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terça-feira, maio 20, 2014

Ferreira Leite

Manuela Ferreira Leite tem sido uma das vozes mais críticas deste governo no espaço mediático, considerada mesmo por muitos como mais fundamentada do que a do próprio Partido Socialista. Em função disso, e por uma questão de coerência política, esperar-se-ia de si algum afastamento da campanha do seu partido (ou de qualquer outro, por respeito pelo seu passado recente de dirigente do PSD) nestas eleições europeias; digamos que a assumpção de um período de "nojo" que preservasse no essencial a opinião política expressa publicamente nos últimos tempos. Mais ainda quando, reconhecendo-lhe idoneidade pessoal e intelectual, a campanha caiu numa vulgaridade que, sem ter medo das palavras, roça a rasquice e na qual prevalece o insulto e a baixíssima política. Por isso mesmo, ao aceitar agora apoiar publicamente a coligação PSD/CDS, mesmo que de forma envergonhada (só pode mesmo ter vergonha), Ferreira Leite pode estar a prestar um bom serviço ao seu partido de sempre (embora até disso tenha dúvidas), mas presta de certeza um mau serviço à democracia, justificando a "vox populi" que clama serem "os políticos todos iguais" e movidos por interesses que nada têm a ver com o serviço e defesa do interesse público. Mais ainda: pessoalmente, perde a imagem de alguma independência alcançada e o seu comentário político, no futuro, qualquer grau de credibilidade; e, politicamente, a sua eventual influência numa evolução do PSD e qualquer papel que pudesse vir a desempenhar em negociações futuras com o PS fica reduzido a quase nada. Infelizmente, e em função desta atitude de Ferreira Leite, somos forçados a concluir que "coerência" e "dignidade" são valores inexistentes, ou quase, na vida política portuguesa. Depois admirem-se.   

quarta-feira, abril 18, 2012

O sonho de Ferreira Leite...

Ora agora imaginem lá que aquele desabafo, sonho quase desejo de Manuela Ferreira Leite - o de interromper a democracia por seis meses - se tornava realidade? E quase de forma tácita e consensual, sem golpes de estado, dramas, derramamento de sangue, alteração da ordem constitucional e, até, dos actores políticos... Estou a delirar? Talvez nem tanto. Ora vejam lá bem...

O governo actua quase como quer, a seu belo-prazer. A oposição, presa a um MoU que assinou e à sua própria inépcia (PS), ou ao seu tradicional radicalismo inconsequente (PCP e BE), não existe ou não tem credibilidade política (ou ambas as coisas). Na área sindical, a UGT aderiu ao governo e, agora, entrou num delírio ao estilo "agarrem-me senão eu rasgo o que assinei", algo em que ninguém no pleno gozo das suas faculdades acredita. Já a CGTP faz aquilo que sempre fez com as inconsequências do costume: umas manifestações e umas greves "ditas" gerais que só ela e a esquerda radical acham vitoriosas. A cena mediática parece enfim pacificada, salvo cada vez mais raras excepções, com Marcelo Rebelo de Sousa e o populismo de Marques Mendes a dominarem o que era feudo de Moura Guedes. Na Assembleia da República vive-se a paz dos cemitérios, que só não é total porque alguns deputados do PS teimam, por vezes, em sair das catacumbas. Os sindicatos dos magistrados e juízes vivem em romântica "lua de mel" com a ministra e os agricultores, e todo o país com eles, até já começaram a "achar uma graça" e a tratar por "fofa" a ministra Assunção Cristas. Ah!, os professores! Mas alguém ainda se lembra que há professores, Fenprof e Mário Nogueira? Enfim, vai-nos valendo a Igreja Católica, que parece não ter achado lá muita graça àquela história do corte dos feriados de 15 de Agosto e 1 de Novembro. Ditadura, no sentido impositivo do termo, talvez não seja, mas na prática, tacitamente assumida, olhem que anda lá bem perto e parece quase ninguém se importa. E se isto continua assim, ainda seremos todos obrigados a uma visita a Paris para gritar bem alto à porta da Sorbonne: "Sócrates, volta. Perdoado não estás, mas vem cá abaixo por uns dias para ver se isto anima"!

sexta-feira, novembro 05, 2010

O perfil de Ferreira Leite

As afirmações de Manuela Ferreira Leite sobre a “inevitabilidade” deste orçamento e o aproveitamento político que delas fez José Sócrates, em proveito do governo, são bem paradigmáticas sobre o perfil da ex-presidente do PSD: se, especialmente em matérias de natureza económica, não deixa de ter razão muitas vezes, a sua inabilidade e impreparação políticas são quase sempre demasiado evidentes.

sábado, maio 15, 2010

JPP e os "avisos" de Cavaco Silva e Ferreira Leite

José Pacheco Pereira brada hoje em artigo no “Público” que Cavaco Silva e Ferreira Leite tinham alertado em tempo devido para o “desastre” (sic) actual. Bom, deixemos por agora Cavaco Silva que foi o iniciador do modelo de desenvolvimento que nos conduziu ao actual estado de coisas e que governos seguintes não tiveram coragem política para inflectir. Deixemos também de lado o facto de o Presidente da República ter andado a entreter o país com pseudo-escutas, em vez de focar a sua atenção no essencial, e centremo-nos em Ferreira Leite. A pergunta é: se Ferreira Leite preveniu o país a tempo - e não deixa de ser verdade que lançou alguns avisos - porque continuou a fazer da “verdade” e da “asfixia democrática”, da criação de um clima de crispação que impossibilitava os necessários entendimentos entre PS e PSD o verdadeiro foco da sua acção política em vez de a centrar nas questões candentes de natureza económica e financeira? Porque, como no caso dos professores – mas não só -, apoiou soluções que contribuíam para um efectivo agravamento da despesa pública? Porque afastou assim do PSD, com este tipo de comportamentos e com um conservadorismo ultramontano, muitos cidadãos e eleitores que, de outro modo e como provam as sondagens actuais, se poderiam rever no partido se este assumisse outro tipo de opções? E, já agora, porque deu Cavaco Silva, de facto e contrariando algumas das suas proclamações apelando ao consenso, aval a estes procedimentos do seu partido de origem em vez de o incentivar na procura de outro tipo de soluções? A resposta é só uma, o que no caso de Ferreira Leite e Cavaco Silva peca por não constituir novidade: menoridade e incapacidade políticas da parte de quem sempre viu na política um “fardo” e não uma actividade nobre e gratificante.

quarta-feira, abril 28, 2010

Três notas sobre a crise (entre ontem e hoje)

  1. Indiscutível a responsabilidade governamental sobre o agudizar da crise: porque o governo existe para governar e porque, enquanto tal, se tem eximido a fazê-lo desde que tomou posse, revelando pusilanimidade em algumas situações-chave (professores, por exemplo) e visíveis hesitações em outras (PEC e orçamento). Mas também indiscutíveis responsabilidades do PSD de Ferreira Leite/Pacheco Pereira ao ter resolvido centrar a sua acção em questões morais e de carácter, contribuindo, assim, para a menorização das questões de natureza política e sua substituição pelos ódios e inimizades pessoais e, por consequência, para criação de um ambiente geral de crispação que envenenou todo o debate político e a sociedade em geral e inviabilizou qualquer espírito de cooperação entre governo e oposição,
  2. José Sócrates tem perante si uma escolha: justa ou injustamente, ficar para a História como o primeiro-ministro que conduziu o país para uma das mais graves crises da sua história recente ou como o homem que, perante dificuldades extremas, soube assumir a condição de estadista e, por muito duras que estas possam vir a revelar-se e sem renegar a sua família política, tomou as medidas necessárias para sair da crise de forma sustentada. Não existe uma terceira via.
  3. Quando se exigia algum bom-senso e contenção nas declarações públicas (o que não exclui que se fale claro), Luís Campos e Cunha resolveu, do alto da sua reconhecida e indiscutível competência académica e curricular, espalhar mais uma dose do seu conhecido niilismo militante, afirmando que Portugal pode chegar a uma situação idêntica à da Grécia e que a cooperação proposta por Passos Coelho e a sua reunião de hoje com o primeiro-ministro já viriam tarde. Nem Medina Carreira ousou ir tão longe! O próprio Eduardo Catroga, ex-ministro do governo de Cavaco Silva, foi bem mais positivo nas suas declarações, felizmente. É de lamentar que alguém com o prestígio e competência de Campos e Cunha mostre tão pouca sensibilidade política e se deixe conduzir para campos que muitos tenderão a identificar como de puro ressabiamento pessoal.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

O actual PSD m-l e o seu radicalismo de raiz pequeno-burguesa

É comum ler e ouvir a analistas e sociólogos que os portugueses, o povo português, toleram bem, e até se gabam da pequena corrupção, a que se passa ao nível do seu bairro ou rua, dos seus “pares” desde que também dela beneficiem, e apenas a grande corrupção (aquela a que não têm acesso, acrescento eu) é por eles penalizada. Não sei se será bem assim, tendo em conta o modo como, sem hesitar, dão o seu voto político a cidadãos com investigações criminais em curso, alguns já com condenações na 1ª instância. Mas como isso se passa fundamentalmente a nível autárquico, quero acreditar que tal corrupção ainda poderá caber na noção de vizinhança ou bairro e, por isso, levar-me a concluir que o que o “povo da SIC” demonstra não é a sua condenação dos corruptos, mas o seu ódio aos que identifica como “ricos e poderosos”, num país ainda com desigualdades demasiado evidentes, com muita gente a viver no limiar da pobreza e, principalmente, com memórias ainda demasiado vivas de uma ruralidade paredes meias com a miséria do “pé descalço”. Também com muita iliteracia e ignorância a fomentar ódios novos ou a ressuscitar facilmente os antigos, num país onde, demasiadas vezes com razão, se identificam os “ricos e poderosos” como grupo resultante de favorecimentos vários e práticas proteccionistas, sem capacidade ou vontade para devolverem à sociedade uma parte, por pequena que fosse, dos que esta lhes generosamente lhes facultou. Talvez porque, também para eles, essas memórias de pobreza sejam ainda demasiado evidentes e dessa imagem se queiram esquecer.

Mas atenção: não se trata, pelo menos nos dias de hoje, de um genuíno “ódio de classe”, à boa maneira bolchevique da “classe contra classe”, “proletariado vs burguesia”. Nada disso e, apetece-me quase dizer, antes assim fosse: basta verificar a perda de influência do PCP nos meios industriais e operários, fruto da terceirização da organização do trabalho e da sociedade, para entendermos que não é isso que está em causa. Do que estamos em presença é, isso sim, de um radicalismo pequeno-burguês de cariz reaccionário, com características que podemos encontrar na génese dos movimentos nazi-fascistas dos anos 20 e 30 do século passado. E, curiosamente, é no PSD, neste PSD m-l de Pacheco Pereira e Ferreira Leite (a ordem dos nomes não é arbitrária), no PSD que já foi o de um “cavaquismo” gerador de uma cultura nova-rica que criou, tantas e tantas vezes, “ricos e poderosos” de última-hora e nas margens da ética, quando não mesmo da lei, que vamos encontrar uma tentativa de representação, a nível partidário, desse radicalismo de projecção totalitária. Arvorando a “verdade” e a “moral” como programa político, fazendo da tentativa de atropelo às mais elementares normas do Estado de Direito regra de actuação, falando no parlamento na “figura jurídica do crime de perigo... e do pré-crime”, é aí que o PSD se está a colocar a nível de representação política; é essa – digo eu – a verdadeira “deriva conservadora” de que fala a sua ex-dirigente Paula Teixeira da Cruz.

Nada de demasiado novo ao cimo da terra, apetece-me dizer. Esta pulsão reaccionária, radical à direita, pequeno-burguesa, tão visível, entre Sá Carneiro e Cavaco Silva, no tradicional culto do chefe providencial e no anseio sebastianista de um novo e regenerador do partido, sempre fez parte integrante do PSD. Talvez seja oportuno também recordar que foi, em parte, devido a esse radicalismo autoritário, no caso protagonizado por Sá Carneiro, que ficámos a “dever” a ascensão de Vasco Gonçalves a primeiro-ministro, quando daquilo que ficou para a História conhecido como “golpe” Palma Carlos – ou da Manutenção Militar. A política “centrista” do PS de José Sócrates, a crise financeira mundial e o subsequente desespero pela perspectiva de anos na oposição nada mais fizeram do que abrir caminho para que essa pulsão se pudesse tornar hegemónica. Curiosamente, agora que, em maioria apenas relativa, tanto PS e governo precisavam de um PSD diferente daquele que, embora indirectamente, “ajudaram” a construir.

quinta-feira, outubro 08, 2009

Da "linha justa" ou o PSD (m-l)

Caso não se trate apenas de retórica destinada a obter maiores concessões do PS num futuro programa de governo, algo perfeitamente legítimo em termos de luta política, o discurso radical e pequeno-burguês de Ferreira Leite fazendo apelo ao purismo ideológico, à “linha justa”, mais habitual nos grupelhos M-L do pós 25 de Abril do que num partido institucional, de poder, pode ser muito agradável de ouvir por parte dos “puros”, dos indefectíveis, mas arrisca-se a estreitar a base de apoio eleitoral do partido e, pior, a afastar dele os sectores e grupos mais influentes que nele se têm reconhecido, mormente na área do empreendorismo económico.

Depois da lógica “purgatória” que presidiu à composição das listas eleitorais (apesar de tudo, algo ainda compreensível) e da argumentação explicativa vinda dos comentadores ligados ao PSD e a Belém sobre o caso Fernando Lima, ambas a fazer lembrar velhas práticas e análises justificativas semelhantes sobre a actuação do comité Central do PCUS ou do PCC nos tempos de antanho, começam a ser muitas coincidências. Demasiadas, não é assim José Pacheco Pereira?

segunda-feira, agosto 10, 2009

Os candidatos arguidos - república de cidadãos ou de juízes?

Caso existisse uma lei que limitasse a candidatura a deputado ou autarca de cidadãos constituídos arguidos por alegado crime cometido no exercício das suas funções enquanto políticos, Manuela Ferreira Leite não teria sido obrigada a tomar a decisão política de incluir ou excluir António Preto das listas de candidatos do seu partido às legislativas deste ano. O mesmo se passaria em relação a Helena Lopes da Costa. Veria assim Ferreira Leite transitar do âmbito do político, que é o seu, para o âmbito judicial essa decisão, o que, desresponsabilizando-a, inviabilizaria a avaliação da sua capacidade e coerência política, nesta área, por parte dos cidadãos.

Independentemente de achar inconstitucional e anti-democrático limitar por lei os direitos políticos de quem ainda não foi condenado com trânsito em julgado da respectiva sentença – tal como já aqui afirmei - penso ser muito melhor assim, remetendo para os cidadãos, através do voto, o julgamento e avaliação do trabalho de quem se propõe representá-los. É que esses mesmos cidadãos podem sempre dizer que não, e escolher outros, e essa - a liberdade de escolha e a responsabilização dos eleitores - constitui a verdadeira essência da democracia.

sábado, julho 25, 2009

O PS e o "programa" eleitoral do PSD

“Interessante” é o facto do PS ter eleito como “cavalo de batalha” da sua luta eleitoral contra o PSD o facto de este partido tardar em apresentar as suas propostas. Joga assim num terreno em que pensa ter óbvias vantagens, já que sabe não recolherem algumas das propostas que necessariamente terão de vir a terreiro e que têm constituído elemento essencial da luta política contra o governo, como é o caso das grandes obras públicas, consenso no partido de Ferreira Leite. Sabe também que as crises, ou seja, os reflexos locais da crise internacional e a crise estrutural da economia portuguesa, condicionam as alternativas, e que existem personalidades da área do PSD e cujo “parecer” o Presidente da República calorosamente parece acolher que recomendam medidas radicais de correcção que dificilmente seriam recebidas pelo eleitorado com um sorriso nos lábios, arriscando-se, mesmo, a gerar uma pequena tempestade social favorecendo o voto útil PS. Entretanto, o PS vai ensaiando algumas promessas eleitorais, mais ou menos avulsas, mormente nas áreas da empregabilidade e formação, que José Sócrates sabe serem especialmente sensíveis e não só à esquerda.

O problema para o PS é que a importância dos programas e medidas eleitorais me parece estar longe de ser decisivo na futura escolha dos eleitores. Tal como no já longínquo ano de 1995 em que os eleitores terão escolhido na base de um “slogan” (“Razão e Coração”) que contrapunha, como metodologia de governo mais do que como programa político, o “humanismo” e o “diálogo” a um perfil considerado demasiado “autoritário” e “tecnocrático” do governo de Cavaco Silva, do qual visivelmente estavam fartos e cujos métodos se propunham rejeitar, isto é, escolheram, mais do que um programa, uma filosofia de governo e um perfil de primeiro-ministro, algo de semelhante pode vir a estar na base da escolha de Setembro, podendo os portugueses optar não em função da “política” (ou das “políticas”), mas por quem apresente uma proposta na área da “seriedade”, do “rigor”, da “honestidade”, dos “princípios”, de um certo “low profile” anunciado, fartos de algumas confusões, negócios nem sempre claros, atitudes “clownescas” e perfil tido como demasiado propagandístico do actual governo. Esta é também a plataforma que mais convém a Ferreira Leite que, longe de trazer consigo um passado político de êxitos governativos (antes pelo contrário), pode reclamar, isso sim, um perfil pessoal de “confiança”.

Este é, verdadeiramente, o actual drama do PS e o PSD já o terá compreendido, adiando o mais que pode a apresentação do seu manifesto eleitoral e preparando-se para o fazer em torno destes valores mais do que por via de propostas governativas demasiado específicas e/ou pormenorizadas, o que também o faria concorrer no mercado já um pouco desacreditado das "promessas eleitorais".

Uma tarefa bem complicada, terá José Sócrates pela frente.

quinta-feira, maio 21, 2009

Ferreira Leite e Américo Tomás: descubra as diferenças...

  • "Quando comecei a fazer política ainda estávamos na base dos comícios... Devo dizer que se tivesse que fazer se neste momento algum comício seria a maior das violências que me poderiam pedir. Acho que o jeito que eu tinha para fazer um comício era nulo. Graças a Deus que passou a era dos comícios", observou."Ainda há alguns, mas vamos ver se nos escapamos deles".
  • "Não tenho pena de não ter assessores do Obama porque tenho aqui pessoas e muito mais-valia do que isso. E porque também estou convencida de que não são os assessores que resolvem nada". "É impossível haver algum grupo de assessores que transforme o Sócrates em Obama", acrescentou.
  • "Eu, por exemplo, estou absolutamente convencida de que os cartazes nunca conseguem um voto, mas provavelmente perder-se-iam milhares de votos se não houvesse os cartazes. Aí todos somos subjugados e lá pomos os cartazes."
  • "Comemora-se em todo o país uma promulgação do despacho número Cem da Marinha Mercante Portuguesa, a que foi dado esse número não por acaso mas porque ele vem na sequência de outros noventa e nove anteriores promulgados....»"
  • "É uma terra [Manteigas]bem interessante, porque estando numa cova está a mais de 700 metros de altitude..."
  • "A minha boa vontade não tem felizmente limites. Só uma coisa não poderei fazer: o impossível. E tenho verdadeiramente pena de ele não estar ao meu alcance."
  • "Eu prolongo no tempo esse anseio de V.Ex.ª e permito-me dizer que o meu anseio é maior ainda. Ele consiste em que, mesmo para além da morte, nós possamos viver eternamente na terra portuguesa, porque se nós, para além da morte vivermos sempre sobre a terra portuguesa, isso significa que portugal será eterno, como eterno é o sono da morte."
  • "Neste almoço ouvi vários discursos, que o Governador Civil intitulou de simples brindes. Peço desculpa, mas foram autênticos discursos."

sexta-feira, maio 08, 2009

Financiamento partidário: Seguro, Ferreira Leite, a moral e as virtudes pátrias

Confesso a minha antipatia por aqueles que fazem da moral a razão da sua existência, o seu reason for being. Pior ainda por aqueles que se consideram modelo de todas as virtudes. Por isso, é normal que essas minha antipatia e repulsa se estendam a todos aqueles, políticos e partidos, que no campo da governação ou a ela aspirando se enquadrem nesses parâmetros. Tendo dito isto, não será necessário, penso, exemplificar nomeando.

Vem isto a propósito da posição assumida por António José Seguro na votação da AR sobre a alteração da lei do financiamento partidário. Digo, desde já, que, independentemente da minha posição pessoal sobre o conteúdo da lei, considero o timing de alteração desastroso do ponto de vista político – e não será necessário explicar os porquês. Acrescento ainda que, como posição de princípio, sou favorável ao financiamento dos partidos com dinheiros públicos (a democracia é um bem que custa dinheiro e é bom que os portugueses tenham disso noção e de que não há almoços grátis), mas também não vejo qual a razão para que esse financiamento público não possa – e deva – ser complementado com financiamentos privados, desde que comprovados documentalmente e com listagem de dadores e montantes divulgada publicamente; desde o “camarada” metalúrgico ou professor que contribuiu com um euro para o PCP, até ao industrial que financiou em milhões a campanha do PS, PSD ou CDS. Numa democracia, com escrutínio público dos actos dos eleitos, se este industrial vier a ser posteriormente beneficiado, de modo ilícito, todos saberemos os porquês e a sociedade terá meios para o evitar e penalizar politicamente quem assim possa ter agido. Também na sociedade actual da internet, em que só o café e o jornal se pagam em “dinheiro vivo” e temos de pedir desculpa se queremos pagar em dinheiro no supermercado, em que compramos as nossas viagens e pagamos as nossas despesas sem sair de casa ou sentados à frente do computador no banco do jardim, em que quase só entramos na nossa dependência bancária para cumprimentar o gestor de conta, não vejo qualquer razão (honesta, entenda-se) para tanto frenesi na modificação da lei.

No entanto... No entanto, apesar de tudo o que acima digo e estando perante um assunto que facilmente se presta a todos os populismos e demagogia anti-partidos (leia-se: anti-democracia), a todos os moralismos de pacotilha, não deixo de confessar ter sentido algum desconforto com a posição assumida por António José Seguro, que me pareceu mais ditada por um oportunismo de momento, por ter visto aí a sua “oportunidade de negócio”, os cinco minutos de fama de alguém que tem aspirações de futuro, do que por uma sentida e consequente razão política de fundo. Poderei, eventualmente, estar a ser injusto para com Seguro; mas pareceu-me ver no voto contra de quem não tem por hábito divergir significativamente das posições oficiais do partido uma tentativa de cavalgar a previsível onda popular, de se arvorar em reserva moral da nação, em espelho do que deveriam ser as virtudes pátrias. E de pátria e de virtudes, desculpem, mas já tivemos dose suficiente.

Nota final: Manuela Ferreira Leite diz estar disponível para alterar a lei agora aprovada desde que se verifique “esta possa ter efeitos perversos”. Assim sendo, não se entende muito bem porque não exerceu a sua influência, enquanto presidente do PSD, para que o grupo parlamentar do seu partido votasse de modo diverso e apenas agora, a posteriori, a reboque do “povo da SIC” e tentando atrelar-se a um previsível veto do Presidente da República, venha tomar uma posição crítica, ela própria, deste modo, “perversa”.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

AS PMEs, as quotas e Manuela Ferreira Leite

Sugerir o apoio preferencial às PMEs é o mesmo do que manifestar solidariedade para com os mais desfavorecidos ou apelar à paz no mundo: fica sempre bem mesmo quando nada mais significa do que a manifestação de piedosas intenções.

A primeira dificuldade é: como definir PMEs? Em função do volume de negócios? Do número de trabalhadores? Poderia parecer um bom princípio, mas... é suficiente? De ambos e, simultaneamente, não integrarem grandes grupos económicos? “Idem” e por serem empresas maioritariamente de capital nacional? Por serem empresas familiares? Uma história ridícula e que revela essa dificuldade: trabalhei na subsidiária portuguesa de uma multinacional líder no seu sector de actividade que recebeu financiamentos do PEDIP por ser considerada, em Portugal, uma PME!

Segunda dificuldade: uma vez ajustada a definição, é o sector homogéneo? Claro que não. Como aqui afirmei, coexistem pequenas empresas familiares, de gestão incipiente, produzindo bens de baixo valor acrescentado, sem trabalho qualificado, condenadas a prazo e empresas tecnológicas de gestão eficiente e altamente qualificada, capital intensivas, pertencentes a grandes grupos económicos ou a sectores emergentes, de enorme potencial futuro. Da economia do conhecimento. De multinacionais. Altamente competitivas em mercados exigentes. Respeitadoras do ambiente e sustentáveis. Misturar “alhos com bugalhos” só poderá levar ao descalabro e a falta de rigor nunca foi boa conselheira.

Tendo dito isto... Devem ser apoiadas de igual modo? Mesmo tendo em conta a necessidade de manter o emprego, no curto prazo, a níveis razoáveis, a resposta só pode ser uma: claro que não. Caso contrário estaríamos a financiar a ineficiência, o desperdício, a falta de qualidade e a má gestão, o passado e não o futuro. Isto é, a desperdiçar o dinheiro de todos nós, contribuintes, em projectos inviáveis.

Uma provocação em relação à questão das quotas sugeridas pelo PSD: se um ministério quiser encomendar uma campanha de publicidade deve fazê-lo a uma dessas pequenas agências de “amigos”, muitas vezes constituídas apenas para esse projecto, ou a uma outra, profissional, pertencente a um grande grupo de comunicação? E se uma autarquia quiser montar ou restruturar a sua rede informática? A quem é competente, assegura um serviço de qualidade, ou a uma pequena empresa amadora, de alguém relacionado com o presidente da câmara local?
Sim, eu sei que são pequenas provocações. Mas necessárias para chamar a atenção de que nem tudo que luz é oiro, nem tudo o que parece é. Por vezes, é mesmo o seu contrário e trará consigo consequências perversas.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Pacheco Pereira e os "trabalhos de Hércules" de Manuela Ferreira Leite

José Pacheco Pereira tem indiscutível razão quando afirma não se poderem atribuir apenas a Manuela Ferreira Leite a responsabilidade pela crise e pelos maus resultados do PSD nas sondagens. E cita “ a imagem que a maioria dos portugueses têm da experiência governativa Barroso – Portas – Lopes, a fuga de Barroso, as peripécias do governo Lopes – Portas, os sucessivos escândalos com sobreiros, submarinos, casinos, os financiamentos ilegais, a imagem do grupo parlamentar escolhido por Santana Lopes, o “menino guerreiro”, as histórias do BPN e a “estratégia” de desgaste de Passos Coelho”. Sem dúvida. Faz bem JPP em nos relembrar de modo sucinto todas as maleitas, no seu conjunto, algo bem capaz de condenar à morte com dor qualquer doente anteriormente o mais são! O problema é que Manuela Ferreira Leite não só não se tem mostrado capaz de inverter essa imagem negativa do PSD junto da opinião pública, que era aquilo que os seus militantes e potenciais eleitores (acho eu) esperariam, como com as suas gaffes, ausência de uma estratégia alternativa consistente e erros políticos sucessivos (a colagem às posições dos professores é um erro tremendo, que pagará bem caro, e está em conflito total com as posições do “Fórum para a Liberdade de Educação” onde se encontram, maioritariamente, os potenciais apoiantes do PSD nesta área) tem contribuído para que essa imagem, no mínimo, se mantenha e para que no partido não cesse o seu permanente estado de desassossego. O que já constituiria a hell of a job (o ajuste de contas com o passado imediato) transforma-se assim em “Missão Impossível”.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Os prisioneiros de Guantanamo; Luís Amado e a oposição

Ao declarar-se pronto a receber ex-prisioneiros de Guantanamo, o governo português está a enviar algumas mensagens subliminares. Em primeiro lugar a manifestar, explicitamente e por contraste para com George W. Bush, o seu apoio ao presidente eleito dos USA, Barack Obama, especificamente na sua atitude perante este caso, pelo seu simbolismo, mas, por isso mesmo – por esse seu valor simbólico - a ele não o limitando. Em segundo lugar a tentar “marcar um território seu” no que aos direitos humanos diz respeito. Em terceiro lugar a tentar limpar a sua imagem, “chamuscada”, perante o caso dos voos da CIA. Por último, a tentar marcar uma diferença de atitude, face ao governo Barroso, em relação à guerra do Iraque, pese embora a posição oficial do PS e a de Luís Amado em particular nunca tenham sido muito claras. Por tudo isto, não fazia qualquer sentido contactasse e ouvisse a oposição. Ferreira Leite entendeu o alcance das declarações de Luís Amado e reagiu tentando apanhar o combóio em andamento. Conclusão: Luís Amado, 1 – Ferreira Leite, 0.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Uma afirmação à taxista!

Mais grave, bem mais grave do que a talvez ironia de ontem no almoço da Câmara de Comércio Luso-Americana, foram estas afirmações “à motorista de táxi” que põe em causa a verdadeira essência do estado democrático e passaram quase despercebidas: “enquanto o sistema jurídico não for eficaz, o polícia está transformado num palhaço, porque prende um indivíduo e meia hora mais tarde está na rua.” Ou seja, adeus independência do poder judicial, um dos pilares fundamentais do estado de direito. Para Manuela Ferreira Leite, a função desse sistema judicial será, isso sim, apenas caucionar as decisões previamente tomadas pelas polícias. É o reino do arbítrio, o estado policial em todo o seu esplendor. Pena não ter sido confrontada!

Sarah Palin vs Ferreira Leite


No "Bicho Carpinteiro", Joana Amaral Dias assinala algumas semelhanças entre Sarah Palin e Manuela Ferreira Leite. Veja aqui e agora as diferenças!

terça-feira, novembro 18, 2008

"Mio Dio, come sono caduta in basso!"

Se as declarações de Manuela Ferreira Leite sobre a democracia ou a respectiva ausência não foram objecto de uma interpretação errónea, nada mais tenho a acrescentar ao que muitos vão dizer sobre as suas convicções democráticas. Ou melhor, a ausência delas. Abstenho-me, por isso, de contribuir para o aumento do ruído.

Se, de facto, o PSD tem razão e foram mal interpretadas, Ferreira Leite demonstra uma vez mais, e de forma recorrente, a inabilidade para exprimir as suas ideias em público, reforçando apenas a convicção daqueles que, como eu, sempre pensaram que estamos na presença de alguém honesto mas politicamente medíocre, sem qualquer sucesso, do qual se possa minimamente orgulhar, obtido durante as suas passagens pelos governos que integrou.

segunda-feira, novembro 10, 2008

A ilusão "cavaquista"...

Para aqueles que ainda tinham dúvidas, as últimas atitudes de Cavaco Silva, o oportunismo político de Ferreira Leite face à manifestação dos professores e o caso BPN vêm ajudar a levantar o pesado manto que durante muito tempo encobriu aquilo que foi, na realidade e na sua essência, a governação da era "cavaquista": um modelo de desenvolvimento baseado em obras públicas que conduziu o país a um impasse e que os governos seguintes não tiveram coragem para alterar, a ausência quase total de reformas onde elas eram mais necessárias (justiça, educação, saúde, segurança social), o desenvolvimento de negócios suspeitos ou ilícitos à sombra de um Estado omnipresente, uma mentalidade nova-rica criada pelo afluxo de dinheiro fácil dos fundos estruturais, a ascensão de pequenos caciques de província (basta olhar para o BPN) a governante nacionais, o esbanjamento de recursos na gestão autárquica e um temor reverencial pelos poderes corporativos.

Afinal, depois de despido do seu manto, o rei vai nu? Não ousarei chegar a tal ponto, mas já nada mais o cobre do que um véu diáfano de ilusão.

terça-feira, novembro 04, 2008

Pacheco Pereira e o tratamento mediático da entrevista de Ferreira Leite: o rabo a abanar o cão?

Num aspecto José Pacheco Pereira tem razão ao analisar no seu Abrupto o tratamento mediático dado à entrevista de Ferreira Leite ao DN e á TSF: de facto, a presidente do PSD fez algumas afirmações interessantes e teceu algumas críticas importantes à governação Sócrates. Sem dúvida. Só que, por inabilidade e imperícia política, e não por culpa dos media ou do PS como JPP pretende fazer crer numa afirmação que tem tudo de “o rabo a abanar o cão”, essas críticas e afirmações foram “abafadas” por um sound byte de todo despropositado sobre o desemprego na Ucrânia e em Cabo Verde, uma armadilha que Manuela Ferreira Leite montou para si própria e da qual apenas ela e os seus assessores e conselheiros, entre os quais o próprio JPP, serão responsáveis. Assim sendo, parece-me que ao ilibar Ferreira Leite e responsabilizar terceiros, Pacheco Pereira nada mais está a fazer do que tentar desculpabilizar-se a si próprio.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Ainda o PSD e o Kosovo

Claro que para conhecer a opinião do Presidente da República sobre a questão do Kosovo, mais a mais tendo em atenção o cordial relacionamento de longa data entre ambos, bastaria a Manuela Ferreira Leite ter falado ao telefone com Cavaco Silva. Mas ao optar por solicitar uma audiência formal, a líder do PSD quis acima de tudo enviar ao partido e ao país sinais inequívocos de que, primeiro, a posição que iria propor ao partido teria o acordo e seria a mesma que a do PR, segundo, que o PSD, numa altura em que se fala abertamente de uma relação mais crispada ou menos consensual entre o governo e Cavaco Silva, continuaria a ser ainda o partido “natural” do PR, situação mais reforçada com a eleição de Ferreira Leite e o momento, aparentemente, mais turbulento do relacionamento entre São Bento e Belém. Mas como tudo tem também sempre um reverso, será que assim Ferreira Leite consolida a sua imagem de líder forte e com ideias próprias ou está apenas a tentar remeter para Cavaco a imagem incómoda de efectivo líder da oposição?