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quarta-feira, maio 06, 2015

A "roupa suja" Coelho/Portas, a política e a oposição

A primeira consequência da discordância entre Passos Coelho e Paulo Portas sobre o modo como se processou a demissão "irrevogável" deste último é, claro, mais uma humilhação infligida a este último. Mas é também claro que este autêntico "lavar de roupa suja", não afectando a solidez da coligação governamental (os casamentos duram para sempre quando, mesmo apesar de um eventual ódio, não existe melhor opção do que partilhar a casa comum), não deixa de causar algum embaraço entre PSD e CDS e, pior, de transmitir ao respectivo eleitorado potencial uma imagem negativa, de alguma fragilidade, o que se pode revelar decisivo para o resultado das legislativas. Digamos que até aqui tudo é demasiado óbvio. O pior, o pior ainda, é que é preciso ir um pouco mais longe e constatar que tudo isto não deixa de se reflectir na imagem que a chamada "classe política" e a própria política, no seu conjunto, projectam nos cidadãos, infantilizando-as e reduzindo a política, não a um confronto de ideologias e conceitos de vida, que se materializam nas propostas de governação, mas a uma actividade onde o que está essencialmente em causa são "tricas", "casos", desaguisados pessoais, vinganças mesquinhas, zangas de comadres e "tutti quanti". Digamos que é demasiado mau e com atitudes deste tipo a coligação até pode estar a prestar, no curto-prazo e para quem tem vistas curtas, um excelente serviço ao PS - e Passos Coelho, para gáudio dos seus apaniguados, um bom serviço ao PSD. Mas o que acontece, acima de tudo e na realidade, é que PSD e CDS estão, com este tipo de atitudes perigosamente perto do grau zero da política, a prestar um péssimo serviço ao país, do qual, da direita à esquerda, ninguém sai ileso. E por isso mesmo é bom que a oposição, antes de não resistir a entrar no jogo do "maledicência", perca alguns minutos a pensar no assunto . 

sexta-feira, março 28, 2014

"O que aconteceu e não devia ter acontecido"

"O que aconteceu e não devia ter acontecido" (a expressão é de um Paulo Portas oportunamente ressuscitado do além e mais parece um pedido de desculpas de adolescente a uma donzela arrependida depois de numa noite de copos lhe "ter feito aquilo") está pelo menos a ter duas consequências importantes:
  1. Deixou de se discutir a substância, isto é, qualquer projecto sobre reforma futura do sistema de pensões (se é que este governo o tem, do que duvido) e passou a discutir-se a espuma das coisas: a "comunicação" do governo, as suas lutas internas, a falta de sintonia entre governantes, etc, etc. Não digo que isso não tenha a sua importância, mas neste caso a forma é claramente secundária face ao conteúdo. E como espuma que é, desvanecer-se-à rapidamente.
  2. É um verdadeira "ternura" ver alguns dos mais fervorosos jornalistas e "media" defensores deste governo, capazes de todas a acrobacias e atentados deontológicos para o fazerem, transformarem-se rapidamente em críticos (sem sequer passarem pela cada da partida e receberem os dois contos) quando está em causa a defesa da corporação e a idoneidade da entidade patronal. Uma verdadeira "ternura", mesmo. 

quinta-feira, outubro 31, 2013

Uma farsa e um farsante

Como se previa, o tal Guião para a Reforma do Estado é uma farsa, da autoria de um farsante político, um especialista em "sit down comedy". Por isso mesmo, tudo o que fosse discuti-lo seriamente seria colaborar nessa farsa, o que não farei. E pasmo como uma dúzia de comentadores/jornalistas consegue ocupar as televisões durante horas a discuti-lo, levando-o a sério. Honrosa excepção de Pedro Marques Lopes e António José Teixeira, na SIC Notícias, que não conseguiram disfarçar a estupefacção e o pasmo pelo que tinham acabado de ouvir. Aliás, não consigo perceber a "boa imprensa" de Paulo Portas. Por ser filho de Nuno e Helena, irmão de Miguel e Catarina? Por ser de "boas famílias"? Por ter sido jornalista e director do "Independente"? Por ser um cinéfilo confesso? Por ser ex-aluno do São João de Brito? Pela sua estatura e coerência políticas por certo não será. Fora ele o "bimbo" Relvas e onde já não estaria... Pois é, cada um nasce onde nasce.  

segunda-feira, outubro 14, 2013

5 pontos 5 sem "condição de recurso"

  1. Ao fazer depender o recebimento integral da pensão de sobrevivência, não dos rendimentos globais, qualquer que fosse a sua proveniência (o que já seria questionável numa pensão do regime contributivo), mas do valor recebido pelo conjunto das pensões recebidas - existindo mais do que uma -, entre um Conselho de Ministros-maratona e uma conferência de imprensa em "defesa da honra" de Paulo Portas, lá se esfumou pelo fosso de desafinada orquestra a tão badalada "condição de recurso". No fundo, estamos apenas perante mais um corte baseado em premissas irracionais; um método expedito de "arrecadar umas massas" e de, simultaneamente, fazer brilhar o populismo "portista" (de Paulo Portas) junto das "velhinhas", grupo-alvo favorito do "partido dos pensionistas". Fica uma vaga promessa (irrevogável?) de que no futuro logo se verá como vai ser.
  2. Parece-me ter ficado também claro que, a partir de agora, é bem melhor contratar uma "renda vitalícia", um seguro de vida, determinado tipo de PPRs, receber de um qualquer fundo de pensões ou, pura e simplesmente, herdar e vender umas acções, umas pratas e uns serviços Companhia da Índias do que descontar para a Segurança Social.
  3. Com razão, Pedro Adão e Silva compara a actual situação com a de uma companhia de seguros que se recusasse a cumprir os compromissos contratados com os seus segurados. De imediato, lá vieram alguns dos "talibãs" do costume lembrar que o Estado português faliu e que, tal como aconteceria se o mesmo acontecesse a uma companhia de seguros, não pode honrar os seus compromissos perante os cidadãos. Disparate. Os Estados não fecham; não abrem falência, não entram em situação de insolvência, nem deixam de existir por razões desse tipo. Aliás, é essa a garantia-extra, a segurança, que oferecem aos cidadãos que com ele estabelecem uma relação contratual. Pode até o Estado entrar em situação pontual de incumprimento ou de adiamento de pagamentos, mas os cidadãos assumem sempre essa garantia de cumprimento quando com ele contratam. Se o Estado não assume em permanência as suas obrigações contratuais deixa de cumprir com uma das obrigações que justifica a sua existência. Daí ao caos, vai um pequeno passo. 
  4. Também muito interessante é ouvir os mesmos "talibãs" que afirmam temos de fazer o impossível para cumprir com os compromissos assumidos perante os nossos credores (e eu também acho que, dentro dos limites do politica e moralmente aceitável, o devemos fazer) afirmarem que se o Estado não tem dinheiro não pode cumprir com os mesmos compromissos assumidos perante os cidadãos - relativos, por exemplo, ao pagamento de pensões e reformas. Estamos perante mais um exemplo da chamada "lei do funil", que estreita conforme as conveniência. Aliás, até na falência de uma empresa os seus trabalhadores (e podemos, no caso do Estado, fazer a analogia com os cidadãos) são credores preferenciais. Enfim, não imagino que mais me vai ser dado ouvir.
  5. Alguém tem de me explicar que decisões racionais e ponderadas se podem tomar ao fim de sete, oito, dez, doze horas de reunião com mais de uma dezena de participantes. Estamos perante um conjunto de alunos cábulas que não estudaram atempadamente, só que, neste caso, a cabulice tem implicações na vida de todos nós. 

sábado, julho 06, 2013

Paulo Portas: uma derrota estrondosa

Paulo Portas, que desde a chamada crise da TSU sempre tentou descolar do governo a que pertencia (o facto de ser ministro dos Negócios Estrangeiros dava-lhe margem para tal), o que culminou com a sua demissão desta semana, fica agora responsável pela coordenação económica, pelas relações com a "troika" e pela reforma do Estado (leia-se, pelos "cortes"). Mais ainda, ficou confirmada a apresentação de listas conjuntas às eleições europeias do próximo ano. Significa isto que  Passos Coelho e o PSD amarraram completamente Paulo Portas e o CDS a este governo, à sua actuação e aos seus resultados. Também às consequências eleitorais que daí possam advir. Deste modo, Paulo Portas deve ter tido hoje a maior derrota política da sua vida, o que, aliás, me pareceu bem visível na "cara de enterro" que  o acompanhou durante toda a conferência do Hotel Tivoli. 

quinta-feira, julho 04, 2013

Pedro e Paulo ou o único racional possível

Recusando-me a acreditar tudo não passa de uma birra entre adolescentes, de "catraios" ou de "gaiatos", como se diria no vernáculo "tripeiro" muito adequado para definir certo tipo de situações, não retiro nem uma linha ao raciocínio que aqui exprimi. Acontece que a estratégia de Portas não terá sido bem compreendida ou, o que é bem mais provável, não terá sido bem recebida pelos orgãos dirigentes do CDS, que não terão querido correr os riscos inerentes, e Paulo Portas viu-se assim obrigado a recuar nas suas intenções. O problema é que se a estratégia inicial de Portas comportava riscos, mas também, se bem gerida, continha potencialidades para uma afirmação do CDS como partido preferencial do voto da direita, o actual recuo arrisca-se a arrastar o CDS num muito possível processo de "pasokização" do PSD, comportando enormes riscos para a democracia e para o regime. Veremos o que nos reservam as próximas sondagens.

quarta-feira, julho 03, 2013

Paulo Portas e o cenário de "pasokização" da direita.

Pode Paulo Portas ser acusado, como o faz a facção mais radical dos apoiantes do actual governo moribundo, de ter pensado mais nos seus interesses e nos do partido a que preside do que num qualquer "interesse nacional" identificado com a manutenção do "status quo"? Mais devagar, e principalmente não entremos por raciocínios simplistas e redutores que só menorizam quem os produz, embora seja esse o caminho que mais favorece a ainda actual "vanguarda" dirigente.

Como qualquer general competente que vê dificilmente as suas forças conseguirão vencer a batalha em curso, desde a chamada crise da TSU, de Outubro de 2012, que Portas percebeu que o governo tinha entrado na sua curva descendente, decidindo então afastar-se dele o suficiente e tentando assim, recuando em boa ordem, salvaguardar o máximo possível do seu exército e dos seus homens, reservando-os para batalhas futuras travadas em condições mais favoráveis. Os sinais foram muitos e bem evidentes e o demolidor comunicado das associações patronais contra o governo, em conjunto com um quase-apelo à greve geral e com a aproximação entre a UGT e a CGTP, foi visto - e bem - por Paulo Portas como o toque a finados pelo governo em exercício. Faltava - tal como nos rompimentos conjugais - um pretexto, mesmo que fútil, e esse foi a nomeação de Maria Luís Albuquerque, como poderia ter sido qualquer outro. A decisão estava tomada.

Mas atenção: se esta decisão pretende salvaguardar Paulo Portas e o CDS de um desastre mais do que anunciado, tentando salvar o que resta do partido para futuras batalhas e assim prejudicando o PSD e Passos Coelho, ela tem um objectivo bem mais vasto e consequente: perante um possível cenário de "pasokisação" do PSD, que poderia arrastar consigo o CDS caso este se mantivesse em comunhão plena com Passos Coelho, evitar uma enorme crise de representação política na direita portuguesa, o que seria dramático para o regime e para a democracia. Tendo isto em atenção, embora neste momento, numa reacção primária e ainda demasiado a quente, alguns possam ver em Paulo Portas o carrasco executor do actual projecto político, a prazo, o espaço ideológico que normalmente se reconhece na direita, mas também todos os outros, à esquerda ou á direita, que se revêem no actual regime, ainda um dia se mostrarão gratos à inteligência e perspicácia políticas reveladas pelo cidadão Paulo Sacadura Cabral Portas. veremos se tenho razão.

terça-feira, julho 02, 2013

Paulo Portas: a oportunidade de uma vida

No fundo, é assim: Pedro Passos Coelho tenta a todo o custo evitar que Paulo Portas e o CDS retirem dividendos políticos e eleitorais da demissão deste último de ministro um governo impopular e sem apoio social. Com este sua atitude, bem patente na comunicação de hoje ao país, o actual líder do PSD tenta simultaneamente minimizar futuras perdas eleitorais do partido, lutando assim contra a fuga de votos dos eleitores de direita para o CDS e, simultaneamente, pela sua sobrevivência política. Mas existe uma diferença entre ambos: Passos Coelho talvez não o reconheça, mas está politicamente morto; Paulo Portas e o CDS, se gerirem bem a situação, podem ter aqui a oportunidade de uma vida.

A demissão de Paulo Portas à "vol d'oiseau"

  1. Estamos perante a maior derrota daquele que é talvez, enquanto político, o maior "bluff" da democracia portuguesa: Aníbal Cavaco Silva. Digamos que em função da sua actuação, presente e passada, a merece inteiramente.
  2. Ao decidir-se pelo arquivamento do processo contra Miguel Sousa Tavares, o Ministério Público talvez não imaginasse que o futuro próximo, apenas um par de horas depois, lhe viria a dar total razão. 
  3. Como sempre, a política acabou por vencer a mera visão economicista e tecnocrática da governação. Só se pode espantar quem despreza ou minimiza a cultura política e o seu primado na abordagem das questões relativas ao funcionamento das sociedades.
  4. Já agora, e "fishing for compliments", era fácil prever.

segunda-feira, maio 13, 2013

CDS: o fim de uma história "bonita"

Numa coligação, o papel fundamental dos partidos mais pequenos e a mais valia que podem representar, para além da soma dos votos e dos deputados, é trazerem para o governo de que fazem parte a representação de grupos minoritários, alargando assim a base de apoio desse mesmo governo. Claro que o risco de alguma conflitualidade no executivo pode assim aumentar, mas o alargamento da sua base social de apoio e um certo "arejamento" de ideias, evitando o "enquistamento", que esses partidos minoritários possam trazer consigo parece-me, numa maioria dos casos, compensar esse tal risco de alguma conflitualidade acrescida. O CDS de Paulo Portas tem percebido isso e, desse modo, foi tentando, na sua história recente, arvorar-se em defensor e representante privilegiado de alguns desses grupos e dos seus interesses e reivindicações mais imediatos. Ele foram os "lavradores", os "antigos combatentes", os "pescadores", os "pensionistas" e mais alguns que não recordo. No fundo, uma pequena-burguesia digamos que esquecida pelo poder, nele pouco representada ou deixada para trás pelo desenvolvimento, pela integração europeia e globalização da qual o CDS se quis fazer representante. A inteligência e habilidade políticas de Paulo Portas, em conjunto com o seu indiscutível carisma e, porque não dizê-lo, alguma falta de escrúpulos, foram dando o seu contributo e o CDS lá se foi mantendo na sua quota eleitoral de dois dígitos.

Esta foi, para o CDS, uma história mais ou menos bonita, mas que me parece ter acabado num domingo véspera de um treze de Maio. Agora, se aos portugueses ainda lhes restar alguma memória ou discernimento político, nem uma oração, ajoelhado junto ao túmulo da irmã Lúcia, poderá salvar Paulo Portas do descrédito e o CDS de se limitar a fazer número no governo, acrescentando-lhe os seus votos e deputados. Vítor Gaspar ganhou mais uma batalha.

segunda-feira, maio 06, 2013

O "Dia da Mãe" de Paulo Portas

O pedido final de Paulo Portas, na sua comunicação de ontem, para que o deixassem ir festejar o "Dia da Mãe" foi uma espécie de "assinatura" publicitária de um produto, uma espécie de "Omo lava mais branco" ou "coisa doce tão fofinha" (das "Bombocas", para os mais novos) que serve para comunicar aos consumidores, de forma resumida e memorizável, os valores de uma marca. "What the brand stands for", para falar no "jargão" do "marketing" e dos negócios. Paulo Portas é pois aquele que, num governo onde impera a tecnocracia "dura e empedernida" de Gaspar, se preocupa com os mais fracos, os mais velhos e desprotegidos, as mães e os avós que, na actual emergência, se vêm na contingência de  "terem de valer" a filhos e netos. Aquele que é capaz de abreviar um importante assunto de Estado para correr para junto de sua mãe no dia que lhe é tradicionalmente dedicado. No fundo, para que a comunicação fosse ainda mais eficaz, apenas terá faltado aparecesse em fundo, pairando no ar como no episódio de Woody Allen nas "Histórias de Nova Iorque" ou em plano pós-packshot" de um filme publicitário, a mãe de Paulo Portas enxugando uma pequena lágrima furtiva perante tal manifestação de amor filial. Sejamos honestos: nenhum David Ogilvy deste mundo faria melhor. 

quinta-feira, outubro 18, 2012

O dilema do CDS (2)

Entre duas possibilidades extremas, o CDS tenta viver no melhor de dois mundos: comer o bolo e ficar com ele. Digamos que no curto-prazo a opção tem potencialidades, mas a prazo arrisca-se a ser desastrosa, já que "é possível enganar alguns todo o tempo ou todos durante algum tempo", mas "é impossível enganar todos todo o tempo". Paulo Portas sabe-o bem, mas a tentação de adiar é grande e "enquanto o pau vai e vem"...

quarta-feira, outubro 17, 2012

O dilema do CDS

O CDS está perante um dilema: por um lado, tem perante si a melhor "oportunidade de negócio" da sua vida com Paulo Portas, podendo aproveitar a actual extrema fragilidade do PSD, maior partido de um governo que bate recordes de impopularidade, para crescer como nunca o fez, embora para tal tivesse de abandonar esse mesmo governo; por outro, receia que a quebra da coligação possa ser tomada pelo país e por uma parte do seu eleitorado tradicional como causa de uma indesejável crise política que mergulhasse o país na incerteza, com as respectivas consequências penalizadoras em futuras eleições. No fundo, serão estes dois parâmetros extremos, em conjunto com os interesses empresariais mais directos de alguns dos seus dirigentes (Pires de Lima, por exemplo), que irão definir qualquer decisão do CDS sobre a sua continuidade  no actual governo. Aceito seja para Paulo Portas uma decisão muito difícil.

quinta-feira, outubro 04, 2012

CDS: um péssimo serviço à democracia

O facto de o CDS ser apenas uma espécie de "partido muleta", de "verdes" do PSD disposto a tudo para se manter no poder, acrescenta um problema à democracia portuguesa: o partido não constitui alternativa para aqueles que, situando-se politica e ideologicamente à direita, não se reconhecem no PSD e governo actuais de Passos Coelho, Gaspar, Borges e Moedas. Contribui assim, em conjunto com a inexistência de um partido à esquerda capaz de dialogar e estabelecer acordos com o PS, para um bloqueamento do actual sistema partidário e até do próprio regime. Paulo Portas está a prestar um péssimo serviço à democracia. 

sábado, setembro 08, 2012

O dia seguinte

  1. Depois da comunicação de ontem do primeiro-ministro e das gravíssimas medidas anunciadas, esperava ouvir hoje Paulo Portas explicar ao país porque razão o CDS mudou de ideias e resolveu aceitar, ao contrário do que vinha apregoando, uma gravoso e iníquo aumento de impostos para a maioria dos portugueses. Em vez disso - e uma mudança de   atitude tão radical por certo só poderá ter sido ditada por razões muito graves -  ouvi apenas alguns recados transmitidos por criados de ocasião, enquanto Portas, no estrangeiro, tratava de ser pôr a bom recato.
  2. Do mesmo modo, teria esperado ouvir o líder do principal partido da oposição, António José Seguro, imediatamente a seguir à comunicação do primeiro-ministro, dirigir-se formalmente aos portugueses explicando, de forma inequívoca, porque não é a estratégia de empobrecimento o caminho e qual a alternativa que o Partido Socialista, um partido com raízes nos valores da social-democracia europeia, propõe para que os portugueses mantenham alguma esperança e confiança no futuro. Em vez disso, tivemos apenas direito a uma breve comunicação do líder parlamentar Carlos Zorrinho, mais radical na forma do que no conteúdo, continuando, vinte e quatro horas depois, Seguro "desaparecido em combate".
Vale a pena acrescentar mais alguma coisa?
    

domingo, abril 22, 2012

O "cavaleiro andante" Paulo Portas

O golpe de estado na Guiné-Bissau caiu como sopa no mel a Paulo Portas e ao CDS. Permite-lhes assumir protagonismo político fora das questões de ordem económica que quase hegemonizam a actividade governamental e penalizam os portugueses, desvia as atenções do recente "faux pas" (diria mais, "trambolhão") do ministro Mota Soares a propósito da segurança e social e, "last but not least", transforma o Ministro dos Negócios Estrangeiros numa espécie de "cavaleiro andante" de armadura reluzente na defesa da democracia, honra, justiça e paladino do "império do bem". Vendo bem, até  é um fato feito à medida do ministro Portas. 

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Paulo Portas e a Constituição

Confesso que me enterneço quando oiço os que sempre protestaram contra uma Constituição que consideram ser demasiado programática (e eu também acho que há por lá muita tralha, mas era o "ar do tempo") virem agora defender seja nela incluída uma cláusula que limite os "déficits" orçamentais e o endividamento. É que mais programático do que isto não haverá muitas coisas. É preciso ter "lata" para tanta pirueta!  

quinta-feira, junho 16, 2011

Novo governo: nenos bravata, se faz favor.

Quando temos perante nós uma tarefa complicada e difícil, com objectivos cujo cumprimento exige o nosso melhor, mandam as regras da gestão e do bom-senso que nela nos concentremos sem nos deixarmos distrair por questões acessórias, sem tentarmos ser "mais papistas do que o Papa" convencendo-nos de que podemos ir mais além. É este o caso futuro governo PSD/CDS, mais a mais sabendo que limitando-se a executar o trabalho que lhe é prioritariamente pedido terá, no mínimo e obrigatoriamente, a neutralidade do principal partido da oposição.

É exactamente por isso que me parecem pouco avisadas as afirmações de Passos Coelho sobre o compromisso do seu governo ir mais além do que é pedido no Memorando de Entendimento e, pior, falar de revisão constitucional, algo para que necessitará do nada provável apoio do PS. Gostaria bem mais de ter ouvido da parte do primeiro-ministro indigitado e do seu "compagnon de route" Paulo Portas o compromisso solene de que o cumprimento do MoU seria a sua tarefa essencial, e a tal dedicariam o seu melhor, considerando com a realização desse objectivo cumprido integralmente o seu dever de governantes. E que se mais e melhor conseguissem vir a fazer (o que tentariam), tal se fizesse sem bravata e anúncio prévio do que não é garantido. Assim, estão a arriscar demasiado, o que seria um problema apenas seu se não arriscassem também o país.

terça-feira, maio 03, 2011

Paulo Portas candidato a primeiro - ministro?

Claro que ninguém no seu perfeito juízo acredita Paulo Portas vá ser o próximo primeiro-ministro. Mas temos de concluir que assumir a sua candidatura ao cargo foi um modo inteligente de condensar numa frase, num "soundbite", aquele que é um dos seus objectivos (talvez o principal) para estas eleições: aproveitar o chorrilho de asneiras do PSD para capitalizar em si e no seu partido os votos de muitos eleitores potenciais de direita e centro-direita (e até de alguns  fugazes eleitores socialistas descontentes). Não me parece tenha caído no ridículo e, nesse aspecto, até acho merece bem uma chapelada!

domingo, março 20, 2011

Paulo Portas, a mentira e a boa governação

Do "Público":

"Paulo Portas promete governar sem mentir aos portugueses."

Bom, como duvido qualquer governante tenha sempre possibilidades de o fazer (de não mentir), em toda e qualquer situação, e, mesmo que isso por absurdo viesse a acontecer, tal (nunca mentir) pudesse ser sempre considerado positivo para uma boa governação, das duas uma: ou Paulo Portas está já a mentir ou nem sempre irá ser, de facto, um bom governante.