- Jorge Jesus não é comentador de futebol; é treinador de um clube com a dimensão do SLB e responsável pela sua principal equipa de futebol. Por isso mesmo, as suas intervenções nas conferências de imprensa não podem nem devem limitar-se a uma análise relativamente independente das incidências do jogo, mas integrar-se na estratégia de comunicação do clube e assumir uma função importante naquilo que poderemos designar como "team building"; devem assumir-se como elemento estruturante na construção de uma identidade e tornarem-se activo importante para que a equipa consiga alcançar melhor e mais facilmente os seus objectivos. Ora as afirmações de Jorge Jesus após o jogo de ontem, praticamente colocando SLB e SCB ao mesmo nível, estão exactamente nos antípodas do que acima digo: em vez de serem mobilizadoras, são conformistas; em vez de forjarem uma atitude vencedora, acabam por gerar indiferença perante o resultado; em vez de evidenciarem que as diferenças de grandeza e investimento entre as duas equipas exigem necessariamente resultados bem diferentes, falam de equilíbrio. Assim também se perdem (ou ganham) campeonatos e alguém da estrutura da SAD do SLB deveria intervir.
- Não me lembro de erros tão primários, em tanta quantidade e tão evidentes numa equipa portuguesa de topo como aqueles que foram praticados de modo sistemático por Jorge Jesus nas suas últimas épocas como treinador do SLB. A pergunta que deixo é a seguinte: não haverá na hierarquia do futebol do clube quem seja capaz, já não digo de os evitar, mas de os minimizar no seu número e gravidade? Que raio, LFV pode não perceber patavina de futebol, mas António Carraça, pelo seu percurso no futebol profissional, que se não é brilhante pelo menos é longo, não deveria ter conhecimentos e poderes para o fazer? E quais as funções de Rui Costa, que - este sim -, pelo seu prestígio e percurso internacional, tem com certeza os conhecimentos necessários para ter uma maior capacidade de actuação? Será que Jorge Jesus e a principal equipa de futebol do SLB estão em auto-gestão? Mistérios...
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
domingo, agosto 19, 2012
Jorge Jesus está em auto-gestão?
quarta-feira, junho 01, 2011
Ainda o SLB
terça-feira, setembro 14, 2010
"Bullshit"
O chorrilho de disparates de Olegário Benquerença e a falta de senso de Vítor Pereira ofereceram de mão beijada a Luís Filipe Vieira a oportunidade para desviar as atenções de sócios e adeptos dos erros grosseiros cometidos por treinador, director desportivo e presidente na preparação desta temporada. E, já agora, tiveram como resposta dos orgãos sociais do meu “glorioso” igual chorrilho de asneiras.
sexta-feira, junho 12, 2009
As entrevistas de Rui Costa
Perante o que se avizinha, e apesar do golpe de estado estatutário que constitui a antecipação das eleições, a oposição benfiquista tem bem aquilo que merece, pois não se compreende que, em face da desastrosa gestão desportiva dos últimos anos (muito mais de uma década), os sócios e adeptos do SLB se tenham mostrado como que anestesiados, apenas se conseguindo mobilizar, com eficácia, contra a gestão de Vale e Azevedo (vá lá!) e, mesmo assim, apresentando um projecto sem ideias consubstanciado num candidato presidencial (Manuel Vilarinho) medíocre. Ou então agitando de modo sebastiânico o nome de um ex-empresário de jogadores sem passado no clube e de passado mais do que duvidoso fora dele (José Veiga).
Começo a estar de acordo com Bagão Félix quando afirma que será preferível deixar LFV concorrer sozinho a confrontá-lo com alternativas tão pobres que só o podem fortalecer no seu desvario. Mas apetece-me perguntar: por onde tem andado estes anos todos o seu benfiquismo, prezado António Bagão Félix? Com a sua ausência, e de outros ilustres benfiquistas, perdeu o clube, perdemos todos nós.
quinta-feira, maio 14, 2009
Alguns mitos do futebol português e o "it man" de momento
Vai por aí uma onda (direi mais, um autêntico tsunami) em favor dos treinadores portugueses, falando da “especificidade do nosso futebol” , etc, etc. Nada mais falacioso. O futebol português não é nem mais nem menos específico que o espanhol, o inglês, o francês, o alemão e assim sucessivamente: todos apresentam características próprias, embora a globalização os tenha feito aproximar bastante nos últimos tempos. Isso não impede que treinadores espanhóis e franceses tenham sucesso em Inglaterra, holandeses em Espanha, na Alemanha e um pouco por todo o lado (Rússia, Coreia), italianos em Inglaterra, na Áustria e por aí fora. Portugal, por exemplo, na evolução do seu futebol e nos resultados alcançados, muito deve a um sueco (Eriksson), a um inglês (Robson), a um austro-húngaro (Guttmann), etc, etc. Aliás, foi a importação de treinadores de outras escolas uma das causas da evolução do futebol britânico, e é também essa uma das bases em que assenta o êxito da Premiership, longe do "kick and rush" de antanho. O resto nada mais é do que uma tosca tentativa de proteccionismo da parte de uma classe profissional (a dos treinadores portugueses) que não consegue ter êxito num mercado aberto e concorrencial.
Em Portugal raramente se analisam as causas específicas que podem estar na origem de um treinador conseguir bons resultados na época X no clube Y. Mal isso acontece o tal treinador é de imediato elevado à categoria de estrela em ascensão, de “it man" do momento. Aconteceu assim com Jaime Pacheco (lembram-se?), depois de ter “levado” o Boavista ao título de campeão nacional e a família Loureiro o clube à bancarrota. Nunca mais Jaime Pacheco conseguiu qualquer tipo de sucesso, por pequeno que fosse, o que só para os distraídos (prefiro chamar-lhes assim) poderá constituir uma surpresa. Outro exemplo? Alguém tenta analisar com seriedade e isenção o percurso de José Maria Pedroto (elevado á categoria de “mestre”), um treinador que estava no Vitória de Setúbal quando a região era a mais beneficiada com o “boom” económico da época e a “lei da opção” impedia as livres transferências de jogadores e no FCP quando a conjuntura política, social e económica estava reunida para “levar ao colo” o clube? Teria tido o mesmo sucesso (no V. de Setúbal ele foi muito relativo) em outros clubes? Num projecto diferente – o da selecção nacional – nunca o teve, o que deveria levar muita gente a interrogar-se.
Existem treinadores para clubes pequenos e outros para clubes grandes? Claro que, dito deste modo, isso não é verdade. Mas existem treinadores que “encaixam” num projecto, numa “cultura de clube”, num determinado tipo de mentalidade e "way of doing the things" e não encaixam noutro. Ou até projectos que, pela sua consistência, facilmente integram em si um qualquer treinador dentro de limites bastante alargados: será este o caso do FCP. O mesmo acontece nas empresas, com funcionários, gestores e executivos, onde o chamado “hire and fire” (contrata e despede) é normalmente visto como sintoma de que algo vai mal. Daí as empresas mais conceituadas serem extremamente criteriosas na contratação dos seus quadros. Um exemplo? Na situação actual do SCP, em função do enfoque na gestão financeira e numa política de recursos humanos que privilegia a formação, o que não lhe permite competir com orçamentos idênticos aos dos seus rivais, Paulo Bento é o homem certo no lugar certo. Sê-lo-ia em circunstâncias diversas, embora no mesmo clube?
Passemos ao meu clube. Luís Freitas Lobo afirma que o SLB necessita de um treinador português porque este entenderá melhor a grandeza e o passado do clube e, assim, perceberá melhor que tem de ganhar e não contentar-se com o segundo ou terceiro lugares. É o “rabo a abanar o cão”!, pois é o clube, as suas direcção e administração, que têm de fixar, de acordo com o treinador, seja ele português, espanhol ou do Burkina Faso, os objectivos finais e parciais e proporcionar condições para que eles sejam atingíveis. E é em função destes, e não do passado eventualmente glorioso, que tem de agir e gerir. O problema do SLB é exactamente o inverso: os objectivos são marcados e definidos por esse passado glorioso e não pelas condições concretas da actualidade, existindo portanto uma incompatibilidade entre objectivos e condições para os alcançar! É - tem sido - o desastre!
E, por último, vem o “it man" de momento, um tal Jorge Jesus com nome de Messias e com o qual Luís Filipe Vieira – dizem os jornais – tem falado, qual D. Camillo quando Peppone resolve causar-lhe preocupações de monta. Que percurso pode apresentar? Bom, uma boa época com o Belenenses, sem dúvida, e um percurso dentro das expectativas (nem acima nem abaixo) com o Sporting de Braga, face à dimensão e orçamento do clube. Lutar pelo 4º lugar com os clubes da Madeira e atingir os ¼ de final da UEFA seria o expectável face aos apoios e orçamento (o Sp. de Braga é, de facto, pertença da 3ª maior Câmara Municipal do país) de que o clube dispõe. Resta a pergunta: e o Belenenses? Será que o projecto de que foi rosto visível e bem sucedido no Restelo tem algo que ver com aquilo que vai encontrar no SLB e este pretende. Será que não foi apenas fruto de circunstâncias próprias e conjunturais que pouco terão a ver com a competência do treinador? Será que Jorge Jesus e a sua escassíssima experiência internacional “encaixam” na política de recursos humanos do clube? A personalidade e o perfil pessoal e profissional do técnico são as mais adequadas ao que vai encontrar? Perguntando de outro modo: um gestor ou executivo de uma multinacional pode ter igual êxito numa empresa de índole familiar, e inversamente? Pode gerir igualmente bem e com êxito semelhante em Nova Iorque ou em Antananarivo? Jorge Jesus até poderia (poderá?) vir a ser o homem certo, mas estas são algumas das questões que deveriam ser colocadas e, infelizmente, não vejo ninguém preocupar-se muito com o assunto.
quinta-feira, abril 16, 2009
LFV, Rui Costa, Quique Flores e o projecto do S. L. Benfica - 3. Quanto tempo para construir uma equipa? Pode este "modelo de jogo" ser ganhador?
Tendo em atenção o que acabei de dizer, e pensando agora no caso específico do SLB e do mercado em que actua (o futebol português), penso que dificilmente menos de três a cinco anos, se estivermos a falar de um projecto sustentado e não em algo de casuístico ao estilo do título de 2005, apenas possível em função de circunstâncias dificilmente repetíveis. Em que me baseio? Simples: um dominador incontestável com uma organização sólida e estável (FCP) e que domina ideologicamente o mercado, com uma capacidade de investimento pelo menos não inferior à do SLB e, fruto do domínio dos últimos anos, sofrendo de uma muito menor pressão por parte de accionistas e adeptos, ainda com considerável influência nas estruturas dirigentes, com princípios e um modelo de jogo estabilizado e uma ideologia de suporte (bandeira de uma região com um modo de vida e uma cultura próprias) consistente embora em ligeiro declínio, etc, etc, etc (nesta óptica, acrescente o que achar por bem). Some-se a isto um rival (SCP) que, embora com menor potencial, tem sabido, com inteligência, encontrar a estabilidade e coerência de gestão necessárias, a par de uma estratégia clara de investimento centrada na formação, para lhe proporcionarem nesta década resultados que o SLB já não poderá alcançar. Sabendo que dificilmente poderá liderar, escolheu os seus objectivos com critério e uma estratégia e planos de acção compatíveis com esse desiderato, beneficiando da péssima gestão do SLB.
Mas poderão dizer – e já vi escrito – que Mourinho não precisou de tal tempo para tornar o FC e o Chelsea ganhadores. Ilusão... O projecto do FCP tem trinta anos, e Mourinho apenas lhe levou o “plus” necessário da sua competência e liderança para ganhar a nível europeu. O projecto do Chelsea começou com Abramovich e Ranieri e já tinha valido uma meia-final da Champions League em 2004. Mourinho, tal como aconteceu no FCP, levou o que ainda lhe faltava. Querem outros exemplos, agora com o SLB? Gutmann não teria existido sem o projecto que começou com Otto Glória, de profissionalização do clube, e Eriksson chegou e teve êxito no clube, com todo o seu mérito, quando este ainda mantinha um lastro ganhador e um mínimo de gestão coerente - teve aqui um papel um tanto ou quanto semelhante ao de Mourinho no FCP.
Vejamos ainda outra questão. Nem todos os modelos de jogo requerem o mesmo tempo de adaptação para serem entendidos e assimilados, automatizados por uma equipa, principalmente se vão contra rotinas de muitos anos ou se confrontam com a ausência completa delas. É muito mais fácil e rápido, desde que se disponha de jogadores de habilidade e qualidade técnica de passe e “drible” acima da média, como são os que normalmente actuam no campeonato português, implementar um modelo de posse e circulação de bola, de contenção ou contra-ataque apoiado, de passe de pé para pé e com jogadores e sectores muito próximos uns dos outros, de menor risco de perda de bola e, logo, também de menor risco de emergência de desequilíbrios defensivos, do que um modelo de futebol mais amplo, com jogadores e sectores mais distantes, mais exigente nos seus equilíbrios e compensações, mais físico. Mas, em compensação, no primeiro caso ou temos jogadores de excepção, como é tradicional na selecção brasileira ou no Barça actual, ou é muito mais difícil criar rupturas que permitam marcar golos e ganhar. É, normalmente e com as excepções indicadas, um futebol pouco ganhador, principalmente quando se joga a altíssimo nível, e vejam-se as dificuldades do SCP do “losango” quando compete internacionalmente, do CSKA de Moscovo ao Real Madrid, Barça e Bayern deste ano. Podemos contestar se o modelo que Quique quer implementar no SLB o poderá levar ao sucesso; mas, indiscutivelmente, será – e é, de certeza – de mais difícil e morosa implementação.
Agora a questão principal. Pode, num campeonato em que a maioria das equipas que defronta o SLB joga num “bloco baixo”, num futebol de contenção e contra-ataque apoiado e que privilegia o povoamento do meio-campo, com pseudo avançados muito móveis, o modelo que Quique Flores ter e trazer, a prazo, sucesso ao SLB? Aqui as minhas dúvidas (só isso: dúvidas e não certezas positivas ou negativas), mas não estou nelas sozinho pois já tenho visto o tema por ai glosado e eu próprio, in illo tempore, a isso me referi. Mas essa era a questão-chave a debater quando Rui Costa e LFV optaram pela sua contratação e que terão agora que analisar com o treinador. Com uma pequena chamada de atenção: contrariamente ao que por aí (“A Bola”) já vi escrito, não valerá a pena manter o treinador e “obrigá-lo” a mudar o seu “modelo de jogo” e princípios de gestão; forçá-lo a agir contra as suas convicções, tornando-o num “peixe fora de água”, seria, então, emendar um erro com outro ainda maior. Pequenos ajustamentos são algo que a própria inteligência de Quique saberá ditar; modificações radicais, forçosamente “contra-natura”, acabarão por se chocar contra essa sua própria inteligência e conduzir ambos – Quique e o projecto - ao naufrágio. Veremos o que acontece.
terça-feira, abril 14, 2009
LFV, Rui Costa, Quique Flores e o projecto do S. L. Benfica - 2. A filosofia de gestão de Quique e o seu "modelo de jogo"
Nota prévia: quem estiver à espera de ouvir falar sobre arbitragens, golos falhados, substituições bem ou mal feitas, "entrega ao jogo" e coisas semelhantes é favor não ler este "post".
Não assim há tanto tempo como isso, a direcção dos clubes de futebol contratava jogadores - que aliás se mantinham no clube anos a fio - e, posteriormente, sabe-se lá com que critérios mas penso que variáveis, contratava um treinador, normalmente um antigo jogador, que tinha por missão “dar” a preparação física e “armar” a equipa. Mais coisa menos coisa, em épocas em que o empirismo ainda dominava num desporto – o futebol – ao qual a ciência desportiva chegou tarde, em que o “cheiro do balneário” fazia as vezes de ideologia corporativa, era assim que as coisas se passavam. Nos principais clubes portugueses, como as grandes referências enquanto jogadores eram na maioria das vezes pouco mais do que analfabetos funcionais, contratava-se um treinador estrangeiro, com outra mundividência e que, assim, mais facilmente se poderia impor ao tal mitológico balneário. Era o “mister”.
Como sabemos, hoje não é assim. Ao contratar-se um treinador contrata-se também uma equipa técnica, uma concepção e uma filosofia de gestão que deve ligar com a “cultura” do clube (a tal mística), uma ideia, princípios e modelo de jogo que devem ser compatíveis com os objectivos que se querem atingir em determinada realidade competitiva (as competições a disputar), que constitui o mercado onde os diferentes clubes (players) vão competir. Quem se quiser dar ao trabalho de ler o livro “Mourinho, Porquê Tantas Vitórias?”, de Bruno Oliveira, Nuno Amieiro, Nuno Resende e Ricardo Barreto (Gradiva), que é, muito mais do que um livro sobre futebol e sobre José Mourinho, um excelente texto sobre gestão, entenderá bem melhor o que estou a dizer e o que está em causa.
Ora foi exactamente este “pacote” que o SLB contratou ao admitir Quique Flores como treinador e, logo, a primeira pergunta a fazer será: em que medida e até que ponto as duas filosofias de gestão – da equipa de Quique e do SLB – se casam? Em que medida as ideias de Quique cabem na “cultura” (mística) do SLB? Estas deveriam ter sido – e deverão ser hoje – duas questões essenciais que Rui Costa deverá colocar a si próprio, não sem que antes devesse ter colocado uma outra fundamental: em que medida as suas próprias concepções e as de ambos (Rui Costa e Quique) são compatíveis com as de LFV, partindo do princípio que estas últimas são dominantes? Não estando por dentro, não conhecendo os intervenientes a não ser pela sua intervenção pública, deixo a interrogação sem resposta. Mas, conhecendo o “way of doing the things” de muita gente onde encontro, infelizmente, bastantes semelhanças com o que me é dado a observar em LFV, permito-me ter fundamentadas dúvidas, o que remete de imediato para a determinação de qual o elo fraco de todo este complexo processo.
Vem de seguida a questão do “modelo de jogo” e da sua compatibilidade. O SLB joga num chamado “bloco baixo” (defesa e meio-campo recuados) com transições ofensivas rápidas efectuadas pelos extremos ou através de passes longos para as costas da defesa contrária. Um modelo que, contrariamente ao que é comum no futebol português onde tem predominado, a partir do fim da era do grande Benfica dos anos 60, o futebol de contenção (excepção o FCP de Mourinho e, agora, de Jesualdo - daí o seu sucesso), circulação e posse de bola, de contra-ataque “apoiado”, privilegia o passe longo, de risco e onde não se dá especial importância ao domínio do jogo mas sim ao respectivo controlo. Com excepção notória do Barça, é o modelo vigente em Espanha e no Liverpool de Rafa Benitez, e ainda no passado domingo vi o Real Madrid jogar desse modo procurando as transições rápidas através das correrias de Roben ou dos passes longos para Gonzalo Higuaín. No SLB este modelo expressa-se, e exprime-se, através de um 4X4X2 clássico e de ambos, modelo e sistema, resultam as seguintes consequências a nível de perfil de jogadores:
- A não necessidade de um nº10 clássico, tão do agrado da crítica indígena. Mesmo jogando com alguém nessas funções, será sempre um “híbrido” como Carlos Martins, mais perto (nas características, que não na categoria) de um Deco ou de um Frank Lampard do que de um Rui Costa.
- A importância de um “ponta de lança” rápido e móvel, mas também poderoso, que recolha as bolas enviadas para trás da defesa contrária e aguente o corpo a corpo em velocidade (David Suazo). Cardozo, neste modelo, é um corpo estranho.
- Extremos que possam executar diagonais e, assim, aparecerem na área e rematarem, em vez de efectuarem o tradicional movimento “ir à linha e centrar” para um qualquer “poste” (já ninguém joga assim no primeiro mundo futebolístico e veja-se a dificuldade de um Peter Crouch em se impor). Simão já jogava desse modo no “losango” de Fernando Santos e assim continua a fazê-lo no Atlético, tal como Arjen Roben no Madrid e Kalou e Malouda no Chelsea. Por isso, muitas vezes jogam no “lado contrário”. Simão e Roben (novamente o mesmo exemplo) fazem-no; Di Maria tem imensa dificuldade em consegui-lo. Daqui se depreende também a lógica de utilização de Pablo Aimar no lado esquerdo.
- O modelo de passe longo, de maior risco, e a existência de extremos que “forçam” o “um para um” tornam indispensável a preferência por laterais mais defensivos, frequentemente centrais de origem o que lhes permite complementar os centrais e tornar a equipa, sem “pontas de lança” do tipo “poste”, mais alta nas bolas paradas, ao contrário do que acontece nos modelos de posse e circulação de bola expressos no 4X4X2 em losango que requerem laterais mais ofensivos dada a inexistência de extremos clássicos. David Luiz é o exemplo no Benfica, mas Jamie Carragher joga muitas vezes a lateral no Liverpool e Sérgio Ramos no Madrid. Também a lesão de Bosingwa trouxe á evidência a utilidade de Ivanovic, um central de origem com 1,88m que foi autor de dois golos no jogo da Champions contra o Liverpool. Veja-se também como Quique, na ausência de um extremo direito (Balboa foi um flop), prefere utilizar do lado onde existe um lateral com maior vocação atacante (Maxi) alguém como Ruben Amorim.
- Voltando especificamente ao SLB, Luisão e Sidnei são centrais lentos, que não podem marcar muito á frente e têm dificuldade perante quem lhes aparece embalado. Daí Quique, no seu modelo, recorrer a jogadores de meio-campo mais “pressionantes”, como Yebda. Essa lentidão explica também a opção frequente por Miguel Vítor, mais rápido e, assim, também mais capaz de cobrir as laterais e marcar mais á frente. Perde na "força aérea" o que ganha em rapidez.
Este é o “modelo” e o perfil de jogadores que o servem. Como se pode verificar existe uma lógica, uma coerêcia entre o modelo e os jogadores (melhores ou piores) existentes. Será essa lógica, essa ideia e modelo de jogo compatível com os objectivos a que o SLB se propõe nas provas que disputa, no “mercado” em que quer ser competitivo?
Tenho algumas dúvidas (o que significa apenas isso – dúvidas – e não a sua negação), mas veremos o porquê delas no próximo “post”.
Próximo "post" sobre este tema: o modelo de jogo do SLB e a sua compatibilidade com os objectivos e as provas que disputa.
segunda-feira, abril 13, 2009
LFV, Rui Costa, Quique Flores e o projecto do S. L. Benfica - 1. O processo de selecção do treinador e o perfil de Quique Flores
Bom, tendo dito isto, encaixa Quique Flores, os seus "curriculum vitae" e perfil, no que deve ser, no actual momento, o treinador que sirva o que julgo ser, ou deveria ser, o projecto do SLB? Obedeceu a sua escolha a um método criterioso? Vejamos...
Digamos que no que diz respeito ao processo de selecção (e aqui estamos ainda a falar apenas de Luís Filipe Vieira e Rui Costa), algo me deixa um pouco preocupado sobre a consistência da escolha e, subsequentemente, do projecto que lhe deveria estar na base. Tanto quanto se sabe, a primeira opção terá sido Eriksson, neste momento e circunstâncias uma clara cedência e apelo a um sebastianismo messiânico. Felizmente que tal se não consumou. A segunda hipótese terá sido Queiroz, alguém indiscutivelmente preparado, que conhece bem e por dentro o grande futebol, mas que nunca conseguiu nenhum resultado relevante fora dos escalões de formação para os quais parece vocacionado, pese a sua já longa carreira. Assim sendo, o que me deixa preocupado não é Quique ter sido terceira escolha, mas sim o facto de nem Queiroz parecer ter nada que ver com Eriksson, nem ambos com Quique Flores. Ou seja, o que me deixa preocupado é a inconsistência de perfis e o modo como encaixam ou não num projecto que, em função dessa mesma inconsistência, parece não existir.
E Quique? Bom, não conheço pessoalmente Quique Flores e nunca assisti a um treino no Seixal. Descontando esta importante ressalva, Quique tem fama de conhecedor e rigoroso, estudioso e actualizado. É jovem, tem ainda uma carreira curta e nunca ganhou nada de importante, tendo, portanto, um caminho a percorrer se quiser chegar ao topo. Digamos que “tem de fazer pela vida” e parece ser ambicioso. Para além disso, já treinou o Valência, uma equipa da 1ª divisão europeia, com algum sucesso e num campeonato de topo. Conhece, portanto, o “grande futebol”, tem “mundo” e conhecimento do mercado mundial, o que era manifestamente uma weakness de Fernando Santos. É culto e parece inteligente, fazendo um bom “match”, em termos de perfil, com Rui Costa e com os jogadores de que dispõe, muitos deles (Aimar, Reyes, Suazo) vindos desse mesmo “grande futebol”. Alguém os imagina a serem treinados por Cajuda ou Jorge Jesus? Para além disso, tem um discurso cosmopolita, que contrasta com a linguagem da maioria dos treinadores “indígenas”, fazendo, nesse aspecto, lembrar Eriksson. Tudo parece, portanto, encaixar sem grandes problemas de princípios num clube que deveria afirmar um projecto "de contraste" com o FCP. Ah, e o modelo de jogo que perfilha, algo importante quando se selecciona o treinador? Essa é, talvez, a minha maior dúvida. Mas deixemos o assunto para o próximo “post”.
Próximo “post” sobre este tema: os princípios e modelo de jogo de Quique Flores.
sábado, abril 11, 2009
As opções de Luís Filipe Vieira e Rui Costa
Luís Filipe Vieira e Rui Costa têm duas opções no final da época, perante um terceiro lugar que se avizinha. E ambas para demonstrarem uma vontade de ruptura com um passado que, a repetir-se, dificilmente e só por uma conjugação de factores extraordinários não conduzirá aos mesmos resultados catastróficos.
A primeira é manterem Quique Flores demonstrando que a sua escolha não foi aposta cega mas pensada em face da adequação do seu perfil ao clube e a um projecto de médio prazo que possa levar o SLB a reconquistar a hegemonia no futebol português. Demonstrarão assim que o clube não é dirigido casuisticamente, que a sua política de recursos humanos tem alguma consistência e não voga ao sabor dos ventos da “rua benfiquista” e de uma imprensa por interesses, opções ou seguidismo, maioritariamente “companheira de estrada” do FCP. Conquistarão o respeito de ambos, actualmente perdido.
A segunda é assumirem o falhanço do seu projecto, principalmente LFV na verificação dos fracos resultados da sua política desportiva num mandato já longo, e apresentarem a sua demissão abrindo o caminho para eleições antecipadas e uma nova equipa de gestão com diferentes métodos e imagem.
Fico a aguardar...
segunda-feira, março 16, 2009
SLB: em defesa de Quique e Rui Costa e contra a inconstância dos últimos anos.
Fernando Santos, um treinador provinciano mas competente, o único português para além de José Mourinho que treina com regularidade e relativo sucesso no 1º mundo futebolístico, embora numa 2ª divisão europeia, adoptava um modelo de posse e circulação de bola, apoiado num 4X4X2 em losango. Como tinha Nelson e Leo, laterais atacantes indispensáveis para jogar desse modo - isto é, sem extremos –, bem como um ponta de lança e um médio que entravam bem nas alas (Miccoli e Karagounis) e Simão, anteriormente um extremo, é um jogador tacticamente culto, que entende bem as diversas situações do jogo e sabe aparecer no meio, na área, o “todo” fazia sentido. Com esta base sugeriu a contratação de um “poste de área”, que lhe possibilitasse a adopção de um modelo alternativo quando necessário. Veio Cardozo.
De repente, Miccoli e Karagounis, jogadores base deste modelo, saíram. A importância de Simão aumentava exponencialmente (até por causa das bolas paradas) e Fernando Santos lá preparou a época fazendo de Simão o seu jogador-base. Ficou sem ele depois da pré-época. Como conhece mal o mercado mundial, não havia ainda Rui Costa nas suas actuais funções e já era tarde, vieram os disparates na maioria das contratações.
Depois de uma época com um treinador medíocre (Camacho), em que se não descortinava a existência de um qualquer modelo ou ideia de jogo, veio Quique, um treinador espanhol do 1º mundo futebolístico que, tal como Rafa Benitez, adopta um modelo de transições rápidas e passes longos num 4X4X2 clássico. Houve que contratar extremos, mandar embora os laterais demasiado atacantes e que por isso “não cabiam”, felizmente que Rui Costa abandonou pois um nº10 como ele, apesar da sua enorme categoria, dificilmente entraria nestas contas e lá se foi ao mercado contratar um ponta de lança rápido e móvel como Suazo. Resultado? Agora Cardozo, por quem o SLB pagou cerca de 10 milhões, parece demasiadas vezes um corpo estranho num modelo que dificilmente o comporta, excepto como solução de último recurso.
Tem sido esta a inconstância e o disparate do Benfica dos últimos anos. Não se pode repetir.
Nota: A responsabilidade da crise do Benfica passa também muito pelos benfiquistas que não integram os orgãos dirigentes. Não falando de alguns idiotas úteis que de futebol nada entendem, ver associados que são glórias do clube, como José Augusto, propor hoje em “O Jogo” o despedimento de Quique Flores e a contratação de treinadores como Manuel Cajuda ou Jorge Jesus, sabendo que um projecto consequente para o clube tem obrigatoriamente de comportar um treinador da 1ª divisão europeia, só pode fazer arrepiar os cabelos. Que raio, caro Zé, a idade não explica tudo e você sempre me pareceu jovem de espírito!
sábado, março 14, 2009
Sport Lisboa e Benfica: escrito e publicado a 9 de Janeiro, reiterado agora após a derrota com o Vitória de Guimarães
terça-feira, janeiro 06, 2009
SLB: de uma vez por todas e para que não restem dúvidas
Para que esse objectivo seja conseguido ele nunca deve ser sacrificado ao curto prazo, e a estratégia e os planos de acção que o servem ser preteridos ou subalternizados por questões conjunturais, laterais e inconsequentes. Antes pelo contrário: definido o objectivo, ajustada a estratégia e os planos de acção adequados, estes devem ir sofrendo pequenas modificações e aperfeiçoados, entre Rui Costa e Quique Flores, à medida das necessidades: total flexibilidade táctica desde que em consonância com a estratégia e os objectivos; inflexibilidade estratégica, o que significa, entre outras coisas, “nenhuma concessão à “rua” ou a quem internamente a representa (à bom entendeur...). Ser governado pela “rua” ou por quem a tem representado, ao mais alto nível, nos orgãos dirigentes do SLB tem sido sempre parte do problema e do seu agravamento, nunca da solução.
Para ser ainda mais claro: mudar de treinador e de plantel à primeira decepção ou em resultado da opinião da inconsequente imprensa desportiva ou dos interesses que esta conjunturalmente representa tem sido a receita que conduziu o SLB ao descalabro, depois de um dos piores presidentes da história do SLB ter dado o pontapé de saída para a decadência ao decidir trocar uma equipa de futebol por mais uns degraus de cimento no estádio; prometer “os amanhãs que cantam”, já ali ao virar da esquina, é apenas mais uma miragem. O despedimento de um treinador, talvez demasiado humilde e com ausência de carisma, mas competente como Fernando Santos, depois de uma época aceitável e só porque no último minuto o Leixões conseguiu empatar, por troca com mais um “Messias”, foi uma cedência à “rua” benfiquista que apenas prova o que aqui digo.
Neste sentido, seria talvez a altura de Rui Costa garantir que a receita não é mais do mesmo. De explicar claramente a todos os benfiquistas, de forma solene e institucional, o que está em causa. De lhes dar a escolher, e de garantir publicamente a Quique Flores o seu apoio para além dos resultados conjunturais. Rui Costa tem de entender que a sua credibilidade enquanto dirigente passa por este projecto e, assim, agir em conformidade, provando que “é vermelho e competente”. E do seu benfiquismo nunca ninguém pôde ter dúvidas.
segunda-feira, dezembro 01, 2008
Ai o "meu" Benfica!...
- É impossível ganhar quando a intensidade de jogo que a equipa consegue manter durante a maior parte do tempo é tão demasiado baixa, só conseguindo jogar a um ritmo superior durante períodos muito curtos. Quando se passa para as competições europeias, onde o ritmo é outro, o problema torna-se ainda mais premente. Isto tem como resultado, na maior parte do tempo, conceder a iniciativa de jogo ao adversário e sobrecarregar, física e mentalmente, a defesa, que acaba a jogar sobre brasas e a cometer demasiados erros.
- Essa intensidade de jogo demasiado baixa é principalmente fruto da quase ausência de bolas ganhas no meio-campo adversário, por dificuldade em jogar em “pressão alta,” e do elevado número de bolas perdidas fruto de passes errados e de más opções de jogo, principalmente por parte um jogador como Carlos Martins. É atabalhoado e pouco inteligente. Pensa normalmente mal e, por isso, escolhe demasiadas vezes a pior opção. Não se percebe como, já desde os tempos do Sporting, tem “boa imprensa”.
- A inexistência de um defesa-esquerdo que saiba o que deve fazer em campo também não ajuda. Quando a isto se junta um guarda-redes fora de forma, tudo tem tendência a piorar.
- Preocupante.
sexta-feira, outubro 03, 2008
Julgam que não ia falar do "meu" Benfica?
domingo, agosto 03, 2008
Onde se explica a Quique Flores porque o Benfica não é o Getafe
Convém portanto lembrar, agora em termos puramente futebolísticos, que, pelo menos que me lembre (e estou em idade de já me lembrar de muitas coisas e ainda não ter esquecido outras tantas), nenhuma equipa do Benfica fez História sem assumir o jogo, sem entrar para o campo para fazer algo mais do que esperar o erro do adversário, sem jogar em transições rápidas forçando o adversário a esse mesmo erro, sem desgastar a defesa adversária forçando a quebra física e a desconcentração fatal. Aliás, pela própria natureza do campeonato português, em que 95% dos jogos são jogados contra equipas defensivas, que, elas sim, jogam no erro do adversário, não pode o Benfica jogar de outra forma sem se condenar ao fracasso. Mais ainda, também não me lembro de nenhuma equipa do Benfica ter tido sucesso que se visse sem jogar com uma “referência de área”; faz parte da sua cultura futebolística, do seu modelo de jogo assumido ao longo de anos de conquistas, da sua filosofia ganhadora, da “mística”, como antes se dizia. Também da necessidade de jogar contra defesas super-povoadas, como as que normalmente enfrenta. Foi assim, tanto quanto a minha memória de vivo alcança, desde José Águas, de José Torres (o Canadá Dry), passando por Jordão, Artur Jorge, Maniche, Mats Magnusson, Rui Águas, Pierre Van Hooijdonk. É também assim, através da perpetuação de um modelo de jogo que, com as adaptações necessárias aos tempos que mudam e à evolução do futebol, se transmite de geração em geração, passando a constituir, também ele, “heritage”, património do clube, que se contribui para a construir e cimentar a tal “mística”, que por defeito de formação e mania de ser diferente prefiro chamar de cultura e filosofia de empresa. Sven Goran Eriksson, inteligente e cosmopolita, percebeu-o depressa; recusou um qualquer brasileiro que Fernando Martins lhe queria impingir e foi buscar Michael Maniche. Fernando Santos, benfiquista de sempre e por isso nado e criado nessa cultura - e profissional competente – tinha-o aprendido desde o berço; por isso foi buscar Cardozo, independentemente das reservas que se possam colocar quanto à sua valia enquanto jogador (e eu já por aqui as coloquei e não retiro uma vírgula ao que escrevi). Será agora o tempo e o momento de Rui Costa fazer entender isto mesmo no seu clube de sempre.
domingo, junho 29, 2008
Rui Costa, "so far"
Ora se bem interpreto, não é isso que parece estar a acontecer no meu “Benfica”, onde a autonomia de Rui Costa para definir uma política, um “modelo” e efectuar contratações de acordo com ele, incluindo a do treinador, parece estar a defrontar-se com dois problemas sérios: em primeiro lugar, a pouca atractividade do campeonato português, em geral, e do SLB, em particular (não vai jogar a "Champions League"), para possibilitar a contratação do treinador com o perfil indicado e dos jogadores desejados, independentemente de questões financeiras; em segundo lugar, esta situação inverte um pouco a relação “director desportivo/treinador” e deixa a este maior poder para impor as suas ideias e os “seus” jogadores, já que, assim, o seu nome passa a ser, por vezes, o argumento definitivo para atrair os jogadores A, B ou C. Isto, claro está, é independente da capacidade manifestada por Rui Costa para lidar com os "media" e da fluência e racionalidade do seu discurso, que são inquestionáveis e podem ser apontados como exemplo raro no mundo da “bola”.
Mas fica, desde já, prometida uma análise mais fundamentada para quando o ruído das manchetes (a propósito: 15 milhões e mais Tiago por Miguel Veloso? Meus caros amigos sportinguistas, se for verdade é o negócio do século: ficam a ganhar com a troca de jogadores e ainda recebem muito dinheiro! Go for it!) der lugar a algo de mais concreto na formação dos plantéis.
quarta-feira, maio 14, 2008
Rui Costa
Excelente a conferência de imprensa de Rui Costa. Um discurso curto que não ultrapassou o essencial; um equilíbrio perfeito entre proximidade e distanciamento, formalidade e informalidade olhando de frente os seus interlocutores; respostas simples, directas e claras, curtas mas contendo o essencial; um certo toque de cosmopolitismo onde ele costuma ser uma raridade. Igual dentro e fora dos relvados: a rara capacidade de tornar o difícil fácil, aparentemente sem esforço. Algo só ao alcance dos eleitos. Esperemos confirme. Se assim for, será um dia presidente do Benfica. Ainda bem, já que o contraste com Luís Filipe Vieira foi por demais evidente. Para este último, certamente penoso.
À deriva...
domingo, maio 11, 2008
Eriksson...
sexta-feira, março 28, 2008
O futuro treinador do Benfica
A contratação pelo Benfica de um treinador com o perfil de Carlos Queiroz, seja ele quem for, esvaziará de conteúdo a figura de Director Desportivo, tornando-o, mesmo que a denominação se mantenha, num simples “relações públicas” com funções de representação do clube em determinadas circunstâncias. Parece-me uma boa solução, até porque também penso que alguém como Carlos Queiroz (repito: seja ele ou alguém com perfil semelhante) seria, no momento, uma boa solução para treinador do clube e Rui Costa terá o perfil e prestígio indicados para as funções que assim ficariam em aberto.