"O Partido tem que ser, antes de tudo, o destacamento de vanguarda da classe operária. O Partido tem que incorporar em suas fileiras a todos os melhores elementos da classe operária, assimilar sua experiência, seu espírito revolucionário, sua abnegação sem limites pela causa do proletariado. Mas para ser um verdadeiro destacamento de vanguarda, o Partido tem que estar aparelhado com uma teoria revolucionária, com o conhecimento das leis do movimento, com o conhecimento das leis da revolução. Sem isto, não terá forças bastantes para dirigir a luta do proletariado, para conduzi-lo atrás de si. O Partido não pode ser o verdadeiro Partido se se limita a registar o que vive e o que pensa a massa da classe operária, se marcha a reboque do movimento espontâneo desta, se não sabe vencer a inércia e a indiferença política do movimento espontâneo, se não é capaz de elevar-se acima dos interesses momentâneos do proletariado, se não sabe elevar as massas ao nível dos interesses de classe do proletariado. O Partido tem que marchar à frente da classe operária, tem que ver mais longe que a classe operária, tem que conduzir atrás de si o proletariado e não marchar a reboque da espontaneidade. Os partidos da Segunda Internacional, que pregam o "seguidismo", são os portadores da política burguesa, que condena o proletariado ao papel de um instrumento posto em mãos da burguesia. Só um Partido que se coloque no ponto de vista de destacamento de vanguarda da classe operária e seja capaz de elevar-se até o nível dos interesses de classe do proletariado, só um Partido assim é capaz de afastar a classe operária do caminho do "tradeunionismo" e fazer dela uma força política independente. O Partido é o dirigente político da classe operária." - Ioseb Besarionis dze Jughashvili ("Stalin") - in "Sobre os fundamentos do Leninismo".
É só retirar "classe operária" e "proletariado" e substituir por empresariado, eliminar "partidos da Segunda Internacional" e substituir por CDS e PSD tradicional e o texto aplica-se, sem se lhe retirar uma vírgula, ao "camarada" António Borges, aspirante a guia e grande líder do empresariado lusitano.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
Mostrar mensagens com a etiqueta António Borges. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Borges. Mostrar todas as mensagens
domingo, setembro 30, 2012
sábado, setembro 29, 2012
A "manif", Borges e Teixeira da Cruz
Apesar do número e determinação dos manifestantes, não me parece, e ao contrário do que ouvi dizer a Jerónimo de Sousa, que a manifestação de hoje da CGTP tivesse constituído um "salto qualitativo" na luta contra o governo. Para tal deveria ter acrescentado algo de significativo à manifestação de 15 de Setembro, e não me parece tal tenha acontecido, tendo-se constituído bem mais numa acção da CGTP para lhe permitir, a si e ao PCP, controlar e enquadrar o actual movimento popular de contestação do que uma qualquer tentativa para o fazer evoluir.
Não sendo de desprezar o valor da "manif" de hoje, quer-me no entanto parecer que as afirmações de António Borges (como é possível?) e as de ontem ou anteontem da ministra Teixeira da Cruz, atentando contra o Estado de Direito, foram bem mais prejudiciais para a imagem e vida, presente e futura, do actual governo do que a "manif" da CGTP. Digamos que com ministros e para-ministros deste calibre, o governo quase dispensa adversários.
sexta-feira, agosto 24, 2012
Um governo que despreza a política e a democracia
A ser interpretada literalmente, a declaração do Governo admitindo, no caso da alienação da RTP (prefiro chamar-lhe assim em vez de privatização), "qualquer solução que reduza custos do Estado" significaria teríamos chegado ao "grau zero" da política, substituída por uma qualquer ordenamento contabilístico no qual os ministérios seriam entregues a uma plêiade de guarda-livros encartados e a chefia do governo a um revisor oficial de contas. Acresce que a RTP não produz parafusos, automóveis ou produtos químicos; nem sequer o objecto da sua actividade é financeiro: produz e difunde informação e entretenimento, que estão nos antípodas do que se poderia considerar politicamente neutro ou irrelevante deste mesmo ponto de vista. Significa isto, portanto, e não sendo eu por princípio contrário à privatização da empresa (entre os poucos bons legados dos governos de Cavaco Silva pode contar-se a abertura do sector à iniciativa privada), que a decisão sobre o futuro da RTP será sempre, mesmo mais do que qualquer outra privatização, uma questão política, essencial para os cidadãos e para o modo como estes se relacionam com a sociedade e com o mundo.
Mas pior... O problema é que sob essa aparente capa de desprezo pela política, tão presente na resposta do gabinete do ministro Relvas e característica dos ditadores de facto ou de quem deles herdou tiques e genes - e também sob esse "piscar de olho" ao populismo mais rasteiro que vê em qualquer despesa pública o dedo de Satanás ou de Al Capone - se esconde uma decisão eminentemente política e, talvez mais do que isso, um negócio com uma qualquer ditadura mais ou menos cleptocrática (rabo mal escondido com o resto do gato de fora) efectuado à sombra do "execrável" e "execrado" Estado. E se todos nós, cidadãos que prezamos a democracia e a livre iniciativa empresarial que lhe está associada, já deveríamos torcer o nariz quando se colocam sectores económicos estratégicos nas mãos de ditaduras que negam esses dois princípios básicos, muito mais nos deveríamos preocupar quando está em causa a liberdade de informar e ser informado. À bon entendeur...
Nota 1: se fossem necessárias provas para definir a natureza da "clique" que se apoderou do PSD, a notícia de ontem sobre o trabalho obrigatório para os beneficiários do RSI, a entrevista de António Borges à TVI e a resposta de hoje do gabinete no ministro Relvas sobre a alienação da RTP seriam mais do que suficientes.
segunda-feira, julho 21, 2008
António Borges hoje no "Público"
A página 35 do “Público” de hoje (penúltima), não linkável, não podia ser mais contrastante. Na sua primeira metade (em cima) um artigo sério, rigoroso e até didáctico, como é seu timbre, de Francisco Sarsfield Cabral. Na sua segunda metade (em baixo) um puro e simples texto propagandístico, pobre, sem fundamentação provada (a afirmação de que “Portugal é um país de empresários” fará rir o mais sisudo, já que um dos dramas principais é exactamente o seu contrário) de António Borges, que em nada se distingue de outros do mesmo género oriundos de cronistas de serviço da área governamental. Assim, Sócrates pode ir de férias um pouco mais descansado, já que, com “companheiros” destes, para que precisa Ferreira Leite de adversários?
domingo, julho 20, 2008
Ferreira Leite e o novo aeroporto
Afinal parece que Manuela Ferreira Leite nada tem a opor à construção do novo aeroporto de Alcochete. É pena, pois se isso significa a sua adesão ao conceito “mega-cidade aeroportuária” (aguardam-se esclarecimentos), prova que, de facto, pese embora algumas afirmações avulsas “aqui e ali” de dirigentes do PSD (António Borges, por exemplo), não existe no partido a proposta de um verdadeiro modelo de desenvolvimento alternativo ao que, de uma maneira ou de outra, tem vindo a ser seguido e implementado desde os anos oitenta. É que, partindo do princípio que a ligação à rede ibérica (e não europeia, contrariamente ao que tem sido afirmado) do TGV é indispensável do ponto de vista político e de desenvolvimento peninsular integrado e que a ligação Lisboa-Porto é apenas um brinquedo de meia dúzia de milhares de milhões de euros oferecido em puro desperdício e holocausto ao lobby nortenho, o projecto da nova estrutura aeroportuária é aquele que melhor define e “recorta” um determinado modelo de desenvolvimento e de concorrência para Portugal no seio da Península. Um modelo errado, que nada tem a ver com uma análise rigorosa da situação real e concreta e, a partir dela, de uma estratégia que possa vir a ser bem sucedida. Um modelo para o qual o PSD parece não ter alternativa.
sexta-feira, julho 18, 2008
Três pequenas notas s/ o dia de ontem
- Alguém explica ao PCP que se a taxa de IVA baixa um ponto percentual os comerciantes não são obrigados a fazer reflectir isso no preço final de um produto e podem, pura e simplesmente, optar por manter ou aumentar o preço, melhorando as suas margens? É que não estamos nos "Planos Quinquenais", não é assim?
- Luís Filipe Vieira afirma que o facto da UEFA manter o FCP na "Champions League" não constitui uma derrota para o Benfica, uma vez que se o FCP fosse afastado LFV preferiria que o seu (e meu) clube não participasse . Ok, tudo bem, embora seja fácil fazer esse tipo de afirmações à posteriori - que, assim, valem o que valem. Mas se recorreu era pelo menos por achar que o FCP não deveria participar, independentemente da decisão de participação Benfica, não é assim? Não há derrota?
- O PSD acha que o papel da oposição é apenas fiscalizar o governo e não apresentar alternativas. Duvido os portugueses pensem assim, mas também como é possível apresentar alternativas credíveis às políticas do governo sem ter, ou assumir, uma estratégia e um modelo de desenvolvimento alternativo? Sem isso, de facto, quaisquer medidas soariam oco e sem sentido, e o que parece é que o PSD de Ferreira Leite, mais do que não ter, teme apresentar uma estratégia que, necessariamente, o faça baixar nas sondagens e perder votos futuros. Rabo escondido (Ferreira Leite) com gato (António Borges) todo de fora, pois claro.
segunda-feira, março 31, 2008
António Borges vs Manuel Pinho, com os "Bichos Carpinteiros" de permeio
Muito provavelmente, o episódio narrado por António Borges, então vice-presidente do Goldman Sachs, sobre as pressões que ele e os negócios do banco terão sofrido por via das declarações hostis de Borges, enquanto militante do PSD, ao governo de Sócrates, será verdadeiro. Nada me leva a pensar que o não seja; tudo me leva a crer seja esta, com mais ou menos nuances, a prática corrente.
Já estou em completo desacordo com a crítica de "hidden persuader" a Borges, acusando-o de falta de ética, quando afirma que, para António Borges, o governo é mau para governar mas bom para os negócios. Não vejo a razão pela qual criticar a governação do país seja incompatível com manter negócios com esse mesmo governo. A adoptar esse procedimento como norma, a maioria das empresas privadas do país já estaria fechada.
Mas existem duas atitudes de António Borges que, do ponto de vista ético, me parecem ser, em absoluto, inaceitáveis, ou, no limite, pelo menos pouco admissíveis: uma é um vice-presidente de um banco, internacional, participar activamente num congresso partidário, inclusivamente nele usando da palavra enquanto militante; outra é se deverá, uma vez abandonadas as funções que exercia, expor publicamente acontecimentos inerentes à gestão e aos negócios do banco. Eu não o faria...
Já estou em completo desacordo com a crítica de "hidden persuader" a Borges, acusando-o de falta de ética, quando afirma que, para António Borges, o governo é mau para governar mas bom para os negócios. Não vejo a razão pela qual criticar a governação do país seja incompatível com manter negócios com esse mesmo governo. A adoptar esse procedimento como norma, a maioria das empresas privadas do país já estaria fechada.
Mas existem duas atitudes de António Borges que, do ponto de vista ético, me parecem ser, em absoluto, inaceitáveis, ou, no limite, pelo menos pouco admissíveis: uma é um vice-presidente de um banco, internacional, participar activamente num congresso partidário, inclusivamente nele usando da palavra enquanto militante; outra é se deverá, uma vez abandonadas as funções que exercia, expor publicamente acontecimentos inerentes à gestão e aos negócios do banco. Eu não o faria...
Subscrever:
Mensagens (Atom)