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sexta-feira, junho 07, 2013

Ainda bem que sou "alfacinha"...

Luís Filipe Menezes, Manuel Pizarro, Rui Moreira, José Soeiro, Nuno Cardoso, Pedro Carvalho. Repito, por outra ordem, já que a dita dos factores é arbitrária: Rui Moreira, José Soeiro, Manuel Pizarro, Nuno Cardoso, Luís Filipe Menezes e Pedro Carvalho. Esta é a lista de candidatos à Câmara Municipal do Porto. Se tinha muitas e boas razão para me congratular por ter nascido "alfacinha" e não "tripeiro", a vida deu-me agora mais uma. Repito: José Soeiro, Nuno Cardoso, uff... 

Depois? Depois perguntem porque os cidadãos têm a opinião que têm sobre os políticos, porque se afastam da vida democrática, porque estão indiferentes a tudo e assim provavelmente continuariam se por aí viesse uma ditadura e assim sucessivamente. "Alfacinha" que sou, sempre vou tendo o Costa. Não é assim grande coisa? Enfim.... Vai sendo o melhor que se arranja, e pelo menos não me envergonho de ir lá "deitar o papel" nele.

domingo, maio 02, 2010

FCP-SLB: um pouco mais do que um simples jogo de futebol...

É hábito dizer-se que um jogo de futebol é apenas isso: um jogo de futebol. Sabemos que, por vezes, não é bem assim, e temos aqui mesmo ao lado um exemplo quase extremo: quer queiramos quer não, num Barcelona - Real Madrid (ou vice-versa) defrontam-se também (e ainda) o chamado “imperialismo castelhano”, a Espanha “una, grande y libre” de Francisco Franco e da Falange, e o orgulho da nação catalã, republicana, autonómica e, até, independentista.

Bom, não tendo por cá, nem de perto nem de longe, algo de semelhante, é bem verdade que num Benfica-Porto (ou vice-versa, não vá alguém ofender-se) temos também em confronto duas culturas e, digamos, duas sociedades distintas, herdadas de modelos de desenvolvimento historicamente também bem diferenciados. Por um lado, uma cidade do Porto burguesa, exportadora, centro de um “hinterland” de pequeno campesinato e pequena propriedade rural que tornou possível uma indústria de baixo valor acrescentado baseada na mão de obra barata, durante muitos anos tornada possível pelo carácter muitas vezes apenas complementar que o salário na indústria representava para o rendimento familiar que provinha do minifúndio. Por outro, uma Lisboa aristocrática e centro do império, cercada pela grande propriedade alentejana e ribatejana também ela de raiz aristocrática, que criou uma cintura onde predomina(va) a grande indústria fazendo recurso à mão-de-obra proveniente da migração do proletariado rural sem terra e em cujo centro se aglomeraram e desenvolveram os serviços e burocracia ligados à sua condição de capital administrativa do país e do império.

Digamos que, simplificadamente, foram estes os modelos que, em termos genéricos, criaram uma cidade do Porto mais individualista e empreendedora, mas também menos cosmopolita, mais voltada para o interior do seu território, mais “bairrista” e “provinciana (não se ofendam...) e uma Lisboa mais cosmopolita, menos interligada ao meio rural envolvente e mais aberta ao exterior, mas também mais dependente do Estado e de uma aristocracia que se foi fundindo com a grande burguesia industrial e financeira. Foi este “caldo de cultura”, diferenças exacerbadas pela importância política e económica que o norte litoral, com epicentro no Porto, assumiu após o 25 de Abril, que acabou por criar aquilo que, hoje em dia, vemos muitas vezes definido como “diferentes mentalidades”. Algo que terá no futuro tendência a esbater-se, mas que, apesar disso, ainda hoje se enfrenta e mede forças num simples jogo de futebol.

terça-feira, novembro 03, 2009

"Vácinas"?

Que no Porto designem as vacinas por “vácinas” ou até “bácinas” ainda posso admitir em nome de um tal regionalismo que não partilho, embora me cause erisipela, urticária e erupções semelhantes. Mas quando numa peça da RTP1 se ouve, em “voz off”, um jornalista falar de “vácinas” e “vácinar”, acho se estão a ultrapassar todos os limites. O senhor provedor importa-se de pedir desculpa?

quinta-feira, outubro 08, 2009

A candidata Elisa fugiu-lhe a boca para a verdade!

Afirmação de Elisa Ferreira, “front woman” de Pinto da Costa na candidatura à Câmara Municipal do Porto: "Rui Rio tem o apoio de seis milhões de benfiquistas". Frase duplamente correcta: somos, de facto, 6 milhões e nenhum benfiquista digno desse nome votaria na candidatura Elisa Ferreira/ Pinto da Costa.

sábado, dezembro 13, 2008

Descodificar Belmiro...

As afirmações de Belmiro de Azevedo contra o novo aeroporto, TGV e intervenção do governo na banca - com direito a grande repercussão mediática - estão muito longe de ser ingénuas, nada têm que ver com a reconhecida capacidade empreendedora e de gestão do empresário, muito menos são movidas pelo altruísmo ou pelo superior interesse nacional, seja lá o que isso for. Vejamos.

No caso do TGV e do novo aeroporto (leia-se: a nova “grande cidade” aeroportuária), questões onde Belmiro até tem maioritariamente razão (apenas a ligação Lisboa-Madrid é defensável e, no curto prazo, de um ponto de vista fundamentalmente político, embora no longo prazo o caso possa mudar de figura e ter um carácter estruturante), todos sabemos que a construção de ambos tenderia a secundarizar e regionalizar o aeroporto Sá Carneiro e, em alguma medida, a região norte centrada no Porto, sendo lícito pensar que poderiam contribuir para fazer da Grande Lisboa o principal polo competitivo do país em termos peninsulares. Ora não só Belmiro de Azevedo já manifestou o seu eventual interesse na gestão das Pedras Rubras, autonomizado dos restantes aeroportos nacionais, como estas duas grandes obras públicas teriam como consequência algum enfraquecimento da posição negocial e reivindicativa do “norte” (leia-se: Porto), algo que estaria bem longe de se mostrar favorável aos interesses do grupo Sonae que cresceu e alcançou notoriedade e importância cavalgando e contribuindo para a “onda nortenha” do pós 25 de Abril (décadas de 70 e 80 do século passado)
Itálico
Quanto à Banca, bom... nunca os esforços de Belmiro de Azevedo para conseguir uma posição significativa no sector financeiro foram coroados de correspondente êxito. Portanto... e à bon entendeur...
Acresce ainda que grupo Sonae não detém interesses significativos em nenhuma das áreas "beneficiadas" e, além de tudo o mais, aquele que será, hoje em dia, o seu core business (grandes superfícies comerciais vocacionas para o consumo das classes média e média baixa) arrisca-se a ser dos mais poderá vir a sofrer com a crise. Não terá, portanto, muitas razões para andar feliz, o Engenheiro Belmiro de Azevedo.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Onde se desvenda quem é o verdadeiro candidato do PS à presidência da Câmara Municipal do Porto ou o rabo escondido com gato (quase) todo de fora

Elisa Ferreira, candidata proposta pela concelhia do PS à presidência da Câmara Municipal do Porto, concedeu uma entrevista ao semanário “Sol”. Um excerto dessa entrevista é transcrito pelo blog Bicampeões do Mundo (dito com a pronúncia adequada teria mais graça), que se auto-intitula “blog do FC Porto”.

Passo a citar:

“Aquela que na minha opinião, que já vem de há uns anos a esta parte, seria uma das melhores e mais qualificadas personalidades para presidir à edilidade portuense, deu uma F-A-B-U-L-O-S-A entrevista ao semanário Sol, pág. 2, desta semana e, entre outras coisas, disse “só” isto:

Pergunta – O FC Porto também é uma paixão ?

Elisa Ferreira – Gosto muito de futebol e tenho, desde muito cedo, uma relação com o FC Porto. Sempre foi o meu clube. Sou sócia, tenho lugar cativo e gosto de ir ao estádio. Nos últimos anos tenho tido o prazer de viver momentos de grande alegria com o FC Porto, mas não sou a especialista de futebol que alguns me julgam.

P – Tem saudades de José Mourinho ?

EF – Não. Mourinho conduziu o FC Porto a uma série de vitórias e o FC Porto permitiu-lhe projectar internacionalmente o seu nome. Mas é absurdo tentar congelar os momentos bons da vida, porque, felizmente, ela não pára. Hoje, a equipa está de novo consistente com um treinador que vem somando vitórias.

P – Acredita que Pinto da Costa está inocente de todo o apito dourado ?

EF – Acredito e quer o que a imprensa publicou até agora quer o interesse indisfarçável de alguns protagonistas nacionais de que seja culpado reforçam essa minha convicção.

P - Que opinião tem de Carolina Salgado ?

EF - Não me parece personalidade merecedora de comentário especial.

P - Já viu o filme Corrupção ?

EF - Não.

P - Tenciona ver ?

EF – Não.

P - Porquê ?

EF - Porque detesto desperdiçar tempo e dinheiro.

Dr.a Elisa Ferreira, um ENORME BEM HAJA para si !”

Fim de citação.

Se alguém tinha dúvidas sobre quem era, efectivamente e por interposta pessoa, o candidato do PS à presidência da CMP do qual Elisa Ferreira não passará de um(a) “testa de ferro”, certamente as dissipou. Esse mesmo, aquele em que está a pensar. Tenha medo; tenha mesmo muito medo!

quarta-feira, novembro 28, 2007

Quatro "posts" de actualidade - 2. O novo aeroporto e a ACP

A opção Portela +1 defendida pela Associação Comercial do Porto (e que este blog também tem defendido por razões que se não confundem e foram por aqui devidamente expressas e fundamentadas) não é, claro está, politicamente neutra: ela tem na sua base um modelo de desenvolvimento que, em poucas palavras, tenta evitar a polarização na área centro-sul, em torno de Lisboa, e valoriza uma maior autonomia do norte centrada na região galaico-duriense, transnacional. Claro que, vindo de onde vem, as suas conclusões são como a pescada: antes de o ser... Não é por isso inocente o destaque que o jornal “Público” e o seu director José Manuel Fernandes hoje lhe concedem. Não se poderá neste caso dizer “cherchez la femme”, mas nem sequer será preciso ser inteligente para procurar o “homem”. Enfim, embora seja a “minha” opção (sem TGV Lisboa-Porto, acrescento, o que certamente já não será defendido pela ACP) não será assim que se credibiliza a decisão a tomar.

terça-feira, junho 26, 2007

Rui Moreira: a imagem de um novo Porto?

Rui Moreira é a estrela ascendente do norte (leia-se Porto), tentando veicular a imagem de uma cidade e uma região que, esgotado o modelo exportador e de substituição de importações de baixo valor acrescentado, sem marca ou com marca do comprador, tenta encontrar a sua oportunidade no mundo do Portugal da UE e da globalização. Foi um modelo que encontrou uma base de sustentação nas condições políticas e de mercado do período entre o 25 de Novembro de 1975 e o início dos anos noventa, e o seu cimento ideológico na luta entre o Porto, cidade “portuguesa”, honesta e franca, capital do trabalho, e a “capital” “estrangeirada”, puramente administrativa e portanto gastadora, que ignorava o país real. Foi o modelo que teve em Fernando Gomes e, principalmente, Pinto da Costa as suas figuras mais mediáticas, e no FCP a instituição mais emblemática de uma cidade que convivia paredes meias com o campo, provinciana, com “quinhentinhos”, “guarda Abel” e “casas de alterne”. Foi todo um modelo que as privatizações, a UE, a globalização e, nomeadamente, a integração ibérica puseram em causa – e que, se quisermos, tem o seu epílogo simbólico no caso “apito dourado” e na derrota de Belmiro de Azevedo na OPA sobre a PT - tendo o Porto passado quase sem dar por isso de 2ª cidade portuguesa a (para aí) 10ª ou 15ª da península, situação que está também na base da cada vez maior atracção da cidade pelo noroeste peninsular.

Basta ter tido a oportunidade de visitar frequentemente o Porto e contactar com os meios empresariais da cidade nos últimos anos (eu tive essa chance na primeira metade da actual década), para sentir algum vento de mudança e prever alguns cenários futuros, dos quais Rui Moreira é a imagem. Sintomática, também, a sua ligação ao futebol e ao FCP, fruto da convicção de que nenhuma mudança significativa passará ao lado daquela que foi a indústria sustentadamente de maior sucesso e a instituição mais aglutinadora e que melhor veiculou a ideologia de um projecto e de uma cidade.

Mas como old habits die hard, veremos se e de que modo as mentalidades e os velhos hábitos, tão difíceis de mudar mesmo nas sociedades não democráticas (com campos de reeducação e tudo), serão capazes de se adaptar ao novos tempos. Para já, lendo e ouvindo o que por aí se vai dizendo e escrevendo, mormente em alguns blogs nortenhos, as coisas parecem estar a ser bem complicadas. É que, por vezes, a “coisa” faz-me lembrar aquela história do portuense que, para não lhe perguntarem, sempre que abria a boca para falar, se era do Porto, decidiu perder o sotaque. Quando novamente veio a Lisboa, agora falando como qualquer alfacinha de quinta geração que se preze, ao repetirem-lhe a pergunta estranhou e perguntou porquê, tendo o interlocutor respondido: “ah, é esse toquezinho piroso”!!!