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quinta-feira, janeiro 31, 2013

Duas notas sobre o momento político

  1. A acreditar no que dizem os jornais (o que constitui cada vez mais um enorme ponto de interrogação), António Costa terá dado a Seguro um prazo até 10 de Fevereiro (é um Domingo) para "unir o partido". Desconheço como Seguro o comprovará, se com certificado passado pela secretaria do PS, com selo branco e tudo, se com um qualquer documento assinado com sangue por todos os militantes, com Costa e Seguro à cabeça. Mas ao deixarem-se cair nesta situação ridícula, estão a arrastar o partido e, por acréscimo e por ausência de oposição credível, os portugueses para o a abismo. Seguro já tinha perdido qualquer espécie de credibilidade e António Costa, até aqui uma espécie de reserva política do PS, arrisca-se a ir pelo mesmo caminho. Uma desgraça nunca vem só?
  2. Em vez de aceitar negociações tentando assim minimizar os eventuais problemas que a anunciada restruturação da RTP possa trazer para os seus trabalhadores, a Comissão de Trabalhadores da RTP optou por uma posição radical acusando o presidente do Conselho de Administração da empresa, que até assumiu uma posição relativamente moderada, de "terrorismo". Não sei onde pretende chegar a dita Comissão de Trabalhadores, nem quais os benefícios que espera obter dessa sua atitude. Aconselho-a a fazer um estágio com António Chora e a sua congénere da AutoEuropa. Estou certo aprenderá alguma coisa. Se a tal estiver disposta, claro!

terça-feira, dezembro 04, 2012

A RTP e a "Angola connection"

Tendo em atenção as conhecidas ligações de Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas, Ângelo Correia e Alberto da Ponte à chamada "Angola connection", e dadas as ausências de liberdade de expressão e iniciativa empresarial nesse país, a confirmar-se a venda de 49%, com o Estado no papel de "silent partner" e "facilitador" abdicando da respectiva gestão, do grupo RTP à Cofina, alanvacada pelo grupo angolano Newshold, ou seja, pelo próprio Estado angolano, estamos perante aquele que pode vir a ser um dos maiores, se não mesmo o maior escândalo da democracia portuguesa.

Fico a aguardar a posição do PS em relação ao negócio, mas suspeito a resposta seja o silêncio. Ensurdecedor, pois claro.

domingo, novembro 25, 2012

Alberto da Ponte: o que é verdade hoje será mentira amanhã

Digamos que achei alguma graça aos ingénuos que perante a afirmação, explícita garantia de Alberto da Ponte aos signatários de um documento "Em Defesa do Serviço Público de Rádio e Televisão", iriam ser mantidas as três rádios públicas e os dois canais de televisão, não encarando mesmo o presidente da RTP a existência de "um serviço público completo" sem essa manutenção (sic), acreditaram seria esse o desfecho mais do que provável do processo de privatização em curso, qual "golpe de teatro" de última hora. Claro que bastou um par de dias para que Alberto da Ponte confirmasse não ser só no futebol que o que é verdade hoje pode ser mentira amanhã e viesse afirmar que "não o chocava" a privatização de ambos os canais da televisão estatal. 

Um puxão de orelhas do ministro Miguel Relvas, dado entretanto? Custa-me a crer e não sou ingénuo a tal ponto: o desfecho do "dossier" RTP está definido desde o seu início e só desse modo se compreende a aceitação do cargo de presidente por Alberto da Ponte, abandonando uma confortável e financeiramente compensadora pré-reforma. Então qual a razão de fundo para tal afirmação, perante os signatários do documento? Para mim, apenas um modo expedito de "desarmar", desvalorizar, desrespeitar e até humilhar os portadores e signatários de tal petição, mostrando o seu desprezo pelas personalidades presentes e ideias defendidas através de uma afirmação que sabia ser mentirosa mas sabia também iria agradar aos seus interlocutores de ocasião. Foi a chamada "mentira piedosa" ("pois, isso é fantástico, excelente ideia, fizeram um bom trabalho" - costas voltadas, cesto de papéis com ele e numa ditadura teriam a polícia à espera na porta da rua) vinda de quem nem sequer está para se "chatear" a discutir uma proposta ou perder algum tempo com o assunto. 

Por fim, para a tal comissão "Em Defesa do Serviço Público de Rádio e Televisão" foi a demonstração clara de que o género de gente com quem está a lidar não se coaduna com ridículas "petições" e "abaixo assinados" a fazerem lembrar documentos de teor semelhante enviados a Salazar pelo e nos tempos do "reviralho". É negócio "puro e duro", que só compreende a linguagem da força e não hesitará perante nada, e cidadãos com a experiência política e de vida de Arons de Carvalho, Loureiro dos Santos ou Ribeiro e Castro já o deveriam ter aprendido. Será que aprenderam?