domingo, dezembro 07, 2008

Como hoje é domingo falemos de "bola": é a concorrência, estúpido!!!

A direcção do Sporting encomendou a uma empresa pertencente ao seu associado Rui Oliveira e Costa um estudo para conhecer as razões da ausência do “seu” público do “seu” estádio. Claro que as respostas directas foram as que já eram esperadas e a direcção leonina perdeu uma boa oportunidade de poupar uns euros e não se dar ao trabalho: o preço dos bilhetes, as horas dos jogos e, como razão do tipo “deixa-me lá também sacudir a água do capote”, a performance da equipa. As duas primeiras razões são comuns aos três grandes; são, digamos, razões de mercado. A restante, com alguma ressalva, aqui e ali, para o FCP, também afina pelo mesmo diapasão: há muito que as três principais equipas portuguesas deixaram de praticar sustentadamente um futebol entusiasmante q. b.

Mas, vejamos: há muitos anos que os bilhetes são caros, idem para a qualidade do espectáculo (hoje em dia até existe uma maior igualdade: os “pequenos” já não levam “cabazadas”) e os estádios, ao contrário do que acontece hoje em dia, eram velhos e desconfortáveis. Seria só o “futebol de domingo à tarde” responsável pelas maiores assistências? E os preços? Ontem, no Bonfim (eu sei que chovia e o estádio está decrépito), com bilhetes mais baratos do que uma esmola de Natal, estiveram, segundo o "Público", apenas 3 500 pessoas!!!

Claro que a verdadeira resposta, a questão-chave que os dirigentes dos clubes têm dificuldade em aceitar porque é estratégica e, em grande parte, está também para além das suas possibilidades de controlo e resolução, essa é bem outra. Como comecei por afirmar, as razões indicadas são apenas as directas, pois existe uma outra, indirecta, ou subliminar, por isso mesmo difícil de ser citada pelos inquiridos num estudo deste tipo: a concorrência. Como assim, dirão? Bom, muito simples. Este fim de semana, sem sair de casa e pela módica quantia de vinte e tal euros por mês, os portugueses podiam assistir a uma infinidade de jogos bem mais interessantes, bem jogados, emotivos e competitivos do qualquer um da liga portuguesa, habitualmente jogados em câmara lenta, sem público e com grande ausência de emotividade. Por exemplo, eu optei por assistir a um fantástico Bayern-Hoffenheim, de resultado imprevisível até ao fim e com o Allianz Arena cheio como um ovo, e a um Man. United – Sunderland jogado a todo o gás, com um público entusiasta enchendo Old Trafford e resolvido no último minuto. Quem quisesse podia ter optado pelo Chelsea, pelo Liverpool, pelo Atlético, Internazionale, “Barça” ou, hoje, pelo Real Madrid ou A.C. Milan. Jogos de alto nível e com os melhores executantes do mundo, alguns deles portugueses. Assim sendo, quem se dará ao trabalho de sair de casa e pagar um bilhete para ir ver os jogos da pobre liga portuguesa? Os ferrenhos e, destes, cada vez menos.

Bom, e solução, já que é fácil apontar os problemas e mais difícil encontrar as soluções? Apenas uma, que defendo há pelo menos uma década: que a UEFA autorize a fusão de ligas nacionais e as equipas portuguesas profissionais passem a competir numa liga ibérica, divida nas suas várias divisões. Benfica, Sporting e FCP (talvez mais um ou outro – V. Guimarães?) passariam a jogar na 1ª liga ibérica, com estádios cheios, acesso a maiores receitas de TV e, por via disso, capacidade competitiva europeia acrescida. Pondo de parte Real Madrid e “Barça”, não existe qualquer razão válida para que, num prazo de dois ou três anos, as grandes equipas portuguesas não pudessem ser tão ou mais competitivas do que Valência, Sevilha, Villareal, Atlético ou “Depor”. Sem uma solução deste tipo, que não tenho qualquer dúvida será tomada num prazo mais ou menos longo, os problemas apenas tenderão a agravar-se e o futebol português caminhará para a falência, algo que não me pareça a UEFA desejar. Sem remissão, por muitos estudos que Filipe Soares Franco ou outro qualquer dirigente resolvam encomendar.

2 comentários:

João filho disse...

Acho claramente que o modelo de liga em Portugal tem de mudar!

Já se viu que o actual não é capaz de gerar as receitas que os clubes nacionais necessitam para competir Internacionalmente (os 3G e mais um ou dois)ou as que necessitam para serem competitivos a nível interno (ver o exemplo do Estrela).

Na minha opinião há que largar os clubes sem condições de competir a nível interno (passarem a clubes amadores e de formação) e apostar num campeonato com 10 a 12 equipas, que potenciasse as receitas dos clubes mais competitivos.

Parece obvio que um modelo deste tipo não só iria aumentar o mercado (mais jogos grandes significa mais dinheiro em TV, bilheteira, ...), como iria permitir dividir este bolo por menos clubes (10 ou 12 em vez dos 16 actuais). O problema é não existir a coragem de assumir que esta é a única solução.

Acredito ainda que esta solução será de curto-prazo, pois o caminho será não a integração Ibérica mas a integração a nível Europeu, passando a Liga dos Campeões a ser o campeonato de 1ª divisão europeia e a UEFA a segunda divisão. Todos os anos os piores classificados da taça UEFA seriam substituídos pelos melhores classificados das competições regionais (campeonatos nacionais).
Os melhores classificados da UEFA iriam substituir os piores da CL.

Não vale a pena tapar os olhos pq mais cedo ou mais tarde isto vai acontecer!

JC disse...

De acordo. Mas a integração das ligas europeias tb não exclui uma fusão a nível regional: Ibéria, Ilhas Britânicas, Balcãs,Benelux, etc.