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sábado, agosto 15, 2015

O baixo nível do jornalismo desportivo

Os alegados SMS de Jorge Jesus a jogadores do SLB e o desaguisado entre José Mourinho e a charmosa Eva Carneiro estão ao nível dos crimes passionais, da vida privada de uma tal Cristina Ferreira, das depressões de Judite Sousa ou das declarações das vedetas de telenovela sobre "terem finalmente encontrado o verdadeiro amor". Não deviam, por isso mesmo, ocupar mais de um minuto nas conversas daqueles que verdadeiramente gostam de futebol e se interessam pelos seus clubes.

Infelizmente, como uma maioria de jornalistas e comentadores pouco ou nada sabe, nem quer saber, sobre futebol, quer sobre o jogo em si quer sobre a vida empresarial dos clubes, e acham, se calhar com razão, que o que vende são os "fait divers" e o tablóidismo, estamos sujeitos diariamente a um fogo de barragem que nos tenta embrutecer e estabelece os baixos  padrões do debate desportivo nas redes sociais. Destacar os piores ocuparia muito espaço e tempo, tal a sua quantidade que está muito longe de se resumir aos vários "Trios de Ataque" televisivos e inclui a grande maioria de ex-jogadores, ex e actuais treinadores no desemprego e jornalistas vários, com destaque negativo para os que pululam pela TVI24, onde a gritaria é norma, e para um tal João Rosado e vários outros da SIC Notícias. Destacar os que não envergonham é bem mais fácil: depois do "abandono" de Carlos Daniel, o melhor de todos eles, poucos mais restam para além da Helena Costa, do Pedro Henriques (ex-jogador) e o "newcomer" Nuno Presume, todos eles do "Resultado Final", da SportTV. Pelo menos esforçam-se por pensarem o jogo, o que, face ao panorama geral, já não é mau.

quinta-feira, maio 21, 2015

O jornalista/consultor António Costa e a TSF

Esta manhã, a TSF, cada vez mais uma entusiástica apoiante do pensamento político/económico dominante, no que, como rádio privada, está no seu pleno direito, convidou o ex-director do Diário Económico, António Costa, para comentar as propostas políticas ontem apresentadas pelo PS, apresentando-o como "jornalista". Ora tanto quanto sei e foi notícia, António Costa exerce actualmente as funções de consultor da empresária angolana Isabel dos Santos. Independentemente de continuar na posse da sua "carteira profissional", a questão é: pode, nestas circunstâncias, António Costa continuar a ser referido como "jornalista"? Mais ainda: António Costa declarou ao Expresso ser avençado da Media Capital e nessa condição continuar a exercer funções como comentador da TVI. Nesse caso, será apresentado como "jornalista", comentador" ou "consultor" económico ou de comunicação? Que tem o sindicato respectivo a dizer sobre o assunto? Moral da história: assim vai, em Portugal, a promiscuidade entre o jornalismo económico e as empresas, já para não falar da que existe entre o jornalismo (tout court) e a política. Um nojo.

segunda-feira, fevereiro 02, 2015

As "equipas grandes" e os "campos pequenos"

Estou farto de ouvir a comentadores e jornalistas das "coisas da bola" que um dos problemas das "equipas grandes" quando se deslocam aos estádios das "equipas pequenas" tem a ver com a dimensão dos campos (presumo que dos relvados, pois não me parece a capacidade dos estádios possa ter qualquer relevância). Para tentar acabar de vez com esse mito, deixo aqui as dimensões dos relvados dos estádios da actual primeira divisão, usando como termo de comparação com o Estádio da Luz e não incluindo os estádios do Euro 2004 e os Estádios do Restelo e Bonfim por tal me parecer desnecessário:
  • Estádio da Luz. 105x68 m
  • Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas (Moreirense FC): 105x67
  • Estádio Cidade de Barcelos: 106x68
  • Estádio Municipal de Arouca: 105x68
  • Estádio 25 de Abril (FC Penafiel): 106x66
  • Estádio da Madeira: 105x69
  • Estádio dos Barreiros: 105x68
  • Estádio António Coimbra da Mota: 105x70
  • Estádio da Mata Real: 105x68
  • Estádio dos Arcos: 105x68
Chega?

segunda-feira, setembro 29, 2014

3 notas sobre a noite eleitoral

  1. Péssima cobertura da noite eleitoral pelas televisões. Tivemos de tudo: "pivots" sem preparação política e que se limitavam a repetir e a questionar os comentadores na base da "vulgata" mais rasteira da política interna; repórteres perdidos nas directas - quando nada as justificava - fazendo perguntas sem nexo a apoiantes de ambas as candidaturas e ao "povo socialista" em geral; comentadores, na sua maioria, medíocres (ou menos que isso), como Inês Serras Lopes, João Marcelino, Paulo Baldaia e mais um ou outro cujo nome não recordo (salvaram-se dois ou três); e, na SIC Notícias, dois sonolentos representantes das candidaturas (Vera Jardim e João Soares) que nada adiantavam à compreensão do que estava em causa. Um desastre.
  2. Continuo a "pasmar" (é o termo) quando oiço, nessas mesmas televisões, que nada de fundamental distingue as candidaturas de Seguro e Costa. É mentira: pese embora a sua enorme importância, e  ao contrário do que nos têm vindo a fazer crer, a política não se resume - e ainda bem - às propostas concretas sobre o "déficit", a dívida, os cortes nas pensões e nos salários. Portanto, existe uma diferença radical e de fundo entre quem se apresenta a sufrágio com uma proposta essencialmente populista e quem mergulha as suas raízes na tradição ideológica das grandes famílias políticas europeias da segunda metade do século XX. Quem não entende isto ou não percebe nada de política e história das ideias ou está de má fé. 
  3. Também ouvi críticas ao facto de António Costa não ter mencionado Seguro no seu discurso de vitória. Discordo dessas críticas, demasiado ancoradas no que a política tem de pior. Seguro baseou a sua campanha num conjunto de ataques pessoais a Costa e a alguns dos seus apoiantes, culminando com acusações de "traição" e de promiscuidade entre política e negócios na candidatura deste último. Correcta ou incorrectamente, com razão para tal ou sem ela (não vem agora ao caso), Costa consegue transmitir uma imagem de "confiança" (é esse o seu principal trunfo) e de, ao contrário de Seguro, Passos ou José Sócrates, estar nos antípodas de ser um político "fabricado". Nestas condições, enveredar por uma saudação ao seu adversário poderia ser interpretado como um gesto de hipocrisia (tão comum na política) ou de falsidade que dificilmente colaria à imagem que, bem ou mal, conseguiu construir.

quinta-feira, setembro 18, 2014

Uma nota sobre a Escócia e o jornalismo português

Não sou especial entusiasta da independência escocesa, embora conheça bem o país e mais do que simpatize com a sua paisagem, história e cultura. Também com a possibilidade de cada nação escolher democraticamente o seu destino, o que sempre constitui uma evolução face ao método guerreiro tradicional. Mas tendo dito isto, isto é, tendo demarcado o meu território, estou demasiado farto de ver a questão da possível independência da Escócia ser reduzida a meras questões económicas (percentagem do PIB escocês no total do PIB britânico, reservas de petróleo, exportações, impacto no sistema financeiro, etc) e jurídicas (relacionadas com a inserção do eventual futuro país na União Europeia). Não desdenhando da sua relevância, será que questões tão importantes como as de índole política, histórica, línguística  e cultural (de identidade nacional, no fundo), também de poder, não contam ou são, pura e simplesmente, de importância secundária? Talvez não fosse má ideia os senhores jornalistas revisitarem a História e verificarem quantas vezes elas foram decisivas na secessão e união de tantas nações e países. A iliteracia histórica desta gente chega a ser assustadora.

sexta-feira, agosto 01, 2014

Vale tudo


Nada de ilusões. Não é José Sócrates quem a "Sábado" e os seus mandantes pretendem atingir com esta notícia, entretanto já desmentida pela Procuradoria Geral da República, embora conheçamos muito bem a diferença de peso específico, junto da opinião pública, de notícias e desmentidos. Nem sequer, ao contrário do que já vi escrito, se pretende pôr em causa  uma qualquer eventual candidatura do ex-primeiro ministro à Presidência da República, candidatura, no mínimo, altamente improvável e que dificilmente teria o apoio do PS. O que se pretende mesmo é atingir António Costa, tendo em conta o apoio expresso de José Sócrates e dos grosseiramente denominados "sócratistas, no seio do PS, à candidatura do actual presidente da CML a futuro primeiro-ministro e o cada vez menos disfarçado apoio a António José Seguro por parte da direita radical. Como é difícil, de um ponto de vista moral, dos "escândalos" (aquele que mais facilmente encontra eco junto da opinião pública), atacar António Costa, escolhe-se o alvo mais a jeito e o que apresenta e aparenta, deste ponto de vista, possuir maiores fragilidades. E deste modo vale tudo, mesmo os atropelos à lei e à chamada deontologia, que em outras ocasiões o sindicato dos jornalistas gosta tanto de invocar. 


segunda-feira, julho 21, 2014

O jornal "i" e as despesas de Alberto João Jardim

Seria com certeza uma das últimas pessoas do mundo a vir em defesa de Alberto João Jardim e também uma das primeiras a gostar de vê-lo pelas costas - e rapidamente. Mas perante esta notícia apetece-me perguntar ao jornalista seu autor: sendo a Madeira um região que vive essencialmente do turismo, já se interrogou, mesmo apesar das tristes figuras a que Alberto João se permite e dos seus habituais investimentos(?) estapafúrdios, sobre qualquer eventual impacto positivo que estas despesas possam ter na economia da região? Não, não estou a afirmar isso assim aconteça nem, muito menos, a defender a eficácia de tais investimentos ou a figura e acção política do "gauleiter" madeirense, mas antes de "escarrapachar" em título de jornal um custo de muitos milhões de euros, o que é sempre impactuante no desporto nacional em que se tornou a "caça ao político, não seria melhor ir um pouco mais longe na análise da eficácia da acção politica e no custo-benefício de cada investimento? É que depois de efectuada essa análise até talvez possa vir a dar razão ao autor da notícia e a penalizar o execrável Alberto João. Assim...

quarta-feira, julho 16, 2014

O mercado de transferências e as pitonisas da "bola"

Quem lê e ouve os jornalistas e comentadores desportivos facilmente conclui, a mês e meio do fecho do mercado, nem sequer valer a pena começar o campeonato: o FCP, endividando-se por todos os poros a Jorge Mendes para evitar o bi-campeonato do SLB, será campeão, o SCP, mantendo a estrutura da época passada, será 2º classificado e ao "Glorioso" nada mais restará senão um envergonhado 3º lugar. Enfim... Talvez esta gente seja a mesma que achava, depois do acontecido na final da Taça de 2012/13, a Jorge Jesus e Cardozo nada mais restava senão a porta de saída; Luisão, depois do encontrão ao árbitro alemão na pré-época anterior, teria de deixar, no mínimo, de ser o capitão da equipa; sem Javi Garcia e Witsel o SLB estaria condenado ao insucesso e, por fim, terá sido esta mesma gente que prognosticou o SCP de Godinho Lopes, com aquela enorme lista de nomes sonantes contratados, seria um forte candidato ao título - e assim sucessivamente. Felizmente para o meu clube e infelizmente para o nosso velho e respeitado rival de Alvalade, como sabem, nada disso se confirmou (o SCP realizou mesmo uma excelente época apenas quando mudou de estratégia), o que lança a reputação desta espécie de pitonisas de trazer por casa para as ruas da amargura.

Já agora, várias perguntas: quem conhecia Matic, que actuava nas reservas do Chelsea, antes da sua afirmação como grande jogador no SLB? E David Luiz? E Oblak, sujeito à "via sacra" dos empréstimos? E quantos prognosticaram, depois de uma clara inadaptação que o fez regressar à Argentina, o sucesso de Enzo Perez como nº "8", que o levou mesmo a disputar uma final do Mundial pela sua selecção? Lembram-se em que clube Fábio Coentrão passou de um extremo sem grande sucesso a defesa-esquerdo contratado pelo Real Madrid. E quanto tempo demorou Di Maria a tornar-se titular do SLB e, depois, a transferir-se para o Real Madrid e a tornar-se uma estrela do futebol mundial? E também ainda se lembram de um Rodrigo, primeiro, emprestado sem grande sucesso ao Bolton Wanderers e, depois, arrastando-se como suplente do SLB? Ah, e Fejsa, para quem anda esquecido, era suplente no Olympiakos, não é assim?

Enfim, querem que continue ou diga já à administração do meu clube que é bem melhor ir jogar a Liga da Patagónia?

terça-feira, junho 17, 2014

Portugal-Alemanha: ainda o equívoco - e também o jornalismo desportivo.

A estupidez das pessoas não tem limites e a da grande maioria dos jornalistas e comentadores de futebol ainda menos. Pois não é que vejo por aí dominante a opinião de que a selecção portuguesa "até entrou bem no jogo", a "pressionar alto" e jogando "olhos nos olhos" com os alemães? Pois eu direi - e já o fiz aqui - que o problema começou aí mesmo, em querer jogar em "pressão alta" e de "igual para igual" com esta fortíssima selecção da Alemanha (um género de misto Bayern/Borussia, não sei se já perceberam), mais a mais com Hugo Almeida e Cristiano Ronaldo, jogadores muito mais adequados para explorarem, a partir de um bloco baixo, as transições rápidas e o eventual espaço deixado livre atrás da defesa contrária. Ao entrar do modo como entrou (que lhes terá passado pela cabeça, a jogadores e equipa técnica?), a selecção portuguesa pôs-se a jeito e a partir dos 11', em inferioridade no marcador, lá se foi qualquer possível hipótese de optar pelo plano que me pareceria mais adequado. Digamos que a jogar como o fez, a selecção portuguesa, em vez de optar pela estratégia anglo/lusa de Aljubarrota, resolveu fazer o papel da cavalaria francesa em Crécy, Poitiers e Azincourt, e a da franco/castelhana na mesma Aljubarrota. Desastre.

Quero dizer com isto que com a estratégia adequada os portugueses poderiam não ter perdido o jogo? Não me parece; não sou doido nem vou tão longe. Mas poderiam, pelo menos, ter evitado a goleada e o enxovalho, o que, sendo realista, era tudo o que se lhes pedia: uma derrota assim pelo tangencial ou, com uma dose cavalar de sorte e igual ajuda dos deuses e dos santos milagreiros, um empatezito providencial. Assim, puseram-se a jeito e foi o que se viu. 

sexta-feira, março 28, 2014

"O que aconteceu e não devia ter acontecido"

"O que aconteceu e não devia ter acontecido" (a expressão é de um Paulo Portas oportunamente ressuscitado do além e mais parece um pedido de desculpas de adolescente a uma donzela arrependida depois de numa noite de copos lhe "ter feito aquilo") está pelo menos a ter duas consequências importantes:
  1. Deixou de se discutir a substância, isto é, qualquer projecto sobre reforma futura do sistema de pensões (se é que este governo o tem, do que duvido) e passou a discutir-se a espuma das coisas: a "comunicação" do governo, as suas lutas internas, a falta de sintonia entre governantes, etc, etc. Não digo que isso não tenha a sua importância, mas neste caso a forma é claramente secundária face ao conteúdo. E como espuma que é, desvanecer-se-à rapidamente.
  2. É um verdadeira "ternura" ver alguns dos mais fervorosos jornalistas e "media" defensores deste governo, capazes de todas a acrobacias e atentados deontológicos para o fazerem, transformarem-se rapidamente em críticos (sem sequer passarem pela cada da partida e receberem os dois contos) quando está em causa a defesa da corporação e a idoneidade da entidade patronal. Uma verdadeira "ternura", mesmo. 

sexta-feira, dezembro 13, 2013

A entrevista(?) de Passos Coelho

Mais do que a uma entrevista, que nenhuma questão de actualidade justificava (mesmo o OE quase não foi abordado), Passos Coelho e o governo tiveram ontem direito a um gigantesco "tempo de antena", oferecido pela TSF e pela TVI e proporcionado por dois jornalistas demasiado dóceis que actuaram mais como "régisseurs" de pista de um qualquer circo pretensioso, quais Mr. François França dando as "entradas" para que o "verdadeiro artista" pudesse brilhar, do que como gente que pretende dignificar-se e à sua profissão. Sendo a TVI e a TSF empresas privadas, embora no caso da TSF tenha hoje em dia dúvidas sobre o grau de tutela exercido pelo Estado angolano, estão ambas no seu pleníssimo direito, embora mande o rigor que se designe cada coisa pelo nome que melhor a defina. E chamar entrevista (e, já agora, jornalismo) àquilo a que assistimos, devo dizer me parece francamente exagerado. Enfim... são estes os tempos que vivemos.

Já agora: a única novidade digna desse nome foi termos ficado a saber que Passos Coelho gostaria de "amarrar" o CDS a uma coligação para as próximas eleições, "armadilhando" assim Paulo Portas (irrevogavelmente) e o seu partido à actual governação. Para os que tinham dúvidas - e eu nunca as tive - está bem à vista o que Portas ganhou com a sua demissão "irrevogável" e com a sua "promoção" e a do seu partido no seio do actual governo. Foi buscar lã e saiu "peladinho". Digamos que não foi mal feito.

sexta-feira, novembro 08, 2013

O "Público" e a entrevista a Hélder Rosalino

Quando, no final de uma entrevista, um jornalista pergunta ao secretário de Estado da Administração Pública: "se tivesse um grande amigo ou um familiar que quisesse trabalhar na função pública, aconselhava-o a ir?" está à espera que este responda o quê? Que não, que se livre de tal ideia pois está sujeito a ser enxovalhado pelo governo, a que lhe reduzam o ordenado, trabalhe mais horas, etc, etc? Ou está apenas a "dar uma deixa", no dia de uma greve que, na realidade, tem esse mesmo secretário de Estado como alvo, para que este faça o discurso hipócrita da praxe de elogio aos trabalhadores de um sector que, com ou sem razão por parte do governo - deixemos agora isso de lado -,  têm visto o seu salário reduzido, o número de horas de trabalho aumentado e, de uma maneira ou de outra, têm sido apontados à sociedade como uns "privilegiados" que "vivem acima das suas possibilidades"? Pior, bem pior do que este hipócrita discurso de Hélder Rosalino é alguém que se intitula jornalista fazer este tipo de perguntas e achar está a cumprir as suas funções.

quinta-feira, agosto 08, 2013

Oscar Cardozo e os jornalistas-talibans.

Nos países mais evoluídos e civilizados, até um homicida, mesmo um "serial killer, tem direito a um julgamento justo e, depois de cumprir a pena, mais ou menos pesada, a que for condenado, tem oportunidade de se redimir e reintegrar na sociedade. Em Portugal, a condenação máxima será de vinte e poucos anos e, no caso de bom comportamento, uma vez cumprida metade da pena o preso pode ter direito a usufruir de liberdade condicional, o que facilita, e ainda bem que assim é, a sua reintegração social.

Infelizmente, parece que para muitos jornalistas desportivos que julgam carregar às costas a justiça e a moral do mundo, autênticos "puritanos" da alma e "talibans" dos comportamentos, alguns atletas profissionais, mais concretamente jogadores de futebol, não só não têm direito a julgamento imparcial e justo, como são condenados à partida, nas páginas dos jornais, nas rádios e nas televisões, ao degredo, ao exílio, ao banimento ou até, no limite e quais hereges de antanho, a serem queimados nas fogueiras dos seus (jornalistas) tempos de antena.

O profissional Oscar Cardozo teve, após o jogo da final da Taça de Portugal, um comportamento público grave e condenável, desrespeitando a sua hierarquia e o clube onde exerce a sua profissão. De acordo com a lei, compete ao clube proceder a averiguações e, sendo caso disso, levantar o respectivo processo disciplinar, findo o qual deve ser definida a respectiva penalização. Tarde ou cedo, melhor ou pior, foi isto que foi feito. Cumprida essa penalização, compete agora também ao clube averiguar se existem ou não condições para a plena reintegração do atleta na estrutura e no grupo de trabalho de que faz parte. Penso apenas o clube - e estou a falar de administração, direcção, equipa técnica, etc - estará na posse de todos os elementos necessários a uma decisão. Tudo o que vá para além disto, incluindo, claro está, o julgamento e condenação sumários no espaço mediático, é tão caracteristicamente troglodita, como quaisquer cânticos entoados no estádio pedindo o regresso do jogador. Com uma atenuante para os autores dos cânticos: ao contrário do que acontece com jornalistas, comentadores e "ofícios correlativos", ninguém lhes pede conhecimentos, imparcialidade e que estejam acima das emoções do momento. Estamos conversados?   

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Jogadores que fazem a diferença

Porque conseguiu o SLB eliminar o Bayer Leverkusen? Claro que teve a sorte do jogo (não vale a pena esconder e prefiro isso às equipas que perdem e se queixam de "muito azar"), mas fundamental, fundamental mesmo foi ter jogadores que desequilibram, que são capazes, num dado momento do jogo, de fazer a diferença. Foi assim com o golo de Cardozo, de notável execução técnica, em Leverkusen, e foi também assim, ontem, com o golo de Ola John, que juntou convicção, frieza e qualidade técnica. Aliás, foi também a categoria individual de dois jogadores (Gareth Bale e Cristiano Ronaldo) que permitiu a Tottenham eliminar o OL e ao Real Madrid manter-se ainda na eliminatória.

Pois é,  futebol tem destas coisas, um jogo colectivo onde é permitido as grandes individualidades possam acabar por resolver jogos. Ainda bem.

Nota: O FCP ganhou o seu jogo com o Málaga com um golo obtido em "fora de jogo". Tal foi unanimemente reconhecido. Ninguém, no meu grupo de amigos e conhecidos, muito menos aqui no "blog", me ouviu criticar o árbitro: o lance é de decisão muito difícil e, embora preferisse o FCP tivesse empatado ou perdido o jogo, compreendo e aceito o golo tenha sido validado. Ontem, na Luz, o árbitro anulou - bem - um golo ao Bayer Leverkusen, obtido também ele em "fora de jogo". Por sinal, um "fora de jogo" mais claro do que o de João Moutinho, embora também ele de difícil decisão. Mas, felizmente para o meu clube, o árbitro decidiu bem. Bastou-me ver o lance uma vez, já em casa (no estádio não dá para ver), para corroborar da decisão. Pois apesar disso o jornalista do DN encarregue da crónica do jogo acha que o árbitro errou. Fico-me por aqui...

terça-feira, fevereiro 05, 2013

O Secretário de Estado Franquelim e o jornalismo de investigação

Já toda a gente (comentadores, jornalistas e as respectivas sogras, cães, gatos e periquitos) se debruçaram sobre a insensata nomeação de Franquelim Alves para o cargo de Secretário de Estado do "empreendorismo" e de  mais não sei o quê. Mas o que seria indispensável conhecer é o que de tão importante terá levado Pedro Passos Coelho (+ Relvas + Gaspar) a "enfrentar o mundo" com uma nomeação que desde sempre saberia iria ser, no mínimo, polémica. Essa é a questão-chave, o "santo dos santos" que permitiria conhecer das razões políticas (ou outras) da decisão do primeiro-ministro. E sobre isso é o silêncio... ou quase. José Medeiros Ferreira levanta aqui o que pode ser uma ponta do véu. Mas onde está o jornalismo de investigação neste país? Reduzido à maledicência e à ignóbil Felícia Cabrita?

domingo, janeiro 13, 2013

O "pecado" de Paulo Baldaia

Ora vamos lá ver... Conceder a cidadãos que ocupam cargos políticos condições especiais de acesso à reforma foi um subterfúgio utilizado para não ter que lhes pagar - a esses cidadãos - salários superiores, mais consentâneos com a responsabilidade e qualificações das funções que ocupam ou ocuparam. Tratou-se, in illo tempore, de uma cedência ao populismo mais rasteiro, tentando tapar o sol com uma peneira e evitar qualquer reacção, também ela populista, dos restantes portugueses contra os "salários milionários" dos políticos. Claro que quem alimenta o populismo às suas mãos lhe morre, e agora temos meio mundo a protestar contra a presidente da Câmara de Palmela por esta ter direito a uma reforma aos 47 anos de idade, inclusivamente alguns jornalistas e comentadores que deveriam ter a obrigação de saber esclarecer quem os lê. Vamos ser claros... O que os portugueses têm de escolher é o seguinte: querem ter gente na política a auferir salários compatíveis com as funções que exercem ou com salários baixos e recompensas escondidas "por debaixo da mesa"? Querem ter gente competente e qualificada na política, servindo o interesse público, ou mulheres e homens medíocres que tentam utilizar a profissão em proveito próprio? Querem viver em democracia ou em ditadura, que é onde esta saga anti-política e anti-políticos corre o risco de nos conduzir? Ou será que os frequentadores dos fóruns de opinião e alguns jornalistas incompetentes ou pouco escrupulosos acham que fariam bem melhor se e quando os convidassem para cargos públicos auferindo o vencimento correspondente? É que os poucos exemplos que disso temos tido até são de molde a provar bem o contrário...

sexta-feira, novembro 23, 2012

As "imagens" e o "bom senso"

Fazer depender a entrega às polícias de imagens não editadas de questões tão subjectivas como o "bom senso" ou aleatórias como a "análise caso a caso" é abrir a porta à total e completa discricionariedade e deixar a decisão ao livre arbítrio, decidindo cada um como lhe aprouver em função do caso concreto e do estado de espírito do momento. As leis do Direito são gerais e abstractas, significando isto que se aplicam a todos, sem excepção, e não distinguem casos em concreto. Ver um jornalista licenciado em Direito, como Miguel Sousa Tavares, ou o director da TSF Paulo Baldaia (DN de hoje) defenderem as decisões neste tipo de assuntos sejam baseadas no "bom senso" e nos tais casos em concreto, no mínimo, causa-me arrepios. Mas infelizmente é o que temos...  

terça-feira, outubro 23, 2012

Lixo jornalístico

Como diria José Pacheco Pereira, "mau trabalho". Eu diria mesmo mais: péssimo trabalho; criminoso, mesmo. Disponibilizar o Canal Parlamento a todos os portugueses, através da TDT, é verdadeiro serviço público; é um serviço prestado ao país e à democracia (que custa dinheiro), contribuindo, deste modo, para a aprofundar. Era isto que deveria ser salientado em título pela TSF, e não "Canal Parlamento em sinal aberto vai custar 420 mil euros por anos". Tratar o assunto deste modo é uma afronta à democracia e aos cidadãos, à inteligência e um apelo nada velado à emergência de uma qualquer ditadura. Envergonha a TSF, a sua direcção e o jornalista(?) autor da notícia. Depois, senhores jornalistas, queixem-se dos cortes, dos despedimentos, da venda de orgãos de informação a grupo angolanos e assim sucessivamente. Terão razão, mas para melhor justificarem essa razão talvez fosse importante começarem por realizar um trabalho digno da profissão que exercem em vez de produzirem lixo. Estamos entendidos?  

quinta-feira, setembro 27, 2012

O jornalismo e a "Caixa"

Quando se fala na abertura do capital da CGD a privados (não tenho uma posição de princípio favorável ou contrária e acho deve discutir-se o assunto) e se suspeita possa existir entre os cidadãos um sentimento contrário a tal desígnio, surgem logo, estrategicamente colocadas, notícias como esta. Embora desmentidas, fica a tentativa de criar na opinião pública um ambiente favorável aos desígnios governativos. E depois digam o governo tem problemas de comunicação... Tem é problemas políticos (e não são poucos).

Já agora... Não teria sido mais ético confirmar a veracidade da notícia antes de a publicar? E se não  querem queixar-se (com razão) de Rui Rio, importam-se de não se pôr a jeito?

sábado, maio 19, 2012

Miguel Relvas, o público e o privado

O ministro Miguel Relvas deveria demitir-se ou ser demitido a provarem-se as alegadas pressões sobre um jornalista do "Público" e sobre o próprio jornal? Enfim, que um ministro actue deste modo, com a agravante de se tratar do responsável pelo o sector em causa, constitui facto grave e inaceitável, mas também todos sabemos, desde que o país vive em democracia, que o caso não é virgem e, podendo estar a ser atraiçoado pela memória, não me lembro que qualquer dos casos anteriores tenha tido, infelizmente, quaisquer consequências depois de esgotado o ruído conjuntural. Certo que também não estamos, de um ou outro lado, a falar de virgens vestais, e se existem vários tipos de pressões e até promiscuidades, com respectivas gradações, que eu saiba nunca nenhum jornalista chegou ao ponto, felizmente, de acordar de manhã com uma cabeça de cavalo entre os lençóis. De qualquer modo, parece-me (e acho já o escrevi a propósito de um outro assunto) acto politicamente bem mais gravoso ameaçar jornais e jornalistas do que contar uma anedota de mau gosto sobre alentejanos ou fazer "corninhos" a um deputado eleito, o que me parece até bem dentro da tradição parlamentar oitocentista. Isto, claro está, já não falando de alguns acontecimentos tão ou mais graves acontecidos no parlamento madeirense; mas a quem gosta de assumir o papel de "louco da aldeia" quase todos parecem dar desconto e ficar felizes por isso.

No entanto, existe neste caso Miguel Relvas um facto novo que, a confirmar-se (repito: a confirmar-se), ultrapassa aquela linha, nem sequer assim tão ténue, que separa a civilização da barbárie, a decência da rasquice, um cavalheiro de um burgesso, a liberdade do totalitarismo, o que é do domínio público e o que diz respeito ao privado e que não pode, sob nenhum pretexto, ser ultrapassada, muito menos por um governante: ameaçar um cidadão com a devassa da sua vida privada. Caso se prove Miguel Relvas ultrapassou esse limite, ameaçando relatar factos da vida privada da jornalista Maria José Oliveira, deverá nesse preciso momento abandonar o governo bem como quaisquer outros cargos políticos públicos. Caso contrário, já não é apenas a decência (uma questão moral) governamental que está em causa, mas a natureza democrática de um governo que se permite acolher entre os seus quem tais actos pratica.