "carreira técnica", com os privilégios correspondentes.
  4. Pior... No Estado tanto faz ser licenciado por uma universidade de prestígio e créditos confirmados como por qualquer outra de "vão de escada": para a sacrossanta "carreira" vale o mesmo.
  5. Por último, na base está um país ainda demasiado provinciano, onde, ao contrário do que acontece em outros países (alguém me diz qual a licenciatura de Reagan, John Major, Václav Havel ou Lula da Silva?) quem não é "doutor" (voltamos a Vasco Santana) não pode ser político. Pode até ser presidente de um grande Banco privado, como acontece com Fernando Ulrich, empresário bem sucedido, como Henrique Neto, ou gestor competente, como acontece com tantos. Político? Bom, sem o indispensável "canudo" isso é coisa de "comunas" e quejandos... País de tristes...