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sexta-feira, junho 05, 2015

SLB: e onde poderá entrar Jorge Mendes?

Especulemos, ou melhor, tracemos um cenário.

A contratação de Jorge Jesus pelo SCP pressiona ainda de modo mais acentuado o SLB para ganhar e para fazê-lo a curto-prazo, já a 9 de Agosto, na Supertaça. E para ganhar é preciso investir na contratação de bons jogadores, o que choca um pouco com a intenção e necessidades do meu clube para diminuir acentuadamente o seu orçamento. E é aí que poderá entrar Jorge Mendes. Como? Colocando na Luz um treinador por si representado e que tenha interesse em valorizar ou em recolocar no mercado (Paulo Bento, por exemplo), "oferecendo" como contrapartida o seu contributo para facilitar, directa ou indirectamente (neste caso, através de financiamento) a transferência para o SLB de jogadores que possam valorizar o plantel. É apenas um cenário, mas vale a pena pensar nele.

segunda-feira, agosto 11, 2014

As responsabilidades financeiras do SLB, Peter Lim e Jorge Mendes

Esta notícia do "Expresso" confirma o que eu já suspeitava e assinalei aqui: o SLB endividou-se excessivamente no curto-prazo para conseguir alcançar rapidamente os resultados desportivos de que a gestão de Luís Filipe Vieira carecia para que a contestação se não instalasse. Terá assim arriscado o crescimento sustentado do futebol profissional do clube. Restam agora duas opções:
  1. Ou a SLB arrisca o sacrifício desses mesmos resultados desportivos durante duas ou três épocas, com todas as suas consequências ao nível das receitas e da estabilidade da gestão, incluindo a desportiva.
  2. Ou consegue renegociar a sua dívida de curto-prazo de modo a alongar o prazo de amortização de uma sua percentagem significativa, transformando-a em dívida de médio/longo-prazo. Foi isso que o SCP fez e, como os tempos são agora outros no que diz respeito à banca,  o SLB poderá (é apenas uma hipótese, note-se) também estar a fazer com a anunciada cedência dos passes de Ivan Cavaleiro, João Cancelo e Bernardo Silva a Jorge Mendes e/ou ao fundo liderado por Peter Lim, endividando-se a médio-prazo (o valor dos passes está claramente sobre-avaliado, criando dívida), eventualmente com taxas de juro mais favoráveis, para amortizar de imediato uma parte da sua dívida bancária.
Talvez não fosse má ideia o nosso ignorante e preguiçoso jornalismo desportivo gastar uns minutos a pensar nisto.

sexta-feira, agosto 08, 2014

Cancelo, Bernardo, Cavaleiro e... Jorge Mendes

Ao contrário do que já adivinho vou ouvir e ler por aí, não entro em choro convulsivo pela cedência, por empréstimo, de três jogadores da formação do meu clube. Todos eles, principalmente Cavaleiro, tiveram as suas oportunidades para integrar o plantel principal e, ao contrário do que aconteceu com João Teixeira e também a época passada com André Gomes, apesar das limitações que sempre reconheci a este último, não demonstraram qualidade e maturidade suficientes para tal. Cancelo foi mesmo, neste jogos de pré-época, um autêntico "susto". Em si mesma, e em abstracto, foi mesmo uma boa decisão, sendo que outra coisa, bem diversa, é a política de contratações do clube e a qualidade das opções tomadas nesta área. Mas sejamos honestos, nem mesmo o nosso rival de Alvalade, reconhecidamente com a melhor escola de formação do país e uma das melhores da Europa, escapa à febre das contratações em catadupa. 

Já questionável, nesses empréstimos, serão os clubes escolhidos, todos eles, curiosamente, clubes "de" Jorge Mendes, cuja influência se tem vindo a tornar cada vez maior no futebol do SLB e em outros clubes portugueses, com as vantagens e desvantagens que daí advêm. Se, no Depor, Cavaleiro poderá ter reais oportunidades de jogar com alguma frequência, não se percebe o mesmo possa vir a acontecer com Cancelo e Bernardo Silva no Valência e no Mónaco, respectivamente. Mas nestas opções estamos já a entrar em áreas bem pouco transparentes, tais como acertos de contas, modelos de engenharia financeira, trocas de favores, gestão de influências, etc, etc. E como não há almoços grátis, o clube estará aqui a devolver, talvez com juros, alguns "favores" prestados e que lhe terão possibilitado ou pelo menos ajudado bastante a alcançar os títulos da época passada e a melhoria das prestações desportivas dos últimos anos. É mesmo assim a vida: quem não tem ou não consegue gerar recursos próprios em quantidade suficiente, sujeita-se.     

quarta-feira, maio 07, 2014

Lopetegui e Jorge Mendes

Não vale a pena jornalistas e comentadores esforçarem-se demasiado para encontrarem uma lógica, um racional, que explique a contratação de Julen Lopetegui pelo FCP. Ou tentarem passar ao lado do facto de Lopetegui não ter chegado ao final do contrato no único clube da 1ª Liga que treinou (Rayo Vallecano) e este ter descido de divisão. A escolha pode ou não dar certo (o futebol tem muitos factores imprevisíveis), mas para chegarem a uma conclusão é bem mais fácil e certeiro esses jornalistas e comentadores procurarem um nome, e esse é Jorge Mendes. Resta-nos agora ficar atentos aos fluxos financeiros e de jogadores com origem e destino no FCP, para depois tirarmos as respectivas conclusões. 

sexta-feira, janeiro 10, 2014

O "negócio" Rodrigo

Então, a efectivar-se, o negócio será assim. O SLB precisa neste momento de financiamento e o recurso ao crédito bancário revela-se difícil e caro. Por outro lado, a venda dos passes de jogadores com possível mercado (Matic e Gaitán), parece ter caído num impasse e arriscar-se-ia, caso fosse concretizada, a enfraquecer demasiado a equipa na luta pelo título, principal objectivo da temporada. Assim sendo, o SLB recorre aos "bons ofícios" de Jorge Mendes, que colocará o jogador Rodrigo Moreno no Zenit a um preço muito inferior ao 35 milhões anunciados, obtendo da parte do empresário um financiamento, que aparecerá nas contas do clube como venda de um "activo", no valor da diferença e compensando-o futuramente com a aquisição de algumas "sobras", tipo Pizzi, ou comprando o passe de algum jogador, como foi o caso de Roberto, a um preço muito superior ao seu valor de mercado. Pelo meio, algum "fundo" facilitará a operação.

Como operação de engenharia financeira, tiro o meu chapéu, embora reconheça seja demasiado óbvia. Já quanto ao que ela revela sobre o modo desregulado como funciona o mercado futebolístico, estamos conversados. 

terça-feira, julho 30, 2013

O negócio Roberto "contado às crianças e explicado ao povo"

Está agora bem à vista (se é que não esteve sempre) o modo como o SLB resolveu o "caso" do guarda-redes Roberto. Na realidade, ao afirmar que recuperou os direitos do jogador por incumprimento do contrato por parte do tal fundo BI Plan, o SLB deixa bem à vista que a venda do passe de Roberto Jimenez no ano passado não passou de um negócio fictício, para limpar a imagem do clube perante sócios, adeptos e "media", cujo "acerto/compensação" se terá realizado agora com a compra do passe do jogador Pizzi (imediatamente emprestado) e talvez também no ano passado com a transferência de Eduardo Salvio. Nome incontornável neste tipo de negócios, nos quais, aliás, o futebol e o desporto estão longe de deter o exclusivo, o do empresário Jorge Mendes, que até já teve direito a vídeo de promoção na SIC. .

No fundo, o que todo este imbróglio vem demonstrar é o enorme poder adquirido pelos empresários num mercado completamente desregulado e perante, por um lado, o "dinheiro novo" abundante que circula no futebol, ávido de promoção mas com enorme "déficit" de conhecimentos técnicos sobre o jogo e sobre esse mesmo mercado, e, por outro, a existência de muitos clubes em situação financeira frágil, como o são o SLB e o FCP, que para se manterem numa certa "alta roda" enveredaram por um "modelo de negócio" que acaba por ser bem sucedido, no curto-prazo, mas os deixa demasiado dependentes das "compras e vendas" e, portanto, completamente expostos aos "agentes FIFA" e a este tipo de negócios. Regulamentação, precisa-se.

terça-feira, julho 31, 2012

O futebol e o negócio das transferências

Confesso que já desisti de tentar perceber alguma lógica de gestão, financeira e de recursos humanos, em muitas das transferências e contratações dos clubes de futebol, em Portugal principalmente nos chamados três grandes. Penso essa lógica, se alguma vez ela foi preponderante, tem vindo a ser substituída, nos últimos anos, por um outro tipo de racional mais ligado ao pagamento e troca de favores, aos interesses imediatos dos chamados agentes FIFA que actuarão como autênticos financiadores e donos "de facto" de muitos clubes, ainda mais numa conjuntura de crise do crédito bancário. É que só isto permite encontrar explicações que façam sentido para muitos dos negócios que se vão concluindo, e basta ter visto o documentário (melhor diria, o vídeo promocional) sobre Jorge Mendes e a Gestifute para o perceber perfeitamente. Disciplinar e regulamentar o mercado de transferências deveria ser um dos objectivos prioritários de FIFA e UEFA no sentido de credibilizar a indústria. E não basta o "Fair Play Financeiro". 

terça-feira, agosto 02, 2011

O negócio Roberto Jimenez e a sua "engenharia financeira": uma hipótese

Nada como dormir sobre um assunto para, no dia seguinte, o podermos analisar com maior nitidez. Vamos então imaginar um negócio assim:
  1. O passe do guarda-redes Roberto Jimenez foi comprado ao Atlético de Madrid por um valor claramente acima do mercado e ainda englobado no negócio Simão Sabrosa, assim abatendo ao valor pago pelo Atlético pelo jogador do SLB. Tal "camuflagem" terá permitido ao SLB apresentar a aos seus accionistas, sócios e adeptos a venda de Simão como melhor negócio do que na realidade terá sido. Por alguma razão, também se falaram nos nomes de De Gea e Asenjo, ambos jogadores do Atlético. É possível que o empréstimo de Sálvio estivesse também envolvido no negócio.
  2. Se tudo tivesse corrido bem com Roberto o assunto estaria arrumado e, depois das interrogações iniciais sobre o valor pago, no fim do dia ninguém questionaria o negócio.
  3. Como não correu, JJ e LFV, pressionados, tiveram que "descobrir" uma solução que lhes permitisse salvar a face, e ela chegou pelas mãos (ou melhor, através do bolso) de Jorge Mendes. Como? Vejamos...
  4. Um "grupo de investidores", com Jorge Mendes largamente maioritário mas onde o Atlético pode, eventualmente, estar também integrado, em posição secundária, compra a grande maioria do passe de Roberto Jimenez e coloca-o no Real Zaragoza, clube onde, atendendo ao passado, mais facilmente poderá valorizar-se. O restante, numa percentagem claramente inferior, saldará ou irá abater á dívida do SLB ao Real Zaragoza por via da contratação de Pablo Aimar.
  5. Se, a prazo, Roberto se valorizar o suficiente para o tal grupo de investidores recuperar, no mínimo, o investimento efectuado, o assunto ficará provavelmente encerrado, e o SLB apenas terá de pagar a Jorge Mendes e parceiros os juros devidos por este seu empréstimo (no fundo, trata-se de um empréstimo de dinheiro ao SLB caucionado pelo passe do guarda-redes). Caso tal não aconteça, o SLB ressarcirá Jorge Mendes do valor recebido integrando tal pagamento numa transferência futura, quer pagando pelo passe de um ou mais jogadores um valor superior ao do mercado, quer através do pagamento de comissões mais elevadas dos que as habitualmente praticadas.
Digamos que "se non è vero è bene trovato", ou não será assim?

sexta-feira, agosto 13, 2010

Um estranho "Bebé"...

Em poucas palavras... Há cerca de ½ dúzia de semanas, o V. de Guimarães comprou ao Estrela da Amadora, por 50 000 euros (ao que parece), o passe de um desconhecido jogador de futebol, de 20 anos, que ninguém conhecia e não tinha qualquer percurso nas selecções jovens. Neste seu novo contrato com o clube minhoto, ficou estabelecida uma cláusula de rescisão de 9 milhões de euros, valor que escassas semanas mais tarde o Manchester United, ao que parece por indicação positiva de Carlos Queiroz sobre a qualidade do jogador, pagaria pelo seu passe num negócio liderado pelo empresário Jorge Mendes. Acresce que Tiago Correia (“Bebé” – é dele que estou a falar) terá feito sete jogos pelo o V. de Guimarães durante a presente pré-época, e a tal coisa se resume a sua experiência no futebol profissional.

Bom, abomino teorias da conspiração, fujo mesmo delas a “sete pés” e nem mesmo sei, no caso presente, em que moldes elas poderiam ser equacionadas. Mas perante tão evidente conto de fadas e conhecendo um pouco o futebol, em vez de chorar e fazer chorar todas as pedrinhas da calçada permitam-me, pelo menos, me interrogue sobre se, nesta história, tudo bate mesmo muito certo... Baterá?

domingo, julho 13, 2008

Cristiano Ronaldo o "melhor do mundo"?

Até há uma semanas, cinco ou seis, se fosse um dos votantes para o “melhor jogador do ano” não hesitaria em votar em Cristiano Ronaldo, mesmo apesar do Europeu relativamente sobre o fraco que realizou. Hoje, em idênticas circunstâncias por certo o não faria, depois da interminável novela que ele, o seu empresário e o Real Madrid têm vindo a protagonizar. Sim, eu sei que o dinheiro vale muito e Cristiano pensa que se protagonizasse a mais cara transferência de sempre isso seria um marco na sua carreira e no caminho para ser considerado “o melhor do mundo”. Que Madrid não é Manchester. Que uns milhões de euros e o protagonismo assumido dariam muito jeito à “vidinha” de Jorge Mendes, que está a prestar um mau serviço ao seu cliente Cristiano. Que, que e também mais que... Mas também sei que para eleger o “melhor do mundo” não chega o comportamento em campo; estamos a estabelecer um padrão, a dar um exemplo e para isso torna-se absolutamente necessário entrar também em consideração com valores éticos, comportamentais e sociais, principalmente os assumidos no exercício da sua profissão e com ela relacionados, e aí Cristiano tem vindo a perder em toda a linha. Por isso, não merece mais a eleição e acho (espero) os votantes tenham também isso em conta.