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segunda-feira, novembro 24, 2014

Felícia Cabrita paga com os meus impostos?


Ontem, ao fazer "zapping" tentando saber notícias e assistir a comentários sobre a detenção de José Sócrates, dei com a jornalista(?) Felícia Cabrita a comentar o caso na RTP Informação. Nada teria contra se tal acontecesse num dos canais privados, mas ver semelhante personagem,, arvorada à categoria de comentadora encartada num canal de serviço público confesso me deu volta ao estômago.

Acho muito bem a RTP convide comentadores de esquerda e de direita, do PCP ao CDS, do "Avante" ao "Observador", dos que odeiam e dos que "rasgam as vestes" pelo ex-primeiro-ministro, até, se tal for relevante, o simpático advogado Garcia Pereira, mas ver alguém como Felícia Cabrita, símbolo maior do jornalismo de sarjeta, a comentar o que quer que seja paga com os meus impostos, não obrigado. Mas parece que o governo, no que diz respeito à RTP, apenas se preocupa - e neste caso até acho que com alguma razão - com as transmissões da Champions League.  

segunda-feira, março 24, 2014

José Sócrates e os políticos/comentadores

Está errado José Sócrates ter sido confrontado sem aviso prévio com uma alteração qualitativa do seu espaço de comentário político (ou "tempo de antena", mais propriamente) na RTP1? Sim, claro, tal como aconteceria com qualquer outro participante em programa televisivo ou radiofónico, fosse ele político, cultural, desportivo, de entretenimento, etc. É desleal, pouco ético e deontologicamente duvidoso, embora seja ainda mais duvidoso assistirmos diariamente a jornalistas transformados em "pé de microfone", dando as "deixas" para os tais "comentadores/políticos" gerirem as suas agendas e ambições ou limitarem-se a funcionar, mais prosaicamente, como megafones partidários ou governamentais. De qualquer forma,  o que aconteceu prova duas coisas:
  1. Que José Sócrates continua a suscitar ódios - que por vezes chegam mesmo à histeria e à paranóia - como talvez nunca tenha acontecido com qualquer outro político português em democracia. E particularmente à direita do espectro político, o que não deixa de ser curioso se nos lembrarmos da forma como foi combatido e acusado de "direitista" (ou de fazer "o jogo da direita") pela esquerda radical e comunista.
  2. Que o problema fundamental não se chama José Sócrates, Marques Mendes, Morais Sarmento, Zé da Horta ou Manel da Burra; ele está nesta particularidade muito portuguesa dos "políticos/comentadores" a quem são oferecidos generosos tempos de antena para defenderem, sem contradição, as suas causas e agendas políticas. Mas, que raio, não existem académicos, jornalistas qualificados, mesmo políticos retirados com trabalho académico reconhecido (e aqui apetece-me homenagear Medeiros Ferreira) em número suficiente para tal função?

sexta-feira, março 07, 2014

A RTP e a Ucrânia

A RTP1 - Serviço Público de Televisão - tem tratado no seu Telejornal a questão ucraniana de modo pouco rigoroso, enviesado, maniqueísta, para não ir mais longe e dizer propagandístico. Numa questão tão complexa, esperar-se-ia maior rigor e uma análise um pouco mais profunda do tema, bem como aproveitar a ocasião para divulgar que a Europa acaba nos Urais e a sua História não se reduziu às lutas entre Portugal e Castela ou às Invasões Napoleónicas. Se para questões de "lana caprina", mais próprias do jornalismo tablóide, ou outras mais sérias, como quando foi o caso da guerra do Iraque, desfilaram no canal um sem número de comentadores civis e militares, era obrigatório agora uma informação mais completa e também mais isenta e rigorosa por parte da RTP. Aos "russos e aos húngaros" - e ninguém cria ser russo em 1956 - brincávamos nós - crianças - no pátio do colégio quando a minha idade ainda se contava apenas por um dígito. Quero com isto dizer que a RTP deveria obrigar-se a bem mais do que a uma infantilização da informação. Os portugueses que não podem ou não querem pagar para ver televisão têm esse direito.

quinta-feira, março 06, 2014

Portugal na Grande Guerra - La Lys (1/1)

Depois da série da BBC sobre a Grande Guerra (ou 1ª Guerra Mundial), que este "blog" publicou nas últimas duas semanas, este documentário da RTP (2006) sobre a participação portuguesa na frente da Flandres (Portugal empreendeu também acções em África, logo a partir de 1914, em defesa das colónias de Angola e Moçambique) parece-me indispensável, e como complemento, para compreender como o país se integrou no conflito.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

Futebol na TV: lixo e rasquice

Pensava que já tinha visto tudo. De um "Dia Seguinte" onde dirigentes desportivos demonstram a sua mediocridade e vistas curtas, a um abjecto "Prolongamento" onde um político, um cirurgião e um empresário/jornalista/"entertainer" oferecem ao país um espectáculo degradante. No meio, um "Trio de Ataque" onde, apesar de um ténue esforço de dois dos participantes para assumirem uma muito pequena dose de isenção, se discute tudo menos o que realmente interessa no futebol. Confesso os meus pecados: já tentei ver, mas ao fim de cinco minutos, irritado, mudei de canal, não fosse perder o controlo e partir a televisão. Também já sabia daqueles intermináveis directos sobre coisa nenhuma, idas e vindas de "claques", escoltadas pela polícia, e opiniões de adeptos mais ou menos enfurecidos e acéfalos. Também os espaços de "Opinião Pública" e os inquéritos aos quais cada um responde de acordo com a sua preferência clubística. Mas nos últimos tempos tivemos mais: na TVI, para além de um programa "contentinho de si próprio" ("Mais Futebol") e que se pretende "engraçadote", mas que não chegando ao ponto de ser visível pelo menos não ofende demasiado, um espaço ("Contragolpe") onde gente rasca e ordinária, com os quais teria vergonha de ser visto na rua não fosse já me ter deixado há longo tempo de tais pruridos, esgrime(?), em alta berraria, argumentos(?) como se estivesse num combate de "catch as catch can" do velho Parque Mayer de antanho. Na SIC lá continua o inenarrável Rui Santos e as suas teorias da conspiração, acompanhado por alguém que admiro e respeito como jogador (Manuel Fernandes) mas que nunca demonstrou capacidades para mais, e um tal António Oliveira, apenas o pior seleccionador da moderna História do Futebol Português. Um dia destes, Toni regressado ao Iraque (ou ao Irão, tanto faz: as palavras que utilizei para com Manuel Fernandes ajustam-se ao que penso sobre Toni), estava também por lá Abel Xavier, cujo perfil e afirmações recentes me dispenso de comentar. Para tornar tudo ainda pior, o SLB-SCP foi adiado, deixando aquele género de gente a falar sem assunto, o que, tendo em atenção o que costumam discutir, não os deve ter incomodado demasiado. Assim vai o futebol nas televisões, salvando-se o esforço da SportTV e do seu "Resultado Final" e a inteligência e conhecimentos de Carlos Daniel na "Grande Área". Convenhamos que quem gosta de futebol - do jogo, do espectáculo, da gestão dos clubes e da indústria - tem mais do que razões para se sentir envergonhado. E os jornalistas? 

segunda-feira, dezembro 23, 2013

E para não acharem que o "Gato Maltês" faz crítica "destrutiva" elegeu também o mais inteligente...

E o prémio vai para...

Carlos Daniel - RTP Informação
Por conjugar duas qualidades importantes (ou até mesmo indispensáveis): sabe de "bola" e sabe pensar.

segunda-feira, outubro 07, 2013

A RTP, "O País Pergunta" e a armadilha populista

Não pelas mesma razões do PCP, mas confesso também não simpatizar muito com o formato de entrevista televisiva que a RTP vai adoptar no seu novo programa "O País Pergunta", em que um X número de cidadãos tem oportunidade de entrevistar directamente um político ou governante, neste caso o primeiro-ministro e o líder do principal partido da oposição. É que sob a capa de uma total democraticidade e "transparência", do "dar a palavra ao povo" e do acesso desse mesmo "povo" aos grandes meios de comunicação, estamos, de facto, perante uma verdadeira armadilha populista; perante um confronto de uma enorme desigualdade em que de um lado está alguém que, dispondo de enorme traquejo mediático, um total conhecimento dos assuntos e um batalhão de assessores, enfrentará o "teste" com enorme à vontade, total conhecimento das matérias e se terá preparado até à exaustão e, do outro, simples cidadãos sem acesso a idênticos, ou sequer comparáveis, níveis de informação, para além de por certo se sentirem mais ou menos intimidados no cenário e com a situação. Para além disso, estamos também perante a demissão do papel de intermediação que é suposto o jornalista, enquanto profissional, assumir. Que seja a RTP a escolher este caminho é lamentável.   

quarta-feira, setembro 11, 2013

RTP e a "entidade genuinamente independente"?

A RTP é uma empresa pública, com a especificidade de ser responsável pelo serviço público de rádio e televisão; por isso mesmo, os seus accionistas são todos os portugueses. Ora acontece que quem representa todos os portugueses são os deputados por eles eleitos democraticamente, com assento na Assembleia da República. Por isso mesmo, só existe uma entidade verdadeiramente independente e com representatividade democrática para nomear a gestão da RTP e controlar o seu funcionamento: a Assembleia da República ou qualquer outra entidade na qual esta delegue poderes de representação. E para evitar ou pelo menos minorar as habituais tentações de governamentalização, tal deve ser feito com o acordo de 2/3 ou até mesmo de 4/5 dos deputados. Isto é assim tão difícil de entender por um académico reputado como o dizem ser o ministro Poiares Maduro? Ou será que estamos perante mais uma parvoíce em tudo idêntica aquele disparate de má memória de entregar o segundo canal a uma entidade mítica chamada "sociedade civil"? Para disparate, não bastou já?

quinta-feira, maio 09, 2013

Acabou "A Guerra"


Foi ontem exibido o último episódio da série documental "A Guerra", realizada por uma equipa dirigida por Joaquim Furtado. Sobre a excelente qualidade da série já me pronunciei várias vezes, pelo que me parece desnecessário repetir o que escrevi. Mas deixo duas perguntas:
  1. Para quando o devido reconhecimento a Joaquim Furtado, por exemplo, e agora que se aproxima o dia 10 de Junho, com a entrega de uma mais do que merecida condecoração a si e à sua equipa? Ou um qualquer grau "honoris causa" concedido por uma Universidade prestigiada em função do trabalho histórico realizado?
  2. O que me espanta, depois de ter visto a série de "fio a pavio", foi pensar como foi possível a um país europeu e ocidental como Portugal, então o mais pobre da Europa, manter durante treze anos (treze!!!) uma guerra em três frentes que se sabia nunca poderia ser vencida (ou mesmo perdida) e que só poderia terminar como, de facto, terminou: com a queda mais ou menos abrupta do regime que a sustentava. Isto prova, mais uma vez, que mesmo um regime político que se pretendia elitista, governado por uma "soit disant" elite, como pretendia ser a ditadura de Salazar e Caetano, não está imune (ele, os seus dirigentes e seguidores) a ser tomado por um ataque crónico de demência ou um surto perene de loucura. Estranho é existir quem ainda defenda que o resultado poderia ter sido outro. Prova-se que isto da loucura é mais grave do que parece e atinge mesmo alguns que, à partida, poderiam parecer imunizados. À bon entendeur...

segunda-feira, abril 15, 2013

José Sócrates na RTP

Deixemos de lado, momentaneamente, as nossas concordâncias ou discordâncias com o conteúdo. Se possível, ignoremos também, durante alguns momentos, ódios e paixões pelo personagem. Tidos em consideração estes dois pontos prévios, o que podemos dizer do "tempo de antena" - travestido de "comentário político", o que sempre acontece nestas circunstâncias e em casos semelhantes - de José Sócrates na RTP? Bom, aquilo que seria de esperar tendo em atenção o seu perfil e o estilo a que nos habituou: grande profissionalismo, comunicação directa e convicta do que afirma, um guião bem construído, e que me parece vir a mudar pouco ou nada em função das circunstâncias, e trabalho rigoroso de um "staff" onde parece bem evidente o dedo de Pedro Silva Pereira. Contraste claro com o estilo mais "ad lib" e truculento, mais "popularucho" e "one man show", digamos também mais espectacular e "catavento", de Marcelo Rebelo de Sousa. De José Sócrates, ao contrário do que acontece com Marcelo Rebelo de Sousa, não se esperem pois grandes surpresas. Força ou fraqueza? Depende. Direi que as duas em conjunto. 

terça-feira, março 26, 2013

"5 Noites 5 filmes": bom cinema, mal tratado.

A RTP 2, na sua rubrica "Cinco Noites, Cinco filmes" tem vindo a apresentar algum bom cinema na sua programação. Antes de mais, saúda-se. Mas saudando-se, não se compreende porque bom cinema é tão maltratado pelo serviço público de televisão, certamente por gente que não gosta de filmes. Por exemplo, não existe qualquer coerência no critério de escolha dos filmes. Se na semana passada tivemos direito a um mini-ciclo Clint Eastwood, não se compreende qual a ligação existente entre os excelentes "western spaghetti" de Sergio Leone, operáticos, barrocos, excessivos e gongóricos (desculpem o excesso de adjectivos), Leone a dever constituir por si só um ciclo (já agora, porque faltou "A Fistful of Dollars"?), e um "western" mais clássico, embora igualmente excelente, como o é "Pale Rider". Outro exemplo. Ontem, a RTP 2 passou "The Postman Always Ring Twice" original, de Tay Garnett com Lana Turner; hoje prepara-se, salvo erro, para exibir o "2001" de Kubrick e amanhã o fabuloso "Senso" de Visconti, talvez o filme mais representativo do romantismo operático. Qual a coerência? Apresentado deste modo, sem qualquer explicação adicional, conseguirá o cinema conquistar o público mais novo e torná-lo cinéfilo? Já não falo da falta de informação sobre os filmes, uma sinopse que seja como existe nos canais do cabo. Seria mais caro? Não me parece... Infelizmente, parece-me bem mais revelador do modo descuidado, sem qualquer rigor, autenticamente "à trouxe-mouxe" e ao estilo "cabe sempre mais um" como demasiadas vezes se fazem as coisas em Portugal. Encher chouriços", pois claro.

sexta-feira, março 22, 2013

José Sócrates na RTP

  1. A chegada de José Sócrates a comentador político televisivo deveria ser pretexto para discussão aprofundada do tema "ex-dirigentes partidários transformados em comentadores televisivos", ou seja, gente com uma agenda política própria transformada em estrela do espectáculo e a quem é oferecida antena mediática. Comentário político é bem outra coisa e deveria ser exclusivo de jornalistas (especializados nas diversas áreas), académicos e politólogos. Infelizmente, a tradicional "fulanização" da política e a histeria "anti-socratista" impede tal coisa. Lamento.
  2. A RTP é "serviço público de televisão" e como tal deve prescindir de tal coisa? Bom, teoricamente deveria ser esse o caso, mas, para além de me parecer o problema está a ser também aqui "fulanizado" (se o nome fosse outro ninguém o levantaria), o tal serviço público", que não está definido mas não me parece possa excluir o debate político, social, cultural e de temas económicos, não pode ser transformado numa televisão "sem cor e sem cheiro", até porque a RTP, com as limitações já conhecidas no tempo que pode preencher com publicidade, não pode deixar de competir em termos de audiências, sem que essa competitividade signifique a disseminação de "Preços Certos" ou a tablóidização da informação. Caso contrário, não só nunca poderá cumprir com as obrigações que o serviço público lhe impõe, como muito menos financiar os seus custos de funcionamento. E depois, claro, lá viria a "lenga lenga" de que o país não poderia suportar tal coisa.
  3. José Sócrates, talvez o cidadão português mais investigado dos últimos anos, não é suspeito, acusado ou sequer indiciado de qualquer crime ou acto ilícito. Não concordando eu com a figura do "comentador/ex-dirigente partidário", muito menos submetendo-me às decisões dos julgamentos populares do Correio da Manhã e quejandos, tem tanto direito a sê-lo como Marques Mendes, Rebelo de Sousa, Jorge Coelho, António Vitorino and so on. Tem responsabilidades políticas na situação actual do país? Terá, tal como Durão Barroso (presidente da Comissão Europeia), António Guterres (Alto Comissário da ONU para os refugiados) e Cavaco Silva (Presidente da República). Tem-nas em maior grau do que qualquer destes seus antecessores? Disso já tenho sérias e fundadas dúvidas, ousando mesmo considerar que, apesar de alguns erros e outras tantas opções erradas que fui apontado, o primeiro governo de José Sócrates (disse, "o primeiro") terá sido mesmo o melhor governo de Portugal desde o "bloco central" de Soares, Mota Pinto e Hernâni Lopes, que preparou a adesão do país à então CEE. As pessoas teimam em ver a árvore e esquecer a floresta.
  4. Estamos perante uma armadilha preparada pelo governo e pelo ministro Miguel Relvas contra Seguro e contra o PS? É provável, mas tendo em atenção os "tiros no pé" e acções dignas de "aprendiz de feiticeiro" do ministro Relvas e do actual governo, ficaria bastante admirado se desta vez acertassem. Além do mais, José Sócrates é um homem suficientemente frio e inteligente e um político com experiência suficiente para não se deixar cair na "esparrela". Para já, este seu "comeback" terá também jogado o seu papel numa decisão do PS e de Seguro que em nada favorece o actual governo: a decisão do partido de avançar com uma moção de censura, transmitindo para a opinião pública uma pouco comum (pelo menos, nos últimos tempos) agressividade política e unidade partidária. Acho que quem, numa típica atitude "wishful thinking", espera José Sócrates assuma de modo prioritário um papel  de desestabilização do PS e de radical criticismo face ao Presidente da República arrisca-se a estar a pensar de forma demasiado imediatista.
  5. A presença televisiva de José Sócrates irá fazer avivar nos portugueses a imagem dos "responsáveis pela crise", ele próprio e o PS? Enfim, passada a fase da novidade e do auge da cruzada anti-socratista (assim, pelo menos, deixarão de se preocupar como o modo como se sustentava em Paris), que durará pouco e se transformará, rapidamente, numa espécie de vanguarda mais ou menos radical e folclórica ao estilo "31 da Armada", "Hare Krishna ou "Amigos de Olivença", penso que a presença de José Sócrates em Portugal e nas televisões acabará por contribuir, a prazo, para alguma distensão e normalização do ambiente e convivência democráticas, o que, excepto para os tais radicais, só poderá ser de saudar. Eu, desde já saúdo seja essa a consequência.  

quarta-feira, março 13, 2013

A Comissão de Trabalhadores da RTP

Governo e Administração chegaram à conclusão a RTP precisaria de diminuir a sua massa salarial em 28%. Tendo em atenção a crise do mercado publicitário, as limitações da RTP a este nível, a necessidade de cumprimento das obrigações do serviço público e a actual quebra das audiências da estação, bem como questões históricas relacionadas com o seu modelo de gestão e funcionamento, não tenho demasiadas dúvidas sobre essa necessidade - já terei mais dúvidas sobre  a RTP que aí vem, principalmente ouvindo o ministro Relvas, mas isso são "outros quinhentos". Para se conseguir essa redução salarial, tutela e Administração da empresa colocam como opção prioritária a negociação de rescisões amigáveis com os seus trabalhadores; penso que tal seria suficiente para que a Comissão de Trabalhadores decidisse sentar-se à mesa tentando negociar soluções que não penalizassem demasiado os trabalhadores por si representados: o exemplo da AutoEuropa prova que esse é um caminho difícil mas compensador. Infelizmente, a Comissão de Trabalhadores da RTP parece ter optado por uma atitude radical, fundamentalista e pouco dialogante. Calculo de onde parte, e também não me custa imaginar o barulho será muito mas as consequências as piores.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Duas notas sobre o momento político

  1. A acreditar no que dizem os jornais (o que constitui cada vez mais um enorme ponto de interrogação), António Costa terá dado a Seguro um prazo até 10 de Fevereiro (é um Domingo) para "unir o partido". Desconheço como Seguro o comprovará, se com certificado passado pela secretaria do PS, com selo branco e tudo, se com um qualquer documento assinado com sangue por todos os militantes, com Costa e Seguro à cabeça. Mas ao deixarem-se cair nesta situação ridícula, estão a arrastar o partido e, por acréscimo e por ausência de oposição credível, os portugueses para o a abismo. Seguro já tinha perdido qualquer espécie de credibilidade e António Costa, até aqui uma espécie de reserva política do PS, arrisca-se a ir pelo mesmo caminho. Uma desgraça nunca vem só?
  2. Em vez de aceitar negociações tentando assim minimizar os eventuais problemas que a anunciada restruturação da RTP possa trazer para os seus trabalhadores, a Comissão de Trabalhadores da RTP optou por uma posição radical,  acusando o presidente do Conselho de Administração da empresa, que até assumiu uma posição relativamente moderada, de "terrorismo". Não sei onde pretende chegar a dita Comissão de Trabalhadores, nem quais os benefícios que espera obter dessa sua atitude. Aconselho-a a fazer um estágio com António Chora e a sua congénere da AutoEuropa. Estou certo aprenderá alguma coisa. Se a tal estiver disposta, claro!

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Relvas, Zorrinho e a RTP

Depois de uma das maiores sucessões de trapalhadas a que já assisti vindas de um governo, este tomou finalmente uma decisão sobre o presente e o futuro do grupo RTP. E, na conjuntura, embora "tarde e a más horas", a decisão adequada, incluindo nela o aproveitamento do "goodwill" gerado por uma decisão que parece ter o apoio de uma maioria dos portugueses para dar início a uma restruturação da empresa, adaptando-a, inclusivamente no seu "headcount", a um país e um mercado em crise. Nasceu torto - muito - mas contrariando o ditado, no essencial e no seu fim o processo lá se "endireitou". Estamos na semana em que tudo parece correr bem ao governo, mesmo quando pouco terá feito por isso.

Enfim, mas como o ministro Miguel Relvas tem o estranho condão de transformar em lixo tudo aquilo em que toca, ao mau estilo "king Midas in reverse", em vez de "gozar o momento" (malgré-lui, evidentemente) e ter-se limitado a anunciar na TV, em "prime time", a simples e necessária restruturação da empresa que teria de se seguir, resolveu desde logo adjectivá-la como "dolorosa", alertando tudo e todos para a hipótese - bem real - de uma redução importante de efectivos, começando assim e desde logo a transformar uma indiscutível boa decisão do governo num novo problema que este irá ter de enfrentar. Um exemplo de má gestão da comunicação e de como a verdade deve escolher o momento exacto para ser anunciada.

Mas pior, bem pior terá sido a reacção do PS, anunciando, bem ao estilo PCP, que não permitiria "operações de cosmética" para "emagrecer" a RTP. O que quer então o PS? Ter o melhor de dois mundos, isto é, manter o grupo RTP na esfera pública sem qualquer reorganização e restruturação que permita torná-lo mais "cost effective"? Ficar com o bolo (a boa decisão de manter a RTP no sector público) e simultaneamente comê-lo, isto é, esbanjar recursos inutilmente? É que deixando de ter subvenções do Estado e passando apenas a viver da taxa do audiovisual e das receitas de publicidade (neste caso com as limitações conhecidas e que não se aplicam "às privadas"), a RTP, mesmo salvaguardando o "serviço público", "está no mercado", e assim como não pode, dentro dos limites do razoável, deixar de pagar bem às suas estrelas do espectáculo (atenção aos populismos e demagogias sobre os "salários milionários"...), também não se poderá furtar a ter uma estrutura de custos, incluindo nestes os recursos humanos, que lhe permita ser concorrencial. 

sexta-feira, dezembro 14, 2012

O comunicado da Newshold e o estilo "Jornal de Angola"

Mesmo pondo de parte um "novo-riquismo" ao estilo "eu tenho dinheiro, eu quero, eu compro" (que outra coisa seria de esperar?), achincalhando o Estado português, os seus empresários, cidadãos e dificuldades por que passam, encontramos no comunicado da Newshold sobre a sua candidatura à compra da RTP muito do estilo e conteúdo dos célebre editoriais do "Jornal de Angola", de que este e este são apenas dois dos mais ignóbeis exemplos. Se alguém ainda poderia ter dúvidas (o que não acredito) sobre qual o interesse do capital e do Estado angolanos (são uma e a mesma coisa) nos "media" portugueses, em geral, e na RTP, em particular, penso este comunicado da Newshold é perfeitamente self-explanatory. Eu, como cidadão português, sinto-me envergonhado com a cedência do governo (e não só: o PS escuda-se na sua posição anti-privatização para evitar falar do assunto) a este tipo de gente e de interesses.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Nuno Santos, a RTP, a árvore e a floresta

Não sei se Nuno Santos é ou não responsável por ter autorizado o visionamento e/ou cedência de imagens não editadas da manifestação junto da Assembleia da República, e duvido alguém, para lá dos intervenientes directos neste imbróglio, o saiba. Se o fez, incorreu num crime, já que apenas o poderia ter feito em cumprimento de mandado judicial. Se o não fez e foi afastado por motivos políticos, é grave, embora tal não seja caso virgem nem tipo de comportamento ao qual não estejamos, infelizmente, demasiado habituados.

Mas mesmo assumindo que terá sido vitima de uma cilada, o que torna o seu afastamento ainda mais grave, estamos perante um problema conjuntural, isto é, nada que não possa vir a ser corrigido facilmente num futuro mais ou menos próximo por este ou qualquer outro governo. Já a eventualidade do Estado ceder uma parte significativa do capital da RTP a uma entidade privada, coisa que, teoricamente ou em termos puramente abstractos, não me chocaria demasiado, é uma modificação de natureza estrutural, querendo isto significar que modifica a estrutura accionista da empresa, o seu modelo de gestão, a sua relação com os "stakeholders" e pode mesmo ter implicações decisivas na democracia e na presente e futura liberdade de informar, devendo por esse motivo ser objecto de escrutínio rigoroso pela Assembleia da República e por todos os cidadãos. Se essa cedência tiver como destinatário um grupo económico onde o poder é partilhado pela Cofina, detentora do Correio da Manhã com a sua filosofia jornalística(?) e o seu triste registo de conteúdos, aliado a capital de um país onde não existe liberdade de expressão, de informar ou sequer liberdade empresarial, e no qual nada se faz sem ou muito menos contra a elite corrupta no poder, o assunto excede em muito, na sua gravidade, o caso Nuno Santos ou, não querendo com isto aligeirar a sua gravidade (longe disso), quaisquer outros casos conjunturais do mesmo teor. É por isso que, embora se conheça demasiado bem a estratégia do governo em "atirar o barro à parede a ver se pega" e o sem número de opções que já anunciou para o grupo RTP, vejo com alguma estranheza um assunto que é estrutural ser claramente preterido, no seu tratamento político e mediático, em favor de uma questão que pode ser grave, sem dúvida, mas de natureza meramente conjuntural, vendo a árvore mas ignorando ostensivamente a floresta. "Business as usual", compete perguntar?

terça-feira, dezembro 04, 2012

A RTP e a "Angola connection"

Tendo em atenção as conhecidas ligações de Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas, Ângelo Correia e Alberto da Ponte à chamada "Angola connection", e dadas as ausências de liberdade de expressão e iniciativa empresarial nesse país, a confirmar-se a venda de 49%, com o Estado no papel de "silent partner" e "facilitador" abdicando da respectiva gestão, do grupo RTP à Cofina, alanvacada pelo grupo angolano Newshold, ou seja, pelo próprio Estado angolano, estamos perante aquele que pode vir a ser um dos maiores, se não mesmo o maior escândalo da democracia portuguesa.

Fico a aguardar a posição do PS em relação ao negócio, mas suspeito a resposta seja o silêncio. Ensurdecedor, pois claro.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

RTP: "tirar o Estado das empresas"?


Não sei se estou a perceber bem, mas o que me parece é que o comprador (por certo um grupo de investidores "amigo", talvez com ligações à "Angola connection"), tendo apenas de desembolsar um pouco menos de metade do valor do grupo de empresas, fica efectivamente a "mandar" no negócio e ao Estado resta o papel de "silent partner" e de eventual "facilitador" quando isso der jeito? Será assim que se pretende "tirar o Estado das empresas" ou esta é mais uma daquelas tentativas "toca e foge" a que o governo nos vem habituando?

domingo, novembro 25, 2012

Alberto da Ponte: o que é verdade hoje será mentira amanhã

Digamos que achei alguma graça aos ingénuos que perante a afirmação, explícita garantia de Alberto da Ponte aos signatários de um documento "Em Defesa do Serviço Público de Rádio e Televisão", iriam ser mantidas as três rádios públicas e os dois canais de televisão, não encarando mesmo o presidente da RTP a existência de "um serviço público completo" sem essa manutenção (sic), acreditaram seria esse o desfecho mais do que provável do processo de privatização em curso, qual "golpe de teatro" de última hora. Claro que bastou um par de dias para que Alberto da Ponte confirmasse não ser só no futebol que o que é verdade hoje pode ser mentira amanhã e viesse afirmar que "não o chocava" a privatização de ambos os canais da televisão estatal. 

Um puxão de orelhas do ministro Miguel Relvas, dado entretanto? Custa-me a crer e não sou ingénuo a tal ponto: o desfecho do "dossier" RTP está definido desde o seu início e só desse modo se compreende a aceitação do cargo de presidente por Alberto da Ponte, abandonando uma confortável e financeiramente compensadora pré-reforma. Então qual a razão de fundo para tal afirmação, perante os signatários do documento? Para mim, apenas um modo expedito de "desarmar", desvalorizar, desrespeitar e até humilhar os portadores e signatários de tal petição, mostrando o seu desprezo pelas personalidades presentes e ideias defendidas através de uma afirmação que sabia ser mentirosa mas sabia também iria agradar aos seus interlocutores de ocasião. Foi a chamada "mentira piedosa" ("pois, isso é fantástico, excelente ideia, fizeram um bom trabalho" - costas voltadas, cesto de papéis com ele e numa ditadura teriam a polícia à espera na porta da rua) vinda de quem nem sequer está para se "chatear" a discutir uma proposta ou perder algum tempo com o assunto. 

Por fim, para a tal comissão "Em Defesa do Serviço Público de Rádio e Televisão" foi a demonstração clara de que o género de gente com quem está a lidar não se coaduna com ridículas "petições" e "abaixo assinados" a fazerem lembrar documentos de teor semelhante enviados a Salazar pelo e nos tempos do "reviralho". É negócio "puro e duro", que só compreende a linguagem da força e não hesitará perante nada, e cidadãos com a experiência política e de vida de Arons de Carvalho, Loureiro dos Santos ou Ribeiro e Castro já o deveriam ter aprendido. Será que aprenderam?