Para além dos 400M em si mesmos e do facto do SLB se permitir assim, com um contrato a dez anos, ter garantias que lhe facilitam uma gestão criteriosa a longo prazo, passando a depender menos da capacidade de contrair dívida e das condições impostas por fundos de investimento e alguns agentes desportivos, o contrato com a NOS constitui ainda enorme vitória sobre a parceria Proença/Olivedesportos/FCP/SCP, provando a muitos dos chamados "clubes pequenos", apoiantes de Pedro Proença, quem de facto tem mais poder no futebol português. Vem ainda confirmar, se tal ainda fosse necessário, que não faz qualquer sentido SLB, FCP e SCP (pelo menos estes) continuarem a disputar uma Liga nacional, deste modo cada vez mais desequilibrada, que impede o seu crescimento e onde são autenticamente "parasitados" pelos restantes clubes.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
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sexta-feira, dezembro 04, 2015
sexta-feira, março 01, 2013
BenficaTV: um golpe profundo no "sistema"
- O SLB desferiu ontem um golpe talvez decisivo nos poderes (o chamado "sistema") que têm governado o futebol português nos últimos trinta anos. Ao retirar os jogos da Premiership à Sport TV - a que seguirão, certamente, os jogos do SLB na Liga portuguesa - e o monopólio "de facto" dos direitos televisivos da transmissão de jogos de futebol à Olivedesportos, que tem actuado como financiador de último recurso dos clubes e que está umbelicalmente ligada ao FCP (os irmãos Oliveira detêm 20% do capital da respectiva SAD), o SLB não só está em condições de vir a aumentar significativamente os proveitos auferidos com direitos televisivos dos seus jogos, como abre a porta à entrada de novos parceiros no negócio, mudando completamente, também em benefício próprio, o panorama até agora conhecido.
- Para percebermos bem a importância do acontecimento e do golpe desferido, do verdadeiro "terramoto" que representa, basta ter em atenção que durante o dia de ontem, e tendo o facto sido conhecido a meio da tarde, dos "media" ligados à Controlinveste (Jogo, JN, DN e TSF) apenas a TSF noticiou o facto na sua página da "internet" e já bem noite dentro. Hoje, na primeira edição do seu Jornal de Desporto (9.35h) ignorou, pura e simplesmente, a notícia mais importante do dia desportivo e o DN, na sua edição de hoje, remete-a para a secção "media".
- Com este sucesso, a BenficaTV ganha a massa crítica necessária para se tornar um player decisivo no mercado das transmissões televisivas, conferindo ao SLB-clube um muito maior poder negocial. Pode mesmo, de futuro, vender alguns dos jogos a outros operadores, com os eventuais benefícios daí resultantes.
- Claro que para se poder ter uma visão completa da situação é preciso ter também em conta a pretensão da LPFP em negociar os direitos de transmissão dos seus jogos em "bloco", tal como acontece, por exemplo, e com o sucesso conhecido, com a Premiership. O tradicional poder da Olivedesportos pode estar também aqui em causa e os ataques que a LPFP tem vindo a sofrer não podem ser desligados desta pretensão.
- Com excepção dos principais jogos da Liga portuguesa e dos jogos da Liga espanhola em que intervém o Real Madrid, as transmissões da Premiership são as que atraem maior audiência. Se José Mourinho se mudar para Inglaterra na próxima época o número de espectadores aumentará significativamente, o que faz realçar ainda mais a importância deste negócio.
- A MEO, plataforma que actualmente disponibiliza a BenficaTV, tem aqui uma oportunidade de oiro para conquistar quota de mercado à sua principal concorrente (ZON), com os benefícios correspondentes para a Benfica TV. Esta terá a "faca e o queijo na mão" para negociar com ambos os operadores. Não esquecer também que a ZON, cuja principal accionista é Isabel dos Santos, o que pode ter também repercussões futuras na venda dos jogos para o emergente mercado angolano, onde já trabalham e vivem cerca de 100 000 portugueses, detém 25% (salvo erro) do capital da SportTV. A entrada da Benfica TV neste mercado das transmissões televisivas pode pois vir a mudar muita coisa.
- Vamos certamente assistir a uma mudança significativa na política de preços da SportTV e, dependendo do que vier a acontecer com a disponibilização ou não da BenficaTV através da plataforma ZON, nos tarifários "triple play" desta última.
- Não se sabe ainda como se vai processar o acesso dos telespectadores à BenficaTV. Livre? Pagamento mensal? Sistema "pay per view"? Aguardemos A procissão ainda nem sequer saiu da igreja, mas nada vai, seguramente, ficar como dantes.
terça-feira, março 06, 2012
Gato escaldado...
Basta ser leitor habitual deste "blog" para perceber que defendo deve o SLB jogar forte na questão dos direitos televisivos: o valor recebido actualmente não tem em conta as audiências geradas pelos jogos do clube, fica muito aquém do valor por espectador pago a muitos clubes estrangeiros de dimensão semelhante (embora reconheça que há outras condicionantes que têm que ver com o mercado publicitário e o poder de compra dos portugueses) e é da sua renegociação que pode vir o crescimento futuro mais significativo das receitas do clube. Sei também que a direcção do SLB pensa algo de semelhante, e por isso tem colocado este assunto em lugar de destaque nas suas prioridades.
Tendo dito isto, e após leitura desta notícia, gostaria de saber se a recusa significa que existe uma alternativa sólida à Olivedesportos, se estamos perante uma (compreensível e louvável) atitude de força negocial destinada a fazer subir os valores em causa ou se se trata apenas de uma jogada táctica destinada a fomentar pontualmente a coesão de associados e adeptos em torno da direcção num momento desportivamente complicado para a direcção do clube, o que já me pareceria criticável e correria o risco de se voltar contra o clube num futuro mais ou menos próximo. O futuro o dirá. Mas gato escaldado...
sábado, dezembro 27, 2008
Futebol, mercados e transmissões televisivas
A imprensa desportiva continua teimosamente a pensar e ver o futebol como ele era há 30 ou 40 anos, convencendo-se e tentando convencer os incautos de que os grandes clubes do futebol português o continuam a ser em termos internacionais na era em que a televisão e os direitos desportivos substituíram as quotizações e as receitas de bilheteira como principais fontes de financiamento da actividade desportiva. É este o tipo de raciocínio que está subjacente ao artigo de Rui Cartaxana no “Record” on-line.
Partindo de uma afirmação verdadeira, um Acordão do Tribunal da Relação de Lisboa que afirma que quem adquire os direitos de transmissão televisiva “só poderá ser uma entidade legalmente autorizada a exercer a actividade de televisão” - o que não é, como se sabe, o caso da Olivedesportos – e daí tirando as devidas conclusões que me parecem ser também incontestáveis (“o dr Vale e Azevedo pode ser o que for, isso não invalida que, de facto, teve razão quando denunciou os contratos com a Olivedesportos”), Rui Cartaxana salta destas premissas para uma conclusão que elas não justificam, isto é, que aquilo que os clubes portugueses recebem como receitas das transmissões televisivas está francamente sub-avaliado (“para se ter uma ideia, a Olivedesportos paga ao conjunto dos clubes portugueses cerca de 40/42 milhões de euros/ano. Um clube espanhol de 2ª linha como o Villarreal cobra sozinho 46 milhões/ano. E um clube como o Tottenham arrecada só por si, 51 milhões! Andamos todos a brincar com coisas sérias…” ).
Ora embora partindo do princípio que os contratos dos clubes portugueses podem ser melhorados (tese que partilho), apresentar como exemplos comparativos o Villareal e o Tottenham já me parece um exagero e algo que não tem em conta realidades bem distintas: Portugal tem cerca de 10 milhões de habitantes, Espanha um pouco mais do que 45 milhões e o Reino Unido cerca de 60 milhões. Isso significa que se um qualquer jogo entre os três grandes portugueses pode atingir uma audiência de, por exemplo, 2 ou 3 milhões de telespectadores, em Portugal, facilmente, e de modo menos do que proporcional, um Villareal-Barça, Real Madrid ou, até, Valência ou Atlético, mesmo tendo em conta a relativa pequena dimensão da massa adepta do Villareal, facilmente chegarão aos 7 ou 8 milhões só em Espanha. Idem no que diz respeito aos jogos dos "Spurs", na melhor liga do mundo. A dimensão dos mercados dita a sua lei!
Mas devemos ir mais longe. Quer os principais jogos da liga espanhola quer os da Premiership são vendidos para quase todo o mundo, atingindo audiências de muitas dezenas ou centenas de milhões de pessoas em mercados de médio/elevado poder de compra, como o são, por exemplo, o Extremo-Oriente e a América Latina. Isto é algo que não acontece com a liga portuguesa, quando muito com alguma excepção no caso antigas colónias - mercados de muito fraco poder de compra - ou da diáspora europeia. Daqui resulta que considere ainda mais optimista (devo dizer, irrealista?) a comparação efectuada por Rui Cartaxana, embora não conteste a sua boa vontade e a legitimidade e urgência dos objectivos a que se propõe. Daí também considere que, se melhorar um pouco os actuais direitos televisivos é algo possível e desejável, a longo prazo só existe um caminho para tornar os principais clubes portugueses competitivos: fazê-los partilhar do mercado mundial das grandes ligas europeias, o que significa forçar a UEFA, através da fusão de alguns campeonatos nacionais, a permitir a criação de uma Liga Ibérica. Tudo o resto são apenas paliativos; aspirinas que diminuem a dor mas não curam a grave doença.
Partindo de uma afirmação verdadeira, um Acordão do Tribunal da Relação de Lisboa que afirma que quem adquire os direitos de transmissão televisiva “só poderá ser uma entidade legalmente autorizada a exercer a actividade de televisão” - o que não é, como se sabe, o caso da Olivedesportos – e daí tirando as devidas conclusões que me parecem ser também incontestáveis (“o dr Vale e Azevedo pode ser o que for, isso não invalida que, de facto, teve razão quando denunciou os contratos com a Olivedesportos”), Rui Cartaxana salta destas premissas para uma conclusão que elas não justificam, isto é, que aquilo que os clubes portugueses recebem como receitas das transmissões televisivas está francamente sub-avaliado (“para se ter uma ideia, a Olivedesportos paga ao conjunto dos clubes portugueses cerca de 40/42 milhões de euros/ano. Um clube espanhol de 2ª linha como o Villarreal cobra sozinho 46 milhões/ano. E um clube como o Tottenham arrecada só por si, 51 milhões! Andamos todos a brincar com coisas sérias…” ).
Ora embora partindo do princípio que os contratos dos clubes portugueses podem ser melhorados (tese que partilho), apresentar como exemplos comparativos o Villareal e o Tottenham já me parece um exagero e algo que não tem em conta realidades bem distintas: Portugal tem cerca de 10 milhões de habitantes, Espanha um pouco mais do que 45 milhões e o Reino Unido cerca de 60 milhões. Isso significa que se um qualquer jogo entre os três grandes portugueses pode atingir uma audiência de, por exemplo, 2 ou 3 milhões de telespectadores, em Portugal, facilmente, e de modo menos do que proporcional, um Villareal-Barça, Real Madrid ou, até, Valência ou Atlético, mesmo tendo em conta a relativa pequena dimensão da massa adepta do Villareal, facilmente chegarão aos 7 ou 8 milhões só em Espanha. Idem no que diz respeito aos jogos dos "Spurs", na melhor liga do mundo. A dimensão dos mercados dita a sua lei!
Mas devemos ir mais longe. Quer os principais jogos da liga espanhola quer os da Premiership são vendidos para quase todo o mundo, atingindo audiências de muitas dezenas ou centenas de milhões de pessoas em mercados de médio/elevado poder de compra, como o são, por exemplo, o Extremo-Oriente e a América Latina. Isto é algo que não acontece com a liga portuguesa, quando muito com alguma excepção no caso antigas colónias - mercados de muito fraco poder de compra - ou da diáspora europeia. Daqui resulta que considere ainda mais optimista (devo dizer, irrealista?) a comparação efectuada por Rui Cartaxana, embora não conteste a sua boa vontade e a legitimidade e urgência dos objectivos a que se propõe. Daí também considere que, se melhorar um pouco os actuais direitos televisivos é algo possível e desejável, a longo prazo só existe um caminho para tornar os principais clubes portugueses competitivos: fazê-los partilhar do mercado mundial das grandes ligas europeias, o que significa forçar a UEFA, através da fusão de alguns campeonatos nacionais, a permitir a criação de uma Liga Ibérica. Tudo o resto são apenas paliativos; aspirinas que diminuem a dor mas não curam a grave doença.
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