Mostrar mensagens com a etiqueta FCP. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta FCP. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, julho 21, 2015

A estratégia autónoma do SLB

Um ponto que é preciso realçar e muito raramente é focado pelo mentecapto jornalismo desportivo português : dos chamados "três grandes" do futebol português, apenas o SLB não mudou ou fez alterações à sua estratégia e modelo de negócio directamente em função dos adversários. As alterações verificadas - alívio do serviço da dívida, menor recurso ao financiamento externo e diversificação deste, maior foco na formação e consequente mudança de treinador - devem-se, isso sim, a opções estruturais internas há muito definidas e tomadas em função dos investimentos realizados e da sustentabilidade do clube no médio/longo-prazo. Isto é exactamente o oposto da actual estratégia de curto-prazo (ganhar já) de FCP e SCP, definida em função do bi-campeonato e outros títulos conquistados nos últimos anos pelo SLB. Significa também que dos três clubes é o SLB o menos dependente dos resultados desportivos no imediato, o que não signifique abdique de ganhar.

Para que conste.

terça-feira, julho 14, 2015

Porque contratou o FCP Iker Casillas?

Será que Iker Casillas irá fazer a diferença no FCP? Tenho para mim que o ex-guarda-redes do Real Madrid não é, actualmente, melhor do que Helton, e sendo indiscutível que o clube precisaria de mais um guarda-redes, ocupando o lugar nº1 ou nº2 na respectiva hierarquia, não me parece fosse difícil conseguir alguém adequado por valores bem menos absurdos. Então porque contratou o FCP Iker Casillas, ou melhor, a dupla de "pop stars" Casillas/Carbonero? Bom, não sendo o lugar de guarda-redes, nem de perto nem de longe, o ideal para rentabilizar o "merchandising" (leia-se, "vender camisolas"), em primeiro lugar, com tal contratação, o FCP espera conseguir - e já conseguiu - aumentar o seu "share of voice" mediático, esperando daí vir a obter compensações a nível de receitas publicitárias. Em segundo lugar, com a contratação de Casillas o FCP projecta para o exterior, para lá do círculo restrito dos seus "stakeholders" (accionistas, sócios e adeptos), uma imagem de "poder", de "macho alfa", algo que tinha perdido nos últimos anos e lhe valeu, durante décadas, a cumplicidade dos "media" e a impunidade de bastidores por todos conhecida. Por último, e perante o contraponto da "maré vermelha", o clube tenta agora recuperar, junto dos seus adeptos e em conjunto, o "élan" perdido nos últimos dois anos. Digamos que apenas vista a esta luz a contratação faz sentido, apesar do esforço financeiro e do risco desportivo (obriga a vitórias categóricas) que comporta. Por mim, estou satisfeito com a sobriedade que tem presidido à pré-época do meu SLB.

domingo, abril 26, 2015

SLB - FCP: prognósticos antes do jogo.

Que vamos ver hoje? Um FCP a jogar em posse, fazendo circular a bola em zonas subidas do relvado e tentando assim condicionar as saídas a jogar do SLB. Defendendo bem lá na frente e deste modo mantendo a bola longe da sua área, onde a eficácia da equipa a defender e a sair a jogar é, no mínimo, questionável. Em contraponto, um SLB que tentará ultrapassar a primeira e segunda zona de pressão do FCP, fazendo chegar a bola rapidamente à área contrária onde melhor desequilibra o adversário e zona onde causará certamente problemas ao nortenhos. Pressionando, claro, os centrais "tripeiros" e tentando tapar o jogo exterior do adversário logo na "fonte". Depois, da eficácia destas acções, das contingências do jogo e da inspiração individual dependerá o resultado.

quarta-feira, abril 22, 2015

A ilusão do FCP

Ora vamos lá ver... O problema do FCP não esteve no jogo de ontem, em Munique (já agora,recomendo uma visita a uma das cidades mais bonitas da Europa), onde, ao contrário do que tenho ouvido e lido, a equipa e o seu treinador não cometeram erros próprios de monta. Mesmo sobre a opção de Reyes a lateral-direito, devo dizer não ouvi comentadores conotados com o FCP criticarem a solução antes do jogo; pelo contrário, a vários ouvi falar da falta de experiência e de rotina a defender de Ricardo Pereira. Isto de entregar o Totobola à segunda-feira tem que se lhe diga. Mas continuemos...

O problema do FCP foi mesmo o jogo da primeira. mão, no Porto, quando dois erros infantis e irrepetíveis do Bayern (aliás, um deles precedido de falta de Jackson Martinez) condicionaram toda a exibição dos bávaros, entregaram de bandeja o jogo aos portistas e criaram durante uma semana a ilusão de que o FCP, mesmo sem os seus laterais titulares, poderia eliminar um Bayern privado de Robben, Ribéry, Alaba e Schweinsteiger.  Como se viu, tal resultado estava mesmo muito longe de ser possível. Mais ainda: não foi o jogo de ontem que constituiu um encontro atípico; tal aconteceu, isso sim, e pelo que acima digo, com o jogo da semana anterior e com as circunstâncias que tornaram possível a então vitória do FCP. 

Teria o jogo sido diferente com um FCP menos "defensivo"? Estupidez completa: foi a equipa do Bayern que obrigou o FCP a jogar com o seu bloco muito baixo. Não vejo, portanto, onde possam estar os erros de Lopetegui - digo eu, que estou a milhas de simpatizar com o lamuriento treinador basco. No fundo, e para terminar, estamos perante o desfecho normal de uma eliminatória cuja primeira-mão foi muito condicionada por circunstâncias pontuais e atípicas.

Nota final: Como sempre disse, torna-se praticamente impossível a uma equipa portuguesa ir além dos 1/4 de final da Champions League. E mesmo para aí chegar tem que tudo correr bem, mormente entrar num grupo que lhe permita alcançar o primeiro lugar e ser bafejado por alguma sorte no sorteio dos 1/8 de final. É a vida...

quinta-feira, abril 16, 2015

O FCP - Bayern e o modelo de jogo do SLB

Sim, eu sei que golos como os que o Bayern ofereceu ontem acontecem de dez em dez anos (se tanto), e que isso condicionou todo o jogo; que o golo marcado fora e a ausência de laterais no jogo da próxima semana tornam o resultado da eliminatória imprevisível, estando o FCP longe de estar apurado, felizmente; mas o que o jogo de ontem veio demonstrar, mais uma vez, e se tal fosse ainda necessário, é que o modelo de jogo perfilhado pelo SLB de Jorge Jesus é completamente inadequado para se conseguirem resultados satisfatórios a nível do grande futebol, da Champions League, e que um modelo que permita se consigam resultados dignos a esse nível não é incompatível com uma equipa competitiva a nível interno, onde um campeonato muito desequilibrado exige outro tipo de soluções. Espero que a lição esteja a ser bem aprendida e que uma possível vitória no campeonato - este ano, e face à estratégia de curto prazo do FCP e à necessidade de desinvestimento do SLB no(s) próximo(s) ano(s), indispensável - não evite se encare de frente e de vez o problema.

quinta-feira, abril 09, 2015

SLB e FCP: mercado e algo mais nos últimos 10 anos

Notas:
  1. O FCP chega ao actual modelo de negócio, partilhado pelos dois clubes, mais cedo do que o SLB: 2004/2005 contra 2007/2008, sendo para tal essencial as conquistas da Taça UEFA e Champions League, com José Mourinho.
  2. Só em 2007/2008 o SLB começa de facto a investir na sua equipa de futebol, enquanto o FCP o faz consistentemente desde 2001/2002. Entre esta primeira época analisada e 2006/2007 as compras do SLB totalizam €39.8M contra €106.6M do FCP. Este investimento do FCP esteve na base dos seus sucessos europeus (UEFA e CL) e foram também estes que, posteriormente, permitiram um reforço desse mesmo investimento e do modelo de negócio adoptado.
  3. Já no período 2007/2008 até 2011/2012 a diferença entre o investimento dos dois clubes é apenas de €20.4M (€178.5M do FCP vs €158.1M do SLB). Conclusões: é fundamentalmente o investimento, e não apenas o factor Jorge Jesus, que explica a aproximação dos dois clubes em termos de resultados desportivos. De qualquer modo, perante uma diferença de apenas €20.4M no investimento, seria de exigir ao SLB um pouco mais em termos de resultados desportivos.
  4. Para o período total considerado (2001/12), o FCP conseguiu uma margem bruta de 38.8% (lucro bruto de €180.8M) enquanto o SLB de apenas 20% (lucro bruto de €49.4M). E isto, simultaneamente, obtendo melhores resultados desportivos. Estamos longe, portanto, de um sucesso retumbante da parte do SLB.
  5. Mesmo no período de 2007/8 a 2011/12, quando o SLB assume na plenitude o seu modelo de negócio, o FCP consegue uma margem bruta de 37% e um lucro bruto de €104.8M, enquanto o SLB se fica por 18% e €34M.
  • Conclusão: o SLB chegou tarde ao mercado, utilizando uma estratégia do tipo "me too", e, portanto, apesar da aproximação ao rival que tal estratégia proporcionou, não conseguiu ainda resultados financeiros e desportivos ao nível do seu rival. Por outro lado, é fundamentalmente  graças a essa estratégia de investimento, e não apenas ao treinador (o FCP já teve vários, embora eu reconheça a estabilidade da direcção técnica seja neste momento bem mais importante no SLB do que no FCP), que essa aproximação se fica a dever. Teria sido possível fazer melhor, em termos desportivos e financeiros? Impossível dizer, sendo que é evidente o clube pagou e ainda está a pagar, a nível resultados desportivos e financeiros, os erros e a ausência de gestão profissional da década perdida de 90.

segunda-feira, março 02, 2015

O SCP no jogo de ontem: um enorme equívoco táctico.

O SCP, ontem no Porto, não foi bem uma equipa mas sim um equívoco táctico. Em primeiro lugar, jogar com um bloco tão subido contra jogadores rápidos como o são Tello, Brahimi ou Quaresma é mais ou menos como jogar à roleta russa com seis balas no tambor do revólver. Viu-se. Em segundo lugar, porque sendo o FCP muito eficaz na pressão alta e média-alta mas sendo também vulnerável quando o jogo chega à sua zona defensiva, o SCP teria de optar por uma de duas soluções para "levar o jogo para a frente": jogar directo, o que sem Slimani estava mais ou menos condenado ao fracasso, ou sair a jogar curto, em posse mas com segurança, sendo que para isso teria de ter alguém com capacidade para tal. Ora nem William (que em jogos como este revela bem as suas limitações nas saídas de bola) nem Adrián são jogadores para o fazerem com eficácia, o que levou a inúmeras perdas de bola do SCP em zonas proibidas. Ter-lhe-ia restado jogar num bloco baixo, contra o qual o FCP sempre tem revelado dificuldades, e esperar que a pressão do FCP se cansasse e assim o SCP conseguisse "descansar com bola" ou vislumbrar uma nesga de terreno para chegar à zona defensiva contrária. Mas Marco Silva foi no engodo de querer jogar de "igual para igual" e isso foi-lhe fatal. Aprenda que saber jogar "à Arrentela" não é vergonha nenhuma e às vezes até pode ser eficaz.

segunda-feira, dezembro 15, 2014

FCP - SLB: dois erros "não forçados", eis a diferença

Confesso que ontem, após o final do jogo do meu clube e apesar da infinita alegria que o resultado me causou e quase me fez esquecer uma sempre inoportuna gripe (que continua), a minha primeira reacção foi "não jogámos nada e ganhámos com alguma sorte mas sem grandes aflições". Hoje, tendo dormido (mal, graças à febre) sobre o assunto e lido o que dizem os jornais, que fazem grandes elogios à "táctica" de Jorge Jesus, pouco mais acrescento ao que pensei ontem, excepto que vi uma equipa com as virtudes e defeitos habituais dos jogos "fora" da Champions League (haverá aí, pelo menos, alguma coerência), talvez defendendo num pouco melhor, e que, sem ter criado uma única oportunidade de golo, aproveitou da melhor maneira (essa a sua principal virtude) dois "erros não forçados" do adversário. Mas como alguém me dizia a seguir ao jogo, fartos estamos nós de chegar às Antas e perder jogando bem. Sem dúvida.

Nota: foi a equipa de Jorge Sousa a melhor em campo, o que também demonstra que "a tradição já não é o que era."

quinta-feira, agosto 21, 2014

Futebol Clube do Porto: um projecto "chave na mão"

Para esta época, o FCP não se limitou a contratar um treinador com uma determinada ideia de jogo, o que até seria normal e estaria correcto. Na realidade, Pinto da Costa comprou um verdadeiro projecto "chave na mão": um treinador, uma ideia de jogo bem definida, os jogadores da confiança desse treinador, capazes de pôr rapidamente em prática as suas ideias, e carta branca para os despedimentos de quem não se enquadrasse nesse novo projecto. Apesar da ideia de jogo de Julen Lopetegui ter alguma tradição no clube desde José Maria Pedroto, basta olhar para o plantel e ver Jackson Martinez promovido a "capitão" para se perceber que o FCP pouco mais é neste projecto do que "barriga de aluguer", tendo-se nele diluído a tão apregoada e mítica "estrutura" e não existindo, para além dessa ideia de jogo, qualquer ligação à cultura, filosofia e valores (bons ou maus) do clube. Inclusivamente, parece estarmos mesmo perante um género de corte epistemológico no modelo de negócio do FCP nos últimos anos, tendo dificuldade em perceber como este projecto, muito baseado, no seu núcleo duro, em jogadores emprestados, pode vir a criar valor futuro para o clube. 

Pode dar ou não certo; e dar certo será alcançar o seu principal objectivo, aquele para que foi "comprado" por Pinto da Costa: impedir o SLB de ganhar o segundo título consecutivo. Mas será sempre, ao contrário do que tem acontecido até aqui no FCP, um projecto de curto-prazo, que, mesmo que bem sucedido, dificilmente criará raízes ou deixará rasto. 

segunda-feira, junho 02, 2014

Futebol: e 2014/2015?

O que pode desde já dizer-se sobre previsões para a próxima época no que diz respeito aos chamados "três grandes"? Resolvida a questão dos treinadores - que, no caso de Marco Silva e Julen Lopetegui, e como diria Forest Gump, são "como as caixas de chocolates": só depois de abertas sabemos o que está lá dentro" -, e como este "blog" não entra em especulações sobre plantéis e outras que tais, apenas que parece ponto assente que SLB e FCP irão desinvestir e reduzir os seus orçamentos significativamente (calculo, no mínimo, 20 a 25%) e que é provável o SCP, apesar do acréscimo de receitas vindo da Champions League, não o venha a aumentar, pelo menos de modo significativo. Aliás, foram neste sentido as afirmações do seu presidente.

Que significa isto? Que se nada de muito anormal se passar entretanto e durante a época, SLB e FCP (orçamentos de cerca de 60/65M em 2014/2015?)  continuarão a ser os principais candidatos ao título e o SCP (~25M) um "outsider" a ter em conta - mas sempre um "outsider". Também que o apuramento para os 1/8 de final da Champions League pode começar a tornar-se um problema ainda maior para as equipas portuguesas.

E para já é tudo. 

quarta-feira, maio 07, 2014

Lopetegui e Jorge Mendes

Não vale a pena jornalistas e comentadores esforçarem-se demasiado para encontrarem uma lógica, um racional, que explique a contratação de Julen Lopetegui pelo FCP. Ou tentarem passar ao lado do facto de Lopetegui não ter chegado ao final do contrato no único clube da 1ª Liga que treinou (Rayo Vallecano) e este ter descido de divisão. A escolha pode ou não dar certo (o futebol tem muitos factores imprevisíveis), mas para chegarem a uma conclusão é bem mais fácil e certeiro esses jornalistas e comentadores procurarem um nome, e esse é Jorge Mendes. Resta-nos agora ficar atentos aos fluxos financeiros e de jogadores com origem e destino no FCP, para depois tirarmos as respectivas conclusões. 

quinta-feira, abril 17, 2014

3 notas sobre o SLB - FCP de ontem

  1. Nos anos anteriores, o FCP de Villas-Boas e, depois, de Vítor Pereira, embora mais o o do primeiro do que o do segundo, chegava ao Estádio da Luz e, com arrogância, tomava conta do jogo, "montando o seu negócio" de posse e circulação de bola no meio-campo do SLB, obrigando o jogadores contrários a correrem atrás da bola, enervando-os, e dificultando as saídas a jogar do meu clube, que, n,a maior parte das vezes, se via na necessidade de jogar directo para Cardozo. Os resultados, infelizmente para o meu "Glorioso", foram os que foram. Nada disto se viu este ano, quer na Luz quer em Alvalade, ao ponto de eu olhar para o FCP e não perceber qual a sua ideia de jogo. Parece-me, por isso mesmo, que embora o seu plantel esteja longe de ser famoso, o problema começa exactamente num modelo de jogo que ninguém muito bem entende qual seja e que acaba por chegar ao seu ponto mais baixo quando a equipa entrega a bola a um jogador "meio desmiolado" como Quaresma para que ele "resolva" o que a equipa não consegue resolver. Por vezes, Quaresma até resolve e torna-se parte da solução, mas na maior parte do tempo, individualista, sem "miolos" e jogador "por conta própria", acaba por contribuir para a descaracterização da equipa e do seu modelo de jogo tradicional, tornando-se parte do problema. Percebe-se porque não fez carreira.
  2. Querer, garra, ambição do "meu" SLB no jogo de ontem? Sim, mas só isso nunca chegaria. Principalmente duas coisas essenciais: 1. um modelo de jogo  claro e assimilado por todos, que, com ajustes, se mantém há cinco anos e torna fácil a qualquer um entrar na equipa e saber o que deve e tem de fazer e 2. uma diferença abissal de qualidade entre os melhores jogadores de um e outro plantel, o que remete para o investimento feito nos últimos anos e para a qualidade da equipa de "scouting".
  3. Jorge Jesus tem muitos defeitos e enormes qualidades. Ao longo dos anos, e perante as desilusões sofridas, as qualidades parecem finalmente querer superar os defeitos. Mas para a maioria da imprensa (ou lá o que é) desportiva o SLB parece resumir-se aos "faits-divers" de Jorge Jesus, o que diz e não diz, o "caso" Cardozo, a "história de Guimarães", a expulsão de ontem e por aí fora. Sei que o tablóidismo sensacionalista que domina o comentário futebolístico se alimenta destas coisas e das teorias da conspiração, mas, por uma vez, mesmo que aqui e ali, poderiam ver mais longe e olhar também para dentro da "quatro linhas" e para o que tem sido feito em outras áreas do clube. Ou seja, talvez fosse chegada a hora de tentarem perceber um pouco mais do jogo e do negócio que o envolve. Mas digo isto sem esperança... 

quinta-feira, março 27, 2014

Jorge Jesus e Pinto da Costa

Nos últimos cerca de trinta anos, basicamente desde que Pinto da Costa assumiu a presidência do FCP, o relacionamento entre este clube o o SLB tem-se pautado por uma conflitualidade que ultrapassa em muito a rivalidade normalmente existente entre dois clubes de futebol directamente concorrentes. E essa extrema conflitualidade, para além de ter raízes em cidades com passados históricos muito diferentes entre si que acabaram por se reflectir nas personalidades e comportamentos dos seus habitantes, está, nestes últimos trinta ou trinta e cinco anos, indissoluvelmente ligada ao modo como o FCP conquistou e manteve o poder no futebol português, transformando desporto, espectáculo e indústria numa acção de guerra onde, ao longo dos anos, não só não fizeram prisioneiros como tudo tem valido para que os seus objectivos fossem alcançados. Claro que essa conflitualidade não pode deixar de se reflectir no não-relacionamento entre as direcções dos dois clubes, bem como no modo, no mínimo dos mínimos antipático e nada amistoso, como todos nós - benfiquistas - encaramos o FCP clube, seu presidente e seus adeptos enquanto tais. Assumo-o sem quaisquer problemas, já que, quanto a mim, e pelo menos enquanto Pinto da Costa e seus seguidores estiverem na direcção do clube, estão em confronto valores, modos de vida e comportamentos antagónicos e inconciliáveis.

Exactamente por isso, e sendo Jorge Jesus um funcionário do clube, sou de opinião que, respeitando os sentimentos dominantes existentes no seio da direcção e entre os adeptos do SLB, deveria o seu relacionamento público com a direcção do FCP e principalmente com o seu presidente cingir-se a um mero comportamento protocolar e a atitudes que não ultrapassassem o frio formalismo ditado pelas regras mínimas da decência e da boa educação. Tudo o resto é não só dispensável como reflecte falta de respeito pela cultura e mística do clube que lhe paga o ordenado e pelo sentimento geral que sabe existir entre associados e adeptos. Mais grave ainda depois de uma derrota e perante um registo que, em termos de resultados, lhe é altamente desfavorável. Espero alguém na administração do clube lhe saiba chamar a atenção para que tal comportamento é inadmissível e não mais poderá ser tolerado. Por mim, estou um bocado farto e a minha paciência tem limites.      

quarta-feira, março 26, 2014

FCP-SLB em 4 pontos

  1. A equipa é alérgica ao modelo de pressão em todo o campo e grande capacidade de circulação de bola a que Luís Castro fez a equipa do FCP regressar e que tem sido, nos últimos anos, a sua "marca de água". Tal dificultou ao extremo o modo como o SLB conseguia sair a jogar e foi aí que o FCP ganhou o jogo.
  2. A equipa já não sabe jogar com e para Cardozo.
  3. A equipa parece sofrer de um certo "pavor cénico" do estádio do FCP.
  4. Conclusão: apesar de tudo, o resultado conseguiu ser um pouco melhor do que a exibição. Veremos se é possível dar a volta.

segunda-feira, março 17, 2014

SCP - FCP (ou "The Times They Are A-Changing"?)

  1. Tive a oportunidade de ver dois jogos do FCP no espaço de quatro dias (Nápoles e SCP) e a impressão com que fico é que não existe ali uma ideia clara de jogo e tudo se resume (mais ou menos) "a bola para Ricardo Quaresma e ele que faça uns "números" e umas "cenas". Como este é uma espécie de Balotelli português, umas vezes lá  faz as tais "cenas" mas outras, a maioria delas, ausenta-se do jogo ou é inconsequente. Além disso, confiar a um só jogador, ainda para mais alguém como Quaresma que não é Messi ou Ronaldo e "monta negócio por conta própria", a função de resolver os problemas da equipa é meio caminho andado para o suicídio colectivo. Longe vão os tempos de Villas-Boas e do modelo de "posse" e grande qualidade de circulação de bola no meio-campo contrário, de "pressão alta com bola", como eu lhe costumava chamar. Cá por mim, como benfiquista, "agradeço a graça concedida".
  2. Em poucas semanas assisti a duas derrotas do FCP que me parecem sintomáticas de que o clube e Pinto da Costa perderam uma boa parte da influência em que assentou um dos pilares da sua hegemonia no do futebol português dos últimos anos: a arbitragem. Na primeira, contra o GD Estoril-Praia, através de um "penalty" indiscutível mas que há cinco ou dez anos me parece nunca teria sido marcado. Ontem, contra o SCP, com um golo obtido a partir de um claro "fora de jogo". A tradição já não é o que era ou "The Times They Are A-Changing "?

quarta-feira, março 05, 2014

E se a crise do FCP fosse estrutural?

No dia seguinte à derrota do FCP com o Estoril (0-1), escrevi o seguinte neste "blog":


Poderia - e deveria - ter acrescentado que na base daquilo que poderíamos chamar "a conquista do poder" pelo FCP está a inflexão a norte do poder político e económico no período pós-25 de Abril de 1974 e que o "músculo" financeiro adquirido pelo FCP nos últimos anos, que lhe permitiu descolar dos seus rivais em termos orçamentais, só foi tornado possível pela participação constante na Champions League e pelos bons resultados nela alcançados, fruto da hegemonia conseguida a nível interno.

Ora baseando-me no racional apresentado nos dois parágrafos anteriores e no facto da crise económica e financeira do país dificultar um maior endividamento dos clubes bem como a captação de receitas adicionais, o que vai dificultar - e muito - que os clubes portugueses consigam alcançar bons resultados na Champions League; tendo também em atenção que  nas duas últimas épocas o FCP só conseguiu ser campeão por enorme demérito do SLB, pergunto-me se estamos apenas perante mais um caso Octávio Machado, Quinito, Del Neri e etc, ou se a crise do FCP não terá características mais estruturais, que obrigarão o clube nos próximos anos à perda da sua hegemonia e a uma subsequente maior partilha do poder e de títulos para os seus dois rivais de Lisboa.

Mais do que centrar a análise da crise do FCP em Paulo Fonseca (o FCP já foi campeão com treinadores género Rato Mickey), no facto de terem existido erros na construção do plantel (e eles terão existido, mas serão assim tanto uma novidade?), em mitos, como a "estrutura", criados por uma comunicação social "atenta, veneradora e obrigada", na alegada geriatria de Pinto da Costa, há que ir um pouco mais longe e pensar se e de que modo os alicerces sobre os quais se edificou a hegemonia do clube das Antas continuam sólidos e válidos. Mais um vez, pelo que acima descrevo (a que poderia juntar exemplos como a condenação de jogadores do clube no caso do "túnel" e o desgaste causado na sua imagem e nos seus apoios políticos e económicos pela divulgação do "apito dourado"), quer-me parecer que não. É que se nenhum poder é eterno, aquele que depende menos de si próprio e mais de factores externos que se vão modificando ao longo do tempo pode torná-lo demasiado vulnerável.

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

F.C. Paços de Ferreira: já ouviram falar em "clubes-satélite"?

No início desta época, depois do FCP se ter sagrado campeão 2012/13 em Paços de Ferreira, Paulo Fonseca foi contratado como treinador do clube dirigido por Pinto da Costa, o que implicou, como compensação, o pagamento de uma determinada verba ao FCPF.  Como treinadores dos chamados "castores" foram então contratados Costinha e Maniche, ex-jogadores do FCP, campeões europeus por este clube e contratações que representaram uma mudança estratégica na política até aí seguida com sucesso pelo FCPF. Já esta época o FCP ganhou o seu jogo na Mata Real com um golo considerado por quase todos como tendo sido irregular. Despedidos Costinha e Maniche, em função dos maus resultados, o FCPF contratou um seu ex-treinador cujo perfil se enquadrava na linha estratégica habitual adoptada pelo clube (Henrique Calisto), embora este tenha conseguido apenas duas vitórias e três empates nos doze jogos disputados sob o seu comando. Agora, e como se diz na tropa, o clube volta "à primeira forma" e entra Jorge Costa, ex-capitão e símbolo do FCP. Já ouviram falar em "clubes-satélite"?

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

A crise do FêCêPê

Nas últimas décadas, a hegemonia do FCP no futebol português alicerçou-se em três factores fundamentais (existem outros, como uma ideologia coerente que ajudou na conquista e na cimentação do poder, mas estes são os fundamentais): estabilidade directiva e não contestada; domínio dos bastidores (e do "bas-fond) do futebol português, com "tentáculos" que se estendem também a áreas da política e da justiça; e um orçamento em média bastante superior a qualquer dos seus rivais. Acontece que a estabilidade directiva é agora também apanágio do SLB e, ou me engano muito, o SCP seguirá a breve prazo caminho idêntico; a contestação às direcções dos clubes parece agora ter-se transferido para as Antas - e não é de ontem; o fosso entre os orçamentos do FCP e do SLB tem vindo a encurtar drasticamente. Resta, pelo que se viu ontem, quando o árbitro teve a coragem de marcar um "penalty" tão indiscutível quanto poderia vir a tornar-se decisivo, que o domínio pelo FCP dos bastidores e do "bas-fond" do futebol português, apesar dos 383 euros, parece já ter visto melhores dias. Quanto à ideologia - essa - acaba por perder força, a sua razão de ser e até tornar-se um empecilho quando qualquer regime entra na sua fase decadente e nada mais pretende do que sobreviver.

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Ainda o chamado "dérbi"

  1. Já uma vez aqui o disse: explicar a má prestação de uma equipa pela falta de "atitude" é quase sempre uma maneira expedita de declarar não se percebeu nada do que se passou em campo. Normalmente, essa alegada "ausência de atitude" é apenas sinal de que a equipa e os jogadores não se sentiram confortáveis nem souberam ou conseguiram interpretar um modelo e sistema de jogo pouco consentâneo com as suas características ou insuficientemente treinado. Não retiro uma vírgula a estas afirmações quando analiso a exibição do SCP da passada terça-feira. Habituado a jogar num modelo em que o meio-campo sabe circular a bola (embora a um ritmo não muito alto) com algum a-propósito e onde Adrien assume uma papel-chave nas transições e equilíbrios, onde compete aos extremos (Capel, Wilson Eduardo e Carrillo) o papel de aceleradores, a equipa perdeu-se quando, quase de um momento para o outro e apenas em função da ausência de um jogador (já lá vamos), o seu treinador os mandou jogar de uma forma antagónica, directo e sem a capacidade de aceleração dos habituais extremos. Falar agora de falta de atitude", como vejo e leio por aí, é mais uma vez alijar responsabilidades e não compreender o essencial.
  2. O modo como na má prestação do SCP se valoriza a ausência de um jogador (William Carvalho) que tem ainda muito a provar, nunca sequer jogou nas competições da UEFA (CL e EL), onde o ritmo e intensidade de jogo são outros, bem diferentes, e cuja experiência a alto nível sénior se limita a uns escassos minutos durante um jogo da selecção nacional, demonstra bem as insuficiência do plantel do SCP face aos seus dois concorrentes directos. Como termo de comparação, o FCP perdeu James e Moutinho no início da época e, no SLB, Sálvio não chegou a cumprir três jogos esta época e Matic foi transferido há um par de semanas. Tal não foi suficiente para que nos jogos realizados contra estas equipas (Campeonato, Taça e Taça da Liga) o SCP apenas tivesse conseguido dois pontos em quinze possíveis e obtido um "score" negativo de cinco golos marcados contra dez sofridos. Sobre diferenças, estamos conversados?  

domingo, janeiro 12, 2014

SLB - FCP: a chave da vitória

  1. A chave da vitória? O modo como se processaram as interacções entre Rodrigo e Markovic, com este a aparecer muitas vezes pelo meio, onde é bastante mais eficaz. A enorme rapidez e as trocas de posicionamento de ambos destroçaram as lentas transições defensivas do FCP e o seu recuo no terreno, partindo embalados, desequilibrou o maio-campo defensivo das Antas.
  2. Não me lembro de um FCP tão fraco no Estádio da Luz, e estou a recuar aos tempos de José Maria Pedroto. Licá? Carlos Eduardo? Josué? Um Lucho em fim e carreira e a jogar quase a par de Fernando? Varela que de suplente utilizado passou a titular indiscutível? Tudo gente a roçar demasiado a mediania, o que está a fazer o FCP perder a sua identidade de equipa habitualmente muito forte na posse de bola e pressão alta.
  3. Na época passada, Helton, com uma excepcional defesa a remate de Cardozo no jogo da Luz, começou a assegurar o título para o FCP. Hoje, com uma má saída dos postes, pode ter feito o contrário. Espero que sim.