quinta-feira, dezembro 11, 2008

Os prisioneiros de Guantanamo; Luís Amado e a oposição

Ao declarar-se pronto a receber ex-prisioneiros de Guantanamo, o governo português está a enviar algumas mensagens subliminares. Em primeiro lugar a manifestar, explicitamente e por contraste para com George W. Bush, o seu apoio ao presidente eleito dos USA, Barack Obama, especificamente na sua atitude perante este caso, pelo seu simbolismo, mas, por isso mesmo – por esse seu valor simbólico - a ele não o limitando. Em segundo lugar a tentar “marcar um território seu” no que aos direitos humanos diz respeito. Em terceiro lugar a tentar limpar a sua imagem, “chamuscada”, perante o caso dos voos da CIA. Por último, a tentar marcar uma diferença de atitude, face ao governo Barroso, em relação à guerra do Iraque, pese embora a posição oficial do PS e a de Luís Amado em particular nunca tenham sido muito claras. Por tudo isto, não fazia qualquer sentido contactasse e ouvisse a oposição. Ferreira Leite entendeu o alcance das declarações de Luís Amado e reagiu tentando apanhar o combóio em andamento. Conclusão: Luís Amado, 1 – Ferreira Leite, 0.

4 comentários:

Cláudia Kover disse...

Não nos podemos esquecer, apesar de tudo o que foi referido, que estes indivíduos não têm acusação, ou seja, não significa que estejamos a falar com toda a certeza de indivíduos inocentes. Apesar de ser óbvio o apoio ao Presidente-eleito dos EUA é também, infelizmente, um apoio à forma como os EUA estão a lidar com a questão de Guantánamo´, nomeadamente, o facto de não serem os próprios EUA a acolher estes indivíduos. Sou tudo menos anti-Americana, mas discordo por completo do pedido dos EUA e do facto da União Europeia o aceitar de ânimo leve. É claro que estes indivíduos NÃO PODEM de forma alguma regressar aos seus países de origem, nos quais sofreriam as piores violações dos seus direitos, no entanto é, na minha opinião incorrecto, observar toda esta situação como positiva apenas porque o seu "outcome" será positivo: o fecho de Guantánamo (que por sua vez foi cedida por 99 anos que já lá vão há muito)...

JC disse...

Cláudia:
claro que estou de acordo consigo em relação à questão-base de Guantanamo: a de se tratar de uma clara violação das regras mais elementares de um estado de direito democrático e do seu fecho ser algo de extremamente positivo. Mas temos de ver tb na posição da UE um gesto de boa vontade face à decisão da nova administração americana, ou pouco do género "estamos dispostos a contribuir convosco para uma solução construtiva"; "a responder positivamente a um gesto que permite esperar uma reposição da legalidade" e isso implica julgamentos justos c/ todas as garantias de defesa. Penso que quando se fala em receber os presos de Guantanamo estamos a falar dos considerados inocentes ou c/ pena cumprida. De qualquer modo, há que tentar não ser maximalista e abrir as portas a soluções que reponham a legalidade democrática. Vamos a ver...

Cláudia Kover disse...

Claro, acho é que deve ser reflectido. Tanto quanto sei, e posso estar enganada, falamos em indivíduos inocentes e outros que não tinham acusações fundamentadas.Eu acho que Portugal os deve aceitar, mas acho que a Europa tem de questionar porque é que os EUA não os aceitam.Se para o fecho de Guantanamo é necessário acolhé-los então que assim o seja, mas é preciso que seja compreendido porque é que o fazemos, nomeadamente porque é que estes não podem ser enviados para os seus países de origem...Não considero que no passado não tenhamos manifestado o nosso apoio aos EUA. Concordo plenamente com a questão dos vôos da CIA. Concordo com a vinda dos respectivos indivíduos, discordo com a falta de contextualizações e explicações relativas a sua vinda. Não sei se Ferreira Leite teria sido útil nesse aspecto, creio que não.

JC disse...

Cláudia:
Quanto a Ferreira Leite e Luís amado, como tentei dizer, a questão é bem outra.
Cumprimentos