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terça-feira, junho 16, 2009

O "Gato Maltês" e o Movimento "Benfica, Vencer Vencer"

O “Gato Maltês” vai estar hoje no Hotel Sheraton, pelas 19.30h, na apresentação do movimento “Benfica, Vencer Vencer” pelo Juiz Desembargador Rui Rangel (tiveram a atenção de me falar ontem à noite solicitando a minha comparência, o que agradeço). Este facto não significa qualquer apoio ao movimento, até porque quer afirmar desde já que porque põe sérias reservas à participação de juizes e membros de outros orgãos de soberania neste tipo de iniciativas. Mas, enquanto benfiquista opositor de longa data da gestão desportiva de Luís Filipe Vieira, não pode o editor deste "blog" deixar de seguir com atenção as propostas alternativas que possam surgir com um mínimo de possibilidades de se virem a tornar globalmente consistentes e credíveis. Devo isso ao meu clube. Do que me for dado ver e ouvir aqui mesmo darei conta.

sábado, março 21, 2009

Desculpem lá, amigos "lagartos"


Sim, eu sei que jogámos pouco, mas o Sporting não jogou muito mais e alguns dos seus jogadores andaram todo o jogo a ver se conseguiam fazer-se expulsar. Também sei - reconheço - que não foi "penalty". Mas as minhas desculpas aos meus amigos "lagartos": precisávamos desta vitória para que o mundo nos não caísse em cima. Muito mais do que vocês. Fica para a próxima, se não se importam. Está bem?

quinta-feira, março 12, 2009

Benfica e Manchester United: modelos, sistemas, semelhanças e diferenças

Claro que a um nível muitíssimo superior, a anos-luz de distância e com outro nível de intérpretes (é melhor afirmá-lo já para evitar falsas interpretações), mas devo dizer aos demasiado críticos e pouco atentos que vi ontem o Manchester United utilizar um modelo e sistema de jogo muito idênticos ao de Quique Flores no SLB. Vejamos - e começando pelo sistema:

  • Um 4X4X2 clássico servido por jogadores com as seguintes características: uma defesa com um lateral mais ofensivo (Evra – como Maxi no SLB) e um outro “central adaptado”, como por aqui gostam de chamar a laterais mais altos, menos rápidos e que sobem menos no terreno (O’Shea – como David Luiz); dois centrais pouco rápidos mas excelentes no jogo aéreo, inclusivamente nas bolas paradas na área adversária (Ferdinand e Vidic – Luisão e Sidnei); dois médios, sendo um mais pressionante e menos rápido (Carrick - Yebda) e um outro um pouco mais rápido e “box to box” (Paul Scholes – Katsouranis); dois alas abertos (Giggs e Cristiano – Reyes e Di Maria); um ponta de lança muito móvel (Rooney – Suazo) e um outro mais recuado (Berbatov – Aimar).


A nível de modelo e princípios de jogo:

  • Privilégio das transições muito rápidas pelos alas e das bolas longas para as costas da defesa, aproveitando a velocidade e jogo de risco de Rooney, Giggs e Cristiano, o que dá origem a algumas perdas de bola em zona perigosa e com a equipa desequilibrada; recuo das linhas logo que na posição de vencedor, concedendo a iniciativa de jogo ao adversário, uma vez que centrais e “pivot” defensivo não primam pela rapidez; algumas dificuldades nas transições mais lentas e em fazer circular a bola no meio campo contrário, uma vez que não tem jogadores para tal nem privilegia o modelo; boa capacidade de aproveitamento das bolas paradas.

Diferenças:

  • O frequente recuo de Rooney e a sua capacidade pressionante e de recuperação de bola permitem que Ferguson jogue com dois alas com pouca vocação defensiva, o que não acontece no SLB sendo, por isso e frequentemente, Quique obrigado a jogar com Amorim numa das alas; a capacidade de Cristiano e Berbatov para aparecerem na área e o bom jogo de cabeça do primeiro permitem ao United “meter” muita gente frente à baliza com capacidade finalizadora, o que não acontece no SLB; Berbatov é muito mais jogador de grandes espaços do que Pablo Aimar, o que permite ao United não ficar em desvantagem no meio-campo; “Katso” não tem a capacidade e potência de remate de Scholes, mas é bem mais eficaz no jogo aéreo; muito maior capacidade do United para interpretar as transições defensivas, reequilibrando-se rapidamente, sendo – talvez - na Europa a equipa que melhor o faz; melhor definição dos papéis, funções e espaços dos dois jogadores de meio-campo (Carrick e Scholes), fruto das características de ambos mas também de... muito treino e experiência de Scholes.

O resto? O resto é feito pela estabilidade de 25 anos, pelos orçamentos, pela história recente de conquistas e pela diferença de classe dos jogadores!

sábado, fevereiro 21, 2009

Porque perdeu o Benfica

Para anular o ataque e meio-campo ofensivos muito rápidos e móveis do SCP o Benfica precisava de ter:

  1. Centrais e um meio-campo defensivo mais rápidos, mas quem ganha em altura, muito importante nas bolas paradas e no poder físico-atlético, perde normalmente em rapidez. Teria sido preferível Miguel Vítor em vez de Sidnei, mas é fácil falar depois do jogo.
  2. Um meio-campo capaz de fazer circular a bola, retirando a iniciativa ao SCP, mas não é esse o modelo de jogo da equipa: Yebda e Katsouranis são fundamentalmente jogadores pressionantes, de recuperação e ocupação de espaços, Reyes e Di Maria (ou Urreta) de transição rápida e Aimar não tem pulmão e capacidade física para jogar em grandes espaços. Restam Rúben Amorim e Carlos Martins, mas este ainda não revelou categoria para aspirar à titularidade. E a evidente má forma de Reyes e Suazo, bem como as intermitências de Di Maria, prejudicam em muito essas mesma transições rápidas.

Tornam-se assim evidentes as razões porque a defesa andou “aos papéis” e a equipa apenas conseguiu chegar ao segundo golo através do futebol directo e de Cardozo.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Um "post" de mau humor. Mas como é que queriam que eu me sentisse hoje?

Nos últimos anos – e que me lembre - a formação do Sporting produziu dois grandes talentos do futebol mundial (Cristiano Ronaldo e Luís Figo), dois muito razoáveis jogadores de categoria internacional (Nani e Simão), um bom jogador doméstico (João Moutinho) e quase meia dúzia de flops incensados pelos comentaristas desportivos portugueses, normalmente fruto de interesses vários: Hugo Viana, Custódio, Carlos Martins, Miguel Veloso e Ricardo Quaresma, este último um favor de José Mourinho ao FCP apenas possível porque no futebol, na maior parte dos casos, os erros de gestão morrem solteiros.

O que disse não tem nada de ingénuo, e admito seja fruto de um ressentimento lúcido. De facto, custa-me muito ver a condução do futebol do meu “glorioso”, dentro de campo, ser entregue a um desses reconhecidos flops, um tal Carlos Martins.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Scolari e Quique Flores

Perante os menos bons resultados caseiros, Scolari vem agora afirmar que lhe falta um criativo, que desequilibre, embora tenha Michael Ballack, Frank Lampard e Deco. Não é verdade. O que falta ao Chelsea nos jogos em casa, contra equipas que defendem muito atrás e com muitos elementos, é, antes de tudo o mais, a capacidade para o “jogo directo” e quem o aproveite, ou seja, um Didier Drogba em forma. Era deste modo que José Mourinho resolvia, e bem, a questão do “autocarro”. E falta-lhe também um Michael Essien que assegure que o meio-campo possa pressionar e ganhar bolas “mais á frente”, evitando a sobrecarga da sua defesa e, nas transições ofensivas, apanhando mais facilmente o adversário em contra pé. No fundo um problema parecido, à escala, com o do “meu” Benfica, em situações semelhantes, em que Quique terá de recorrer mais frequentemente a Cardozo e a um meio-campo pressionante “mais à frente”, com Yebda em vez de Bynia.

domingo, dezembro 07, 2008

Como hoje é domingo falemos de "bola": é a concorrência, estúpido!!!

A direcção do Sporting encomendou a uma empresa pertencente ao seu associado Rui Oliveira e Costa um estudo para conhecer as razões da ausência do “seu” público do “seu” estádio. Claro que as respostas directas foram as que já eram esperadas e a direcção leonina perdeu uma boa oportunidade de poupar uns euros e não se dar ao trabalho: o preço dos bilhetes, as horas dos jogos e, como razão do tipo “deixa-me lá também sacudir a água do capote”, a performance da equipa. As duas primeiras razões são comuns aos três grandes; são, digamos, razões de mercado. A restante, com alguma ressalva, aqui e ali, para o FCP, também afina pelo mesmo diapasão: há muito que as três principais equipas portuguesas deixaram de praticar sustentadamente um futebol entusiasmante q. b.

Mas, vejamos: há muitos anos que os bilhetes são caros, idem para a qualidade do espectáculo (hoje em dia até existe uma maior igualdade: os “pequenos” já não levam “cabazadas”) e os estádios, ao contrário do que acontece hoje em dia, eram velhos e desconfortáveis. Seria só o “futebol de domingo à tarde” responsável pelas maiores assistências? E os preços? Ontem, no Bonfim (eu sei que chovia e o estádio está decrépito), com bilhetes mais baratos do que uma esmola de Natal, estiveram, segundo o "Público", apenas 3 500 pessoas!!!

Claro que a verdadeira resposta, a questão-chave que os dirigentes dos clubes têm dificuldade em aceitar porque é estratégica e, em grande parte, está também para além das suas possibilidades de controlo e resolução, essa é bem outra. Como comecei por afirmar, as razões indicadas são apenas as directas, pois existe uma outra, indirecta, ou subliminar, por isso mesmo difícil de ser citada pelos inquiridos num estudo deste tipo: a concorrência. Como assim, dirão? Bom, muito simples. Este fim de semana, sem sair de casa e pela módica quantia de vinte e tal euros por mês, os portugueses podiam assistir a uma infinidade de jogos bem mais interessantes, bem jogados, emotivos e competitivos do qualquer um da liga portuguesa, habitualmente jogados em câmara lenta, sem público e com grande ausência de emotividade. Por exemplo, eu optei por assistir a um fantástico Bayern-Hoffenheim, de resultado imprevisível até ao fim e com o Allianz Arena cheio como um ovo, e a um Man. United – Sunderland jogado a todo o gás, com um público entusiasta enchendo Old Trafford e resolvido no último minuto. Quem quisesse podia ter optado pelo Chelsea, pelo Liverpool, pelo Atlético, Internazionale, “Barça” ou, hoje, pelo Real Madrid ou A.C. Milan. Jogos de alto nível e com os melhores executantes do mundo, alguns deles portugueses. Assim sendo, quem se dará ao trabalho de sair de casa e pagar um bilhete para ir ver os jogos da pobre liga portuguesa? Os ferrenhos e, destes, cada vez menos.

Bom, e solução, já que é fácil apontar os problemas e mais difícil encontrar as soluções? Apenas uma, que defendo há pelo menos uma década: que a UEFA autorize a fusão de ligas nacionais e as equipas portuguesas profissionais passem a competir numa liga ibérica, divida nas suas várias divisões. Benfica, Sporting e FCP (talvez mais um ou outro – V. Guimarães?) passariam a jogar na 1ª liga ibérica, com estádios cheios, acesso a maiores receitas de TV e, por via disso, capacidade competitiva europeia acrescida. Pondo de parte Real Madrid e “Barça”, não existe qualquer razão válida para que, num prazo de dois ou três anos, as grandes equipas portuguesas não pudessem ser tão ou mais competitivas do que Valência, Sevilha, Villareal, Atlético ou “Depor”. Sem uma solução deste tipo, que não tenho qualquer dúvida será tomada num prazo mais ou menos longo, os problemas apenas tenderão a agravar-se e o futebol português caminhará para a falência, algo que não me pareça a UEFA desejar. Sem remissão, por muitos estudos que Filipe Soares Franco ou outro qualquer dirigente resolvam encomendar.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Julgam que não ia falar do "meu" Benfica?

O “meu” Benfica joga e ganha com a mesma naturalidade e aparente facilidade com que Quique Flores conversa com os jornalistas sobre as suas opções técnicas, os seus jogadores, o futuro da equipa, o que fez e o que quer realizar. O contraste com o ar crispado e de mal com o mundo de Paulo Bento ou com a atitude de mestre escola de aldeia a querer agradar ao regedor de Jesualdo é por demais evidente. Para quem tiver dúvidas sobre a importância das lideranças, veja-se o contraste, também, com a desorganizada e caótica equipa de Camacho ou a “certinha” mas sem brilho e sem chama equipa de Fernando Santos. Claro que tem melhores jogadores (alguém os escolheu, não é assim?), mas só isso não é suficiente nem justifica tudo. Mas talvez o, até aqui, sucesso tenha começado no à vontade e know how profissional demonstrado por um tal Rui Costa na sua primeira conferência de imprensa. Lembram-se?

domingo, agosto 31, 2008

Benfica-FCP (2)

Fez bem Quique Flores ao optar por um meio-campo capaz de jogar em transições rápidas, evitando enfrentar o FCP onde ele era mais forte (exactamente nesse meio-campo) e levando o jogo para as alas, sector onde o adversário era previsivelmente mais fraco e o Benfica apresentava, teoricamente, vantagem. Pode dizer-se que treinou um modelo de maior contenção e circulação de bola (com Ruben Amorim) e jogou com outro (com Reyes e Di Maria) mas nem isso é inteiramente verdade: se o modelo com Ruben Amorim parece ter sido o preferencial na pré-época, várias vezes ensaiou este modelo alternativo, fazendo jogar Urreta e/ou Balboa. Para além disso, não tinha Reyes e Di Maria, e quem se arriscaria a deixá-los de fora ontem? O resultado de contratações a conta-gotas...

O problema chamou-se, isso sim, Katsouranis: a partir do momento em que se apanhou em vantagem por via de uma decisão estúpida do grego, o FCP optou por colocar o jogo onde queria, fechando os espaços e dificultando a rapidez dessas mesmas transições, enquanto o Benfica, para quem o empate seria um razoável resultado nesta fase de construção da equipa, se via obrigado a avançar no terreno libertando metros quadrados para o jogo de Lucho, Rodriguez e Lisandro... Este foi, de facto, o problema, o que penaliza ainda mais o desastre que foi a actuação do grego, quando quer, um excelente jogador, a central ou no meio-campo.

Já agora e uma vez mais: há quanto tempo anda o meu clube a tentar contratar um central de categoria num infindável desperdício de recursos? Já lá vão Alcides, Zoro, Stretnovic, Edcarlos, agora Sidnei. Acho que já esqueci alguns...

sábado, agosto 30, 2008

Benfica-FCP

Um comentário ao Benfica - FCP? Apenas este: se fosse jogador do FCP, Katsouranis dificilmente faria melhor. Marcou e condicionou todo o jogo, o que significa que qualquer análise que não tenha essa circunstância como factor decisivo é necessariamente falsa. Não sei se a sua atitude foi resultado da seu reiterado desejo de sair, mas, na ausência de condições para a instauração de um processo disciplinar, a sua cedência, por empréstimo, a um qualquer Trofense ou umas semanas na bancada decerto lhe fariam bem e dariam o tempo suficiente para pensar sobre o que quer fazer da sua vida.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Será que Quique Flores encontrou finalmente um modelo de jogo?

Como quase tudo na vida, o futebol torna-se muito simples quando somos capazes de o pensar. E foi isso que aconteceu ao Benfica hoje na 1ª parte do jogo com o Vitória de Guimarães: alguém foi capaz de pensar correctamente num modelo de jogo coerente e estruturado e colocar os melhores jogadores no lugar certo para o interpretar. Finalmente a equipa teve um “pivot” defensivo posicional que sabe articular o jogo com os centrais e tem capacidade para pensar o jogo e iniciar rapidamente as transições ofensivas (Katsouranis), em vez de um jogador-estivador como Bynia. Fez também uma experiência interessante, colocando Miguel Vítor, que não tem perfil atlético para central mas parece ser um jogador a seguir, como lateral direito equilibrando a tendência atacante de Leo no flanco oposto. Jogou com um jogador no meio-campo (Ruben Amorim) capaz criar passes de ruptura que originam descompensações na defesa contrária. Um extremo (Urreta) rápido e desequilabrador no “um para um”. Uma referência na área (Cardozo). Claro: ganhou o jogo.

De qualquer modo, com as modificações operadas na 2ª parte continuo com dúvidas se Quique Flores estará convencido, pois, para manter este modelo, Makukula, e não Nuno Gomes, deveria ter rendido Cardozo e Yebda deveria ter entrado em vez de Bynia, por exemplo. Aguardemos.

domingo, agosto 03, 2008

Onde se explica a Quique Flores porque o Benfica não é o Getafe

Alguém terá que explicar a Quique Flores que o Benfica não é o Getafe, do mesmo modo que um fidalgo arruinado ou em dificuldades financeiras momentâneas não é o mesmo que alguém que sempre foi pobre ou um burguês subitamente promovido a vida mais arejada por via de “subida a pulso” ou negócio de ocasião; têm passados diferentes que lhe moldaram os presentes, valores, comportamentos, modos diferenciados de olhar, compreender e ver o mundo. Mesmo que, no presente, o Getafe esteja em melhor situação desportiva e económica, nada no seu passado e presente se assemelha ao Benfica; por via disso mesmo, nada lhes será igual no futuro.

Convém portanto lembrar, agora em termos puramente futebolísticos, que, pelo menos que me lembre (e estou em idade de já me lembrar de muitas coisas e ainda não ter esquecido outras tantas), nenhuma equipa do Benfica fez História sem assumir o jogo, sem entrar para o campo para fazer algo mais do que esperar o erro do adversário, sem jogar em transições rápidas forçando o adversário a esse mesmo erro, sem desgastar a defesa adversária forçando a quebra física e a desconcentração fatal. Aliás, pela própria natureza do campeonato português, em que 95% dos jogos são jogados contra equipas defensivas, que, elas sim, jogam no erro do adversário, não pode o Benfica jogar de outra forma sem se condenar ao fracasso. Mais ainda, também não me lembro de nenhuma equipa do Benfica ter tido sucesso que se visse sem jogar com uma “referência de área”; faz parte da sua cultura futebolística, do seu modelo de jogo assumido ao longo de anos de conquistas, da sua filosofia ganhadora, da “mística”, como antes se dizia. Também da necessidade de jogar contra defesas super-povoadas, como as que normalmente enfrenta. Foi assim, tanto quanto a minha memória de vivo alcança, desde José Águas, de José Torres (o Canadá Dry), passando por Jordão, Artur Jorge, Maniche, Mats Magnusson, Rui Águas, Pierre Van Hooijdonk. É também assim, através da perpetuação de um modelo de jogo que, com as adaptações necessárias aos tempos que mudam e à evolução do futebol, se transmite de geração em geração, passando a constituir, também ele, “heritage”, património do clube, que se contribui para a construir e cimentar a tal “mística”, que por defeito de formação e mania de ser diferente prefiro chamar de cultura e filosofia de empresa. Sven Goran Eriksson, inteligente e cosmopolita, percebeu-o depressa; recusou um qualquer brasileiro que Fernando Martins lhe queria impingir e foi buscar Michael Maniche. Fernando Santos, benfiquista de sempre e por isso nado e criado nessa cultura - e profissional competente – tinha-o aprendido desde o berço; por isso foi buscar Cardozo, independentemente das reservas que se possam colocar quanto à sua valia enquanto jogador (e eu já por aqui as coloquei e não retiro uma vírgula ao que escrevi). Será agora o tempo e o momento de Rui Costa fazer entender isto mesmo no seu clube de sempre.

segunda-feira, julho 28, 2008

Um Benfica preocupante

Falta ao Benfica uma ideia, um conceito, um modelo de jogo a partir do qual tudo se constrói. Contratar alguns jogadores e testar outros sem uma definição clara desse modelo, isto é, sem ter definido como se quer que a equipa jogue, é condenar os intérpretes a uma prestação não representativa e a equipa ao fracasso. E, note-se, não estou a falar de um “sistema”, pois esse parece ser o 4x4x2 (no início, ontem, parecia mais um 4x6x0) e o modelo precede-o no tempo e pode permitir vários sistemas alternativos. Mas, pergunta-se: o Benfica quer jogar num modelo que privilegie a posse e circulação de bola ou as transições rápidas, por exemplo pelos extremos? Com um ponta de lança de área mais fixo (Cardozo ou Makukula), utilizando extremos mais clássicos, e outro móvel (Nuno Gomes ou outro) ou com dois “móveis”, dispensando os extremos tradicionais? Qual o papel reservado ao “pivot defensivo”, o que define bastante o modelo de jogo e o tipo de jogador para essa posição, tão importante no futebol moderno (que teria sido a Espanha sem Marcos Senna?)?

Demasiadas perguntas e, até agora, nenhuma resposta. Preocupante.

sexta-feira, julho 18, 2008

Três pequenas notas s/ o dia de ontem

  • Alguém explica ao PCP que se a taxa de IVA baixa um ponto percentual os comerciantes não são obrigados a fazer reflectir isso no preço final de um produto e podem, pura e simplesmente, optar por manter ou aumentar o preço, melhorando as suas margens? É que não estamos nos "Planos Quinquenais", não é assim?
  • Luís Filipe Vieira afirma que o facto da UEFA manter o FCP na "Champions League" não constitui uma derrota para o Benfica, uma vez que se o FCP fosse afastado LFV preferiria que o seu (e meu) clube não participasse . Ok, tudo bem, embora seja fácil fazer esse tipo de afirmações à posteriori - que, assim, valem o que valem. Mas se recorreu era pelo menos por achar que o FCP não deveria participar, independentemente da decisão de participação Benfica, não é assim? Não há derrota?
  • O PSD acha que o papel da oposição é apenas fiscalizar o governo e não apresentar alternativas. Duvido os portugueses pensem assim, mas também como é possível apresentar alternativas credíveis às políticas do governo sem ter, ou assumir, uma estratégia e um modelo de desenvolvimento alternativo? Sem isso, de facto, quaisquer medidas soariam oco e sem sentido, e o que parece é que o PSD de Ferreira Leite, mais do que não ter, teme apresentar uma estratégia que, necessariamente, o faça baixar nas sondagens e perder votos futuros. Rabo escondido (Ferreira Leite) com gato (António Borges) todo de fora, pois claro.

quarta-feira, junho 04, 2008

Benfica, FCP, árbitros e poder político: dois casos mtº diferentes

Uma diferença significativa preside ao crescimento de FCP e Benfica nos seus períodos de maior êxito: enquanto foram os sucessos europeus, na altura um tanto ou quanto inesperados, fruto de um profissionalismo precocemente assumido, o motor e o sustentáculo do crescimento interno do Benfica nos anos 60 (nos anos 50 o Sporting dominava, o FCP tinha sido duas vezes campeão e o Benfica tinha o estádio com menor lotação entre os três grandes), no caso do FCP, nos anos seguintes ao 25 de Abril, o seu fortalecimento assentou em primeiro lugar nos êxitos internos, fruto de uma conjuntura política e economicamente favorável a norte que terá proporcionado as condições, suspeitas umas e insuspeitas outras, para a criação da massa crítica necessária ao seu posterior sucesso europeu.

Não faz pois qualquer sentido invocar e comparar o proteccionismo de que ambos os clubes terão usufruído nesses anos por parte da arbitragem e do poder político, já que se no caso do Benfica, a ter existido, ele terá sido fundamentalmente consequência e não causa do seu sucesso, em primeiro lugar conquistado internacionalmente, no caso do FCP, contrariamente, ele terá sido razão e causa fundamental e estruturante para a afirmação interna que o iria conduzir posteriormente aos sucessos europeus e ao crescimento sustentado.

quarta-feira, maio 14, 2008

Rui Costa

Excelente a conferência de imprensa de Rui Costa. Um discurso curto que não ultrapassou o essencial; um equilíbrio perfeito entre proximidade e distanciamento, formalidade e informalidade olhando de frente os seus interlocutores; respostas simples, directas e claras, curtas mas contendo o essencial; um certo toque de cosmopolitismo onde ele costuma ser uma raridade. Igual dentro e fora dos relvados: a rara capacidade de tornar o difícil fácil, aparentemente sem esforço. Algo só ao alcance dos eleitos. Esperemos confirme. Se assim for, será um dia presidente do Benfica. Ainda bem, já que o contraste com Luís Filipe Vieira foi por demais evidente. Para este último, certamente penoso.

À deriva...

O que têm em comum Sven Goran Eriksson, Alberto Zaccheroni, Quique Flores, Alberto Malesani e Carlos Queirós? Um clube à deriva, em completo desvario e sem qualquer projecto e estratégia consistentes para a actividade que persegue. Nada de novo, pois o que aconteceu com a opção Eriksson já aqui o tinha previsto.

domingo, maio 11, 2008

Eriksson...

E o segundo:
Sven Goran Eriksson será ou não o próximo treinador do Sport Lisboa e Benfica, mas a luzida embaixada a Manchester - a que só faltaram os proverbiais rinoceronte e elefante já que parece o ouro, esse, não terá rareado - é reflexo de que nada se aprendeu (pode alguém ser quem não é?) e de que, mais do que uma negociação com vista a contratar um futuro treinador, estamos perante uma gigantesca operação de propaganda na linha do populismo tão caro à actual direcção - a que não terá faltado, claro está, a proverbial informação deixada cair para uma das televisões, tal qual rabo escondido com gato todo de fora. Sobre a vinda ou não de Svennie, aguardemos, embora LFV e Rui Costa tenham adoptado uma estratégia de máximo risco: se a contratação falhar o descrédito será total (os oito golos “encaixados” hoje pelo City frente a Boro parecem, contudo, vir mesmo na altura própria em socorro de Vieira). As perguntas de um milhão de dólares são contudo outras: qual a definição de funções de Rui Costa, sua autonomia e relação hierárquica com Eriksson? A quem reporta o Director Desportivo? Ao presidente, a um administrador da SAD que não LFV? Quem vai proceder à restruturação do futebol profissional do clube: Eriksson? Rui Costa? Como se vai processar a ligação do futebol profissional com as categorias de formação? Qual a política e recursos humanos do clube? Muitas perguntas; ainda poucas respostas.

segunda-feira, maio 05, 2008

3 000 espectadores no Estrela-Benfica

Analisando as "fichas de jogo" publicadas pelo "Público", o decisivo Estrela da Amadora-Benfica foi, entre os jogos disputados ontem, aquele que teve a segunda menor assistência (3 000), só ultrapassado negativamente em 500 espectadores por um Boavista-Braga sem qualquer interesse competitivo. E, note-se, jogava-se um União de Leiria-Leixões! Será que isto não leva a direcção do meu clube a pensar um pouco mais sobre o destino para onde está a conduzir o Benfica? Ou para LFV, tendo em conta o exemplo de Vale e Azevedo, afigura-se assim tão dramático o dia em que deixar a presidência do clube?

terça-feira, abril 22, 2008

Hoje apetece-me dizer isto...

Espanto, espanto, não é a actual contestação a Luís Filipe Vieira: é ela ser ainda tão ténue e o mesmo LFV alguma vez ter gozado de qualquer credibilidade.