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quinta-feira, agosto 04, 2011

Equipas com mais jogadores nacionais ou Liga Europeia?

Em vez de criticarem a falta de jogadores portugueses nas equipas nacionais, o que não terá quaisquer consequências e é uma posição ideologicamente reacionária (o tempo não volta para trás nem o mundo anda às arrecuas), os jornalistas e comentadores deveriam aproveitar a oportunidade para, partindo desta constatação, se interrogarem sobre se um sistema competitivo baseado fundamentalmente em ligas nacionais continua a fazer sentido. É, mais uma vez, a velha questão da Liga Europeia ou da fusão de ligas nacionais, pois claro.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

O SLB, a "Deloitte Football Money League" e as receitas de TV

Para ser muito breve e não maçar os meus leitores com minudências. O que mais salta à vista ao analisarmos a "Deloitte Football Money League", é a incongruência de o SLB ser o 10º clube em receitas de bilheteira (40M€ correspondentes a 41% das receitas totais do clube), o 16º em termos de receitas comerciais (41.2M€ correspondentes a 42% das receitas totais) e sendo, ao contrário de muitos dos seus congéneres europeu, um clube de expressão nacional num país com 10M de habitantes e outros tantos, pelo menos, na diáspora, nem sequer consiga um lugar entre os 20 primeiros em termos de receitas de TV (estará mesmo muito longe). Mais ainda, os 16.8M€ destas receitas (apenas 16.8% do total) correspondem a menos de metade do que clubes “regionais” como o Hamburger SV e o Schalke 04 conseguem obter e menos de 1/3 de clubes como o Atlético Madrid, Tottenham Hotspur, Aston Villa e Manchester City. Mais ainda: no “ranking” dos 20 clubes com maiores receitas, nenhum se situa abaixo dos 35M€ de receitas televisivas e de uma participação destas no “bolo” total de 23%.

Razões? Em primeiro lugar um contrato que é altamente lesivo dos interesses do clube e que muito pouco ou nada tem que ver com o real valor e importância deste em termos de audiências televisivas. Em segundo lugar, e muito, mas muito importante, com o facto de disputar um Liga com pouca ou nenhuma expressão internacional, o que condiciona muitíssimo a venda internacional das suas transmissões televisivas. Uma Liga que constitui, portanto, fato demasiado apertado para o potencial demonstrado pelo meu clube em gerar receitas que o tornem ainda mais competitivo em termos internacionais.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Porque não vão os portugueses ao futebol...

Querem - mas querem, mesmo - perceber porque não vai o público ao futebol em Portugal? Então deixem-se de devaneios sobre a crise, o horário dos jogos, o frio e a chuva. Muito menos sobre o desconforto dos estádios, que, em boa parte dos casos, já não é verdadeiro.

Ontem, no Bernabéu, num jogo em que se defrontavam o 1º e 3º classificados do campeonato de Espanha, estiveram presentes 80 000 espectadores. Quem viu o jogo assistiu a uma extraordinária e emotiva partida de futebol, isto apesar do público do Real Madrid normalmente pouco contribuir com o seu entusiasmo (não conheço "aficción" de grande clube menos barulhenta e mais macambúzia...) para o espectáculo. Ninguém, nem mesmo os adeptos do derrotado Villareal terão de lá saído com a sensação de tempo mal empregue e dinheiro mal gasto.

Por contraste, pergunto quem não sendo ferrenho benfiquista (e eu sou) se terá disposto a ir a Leiria assistir a um jogo entre 2º e 4º classificados que, em 80% do tempo de jogo, não entusiasmou ninguém e se limitou a provocar um enorme e longo bocejo... Isto depois de ter assistido calmamente, via TV, ao Madrid-Villareal. 12 500 heróis, foi a soma anunciada.

É a concorrência, estúpidos! Perante isto, pergunto-me como ainda existe gente que se manifesta contrária à integração das duas Ligas Ibéricas.