Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
terça-feira, junho 16, 2009
O "Gato Maltês" e o Movimento "Benfica, Vencer Vencer"
sábado, março 21, 2009
Desculpem lá, amigos "lagartos"

quinta-feira, março 12, 2009
Benfica e Manchester United: modelos, sistemas, semelhanças e diferenças
Claro que a um nível muitíssimo superior, a anos-luz de distância e com outro nível de intérpretes (é melhor afirmá-lo já para evitar falsas interpretações), mas devo dizer aos demasiado críticos e pouco atentos que vi ontem o Manchester United utilizar um modelo e sistema de jogo muito idênticos ao de Quique Flores no SLB. Vejamos - e começando pelo sistema:
- Um 4X4X2 clássico servido por jogadores com as seguintes características: uma defesa com um lateral mais ofensivo (Evra – como Maxi no SLB) e um outro “central adaptado”, como por aqui gostam de chamar a laterais mais altos, menos rápidos e que sobem menos no terreno (O’Shea – como David Luiz); dois centrais pouco rápidos mas excelentes no jogo aéreo, inclusivamente nas bolas paradas na área adversária (Ferdinand e Vidic – Luisão e Sidnei); dois médios, sendo um mais pressionante e menos rápido (Carrick - Yebda) e um outro um pouco mais rápido e “box to box” (Paul Scholes – Katsouranis); dois alas abertos (Giggs e Cristiano – Reyes e Di Maria); um ponta de lança muito móvel (Rooney – Suazo) e um outro mais recuado (Berbatov – Aimar).
A nível de modelo e princípios de jogo:
- Privilégio das transições muito rápidas pelos alas e das bolas longas para as costas da defesa, aproveitando a velocidade e jogo de risco de Rooney, Giggs e Cristiano, o que dá origem a algumas perdas de bola em zona perigosa e com a equipa desequilibrada; recuo das linhas logo que na posição de vencedor, concedendo a iniciativa de jogo ao adversário, uma vez que centrais e “pivot” defensivo não primam pela rapidez; algumas dificuldades nas transições mais lentas e em fazer circular a bola no meio campo contrário, uma vez que não tem jogadores para tal nem privilegia o modelo; boa capacidade de aproveitamento das bolas paradas.
Diferenças:
- O frequente recuo de Rooney e a sua capacidade pressionante e de recuperação de bola permitem que Ferguson jogue com dois alas com pouca vocação defensiva, o que não acontece no SLB sendo, por isso e frequentemente, Quique obrigado a jogar com Amorim numa das alas; a capacidade de Cristiano e Berbatov para aparecerem na área e o bom jogo de cabeça do primeiro permitem ao United “meter” muita gente frente à baliza com capacidade finalizadora, o que não acontece no SLB; Berbatov é muito mais jogador de grandes espaços do que Pablo Aimar, o que permite ao United não ficar em desvantagem no meio-campo; “Katso” não tem a capacidade e potência de remate de Scholes, mas é bem mais eficaz no jogo aéreo; muito maior capacidade do United para interpretar as transições defensivas, reequilibrando-se rapidamente, sendo – talvez - na Europa a equipa que melhor o faz; melhor definição dos papéis, funções e espaços dos dois jogadores de meio-campo (Carrick e Scholes), fruto das características de ambos mas também de... muito treino e experiência de Scholes.
O resto? O resto é feito pela estabilidade de 25 anos, pelos orçamentos, pela história recente de conquistas e pela diferença de classe dos jogadores!
sábado, fevereiro 21, 2009
Porque perdeu o Benfica
Para anular o ataque e meio-campo ofensivos muito rápidos e móveis do SCP o Benfica precisava de ter:
- Centrais e um meio-campo defensivo mais rápidos, mas quem ganha em altura, muito importante nas bolas paradas e no poder físico-atlético, perde normalmente em rapidez. Teria sido preferível Miguel Vítor em vez de Sidnei, mas é fácil falar depois do jogo.
- Um meio-campo capaz de fazer circular a bola, retirando a iniciativa ao SCP, mas não é esse o modelo de jogo da equipa: Yebda e Katsouranis são fundamentalmente jogadores pressionantes, de recuperação e ocupação de espaços, Reyes e Di Maria (ou Urreta) de transição rápida e Aimar não tem pulmão e capacidade física para jogar em grandes espaços. Restam Rúben Amorim e Carlos Martins, mas este ainda não revelou categoria para aspirar à titularidade. E a evidente má forma de Reyes e Suazo, bem como as intermitências de Di Maria, prejudicam em muito essas mesma transições rápidas.
Tornam-se assim evidentes as razões porque a defesa andou “aos papéis” e a equipa apenas conseguiu chegar ao segundo golo através do futebol directo e de Cardozo.
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Um "post" de mau humor. Mas como é que queriam que eu me sentisse hoje?
O que disse não tem nada de ingénuo, e admito seja fruto de um ressentimento lúcido. De facto, custa-me muito ver a condução do futebol do meu “glorioso”, dentro de campo, ser entregue a um desses reconhecidos flops, um tal Carlos Martins.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
Scolari e Quique Flores
domingo, dezembro 07, 2008
Como hoje é domingo falemos de "bola": é a concorrência, estúpido!!!
A direcção do Sporting encomendou a uma empresa pertencente ao seu associado Rui Oliveira e Costa um estudo para conhecer as razões da ausência do “seu” público do “seu” estádio. Claro que as respostas directas foram as que já eram esperadas e a direcção leonina perdeu uma boa oportunidade de poupar uns euros e não se dar ao trabalho: o preço dos bilhetes, as horas dos jogos e, como razão do tipo “deixa-me lá também sacudir a água do capote”, a performance da equipa. As duas primeiras razões são comuns aos três grandes; são, digamos, razões de mercado. A restante, com alguma ressalva, aqui e ali, para o FCP, também afina pelo mesmo diapasão: há muito que as três principais equipas portuguesas deixaram de praticar sustentadamente um futebol entusiasmante q. b.
Mas, vejamos: há muitos anos que os bilhetes são caros, idem para a qualidade do espectáculo (hoje em dia até existe uma maior igualdade: os “pequenos” já não levam “cabazadas”) e os estádios, ao contrário do que acontece hoje em dia, eram velhos e desconfortáveis. Seria só o “futebol de domingo à tarde” responsável pelas maiores assistências? E os preços? Ontem, no Bonfim (eu sei que chovia e o estádio está decrépito), com bilhetes mais baratos do que uma esmola de Natal, estiveram, segundo o "Público", apenas 3 500 pessoas!!!
Claro que a verdadeira resposta, a questão-chave que os dirigentes dos clubes têm dificuldade em aceitar porque é estratégica e, em grande parte, está também para além das suas possibilidades de controlo e resolução, essa é bem outra. Como comecei por afirmar, as razões indicadas são apenas as directas, pois existe uma outra, indirecta, ou subliminar, por isso mesmo difícil de ser citada pelos inquiridos num estudo deste tipo: a concorrência. Como assim, dirão? Bom, muito simples. Este fim de semana, sem sair de casa e pela módica quantia de vinte e tal euros por mês, os portugueses podiam assistir a uma infinidade de jogos bem mais interessantes, bem jogados, emotivos e competitivos do qualquer um da liga portuguesa, habitualmente jogados em câmara lenta, sem público e com grande ausência de emotividade. Por exemplo, eu optei por assistir a um fantástico Bayern-Hoffenheim, de resultado imprevisível até ao fim e com o Allianz Arena cheio como um ovo, e a um Man. United – Sunderland jogado a todo o gás, com um público entusiasta enchendo Old Trafford e resolvido no último minuto. Quem quisesse podia ter optado pelo Chelsea, pelo Liverpool, pelo Atlético, Internazionale, “Barça” ou, hoje, pelo Real Madrid ou A.C. Milan. Jogos de alto nível e com os melhores executantes do mundo, alguns deles portugueses. Assim sendo, quem se dará ao trabalho de sair de casa e pagar um bilhete para ir ver os jogos da pobre liga portuguesa? Os ferrenhos e, destes, cada vez menos.
Bom, e solução, já que é fácil apontar os problemas e mais difícil encontrar as soluções? Apenas uma, que defendo há pelo menos uma década: que a UEFA autorize a fusão de ligas nacionais e as equipas portuguesas profissionais passem a competir numa liga ibérica, divida nas suas várias divisões. Benfica, Sporting e FCP (talvez mais um ou outro – V. Guimarães?) passariam a jogar na 1ª liga ibérica, com estádios cheios, acesso a maiores receitas de TV e, por via disso, capacidade competitiva europeia acrescida. Pondo de parte Real Madrid e “Barça”, não existe qualquer razão válida para que, num prazo de dois ou três anos, as grandes equipas portuguesas não pudessem ser tão ou mais competitivas do que Valência, Sevilha, Villareal, Atlético ou “Depor”. Sem uma solução deste tipo, que não tenho qualquer dúvida será tomada num prazo mais ou menos longo, os problemas apenas tenderão a agravar-se e o futebol português caminhará para a falência, algo que não me pareça a UEFA desejar. Sem remissão, por muitos estudos que Filipe Soares Franco ou outro qualquer dirigente resolvam encomendar.
sexta-feira, outubro 03, 2008
Julgam que não ia falar do "meu" Benfica?
domingo, agosto 31, 2008
Benfica-FCP (2)
O problema chamou-se, isso sim, Katsouranis: a partir do momento em que se apanhou em vantagem por via de uma decisão estúpida do grego, o FCP optou por colocar o jogo onde queria, fechando os espaços e dificultando a rapidez dessas mesmas transições, enquanto o Benfica, para quem o empate seria um razoável resultado nesta fase de construção da equipa, se via obrigado a avançar no terreno libertando metros quadrados para o jogo de Lucho, Rodriguez e Lisandro... Este foi, de facto, o problema, o que penaliza ainda mais o desastre que foi a actuação do grego, quando quer, um excelente jogador, a central ou no meio-campo.
Já agora e uma vez mais: há quanto tempo anda o meu clube a tentar contratar um central de categoria num infindável desperdício de recursos? Já lá vão Alcides, Zoro, Stretnovic, Edcarlos, agora Sidnei. Acho que já esqueci alguns...
sábado, agosto 30, 2008
Benfica-FCP
Um comentário ao Benfica - FCP? Apenas este: se fosse jogador do FCP, Katsouranis dificilmente faria melhor. Marcou e condicionou todo o jogo, o que significa que qualquer análise que não tenha essa circunstância como factor decisivo é necessariamente falsa. Não sei se a sua atitude foi resultado da seu reiterado desejo de sair, mas, na ausência de condições para a instauração de um processo disciplinar, a sua cedência, por empréstimo, a um qualquer Trofense ou umas semanas na bancada decerto lhe fariam bem e dariam o tempo suficiente para pensar sobre o que quer fazer da sua vida.
segunda-feira, agosto 04, 2008
Será que Quique Flores encontrou finalmente um modelo de jogo?
De qualquer modo, com as modificações operadas na 2ª parte continuo com dúvidas se Quique Flores estará convencido, pois, para manter este modelo, Makukula, e não Nuno Gomes, deveria ter rendido Cardozo e Yebda deveria ter entrado em vez de Bynia, por exemplo. Aguardemos.
domingo, agosto 03, 2008
Onde se explica a Quique Flores porque o Benfica não é o Getafe
Convém portanto lembrar, agora em termos puramente futebolísticos, que, pelo menos que me lembre (e estou em idade de já me lembrar de muitas coisas e ainda não ter esquecido outras tantas), nenhuma equipa do Benfica fez História sem assumir o jogo, sem entrar para o campo para fazer algo mais do que esperar o erro do adversário, sem jogar em transições rápidas forçando o adversário a esse mesmo erro, sem desgastar a defesa adversária forçando a quebra física e a desconcentração fatal. Aliás, pela própria natureza do campeonato português, em que 95% dos jogos são jogados contra equipas defensivas, que, elas sim, jogam no erro do adversário, não pode o Benfica jogar de outra forma sem se condenar ao fracasso. Mais ainda, também não me lembro de nenhuma equipa do Benfica ter tido sucesso que se visse sem jogar com uma “referência de área”; faz parte da sua cultura futebolística, do seu modelo de jogo assumido ao longo de anos de conquistas, da sua filosofia ganhadora, da “mística”, como antes se dizia. Também da necessidade de jogar contra defesas super-povoadas, como as que normalmente enfrenta. Foi assim, tanto quanto a minha memória de vivo alcança, desde José Águas, de José Torres (o Canadá Dry), passando por Jordão, Artur Jorge, Maniche, Mats Magnusson, Rui Águas, Pierre Van Hooijdonk. É também assim, através da perpetuação de um modelo de jogo que, com as adaptações necessárias aos tempos que mudam e à evolução do futebol, se transmite de geração em geração, passando a constituir, também ele, “heritage”, património do clube, que se contribui para a construir e cimentar a tal “mística”, que por defeito de formação e mania de ser diferente prefiro chamar de cultura e filosofia de empresa. Sven Goran Eriksson, inteligente e cosmopolita, percebeu-o depressa; recusou um qualquer brasileiro que Fernando Martins lhe queria impingir e foi buscar Michael Maniche. Fernando Santos, benfiquista de sempre e por isso nado e criado nessa cultura - e profissional competente – tinha-o aprendido desde o berço; por isso foi buscar Cardozo, independentemente das reservas que se possam colocar quanto à sua valia enquanto jogador (e eu já por aqui as coloquei e não retiro uma vírgula ao que escrevi). Será agora o tempo e o momento de Rui Costa fazer entender isto mesmo no seu clube de sempre.
segunda-feira, julho 28, 2008
Um Benfica preocupante
Demasiadas perguntas e, até agora, nenhuma resposta. Preocupante.
sexta-feira, julho 18, 2008
Três pequenas notas s/ o dia de ontem
- Alguém explica ao PCP que se a taxa de IVA baixa um ponto percentual os comerciantes não são obrigados a fazer reflectir isso no preço final de um produto e podem, pura e simplesmente, optar por manter ou aumentar o preço, melhorando as suas margens? É que não estamos nos "Planos Quinquenais", não é assim?
- Luís Filipe Vieira afirma que o facto da UEFA manter o FCP na "Champions League" não constitui uma derrota para o Benfica, uma vez que se o FCP fosse afastado LFV preferiria que o seu (e meu) clube não participasse . Ok, tudo bem, embora seja fácil fazer esse tipo de afirmações à posteriori - que, assim, valem o que valem. Mas se recorreu era pelo menos por achar que o FCP não deveria participar, independentemente da decisão de participação Benfica, não é assim? Não há derrota?
- O PSD acha que o papel da oposição é apenas fiscalizar o governo e não apresentar alternativas. Duvido os portugueses pensem assim, mas também como é possível apresentar alternativas credíveis às políticas do governo sem ter, ou assumir, uma estratégia e um modelo de desenvolvimento alternativo? Sem isso, de facto, quaisquer medidas soariam oco e sem sentido, e o que parece é que o PSD de Ferreira Leite, mais do que não ter, teme apresentar uma estratégia que, necessariamente, o faça baixar nas sondagens e perder votos futuros. Rabo escondido (Ferreira Leite) com gato (António Borges) todo de fora, pois claro.
quarta-feira, junho 04, 2008
Benfica, FCP, árbitros e poder político: dois casos mtº diferentes
Não faz pois qualquer sentido invocar e comparar o proteccionismo de que ambos os clubes terão usufruído nesses anos por parte da arbitragem e do poder político, já que se no caso do Benfica, a ter existido, ele terá sido fundamentalmente consequência e não causa do seu sucesso, em primeiro lugar conquistado internacionalmente, no caso do FCP, contrariamente, ele terá sido razão e causa fundamental e estruturante para a afirmação interna que o iria conduzir posteriormente aos sucessos europeus e ao crescimento sustentado.
quarta-feira, maio 14, 2008
Rui Costa
Excelente a conferência de imprensa de Rui Costa. Um discurso curto que não ultrapassou o essencial; um equilíbrio perfeito entre proximidade e distanciamento, formalidade e informalidade olhando de frente os seus interlocutores; respostas simples, directas e claras, curtas mas contendo o essencial; um certo toque de cosmopolitismo onde ele costuma ser uma raridade. Igual dentro e fora dos relvados: a rara capacidade de tornar o difícil fácil, aparentemente sem esforço. Algo só ao alcance dos eleitos. Esperemos confirme. Se assim for, será um dia presidente do Benfica. Ainda bem, já que o contraste com Luís Filipe Vieira foi por demais evidente. Para este último, certamente penoso.