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quarta-feira, junho 01, 2011

"The Secret Flight Of Rudolf Hess (1/5)


Aproveitando a oportunidade da exibição do filme "The King's Speech", para além de ter tecido algumas considerações sobre o respectivo enquadramento histórico e assinalando algumas incorrecções no "script", aproveitei para exibir aqui no "Gato Maltês" algumas séries documentais sobre a personalidade e actuação de membros relevantes da família real britânica, mormente sobre o reis George VI (Bertie) e Edward VIII (David). Juntei-lhes também a excelente série dramática de Stephen Poliakoff "The Lost Prince", centrada da figura e curta vida do príncipe John (Johnnie), irmão de David e Bertie (também de Henry, mas esse não vem à história), que sofria de epilepsia e autismo. Tudo isto no sentido de facilitar a leitura do filme, corrigir alguns dos seus erros históricos e tentar fornecer algumas pistas para a compreensão da primeira metade do século XX no Reino Unido.

Mas, francamente, faltava-me alguma coisa sobre uma das figuras mais controversas da família real, George, Duke of Kent, irmão de David, Bertie, Henry e Johnnie e tio de Elizabeth II. Vasculhei no You Tube e, para além de algum material desinteressante, nada. Finalmente resolvi procurar por outra via, Rudolf Hess, pois um dos episódios mais sombrios e pior explicados da WWII está a ele, Hess, ao Duke of Kent e a outros membros da aristocracia partidários da chamada política de "appeasement", entre eles o Duke of Hamilton, bastante ligado. 

George, aliás também retratado, enquanto criança, na série de Poliakoff, era alguém bastante controverso. O mais "bem parecido" dos irmãos, era casado com a princesa Marina da Grécia, o que não o impediu de ter tido, ao longo da vida e como era habitual, várias amantes. Ao que dizem, também vários amantes e uma dependência acentuada de cocaína e morfina. Bom, para além disso era, como disse, um conhecido entusiasta da política de "appeasement" e é exactamente por esse motivo que está ligado ao misterioso "voo" de Rudolf Hess, um dos fiéis de Hitler e dos mais altos dignitários do regime nazi.

Fica aqui a série documental sobre o caso, acrescentando ainda que George, oficial da Royal Air Force, morreu a 25 de Agosto de 1942, quando o avião da RAF em que seguia se despenhou na Escócia. 

terça-feira, fevereiro 15, 2011

"The King's Speech": algumas das incorreções históricas mais notórias

  • George VI (“Bertie”) não era tão anti-hitleriano como o filme deixa supor. Teria mesmo preferido que fosse Lord Halifax, um dos principais arautos do “apaziguamento”, a suceder a Neville Chamberlain como primeiro-ministro, e não Winston Churchill. De notar que grande parte da aristocracia britânica era pelo “apaziguamento” e nutria maiores ou menores simpatias por Hitler, visto como um inimigo do bolchevismo. Era esse o caso de dois dos irmãos do rei, David (Eduardo VIII) e “Georgie” (Duque de Kent), este morto num desastre de aviação, com um avião da RAF, durante a WWII. Razões para tal? Muitos dos “melhores filhos” da aristocracia tinham morrido ou ficado incapacitados na Grande Guerra; os comunistas tinham assassinado a família imperial russa (Nicolau II era primo direito de George V); e a greve geral de 1926 tinha constituído duro golpe e rude aviso para as “classes dominantes” da Grã-Bretanha.
  • Churchill nunca forçou a abdicação de Eduardo VIII. Quem sempre o fez foi, isso sim, Stanley Baldwin. Compreende-se: era já um primeiro-ministro experiente quando a guerra com a Alemanha parecia inevitável e as notórias simpatias de Eduardo VIII e Wallis Simpson pelos nazis constituiam um séio embaraço.
  • Baldwin não se demitiu por ser partidário do “apaziguamento”, mas por, digamos, cansaço depois de ter chefiado três gabinetes todos eles em ocasiões muito difíceis. Aliás, foi substituído por Neville Chamberlain, esse sim, o signatário dos acordos de Munique.
  • As princesas Elizabeth (actual rainha) e Margaret seriam em 1939 bem mais crescidas do que o filme deixa supor. Elizabeth nasceu em 1926 e teria, portanto, 13 anos no início da WWII. Aliás, acabaria por servir como motorista e mecânico no WATS a partir de 1943.

terça-feira, outubro 07, 2008

"Enemy at the Door", ou a WWII com gente dentro (e de ambos os lados)

Uma das boas razões para ver “Enemy at the Door”, a série da LWT que passa actualmente na RTP Memória e que por aqui já recomendei, é que raramente é objecto principal de um filme ou de uma série de TV passados na WWII a vida de todos os dias, dos cidadãos comuns perante a ocupação estrangeira, neste caso numa pequena e remota ilha (Guernsey) apesar da sua proximidade com o continente europeu, também ele sob ocupação, e com a Grã Bretanha que resiste. Aliás, essa localização, digamos assim, entre dois mundos, também já evidente na vida das Channel Islands em tempo de paz, é extremamente bem evidenciada e estará sempre presente na série. Mas, acima de tudo, o que temos não é a habitual luta heróica da resistência contra o ocupante e a brutalidade da resposta da Gestapo (não existia Gestapo nas Channel Islands), as deportações das populações judaicas, o estereótipo dos maus contra os bons – o que não significa a ausência de uma posição de princípio, claro, muito menos a existência de uma qualquer atitude pró germânica. Aqui temos um povo cercado, interior e exteriormente, sem hipóteses de levar a cabo actos heróicos, que tenta sobreviver com a dignidade possível a cinco anos de ocupação, de exclusão, de provação e até de fome. Os seus pequenos e únicos possíveis actos de resistência passiva, os pequenos gestos de rebeldia desafiando proibições, a necessidade de colaborar (e a interrogação sobre até que ponto isso será possível e legítimo sem ser confundido com traição) com o ocupante na administração do território para que tudo não se torne ainda mais doloroso e o sofrimento alastre, os pequenos dramas individuais gerados pela ocupação e pela guerra ou que esta amplifica até aos limites do suportável. Mas, também, o reconhecimento das dificuldades enfrentadas pelos alemães e pelos os seus oficiais, nomeadamente os do exército regular (Wehrmacht) por norma gente culta e civilizada, e as contradições políticas e sociais entre ele e as SS (talvez demasiado caricaturais na série). Para aqueles, um trabalho que é necessário levar por diante; para estes uma missão. Por último, o próprio isolamento social dos soldados e oficiais do exército alemão, num território onde não há uma guerra para travar, face aos “ilhéus”, duas comunidades feitas de gente, que coexistem, até talvez se respeitem no reconhecimento dos lugares específicos que cada um ocupa, mas que acabam por ser quase estanques. Apesar do passar dos anos (a série é de 1978) evidenciar aqui e ali algumas fraquezas formais que hoje seriam tratadas de uma outra forma, é uma série com gente dentro, muitas vezes, mesmo nos seus actos mais extremos e quando a cólera parece dominar, comportando-se com uma contenção admirável só presente nas séries com origem no lado de lá do canal.

terça-feira, setembro 09, 2008

"Nunca é tarde para aprender", ou José Pacheco Pereira e a WWII

Ao afirmar, citando o livro de Norman Davies “Europe At War”, que a WWII, na Europa, “se perdeu e ganhou no confronto entre a Alemanha nazi e a URSS de Stalin” o que coloca em segundo plano a “visão da guerra como uma luta entre os estados democráticos e o totalitarismo nazi”, Pacheco Pereira tem de facto alguma razão, pese embora esta afirmação contenha em si mesma alguma desvalorização, de natureza ideológica, do papel das democracias, o que me parece pouco ou nada inocente. Se a “Grande Guerra” foi uma guerra entre impérios (dadas as ligações familiares entre as casas reinantes europeias há quem lhe chame um problema de “partilhas”), a WWII foi essencialmente uma guerra por zonas de influência. Basicamente, foi isso mesmo que conduziu à declaração de guerra à Alemanha nazi quando da invasão do semi-feudal e camponesa Polónia e à passividade relativa de França e UK perante a anexação da democrática, progressiva e industrializada Checoslováquia. Mas JPP subvaloriza aqui duas questões que reputo importantes, quando não mesmo essenciais. A primeira é que sendo a França, o Reino Unido e os USA estados democráticos, em face dessa sua natureza, e pelo menos subsidiariamente, a guerra também se travou, a ocidente, entre democracias e a Alemanha nazi, e é esse modelo de sociedade, liberal e democrático, implantado nas suas zonas de influência, que irá contribuir, mais tarde, por contraste e por via sua capacidade de atracção, para a queda das ditaduras, tanto a ocidente (Península Ibérica) como a leste. Portanto, se a guerra só foi definitivamente ganha em 1989, afirmação com a qual concordo, os alicerces dessa vitória foram efectivamente escavados pelas democracias em 1939 e, depois, em 1942 e1945.

Outra questão tem a ver com o facto de, como escreve JPP, “quando o primeiro soldado americano colocou os pés no extremo sul do continente, na Sícilia, já o exército alemão perdera toda a capacidade ofensiva face aos soviéticos, ou seja, já tinha, para todos os efeitos, perdido a guerra”. Uma incontestável verdade. Mas JPP esquece que muito antes do desembarque na Sicília (Julho de 1943) já tinha existido Al Alamein (Outubro/Novembro de 1942), essencial para impedir o acesso alemão ao petróleo do médio-oriente e com tremendo efeito moralizador nos britânicos (é a sua primeira vitória). Não refere também que a efectiva contra-ofensiva soviética no leste, depois da rendição de Von Paulus em Estalinegrado no final de Janeiro de 1943 e de o exército vermelho ter impedido o avanço nazi sobre o Cáucaso e, assim, o acesso às respectivas jazidas petrolíferas, teve essencialmente lugar a partir de Janeiro/Fevereiro de 1943, também já depois da vitória britânica em Al Alamein...

Nada disto serve para desvalorizar a importância da guerra a leste para a derrota nazi ou para pôr em causa, no seu todo, a teoria de JPP. O objectivo é apenas introduzir mais alguns dados que possam contribuir para uma percepção mais rigorosa dos acontecimentos que moldaram a Europa dos últimos 60 ou 70 anos. De qualquer modo, a Alemanha de Hitler acaba por perder a guerra quando “deixa de ser quem era”, ou seja, quando as suas forças armadas, concebidas e organizadas para a blitzkrieg, se envolvem numa guerra prolongada para a qual não estavam preparadas, nunca teriam recursos e, por isso, nunca poderiam vencer.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Georgia on my mind...

Algo que devemos ter sempre presente quando pensamos no conflito na Geórgia. Os USA ganharam a guerra fria, resolvendo finalmente a questão de se saber qual o efectivo vencedor da WWII 45 anos depois, e, como vencedores, tratam de impor as suas condições aos vencidos, neste caso trazendo para a sua esfera de influência regiões onde o inimigo derrotado dominava: o leste europeu. Foi assim com o Japão e a Alemanha, depois da WWII, e não penso isso tenha sido para nós, ocidentais, negativo. Ah!, já me esquecia, foi também o que aconteceu com o Tratado de Versailles, após a Grande Guerra, o que leva a que alguma prudência, um pouco de cautela e um ou outro caldo de galinha possam ser, aqui e ali, recomendáveis.

sexta-feira, junho 20, 2008

O Mundo em Guerra (47)

Germany
"This is another WWII production poster from the winter of 1940-1941. The text translates as: "You are the front!"

domingo, junho 01, 2008

"Battleground", no TCM

A 2ª Guerra Mundial parece ter já acabado há longo tempo, mas, para mim, nascido poucos anos depois desta ter terminado e no seio de uma família em que várias nacionalidades europeias convergiam, ela faz parte das minhas mais vivas memórias de infância, relatos transmitidos através daquilo que os meus antepassados, que a tinham vivido à distância daquilo que a BBC ia contando, me iam dando a conhecer num misto de alívio por dela terem estado longe mas, simultaneamente, de alguma nostalgia sentida por se acharem marginalizados de onde o destino da Europa e da democracia se jogava, de alguns dos países de origem da família. Por isso mesmo, por essa paixão que me foi transmitida sobre talvez o mais importante acontecimento político do século XX, dei ontem por mim acordado, madrugada dentro, a rever na TCM um dos melhores, mas menos conhecidos, filmes sobre essa mesma WWII, ou um dos seus mais decisivos episódios: a Batalha das Ardenas (Battle of the Bulge, em inglês), a derradeira ofensiva alemã para tentar atrasar o exército aliado, em Dezembro de 1944/Janeiro de 1945. O filme chama-se “Battleground” (não confundir com o medíocre “A Batalha das Ardenas”/“Battle of the Bulge”) e foi realizado em 1949 por William Wellman, focando a participação da célebre 101º Divisão Aerotransportada (Airborne) no episódio. É considerado o primeiro “grande” filme sobre a WWII realizado depois desta ter terminado. A mim, faz-me lembrar alguns Samuel Fuller, e integro-o, a par de “The Big Red One”, de Fuller, e “Cross of Iron”, de Peckinpah, na minha short list dos três melhores filmes sobre a 2ª Guerra, a que ultimamente juntei “Letters From Iwo Jima”, de Eastwood (faz quatro, como os Mosqueteiros). Componho o ramalhete com a série de televisão “Band Of Brothers”, curiosamente focando também o percurso de uma companhia da 101ª Aerotransportada, a “Easy Company”, desde o desembarque na Normandia até ao pós guerra na Áustria. Como a TCM repete e torna a repetir os seus filmes, fica aqui o aviso, também alertando para o facto de o terem que ver sem legendas. Mas garanto que vale bem a pena, mesmo para os que dominam menos bem o inglês.

O filme ganhou dois Óscares, melhor argumento e melhor fotografia a preto e branco, e teve várias nomeações.

sábado, maio 31, 2008

Ferreira Leite e a 2ª Guerra Mundial

Fui ensinado que na II Guerra Mundial teria havido dois vencedores (URSS e USA), dois derrotados (França e Império Britânico) e dois países que se tinham limitado a perder a guerra (Alemanha e Japão). Parece que nas eleições do PSD terá havido um vencedor (Pedro Passos Coelho), um candidato que se limitou a ganhar (Manuela Ferreira Leite) e um outro (Santana Lopes) que é como a Itália: nunca se sabe o que vai fazer e só serve para atrapalhar.