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domingo, maio 03, 2015

2 notas 2 sobre o GVFC - SLB de ontem

  1. Sulejmani pode não ser tão desequilibrador como o é, ou tenta ser, por vezes Ola John. Pode não ter a capacidade finalizadora que vimos em Talisca na fase inicial do campeonato. Mas, em contrapartida, sabe "jogar à bola", percebe o que é o colectivo e os movimentos de uma equipa de futebol. Digamos que, em melhor ou pior forma, sabe normalmente o que anda a fazer em campo. Ora isso, excepto para os génios, é quase sempre fundamental numa equipa que se quer de topo. Ontem, foi-o mais uma vez.
  2. Viram aquele segundo golo do SLB? O de Jonas? Aquilo chama-se técnica de remate e prova que técnica, no futebol, não é só a capacidade de "drible" e de conseguir fintar cinco adversários numa "cabine telefónica". Fora outro, que não Jonas, e a bola teria ido "para o pinhal", ou tinha saído uma "charutada" para a bancada. Para mim, pelo gesto técnico irrepreensível e de dificílima execução, foi o momento do jogo.

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

O chamado "derby" visto da bancada B Central, sector 31, fila 17, lugar 30.

Foi a estratégia de Jorge Jesus - muito defensiva, com um "duplo pivot" lado a lado e focando sobretudo defender o zero-zero -  a mais correcta para defrontar o SCP no jogo de ontem? Sem Júlio César e Gaitán, sem a equipa ter conseguido ainda absorver a ausência de Enzo Perez, com seis pontos de avanço sobre o FCP e sete sobre o seu adversário de ontem e com este no seu melhor momento de forma desta época e sempre com dificuldade quando defronta em sua casa equipas muito defensivas, parece-me que sim. E não fora aquele "excelente" passe de Samaris a "desmarcar" João Mário tudo teria corrido pelo melhor dos mundos.

Claro que deste modo, ao optar por jogar com dois "pontas de lança" em vez de mais um médio, para assim pressionar aquele quer era teoricamente o ponto mais vulnerável do SCP (os centrais), faltou a segunda parte do plano, pois com Salvio e Ola John "desaparecidos sem combate" (Jesus tem de rever todo o seu flanco esquerdo) não existiu quem "levasse o jogo para a frente", o que permitiu ao SCP adiantar as suas linhas na segunda-parte e levar o jogo mais vezes e com maior perigo para junto da área do SLB. Mas também faltou sempre ao nosso rival e adversário de ontem melhor definição no último passe, sua pecha habitual e que lhe tem valido alguns empates caseiros.

Duas notas finais, à margem:
  1. Continuo a achar que existe um erro de concepção nos acessos (entradas e saídas) do Estádio José Alvalade (é José Alvalade e não José de Alvalade), o que facilita o respectivo engarrafamento pelos espectadores. Já me tinha apercebido disto nos jogos da selecção e ontem, apesar de ter chegado cerca de uma hora antes do jogo, confirmei. Uma melhor e mais claramente visível sinalética talvez facilitasse a resolução do problema.
  2. É no mínimo deselegante que o locutor de serviço nunca refira o nome do Sport Lisboa e Benfica, limitando-se a dizer "equipa visitante". Que raio, acham-se assim "muito machos"?

segunda-feira, dezembro 15, 2014

FCP - SLB: dois erros "não forçados", eis a diferença

Confesso que ontem, após o final do jogo do meu clube e apesar da infinita alegria que o resultado me causou e quase me fez esquecer uma sempre inoportuna gripe (que continua), a minha primeira reacção foi "não jogámos nada e ganhámos com alguma sorte mas sem grandes aflições". Hoje, tendo dormido (mal, graças à febre) sobre o assunto e lido o que dizem os jornais, que fazem grandes elogios à "táctica" de Jorge Jesus, pouco mais acrescento ao que pensei ontem, excepto que vi uma equipa com as virtudes e defeitos habituais dos jogos "fora" da Champions League (haverá aí, pelo menos, alguma coerência), talvez defendendo num pouco melhor, e que, sem ter criado uma única oportunidade de golo, aproveitou da melhor maneira (essa a sua principal virtude) dois "erros não forçados" do adversário. Mas como alguém me dizia a seguir ao jogo, fartos estamos nós de chegar às Antas e perder jogando bem. Sem dúvida.

Nota: foi a equipa de Jorge Sousa a melhor em campo, o que também demonstra que "a tradição já não é o que era."

quarta-feira, julho 16, 2014

O mercado de transferências e as pitonisas da "bola"

Quem lê e ouve os jornalistas e comentadores desportivos facilmente conclui, a mês e meio do fecho do mercado, nem sequer valer a pena começar o campeonato: o FCP, endividando-se por todos os poros a Jorge Mendes para evitar o bi-campeonato do SLB, será campeão, o SCP, mantendo a estrutura da época passada, será 2º classificado e ao "Glorioso" nada mais restará senão um envergonhado 3º lugar. Enfim... Talvez esta gente seja a mesma que achava, depois do acontecido na final da Taça de 2012/13, a Jorge Jesus e Cardozo nada mais restava senão a porta de saída; Luisão, depois do encontrão ao árbitro alemão na pré-época anterior, teria de deixar, no mínimo, de ser o capitão da equipa; sem Javi Garcia e Witsel o SLB estaria condenado ao insucesso e, por fim, terá sido esta mesma gente que prognosticou o SCP de Godinho Lopes, com aquela enorme lista de nomes sonantes contratados, seria um forte candidato ao título - e assim sucessivamente. Felizmente para o meu clube e infelizmente para o nosso velho e respeitado rival de Alvalade, como sabem, nada disso se confirmou (o SCP realizou mesmo uma excelente época apenas quando mudou de estratégia), o que lança a reputação desta espécie de pitonisas de trazer por casa para as ruas da amargura.

Já agora, várias perguntas: quem conhecia Matic, que actuava nas reservas do Chelsea, antes da sua afirmação como grande jogador no SLB? E David Luiz? E Oblak, sujeito à "via sacra" dos empréstimos? E quantos prognosticaram, depois de uma clara inadaptação que o fez regressar à Argentina, o sucesso de Enzo Perez como nº "8", que o levou mesmo a disputar uma final do Mundial pela sua selecção? Lembram-se em que clube Fábio Coentrão passou de um extremo sem grande sucesso a defesa-esquerdo contratado pelo Real Madrid. E quanto tempo demorou Di Maria a tornar-se titular do SLB e, depois, a transferir-se para o Real Madrid e a tornar-se uma estrela do futebol mundial? E também ainda se lembram de um Rodrigo, primeiro, emprestado sem grande sucesso ao Bolton Wanderers e, depois, arrastando-se como suplente do SLB? Ah, e Fejsa, para quem anda esquecido, era suplente no Olympiakos, não é assim?

Enfim, querem que continue ou diga já à administração do meu clube que é bem melhor ir jogar a Liga da Patagónia?

domingo, agosto 18, 2013

O dilema de Jorge Jesus e a derrota de hoje

  1. Jorge Jesus chega à primeira jornada do campeonato sem decidir se a equipa deve privilegiar a circulação e posse de bola, modelo que nunca perfilhou nem tem tradição no clube, ou se mantém o foco nas transições rápidas e na tal vertigem atacante. No primeiro caso, jogadores como Sulejmani e Djuricic podem ter o seu espaço e a ausência de um ponta de lança posicional não será grande problema; mas, como disse, estamos perante um modelo que significa começar tudo de novo e foi visível na primeira parte contra o Marítimo a equipa veste mal esse fato. No segundo, alas desequilibradores e rompedores, como o são Salvio, Ola John e Gaitán, e um homem de área mais fixo e de "último toque" são essenciais. O problema é que começa a tornar-se evidente que as convicções de Jorge Jesus parecem ter-se tornado pouco sólidas e o treinador se terá deixado demasiado afectar pelos problemas e críticas do final da última época, parecendo não saber muito bem como resolver a equação. Num campeonato tão desequilibrado como o português, irá ter pouco ou nenhum tempo - e começou hoje a perder o que tinha.
  2. Outro problema desta derrota é a influência que ela irá ter nas compras e vendas até ao final do mês. O risco é estas virem a ser mais determinadas por questões de impulso, de tentar responder ao descontentamento que sócios e adeptos irão manifestar, e menos por necessidades estruturais da equipa e de equilíbrio financeiro do clube. Vão ser duas semanas e duas jornadas terríveis.
  3. Com derrotas ou vitórias, com ou sem responsabilidades nos bons ou maus resultados que a equipa venha a conseguir, espero Luís Filipe Vieira mantenha as suas convicções e Jorge Jesus cumpra os dois anos do seu contrato com o SLB.

terça-feira, abril 30, 2013

Os adeptos do Sporting e o CS Marítimo - SLB

Sendo o CS Marítimo adversário directo do SCP na luta por um lugar na Liga Europa, e por isso mesmo sendo conveniente para este último a vitória do SLB na Madeira, não encontrei um único adepto do SCP que não desejasse fosse o SLB a perder pontos nesse jogo. Ok, já sei me vão dizer que o SLB é o grande rival do clube de Alvalade e, sendo assim, estrategicamente seria desejável a sua derrota no campeonato, evitando o seu fortalecimento enquanto velho rival. Vistas curtas e insistência nos erros que trouxeram o clube à beira da extinção: não tendo qualquer hipótese de competir com SLB e FCP nos próximos anos, o objectivo estratégico do SCP é conseguir estancar ou reverter a actual situação financeira do clube e recuperar algum do valor não tangível e élan perdidos, sendo que, por ambos os motivos, a participação na Liga Europa, até pela visibilidade que permite dar a alguns talentos emergentes, seria de extrema importância. Mas o futebol, antes de negócio e indústria, é terreno de domínio das emoções. Que fazem o seu encanto, mas também, quando se sobrepõem a tudo o resto, se costumam pagar caro. 

sexta-feira, agosto 17, 2012

SLB: prognósticos só mesmo antes do início do jogo (campeonato)

Como já disse, análises ao plantel de qualquer das equipas que vão disputar a Liga portuguesa só após o fecho do mercado, a 31 de Agosto. Mas como não sou adepto de "prognósticos só no fim do jogo", isto é, de me resguardar falando apenas depois dos factos acontecerem, há questões, relativas a uma análise do que poderá vir a ser a época do SLB, que transcendem o assunto das "compras e vendas" e poderão, desde já, ser equacionadas permitindo-me, em função elas, estar mais ou menos confiante sobre o que pode vir a acontecer. 

Bom, em primeiro lugar quais os objectivos do SLB? Sem dúvida, ser campeão, chegar, no mínimo, aos 1/8 de final da Champions League, ganhar a Taça de Portugal ou então, como mal menor e em alternativa a esta última, a Taça da Liga. Mas digamos que ser campeão e atingir os 1/8 de final da Champions League são os objectivos essenciais para que a época possa ser considerada bem positiva. Perguntar-me-ão se, em função destes objectivos, estou optimista? Devo dizer que não totalmente, e justifico:
  1. A equipa começa o campeonato (e logo contra o S.C.Braga) sem um defesa-esquerdo consistente, acima de qualquer suspeita. Até pode dar certo, mas é um risco demasiado grande para quem (a dupla LFV/JJ) não está em posição de os assumir. Um mau resultado no qual, de algum modo, o jogador que ocupar essa posição (Melgarejo ou Luisinho) possa estar envolvido arrisca-se a  causar instabilidade na equipa e na sua ligação com os adeptos. "Keep fingers crossed"...
  2. Fiquei apreensivo com o esquema apresentado naquele que teria sido o jogo de Düsseldorf, que me pareceu ser um ensaio para uma eventual saída de Witsel. Jorge Jesus vai para a sua quarta época no SLB, tempo suficiente para ter percebido a necessidade de ter uma equipa mais equilibrada e consistente defensivamente. Por isso, também cruzo os meus dedos para que Witsel não saia.
  3. O jogo de Düsseldorf veio demonstrar que os problemas de estabilidade emocional da equipa, que já custaram a perda de muitos pontos, não só não estão resolvidos como se terão agravado (era um jogo particular e não existiu qualquer provocação ou atitude agressiva prévia do Fortuna...). E começam, não em Luisão, mas nas entradas imprudentes de Javi Garcia.
  4. As reacções da equipa técnica e responsáveis directivos presentes após o incidente protagonizado por Luisão e o árbitro Christian Fischer revelam enorme falta de capacidade de liderança, já que esta tem de partir sempre de uma análise correcta das situações que permita agir sobre elas, resolvendo-as rapidamente. Aliás, ninguém entende muito bem a organização do futebol profissional do clube, onde, em algumas áreas, parece não existir uma inequívoca definição de funções nem uma clara capacidade de acção/decisão nos diversos níveis hierárquicos. Embora, no caso do Fortuna, a intervenção da FPF e de LFV tenha acabado por resolver o assunto, o que acima descrevo tem forte possibilidade de "dar errado".
  5. Por último, o que me parece mais positivo: a contratação de Ola John e Salvio permite, em princípio e se tudo correr bem, resolver um dos problemas revelados pela equipa na última época: a ausência, com a excepção de Nolito, de alas "rompedores"/ "desequilibradores", um pouco à imagem de Di Maria e até de Ramires, que nem Bruno César nem Gaitán, na sua essência, são.
E depois disto? Enfim... são onze de cada lado, a bola é redonda, 45' cada parte (mais ou menos) e no fim... que ganhe o "Glorioso"!

domingo, abril 29, 2012

SLB: ponto final

Na segunda volta do campeonato, nos jogos fora o SLB conseguiu duas vitórias, ambas muito sofridas (P. De Ferreira e Feirense), três empates (Académica, Olhanense e Rio Ave) e sofreu duas derrotas (SCP e VSC). Ou seja, se a aritmética não me falha, em sete jogos (falta ainda o jogo com o VFC da última jornada) conseguiu nove pontos em vinte e um possíveis. Querem que acrescente mais alguma coisa?

sexta-feira, setembro 23, 2011

FCP - SLB

A dificuldade do costume em jogar sob pressão e em fazer circular a bola, perdendo-a demasiadas vezes, obrigando-se assim a sair a jogar através de passes longos ou jogadas individuais pelos flancos. Este é o "modelo" do SLB de Jorge Jesus, para o bem e para o mal, o que é sempre um problema nos jogos contra o FCP e outras boas equipas que adoptam um modelo semelhante de "pressão alta", "posse e circulação". Melhorou na segunda-parte, com um golo "out of the blue" aos 47' e quando o FCP baixou as suas linhas depois do 2-1 talvez por falta de pulmão ou demasiada confiança. Bom resultado e um suspiro de alívio.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

O SLB, a "Deloitte Football Money League" e as receitas de TV

Para ser muito breve e não maçar os meus leitores com minudências. O que mais salta à vista ao analisarmos a "Deloitte Football Money League", é a incongruência de o SLB ser o 10º clube em receitas de bilheteira (40M€ correspondentes a 41% das receitas totais do clube), o 16º em termos de receitas comerciais (41.2M€ correspondentes a 42% das receitas totais) e sendo, ao contrário de muitos dos seus congéneres europeu, um clube de expressão nacional num país com 10M de habitantes e outros tantos, pelo menos, na diáspora, nem sequer consiga um lugar entre os 20 primeiros em termos de receitas de TV (estará mesmo muito longe). Mais ainda, os 16.8M€ destas receitas (apenas 16.8% do total) correspondem a menos de metade do que clubes “regionais” como o Hamburger SV e o Schalke 04 conseguem obter e menos de 1/3 de clubes como o Atlético Madrid, Tottenham Hotspur, Aston Villa e Manchester City. Mais ainda: no “ranking” dos 20 clubes com maiores receitas, nenhum se situa abaixo dos 35M€ de receitas televisivas e de uma participação destas no “bolo” total de 23%.

Razões? Em primeiro lugar um contrato que é altamente lesivo dos interesses do clube e que muito pouco ou nada tem que ver com o real valor e importância deste em termos de audiências televisivas. Em segundo lugar, e muito, mas muito importante, com o facto de disputar um Liga com pouca ou nenhuma expressão internacional, o que condiciona muitíssimo a venda internacional das suas transmissões televisivas. Uma Liga que constitui, portanto, fato demasiado apertado para o potencial demonstrado pelo meu clube em gerar receitas que o tornem ainda mais competitivo em termos internacionais.

terça-feira, maio 11, 2010

1ª Liga: orçamentos vs classificação final

Conforme prometido e repetindo o que foi feito no final da 1º volta, aqui fica a comparação entre orçamentos e classificação final para os clubes da 1ª Liga portuguesa.

Classificação vs. "ranking" orçamental (milhões de euros e pontos conquistados)
A verde os clubes acima do "ranking" orçamental; a azul os que obtêm classificação idêntica; a encarnado os que se classificaram em lugares abaixo do respectivo orçamento


1º FCP - 40M
1º SLB - 76p
2º SLB – 30M
2º SCB - 71p
3º SCP – 22.5M
3º FCP - 68 p
4º SC Braga – 9M
4º SCP - 48p
5º Marítimo – 7M
5º Marítimo - 41p
6º V. Guimarães – 6.9M
6º V. Guimarães - 41p
7º Nacional – 5M
7º Nacional - 41p
8º Rio Ave – 4M
8º Naval 1º Maio - 36p
9º União Leiria – 4M
9º União Leiria - 35p
10ºCFB – 3.7M
10º P. de Ferreira - 35p
11º AAC - 3.6M
11º AAC - 33p
12º P. de Ferreira – 2.5M
12º Rio Ave - 31p
13º V. Setúbal – 2.5M
13º Olhanense - 29p
14º Naval 1º Maio – 2.4M
14º V. Setúbal - 25p
15º Leixões – 2M
15º CFB 23p
16º Olhanense – 1.2M
16º Leixões 21p

Principais notas:
  • A classificação dos quatro primeiros mostra uma alteração total face aos orçamentos apresentados: FCP passa de 1º para 3º; SLB de 2º para 1º; SCB de 4º para 2º e SCP de 3º para 4º. Isto significa que FCP tem a pior “performance” e SCB a melhor. SLB sobe um lugar em comparação com o seu orçamento e é campeão e SCP desce um lugar. Convém, no entanto destacar o seguinte:
  • Tendo no seu plantel muitos jogadores emprestados, cujos salários não estarão incluídos, na sua totalidade, na folha de pagamentos do clube, o baixo orçamento do SCB poderá dever-se a uma partilha de responsabilidades, com outros clubes, nos pagamentos efectuados a esses jogadores.
  • Apesar de apenas baixar um lugar (de 3º para 4º) na comparação entre orçamento e classificação, o SCP fica a 20 pontos do terceiro classificado (FCP), com um orçamento que inferior em 50% ao do FCP e cerca de 2.5 vezes superior ao do SCB, salvaguardando a questão assinalada no ponto anterior.
  • Com apenas o 14º orçamento a Naval 1º de Maio consegue obter um excelente 8º lugar.
  • Em sentido inverso se apresentam Rio Ave (8º orçamento e 12º lugar) e CFB (10º orçamento e 15º lugar). São as verdadeiras “colheres de pau” deste campeonato.
  • Olhanense, com o último lugar em termos de orçamento, consegue um 13º lugar na classificação e, logo, a manutenção. Uma boa “performance”, tal como o P. de Ferreira (12º para 10º).
  • Os candidatos à Liga Europa (clubes da Madeira e V. Guimarães) podiam ter feito um acordo e dispensarem o esforço dispendido durante o campeonato: acabam exactamente como começaram.
  • Por último, “much ado about nothing” no caso de André Villas-Boas: a AAC acaba como começou, no 11º lugar.

E para o ano há mais...

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Então? Pensavam que me "ficava"?

Sim, eu sei que pode ter sido apenas um dia mau (mas caramba, foi mesmo muito mau!...). Aliás, vi o jogo até ao 3-0 e nada de especialmente relevante tenho a assinalar, excepto que pareciam os do Minho uns pardais atarantados. Mas isto de existirem equipas a disputar a 1ª Liga que são autênticas filiais do FCP (S.C. Braga, Académica e S.C. Olhanense, para só citar as mais evidentes) e um treinador que resolve alterar o sistema de jogo da equipa logo quando vai jogar contra o verdadeiro “patrão”, acaba sempre por nos trazer à memória a história da mulher de César. E, para além disso, também nos remete para um passado de “quinhentinhos”, guarda Abel e “ofícios correlativos”...

Eu era para estar calado, mas já que nos andam a encher os ouvidos com túneis e Conselhos de Disciplina...

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

SLB 2009/2010: até agora, um percurso sem mancha

Na época de 2004/05, o Sport Lisboa e Benfica jogava um futebol sofrível e cometeu o erro de ter jogado um jogo decisivo com o Estoril-Praia no Estádio Algarve, em vez de o ter feito no Coimbra da Mota, algo que manchou irremediavelmente o título conquistado e permitiu aos seus adversários lançar sobre o modo como tal objectivo foi alcançado admissíveis suspeitas. Quer se queira quer não, esse jogou manchou o título e tirou-lhe algum sabor. A mim, benfiquista, tirou.

Esta época, o SLB tem jogado consistentemente o futebol mais atractivo do campeonato (não sei se o mais eficiente para ganhar títulos, mas sem dúvida mais brilhante) e tem boas hipóteses de chegar ao título sem que me pareça alguma sombra de legitimidade possa ser lançada sobre a justiça da actual classificação. Pelo menos por quem não tem do futebol uma visão doentia dedicando-se diariamente a analisar foras-de-jogo milimétricos, "penalties" difíceis de decidir ao fim de uma dúzia de visionamentos em câmara lenta ou teorias da conspiração de túneis, conselhos de disciplina e assim sucessivamente. Gostaria de estar enganado, mas parece-me que, perante o cenário traçado, os aliados tradicionais (S.C. Braga) ou circunstanciais (SCP) do FCP, começam já a tentar lançar por aí suspeitas sobre a legitimidade de um hipotético título a ser conquistado pelo meu “glorioso”. Espero que o meu clube, com uma qualquer atitude menos própria ou irreflectida, não venha a ceder a facilidades e a cair na “esparrela”.

terça-feira, janeiro 12, 2010

1ª Liga (Sagres) - "ranking" orçamental e classificação no final da 1ª volta: análise comparativa

Classificação vs. "ranking" orçamental (milhões de euros e pontos conquistados)
1º FCP - 40M
1º SC Braga 36p
2º SLB – 30M
2º SLB 36p
3º SCP – 22.5M
3º FCP 32p
4º SC Braga – 9M
4º SCP 24p
5º Marítimo – 7M
5º Nacional 22p
6º V. Guimarães – 6.9M
6º V. Guimarães 22p
7º Nacional – 5M
7º União Leiria 20p
8º Rio Ave – 4M
8º Rio Ave 19p
9º União Leiria – 4M
9º Marítimo 19p
10ºCFB – 3.7M
10º AAC - 16p
11º AAC - 3.6M
11º Naval 1º Maio 15p
12º P. de Ferreira – 2.5M
12º P. de Ferreira 15p
13º V. Setúbal – 2.5M
13º V. Setúbal 11p
14º Naval 1º Maio – 2.4M
14º Olhanense 11p
15º Leixões – 2M
15º Leixões 11p
16º Olhanense – 1.2M
16º CFB 11p

Análise:

  1. Seis clubes (a azul) ocupam exactamente o mesmo lugar do que o ditado pelo respectivo orçamento: SLB, V. de Guimarães, Rio Ave FC, P. de Ferreira, V. de Setúbal e Leixões SC.
    Igualmente seis clubes (a verde) estão acima do seu lugar no “ranking” orçamental: SC Braga, Nacional, União de Leiria, Naval 1º de Maio, AAC e Olhanense.
    Consequentemente, apenas quatro (a encarnado) ocupam uma posição inferior: FCP. SCP, Marítimo e CFB.
  2. Os quatro primeiros orçamentos ocupam exactamente os quatro primeiros lugares, embora apenas o SLB o seu lugar de “origem” em igualdade pontual com o primeiro classificado: SC Braga ""salta de quarto para primeiro, FCP de primeiro para terceiro e SCP de terceiro para quarto. De qualquer modo, dificilmente os quatro primeiros clubes no final do campeonato deixarão de ser estes, por esta mesma ou outra ordem, e talvez apenas esteja longe de uma correspondência perfeita com o “ranking” de orçamentos a hipótese do SCP vir a ocupar no final o terceiro lugar e o SC Braga o quarto. Tendo em atenção que o SC Braga tem um orçamento quase seis vezes inferior ao do FCP, mais de quatro vezes inferior ao do SLB e cerca de três vezes inferior ao do SCP, é a verdadeira equipa sensação.
  3. Os nove primeiros classificados no final da primeira volta correspondem aos nove maiores orçamentos. Entre o quinto e o nono lugares apenas o Marítimo ocupa uma posição significativamente inferior ao seu lugar no “ranking” orçamental: passa de quinto para nono embora a uma distância de apenas três pontos.
  4. Os sete últimos classificados correspondem aos sete orçamentos mais baixos e digamos que a “colher de pau” vai para o CFB, que sendo décimo no “ranking” orçamental cai para último na classificação (o CFB já nos habituou à sua péssima gestão). Em contrapartida, a Naval 1º de Maio consegue estar quatro pontos acima do seu lugar “orçamental” e a AAC, apesar da boa imprensa de André Vilas-Boas, está muito perto do lugar que lhe corresponde.

Conclusões gerais:

  1. Salvo acontecimentos excepcionais, os orçamentos das esquipas parecem ser muito mais determinantes para a sua classificação do que qualquer outro elemento: são eles que permitem contratar os melhores jogadores, o melhor treinador, etc.
  2. Parece que dificilmente existem treinadores “mágicos”. “Mais coisa, menos coisa”, e salvo uma ou outra rara excepção e tendo também em conta que se trata de um desporto – com algum grau de aleatoriedade, portanto -, desde que o treinador seja razoavelmente competente e as contratações façam sentido a posição de uma equipa tem muito mais a ver com o orçamento de que dispõe do que com a acção do treinador. Domingos Paciência será excepção? Parece ser, indiscutivelmente, um treinador acima da média, mas as contas fazem-se no fim.
  3. Tendo em atenção a correlação entre orçamentos e classificação, não faz qualquer sentido integrar no mesmo campeonato equipas com orçamentos de 30 ou 40 M e com expressão nacional ou mundial e outras que mal ultrapassam o milhão ou os dois milhões e quase não têm inserção local.
  4. Decorre do ponto 3. uma chamada de atenção para a UEFA e para a necessidade de, num futuro próximo, autorizar a fusão de ligas. Em função dos seus orçamentos e da sua expressão nacional, dentro e fora de portas, faria muito mais sentido as principais equipas portuguesas integrarem a Liga de Espanha (tornada Ibérica).

domingo, setembro 27, 2009

A 1ª parte do FCP-SCP de relance...

É habitual as críticas a Paulo Bento centrarem-se na ausência de um sistema de jogo alternativo àquele melancólico 4x4x2 em losango. Ontem, depois de ver a 1ª parte do FCP-SCP (ao intervalo, esgueirei-me rapidamente para o Estádio da Luz), fácil terá sido concluir para qualquer inteligência mediana que o problema é bem outro: o do modelo de jogo.

Pois é, aquele modelo baseado numa posse e circulação de bola efectuada de forma lenta e previsível (nem todos têm Xavi e Iniesta...), com pouca pressão alta, com transições, tanto ofensivas como defensivas, que demoram uma eternidade, até pode funcionar razoavelmente (e funciona) contra equipas que optam por jogar com um bloco baixo, “fechadinhas” mas com procedimentos atacantes mais ou menos incipientes. E são-no a maioria, no futebol português. Resumindo: contra as tais equipas do “double decker”. Como há espaço, a bola lá vai circulando à espera de um desequilíbrio defensivo contrário normalmente aproveitado por Liedson. Mas contra equipas da sua “igualha” ou superiores, que funcionam à base de transições muitos rápidas, como é o caso do FCP, viu-se... Como não há pressão alta, a equipa contrária sai a jogar como quer, as transições defensivas do SCP tornam-se penosas de ver e aquela lentidão de circulação de bola não conduz a parte alguma. Sinceramente, não percebo porque ainda não entenderam isto e insistem.

Nota: depois desta explicação, já perceberam porque Hulk jogou bem e nos grandes jogos internacionais só faz asneiras? Contra a lentidão daquelas transições defensivas e laterais como Abel e Grimmi, está como peixe na água. O problema que o FCP deve ter em conta antes de o pensar vender por 3 876 986 978 mil milhões (não é isso?) é que equipas a jogar como o SCP e com laterais do tipo Abel e Grimmi talvez só existam no Burkina Faso ou em alguns desses outros países em que os treinadores portugueses têm grande sucesso. E fretes como o que José Mourinho fez no caso da contratação de Ricardo Quaresma vão sendo raros em tempos de crise.

sábado, dezembro 27, 2008

Futebol, mercados e transmissões televisivas

A imprensa desportiva continua teimosamente a pensar e ver o futebol como ele era há 30 ou 40 anos, convencendo-se e tentando convencer os incautos de que os grandes clubes do futebol português o continuam a ser em termos internacionais na era em que a televisão e os direitos desportivos substituíram as quotizações e as receitas de bilheteira como principais fontes de financiamento da actividade desportiva. É este o tipo de raciocínio que está subjacente ao artigo de Rui Cartaxana no “Record” on-line.

Partindo de uma afirmação verdadeira, um Acordão do Tribunal da Relação de Lisboa que afirma que quem adquire os direitos de transmissão televisiva “só poderá ser uma entidade legalmente autorizada a exercer a actividade de televisão” - o que não é, como se sabe, o caso da Olivedesportos – e daí tirando as devidas conclusões que me parecem ser também incontestáveis (“o dr Vale e Azevedo pode ser o que for, isso não invalida que, de facto, teve razão quando denunciou os contratos com a Olivedesportos”), Rui Cartaxana salta destas premissas para uma conclusão que elas não justificam, isto é, que aquilo que os clubes portugueses recebem como receitas das transmissões televisivas está francamente sub-avaliado (“para se ter uma ideia, a Olivedesportos paga ao conjunto dos clubes portugueses cerca de 40/42 milhões de euros/ano. Um clube espanhol de 2ª linha como o Villarreal cobra sozinho 46 milhões/ano. E um clube como o Tottenham arrecada só por si, 51 milhões! Andamos todos a brincar com coisas sérias…” ).

Ora embora partindo do princípio que os contratos dos clubes portugueses podem ser melhorados (tese que partilho), apresentar como exemplos comparativos o Villareal e o Tottenham já me parece um exagero e algo que não tem em conta realidades bem distintas: Portugal tem cerca de 10 milhões de habitantes, Espanha um pouco mais do que 45 milhões e o Reino Unido cerca de 60 milhões. Isso significa que se um qualquer jogo entre os três grandes portugueses pode atingir uma audiência de, por exemplo, 2 ou 3 milhões de telespectadores, em Portugal, facilmente, e de modo menos do que proporcional, um Villareal-Barça, Real Madrid ou, até, Valência ou Atlético, mesmo tendo em conta a relativa pequena dimensão da massa adepta do Villareal, facilmente chegarão aos 7 ou 8 milhões só em Espanha. Idem no que diz respeito aos jogos dos "Spurs", na melhor liga do mundo. A dimensão dos mercados dita a sua lei!

Mas devemos ir mais longe. Quer os principais jogos da liga espanhola quer os da Premiership são vendidos para quase todo o mundo, atingindo audiências de muitas dezenas ou centenas de milhões de pessoas em mercados de médio/elevado poder de compra, como o são, por exemplo, o Extremo-Oriente e a América Latina. Isto é algo que não acontece com a liga portuguesa, quando muito com alguma excepção no caso antigas colónias - mercados de muito fraco poder de compra - ou da diáspora europeia. Daqui resulta que considere ainda mais optimista (devo dizer, irrealista?) a comparação efectuada por Rui Cartaxana, embora não conteste a sua boa vontade e a legitimidade e urgência dos objectivos a que se propõe. Daí também considere que, se melhorar um pouco os actuais direitos televisivos é algo possível e desejável, a longo prazo só existe um caminho para tornar os principais clubes portugueses competitivos: fazê-los partilhar do mercado mundial das grandes ligas europeias, o que significa forçar a UEFA, através da fusão de alguns campeonatos nacionais, a permitir a criação de uma Liga Ibérica. Tudo o resto são apenas paliativos; aspirinas que diminuem a dor mas não curam a grave doença.

domingo, setembro 21, 2008

No intervalo do Chelsea-Manchester United

Uma das consequências da falta de capacidade competitiva da Liga portuguesa desde que a lei Bosman e as televisões globalizaram a indústria futebolística, isto é, desde que esta teve de competir num mercado aberto, não protegido, exportando os melhores talentos e apenas conseguindo importar jogadores de 3ª linha, é que, hoje, muito mais gente em Portugal estará interessada no Chelsea-Manchester United do que no conjunto dos jogos da Liga caseira. Até porque é aí que terá oportunidade de ver em acção os melhores jogadores portugueses. Assim, a crescente popularidade da selecção nos últimos anos não se deve só a Scolari, mas também e muito a esta nova realidade, que Scolari, inteligentemente, se limitou a potenciar.

Uma outra questão que nada tem a ver com esta. Defender tem também a sua técnica, que não passa pela habilidade demonstrada em “dribles” e “fintas”, ou em “chapéus” ao gurda-redes. Com uma deficiente técnica defensiva e também uma falta de convicção na hora do “um para um” (quem jogou rugby, mesmo a brincar, percebe melhor o que estou a dizer), para ganhar a bola, Bosingwa “ofereceu” o golo ao Man. United. Pois é, em Portugal a intensidade de jogo é outra...