Mostrar mensagens com a etiqueta Espanha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Espanha. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, junho 19, 2014

A crise de "La Roja"

Os êxitos recentes da selecção de Espanha foram reflexo directo dos sucessos do "tiki taka" do Barça, um modelo que, como qualquer mecanismo de relojoaria, não admite um grão de areia e só funciona quando tudo é perfeito. O seu insucesso neste Mundial resultado da crise do clube catalão e desse tal modelo que perfilha. Olha-se para esta "Roja" e não se vê ali uma ideia de jogo, mas sim uma crise de identidade. O resto (Casillas, Diego Costa, a idade de alguns jogadores) são questões menores ou subsidiárias. Não vale a pena ir mais longe procurar o que está mesmo à frente dos nossos olhos.

Sobreviverá o "tiki taka" a esta geração? Depende: como para o modelo ter êxito é preciso que tudo funcione na perfeição, apenas se for possível reunir um grupo de jogadores que nele encaixe a 100%, replicando os Iniesta, os Xavi e por aí fora. Veremos...

terça-feira, junho 03, 2014

Juan Carlos de Espanha - La transición (2/13)

2. El espíritu del 12 de febrero emitido a 30 de Julho de 1993 (TVE)

Juan Carlos, a transição e a continuidade da monarquia

Juan Carlos de Espanha foi fundamental na transição democrática e na manutenção da unidade de uma Espanha plurinacional? Sim, sem dúvida que sim, e estamos perante uma constatação à qual poucos ousarão opor-se. Mas atenção, porque é preciso ir um pouco mais longe: ao fazê-lo, Juan Carlos assegurou também a continuidade e legitimação da monarquia espanhola, marcada pelo "ferrete" de ter nascido de um pronunciamento militar contra a legalidade republicana e de uma guerra civil que dividiu também as nacionalidades de Espanha. Só ao conseguir conjugar, simultaneamente, democracia e unidade plurinacional a monarquia poderia assegurar a sua legitimação e continuidade. E só ao sobrepor-se aos direitos dinásticos de seu pai, D. Juan de Borbón (e este a eles renunciando), personalidade em ruptura com o franquismo, Juan Carlos poderia assegurar pelo menos a neutralidade de alguns sectores do franquismo e construir assim uma base social de apoio mais ampla para a transição. Digamos que, politicamente, Juan Carlos e os seus mais próximos agiram de modo brilhante.

Aliás, ao abdicar agora em favor de seu filho e de uma plebeia inteligente e também ela bem preparada (o rei, no seu discurso de abdicação, não deixou de se referir a Letízia Ortiz e não terá sido por acaso), em tempos de crise do regime, da família real e da figura do rei, Juan Carlos tenta novamente assegurar aquilo que, para si, e logicamente, nunca deixou de ser fundamental e valor que coloca acima de todos os outros: a continuidade da instituição monárquica. Veremos o que o futuro nos reserva naquelas que foram, pelo menos durante o século XX, as questões-chave da política espanhola: a natureza republicana ou monárquica do regime e a unidade plurinacional do Estado. 

quarta-feira, abril 23, 2014

A propósito das "transições" ibéricas

Se a guerra e os interesses coloniais dos grupos económicos de então, que, convém recordar, não se constituíam num grupo homogéneo nesses seus interesses e objectivos, são os elementos essenciais que impedem em Portugal uma transição "à espanhola" e acabam por trazer as forças armadas para a rua (não poderia existir democracia sem o fim da guerra), a questão não se esgota aí e podemos considerar pelo menos mais duas causas determinantes para o modo diferenciado como se processaram as transições democráticas nos dois países ibéricos. Em primeiro lugar, existia na estrutura empresarial da Espanha de então, fruto da pujança adquirida com o grande desenvolvimento económico dos anos 60 e da existência desde sempre de uma "burguesia industrial" com alguma autonomia e que "piscava o olho" à Europa, uma correlação de forças mais favorável do que a existente em Portugal a um "arejamento" e a uma "abertura" política do regime, estrutura essa que foi posicionando os seus representantes nas instâncias do poder e se limitou a esperar pelo momento de maior fraqueza dos "ultras" do regime proporcionado pela morte do "caudillo". Em segundo lugar, a existência de um Chefe de Estado (o Rei) escolhido por Franco e vindo do interior do regime que, até por necessidade de sobrevivência da própria monarquia, foi capaz, com os seus mais próximos e mesmo que à custa da legitimidade de seu pai, D. Juan de Borbón, de manobrar com os vários sectores de dentro e de fora do franquismo e estabelecer-se como um certo elemento de garantia para as forças em presença, o que veio a revelar-se determinante e marca também ela uma diferença significativa face ao caso português. Talvez fosse bom que alguns dos que gostam de rescrever a História, à sua medida, pensassem um pouco sobre isto nos 40 anos do 25 de Abril.