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domingo, maio 25, 2014

Sobre a "final" de ontem

  1. O que mudou no Real Madrid do ano passado para este ano? Bom, Carlo Ancelotti mexeu no coração da equipa, no seu meio-campo, fazendo recuar Modric e Di Maria para Bale poder entrar na equipa. Com isto, não só abdicou do "duplo pivot" (Xavi Alonso/Khedira com José Mourinho), sem grande perda de segurança defensiva, como transformou Modric - um jogador que se realiza "com bola" - de um "10" infeliz e pouco influente naquele modelo de transições supersónicas (quase um corpo estranho) numa espécie de João Moutinho "em bom", um "8" que ataca e defende marcando assim o ritmo da equipa. Também Di Maria ganhou mais espaço com esse seu recuo e ontem, com o Atlético a fechar os espaços no último terço do campo, defendendo o 1-0, viu-se como foram os movimentos de Di Maria desde trás que acabaram por levar o Real Madrid à vitória. Uma grande "chapelada", pois, para inteligência táctica de Carlo Ancelotti.
  2. A outra grande chapelada vai para a UEFA e para o modelo de profissionalismo que transformou as finais da Champions League em espectáculos de extraordinário impacto mediático e mundial. Em função disso, sugiro que os jornalistas e comentadores portugueses comecem a pensar duas vezes antes de se decidirem pela maledicência habitual com que gostam de presentear as duas organizações (UEFA e FIFA) que presidem ao futebol europeu e mundial.  

quarta-feira, abril 30, 2014

O "tiki taka" e a sua "zona de conforto"

O chamado "tiki taka" parece exercer uma tal sedução, um tal fascínio, que mesmo gente inteligente e conhecedora de futebol (são poucos aqui no "rectângulo", mas existem) parece deixar-se hipnotizar por ele, perdendo capacidade de raciocínio e rigor nas suas análises. Ontem, Carlos Daniel, talvez o comentador mais inteligente e dos poucos que perco (ou ganho) tempo a ouvir, dizia que o problema do Bayern perante o Real Madrid não foi a adopção o "tiki taka" como seu modelo de jogo, mas sim o ter ficado a meio-caminho em virtude das críticas de que Pep Guardiola tem sido alvo. Estou mais ou menos de acordo quanto ao meio-caminho (digamos que ficou a 2/3), mas Carlos Daniel devia interrogar-se um pouco mais e pensar se isso se deve às tais críticas ou ao facto de o "tiki taka", na sua plenitude, ter dificuldade em impor-se fora da sua "zona de conforto", isto é, fora de um Barça onde Xavi, Iniesta e Messi não só sempre jogaram desse modo como parecem ter já nascido a jogar assim.

Internamente, a coisa até funciona e chegará talvez para vencer sem grandes dificuldades algumas equipas medianas da Champions League. Mas quando o Bayern está na presença de outros "colossos" o caso muda de figura. Querer que jogadores como Robben, Ribéry, Schweinsteiger ou Mandzukic (para só citar alguns) joguem num modelo em que nunca jogaram e para o qual parecem não ter sido talhados, dá no que deu: "numa coisa em forma de assim", ou seja, numa grande área contrária que parecia ser terreno minado, onde era perigoso entrar, e numa equipa defensivamente desequilibrada, sem capacidade para fazer aquilo que era um dos grandes trunfos do Barça de Pep: jogando num bloco subido e com os jogadores e linhas muitos juntos, ganhar bolas no meio-campo adversário, desequilibrando-o defensivamente e impedindo-o de sair a jogar. Sem isso, foi o que se viu e apesar de ter sido inofensivo a atacar foi mais no descalabro defensivo que o Bayern perdeu o jogo.

quarta-feira, maio 01, 2013

A eliminação do Real Madrid

  1. Claro que o que vou dizer é totalmente especulativo, mas fiquei ontem com a sensação de que seria mais fácil para uma muito boa equipa que jogasse no contraste, que fizesse da "posse" e circulação de bola o seu modelo de jogo, eliminar o Borussia, em vez de um Real Madrid que faz das transições rápidas, das cavalgadas pelos flancos, de um futebol muito físico e dos passes longos e tensos o modelo em que assenta o seu jogo. Acho até que Mourinho percebeu isso e fez alinhar Modric, que é essencialmente um jogador que gosta de ter bola e de a fazer circular. Mas, claro, esse não é o modelo dos "merengues" e, assim sendo, Modric, mesmo possibilitando à equipa algumas nuances no modo como joga, parece ser quase sempre uma peça que encaixa mal naquele mecanismo. Pode alguém ser quem não é?
  2. Durante a estada de José Mourinho no Santiago Bernabéu os jogos do Real Madrid passaram a ser, para os portugueses, uma espécie de Portugal - Espanha dos tempos do "hóquei patriótico". Só que, oh ironia das ironias, o Madrid passou a ocupar o lugar que antes pertencia a Portugal e os seus adversários o de Espanha. Não deixa de ser curioso.
  3. Já o disse neste "blog": José Mourinho, com o seu estilo de gestão desafiante e pelo conflito, de ruptura, parece-me ser um treinador mais adequado a um "challenger" (como o Chelsea, por exemplo, ou até como o Internazionale, o PSG ou até mesmo o FCP da linha ideológica Pedroto/Pinto da Costa) do que para "aristocratas" do futebol como o são o Real Madrid, o Manchester United, o A. C. Milan ou o Bayern. Em qualquer destes clubes será sempre alguém incomodado com regras que não são as suas.  

terça-feira, janeiro 29, 2013

Sara e os comentadores "embedded"

Sara Carbonero é jornalista. Para além disso é namorada de Iker Casillas. Não obstante tal situação dever obrigá-la a um certo recato em tudo o que diz respeito ao Real Madrid, Sara não se coíbe de comentar em público e na sua condição de jornalista assuntos internos do clube cujo conhecimento será apenas acessível a jogadores, técnicos, dirigentes e alguns funcionários da agremiação do Paseo de La Castellana. Parece que esta promiscuidade de jornalistas e comentadores "embedded" está a deixar de constituir-se como exclusividade lusitana.

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Mourinho e o Real Madrid

Os tão na moda problemas de José Mourinho no Real Madrid têm uma origem bem mais profunda e radical (de raiz) do que aquela a que a comunicação social parece querer reduzi-la. Assim sendo, a alegada "conspiração" dos capitães, as discussões no balneário, as hipotéticas "campanhas" de contestação da  "Marca", os desencontros com Valdado, o azar" de ter como contemporânea esta equipa do Barça e assim sucessivamente, que fazem as manchetes dos jornais desportivos e as delícias das discussões ente adeptos, não são mais do que efeitos de uma realidade um pouco mais escondida . No fundo, eles - esses problemas - limitam-se a reflectir e a resultarem de um estilo do gestão pelo confronto, de ruptura, em certa medida mesmo belicoso, contestatário, que, fazendo parte do "way of doing the things" de José Mourinho e sem que tal constitua qualquer espécie de crítica, se manifesta bem mais adequado e comprovadamente bem sucedido quando falamos de "challengers" como o Chelsea ou o Inter, de clubes como o Futebol Clube do Porto que alicerçaram nesse comportamento o seu sucesso e o integraram na sua cultura, do que a instituições "aristocráticas" e habitualmente dominadoras, como o são o Real Madrid (principalmente), o AC Milan ou o Manchester United, por exemplo. Digamos que o estilo de gestão de José Mourinho e a cultura de um clube como o Real Madrid são incompatíveis, não "encaixam" e dificilmente tal alguma vez poderia ter acontecido. Daí o desconforto de ambos e o não reconhecimento mútuo quando se olham nos olhos. Mourinho pode vir até a ganhar o Champions League, novamente a Taça do Rei, a acabar a Liga muito mais perto do FC Barcelona (ganhá-la é impossível), mas continuará sempre a ser um corpo estranho num clube que, mais do que qualquer outro, é o símbolo da tradição aristocrática no futebol. Ambos - Mourinho e o Madrid - continuarão a ser "grandes", mas confortavelmente longe um do outro.

quinta-feira, maio 03, 2012

"Alirón, alirón, el Madrid es campeón!"

Não, após mais um seu enorme sucesso, e ao contrário da sugestão que me enviou o Tiago Miranda, não vou escrever sobre o "senhor que representa a antítese do "português": inteligente, trabalhador, regular, com um espírito ganhador, ambicioso, respeitado por todos quantos trabalharam com ele, temido pelos adversários e nada simpático, saindo sempre em sucessivas conquistas fora da sua zona de conforto, como agora todos gostam de dizer..." (as palavras são do Tiago). Já o fiz muitas vezes e o Tiago Miranda resume em muitos poucas palavras o que eu seria levado a dizer sobre Mourinho em algumas mais, como, por exemplo, "arrogante e metódico o suficiente para conseguir alcançar o sucesso". Por isso acrescento apenas isto: "alirón, alirón, el Madrid es campeón".

quinta-feira, abril 26, 2012

O "Gato Maltês" esteve ontem em Santiago Bernabéu...



... a acompanhar o Real Madrid-Bayern. Dificuldades técnicas impediram ontem a publicação desta pequena reportagem fotográfica. Aqui fica agora.

quarta-feira, abril 25, 2012

Real Madrid - Bayern

Este Real Madrid-Bayern teve qualquer coisa de SLB-FCP. Tal como o SLB, o Madrid, embora  jogue com dois "pivots" defensivos, perfilha as transições rápidas pelas alas, o jogo muito estendido no campo, as jogadas individuais, a intensidade de jogo e a insistência no "um para um". Muitas vezes também o passe longo. Por sua vez o Bayern, tal como o FCP, prefere os sectores e jogadores mais juntos, pressiona em todo o campo - o que lhe permite ganhar bolas em terrenos subidos - e privilegia as transições em "posse", com Robben, embora num outro estilo bem diferente, a fazer os desequilíbrios que competem a Hulk. Por isso pouco me admirou que o Madrid experimentasse semelhantes às que o SLB costuma experimentar contra o FCP, sem ou com poucas linhas de passe, falhando por isso muitos, e perdendo muitas bolas na sua própria linha média.

O Real Madrid cansado? Talvez sim, mas cansaço esse também potenciado por se sentir pouco confortável no jogo que o Bayern lhe impôs e ao qual os modelos perfilhados por "merengues" e "águias" sentem particular alergia. 

terça-feira, março 27, 2012

O SLB e a (não)rotação de jogadores

Está agora por aí muito na moda dizer que as dificuldades sentidas pelo SLB nesta altura da época (e das duas anteriores) se devem à ausência de rotação de jogadores (não) efectuada por Jorge Jesus. Devo dizer que, se Jesus tem algumas responsabilidades na queda de produção da equipa quando a época já vai alta, estou em desacordo tal se deva à não rotação de jogadores, quando o poderia fazer. Em primeiro lugar porque existem deficiências na formação do plantel que não permitem essa rotação se faça sem perdas importantes de eficácia (desnecessário citar quais). Mas, mais importante ainda, se verificarmos o que se passa, por exemplo, no Real Madrid, uma das duas melhores equipas europeias e dirigida por um treinador com qualidade acima de qualquer suspeita, e com um plantel com muitas soluções, verificaremos que, em condições normais, isto é, sem lesões ou castigos (verdade que têm tido ambos de sobra...), a rotação é apenas um pouco maior do que no SLB. Na defesa, Arbeloa, Pepe e Sérgio Ramos, em princípio e salvo as tais lesões e castigos, jogam sempre. Varia o defesa-esquerdo, entre Coentrão e Marcelo. Como "pivots defensivos, Xavi Alonso tem lugar cativo, rodando depois Khedira e Lass. Mais para a frente, sendo Cristiano inamovível, haverá alguma rotação entre Higuín e Benzema, Kaká e Özil, havendo por vezes lugar para Callejón e, muito mais raramente, Granero. E está feito, com excepção dos poucos jogos contra equipas menores na Taça do Rei.

Quanto a mim, o que acontece no SLB é bem outra coisa: adoptando um modelo de jogo que privilegia a rapidez, as transições supersónicas, a jogada individual "a romper", a necessidade frequente de recorrer ao jogo directo e que tem sempre a baliza contrária nos olhos, a equipa sofre um desgaste bem maior do que as que fazem da posse e circulação de bola, do jogo de "tabelas" e desmarcações, o seu modelo fundamental, sabendo gerir o jogo e "descansar com bola". Mais ainda: sofrendo a equipa muitos golos com este modelo de jogo, mesmo nos jogos em casa, raramente consegue ter o jogo controlado, permitindo-se então fazer baixar o ritmo de jogo e ao seu treinador efectuar algumas substituições em jogadores-chave sem risco de uma reviravolta deitar tudo a perder. Este parece-me ser, de facto, o problema estrutural da equipa que está na origem do abaixamento de forma nos finais de época. Acresce o "pequeno" pormenor que, não sendo a equipa o Real Madrid (por exemplo), tem de jogar sempre os jogos da Champions League no limite, o que, convenhamos, também em nada contribui para um menor desgaste. Talvez não fosse má ideia a direcção e equipa técnica do meu clube pensassem um pouco sobre este assunto. 

quinta-feira, março 15, 2012

O Chelsea, Villas-Boas e uma entrevista de Juan Mata


Esta entrevista não teve a atenção que merecia e, no entanto, foi Juan Mata (é ele que fala), insuspeito pois chegou ao Chelsea pela mão de Villas-Boas, quem melhor pôs o dedo na ferida da gestão do ex-treinador do FCP: é, no mínimo, imprudente, para não dizer ingénuo ou estúpido, chegar a um clube e querer, de uma penada, mudar a sua cultura e o seu conceito de futebol, circunstância agravada por nem sequer ter querido, ou tido oportunidade de, fazer mais do que pequenos ajustes no plantel. Mas o assunto sugere-me ainda mais alguns comentários:

  1. O modelo de jogo perfilhado por Villas-Boas, privilegiando a posse e circulação de bola e a pressão muito alta, um pouco à semelhança de como o FCP de Vítor Pereira jogou em Manchester e na Luz, era de todos conhecido. Deveria também sê-lo da direcção do Chelsea e de Abramovich. Ao não ter em conta tal incompatibilidade com aquele modelo de "futebol de estivador" (e digo-o sem qualquer intuito pejorativo), de grandes correrias e muito jogo directo, perfilhado pelo Chelsea dos últimos anos, Abramovich cometeu mais um erro, dos muitos que carrega sobre os ombros.
  2. O recado serve bem para muitos outros clubes: nos tempos actuais, quando se contrata um treinador contrata-se também uma ideia e um modelo de jogo e, em muitos casos, também um modelo de gestão do futebol. Por exemplo, Mourinho não descansou enquanto não conseguiu gerir todo o futebol de Real Madrid de acordo com as suas ideias e concepções. Mas Mourinho tem outro "peso" (e mesmo assim as coisas não foram fáceis), não mudou radicalmente o modelo de jogo da equipa (fez apenas alguns acertos e equilibrou a equipa defensivamente) e teve carta branca para alterações profundas no plantel. E, mesmo assim, só tarde percebeu que uma equipa com os pergaminhos do Madrid não pode jogar contra o Barça com as mesmas armas que deram a vitória ao Inter, sem que tal não revoltasse a "afición".
  3. Claro que me estou a lembrar também do meu SLB. Um dia que Jorge Jesus saia, quaisquer que sejam as razões, há que garantir que se contrata uma equipa técnica que, em termos gerais, não afronte a cultura do clube nem altere radicalmente o modelo-base de jogo que se tem vindo a cimentar e ganhou raízes nos últimos anos (e não só). Alguém que entenda também o respectivo modelo de negócio. Bom exemplo do que digo foi a contratação de Eriksson no início dos anos 80 do século passado, embora essa contratação tivesse sido quase fruto do acaso. Só conseguiu mudar o que estava caduco porque entendeu a cultura e o modelo de futebol do clube, que vinha da grande equipa nos anos 60, e perfilhava princípios idênticos. 
  4. Os jogadores mais antigos do Chelsea revoltaram-se contra Villas-Boas por serem "sacanas", "filhos da puta" ou "mal formados"? Provavelmente não, mas apenas porque se sentiam desconfortáveis num modelo de jogo pouco talhado à sua medida e às suas características. Ontem, por exemplo - e isto apesar de eu achar que o plantel está envelhecido e é de qualidade inferir aos de City, United e Spurs - a equipa voltou ao tal "futebol de estiva" e marcou três golos de jogo directo ou de bola "parada" (o próprio "penalty" nasce de uma jogada pelo ar), futebol que é, de facto, o seu. E foi ver a festa que fizeram...

sábado, dezembro 10, 2011

O drama de Mourinho

O drama de José Mourinho, nos jogos contra o Barça, é que no Real Madrid não pode aplicar a táctica que adoptou com sucesso no Inter e lhe valeu a eliminação dos catalães: "bloco" muito baixo (o chamado "autocarro") e passe longo para o ponta de lança ou, em alternativa, transição muito rápida mas apenas "pela certa". Digamos que o "pedigree" e a cultura de clube do Madrid o não permitem.

Recorde-se que foi também esta a táctica que Guus Hiddink utilizou enquanto treinador do Chelsea, sendo apenas espoliado do apuramento pela arbitragem mais vergonhosa a que me foi dado assistir (e ví Guímaros e Josés Pratas...). Deve ser uma situação terrível para ele (Mourinho), mas constatou-se hoje, mais uma vez, que nem este super-Real Madrid consegue vencer o futebol "valium" do Barça tentando jogar no campo todo.

quinta-feira, julho 07, 2011

Foi a venda de Coentrão um bom negócio?

Pode dizer-se que a venda de Fábio Coentrão foi um bom negócio? Bom, tratando-se de um lateral (pronto, um pouco mais do que apenas um lateral...) os 30 M parecem indiciar tal coisa, mas devo dizer que sem se conhecerem as restantes condições do negócio ninguém poderá afirmá-lo - ou ao seu contrário - com rigor. E quais poderão ser essas condições, por exemplo? Sem querer ser exaustivo, lanço aqui algumas pistas:
  • Quais as condições de pagamento do RM ao SLB?
  • Existem jogadores do RM incluídos no negócio e a abater a essa verba?
  • Se sim, como serão valorizados? Ao seu preço de mercado ou acima desse valor, como terá acontecido com Rodrigo, um género de "contrapeso" ao valor pago pelo RM por Di Maria? E quais as condições de compra (totalidade, percentagem - neste caso quem detém o restante e em que condições -, cláusulas opcionais, etc) e de pagamento do seu passe?
  • Esses jogadores, eventualmente incluídos no negócio, são aqueles de que o plantel do SLB precisa para preencher lacunas urgentes? Qual o seu salário, grau de risco desses activos e perspectivas de valorização? Que outras opções existiriam para esse(s) lugar(es)?
Bom... fico a aguardar as cenas dos próximos capítulos para me pronunciar, mas já agora aproveito para perguntar: a compra do passe de Roberto por 8.5M terá ainda algo que ver com a venda de Simão? Com o empréstimo de Sálvio? Ou foi só e apenas péssima gestão?

quinta-feira, abril 28, 2011

Real Madrid - Barça: gosto é de futebol; para ver habilidades vou ao circo

Alguém convenceu a UEFA - vá lá saber-se porquê - de que aquele jogo da "rabia", do tipo praticado pelos Harlem Globetrotters e em que a equipa opositora, despromovida a "sparring partner", apenas lá está para abrilhantar o espectáculo, seria o ideal para promover o futebol no mundo. Por isso, quando o "sparring partner" se chateia e não parece estar lá muito na disposição de cumprir o seu papel, tal como acontece nos jogos-exibição dos basquetebolistas do bairro a norte da rua 125 arranja-se um árbitro que dê um jeito e faça cumprir o guião ao qual deveria ter obedecido o espectáculo. Foi assim contra o Chelsea de Guus Hiddink ( o maior escândalo a que assisti, ultrapassando mesmo os Guímaro de má memória!), e como na época passada qualquer coisa terá falhado, este ano preparou-se melhor a cena. Vítimas? Um tal Arsenal de Islington & Highbury, um cidadão holandês de nome Robbie Van Persie e, como se suficiente não fora, um clube do Paseo de La Castellana e os cidadãos portugueses José Mário Félix Mourinho e Képler Lima Ferreira.

O problema é que, tal como no caso dos Harlem Globetrotters, a coisa vive da novidade e depois começa a cansar: um dia destes já quase ninguém terá "pachorra" para o espectáculo, entediante de previsível, chato de monótono. Por mim, do que gosto é de futebol, "bola" mesmo, "à séria"; não gosto de animais amestrados e se quiser ver habilidades ou palhaçadas (com o maior respeito para com os "ditos", os verdadeiros) vou ao circo! 

domingo, abril 17, 2011

"Vox populi"

Comentário de um leitor do "Record" na caixa de comentários do jornal:

"Não sei como é que há gente que gosta deste tipo de futebol. Se há equipa que não gosto de ver jogos é o Barcelona, é a maior seca que já vi, passinho po lado, passinho pa trás, para isso filmava uma rabia no meu quintal."

Ora nem mais! Nunca estive tanto de acordo com a tal vox populi. A mim, o "tiki taka" dá-me um sono "do caraças", acho uma chatice e se jogasse na equipa contrária "arriava logo uma sarrafada" no primeiro gajo do Barça que me "rabiasse". E para os mais esquecidos - e costumam ser muitos - convém lembrar que o Barça só ganhou a CL por via da arbitragem mais escandalosa, na 1/2 final contra o Chelsea, que me lembro de ver num campo de futebol (faria o Guímaro e o Pratas corar de vergonha), e já esta época teve mãozinha amiga num dos jogos com o Arsenal. Fiquem pois com uma bola só para eles e joguem lá no quintal! Hala Madrid! 

terça-feira, novembro 30, 2010

Futebol: competitividade e receitas televisivas

Ao aceitarem reduzir as suas percentagens nas receitas de TV de 22.5% para 17%, em favor dos clubes mais pequenos, Real Madrid e Barcelona perceberam aquilo que os grandes clubes portugueses e a UEFA demoram a entender: que o bom desempenho financeiro dos clubes exige que se cuide em primeiro lugar da indústria, neste caso do aumento de competitividade resultante de se concederem mais recursos aos clubes mais pequenos. De qualquer modo, uma vez que as receitas de TV correspondem a cerca de 1/3 das receitas totais de Madrid e Barça (um pouco mais no caso do clube catalão), estamos perante fraca mezinha, face à desproporção existente, que muito pouco ou nada contribuirá para que La Liga deixe de ser um género de Campeonato do Mundo de hóquei em patins em que Madrid e Barça vão goleando acabando por decidir o título nos jogos entre ambos.

A Liga Europeia, com Real Madrid, Barça, SLB, FCP, Man. United, Liverpool, O.L. Bayern, A. C. Milan, etc, etc, ou, numa primeira fase, a fusão de várias ligas europeias é, a prazo, condição para a sobrevivência da indústria e, portanto, apenas uma questão de tempo.

segunda-feira, novembro 29, 2010

José Mourinho: mesmo os grandes personagens têm os seus momentos de fraqueza

O Chelsea de Guus Hiddink e o Inter de José Mourinho demonstraram qual a única maneira possível de ganhar ao Barça: bloco muito baixo, linhas muito juntas e bolas longas para as costas da defesa contrária. O Inter foi campeão europeu; escuso-me de lembrar o que aconteceu ao Chelsea em Stamford Bridge numa das arbitragens mais vergonhosas a que me foi dado assistir.

Hoje, quer-me parecer que o orgulho e a noção de grandeza de Mourinho o terão levado a tentar provar que era capaz de parar o Barça jogando "de igual para igual", algo que a sua experiência e inteligência deveriam ter evitado. Digamos que o lado emocional de Mourinho se sobrepôs a ao seu lado mais racional. O resultado foi o desastre, o que significa que até mesmo os grandes personagens , aqueles "bigger than life", não são imunes a fraquezas que por vezes lhes são fatais.

quinta-feira, março 11, 2010

Real Madrid: uma questão de cérebro ou da ausência dele

Vi o Real Madrid este ano, com atenção, uma meia dúzia de vezes. Da maioria delas me ficou a sensação de que a equipa se desequilibrava com demasiada facilidade, o que criava problemas nas suas transições defensivas. Não por deficiente constituição da equipa, má escolha dos elementos que a integram – Lassa Diarra e Xavi Alonso asseguram bem o equilíbrio a meio-campo e Sérgio Ramos e Arbeloa são laterais defensivamente competentes -; mas por que me parecia que toda a equipa tinha demasiada tendência para acompanhar as cavalgadas e movimentos ofensivos desequilibradores de Cristiano e Káká, numa sofreguidão que tendia a desposicioná-la colectivamente.

Ontem, o problema pareceu ter sido um pouco diferente. Na primeira parte a equipa foi igualmente sôfrega, mais coração e músculo do que cérebro. Mas, pressionando alto e mantendo um ritmo de jogo muito elevado, conseguiu manter-se equilibrada a, assim, o OL viu-se incapaz de sair a jogar e, na contingência, ter de se limitar às bolas longas para um pobre Lisandro meio perdido. O problema é que isso valeu-lhe apenas um golo e o fôlego parece ter-se esgotado por aí. Assim sendo, quando, por via desse esgotamento, o Madrid se viu obrigado a baixar o ritmo e intensidade do seu jogo e o assunto passou do coração e do músculo para o cérebro, surgiu um OL, que nunca abdicou da inteligência durante todo o jogo, maduro, colectivo, a saber muito bem o que haveria de fazer em todas as situações do jogo. E, depois, não marcar golos fora é sempre complicado quando do jogo em casa. Para o ano há mais...

quinta-feira, outubro 22, 2009

Uma pequena nota sobre o Real Madrid-A. C. Milan escrita aqui a lado do Santiago Bernabéu e num teclado sem "til"

Se eu disser que a equipa do Real Madrid defende mal, imediatamente se cria na nossa imaginaçao a ideia da equipa de galáticos, de jogadores tenicamente dotados mas individualistas, avessos ao trabalho defensivo. No entanto, nao é esse o caso desta equipa do Madrid, que sabe pressionar à frente e tem quem faça o chamado trabalho de conquista da bola a meio-campo. Entao porque sofre o Madrid tantos golos, como ainda ontem sofreu quatro dos quais só valeram três vá lá saber-se porquê?

Bom, o problema da equipa sao as suas transiçoes defensivas, efectuadas com demasiada lentidao e com os jogadores a parecerem como que confundidos quanto às posiçoes que devem ocupar no campo quando a equipa perde a bola. É pois uma questao da mecânica colectiva da equipa nas suas acçoes defensivas, nesse momento do jogo, e nao se deve a quaisquer desiquilíbrios na sua composiçao ou a alguma falta de vocaçao ou qualidade defensiva dos seus elementos.

Ontem, por exemplo, isso ficou bem patente nos dois golos de Alexandre Pato, se bem que, em um deles, o frango de Casillas também tenha dado uma ajuda. Mas o facto é que Pato aparece já naquela posiçao privilegiada em virtude de um erro defensivo colectivo da equipa na sua transiçao, colocando o seu guarda-redes em dificuldade extrema.

Por muito que doa aos portugueses, nao foi, portanto, Cristiano que fez falta, mas treino específico nesta vertente – as transiçoes defensivas - do jogo.

quarta-feira, julho 08, 2009

Ainda a "saga" CR e o estranho caso das camisolas esgotadas

Já li em pelo menos dois jornais, o “Mais Futebol” ("on-line") e o”i” (em papel), a notícia de que as camisolas de Cristiano Ronaldo se teriam esgotado, sinal de uma procura que teria excedido todas as expectativas. Pode até ter acontecido, mas, sejamos claros: colocar propositadamente no ponto de venda uma quantidade de produto ligeiramente inferior (apenas ligeiramente) àquela que se espera vender, quando se sabe estar perante algo que irá ter grande procura e em relação ao qual existe enorme expectativa no mercado, é uma “velha e relha” técnica de “marketing” que permite potenciar essa expectativa já existente e “construir” para os “media” uma notícia, um “facto político”, que irá, ainda mais, aumentar a apetência e as subsequentes vendas do produto.

Claro que essa "sub-stockagem" nunca poderá ser demasiado elevada, pois isso acabaria por poder criar algum mal-estar no mercado face ao produto e ao vendedor e, desse modo, originar perda de vendas desse mesmo produto e até de outros da mesma origem, por desistência. Exactamente pelo mesmo motivo, também essa ruptura de stocks no ponto de venda nunca poderá ultrapassar umas horas, muitas vezes “esgotando” o produto uma ou meia hora antes do encerramento da loja e estando de novo disponível no dia seguinte, quando da sua abertura. Mas, mais uma vez, o que tudo isto prova é que, face a um investimento tão elevado, o Real Madrid não irá deixar nada ao acaso (alguém, para além dos jornalistas e comentadores do costume, assim pensou?), actuando com enorme rigor e profissionalismo para maximizar o seu retorno.

Prova também, como se isso fosse preciso, o grau de sofisticação que a indústria “futebol” já alcançou nos seus mercados de vanguarda - Inglaterra e Espanha - e sua internacionalização em que agora o Portugal ibérico (atenção clubes portugueses!) é agora um mercado cada vez mais relevante. E, por fim, mostra também a “intimidade” cada vez mais necessária entre clubes e “media” para que ambos, em conjunto, contribuam e lucrem com o êxito do negócio.