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sexta-feira, setembro 12, 2014

Apenas uma nota sobre a demissão de Paulo Bento

Embora eu não me considere um entusiasta da selecção e do futebol de selecções, em termos gerais, quem acompanha o que vou escrevendo neste "blog" sabe o que penso sobre a selecção e também sobre Paulo Bento. Portanto, a única coisa que me limito a acrescentar na hora da demissão do seleccionador é que me parece tratar-se de uma cedência em toda a linha, e por parte de uma direcção da FPF demasiado fraca, à direcção do FCP, à facção mais radical da "rua" sportinguista e ao que resta na comunicação social dos defensores de Carlos Queiroz; aos seus porta-vozes e ao conjunto idiotas úteis que se limita a repetir, de modo acéfalo, a moda do momento e prepararam assim o caminho para o actual desenlace.
 
Posta de parte, ao que parece e pelas razões conhecidas, a hipótese Fernando Santos (um sucessor natural), só espero não se regrida aos tempos do seleccionador nomeado pela Olivedesportos e aos beijos na bandeira após cada golo.

quarta-feira, junho 25, 2014

Devem jogar sempre "os melhores"?

Numa selecção devem sempre jogar "os melhores", aqueles que, a cada momento, estejam em melhor forma? Bom, independentemente do carácter subjectivo e redutor (os melhores para fazerem o quê, para jogarem de que modo?)  subjacente à definição de "os melhores" (e já não é pouca coisa), convém lembrar que uma selecção quase não tem tempo para treinar e é no treino que se implementam princípios e modelos de jogo; "automatismos", se quisermos utilizar o termo mais habitual. Ora isso é impossível se, a cada momento, o seleccionador optar por esses tais "melhores", a não ser que, em vez de uma equipa, prefira ter um amontoado de 11, 14 ou 23 jogadores num conjunto sem qualquer nexo. Por isso, em qualquer selecção com um mínimo de ambições existe sempre um "núcleo duro", que forma a estrutura da equipa, ao qual, "au fur et à mesure", se vão juntando alguns, poucos, que vão dando provas de qualidade de jogo e maturidade competitiva para poderem constituir uma opção que comprovadamente possa acrescentar valor ao colectivo. Aliás, não é por acaso que as selecções que assentam a sua estrutura num clube - no modo como esse clube joga -, como foi o caso da Espanha nos últimos ano e é agora o caso desta Alemanha, um género de Bayern "reforçado", têm normalmente maiores possibilidades de êxito. O mesmo aconteceu, aliás, no já muito longínquo 1966 com a selecção portuguesa, formada na base do SLB, e, em menor escala, com a selecção de 2004, baseada no FCP de Mourinho.

Por isso mesmo, mais do que "os melhores", devem jogar aqueles que "dêem mais garantias" a quem os dirige, isto é, aqueles que, pela sua qualidade técnica, maturidade e capacidade competitiva, pela sua experiência em determinado contexto colectivo e competitivo, melhor e de forma mais qualificada possam pôr em prática uma ideia de jogo previamente definida a assimilidada. Ora se Paulo Bento cometeu erros na abordagem dos jogos com a Alemanha e com os USA - e já aqui e aqui os nomeei, depois do primeiro jogo e antes do segundo - não se poderá alguma vez dizer que não seguiu, na lógica das suas convocatórias, um padrão adequado ao que acima descrevo, tendo juntado ao tal "núcleo duro" jogadores que tinha vindo a integrar gradualmente, tais como William Carvalho, André Almeida, Éder e Rafa e tendo incluído na lista dos 30 alguns outros nomes (João Mário, André Gomes, Ivan Cavaleiro, Anthony Lopes, etc). O resto, o que se diz por aí, com algumas notáveis excepções como esta, é um misto lamentável e explosivo de ignorância e do populismo do mais desbragado. "Vão-se catar"!

segunda-feira, junho 23, 2014

Paulo Bento: voltemos à convocatória

Como a minha paciência é infinita e o combate à estupidez não pode ter tréguas, vamos lá tentar analisar a convocatória de Paulo Bento focando os nomes mais badalados "que deviam lá estar e não estão". Mas vamos tentar fazê-lo com "cabeça, tronco e membros", tendo em atenção duas questões fundamentais:
  1. Estamos restritos a um grupo de 20 jogadores - retirando os três guarda-redes - o que significa para entrar A tem de sair X, para entrar B tem de sair Y e assim sucessivamente, coisa que vejo demasiadas vezes esquecida.
  2. Uma fase final de um Mundial, tal como uma revolução, não é propriamente um "picnic" e, portanto, temos de considerar gente com alguma experiência do "grande futebol", seja ao nível de selecções, seja de clubes.
Tendo isto em atenção, vamos lá analisar os nomes mais "badalados": Cédric, Antunes, Adrien e Quaresma.
  1. Cédric. É um razoável defesa-direito e fez uma boa época. Mas quem sairia? André Almeida, que não faz pior o lugar e tem as vantagens de ser polivalente e ter experiência de Champions League e Liga Europa? Um dos quatro centrais, sendo que Ricardo Costa tem a vantagem de também fazer as "laterais", jogar num campeonato mais competitivo e ter grande experiência internacional, no seu clube e na selecção? Amorim, que alia à maturidade e experiência internacional o facto de fazer também "6" ou "8"? Impossível.
  2. Antunes. Para além de Coentrão, é o único defesa-esquerdo "canhoto" com um mínimo de capacidade para jogar na selecção. Quem sairia? André Almeida? Mas tal obrigaria a encontrar mais uma solução para a direita, já que isto é como um cobertor: tapa de um lado, destapa do outro. Alguém de um meio-campo que sempre me pareceu deficitário em termos de número de jogadores convocados (já lá vamos)? Além do mais, Antunes faz apenas um lugar: com esse "handicap", tem a categoria-extra suficiente para justificar a convocação?
  3. Adrien. Ora aqui está um ponto: com o "déficit" de gente a meio-campo, em boas condições físicas, eu teria convocado Adrien, apesar da sua escassa experiência internacional. Retirando quem? Em minha opinião, um ponta de lança, já que, teoricamente, Postiga e Hugo Almeida seriam suficientes uma vez que Cristiano também pode ser utilizado na posição. Mas percebo Paulo Bento: Adrien é exclusivamente um "8" e tanto Meireles, como Moutinho e Amorim fazem bem a posição. Ironicamente, prova-se a posteriori e em face das lesões ainda bem Paulo Bento levou três pontas de lança. E se o preterido tivesse sido Rafa? Era outra opção e sobre Rafa, que nunca vi jogar "com olhos de ver", não me pronuncio. Mas Adrien é talvez a minha única discordância com Paulo Bento, embora não veja como a sua inclusão no grupo dos convocados poderia, por si só, mudar alguma coisa que se visse.
  4. Quaresma. Contrariamente ao que tenho lido, tenho quase a certeza a não opção por Quaresma nada tem a ver com questões do foro disciplinar ou semelhantes, mas sim com a sua incapacidade para entender o jogo e a sua total falta de sentido colectivo. Ricardo Quaresma é uma firma em nome individual, um jogador por conta própria, que, fazendo de vez em quando (muito de vez em quando, note-se) os seus números de ilusionismo, dificilmente pode ter lugar numa equipa que faça do colectivo a sua arma principal, como acontece no futebol moderno. E não se trata apenas de "defender ou não defender", mas de entender o jogo, uma equipa e as suas movimentações. Aliás, um dos sintomas da fraqueza do FCP 2013/14 foi exactamente a dependência da equipa desses "números" de Quaresma e a preponderância que o jogador veio a ter nos melhores resultados da equipa.
Estamos conversados?

Paulo Bento? Pensemos com o cérebro, sff.

Paulo Bento chegou à FPF pouco depois do início do apuramento para o Europeu de 2012, em situação muito difícil para uma selecção que tinha conseguido apenas um ponto em seis possíveis (empate em casa com Chipre e derrota na Noruega). Qualificou a equipa para a fase final e, depois, num grupo de extrema dificuldade, com Alemanha, Holanda e Dinamarca, todos eles ex-campeões europeus (e da era moderna, não dos tempos da "bola quadrada"), chegou aos quartos-de-final e meias-finais, sendo eliminado na marcação de "pontapés da marca de grande penalidade" pela campeã do Mundo, da Europa e futura bi-campeã, que golearia a Itália na final (4-0). Foi um excelente resultado obtido com o pior conjunto de jogadores dos últimos 25 anos. Terei de recuar aos "seabrinhas", do período pós-Saltillo, para encontrar pior plantel.

Depois viria a conseguir o apuramento para o actual Mundial, naquilo que podemos considerar "serviços mínimos", um "suficiente menos", mas mesmo assim um resultado que cumpria com os objectivos. Não vai agora a selecção portuguesa cumprir os tais "serviços mínimos" apurando-se para os 1/8 de final num grupo que até nem era dos mais complicados, mas o mesmo acontecerá com a Espanha, a Inglaterra (ambos apurados para o Mundial sem recurso ao "play-off") e os que, entre os europeus, mais adiante ainda veremos. E o mesmo aconteceu com a França, campeã do Mundo em título, em 2002 (um empate e duas derrotas com zero golos marcados). Aliás, convém aqui lembrar a tradicional dificuldade das selecções europeias nos Mundiais disputados fora do seu continente, onde apenas a Espanha ganhou numa competição quando os efeitos "jet lag" e climatérico não estavam presentes (África do Sul).

Responsabilidades de Paulo Bento? Sim, numa má abordagem ao jogo com a Alemanha, tentando jogar "de igual para igual", com "pressão alta" e a linhas demasiado subidas, quando a constituição da equipa e o adversário recomendariam o contrário. Sem essa má escolha talvez a derrota tivesse sido menor ou até o empate tivesse sido possível. Má escolha de jogadores? Mas alguém é capaz de afirmar, com honestidade e pensando com o cérebro e não com outras partes do corpo menos adequadas a tal função, que Adrien, Cédric e Quaresma (os habitualmente citados; não me lembro de mais ninguém) poderiam ter feito a diferença? Responsabilidade nas demasiadas lesões musculares e numa deficiente adaptação às condições climatéricas? Sou leigo na matéria, mas penso o mesmo acontecerá com 99.999% dos que por aí oiço com opinião definitiva sobre o assunto. Aguardo as equipas médica e técnica da selecção se pronunciem. 

Tendo isto em atenção, deve Paulo Bento continuar como seleccionador? Estando de fora, francamente, não vejo porque não nem onde a FPF poderá conseguir melhor opção: Del Bosque, com outras obrigações, e Roy Hodgson, podendo a FA contar com outros recursos financeiros, vão também eles continuar. Não sejamos "mais papistas do que o Papa" e preparemos racionalmente o futuro, deixando-nos de populismos e dos tradicionais "oito/oitocentismos" bacocos. Certo?

segunda-feira, junho 16, 2014

Postiga ou Hugo Almeida?

Ao contrário do que tenho por aí lido e ouvido, não me parece a opção de Paulo Bento entre Postiga e Hugo Almeida tenha que ver com a dimensão física do jogo nem, sequer, demasiado com a forma física de um ou outro jogador. O que me parece é que tudo vai depender muito mais da forma como o seleccionador português "perspectivar" (é assim que se diz agora em "futebolês") o jogo: se pensar vai ter de jogar durante largos períodos num bloco mais baixo e em transições rápidas, jogará o canhoto Hugo Almeida, mais à vontade nesse tipo de jogo, derivando com a propósito para a faixa esquerda desde terrenos recuados e arrastando assim um central contrário o que permite a entrada de Cristiano pelo meio e/ou o internamento de Coentrão. Se Paulo Bento achar que a equipa pode jogar um pouco mais "subida", com largos períodos "em posse" e fazendo circular a bola no meio-campo contrário, jogará Postiga, que entende bem melhor esse tipo de movimentos. 

O que é que eu acho? Bom, acho que a primeira opção é a que tem mais probabilidades de se verificar, mas também que nenhuma equipa que não seja constituída por alienígenas será capaz de jogar 90' em Salvador da Baía, à uma da tarde e mesmo na espécie de Inverno que por lá agora vigora (devo dizer só lá estive em Dezembro/Janeiro, pleno Verão, pelo que as condições eram diferentes e substancialmente mais gravosas), em permanentes transições rápidas e, por isso, vai ter que saber, em alguns períodos, gerir o ritmo de jogo com bola. Quero com isto dizer que, se me parece Almeida será opção inicial, prevejo nenhum deles jogue os 90'. Veremos...

segunda-feira, maio 19, 2014

Futebol à 2ª feira

  1. Sou um "tradicionalista", mas como não me considero um "conservador" penso a tradição pode reformar-se e deve sempre ceder o seu lugar quando estejam em causa valores mais importantes e que por isso devem prevalecer. Por isso mesmo, e perante as imagens que ontem vi da entrada do público para o estádio do Jamor, colocando em sério risco a integridade física e a vida de muitos (lembrei-me de Hillsborough), penso não faz qualquer sentido manter a disputa da final da Taça de Portugal num estádio irreformável e com setenta anos de vida, deixando vazios estádios modernos onde os poderes públicos investiram algumas centenas de milhões de euros. Os acessos por transporte público (hoje em dia o meio de transporte preferencial para aceder a um estádio de futebol) são muito deficientes, a comodidade e visibilidade para o público, com bancadas pouco inclinadas, um corredor de escoamento para espectadores e uma pista de atletismo a afastarem-nos do relvado, é má de qualquer lugar, as estruturas de apoio (casas de banho, bares, etc) escassas e as condições de segurança para esquecer. A sorte foi que ontem era um SLB - Rio Ave FC, mas gostaria de saber o que teria acontecido num SLB-FCP ou SCP. Espero nunca se venham a trocar uma febras e uns "picnics" na mata do Jamor por vidas humanas.
  2. Sim, eu sei que os 120' da final de Turim e os muitos jogos disputados constituem atenuante de peso, mas o "meu" SLB continua a chegar aos finais de época fisicamente mais desgastado do que acho seria aceitável. Responsabilidade do modelo de jogo que, apesar da mais assisada rotação de jogadores permitida por um plantel qualitativamente superior, continua a causar enorme desgaste. E é o momento das vitórias o mais indicado para, com sensatez, identificar os problemas.
  3. A escolha de jogadores para uma fase final de um Europeu ou Mundial não é propriamente um concurso de popularidade, muito menos a atribuição de um prémio aos que mais e melhor se distinguiram no seus clubes durante uma época. Deve ter na sua base, para além da experiência de cada jogador no "grande futebol", um conceito de gestão de grupo por parte do seleccionador, bem como uma ideia de jogo para a equipa englobando princípios, modelo e capacidade de entender o modo como a equipa joga. Parece-me ser isto que Paulo Bento desde sempre entendeu e interiorizou a a esmagadora maioria de jornalistas e comentadores ainda não percebeu. Continuar a insistir na discussão de nomes sem ter isto em atenção é enorme disparate.

terça-feira, novembro 26, 2013

Paulo Bento e os chamados jogadores "naturalizados"

Mais uma vez, Paulo Bento toma uma decisão correcta, agora no que diz respeito à convocação de jogadores que não tenham tido sempre a nacionalidade portuguesa. Ao afirmar que não actuará no sentido de apressar qualquer processo de naturalização, está a colocar todos os candidatos, qualquer que sejam as suas situações ou actividades profissionais que exerçam, em igualdade de circunstâncias. Ao frisar que poderá convocar todos os que reúnam condições legais para tal, isto é, que tendo obtido a nacionalidade portuguesa preencham, perante a FIFA, os requisitos necessários para representarem a respectiva selecção, está também a adoptar o único critério objectivo e não discriminatório. Espero que estas afirmações do seleccionador encerrem de vez um discurso com laivos de xenofobia e para o qual já cheguei a ver gente invocar o lugar onde tinham nascido os filhos, a nacionalidade da mulher, o cantarem ou não o hino ou, pasme-se, o local escolhido para as férias. Já agora, mal se compreenderia que alguém pudesse candidatar-se a deputado ou exercer funções ministeriais e não pudesse integrar a selecção nacional de futebol...

Da Constituição da República Portuguesa:

Artigo 4º - São cidadãos portugueses todos aqueles que como tal sejam considerados pela lei ou por convenção internacional.

Artigo 13º - Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Artigo 15º - Aos cidadãos dos Estados de língua portuguesa com residência permanente em Portugal são reconhecidos, nos termos da lei e em condições de reciprocidade, direitos não conferidos a estrangeiros, salvo o acesso aos cargos de Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro, Presidentes dos tribunais supremos e o serviço nas Forças Armadas e na carreira diplomática.

quarta-feira, novembro 20, 2013

3 notas 3 sobre o Suécia-Portugal

  1. Ontem, ao ver durante a 2ª parte a defesa sueca postada quase em cima da linha de meio-campo deixando livre atrás de si todo um terreno que Cristiano chamou seu, lembrei-me que o problema dos maus resultados da selecção portuguesa contra equipas de segundo plano, principalmente nos jogos em "casa" (Irlanda do Norte e Israel), talvez tivesse menos a ver com a tão apregoada questão de "mentalidade" e bem mais com o que se passa em campo, no chamado "jogo jogado". Acontece que essas equipas tidas como mais fracas vêm jogar contra a selecção portuguesa com as suas linhas muito juntas e recuadas, num bloco baixo, exactamente aquilo que menos se adequa às características da maior parte dos jogadores portugueses, a cuja selecção falta quem jogue em "drible" curto ou em tabelas junto da área contrária, "inventando" espaços. Por isso, nesses jogos, e até contra uma Suécia bem "fechadinha" no Estádio da Luz, vimos a selecção portuguesa finalizar demasiadas vezes as suas jogados com centros para a área, tendo mesmo uma dessas jogadas culminado com o golo português. Digamos que antes de partirmos para explicações metafísicas, talvez não seja mau olhar para o campo.
  2. Antes que os meus amigos "lagartos" me cubram de impropérios... Rui Patrício é o melhor guarda-redes português. Quando penso nas alternativas (Beto, Eduardo) tenho mesmo um calafrio. Mas o  facto é que o registo de Patrício nos tempos mais recentes se salda por um erro tremendo no jogo contra Israel, um enorme "peru" no jogo da Taça contra o SLB e, no mínimo, um pintaínho já crescidote no jogo de ontem. Digamos que já não estamos perante aquela história de "um erro todos cometem", mas de uma sucessão de "baldas" que um guarda-redes de uma selecção europeia de primeira linha não pode dar. Felizmente para Patrício e infelizmente para quem gosta de ver a selecção portuguesa ganhar, de momento não vejo melhor opção. Mas convém que Patrício se vá cuidando e o SCP, já que estamos a falar de "frangos", não veja no seu guarda-redes a "galinha dos ovos de oiro". 
  3. Paulo Bento tem ideias (normalmente boas, provam-no os resultados), acredita nelas, defende-as com "unhas de dentes" até ao fim, fala directo e responde do mesmo modo. Em Portugal, tal manifestação de personalidade é vista como teimosia e arrogância. A esses eu respondo: venham mais como Paulo Bento. 

terça-feira, março 26, 2013

A selecção

Não tendo tido oportunidade de ver o jogo da selecção portuguesa com Israel, devo dizer existiram no jogo de hoje no Azerbaijão, logo no seu início, duas jogadas que explicam bem porque a equipa portuguesa tem sofrido muitos golos com Paulo Bento, desde que subiu as suas linhas para conseguir rentabilizar Ronaldo e passou a assumir mais o jogo. Em ambas essas ocasiões, a equipa adiantou-se em bloco e foi apanhada completamente desposicionada e com poucos jogadores atrás da linha da bola ou capazes de assumirem rapidamente o seu posicionamento defensivo, tal como tinha acontecido no jogo da Rússia, problema aí agravado por ter perdido a bola em zona proibida. Nestas duas ocasiões, valeu a equipa azeri ser tecnicamente incipiente, o que dificultou a sua acção atacante colectiva. Falta à equipa um bom "pivot" defensivo, que a organize defensiva e ofensivamente nessa zona do campo, e um Raul Meireles dos velhos tempos, com ritmo e intensidade de jogo. Mas com Vieirinha (boa exibição), Danny e Postiga no ataque, ter marcado dois golos está acima das minha expectativas.

Nota pelas 19.45H: Acabei de ouvir David Borges falar da "casmurrice" de Paulo Bento. Pois... neste país quem tem ideias, acredita nelas, não bajula, nem muda ao primeiro sopro de vento ou é "casmurro" ou arrogante.

sexta-feira, novembro 16, 2012

Paulo Bento: um Homem é sempre um Homem


Finalmente, alguém teve a coragem de responder "cara a cara", "olhos nos olhos", às provocações e ao sarcasmo provinciano do presidente do Futebol Clube do Porto, dando uma lição de coragem e frontalidade à subserviência da comunicação social, de muitos políticos e da quase totalidade dos dirigentes desportivos. Não podia deixar passar em claro. Se um "bimbo" é sempre um "bimbo", mesmo que coberto de apitos de ouro, um Homem é sempre um Homem, mesmo que possa vir a pagar bem caro o preço de o ser. Obrigado, Paulo Bento, por nos teres lembrado disso; a nós, teus concidadãos.

sexta-feira, junho 22, 2012

A selecção portuguesa em 5 pontos 5

  1. Pela primeira vez desde Eusébio, a selecção portuguesa tem no seu jogador de maior classe, autêntico "fora-de-série", também um goleador. Por uma ou outra razão, nas anteriores fases finais com Cristiano Ronaldo tal não aconteceu. Ora isso faz toda a diferença.
  2. Esta é também a selecção que melhor futebol pratica desde 66 (era eu adolescente e apesar de ver futebol quase desde que nasci, ou ter nascido a vê-lo, assumo ainda via o jogo com outros olhos). O futebol mudou demasiado para se poderem fazer comparações, mas vê-se que a equipa tem um plano de jogo definido, sabe o que fazer em cada circunstância, assume o jogo e joga no campo todo e sabe esperar, com a confiança das grandes equipas, o seu momento. Provavelmente isso ainda não chegará para ganhar à França, Espanha, Itália ou Alemanha, mas isso é já outra conversa.
  3. Paulo Bento foi até agora o único seleccionador capaz de potenciar na equipa nacional as qualidades de Cristiano. Sem Deco ou Rui Costa a equipa passou a jogar menos "em posse" e mais em transições rápidas ou passes longos; sem a "invenção" de Pepe a "6" também uns bons dez metros mais à frente e a vocação ofensiva de Coentrão e João Pereira permite que Ronaldo apareça no meio sem a equipa perder largura. Bem simples, mas Paulo Bento é homem inteligente e por isso de processos simples.
  4. Pepe, Coentrão e Cristiano têm sido decisivos e um verdadeiro esteio desta equipa (sem desprimor para qualquer dos outros). A "linha directa" entre Paulo Bento e José Mourinho parece estar a funcionar em pleno. Quando duas pessoas são competentes e têm grande confiança em si próprias nunca se importam de trocar ideias, quer isso tenha acontecido ou não.
  5. Como se verifica, competência e seriedade dispensam os terceiro-mundistas beijos na bandeira dos tempos de António Oliveira ou o populismo "peronista" da dupla Scolari/Rebelo de Sousa, sem que isso signifique menosprezo ou ausência de reconhecimento pela capacidade de liderança de "Filipão", personalidade indispensável depois do aventureirismo que caracterizou todo o período "oliveirinha".

quarta-feira, maio 23, 2012

Paulo Bento e Hugo Viana

Segundo Paulo Bento, Hugo Viana não teria sido convocado para o Euro 2012 por o seu futebol não se integrar nos princípios e modelo de jogo da equipa, ideia que partilho. Aliás, acrescento que Viana pertence àquele tipo de jogadores a três velocidades (devagar, devagarinho e parado) que muito dificilmente terá lugar numa equipa do "grande futebol", como o deve ser a selecção portuguesa. Entretanto, Carlos Martins, cujas características são tão parecidas com as de Viana como as de um crocodilo com um hipopótamo (ambos jogam futebol tal como estes últimos gostam de água), lesiona-se e Hugo Viana é chamado para o substituir. Paulo Bento, que tinha outras opções como Manuel Fernandes, por exemplo, importa-se de explicar o que mudou ou será que foi só a pedido para satisfazer o respectivo "clube de fans", leia-se, o interesse do SC Braga em o transferir?

terça-feira, maio 15, 2012

A selecção e o Euro 2012: análise SWOT

Strengths
Cristiano Ronaldo
- Alguns jogadores oriundos de grandes clubes, habituados às grandes competições e a ganhar (além de CR, Nani, Pepe, Coentrão e Meireles)
- O melhor e mais consensual treinador da selecção desde que me lembro de existir. Reúne a liderança e personalidade de Scolari e junta-lhe competência técnica
- Grupo coeso e equipa com dinâmica positiva desde a entrada de Paulo Bento
-  Futebol mais colectivo e dominando com maior equilíbrio as várias situações de jogo do que em selecções anteriores
- Meio-campo equilibrado nas funções defesa/ataque
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Weaknesses
- Uma 2ª linha de prováveis titulares  (João Pereira, Carlos Martins, Postiga) ou de prováveis 2ªs opções (Hugo Almeida, Rolando, Ricardo Costa, Quaresma, Veloso, Varela) mtº inferior à 1ª, pouco fiável e sem o “andamento” das “grandes equipas” 
- Falta de um “ponta de lança” de categoria internacional
- Ausência de Bosingwa e lesão de Dany
- Laterais baixos e pouco fiáveis a defender
- Ausência de um nº 6 de indiscutível categoria
- Ausência de hábito de ganhar grandes competições
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Opportunities
-Tradição de vitórias sobre a Holanda nas últimas fases finais
- Possibilidade de todas as equipas do grupo perderem pontos nos jogos entre si
- Selecção portuguesa não defronta nenhuma das equipas “da casa” na fase de grupos
- Menor pressão: Será perfeitamente aceitável se a equipa não se conseguir qualificar para os ¼ final
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Threats
- Alemanha mtº forte, talvez o principal candidato ao título
- Holanda parte para o Euro 2012 talvez como o principal “outsider”
- Vitória da Dinamarca no grupo de qualificação de Portugal
- A selecção portuguesa é a única do grupo sem títulos europeus ou mundiais
- Jogos disputados num país longínquo, previsívelmente sem grande apoio dos adeptos portugueses

quarta-feira, novembro 16, 2011

O exemplo de Paulo Bento - e outros.

Mourinho, Cristiano Ronaldo e Paulo Bento são aquilo que a maioria dos portugueses não são - e detestam: trabalhadores, rigorosos, donos de alguma arrogância, pessoas que falam directo e com clareza, que exprimem as suas ideias com simplicidade, senhores de si e das suas convicções. Gente, no caso de Cristiano e Paulo Bento, que não deixam confundam as suas origens humildes com a obrigação de humildade nos seus comportamentos. Talvez por isso sejam bem sucedidos. Não sei se essa maioria dos portugueses já percebeu... 

terça-feira, novembro 15, 2011

O que eu penso sobre o jogo da selecção...

Sejamos claros: desde que foi implementada a regra dos golos "fora" como factor de desempate e, mais ainda, a partir do momento em que as diferenças entre equipas começaram a estreitar-se que um resultado de 0-0 "fora de casa", desde que não exista um abismo entre as duas equipas, deixou de ser um bom resultado. Não permite à equipa que o conseguiu entrar no jogo seguinte em vantagem e concede um enorme benefício ao adversário que consiga marcar. Sejamos ainda mais claros: a selecção portuguesa entra hoje em campo com um menor número de probabilidades a seu favor, pois enquanto à Bósnia a vitória ou qualquer empate com golos a qualifica e o empate sem golos não a elimina, Portugal, que não tem um "ponta de lança" digno desse nome,  precisa sempre de ganhar, nem que seja no desempate por "penalties". E todos estamos lembrados que há dois anos, contra uma Bósnia (uma espécie de protectorado internacional) considerada inferior a esta, a vitória portuguesa foi apenas por 1-0 e com todos os santinhos a ajudar.

Que quero dizer com isto? Que se fosse um adepto fervoroso da selecção portuguesa - que não sou, embora simpatize com Paulo Bento e torça por Portugal - estaria de "pé atrás". E com eles bem afastados, para não perder o equilíbrio. 

terça-feira, setembro 21, 2010

Um conselho a Paulo Bento

Que conselho posso dar a Paulo Bento? Muito simples: quando for aos estádios, nas suas missões de observação, não se sente na tribuna ao lado de presidentes e dirigentes de clubes, sejam eles quais forem. Na sua maioria, é gente pouco ou nada recomendável. Verá que os portugueses passarão a olhá-lo com maior respeito e você ganhará em autoridade perante todos, jogadores incluídos.

quinta-feira, maio 14, 2009

Alguns mitos do futebol português e o "it man" de momento

Nos últimos vinte anos só dois treinadores portugueses têm exercido com continuidade a sua profissão no 1º mundo futebolístico: José Mourinho, com o sucesso reconhecido, e, ao nível mais modesto de uma 2º divisão europeia e sem grandes vitórias mas também sem inêxitos marcantes, Fernando Santos. Todos os restantes, com maior ou menor sucesso, dispersam-se pelos 3º, 4º e 5º mundos futebolísticos, dos Emiratos a África, do Vietnam a sabe-se lá mais onde. Experiências romenas e outras que tais revelaram-se esporádicas e acabaram sem honra nem glória para todos eles. Esta é a realidade do mercado e estes são os factos, e é neles que nos devemos basear para aquilatar da qualidade dos profissionais em causa.

Vai por aí uma onda (direi mais, um autêntico tsunami) em favor dos treinadores portugueses, falando da “especificidade do nosso futebol” , etc, etc. Nada mais falacioso. O futebol português não é nem mais nem menos específico que o espanhol, o inglês, o francês, o alemão e assim sucessivamente: todos apresentam características próprias, embora a globalização os tenha feito aproximar bastante nos últimos tempos. Isso não impede que treinadores espanhóis e franceses tenham sucesso em Inglaterra, holandeses em Espanha, na Alemanha e um pouco por todo o lado (Rússia, Coreia), italianos em Inglaterra, na Áustria e por aí fora. Portugal, por exemplo, na evolução do seu futebol e nos resultados alcançados, muito deve a um sueco (Eriksson), a um inglês (Robson), a um austro-húngaro (Guttmann), etc, etc. Aliás, foi a importação de treinadores de outras escolas uma das causas da evolução do futebol britânico, e é também essa uma das bases em que assenta o êxito da Premiership, longe do "kick and rush" de antanho. O resto nada mais é do que uma tosca tentativa de proteccionismo da parte de uma classe profissional (a dos treinadores portugueses) que não consegue ter êxito num mercado aberto e concorrencial.

Em Portugal raramente se analisam as causas específicas que podem estar na origem de um treinador conseguir bons resultados na época X no clube Y. Mal isso acontece o tal treinador é de imediato elevado à categoria de estrela em ascensão, de “it man" do momento. Aconteceu assim com Jaime Pacheco (lembram-se?), depois de ter “levado” o Boavista ao título de campeão nacional e a família Loureiro o clube à bancarrota. Nunca mais Jaime Pacheco conseguiu qualquer tipo de sucesso, por pequeno que fosse, o que só para os distraídos (prefiro chamar-lhes assim) poderá constituir uma surpresa. Outro exemplo? Alguém tenta analisar com seriedade e isenção o percurso de José Maria Pedroto (elevado á categoria de “mestre”), um treinador que estava no Vitória de Setúbal quando a região era a mais beneficiada com o “boom” económico da época e a “lei da opção” impedia as livres transferências de jogadores e no FCP quando a conjuntura política, social e económica estava reunida para “levar ao colo” o clube? Teria tido o mesmo sucesso (no V. de Setúbal ele foi muito relativo) em outros clubes? Num projecto diferente – o da selecção nacional – nunca o teve, o que deveria levar muita gente a interrogar-se.

Existem treinadores para clubes pequenos e outros para clubes grandes? Claro que, dito deste modo, isso não é verdade. Mas existem treinadores que “encaixam” num projecto, numa “cultura de clube”, num determinado tipo de mentalidade e "way of doing the things" e não encaixam noutro. Ou até projectos que, pela sua consistência, facilmente integram em si um qualquer treinador dentro de limites bastante alargados: será este o caso do FCP. O mesmo acontece nas empresas, com funcionários, gestores e executivos, onde o chamado “hire and fire” (contrata e despede) é normalmente visto como sintoma de que algo vai mal. Daí as empresas mais conceituadas serem extremamente criteriosas na contratação dos seus quadros. Um exemplo? Na situação actual do SCP, em função do enfoque na gestão financeira e numa política de recursos humanos que privilegia a formação, o que não lhe permite competir com orçamentos idênticos aos dos seus rivais, Paulo Bento é o homem certo no lugar certo. Sê-lo-ia em circunstâncias diversas, embora no mesmo clube?

Passemos ao meu clube. Luís Freitas Lobo afirma que o SLB necessita de um treinador português porque este entenderá melhor a grandeza e o passado do clube e, assim, perceberá melhor que tem de ganhar e não contentar-se com o segundo ou terceiro lugares. É o “rabo a abanar o cão”!, pois é o clube, as suas direcção e administração, que têm de fixar, de acordo com o treinador, seja ele português, espanhol ou do Burkina Faso, os objectivos finais e parciais e proporcionar condições para que eles sejam atingíveis. E é em função destes, e não do passado eventualmente glorioso, que tem de agir e gerir. O problema do SLB é exactamente o inverso: os objectivos são marcados e definidos por esse passado glorioso e não pelas condições concretas da actualidade, existindo portanto uma incompatibilidade entre objectivos e condições para os alcançar! É - tem sido - o desastre!

E, por último, vem o “it man" de momento, um tal Jorge Jesus com nome de Messias e com o qual Luís Filipe Vieira – dizem os jornais – tem falado, qual D. Camillo quando Peppone resolve causar-lhe preocupações de monta. Que percurso pode apresentar? Bom, uma boa época com o Belenenses, sem dúvida, e um percurso dentro das expectativas (nem acima nem abaixo) com o Sporting de Braga, face à dimensão e orçamento do clube. Lutar pelo 4º lugar com os clubes da Madeira e atingir os ¼ de final da UEFA seria o expectável face aos apoios e orçamento (o Sp. de Braga é, de facto, pertença da 3ª maior Câmara Municipal do país) de que o clube dispõe. Resta a pergunta: e o Belenenses? Será que o projecto de que foi rosto visível e bem sucedido no Restelo tem algo que ver com aquilo que vai encontrar no SLB e este pretende. Será que não foi apenas fruto de circunstâncias próprias e conjunturais que pouco terão a ver com a competência do treinador? Será que Jorge Jesus e a sua escassíssima experiência internacional “encaixam” na política de recursos humanos do clube? A personalidade e o perfil pessoal e profissional do técnico são as mais adequadas ao que vai encontrar? Perguntando de outro modo: um gestor ou executivo de uma multinacional pode ter igual êxito numa empresa de índole familiar, e inversamente? Pode gerir igualmente bem e com êxito semelhante em Nova Iorque ou em Antananarivo? Jorge Jesus até poderia (poderá?) vir a ser o homem certo, mas estas são algumas das questões que deveriam ser colocadas e, infelizmente, não vejo ninguém preocupar-se muito com o assunto.

terça-feira, março 10, 2009

Um benfiquista ousa falar sobre o Sporting. Ou de como um ferrenho "lampião" se sente tentado a dar conselhos aos seus amigos "lagartos"

Nos últimos anos, o FCP tem dominado o futebol português, muito por via do que, lícita e ilicitamente, semeou na segunda metade da década de setenta e nos anos oitenta. Também fora de portas essa sementeira colheu frutos, possibilitando intramuros o fortalecimento do clube para os embates europeus.

Também estes últimos anos tem o Benfica tentado opor-se à hegemonia portista, infelizmente munindo-se da estratégia errada: quer tentando o título a todo o custo de forma não sustentada (já!), quer utilizando métodos idênticos aos do FCP, ao estilo “copycat”. Esqueceu o meu clube que em ambiente, região e épocas diferentes a mesma metodologia não alcança necessariamente os mesmos resultados e que quem quer dominar não pode nem deve seguir uma estratégia “me too”. Os resultados estão aí para o provar e espero bem este ano tenha sido o da viragem. Adiante, pois do meu clube muito tenho falado.

E o Sporting? Bom, o SCP, segundo clube mais popular numa capital onde o Benfica domina em popularidade e a terceira equipa (CFB) está à beira de desaparecer, optou, e quanto a mim inteligentemente, pela restruturação do seu passivo e consolidação financeira, condições sem as quais poderia arriscar-se, mau grado as diferentes dimensões em património histórico e número de adeptos, a seguir a prazo um caminho idêntico ao do simpático C. F. Belenenses, vencido o Sporting pela globalização tal qual o CFB o foi pelo advento do profissionalismo. A adequação desta estratégia à actual dimensão e problemas que o clube enfrenta (e o seu êxito) está expressa em dois títulos de campeão, uma presença na final da Taça UEFA e algumas vitórias na Taça de Portugal e na Supertaça, para além de ter conseguido, por várias vezes, disputar a "Champions League". O SCP assumiu os seus problemas, a forma da sua resolução, as condicionantes que isso impunha aos seus resultados desportivos e, em função disso, definiu uma coerente estratégia de recursos humanos: treinadores baratos e com qualidades formativas; aposta na formação para preencher os seus quadros e realizar receitas extraordinárias que pudessem ir disfarçando as limitações financeiras; reforço do do plantel no exterior através da contratação de jogadores quase desconhecidos, to fill the gap. Claro que para o êxito desta estratégia muito contribuiram os erros cometidos pela gestão do SLB, e esse – uma correcção na estratégia seguida pelo SLB - será certamente um dos desafios importantes que os “leões” terão de enfrentar no futuro e um real teste à sua capacidade de crescimento.

E é aqui que entra a “questão” Paulo Bento... Deve ou não o SCP optar pela continuidade de Bento? Bom, se assumir que a situação actual do clube não permite uma inflexão significativa nos objectivos e estratégia, não vejo porque Paulo Bento deva sair: tem o perfil indicado (fits into strategy), um conhecimento aprofundado do clube e conseguiu as conquistas possíveis na actual conjuntura. Caso o clube pense se pode permitir a outro tipo de conquistas, redefinindo a sua estratégia em conformidade, talvez Paulo Bento não seja então o treinador adequado, como claramente provam os seus erros contra equipas do 1º mundo futebolístico fruto de uma mentalidade talvez demasiado provinciana e do seu pouco conhecimento do futebol de alto nível. É esta, claramente, a “grelha” de decisão e é a partir dela que os meus amigos “lagartos” terão que optar.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Paulo Bento

Para aqueles que desvalorizam as questões de liderança, devo dizer que o Sporting foi nos seus dois jogos com o Barcelona a imagem perfeita do seu treinador: uma equipa provinciana!