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domingo, junho 09, 2013

A desonestidade intelectual de Helena Matos

Podemos gostar ou não da Álvaro Cunhal e do PCP, comungar ou não das suas ideias e ideais (não comungo), estar até de acordo ou em desacordo com as opções da CML para a toponímia "alfacinha", mas gostaria de lembrar a Helena Matos algo que sei ela não desconhece mas com total desonestidade intelectual opta por varrer do seu conhecimento: Álvaro Cunhal e o PCP são parte estruturante da nossa história democrática e do regime, também ele democrático, em que vivemos; lutaram contra a ditadura e pelo seu derrube e, além de tudo o mais, o país viveu 48 anos sob a ditadura de António Oliveira Salazar, continuada por Marcelo Caetano, e não sob qualquer regime autoritário ou totalitário dirigido pelo Partido Comunista Português e por Álvaro Cunhal.  Digamos que o actual regime democrático homenageia assim um dos seus, mesmo que a maioria dele tenha quase sempre discordado, e isso faz toda a diferença e só demonstra a sua superioridade. Assim sendo, é bom que Helena Matos deixe de tentar rescrever a História e perceba, apesar dos percalços do PREC, que o actual regime se implantou e edificou contra a ditadura do Estado Novo, e não contra quem poderia dar mais jeito a si e aos seus correlegionários para mais facilmente poderem moldar o país e os portugueses aos seus novos "amanhãs que cantam".

quinta-feira, novembro 22, 2012

Os portugueses e a História

Os portugueses não se interessam pela sua História, ou, tirando o "sua", pura e simplesmente não se interessam por História. Para além de meia-dúzia de "clichés", pouco ou nada a conhecem. Tal não deixará de ter a ver com o baixo nível de instrução da maioria, apesar do enorme progresso registado nas últimas décadas, com uma classe média muito recente e talvez ainda com a falsificação durante muito tempo (e ainda agora, embora em menor grau) ensinada nas escolas. Só assim se compreende o esquecimento a que os "media" votaram o ano de 2011, cinquentenário da invasão do chamado "Estado Português da Índia" e do "annus horribilis" da ditadura do Estado Novo. Só assim se compreende também um certo ostracismo a que está a ser votada a excelente série documental "A Guerra", de Joaquim Furtado, em exibição na RTP1. Teriam sido o tempo e local adequados para lançar alguns debates, mais alguns depoimentos, por exemplo, de quem esteve na Índia ao tempo da invasão, de ouvir historiadores sobre os assuntos. Mas nada. Valha-nos o documentário de Joaquim Furtado (pelo caminho que isto leva, qualquer dia será apenas conhecido como sendo o pai da Catarina) e a iniciativa da RTP de o ter posto no ar a horas decentes. Mas poderia ter feito bem melhor.  

terça-feira, outubro 05, 2010

1ª República: um regime fora do seu espaço e do seu tempo?

Uma das razões que ajuda a explicar o sucesso do Estado Novo e da ditadura salazarista foi o sólido e abrangente sistema de aliança de classes que, se bem com contradições ao longo do tempo, conseguiu estabelecer entre a aristocracia agrária, a burguesia industrial e financeira emergente, os sectores da pequena e média burguesia urbana mais conservadores desiludidos com a República e a Igreja Católica - e com esta a enorme maioria da população rural. No fundo, deixou apenas de fora o proletariado rural do Alentejo e Ribatejo, o operariado da Cintura Industrial de Lisboa e da Marinha Grande, bem como alguma burguesia urbana republicana que viria a constituir o “reviralho”.

Pelo contrário, é normalmente afirmado que é a incapacidade de forjar um sistema de alianças que acaba por muito contribuir para “tramar” a República, alienando o apoio operário, confrontando a Igreja Católica e radicalizando-se no seu anti-clericalismo. O regime republicano ter-se-ia assim deixado isolar no seu núcleo essencial, nos seus fiéis de sempre.

O problema que coloco é se poderia ter sido de outra maneira, isto é, se perante um país rural com 75% de analfabetos, uma Igreja Católica que, mesmo sem os excessos radicais do jacobinismo, teria de ser despojada obrigatoriamente de muito do poder que lhe estava atribuído, uma burguesia industrial e financeira frágil e um operariado onde o anarco-sindicalismo era largamente dominante teria sido possível à República e ao seu ideário forjarem uma aliança sólida e subsistirem duradouramente. Em suma, se a 1ª República não terá sido um regime fora do seu espaço e do seu tempo.

terça-feira, agosto 31, 2010

terça-feira, julho 06, 2010

domingo, fevereiro 07, 2010

O PSD, o Estado de Direito e o 28 de Maio

Por muito que tenhamos a apontar a alguns comportamentos públicos do primeiro-ministro e discordemos de algumas medidas do seu governo ou até de todas elas (e em relação a isso já neste “blogue” tenho expresso, veementemente, discordâncias e concordâncias) a actual direcção do PSD, com a conivência de alguns jornais (?), jornalistas(?), operadores do sistema judicial e na ausência de uma política alternativa bem visível na questão do orçamento de estado, está a transformar a saudável luta política e ideológica numa autêntica “caça ao homem”, na pessoa de José Sócrates, mesmo que para isso se veja sistematicamente obrigado a minar alguns dos alicerces definidores do estado de direito. Está a brincar de aprendiz de feiticeiro, pois pode estar certo um dia alguém acenderá o rastilho ou dará o encontrão final. Pode ser que, nesse dia, o PSD, ou pelo menos alguns dos seus actuais dirigentes a quem ainda reconheço convicções democráticas, também sofra as consequências, tal como aconteceu a alguns velhos republicanos a quem o 28 de Maio seduziu. Será tarde.