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sexta-feira, setembro 19, 2014

Jorge Jesus e as suas limitações

Jorge Jesus sofreu esta semana dupla humilhação. Pese embora a desproporção de recursos entre SLB e Zenit, sofreu mais uma derrota em casa frente a André Villas-Boas e, pior ainda, e apesar das circunstâncias do jogo, ao estilo copycat das anteriores. E para compor o ramalhete, teve ainda de ouvir José Mourinho tocar-lhe no ponto mais fraco, onde mais lhe dói, isto é, nas suas insuficiências gramaticais e discursivas. Como não acredito Jorge Jesus consiga superar, nesta altura da sua vida e da sua carreira, estas suas duas limitações, digamos que elas explicam porque, embora competente, nunca poderá vir a ser um grande treinador e terá atingido no SLB o limite a que pode aspirar. Já quanto a quem dirige o o meu clube, seria bom concluísse tem aqui um problema.

domingo, fevereiro 16, 2014

Mourinho, Pellegrini e o jogo de ontem.

Ontem, com a entrada de Javi Garcia para "pivot" defensivo e do sólido e fiável James Milner para o meio-campo, Pellegrini meteu Hazard num "colete de forças", obrigou-o a jogar longe da grande-área e o Chelsea perdeu o seu melhor jogador e desequilibrador. Digamos que o treinador dos "citizens" aprendeu bem a lição do jogo do campeonato e deu um banho táctico a Mourinho, que, quanto a mim, mexeu mal na equipa durante o jogo. Eu teria substituído Obi Mikel ao intervalo, recuado Ramires para este pegar no jogo mais atrás e fazer o papel de "elástico" do meio-campo e feito entrar Óscar bem mais cedo. Talvez assim Hazard ficasse mais liberto. Mas isto digo eu, mero treinador de bancada - ou de sofá, neste caso.

terça-feira, fevereiro 04, 2014

Man City FC - Chelsea FC

José Mourinho teve ontem um jogo à sua medida: era preciso defender bem e de forma concentrada (e ninguém defende melhor do que as equipas de Mourinho) e depois atacar em transições muito rápidas, tentando ganhar a bola em zonas altas ou fazendo-o em passes longos. Um meio-campo com David Luiz, Matic e Ramires (quem jogasse assim em Portugal seria crucificado) e um ataque com três diabos à solta, como Hazard (que jogador!), Willian e Eto'o, materializaram a estratégia. Só faltou e bom e velho amigo Drogba a ganhar as bolas longas para tudo ser ainda mais perfeito. Apesar de ter sido um jogo de apenas um golo, quem gosta mesmo de bola também gosta de ver como se defende tão bem e como, no campo, tudo parece tão perfeito como movimentar as peças  num tabuleiro de xadrez. Que lição!

quarta-feira, maio 01, 2013

A eliminação do Real Madrid

  1. Claro que o que vou dizer é totalmente especulativo, mas fiquei ontem com a sensação de que seria mais fácil para uma muito boa equipa que jogasse no contraste, que fizesse da "posse" e circulação de bola o seu modelo de jogo, eliminar o Borussia, em vez de um Real Madrid que faz das transições rápidas, das cavalgadas pelos flancos, de um futebol muito físico e dos passes longos e tensos o modelo em que assenta o seu jogo. Acho até que Mourinho percebeu isso e fez alinhar Modric, que é essencialmente um jogador que gosta de ter bola e de a fazer circular. Mas, claro, esse não é o modelo dos "merengues" e, assim sendo, Modric, mesmo possibilitando à equipa algumas nuances no modo como joga, parece ser quase sempre uma peça que encaixa mal naquele mecanismo. Pode alguém ser quem não é?
  2. Durante a estada de José Mourinho no Santiago Bernabéu os jogos do Real Madrid passaram a ser, para os portugueses, uma espécie de Portugal - Espanha dos tempos do "hóquei patriótico". Só que, oh ironia das ironias, o Madrid passou a ocupar o lugar que antes pertencia a Portugal e os seus adversários o de Espanha. Não deixa de ser curioso.
  3. Já o disse neste "blog": José Mourinho, com o seu estilo de gestão desafiante e pelo conflito, de ruptura, parece-me ser um treinador mais adequado a um "challenger" (como o Chelsea, por exemplo, ou até como o Internazionale, o PSG ou até mesmo o FCP da linha ideológica Pedroto/Pinto da Costa) do que para "aristocratas" do futebol como o são o Real Madrid, o Manchester United, o A. C. Milan ou o Bayern. Em qualquer destes clubes será sempre alguém incomodado com regras que não são as suas.  

terça-feira, março 05, 2013

Mourinho em Old Trafford

Ao afirmar, com desassombro, que em Old Trafford não ganhou a melhor equipa, Mourinho tem razão, mas não está apenas a querer ser justo e simpático. Conhecendo todos nós a sua atracção pela Premiership e falando-se da possibilidade de regressar a Inglaterra na próxima época, Mourinho quer fazê-lo pela porta grande, como um grande senhor e personalidade "bigger than life" que pretende ser. Com estas suas afirmações começou, e muito bem, a abrir a porta.

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Mourinho e o Real Madrid

Os tão na moda problemas de José Mourinho no Real Madrid têm uma origem bem mais profunda e radical (de raiz) do que aquela a que a comunicação social parece querer reduzi-la. Assim sendo, a alegada "conspiração" dos capitães, as discussões no balneário, as hipotéticas "campanhas" de contestação da  "Marca", os desencontros com Valdado, o azar" de ter como contemporânea esta equipa do Barça e assim sucessivamente, que fazem as manchetes dos jornais desportivos e as delícias das discussões ente adeptos, não são mais do que efeitos de uma realidade um pouco mais escondida . No fundo, eles - esses problemas - limitam-se a reflectir e a resultarem de um estilo do gestão pelo confronto, de ruptura, em certa medida mesmo belicoso, contestatário, que, fazendo parte do "way of doing the things" de José Mourinho e sem que tal constitua qualquer espécie de crítica, se manifesta bem mais adequado e comprovadamente bem sucedido quando falamos de "challengers" como o Chelsea ou o Inter, de clubes como o Futebol Clube do Porto que alicerçaram nesse comportamento o seu sucesso e o integraram na sua cultura, do que a instituições "aristocráticas" e habitualmente dominadoras, como o são o Real Madrid (principalmente), o AC Milan ou o Manchester United, por exemplo. Digamos que o estilo de gestão de José Mourinho e a cultura de um clube como o Real Madrid são incompatíveis, não "encaixam" e dificilmente tal alguma vez poderia ter acontecido. Daí o desconforto de ambos e o não reconhecimento mútuo quando se olham nos olhos. Mourinho pode vir até a ganhar o Champions League, novamente a Taça do Rei, a acabar a Liga muito mais perto do FC Barcelona (ganhá-la é impossível), mas continuará sempre a ser um corpo estranho num clube que, mais do que qualquer outro, é o símbolo da tradição aristocrática no futebol. Ambos - Mourinho e o Madrid - continuarão a ser "grandes", mas confortavelmente longe um do outro.

domingo, maio 20, 2012

Um título contra Villas-Boas

Caros jornalistas e comentadores desportivos:

Uma equipa que vira em casa um resultado negativo de 1-3 contra o Nápoles, elimina o Barça com uma vitória e um empate e, por fim, vai ganhar a final da Champions League a casa de um adversário que tinha eliminado o Real Madrid tem forçosamente de ter mérito. Enorme mérito. E, convém lembrar, André Villas-Boas não pode partilhar desse mérito, porque esta vitória na Champions League, como o já tinha sido, em certa medida, a conquista da FA Cup, foi conseguida exactamente com recurso a uma metodologia de gestão, um estilo de liderança e princípios e modelo de jogo que estão nos antípodas dos que, sem êxito, o ex-treinador do FCP tinha tentado implementar no Chelsea F. C. Se alguém, para além de Roberto Di Matteo, pode partilhar uma ínfima parte do sucesso obtido, esse alguém chama-se José Mourinho, de quem, pelo futebol praticado e comportamento dos jogadores mais carismáticos, o Chelsea actual ainda guardará alguns traços identitários,

quinta-feira, maio 03, 2012

"Alirón, alirón, el Madrid es campeón!"

Não, após mais um seu enorme sucesso, e ao contrário da sugestão que me enviou o Tiago Miranda, não vou escrever sobre o "senhor que representa a antítese do "português": inteligente, trabalhador, regular, com um espírito ganhador, ambicioso, respeitado por todos quantos trabalharam com ele, temido pelos adversários e nada simpático, saindo sempre em sucessivas conquistas fora da sua zona de conforto, como agora todos gostam de dizer..." (as palavras são do Tiago). Já o fiz muitas vezes e o Tiago Miranda resume em muitos poucas palavras o que eu seria levado a dizer sobre Mourinho em algumas mais, como, por exemplo, "arrogante e metódico o suficiente para conseguir alcançar o sucesso". Por isso acrescento apenas isto: "alirón, alirón, el Madrid es campeón".

quinta-feira, março 15, 2012

O Chelsea, Villas-Boas e uma entrevista de Juan Mata


Esta entrevista não teve a atenção que merecia e, no entanto, foi Juan Mata (é ele que fala), insuspeito pois chegou ao Chelsea pela mão de Villas-Boas, quem melhor pôs o dedo na ferida da gestão do ex-treinador do FCP: é, no mínimo, imprudente, para não dizer ingénuo ou estúpido, chegar a um clube e querer, de uma penada, mudar a sua cultura e o seu conceito de futebol, circunstância agravada por nem sequer ter querido, ou tido oportunidade de, fazer mais do que pequenos ajustes no plantel. Mas o assunto sugere-me ainda mais alguns comentários:

  1. O modelo de jogo perfilhado por Villas-Boas, privilegiando a posse e circulação de bola e a pressão muito alta, um pouco à semelhança de como o FCP de Vítor Pereira jogou em Manchester e na Luz, era de todos conhecido. Deveria também sê-lo da direcção do Chelsea e de Abramovich. Ao não ter em conta tal incompatibilidade com aquele modelo de "futebol de estivador" (e digo-o sem qualquer intuito pejorativo), de grandes correrias e muito jogo directo, perfilhado pelo Chelsea dos últimos anos, Abramovich cometeu mais um erro, dos muitos que carrega sobre os ombros.
  2. O recado serve bem para muitos outros clubes: nos tempos actuais, quando se contrata um treinador contrata-se também uma ideia e um modelo de jogo e, em muitos casos, também um modelo de gestão do futebol. Por exemplo, Mourinho não descansou enquanto não conseguiu gerir todo o futebol de Real Madrid de acordo com as suas ideias e concepções. Mas Mourinho tem outro "peso" (e mesmo assim as coisas não foram fáceis), não mudou radicalmente o modelo de jogo da equipa (fez apenas alguns acertos e equilibrou a equipa defensivamente) e teve carta branca para alterações profundas no plantel. E, mesmo assim, só tarde percebeu que uma equipa com os pergaminhos do Madrid não pode jogar contra o Barça com as mesmas armas que deram a vitória ao Inter, sem que tal não revoltasse a "afición".
  3. Claro que me estou a lembrar também do meu SLB. Um dia que Jorge Jesus saia, quaisquer que sejam as razões, há que garantir que se contrata uma equipa técnica que, em termos gerais, não afronte a cultura do clube nem altere radicalmente o modelo-base de jogo que se tem vindo a cimentar e ganhou raízes nos últimos anos (e não só). Alguém que entenda também o respectivo modelo de negócio. Bom exemplo do que digo foi a contratação de Eriksson no início dos anos 80 do século passado, embora essa contratação tivesse sido quase fruto do acaso. Só conseguiu mudar o que estava caduco porque entendeu a cultura e o modelo de futebol do clube, que vinha da grande equipa nos anos 60, e perfilhava princípios idênticos. 
  4. Os jogadores mais antigos do Chelsea revoltaram-se contra Villas-Boas por serem "sacanas", "filhos da puta" ou "mal formados"? Provavelmente não, mas apenas porque se sentiam desconfortáveis num modelo de jogo pouco talhado à sua medida e às suas características. Ontem, por exemplo - e isto apesar de eu achar que o plantel está envelhecido e é de qualidade inferir aos de City, United e Spurs - a equipa voltou ao tal "futebol de estiva" e marcou três golos de jogo directo ou de bola "parada" (o próprio "penalty" nasce de uma jogada pelo ar), futebol que é, de facto, o seu. E foi ver a festa que fizeram...

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Mourinho e Villas-Boas

Pondo de lado o folclore que a comunicação social gosta sempre de explorar, o aparecimento de André Villas-Boas ao lado de Pinto da Costa na bancada do Etihad Stadium é, na sua essência, bem revelador da diferença de personalidades entre ele e José Mourinho, e explica muito das dificuldades do primeiro em se impor no Chelsea e dos êxitos do segundo.

Do lado de José Mourinho temos um "profissional", uma personalidade cosmopolita, "bigger than life", um líder que "não faz prisioneiros" e a quem os seus homens seguem "até à morte". Simultâneamente, a única verdadeira estrela das equipas que dirige e que, por isso mesmo, nunca se sujeitaria a ser interpretado em todo o mundo como alguém que presta vassalagem a quem quer que seja, muito menos ao seu anterior empregador, uma personalidade provinciana e a caminho do patético como o é Pinto da Costa. Sintomático o modo como rompeu com o clube quando da sua ida para o Chelsea, mostrando a sua independência, nesse momento e futura, face aos seus empregadores e colocando-se, de imediato, um degrau acima do presidente do Porto e até do próprio clube. Mais de meio caminho andado para o seu triunfo, portanto.

Do lado de Villas-Boas temos uma quase relação pai/filho (ou padrinho/afilhado?) de alguém demasiado sentimental, que tem dificuldade em cortar o cordão umbilical e não se importa de se subalternizar e aparecer quase como uma marioneta daquele a que chamam "Papa", sintoma de uma personalidade fraca e pouco autónoma. Villas-Boas é portista e foi torcer pelo seu clube do coração? Claro, todos o sabem, mas tinha todos os pretextos para se deslocar ao Etihad sem necessidade de se sentar ao lado do seu ex-presidente. Deu um trunfo a Pinto da Costa, mas triste imagem de si a Abramovich e ao mundo. Se quiserem, ao "mercado".

Até pode ser que Villas-Boas seja imensamente competente, não vou duvidar e os seus resultados à frente do FCP parecem comprová-lo. Mas o mundo dos treinadores de futebol está com certeza cheio de gente competente e, portanto, tal requisito não basta para fazer a diferença. E é assim em toda a actividade humana...

sábado, dezembro 10, 2011

O drama de Mourinho

O drama de José Mourinho, nos jogos contra o Barça, é que no Real Madrid não pode aplicar a táctica que adoptou com sucesso no Inter e lhe valeu a eliminação dos catalães: "bloco" muito baixo (o chamado "autocarro") e passe longo para o ponta de lança ou, em alternativa, transição muito rápida mas apenas "pela certa". Digamos que o "pedigree" e a cultura de clube do Madrid o não permitem.

Recorde-se que foi também esta a táctica que Guus Hiddink utilizou enquanto treinador do Chelsea, sendo apenas espoliado do apuramento pela arbitragem mais vergonhosa a que me foi dado assistir (e ví Guímaros e Josés Pratas...). Deve ser uma situação terrível para ele (Mourinho), mas constatou-se hoje, mais uma vez, que nem este super-Real Madrid consegue vencer o futebol "valium" do Barça tentando jogar no campo todo.

quarta-feira, novembro 16, 2011

O exemplo de Paulo Bento - e outros.

Mourinho, Cristiano Ronaldo e Paulo Bento são aquilo que a maioria dos portugueses não são - e detestam: trabalhadores, rigorosos, donos de alguma arrogância, pessoas que falam directo e com clareza, que exprimem as suas ideias com simplicidade, senhores de si e das suas convicções. Gente, no caso de Cristiano e Paulo Bento, que não deixam confundam as suas origens humildes com a obrigação de humildade nos seus comportamentos. Talvez por isso sejam bem sucedidos. Não sei se essa maioria dos portugueses já percebeu... 

quinta-feira, maio 26, 2011

Mourinho e Valdano: muito mais do que um "choque de personalidades"

Os problemas entre José Mourinho e Jorge Valdado, com o despedimento deste último que, recorde-se, teoricamente era seu superior hierárquico, vão muito mais longe do que a vitória do português sobre o argentino, do comandado sobre o comandante. Eles remetem para as estruturas organizacionais dos grandes clubes de futebol profissional e, mais concretamente, para a definição de funções de um treinador e a necessidade ou não de existência, nessa mesma estrutura, de um "director desportivo", "director geral" ou como lhe quiserem chamar.

Sejamos claros... Com o perfil dos grandes treinadores actuais, que em muito transcende o do antigo praticante com jeito para a função e assenta numa preparação adequada, muitas vezes universitária, e a evolução do futebol em termos científicos, o treinador de futebol tende a transportar consigo uma ideia de organização, um modelo de jogo, princípios de actuação bem definidos. Já não é mais o rapaz com jeito a quem se entregava um grupo de jogadores contratados pelo presidente ou pelo chefe do departamento de futebol para "armar" (era assim que se dizia) uma equipa. É, normalmente, um conhecedor dos mercados e transformou-se num gestor do futebol profissional do clube que o contrata, o que tem como consequência que uma parte significativa deste perfil coincida com o do director desportivo, transformando-se tal coisa numa fonte de potenciais problemas. Essa situação agrava-se ainda mais nos clubes de regime presidencialista, isto é, em que o presidente-dono não é um mero "Chairman" mas tende a assumir as funções de um efectivo CEO. Ninguém está a ver, por exemplo, Pinto da Costa ou Roman Abramovich a funcionarem com um "director desportivo", ou Mourinho, Arsène Wenger, Alex Ferguson, Hiddink ou, até, o neófito André Villas-Boas a aceitarem de bom grado a tutela de um "director desportivo" (O Barça de Guardiola é um caso muito particular). Quando muito, fará sentido nos clubes de "investidores" (e só nesses) em que o presidente é um mero "Chairman", como acontece no modelo organizativo tradicional do UK, a existência de um "director geral", verdadeiro CEO que entrega ao "manager" (é este o nome dado ao treinador principal nos clubes ingleses) a gestão do "core business "do clube: o futebol.

É portanto tudo isto - o modelo organizativo - muito mais profundo do que um mero choque de personalidades entre Mourinho e Valdano, que está em causa no Real Madrid e nos grandes clubes que têm o futebol profissional como actividade principal. É também tudo isto que está em causa no meu clube quando, depois de, num gesto contra-natura em função da personalidade de LFV e apenas para sua salvaguarda, Rui Costa foi nomeado "director desportivo" e depois esvaziado de funções quando da contratação de Jorge Jesus e a assunção por parte de LFV de um modelo presidencialista, mais à sua medida. Com um pequeno senão, contudo: Nem LFV nem JJ têm perfil, conhecimentos ou características para assumir a condução do futebol profissional do clube. Os resultados estão á vista.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Parabéns a dobrar, José Mourinho: o menos português dos portugueses


"Sou um admirador confesso de José Mourinho. Mais, acho que a sua importância e a da sua personalidade transcendem em muito o campo limitado do futebol, enquanto actividade profissional e mediática, e são mesmo um excelente exemplo extrapolável para outras actividades e base sólida para análises mais alargados do comportamento geral dos portugueses. Mourinho é a antítese do português médio: é rigoroso e persistente; acredita no trabalho organizado e metódico; é estudioso e perfeccionista; faz prevalecer a estratégia sobre a táctica; acredita no grupo enquanto estrutura, com um "leader" e e sub-leaders, com uma hierarquia. Cultiva a imagem e tem a arrogância de quem se reconhece com valor, face à “humildade” (muitas vezes falsa) que o português típico gosta a apregoar como sua qualidade. Tem convicções de que dificilmente abdica. Por último, alicerça o seu “carisma” na base sólida que todas estas características configuram."

Texto escrito e publicado neste "blog" em 14 de Janeiro de 2007

segunda-feira, novembro 29, 2010

José Mourinho: mesmo os grandes personagens têm os seus momentos de fraqueza

O Chelsea de Guus Hiddink e o Inter de José Mourinho demonstraram qual a única maneira possível de ganhar ao Barça: bloco muito baixo, linhas muito juntas e bolas longas para as costas da defesa contrária. O Inter foi campeão europeu; escuso-me de lembrar o que aconteceu ao Chelsea em Stamford Bridge numa das arbitragens mais vergonhosas a que me foi dado assistir.

Hoje, quer-me parecer que o orgulho e a noção de grandeza de Mourinho o terão levado a tentar provar que era capaz de parar o Barça jogando "de igual para igual", algo que a sua experiência e inteligência deveriam ter evitado. Digamos que o lado emocional de Mourinho se sobrepôs a ao seu lado mais racional. O resultado foi o desastre, o que significa que até mesmo os grandes personagens , aqueles "bigger than life", não são imunes a fraquezas que por vezes lhes são fatais.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Marcelo Rebelo de Sousa e a hipótese José Mourinho

Li por aí algures (à hora da arenga estava na “Catedral” e não sou habitué) que Marcelo Rebelo de Sousa, esse extraordinário toubib da "mãe pátria”, terá afirmado que a contratação de José Mourinho para seleccionador, nos próximos dois jogos, “não resolvia nada o problema do futebol português”. Gostaria de lembrar a Marcelo Rebelo de Sousa que o maior problema do futebol português, neste momento, dá pelo nome de ganhar em casa à Dinamarca e fora à Islândia, e que o resto soa ao labirinto do tal "projecto Queiroz" ou, pior ainda - e perdoem-me a expressão -, não passa de conversa de ir ao c*.

segunda-feira, agosto 23, 2010

Mais uma lição de José Mourinho

"La idiosincrasia es fundamental. Puedes tener principios del juego, puedes no abdicar de ellos, pero la idiosincrasia del club y de la propia Liga son fundamentales. Si intentas jugar contra esos principios, estás jugando contra ti mismo. Existen cosas en el Real Madrid que quiero mantener."


José Mourinho explica assim, “preto no branco” e em muito poucas palavras, porque o “bloco” médio/baixo de Quique Flores e o apenas ensaiado 4x3x3 de Jorge Jesus no SLB, o 3x5x2 de Co Adriaanse no FCP dificilmente poderiam vingar e ter sucesso: vão contra a cultura dos respectivos clubes, as sua personalidades, a imagem que os seus sócios, adeptos e restantes interessados no clube ("shareholders" e "stakeholders") têm deste. Também o modo como estas duas equipas têm de jogar no campeonato português face ao modelo de jogo dominante que vão encontrar nos adversários. Explica também muitas das razões do sucesso do SLB da época passada: um futebol atacante e empolgante, de transições rápidas, baseado num 4x4x2 com largura, profundidade e uma referência de área. Algo que desde há décadas tem sido o "ex-libris" do clube e que é perfeitamente adequado para resolver 95% dos problemas que a equipa encontra ao longo da época.


Uma excelente lição de José Mourinho, pois claro! E válida para todas as organizações!

domingo, agosto 22, 2010

José Mourinho

"Soy un portugués muy atípico, porque el portugués en general echa de menos a Portugal y yo no. No tengo saudade, quizá porque tengo una familia espectacular, porque estoy enamorado de lo que hago... No tengo saudade, pero tengo mucha pasión. Soy un portugués que no quiere volver, no quiero trabajar en ningún club portugués, no quiero vivir en Portugal, pero soy un portugués al que le gustaría hacer algo importante con mis capacidades."

A ler aqui na íntegra a entrevista de José Mourinho ao "El País semanal". Indispensável.

terça-feira, agosto 03, 2010

Mais uma lição de José Mourinho

Se alguém sente ainda necessidade de entender algumas das razões do sucesso de José Mourinho fora de Portugal, a leitura das suas afirmações sobre André Villas-Boas, nesta entrevista ao “Record”, por certo não deixará de lhe dar respostas. Em vez do elogio fácil – tão ao gosto dos portugueses -, do amiguismo e do compadrio em relação a alguém que sempre foi um dos seus próximos, Mourinho opta por algum distanciamento, enorme rigor na apreciação de um assunto e de alguém que terá, com os resultados, de provar a justeza da sua contratação; que terá de fazer, solitariamente, o seu próprio caminho. Parece irrelevante, mas encerra em si toda uma concepção de vida e lição de gestão.

Aliás, toda a entrevista é um exemplo de despojamento e de rigor – como quando fala sobre a selecção e perfis de seleccionadores - indo directo aos assuntos com pragmatismo, sem rodeios ou quaisquer tendências para afirmações bombásticas tão ao gosto de alguns treinadores medíocres aqui do rectângulo.

Uma grande chapelada, pois claro!