Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
sexta-feira, junho 07, 2013
Ainda bem que sou "alfacinha"...
domingo, maio 02, 2010
FCP-SLB: um pouco mais do que um simples jogo de futebol...
Bom, não tendo por cá, nem de perto nem de longe, algo de semelhante, é bem verdade que num Benfica-Porto (ou vice-versa, não vá alguém ofender-se) temos também em confronto duas culturas e, digamos, duas sociedades distintas, herdadas de modelos de desenvolvimento historicamente também bem diferenciados. Por um lado, uma cidade do Porto burguesa, exportadora, centro de um “hinterland” de pequeno campesinato e pequena propriedade rural que tornou possível uma indústria de baixo valor acrescentado baseada na mão de obra barata, durante muitos anos tornada possível pelo carácter muitas vezes apenas complementar que o salário na indústria representava para o rendimento familiar que provinha do minifúndio. Por outro, uma Lisboa aristocrática e centro do império, cercada pela grande propriedade alentejana e ribatejana também ela de raiz aristocrática, que criou uma cintura onde predomina(va) a grande indústria fazendo recurso à mão-de-obra proveniente da migração do proletariado rural sem terra e em cujo centro se aglomeraram e desenvolveram os serviços e burocracia ligados à sua condição de capital administrativa do país e do império.
Digamos que, simplificadamente, foram estes os modelos que, em termos genéricos, criaram uma cidade do Porto mais individualista e empreendedora, mas também menos cosmopolita, mais voltada para o interior do seu território, mais “bairrista” e “provinciana (não se ofendam...) e uma Lisboa mais cosmopolita, menos interligada ao meio rural envolvente e mais aberta ao exterior, mas também mais dependente do Estado e de uma aristocracia que se foi fundindo com a grande burguesia industrial e financeira. Foi este “caldo de cultura”, diferenças exacerbadas pela importância política e económica que o norte litoral, com epicentro no Porto, assumiu após o 25 de Abril, que acabou por criar aquilo que, hoje em dia, vemos muitas vezes definido como “diferentes mentalidades”. Algo que terá no futuro tendência a esbater-se, mas que, apesar disso, ainda hoje se enfrenta e mede forças num simples jogo de futebol.
terça-feira, novembro 03, 2009
"Vácinas"?
quinta-feira, outubro 08, 2009
A candidata Elisa fugiu-lhe a boca para a verdade!
domingo, fevereiro 22, 2009
sábado, dezembro 13, 2008
Descodificar Belmiro...
No caso do TGV e do novo aeroporto (leia-se: a nova “grande cidade” aeroportuária), questões onde Belmiro até tem maioritariamente razão (apenas a ligação Lisboa-Madrid é defensável e, no curto prazo, de um ponto de vista fundamentalmente político, embora no longo prazo o caso possa mudar de figura e ter um carácter estruturante), todos sabemos que a construção de ambos tenderia a secundarizar e regionalizar o aeroporto Sá Carneiro e, em alguma medida, a região norte centrada no Porto, sendo lícito pensar que poderiam contribuir para fazer da Grande Lisboa o principal polo competitivo do país em termos peninsulares. Ora não só Belmiro de Azevedo já manifestou o seu eventual interesse na gestão das Pedras Rubras, autonomizado dos restantes aeroportos nacionais, como estas duas grandes obras públicas teriam como consequência algum enfraquecimento da posição negocial e reivindicativa do “norte” (leia-se: Porto), algo que estaria bem longe de se mostrar favorável aos interesses do grupo Sonae que cresceu e alcançou notoriedade e importância cavalgando e contribuindo para a “onda nortenha” do pós 25 de Abril (décadas de 70 e 80 do século passado)

Quanto à Banca, bom... nunca os esforços de Belmiro de Azevedo para conseguir uma posição significativa no sector financeiro foram coroados de correspondente êxito. Portanto... e à bon entendeur...
quarta-feira, outubro 01, 2008
Onde se desvenda quem é o verdadeiro candidato do PS à presidência da Câmara Municipal do Porto ou o rabo escondido com gato (quase) todo de fora
Elisa Ferreira, candidata proposta pela concelhia do PS à presidência da Câmara Municipal do Porto, concedeu uma entrevista ao semanário “Sol”. Um excerto dessa entrevista é transcrito pelo blog Bicampeões do Mundo (dito com a pronúncia adequada teria mais graça), que se auto-intitula “blog do FC Porto”.
Passo a citar:
“Aquela que na minha opinião, que já vem de há uns anos a esta parte, seria uma das melhores e mais qualificadas personalidades para presidir à edilidade portuense, deu uma F-A-B-U-L-O-S-A entrevista ao semanário Sol, pág. 2, desta semana e, entre outras coisas, disse “só” isto:
Pergunta – O FC Porto também é uma paixão ?
Elisa Ferreira – Gosto muito de futebol e tenho, desde muito cedo, uma relação com o FC Porto. Sempre foi o meu clube. Sou sócia, tenho lugar cativo e gosto de ir ao estádio. Nos últimos anos tenho tido o prazer de viver momentos de grande alegria com o FC Porto, mas não sou a especialista de futebol que alguns me julgam.
P – Tem saudades de José Mourinho ?
EF – Não. Mourinho conduziu o FC Porto a uma série de vitórias e o FC Porto permitiu-lhe projectar internacionalmente o seu nome. Mas é absurdo tentar congelar os momentos bons da vida, porque, felizmente, ela não pára. Hoje, a equipa está de novo consistente com um treinador que vem somando vitórias.
P – Acredita que Pinto da Costa está inocente de todo o apito dourado ?
EF – Acredito e quer o que a imprensa publicou até agora quer o interesse indisfarçável de alguns protagonistas nacionais de que seja culpado reforçam essa minha convicção.
P - Que opinião tem de Carolina Salgado ?
EF - Não me parece personalidade merecedora de comentário especial.
P - Já viu o filme Corrupção ?
EF - Não.
P - Tenciona ver ?
EF – Não.
P - Porquê ?
EF - Porque detesto desperdiçar tempo e dinheiro.
Dr.a Elisa Ferreira, um ENORME BEM HAJA para si !”
Fim de citação.
Se alguém tinha dúvidas sobre quem era, efectivamente e por interposta pessoa, o candidato do PS à presidência da CMP do qual Elisa Ferreira não passará de um(a) “testa de ferro”, certamente as dissipou. Esse mesmo, aquele em que está a pensar. Tenha medo; tenha mesmo muito medo!
sexta-feira, dezembro 14, 2007
quarta-feira, novembro 28, 2007
Quatro "posts" de actualidade - 2. O novo aeroporto e a ACP
terça-feira, junho 26, 2007
Rui Moreira: a imagem de um novo Porto?
Rui Moreira é a estrela ascendente do norte (leia-se Porto), tentando veicular a imagem de uma cidade e uma região que, esgotado o modelo exportador e de substituição de importações de baixo valor acrescentado, sem marca ou com marca do comprador, tenta encontrar a sua oportunidade no mundo do Portugal da UE e da globalização. Foi um modelo que encontrou uma base de sustentação nas condições políticas e de mercado do período entre o 25 de Novembro de 1975 e o início dos anos noventa, e o seu cimento ideológico na luta entre o Porto, cidade “portuguesa”, honesta e franca, capital do trabalho, e a “capital” “estrangeirada”, puramente administrativa e portanto gastadora, que ignorava o país real. Foi o modelo que teve em Fernando Gomes e, principalmente, Pinto da Costa as suas figuras mais mediáticas, e no FCP a instituição mais emblemática de uma cidade que convivia paredes meias com o campo, provinciana, com “quinhentinhos”, “guarda Abel” e “casas de alterne”. Foi todo um modelo que as privatizações, a UE, a globalização e, nomeadamente, a integração ibérica puseram em causa – e que, se quisermos, tem o seu epílogo simbólico no caso “apito dourado” e na derrota de Belmiro de Azevedo na OPA sobre a PT - tendo o Porto passado quase sem dar por isso de 2ª cidade portuguesa a (para aí) 10ª ou 15ª da península, situação que está também na base da cada vez maior atracção da cidade pelo noroeste peninsular.Basta ter tido a oportunidade de visitar frequentemente o Porto e contactar com os meios empresariais da cidade nos últimos anos (eu tive essa chance na primeira metade da actual década), para sentir algum vento de mudança e prever alguns cenários futuros, dos quais Rui Moreira é a imagem. Sintomática, também, a sua ligação ao futebol e ao FCP, fruto da convicção de que nenhuma mudança significativa passará ao lado daquela que foi a indústria sustentadamente de maior sucesso e a instituição mais aglutinadora e que melhor veiculou a ideologia de um projecto e de uma cidade.
Mas como old habits die hard, veremos se e de que modo as mentalidades e os velhos hábitos, tão difíceis de mudar mesmo nas sociedades não democráticas (com campos de reeducação e tudo), serão capazes de se adaptar ao novos tempos. Para já, lendo e ouvindo o que por aí se vai dizendo e escrevendo, mormente em alguns blogs nortenhos, as coisas parecem estar a ser bem complicadas. É que, por vezes, a “coisa” faz-me lembrar aquela história do portuense que, para não lhe perguntarem, sempre que abria a boca para falar, se era do Porto, decidiu perder o sotaque. Quando novamente veio a Lisboa, agora falando como qualquer alfacinha de quinta geração que se preze, ao repetirem-lhe a pergunta estranhou e perguntou porquê, tendo o interlocutor respondido: “ah, é esse toquezinho piroso”!!!

