1. White Christmas, Irving Berlin - Darlene Love 2. Frosty the Snowman, Steve Nelson and Walter Rollins - The Ronettes 3. The Bells of St. Mary's, A. Emmett Adams and Douglas Furber - Bob B. Soxx & the Blue Jeans 4. Santa Claus Is Coming to Town, J. Fred Coots and Haven Gillespie - The Crystals 5. Sleigh Ride, Leroy Anderson and Mitchell Parish - The Ronettes 6. Marshmallow World, Carl Sigman and Peter DeRose - Darlene Love 7. I Saw Mommy Kissing Santa Claus, Tommie Connor - The Ronettes 8. Rudolph the Red-Nosed Reindeer, Johnny Marks - The Crystals 9. Winter Wonderland, Felix Bernard and Dick Smith - Darlene Love 10. Parade of the Wooden Soldiers, Leon Jessel - The Crystals 11. Christmas (Baby Please Come Home), Ellie Greenwich, Jeff Barry and Phil Spector - Darlene Love 12. Here Comes Santa Claus, Gene Autry and Oakley Haldeman - Bob B. Soxx & the Blue Jeans 13. Silent Night, Josef Mohr and Franz X. Gruber - Phil Spector and Artists
Gravado também em Março de 1963 e composto, com Spector também a dar uma "ajudinha", pela mais do que célebre parceria Ellie Greenwich - Jeff Barry, cujos temas mais conhecidos aqui pelo "rectâgulo" talvez sejam "River Deep, Mountain High", de Ike & Tina Turner, e "Doo Wah Diddy Diddy", na versão dos Manfred Mann, "Da Doo Ron Ron", apesar de nunca ter chegado a #1 (ficou-se por #3 nos USA e #5 no UK e foi uma sorte), é seguramente dos temas mais conhecidos da música popular e das Crystals "verdadeiras" (uma confusão, não é? Não admira a vida de Spector tenha acabado também na maior das confusões). Os arranjos, claro, são mais uma vez de Jack Nitzsche.
Bom, que mais há a dizer? Segundo aqui o meu "calhamaço" de "Back to Mono", parece que no final da gravação Spector terá perguntado a Sonny Bono (esse mesmo): "Is it dumb enough"?, ou seja - palavras de Sonny Bono - "Is everybody going to get the simplicity of this"? Ao que Sonny Bonno terá respondido: "Man, that sure is dumb enough". Spector, que gostava sempre de ter a última palavra, terá retorquido: "No Sonny, that's gold!" "Solid gold coming out of thar speaker".
Darlene Love - "(Today I Met) The Boy I'm Gonna Marry"
Phil Spector (IX)
Segundo tema da parceria Ellie Greenwich-Tony Powers para Spector, "(Today I Met) The Boy I'm Gonna Marry" foi gravado por Darlene Love (a tal das "falsas" Crystals e também membro de Bob B. Soxx And The Blue Jeans) em Março de 1963, como seu primeiro "single" a solo, e tem arranjos musicais de Jack Nitzsche.
Bob B. Soxx And The Blue Jeans - "Why Do Lovers Break Each Other's Heart"
Phil Spector (VIII)
Dois pontos importantes: de Bob B. Soxx And The Blue Jeans", uma criação de Spector, faziam parte Fanita James e Darlene Love, ambas membros das falsas Crystals que gravaram "He's A Rebel". Depois disto que dizer? O tema (1963) é da autoria de Ellie Greenwich, sem o seu team mate habitual Jeff Barry mas com um tal Tony Powers (não me perguntem mais sobre ele). Segundo a brochura que acompanha "Back To Mono", o tema é um tributo a Frankie Lymon, de Frankie Lymon And The Teenagers bem conhecidos pelo mega-sucesso "doo wop uptempo" "Why Do Fools Fall In Love". Foi também a primeira de muitas colaborações de Spector com Ellie Greenwich, embora, tanto quanto eu saiba, apenas uma vez mais com Tony Powers como parceiro. Mas essa é já outra história.
The Crystals (ouDarlene Love & The Blossoms) - "He's Sure The Boy I Love"
Phil Spector (VII)
Ora depois do sucesso de "He's A Rebel", o único #1 das Crystals nos USA, Phil Spector usou (é o termo) uma vez mais Darlene Love e as Blossoms, travestidas de Crystals (ver aqui), para o número seguinte, "He's Sure The Boy I Love". Já muito "wall of sound", este é um tema caracteristicamente Brill Building, escrito por Barry Mann e Cynthia Weil, com arranjos de Jack Nitzsche, e gravado para a Philles Records em Novembro de 1962. Chegou a #11 do Billboard. Penso que terá sido esta a última gravação das "falsas" Crystals e de Darlene Love, em breve substituída por "LaLa" Brooks, como respectiva vocalista. Mas não asseguro.
Pois estes Alley Cats, sobre os quais não tenho nenhuma informação relevante (acontece) excepto que tinham como "manager" Lou Adler que mais tarde se transferiria para os Mamas and The Papas e também daria uma ajuda na gestão da carreira de Carole King, enquanto intérprete, gravaram este "uptempo" (ou seja, um "rapidinha") "Doo Wop" em 1962, com arranjos do grande Jack Nitzsche. Segundo o "booklet" (é bem mais um "calhamaço") da caixa "Back To Mono", tê-lo produzido foi um "favorzinho" que Spector fez ao seu amigo Lou. Enfim, não parece tenha muita ou mesmo pouca história para contar.
Já agora: o termo "puddin' n' tain" é um trocadilho que tem origem numa "lenga lenga" ("children's rhyme") popular americana. é mais ou menos intraduzível (acho).
Bob B. Soxx And The Blue Jeans - "Zip-A-Dee-Doo-Dah" Phil Spector (V)
Pois a partir de agora, nesta rubrica de "História(s) da Música Popular) dedicada a Phil Spector, vou seguir a ordem daquela que é, sem dúvida, a colectânea de referência da obra de Spector: a caixa "Back to Mono", com quatro CDs e um "booklet" que é uma autêntica enciclopédia. E a tal ordem manda que apresente aqui um original de um filme da Disney, de 1946, "Song of the South", tema vencedor de um Academy Award - o tal de "Oscar" - para a melhor canção original. Nesse original o tema era interpretado por um tal de James Baskett, que, confesso a minha ignorância, desconhecia. Mas fica também aqui, para não me acusarem de os querer manter nessa mesma ignorância. Nesta versão produzida por Phil Spector (1962), com arranjos do grande Jack Nitzsche, quem se encarrega do tema é Bobby Sheen, com Darlene Love e Fanita James, das já por aqui faladas Blossoms. Chegou a #10, nos USA, mas, para ser franco, não vejo grandes ou pequenas razões para tal. Acontece...
The Crystals (ou Darlene Love & The Blossoms) - "He's A Rebel"
Phil Spector (VI)
Bom, a história, ou a
"trafulhice", é das mais conhecidas da música popular, e eu próprio
já a contei poraquiuma vez:"encontrando-se as Crystals em
LA e Spector em NY, nada melhor do que gravar quanto antes com Darlene Love e
as Blossoms, uma vez que teria chegado aos ouvidos do nosso bom amigo Phil que
Vicky Carr se preparava para gravar o tema. E como nos negócios “tempo é
dinheiro”, nada melhor que usar o que se tem mais à mão. E se bem o pensou,
melhor o fez, claro.
Bom, o problema, o
pequeno problema, é que a partir daí “He’s a Rebel” teve de passar a fazer
parte do repertório “ao vivo” do grupo e a voz de Barbara Alston nada tinha a
ver com o registo de Darlene Love. Mas como neste mundo, e principalmente para
Spector, tudo tem uma solução, “La La” Brooks passou de imediato a lead
singer".
Mas voltemos um pouco atrás... Phil Spector tinha
produzido já um dos temas de Gene Pitney, "Every Breath I Take", e
alguém lhe terá soprado qualquer coisa sobre "He's a Rebel", uma
composição de Pitney. E pronto, foi assim, e por isso, que Phil passou das
palavras aos actos, em boa hora pois o tema chegou rapidamente a #1 corria o ano de 1962. Crystals
ou Blossoms pouco importa, já que de "trafulhices" destas também se
fazem as histórias da música popular, do "rock & roll" e de Spector em particular.
Ora bem... Em minha opinião será com as Crystals e com estes dois temas que Spector começa a aproximar-se do "wall of sound" que o deixaria rico e famoso. Ambos foram gravados em 1961 (#20 e #13 no "hit-parade", respectivamente) para a Philles Records, formada por Phil e Lester Sill (este abandonaria a parceria em 1962 ficando Spector dono a tempo inteiro) e que seria até 1967 a editora responsável por muitas das obras (é disso mesmo que se trata) de Phil Spector, incluindo os emblemáticos "River Deep, Mountain High", de Ike & Tina Turner, "He's a Rebel" e "Da Doo Ron Ron", das Crystals, e "Be My Baby" das Ronettes de Veronica Bennett, later Ronnie Spector. Ah! e como estamos na época, do mais do que célebre "A Christmas Gift For You", considerado por muitos (por mim também) como o melhor álbum de Natal de música popular de sempre.
Antes de chegar às Crystals e ao verdadeiro início do "wall of sound" com "There's No One Like My Baby", e ainda em 1961, Spector produziu dois êxitos, respectivamente, para Curtis Lee (#9) e as Paris Sisters (#7). No primeiro caso, "Pretty Little Angel Eyes", temos um tema muito dentro do espírito "doo wop", embora fora do âmbito dos característicos grupos do género (de qualquer modo, Spector utilizou um grupo "doo wop" de suporte - The Halos - na gravação, aliás bem audível). No segundo, com as Paris Sisters e "I Love How You Love Me", onde encontramos a assinatura de de Barry Mann, embora ainda sem Cynthia Weil, há um certo clima a "To Know Him Is To Love Him", num quase regresso às origens. Mas, como diria a Cláudia Lopes do "Mais Futebol", "o melhor ainda está para vir" no capítulo Phil Spector de "História(s) da Música Popular"
Talvez Ray Peterson seja mais conhecido pelo inenarrável "tear jerker" "Tell Laura I Love Her", que chegou a #7 nos USA e, na versão de um tal Ricky Valance (não confundir com Ritchie Valens), a #1 no UK. Mas foi com um "cover" de "Corrine Corrina", um "blues original de Bo Carter na interpretação desse mesmo Ray Peterson, que Phil Spector alcançou o seu primeiro êxito como produtor, no final de 1960 e início de 1961 (#9 nos USA). Digamos que também não estamos na presença de algo notável e que o "wall of sound" que tornou Spector rico e célebre (e também um pouco louco) ainda tinha que esperar outra oportunidade. Aliás, aqui para nós, só quando Spector decide inventar as Crystals é que o "wall of sound" fará a sua triunfante entrada em cena, com "There's No Other (Like My Baby)". Mas essa é já outra história. Ou melhor, é mesmo História.
Quando se fala de "Twist and Shout" o mais provável é que alguém responda "Beatles" ou, se estivermos com um já iniciado, também "The Isley Brothers", versão na qual os de Liverpool se inspiraram para o seu êxito incluído no álbum "Please, Please Me", o primeiro e datado de Fevereiro de 1963. Pois, mas a versão original é destes quase desconhecidos Top Notes, com produção de... Phil Spector. Estávamos em 1961 e Bert Russell, um dos autores do tema (o outro é Phil Medley - não confundir com Bill Medley dos Righteous Brothers), não gostou da produção de Spector e entregaria mais tarde o tema aos Isley Brothers, produzindo ele próprio o disco, que ainda antes dos Beatles o tornaram famoso (#17 nos USA "pop charts" e #2 nos R&B).
E, quanto a mim, tinha razão Russell, já que estando Spector ainda na fase pré-"wall of sound", a versão dos Isley Brothers é bastante preferível. Só que... "também os anões começaram por baixo" e muita gente "de algo", como também aconteceu com os próprios Beatles, viram propostas suas recusadas antes de alcançarem o sucesso. Também isso aconteceu a Phil Spector, mas ainda bem para todos nós (enfim, talvez nem todos, dadas as circunstâncias recentes da vida de Phil) que ele não desanimou nem desistiu. Valha-nos isso.
Francamente, não me apetece começar por aqui a contar a história e as histórias da vida de Phil Spector (as últimas são por demais conhecidas), a sua importância na música popular e no "rock n' roll" e o modo como o seu nome quase se tornou sinónimo de "produtor" e elevou esta categoria ao estatuto de "rock star". Isso são factos que toda a gente que se interessa por estas coisas do "rock n' roll" está podre de saber. Por isso, vamos lá aos Teddy Bears, a primeira incursão digna desse nome de Phil Spector no mundo da música e onde Spector tinha o papel de intérprete e produtor, simultaneamente.
Pois os Teddy Bears eram Spector e mais três amigos de liceu (em americano diz-se "high school"), Marshall Lieb, Harvey Goldstein (atenção: Spector também é de origem judaica, do Bronx, pois claro) e Annette Kleinbard, embora a presença de Goldstein no grupo tenha sido efémera. E a sua primeira gravação, como acontecia nestes casos e nesta época (1958) com alguma frequência, foi paga por eles próprios, com "dinheirinho" amealhado (certamente com custo). E não, a sua primeira gravação não foi o conhecido "To Know Him Is To Love Him", mas "Don't You Worry My Little Pet", embora ambas tenham sido editadas como "A" side e "B" side, respectivamente, do primeiro "single" do grupo. O resto é história: "To Know Him Is To Love Him" chegou a #1, lançou Spector para o sucesso, mas o que é curioso é que - e agora digo eu, que também gosto de dizer coisas - é em "Don't You Worry My Little Pet" que mais se fazem já notar os traços e características do "Phil Spector Wall of Sound", que haveria de individualizar Spector como produtor. Desculpem, estou a ser muito injusto: tal como existe "cinema de autor", Spector também pode ser considerado, com toda a justiça, mais do que um intérprete, compositor, produtor e etc no campo da música popular. Se, neste campo, alguém justifica o nome de "autor musical" é ele, Spector, "lui même".