Podem chamar-lhe arrogante - que é o insulto que os medíocres normalmente destinam aos que por boas razões se destacam - mas prefiro mil vezes a auto-confiança de um português que assume votaria nele próprio para melhor do mundo do que a hipocrisia de falsas modéstias, da humildade de chapéu na mão, do pedir desculpa por existir. A Cristiano Ronaldo este país de gente pequenina e invejosa só tem que agradecer a coragem e desassombro de quem acredita em si próprio. E, claro, seguir o seu exemplo. É isso que já tarda.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
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segunda-feira, novembro 05, 2012
quarta-feira, novembro 16, 2011
O exemplo de Paulo Bento - e outros.
Mourinho, Cristiano Ronaldo e Paulo Bento são aquilo que a maioria dos portugueses não são - e detestam: trabalhadores, rigorosos, donos de alguma arrogância, pessoas que falam directo e com clareza, que exprimem as suas ideias com simplicidade, senhores de si e das suas convicções. Gente, no caso de Cristiano e Paulo Bento, que não deixam confundam as suas origens humildes com a obrigação de humildade nos seus comportamentos. Talvez por isso sejam bem sucedidos. Não sei se essa maioria dos portugueses já percebeu...
quinta-feira, abril 28, 2011
O Fórum da TSF de hoje: um péssimo retrato do país que somos.
O "Fórum" da TSF de hoje, no qual José Sócrates respondeu a perguntas dos ouvintes, diz muito sobre o normal comportamento dos portugueses. Quando seria de esperar, em função do que normalmente se ouve em programas semelhantes, o primeiro-ministro e secretário-geral socialista fosse confrontado com perguntas directas de opositores radicais, quiçá mesmo, aqui e ali, colocadas com alguma agressividade (sem se entrar no insulto, está bem de ver), o que tivemos foi exactamente o contrário: maioritariamente a bajulice e o lambe-botismo, com apenas uma ou outra pergunta, colocada sem qualquer agressividade ou manifestação de pouca tolerância, vinda de quem discorda de José Sócrates e /ou das suas opções políticas. E, caso curioso, nenhuma das habituais arengas mais ou menos insultuosas contra os "malandros dos políticos", dos banqueiros, dos gestores das grandes empresas públicas e outras opiniões afins.
Como estou certo a TSF não filtrou as chamadas telefónicas, posso concluir que entre o lambe-botismo e a cobardia do "dá-lhe agora que ele está de costas" parecem ir oscilando os portugueses. Um péssimo retrato do país que somos, arrisco a dizer!
segunda-feira, março 14, 2011
Rescaldo da comunicação do primeiro-ministro
Os compradores de um Ford T podiam escolher qualquer cor desde que fosse preto. Os portugueses sempre têm mais opções: poderão escolher se querem que seja o PS ou o PSD a aplicar as mesmas medidas para baixar o “déficit” para 2% em 2013.
terça-feira, março 08, 2011
"Geração à rasca" ou gerações à rasca?
Compreendo os problemas da chamada “geração à rasca”, com dificuldade em estabilizar e organizar a sua vida, presente e futura, fruto do elevado desemprego e da precariedade. Isto apesar de muitos deles terem optado por licenciaturas (aqueles que as obtiveram) e universidades (por insuficiência de média, note-se) que sabiam à partida constituiriam um “handicap” para um emprego mais estável e razoavelmente remunerado: não me parece nesse caso pudessem alguma vez ter alimentado grandes expectativas. Escusado dizer que têm todo o direito a manifestar-se e, até, desde que respeitando a lei e as instituições democráticas, com a irreverência própria de quem tem menos de 30 anos.
Mas tendo dito isto, gostaria de lembrar à “geração à rasca” que na minha geração, a imediatamente anterior (os meus filhos estão actualmente nos “early thirties”), a dos “baby boomers” do pós-guerra, apenas uma minoria, os razoavelmente privilegiados, conseguiam obter uma licenciatura; existia uma guerra colonial que ocupava entre três e quatro anos das nossas vidas (eu prestei serviço militar durante 40 longos meses) e ninguém conseguia um emprego fora do Estado sem a “tropa feita”; exactamente por essa razão, a vida profissional começava tarde, muito tarde (eu comecei-a aos 26 anos!); iniciar um negócio (uma empresa) por conta própria, excepto para as profissões liberais, era pouco menos do que uma miragem; não existia crédito pessoal para férias, viagens, etc (eu, como de certo modo era privilegiado, quando precisava pedia um empréstimo pedia à família e ia fazendo pequenos trabalhos para o pagar); conseguir um passaporte antes de cumprido o serviço militar era quase impossível e não existiam InterRail, Erasmus, etc.; muitos de nós, alguns mesmo bastante qualificados, tendo começado a trabalhar já tarde pelas razões que expliquei, e tendo sido apanhados por situações de reforma pouco depois dos 50 anos de idade (conheço vários), acabaram por ter uma vida contributiva relativamente curta, o que se reflecte nas respectivas pensões de reforma, algumas muito, mas muito abaixo dos salários que auferiam; se para quem saiu de casa dos pais antes do 25 de Abril alugar uma casa era relativamente simples, a seguir à revolução isso era quase impossível e até aos anos 90 comprar casa era para quem podia dispor de dinheiro para uma entrada relativamente generosa. Vá lá, a vida profissional talvez tivesse um carácter menos competitivo do que hoje (de certeza teria). Podia alongar-me, falando inclusivamente sobre o que é crescer e viver em ditadura, mas não quero tornar-me fastidioso - e os exemplos, penso, serão suficientes.
Resumindo... Tem a actual “geração à rasca” razões para se sentir insegura e aspirar, protestando, a uma vida mais estável e compensadora? Estou certo que sim: cada geração tem os seus próprios problemas e não devem (politicamente, não podem) as gerações anteriores ignorá-los e incompreendê-los. Mas talvez não tenha assim tanta razão quando considera privilegiada a geração dos seus pais e muito menos a terá quando pensa que é única em sacrifícios. E como descendente de uma família de estrangeiros, nem sequer ouso citar os europeus que se sacrificaram nas duas guerras mundiais ou na guerra civil de Espanha para que a minha geração pudesse viver alguns anos de paz e prosperidade económica, e a actual viajasse por todo um continente sem sequer ter que trocar dinheiro ou usar um passaporte. Vale?
Mas tendo dito isto, gostaria de lembrar à “geração à rasca” que na minha geração, a imediatamente anterior (os meus filhos estão actualmente nos “early thirties”), a dos “baby boomers” do pós-guerra, apenas uma minoria, os razoavelmente privilegiados, conseguiam obter uma licenciatura; existia uma guerra colonial que ocupava entre três e quatro anos das nossas vidas (eu prestei serviço militar durante 40 longos meses) e ninguém conseguia um emprego fora do Estado sem a “tropa feita”; exactamente por essa razão, a vida profissional começava tarde, muito tarde (eu comecei-a aos 26 anos!); iniciar um negócio (uma empresa) por conta própria, excepto para as profissões liberais, era pouco menos do que uma miragem; não existia crédito pessoal para férias, viagens, etc (eu, como de certo modo era privilegiado, quando precisava pedia um empréstimo pedia à família e ia fazendo pequenos trabalhos para o pagar); conseguir um passaporte antes de cumprido o serviço militar era quase impossível e não existiam InterRail, Erasmus, etc.; muitos de nós, alguns mesmo bastante qualificados, tendo começado a trabalhar já tarde pelas razões que expliquei, e tendo sido apanhados por situações de reforma pouco depois dos 50 anos de idade (conheço vários), acabaram por ter uma vida contributiva relativamente curta, o que se reflecte nas respectivas pensões de reforma, algumas muito, mas muito abaixo dos salários que auferiam; se para quem saiu de casa dos pais antes do 25 de Abril alugar uma casa era relativamente simples, a seguir à revolução isso era quase impossível e até aos anos 90 comprar casa era para quem podia dispor de dinheiro para uma entrada relativamente generosa. Vá lá, a vida profissional talvez tivesse um carácter menos competitivo do que hoje (de certeza teria). Podia alongar-me, falando inclusivamente sobre o que é crescer e viver em ditadura, mas não quero tornar-me fastidioso - e os exemplos, penso, serão suficientes.
Resumindo... Tem a actual “geração à rasca” razões para se sentir insegura e aspirar, protestando, a uma vida mais estável e compensadora? Estou certo que sim: cada geração tem os seus próprios problemas e não devem (politicamente, não podem) as gerações anteriores ignorá-los e incompreendê-los. Mas talvez não tenha assim tanta razão quando considera privilegiada a geração dos seus pais e muito menos a terá quando pensa que é única em sacrifícios. E como descendente de uma família de estrangeiros, nem sequer ouso citar os europeus que se sacrificaram nas duas guerras mundiais ou na guerra civil de Espanha para que a minha geração pudesse viver alguns anos de paz e prosperidade económica, e a actual viajasse por todo um continente sem sequer ter que trocar dinheiro ou usar um passaporte. Vale?
segunda-feira, março 07, 2011
"Não há almoços grátis"!
Depois de anos a emigrar de tamancos para padeiros no Brasil, de mala de cartão para o bidonville parisiense, para a “faina” do bacalhau na Terra Nova, fugindo de um país onde se trabalhava de “sol a sol”, sem gente qualificada, vivendo no granito e no xisto da ruralidade, onde a maioria não saía da aldeia onde tinha nascido, trabalhava para o mesmo patrão toda uma vida, a taxa de mortalidade infantil era alta e a esperança de vida baixa, mas virtualmente sem desemprego, os portugueses têm agora quem faça os trabalhos de que não gostam, licenciados sem emprego ou em trabalhos precários, outros, altamente qualificados, emigram para onde têm trabalho, muitos que lutam, não por novas regalias, mas para manter as que têm, famílias que assumem vão poupar nas férias ou nas viagens ao estrangeiro, uma taxa de mortalidade infantil quase inexistente e uma das esperanças de vida mais elevadas do mundo. Mas, infelizmente, taxas de desemprego e precariedade elevadas. Finalmente os portugueses ascenderam ao primeiro mundo, com todos os problemas daí decorrentes. É bom que se convençam disso, até porque, nunca é demais repeti-lo, "não há almoços grátis".
terça-feira, outubro 26, 2010
Os portugueses e Cavaco Silva
Não deixa de ser um tema interessante para uma análise sociológica sobre Portugal e os portugueses que o primeiro-ministro iniciador do modelo de desenvolvimento que conduziu Portugal a uma das situações mais graves da sua História recente tenha conseguido ser eleito Presidente da República, depois disso tenha cumprido um primeiro mandato de forma politicamente medíocre e visto alguns dos seus próximos envolvidos em escândalos financeiros e agora, mesmo sem apoios partidários numa esquerda que costuma valer mais de 50% do eleitorado, se prepare para uma fácil reeleição tendo, segundo foi anunciado, como presidente da sua comissão de honra um militar que, embora tenha cumprido um papel relevante na normalização democrática do final dos anos 70 do século passado, se revelou sempre de uma enorme ignorância e inabilidade políticas.
Uma lição também para o Partido Socialista, que não soube, não quis ter ou nunca conseguiu encontrar um candidato credível.
Uma lição também para o Partido Socialista, que não soube, não quis ter ou nunca conseguiu encontrar um candidato credível.
quarta-feira, junho 23, 2010
Uma questão de Boatengs...
No Alemanha-Gana (está no intervalo) estão a actuar dois jogadores de apelido Boateng. Pretos. Irmãos. Ambos nascidos na Alemanha filhos do mesmo pai ganês e da mesma mãe alemã. Acontece que um joga pela Alemanha e outro pelo Gana. Importam-se os adversários dos “jogadores naturalizados”, das “naturalizações por interesse” (como se qualquer um, dentro da lei, não pudesse tomar decisões em função do que lhe interessa), os partidários da selecção composta apenas por aqueles que eles definem ser jogadores portugueses (de nascimento?, de sangue?, de “raça”?, de cultura?), qual dos irmãos Boateng consideram cumpre os seus parâmetros de nacionalidade? Qual é o Boateng “correcto” e o Boateng “incorrecto”? Agradecido...
segunda-feira, junho 14, 2010
Ainda a propósito da selecção nacional...
Para que não subsistam dúvidas, pode ver aqui as condições necessárias à aquisição da nacionalidade portuguesa. Como se pode verificar, e isto dirige-se muito especialmente aos que fazem uma distinção entre os atletas das várias modalidades que consideram, subjectivamente, mais ou menos inseridos na realidade nacional, é sempre exigida, como uma das condições, a existência de uma "ligação efectiva à comunidade nacional".
Uma pergunta simples aos portugueses a propósito da selecção
Uma pergunta dirigida a todos os que dizem não se sentir identificados com a selecção portuguesa de futebol por nela alinharem futebolistas que não tiveram sempre a nacionalidade portuguesa (não sei bem porquê, referem-se sempre aos de origem brasileira...): com que país se sentem identificados? Com o Portugal actual, mais cosmopolita, uma sociedade mais aberta onde vivem, trabalham e são normalmente bem acolhidos milhares de imigrantes de diversas origens, alguns dos quais, ou respectivos filhos, poderão vir a ter um dia, ou já têm, a nacionalidade portuguesa, ou com o Portugal monocolor do passado, pré-europeu e provinciano, onde predominava uma mentalidade retrógrada ainda com restos de saudosismo do império? Com o Portugal da UE e dos partidos democráticos do pós-25 de Abril ou com o Portugal proposto pelo PNR?
quinta-feira, maio 13, 2010
terça-feira, janeiro 26, 2010
Os portugueses e os medicamentos
Segundo um estudo da DECO, seis em cada dez famílias portuguesas têm dificuldade em seguir os tratamentos médicos devido a problemas financeiros. Certo, é uma parte relevante do problema: a maior parte dos medicamentos é cara e, para o nível de rendimentos da maioria, insuficientemente participada.
Vejamos agora o outro lado desse mesmo problema: a um número significativo de doentes é normalmente prescrita sobremedicação (o caso dos ansiolíticos, por exemplo, é bem conhecido – mas não é único), que pouco ou nenhum efeito tem na melhoria do estado de saúde do doente. Prioridades questionáveis, doentes idosos e/ou pouco informados (é comum a recusa ou o baixo conceito em que são tidos os médicos que “pouco receitam”), médicos que não querem ter problemas ou cedem a esse facilitismo, pressão de laboratórios, etc, etc, são atitudes que, reconhecendo ser genericamente difícil alterar, contribuirão sem dúvida para este estado de coisas.
Vejamos agora o outro lado desse mesmo problema: a um número significativo de doentes é normalmente prescrita sobremedicação (o caso dos ansiolíticos, por exemplo, é bem conhecido – mas não é único), que pouco ou nenhum efeito tem na melhoria do estado de saúde do doente. Prioridades questionáveis, doentes idosos e/ou pouco informados (é comum a recusa ou o baixo conceito em que são tidos os médicos que “pouco receitam”), médicos que não querem ter problemas ou cedem a esse facilitismo, pressão de laboratórios, etc, etc, são atitudes que, reconhecendo ser genericamente difícil alterar, contribuirão sem dúvida para este estado de coisas.
domingo, julho 12, 2009
Os portugueses e o "Guinness"
Um dos maiores indicadores do atraso cultural e civilizacional, da menoridade intelectual do povo português é certamente esta tentativa constante de bater "records" do “Guinness”, seja o maior tacho de pobres gastrópodes indefesos ou o maior "pic-nic" com direito a garrafão (ainda existe?) e arroz de marisco. É simples: não exige normalmente grande esforço nem persistência (são eventos localizados num tempo muito curto), muito menos alguma dose de conhecimentos e cultura, com alguma frequência, tratam-se de coisas pouco sofisticadas, a roçar ou mesmo para além do boçal e permitem facilmente, sem grande trabalho, o acesso aos tais 5’ de fama. Difícil encontrar algo mais imbecil no primeiro mundo do século XXI. Em vez de alguma dose de orgulho, os seus promotores e participantes deveriam mais sentir vergonha.
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Rastreios, doenças e desenvolvimento humano
De acordo com notícia da TSF, “existem taxas de sobrevivência diferenciadas ao cancro segundo as regiões do país”. Estas serão “mais elevadas em Lisboa e Vale do Tejo”. Acrescenta a TSF que “não existe uma explicação oficial, mas tudo parece indicar que tal facto se deve à diferença entre número de rastreios”.
Acrescento eu, se me é permitido e antes que se esbanje dinheiro sem sentido, que essa diferença entre número de rastreios não terá apenas que ver com número de centros onde estes se possam efectuar e sua acessibilidade, número de médicos e centros de saúde, equipamentos, listas de espera, etc, etc. Tudo isso terá a sua importância mas não é suficiente. A questão será bem mais funda e terá, na sua base, que ver fundamentalmente com o nível de educação e conhecimento dos habitantes de cada uma das regiões. Numa doença em que a detecção precoce é fundamental e em que cada um assume nessa detecção um papel insubstituível, será com certeza possível efectuá-la com mais frequência e cuidado junto de uma população mais instruída do que numa região onde, maioritariamente, a população apresente índices inferiores de desenvolvimento humano (instrução, iliteracia, capacidade de compreensão, hábitos de higiene, etc). Aliás, falando de um modo geral, este (o índice de desenvolvimento humano) é um dos principais factores limitativos de uma maior eficácia nos serviços prestados pelo SNS. E, até, de uma melhor aplicação de recursos, inclusivé financeiros. A quem não estiver de acordo, sugiro uma visita a algumas urgências hospitalares ou centros de saúde.
Acrescento eu, se me é permitido e antes que se esbanje dinheiro sem sentido, que essa diferença entre número de rastreios não terá apenas que ver com número de centros onde estes se possam efectuar e sua acessibilidade, número de médicos e centros de saúde, equipamentos, listas de espera, etc, etc. Tudo isso terá a sua importância mas não é suficiente. A questão será bem mais funda e terá, na sua base, que ver fundamentalmente com o nível de educação e conhecimento dos habitantes de cada uma das regiões. Numa doença em que a detecção precoce é fundamental e em que cada um assume nessa detecção um papel insubstituível, será com certeza possível efectuá-la com mais frequência e cuidado junto de uma população mais instruída do que numa região onde, maioritariamente, a população apresente índices inferiores de desenvolvimento humano (instrução, iliteracia, capacidade de compreensão, hábitos de higiene, etc). Aliás, falando de um modo geral, este (o índice de desenvolvimento humano) é um dos principais factores limitativos de uma maior eficácia nos serviços prestados pelo SNS. E, até, de uma melhor aplicação de recursos, inclusivé financeiros. A quem não estiver de acordo, sugiro uma visita a algumas urgências hospitalares ou centros de saúde.
quarta-feira, novembro 26, 2008
A fé dos homens...
Carlos Silvino acredita nos “rapazes”, o mesmo acontecendo com Catalina Pestana. Por seu turno, Cavaco Silva acredita em Dias Loureiro, este em Oliveira e Costa - que acredita nas teias que teceu - e Constâncio em António Marta, tão piamente como a Srª Felgueiras acreditou na justiça. Provavelmente, todos acreditam em Deus e este, na sua infinita bondade, também acredita em todos. É assim este país: é tudo uma questão de crença!
quarta-feira, novembro 12, 2008
Um dia na vida do autarca Isaltino Morais...
Ouvi hoje de manhã, no RCP, o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, descrever como iria ser o seu dia. Depois de dizer que entre as 9h e as 10h leria a imprensa e beberia café, Isaltino declarou que teria uma reunião entre as 10h e as 12h, finda a qual teria um almoço com um empresário. Regressaria às 15h para mais reuniões e assuntos de trabalho e voltaria para casa por volta das 21h, muito feliz porque hoje o conseguiria fazer cedo.
Deixo alguns conselhos ao ilustre autarca. Tente chegar ao seu local de trabalho ½ hora mais cedo. Se puder ser uma hora ainda melhor. Como deve viver no concelho e ter carro com motorista, isso não deve ser por demais complicado. Por certo terá alguém na Câmara que lhe prepare antecipadamente o que ler, o que, estou certo, lhe irá poupar algum tempo, desse modo podendo começar a reunião da 10h pelo menos meia hora mais cedo. Outro conselho (com “s”, já que com “c” deixe-se estar onde está que pelo vistos bem o merecem e apreciam). Tente almoçar qualquer refeição ligeira no seu local de trabalho (há empresas de catering que as fornecem com muita qualidade), enquanto trata dos assuntos que tem a tratar com o tal empresário, que lhe ficará grato com a familiaridade assim demonstrada de lhe dar a honra de com ele almoçar num ambiente reservado. Uma hora e meia, no máximo, é mais do que suficiente. Olhe que até lhe dar um ar de maior eficácia (“à americana”, como dizia o carteiro do “Há Festa na Aldeia” do Tati), emagrece, que bem precisa, e ainda lhe aumenta a esperança de vida. Ah, e ainda é capaz de aligeirar o orçamento da autarquia! Claro que a reunião das 15h pode assim passar para 14h.
Se seguir estes conselhos vai ver que a tarde lhe corre melhor, vai trabalhar com mais à vontade e decidir com mais rigor e, last but not least, poderá regressar ao “rimanço” do lar aí pelas 19h, 19.30h, no máximo. Isto para o caso de querer, claro, por lá também o quererem e assim se sentir bem. “Bute lá” experimentar? "À americana, à americana"!
Deixo alguns conselhos ao ilustre autarca. Tente chegar ao seu local de trabalho ½ hora mais cedo. Se puder ser uma hora ainda melhor. Como deve viver no concelho e ter carro com motorista, isso não deve ser por demais complicado. Por certo terá alguém na Câmara que lhe prepare antecipadamente o que ler, o que, estou certo, lhe irá poupar algum tempo, desse modo podendo começar a reunião da 10h pelo menos meia hora mais cedo. Outro conselho (com “s”, já que com “c” deixe-se estar onde está que pelo vistos bem o merecem e apreciam). Tente almoçar qualquer refeição ligeira no seu local de trabalho (há empresas de catering que as fornecem com muita qualidade), enquanto trata dos assuntos que tem a tratar com o tal empresário, que lhe ficará grato com a familiaridade assim demonstrada de lhe dar a honra de com ele almoçar num ambiente reservado. Uma hora e meia, no máximo, é mais do que suficiente. Olhe que até lhe dar um ar de maior eficácia (“à americana”, como dizia o carteiro do “Há Festa na Aldeia” do Tati), emagrece, que bem precisa, e ainda lhe aumenta a esperança de vida. Ah, e ainda é capaz de aligeirar o orçamento da autarquia! Claro que a reunião das 15h pode assim passar para 14h.
Se seguir estes conselhos vai ver que a tarde lhe corre melhor, vai trabalhar com mais à vontade e decidir com mais rigor e, last but not least, poderá regressar ao “rimanço” do lar aí pelas 19h, 19.30h, no máximo. Isto para o caso de querer, claro, por lá também o quererem e assim se sentir bem. “Bute lá” experimentar? "À americana, à americana"!
terça-feira, outubro 14, 2008
A CUF
"O Bairro da CUF" - documentário da autoria de Isabel Teixeira e Rui Durão da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha
A RTP exibiu há um par de semanas um excelente documentário sobre a CUF (que penso passou um pouco esquecido), o que significa também uma igualmente excelente visão sobre uma realidade incontornável do século XX português e, que me lembre, do único dos grandes grupos económicos do período anterior ao 25 de Abril que nasceu e cresceu ancorado numa base eminentemente industrial e muito em função das necessidades de crescimento e consolidação dessa sua base, mesmo tendo-se estendido à banca, seguros, navegação, etc. A CUF correspondia a um modelo daquilo que Alvin Toffler denominava de "segunda vaga industrial", característico da primeira metade do século XX, um conglomerado de empresas que cresceu e se desenvolveu com a ditadura, o corporativismo e o “condicionamento industrial” e que o final destes, a liberdade empresarial e a abertura de mercados veio a pôr em causa, por muito que as nacionalizações e o período conturbado pós 25 de Abril possam também ter dado o seu contributo, em minha opinião não mais do que conjuntural e acessório. À CUF e ao modelo empresarial que consubstanciava está também ligada uma parte da história do Barreiro e do PCP (eram a outra face de uma mesma moeda), das lutas operárias do Portugal do século passado, da oposição democrática e das eleições de 1958. Por isso mesmo, muito mais do que uma empresa ou um grupo económico, foi, mais do que qualquer outro ou de qualquer outra coisa, um modo de vida que cresceu, teve o seu apogeu e declínio e depois morreu, deixando em muitos a saudade de quando se tem a vida cheia. Morreu como morreram a Marinha Grande, a cintura industrial de Lisboa, quer a de Belém – Alcântara – Marvila quer a posterior da Venda Nova a Vila Franca, como desapareceu o proletariado agrícola do Couço ou de Albernoa, as operárias conserveiras de Olhão. Mas com uma diferença: a CUF, com os seus bairros operários, a sua despensa, as colónias de férias, as escolas e hospitais, o desporto, a formação de operários, mas também a repressão e as lutas, deixou por certo uma saudade que não é só memória da juventude perdida: é que era mesmo toda uma vida. Dizê-lo é a melhor forma de homenagear todos que a fizeram, fundadores, accionistas, dirigentes e trabalhadores.
O “Gato Maltês” foi descobrir no "You Tube" este pequeno e excelente documento (trabalho final de curso) realizado por Isabel Teixeira e Rui Durão, alunos da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, sobre “O Bairro da CUF”, que ilustra bem o que acima digo. Com a devida vénia o apresento.
O “Gato Maltês” foi descobrir no "You Tube" este pequeno e excelente documento (trabalho final de curso) realizado por Isabel Teixeira e Rui Durão, alunos da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, sobre “O Bairro da CUF”, que ilustra bem o que acima digo. Com a devida vénia o apresento.
sexta-feira, outubro 10, 2008
"Arrogantes" e "Humildes"
Todos conhecemos, em português, insultos vários, muito mais vernáculos do que aqueles que, na versão original ou traduzida, aprendemos da boca do capitão Haddock, de “com mil milhões de macacos” ao original “tonnerres de Brest”. Insultos como “cabrão”, “filho da puta”, “paneleiro” (hoje em dia, ainda o será?) faziam parte de um léxico na minha meninice e adolescência só aceitável nas pessoas de baixa condição social, nos “pés descalços”, nos bêbados, nas peixeiras que, mesmo assim, eram bastante mais coloridas e divertidas nos seus “palavrões” e ofensas.
Passaram anos e como tudo muda também as ofensas sofreram a devida evolução. “Filho da puta”, ou mesmo a respectiva mãe sem descendência, “cabrão” e coisas do género entraram no léxico corrente, com direito a transcrição completa na imprensa e sem a necessidade de “pis” no audiovisual. Uma chatice! Mas como os portugueses não poderiam ficar desprovidos de palavras de arremesso, “palavrões” á medida das suas necessidades de bancada do estádio a janela de carro (o ar condicionado tornou o impropério ao volante de execução mais difícil – há que abrir primeiro a janela o que lhe retira espontaneidade), por vias várias, um pouco mais intectualizadas, surgiu uma nova ofensa, arremessada de modo que julgam certeiro por todos aqueles que, numa área ou noutra, no campo do comportamento humano, descobriram em si algum complexo de inferioridade: “arrogante”! Esta é pois a ofensa definitivamente fascista, totalitária porque insusceptível de contra-argumentação, usada contra todos aqueles que pensam, têm ideias próprias e acreditam nelas, lutam por as ver vingar e não se curvam ao poder ou às massas, não cedem perante a primeira dificuldade encontrada. “Arrogante”! Esta é, pois, a moderna fogueira inquisitorial para onde são enviados os ímpios, os possuidores de ideias e os comportamentos proibidos por todos aqueles que, arrogantes ou não, pouco importa, no seu comportamento insinuantemente hipócrita se auto-intitulam de humildes, epíteto que cai sempre bem perante um povo moldado pela cultura judaico-cristã e por séculos de subdesenvolvimento e periferia. Por eras de submissão a quem julga superior.
Não, não, desenganem-se. Este país já não se divide entre mouros e cristãos, entre castelhanos e portugueses, entre senhores feudais e servos da gleba, entre monárquicos e republicanos, entre “situacionistas” e “reviralhistas”, entre operários e patrões, o que quiserem e lhes der jeito em função de preferências e opções. Esqueçam tudo isso. Na modernidade envergonhada que quer ser o país de hoje, a divisão, a nova "luta de classes" é entre “arrogantes”, os proscritos condenados ao insulto e ao fogo eterno, e “humildes”, os que são filhos de Deus, mesmo que de um menor. Como corolário e como devem calcular, só destes, pela sua “superioridade moral”, será o “reino dos céus”. Ainda bem. Arrogante, que sou, nada terei que com eles partilhar para além da vida.
Passaram anos e como tudo muda também as ofensas sofreram a devida evolução. “Filho da puta”, ou mesmo a respectiva mãe sem descendência, “cabrão” e coisas do género entraram no léxico corrente, com direito a transcrição completa na imprensa e sem a necessidade de “pis” no audiovisual. Uma chatice! Mas como os portugueses não poderiam ficar desprovidos de palavras de arremesso, “palavrões” á medida das suas necessidades de bancada do estádio a janela de carro (o ar condicionado tornou o impropério ao volante de execução mais difícil – há que abrir primeiro a janela o que lhe retira espontaneidade), por vias várias, um pouco mais intectualizadas, surgiu uma nova ofensa, arremessada de modo que julgam certeiro por todos aqueles que, numa área ou noutra, no campo do comportamento humano, descobriram em si algum complexo de inferioridade: “arrogante”! Esta é pois a ofensa definitivamente fascista, totalitária porque insusceptível de contra-argumentação, usada contra todos aqueles que pensam, têm ideias próprias e acreditam nelas, lutam por as ver vingar e não se curvam ao poder ou às massas, não cedem perante a primeira dificuldade encontrada. “Arrogante”! Esta é, pois, a moderna fogueira inquisitorial para onde são enviados os ímpios, os possuidores de ideias e os comportamentos proibidos por todos aqueles que, arrogantes ou não, pouco importa, no seu comportamento insinuantemente hipócrita se auto-intitulam de humildes, epíteto que cai sempre bem perante um povo moldado pela cultura judaico-cristã e por séculos de subdesenvolvimento e periferia. Por eras de submissão a quem julga superior.
Não, não, desenganem-se. Este país já não se divide entre mouros e cristãos, entre castelhanos e portugueses, entre senhores feudais e servos da gleba, entre monárquicos e republicanos, entre “situacionistas” e “reviralhistas”, entre operários e patrões, o que quiserem e lhes der jeito em função de preferências e opções. Esqueçam tudo isso. Na modernidade envergonhada que quer ser o país de hoje, a divisão, a nova "luta de classes" é entre “arrogantes”, os proscritos condenados ao insulto e ao fogo eterno, e “humildes”, os que são filhos de Deus, mesmo que de um menor. Como corolário e como devem calcular, só destes, pela sua “superioridade moral”, será o “reino dos céus”. Ainda bem. Arrogante, que sou, nada terei que com eles partilhar para além da vida.
sábado, setembro 13, 2008
Notas, classificações e um sábado à tarde
Se há coisa que eu tenho dificuldade em entender nos portugueses e Portugal é que sendo, por excelência, um país de mal-dizentes e insatisfeitos, críticos sem quartel (e eu acho têm boa razão para o ser), quando toca a classificações e notas são uns mãos-largas sem rigor, distribuindo-as sem qualquer espécie de parcimónia em valores que parecem querer significar excelência. Primeiro criticam, dizem cobras e lagartos, afirmam o que o Conde Drácula (o dos filmes da Hammer, não o verdadeiro) se terá esquecido de dizer do crucifixo ou de uma dúzia de résteas de alhos, mas depois, quando pensamos virá para aí um 5 (em 20) arrancam com um doze, a mesma nota que nos meus já longínquos anos de universitário me foi presenteada pelo actual PR, e com a qual, dado o rigor de apreciação tradicional da personagem, me dei por bem satisfeito e honrado.
Mas penso isto das notas altas é história bem mais recente, já que nos meus anos de Liceu um 14 ou um 15 só estavam ao alcance de bons alunos (17 ou 18 tinham os excepcionais) e na universidade poucas ou raras vezes subi acima do 14, sendo que a moda estatística era normalmente bem abaixo. Neste último caso, 17 ou 18 eram para as avis raras...
Mas comecei a verificar as coisas eram diferentes quando o “Professor Marcelo” zurzia na TSF, e depois de deixar alguém mais de rastos que uma cascavel pronta a morder ainda encontrava maneira de lhe oferecer um 12. Mais tarde, aqui há bem poucos anos, esta minha mania de que notas e classificações eram recurso escasso a distribuir parcimoniosamente quase me fez passar por situação achincalhante. O caso conta-se em poucas palavras. Tendo decidido a empresa onde então trabalhava admitir duas estudantes universitárias para um estágio curricular, havia que lhes dar uma nota e comunicá-la à universidade respectiva. Sorte a minha, a dita estagiária que me calhou na dita "sorte" (aqui bem se aplica) era pessoa competente, profissionalmente cumpridora, inteligência que prenunciava uma futura carreira profissional sem grandes problemas. Quando me perguntaram que nota propunha achei 15 seria merecido. Revolta no escritório: 14 tinha sido a nota que colega meu tinha dado a uma outra estagiária, reconhecidamente pessoa de méritos pouco acima do medíocre, o que me “obrigou” a rever a nota para um, achei, muito exagerado 17. Não falo já das notas atribuídas aos jogadores de futebol pelos jornais desportivos, já que aqui outros interesses se revelam, mas, por exemplo, das atribuídas pelos críticos de vinhos aos ditos. Devo dizer, pessoa avisada, que cá por casa não entra, por princípio, nada inferior a 15,5 ou a 5,5 na escala de 0 a 8. São o meu suficiente menos, e bem se encontram por aí vinhos nessas contas a preços até 5€.
Mas pronto, o que português gosta mesmo é de dizer mal, das “verónicas” e “chicuelinas”, talvez alguns “derechazos”, mas quando chega a hora da “sorte suprema”, frente a frente com o cornúpeto, onde se vê quem os... (pi), aí é que a porca torce ainda mais o rabo! Pois se até o boi está embolado e lhe serraram os cornos!
Mas penso isto das notas altas é história bem mais recente, já que nos meus anos de Liceu um 14 ou um 15 só estavam ao alcance de bons alunos (17 ou 18 tinham os excepcionais) e na universidade poucas ou raras vezes subi acima do 14, sendo que a moda estatística era normalmente bem abaixo. Neste último caso, 17 ou 18 eram para as avis raras...
Mas comecei a verificar as coisas eram diferentes quando o “Professor Marcelo” zurzia na TSF, e depois de deixar alguém mais de rastos que uma cascavel pronta a morder ainda encontrava maneira de lhe oferecer um 12. Mais tarde, aqui há bem poucos anos, esta minha mania de que notas e classificações eram recurso escasso a distribuir parcimoniosamente quase me fez passar por situação achincalhante. O caso conta-se em poucas palavras. Tendo decidido a empresa onde então trabalhava admitir duas estudantes universitárias para um estágio curricular, havia que lhes dar uma nota e comunicá-la à universidade respectiva. Sorte a minha, a dita estagiária que me calhou na dita "sorte" (aqui bem se aplica) era pessoa competente, profissionalmente cumpridora, inteligência que prenunciava uma futura carreira profissional sem grandes problemas. Quando me perguntaram que nota propunha achei 15 seria merecido. Revolta no escritório: 14 tinha sido a nota que colega meu tinha dado a uma outra estagiária, reconhecidamente pessoa de méritos pouco acima do medíocre, o que me “obrigou” a rever a nota para um, achei, muito exagerado 17. Não falo já das notas atribuídas aos jogadores de futebol pelos jornais desportivos, já que aqui outros interesses se revelam, mas, por exemplo, das atribuídas pelos críticos de vinhos aos ditos. Devo dizer, pessoa avisada, que cá por casa não entra, por princípio, nada inferior a 15,5 ou a 5,5 na escala de 0 a 8. São o meu suficiente menos, e bem se encontram por aí vinhos nessas contas a preços até 5€.
Mas pronto, o que português gosta mesmo é de dizer mal, das “verónicas” e “chicuelinas”, talvez alguns “derechazos”, mas quando chega a hora da “sorte suprema”, frente a frente com o cornúpeto, onde se vê quem os... (pi), aí é que a porca torce ainda mais o rabo! Pois se até o boi está embolado e lhe serraram os cornos!
quarta-feira, setembro 10, 2008
Onde se fala do país a propósito da selecção de futebol de "sub-21"
Portugal, qual pobre subitamente endinheirado e cujo verniz não é suficiente para não deixar de denunciar as origens, tem vivido nos últimos anos sob um certo síndroma de novo-riquismo, pretendendo, tal como qualquer membro da sociedade emergente que se preze, mostrar que “tem”, que “pode”. Claro que, como em todas as situações do género, o resultado é quase sempre desastroso, faltando-lhe, como dizia o bom do Eça, as "basesinhas", o berço, a “patine”. Acreditemos que virá com o tempo, como sempre nestas circunstâncias acaba por se verificar, já que assim também aconteceu no passado.
Nessa ânsia de se mostrar, o desporto e os recordes têm frequentemente assumido o papel que na sociedade afluente cabe aos carros espampanantes, à roupa de marca, aos condomínios “ditos” de luxo, ao Dom Pérignon e às férias exóticas. Épater le bourgeois é objectivo primeiro, mesmo que os únicos que se deixem, de facto, entusiasmar com tal trompe d’oeil sejam eles próprios e os que com eles partilham alguma similitude. Mas adiante.
Primeiro, ainda no tempo em que o país era “pobre, pobre”, foi o hóquei em patins, desporto desconhecido no mundo e jogado por veraneantes em recreio pelos lados de Herne Bay e Montreux, das praias da Catalunha, transformado em “hóquei patriótico” por obra e graça do chico-espertismo nacional e dos interesses da ditadura. Teve a sua época e por lá se ficou nas “brumas da memória”. Depois, já o país assomava à porta do dinheiro fácil, foram os recordes do Guiness, enquanto o futebol juvenil, pela mão de Carlos Queiroz, conquistava o lugar de símbolo do orgulho pátrio dantes ocupado pelo hóquei em patins das pelejas ibéricas. Espero – espero mesmo – que o mesmo não se esteja a passar com a "medalhite" aguda dos Jogos Paralímpicos. Seria demasiado cruel.
Mas voltemos ao futebol juvenil e às razões pelas quais a selecção de futebol de sub-21 se mostra avessa a igualar, ou aproximar-se, das suas irmãs mais novas, e veremos como este longo intróito não está aqui por acaso. O que Carlos Queiroz e a FPF fizeram nos idos de oitenta e noventa não foi muito diferente, ou muito mais, do que, por via de estágios prolongados que chegavam a retirar os jogadores aos clubes durante meio ano, realizaram alguns países sul-americanos e africanos: levar esses jogadores, por via de um profissionalismo assumido na adolescência, a atingir a sua maturidade futebolística mais cedo, retirando daí vantagens competitivas face aos seus congéneres europeus nas competições juvenis. Por alguma razão, se consultarmos as listas de vencedores das competições mundiais de selecções jovens facilmente encontramos como vencedores e finalistas países que estão longe de ser potências reconhecidas no futebol sénior, e dificilmente de lá constarão países como a Alemanha, por exemplo. Quando finalmente chegam à idade sénior (muitos dos jogadores das selecções sub-21 têm, na realidade, 22 e 23 anos), os atletas já têm um contrato profissional, jogam nos respectivos clubes, não sendo mais possível realizar o mesmo tipo de estágios, e a maturidade dos seus colegas europeus, programada para ser atingida já na idade adulta, está agora já equiparada. Para mais, alguns deles, mesmo que em equipas pequenas, jogam com regularidade em campeonatos de futebol bem mais “rasgadinho”, não sendo suplentes do Inter ou da Fiorentina, o que ajuda a fazer a diferença em termos de ritmo e interpretação do jogo. O resultado é uma maior dificuldade competitiva desta selecção face às mais jovens, mais dependente da forma e da qualidade extra de alguns jogadores, dos seus ups and downs competitivos; da “fornada”, como dizem os jornalistas desportivos. Drama? Nenhum, se considerarmos as selecções de jovens como categorias de formação e não como salvadoras da pátria. Não como badge brands para se mostrar que também se “pode” e “tem”.
Nessa ânsia de se mostrar, o desporto e os recordes têm frequentemente assumido o papel que na sociedade afluente cabe aos carros espampanantes, à roupa de marca, aos condomínios “ditos” de luxo, ao Dom Pérignon e às férias exóticas. Épater le bourgeois é objectivo primeiro, mesmo que os únicos que se deixem, de facto, entusiasmar com tal trompe d’oeil sejam eles próprios e os que com eles partilham alguma similitude. Mas adiante.
Primeiro, ainda no tempo em que o país era “pobre, pobre”, foi o hóquei em patins, desporto desconhecido no mundo e jogado por veraneantes em recreio pelos lados de Herne Bay e Montreux, das praias da Catalunha, transformado em “hóquei patriótico” por obra e graça do chico-espertismo nacional e dos interesses da ditadura. Teve a sua época e por lá se ficou nas “brumas da memória”. Depois, já o país assomava à porta do dinheiro fácil, foram os recordes do Guiness, enquanto o futebol juvenil, pela mão de Carlos Queiroz, conquistava o lugar de símbolo do orgulho pátrio dantes ocupado pelo hóquei em patins das pelejas ibéricas. Espero – espero mesmo – que o mesmo não se esteja a passar com a "medalhite" aguda dos Jogos Paralímpicos. Seria demasiado cruel.
Mas voltemos ao futebol juvenil e às razões pelas quais a selecção de futebol de sub-21 se mostra avessa a igualar, ou aproximar-se, das suas irmãs mais novas, e veremos como este longo intróito não está aqui por acaso. O que Carlos Queiroz e a FPF fizeram nos idos de oitenta e noventa não foi muito diferente, ou muito mais, do que, por via de estágios prolongados que chegavam a retirar os jogadores aos clubes durante meio ano, realizaram alguns países sul-americanos e africanos: levar esses jogadores, por via de um profissionalismo assumido na adolescência, a atingir a sua maturidade futebolística mais cedo, retirando daí vantagens competitivas face aos seus congéneres europeus nas competições juvenis. Por alguma razão, se consultarmos as listas de vencedores das competições mundiais de selecções jovens facilmente encontramos como vencedores e finalistas países que estão longe de ser potências reconhecidas no futebol sénior, e dificilmente de lá constarão países como a Alemanha, por exemplo. Quando finalmente chegam à idade sénior (muitos dos jogadores das selecções sub-21 têm, na realidade, 22 e 23 anos), os atletas já têm um contrato profissional, jogam nos respectivos clubes, não sendo mais possível realizar o mesmo tipo de estágios, e a maturidade dos seus colegas europeus, programada para ser atingida já na idade adulta, está agora já equiparada. Para mais, alguns deles, mesmo que em equipas pequenas, jogam com regularidade em campeonatos de futebol bem mais “rasgadinho”, não sendo suplentes do Inter ou da Fiorentina, o que ajuda a fazer a diferença em termos de ritmo e interpretação do jogo. O resultado é uma maior dificuldade competitiva desta selecção face às mais jovens, mais dependente da forma e da qualidade extra de alguns jogadores, dos seus ups and downs competitivos; da “fornada”, como dizem os jornalistas desportivos. Drama? Nenhum, se considerarmos as selecções de jovens como categorias de formação e não como salvadoras da pátria. Não como badge brands para se mostrar que também se “pode” e “tem”.
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