A comunicação social há muito conhecia o teor das escutas do processo “apito dourado”, agora “escarrapachadas” na internet: essas escutas – como tantas outras - foram em devido tempo publicadas nos seus jornais. Mais, a comunicação social, com acesso aos bastidores do futebol português, há muito sabia aquilo que toda a gente já sabia ou de que tinha, pelo menos, mais do que fortes suspeitas: quem eram alguns dos principais responsáveis e agentes do futebol português e o modo como se comportavam e o geriam. Nada de novo: alguns deles (será necessário citar o nome de Valentim Loureiro?) possuíam um longo registo (poderei dizer “cadastro”?) de factos e actos que falavam por si de modo bem explícito. Mas essa mesma comunicação social, em vez de investigar, denunciar e provar, como seria sua obrigação, factos e actos, preferiu, salvo muito raras excepções, promover figuras como Pinto da Costa e Valentim Loureiro (e cito estes por uma questão apenas factual: haverá muitos outros) a exemplos "ensinados às crianças e lembrados ao povo", enaltecendo a sua capacidade de empreendedores e o seu génio gestionário capaz levar clubes à conquista de títulos, internamente e na Europa, e à glória suprema - no caso de Valentim Loureiro também à falência; mas... who cares? Já a sabíamos – a uma grande parte da comunicação social - pouco séria, a desportiva servindo interesses clubistas e agenciais, mas agora também a sabemos conivente em tudo o que aconteceu. Deverão, pois, ser os primeiros a ter vergonha na cara.
Nota final: depois disto, importa-se a justiça, pelo menos por umas "semanitas", de deixar Vale e Azevedo em paz e sossego? Inocente? Quem o deve fazer - os tribunais - já disse o não era e por isso cumpriu pena. Mas, por isso mesmo e pelo que vimos e ouvimos, mais me parece ser apenas um pobre aprendiz de feiticeiro, inábil e desajeitado, um émulo de Jerry Lewis “pé no balde e bola na cara”, um pobre Charlot a quem o valentão da rua “passa permanentemente a perna”, uma espécie de coiote sem arte e sem sorte vítima das suas mal amanhados armadilhas, sem aquele traquejo de quem aprendeu o ofício nos becos e nas vielas, nas lutas de “ponta e mola”, nas casas de alterne e na pequena traficância de ocasião. Enfim... não é "um homem do norte", carago!!!