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quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Esther Mucznik, Daniel Oliveira, Israel e a hipótese de democracia árabe

Esther Mucznik, da Comunidade Judaica em Portugal, declarava ontem numa qualquer estação de televisão (desculpem a falta de memória, mas acho era a TVI24) que o Estado de Israel só teria a ganhar com a implantação da democracia no Egipto e em outros países árabes. Por sua vez, podemos ler hoje no “Expresso” on line e no “Arrastão” opinião contrária expressa por Daniel Oliveira: para Israel isso seria bastante problemático. Estarão ambos errados, já que em democracia nem sempre ganham os “nossos”: no caso de Esther os que permitem que Israel oprima os palestinianos e os sujeite ao exílio e à miséria; no caso de Daniel os que se coloquem de fora da influência ocidental e obriguem os israelitas (alguém ainda pensa em tirá-los de lá?) a viver na insegurança diária. No fundo, quando falam em democracia o que ambos pretendem dizer é “os nossos democratas”. É uma “chatice” isto da democracia!

Daniel Oliveira afirma ainda: “Se a democracia se instalasse no Egipto - por vontade popular e não à bomba, como se quis no Iraque - e o dominó das ditaduras continuasse a cair tudo seria diferente”. Onde é que já ouvi isto?, mesmo se descontarmos as bombas? Pelo vistos, George W. deixou prosélitismo improvável. Ai esse voluntarismo!...

sexta-feira, outubro 09, 2009

Um Nobel contra alguém

É comum dizer-se, não sem alguma razão, que um jantar de homenagem o é também sempre contra alguém. É o caso deste Nobel da Paz. Para além de homenagear Obama (ler o que sobre isso escreve Mário Soares, talvez o velho português mais jovem até por, às vezes, exagerar em algum radicalismo), mais pelo que significa ter um negro na presidência do maior país do mundo e pela onda de optimismo que, em boa hora, gerou do que por qualquer realização efectiva, é seguramente, também ele, um prémio contra alguém. Contra quem? George W. Bush, pois com certeza, que, qual Al Johnson, deve estar, neste momento, a pintar a cara de... preto.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Os prisioneiros de Guantanamo; Luís Amado e a oposição

Ao declarar-se pronto a receber ex-prisioneiros de Guantanamo, o governo português está a enviar algumas mensagens subliminares. Em primeiro lugar a manifestar, explicitamente e por contraste para com George W. Bush, o seu apoio ao presidente eleito dos USA, Barack Obama, especificamente na sua atitude perante este caso, pelo seu simbolismo, mas, por isso mesmo – por esse seu valor simbólico - a ele não o limitando. Em segundo lugar a tentar “marcar um território seu” no que aos direitos humanos diz respeito. Em terceiro lugar a tentar limpar a sua imagem, “chamuscada”, perante o caso dos voos da CIA. Por último, a tentar marcar uma diferença de atitude, face ao governo Barroso, em relação à guerra do Iraque, pese embora a posição oficial do PS e a de Luís Amado em particular nunca tenham sido muito claras. Por tudo isto, não fazia qualquer sentido contactasse e ouvisse a oposição. Ferreira Leite entendeu o alcance das declarações de Luís Amado e reagiu tentando apanhar o combóio em andamento. Conclusão: Luís Amado, 1 – Ferreira Leite, 0.