domingo, novembro 25, 2012

Alberto da Ponte: o que é verdade hoje será mentira amanhã

Digamos que achei alguma graça aos ingénuos que perante a afirmação, explícita garantia de Alberto da Ponte aos signatários de um documento "Em Defesa do Serviço Público de Rádio e Televisão", iriam ser mantidas as três rádios públicas e os dois canais de televisão, não encarando mesmo o presidente da RTP a existência de "um serviço público completo" sem essa manutenção (sic), acreditaram seria esse o desfecho mais do que provável do processo de privatização em curso, qual "golpe de teatro" de última hora. Claro que bastou um par de dias para que Alberto da Ponte confirmasse não ser só no futebol que o que é verdade hoje pode ser mentira amanhã e viesse afirmar que "não o chocava" a privatização de ambos os canais da televisão estatal. 

Um puxão de orelhas do ministro Miguel Relvas, dado entretanto? Custa-me a crer e não sou ingénuo a tal ponto: o desfecho do "dossier" RTP está definido desde o seu início e só desse modo se compreende a aceitação do cargo de presidente por Alberto da Ponte, abandonando uma confortável e financeiramente compensadora pré-reforma. Então qual a razão de fundo para tal afirmação, perante os signatários do documento? Para mim, apenas um modo expedito de "desarmar", desvalorizar, desrespeitar e até humilhar os portadores e signatários de tal petição, mostrando o seu desprezo pelas personalidades presentes e ideias defendidas através de uma afirmação que sabia ser mentirosa mas sabia também iria agradar aos seus interlocutores de ocasião. Foi a chamada "mentira piedosa" ("pois, isso é fantástico, excelente ideia, fizeram um bom trabalho" - costas voltadas, cesto de papéis com ele e numa ditadura teriam a polícia à espera na porta da rua) vinda de quem nem sequer está para se "chatear" a discutir uma proposta ou perder algum tempo com o assunto. 

Por fim, para a tal comissão "Em Defesa do Serviço Público de Rádio e Televisão" foi a demonstração clara de que o género de gente com quem está a lidar não se coaduna com ridículas "petições" e "abaixo assinados" a fazerem lembrar documentos de teor semelhante enviados a Salazar pelo e nos tempos do "reviralho". É negócio "puro e duro", que só compreende a linguagem da força e não hesitará perante nada, e cidadãos com a experiência política e de vida de Arons de Carvalho, Loureiro dos Santos ou Ribeiro e Castro já o deveriam ter aprendido. Será que aprenderam?

2 comentários:

Anónimo disse...

Caro JC

Alberto da Ponte é uma figura que classifico de repugnante (e por favor não me venha dizer que estou a usar linguagem ofensiva). Trata-se de um capataz (sem escrupulos ?) que está a cumprir uma missão a mandado de outros interesses com a obediência cega de um pitbull que leva tudo à frente.
Recordo aqui as afirmações desse senhor, na altura ainda presidente das cervejas, e pouco tempo depois da tomada de posse do (actual) governo, onde dizia em tom arrogante(não me recordo das palavras exactas, mas o sentido está explicito), que este país não tem lugar para quem não quer trabalhar (na altura o desemprego já era galopante, apesar de inferior aos números actuais) e que o melhor era irem embora (os tais que "não querem trabalhar"). Como se estar desempregado seja uma opção de vontade própria.
Escusado será dizer que no minimo cerveja sagres...jámés.

Cumprimentos

JC disse...

1. Não, não está a usar linguagem que considere ofensiva, pode estar descansado.
2. Devo dizer-lhe que tb não tenho Alberto da Ponte como pessoa - e não me estou a referir à sua capacidade enquanto gestor - em grande conta.
Cumprimentos