"Merril's Marauders", de Samuel Fuller (1962)
Filme completo c/ legendas em português
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
A 2ª Guerra Mundial parece ter já acabado há longo tempo, mas, para mim, nascido poucos anos depois desta ter terminado e no seio de uma família em que várias nacionalidades europeias convergiam, ela faz parte das minhas mais vivas memórias de infância, relatos transmitidos através daquilo que os meus antepassados, que a tinham vivido à distância daquilo que a BBC ia contando, me iam dando a conhecer num misto de alívio por dela terem estado longe mas, simultaneamente, de alguma nostalgia sentida por se acharem marginalizados de onde o destino da Europa e da democracia se jogava, de alguns dos países de origem da família. Por isso mesmo, por essa paixão que me foi transmitida sobre talvez o mais importante acontecimento político do século XX, dei ontem por mim acordado, madrugada dentro, a rever na TCM um dos melhores, mas menos conhecidos, filmes sobre essa mesma WWII, ou um dos seus mais decisivos episódios: a Batalha das Ardenas (Battle of the Bulge, em inglês), a derradeira ofensiva alemã para tentar atrasar o exército aliado, em Dezembro de 1944/Janeiro de 1945. O filme chama-se “Battleground” (não confundir com o medíocre “A Batalha das Ardenas”/“Battle of the Bulge”) e foi realizado em 1949 por William Wellman, focando a participação da célebre 101º Divisão Aerotransportada (Airborne) no episódio. É considerado o primeiro “grande” filme sobre a WWII realizado depois desta ter terminado. A mim, faz-me lembrar alguns Samuel Fuller, e integro-o, a par de “The Big Red One”, de Fuller, e “Cross of Iron”, de Peckinpah, na minha short list dos três melhores filmes sobre a 2ª Guerra, a que ultimamente juntei “Letters From Iwo Jima”, de Eastwood (faz quatro, como os Mosqueteiros). Componho o ramalhete com a série de televisão “Band Of Brothers”, curiosamente focando também o percurso de uma companhia da 101ª Aerotransportada, a “Easy Company”, desde o desembarque na Normandia até ao pós guerra na Áustria. Como a TCM repete e torna a repetir os seus filmes, fica aqui o aviso, também alertando para o facto de o terem que ver sem legendas. Mas garanto que vale bem a pena, mesmo para os que dominam menos bem o inglês. Fui ensinado que na II Guerra Mundial teria havido dois vencedores (URSS e USA), dois derrotados (França e Império Britânico) e dois países que se tinham limitado a perder a guerra (Alemanha e Japão). Parece que nas eleições do PSD terá havido um vencedor (Pedro Passos Coelho), um candidato que se limitou a ganhar (Manuela Ferreira Leite) e um outro (Santana Lopes) que é como a Itália: nunca se sabe o que vai fazer e só serve para atrapalhar.