quarta-feira, dezembro 03, 2008

Dois tipos de professores, duas concepções de escola

Esta manhã, no Fórum TSF, foi-me dado ouvir um professor indignado com o facto da avaliação incluir um item que valorizava a sua capacidade, enquanto professor, para angariar exteriormente financiamentos para a própria escola. Pareceu-me que, pelo menos, um certo espanto perante tal revelação terá também atingido o jornalista coordenador da emissão e o próprio responsável da Confap (Confederação de Pais), Albino Almeida, não deixou de manifestar a sua discordância para com o assunto. Entendamo-nos.

Não vejo qualquer razão para um item deste teor não integrar a avaliação de um professor, desde que com um coeficiente próprio necessariamente inferior a alguns outros da área pedagógica. O que me parece estar aqui em causa, na base, são duas concepções distintas de professor e de escola, de sistema educativo: uma, que me parece ser a defendida pelos sindicatos e pela maioria dos professores e consubstanciada no slogan "deixem-nos ser professores", que pressupõe uma escola conservadora, com a gestão centralizada no respectivo ministério e onde os professores, uns melhor e outros pior consoante as suas capacidades, se limitam a dar aulas, isto é, a transmitir conhecimentos debitando a “matéria”; e outra, mais moderna e liberal, onde a escola é uma entidade dinâmica voltada para a comunidade, dotada de autonomia suficiente e em que o professor é parte activa e integrante de um projecto educativo e social, cabendo-lhe uma quota parte de responsabilidade na sua gestão e no cumprimento dos objectivos definidos.

Escusado será dizer qual a minha opção.

3 comentários:

VdeAlmeida disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
VdeAlmeida disse...

Uma das tiradas mais cómicas que ouvi nos últimos tempos, foi dita precisamente nesse fórum.
Um professor, depois de deitar abaixo o governo (que obviamente tem muitas culpas no cartório) em bloco - dizendo nomeadamente que era o responsável pela destruição de 3 grandes áreas: a educação, a justiça e a saúde - adiantou que mesmo o porta-voz da Confap era uma espécie de pau mandado do governo, uma vez que a Confap era subsidiada pelo governo.
E depois a tal tirada, qualquer coisa como "Esse senhor não é porta-voz dos pais coisa nenhuma, uma vez que houve pais que não votaram nele, nomeadamente eu". Isto é, só se é porta-voz de determinada classe ou extracto da população se for votado favoravelmente pela totalidade dos seus constituintes. E mesmo assim, é preciso que o dito senhor o tenha feito, também.
O que, segundo a sua óptica, retira a legitimidade ao PR perante cerva de 50% dos portugueses, isto só para dar uum exemplo. Já agora, gostava de saber com que percentagem foi eleito o presidente da Fenprof.
Meu caro, se não estivéssemos perante uma situação gravíssima, que se repercute nomeadamente no direito aos jovens à educação, seria caso para ver a coisa como anedota e rir.

Abraço

JC disse...

Tb ouvi essa. Um dos objectivos actuais de quem se opõe às reformas na educação é desacreditar a CONFAP, que, mtº siceramente, não sei o que vale ou deixa de valer mas tem mantindo uma posição de algum equilíbrio. Com mais ou menos votos tem exactamente a mesma legitimidade que a FENPROF ou a FNE.
Quanto à justiça, saúde e educação são exactamente as áreas mais carentes de reformas se queremos um país com uma justiça democrática, um serviço nacional de saúde eficiente e uma escola pública competitiva. Em suma, mais igualitário e civilizado. Na justiça o governo nem tentou, na saúde o Correia de Campos foi vítima de uma campanha ignóbil - do tipo "Maria da Fonte" - e das reformas que lá foi
fazendo e na educação espero o governo, apesar de todos os seus erros inclusivé aquele mais grave de nos tentar atirar poeira para os olhos c/ as estatísticas, não ceda.
Abraço