- Dois títulos de campeão nacional (até agora) - Devia ter conquistado mais um: é imperdoável para uma equipa com a dimensão do SLB perder o campeonato em casa com o GD Estoril-Praia.
- Uma Taça de Portugal - Imperdoável ter perdido uma segunda final contra um VSC em crise profunda.
- Presença em duas finais da Liga Europa - Deveria ter estado presente em três (a eliminação nas 1/2 finais pelo SC Braga é inadmissível) e ter ganho a final com o Sevilha FC.
- Quatro Taças da Liga - Em linha, ou até admito tivesse ganho menos uma.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
segunda-feira, dezembro 22, 2014
O "deve" e o "haver" do SLB de Jorge Jesus
sábado, maio 09, 2009
Os modelos de jogo do SLB e os jornalistas desportivos
quinta-feira, abril 16, 2009
LFV, Rui Costa, Quique Flores e o projecto do S. L. Benfica - 3. Quanto tempo para construir uma equipa? Pode este "modelo de jogo" ser ganhador?
Tendo em atenção o que acabei de dizer, e pensando agora no caso específico do SLB e do mercado em que actua (o futebol português), penso que dificilmente menos de três a cinco anos, se estivermos a falar de um projecto sustentado e não em algo de casuístico ao estilo do título de 2005, apenas possível em função de circunstâncias dificilmente repetíveis. Em que me baseio? Simples: um dominador incontestável com uma organização sólida e estável (FCP) e que domina ideologicamente o mercado, com uma capacidade de investimento pelo menos não inferior à do SLB e, fruto do domínio dos últimos anos, sofrendo de uma muito menor pressão por parte de accionistas e adeptos, ainda com considerável influência nas estruturas dirigentes, com princípios e um modelo de jogo estabilizado e uma ideologia de suporte (bandeira de uma região com um modo de vida e uma cultura próprias) consistente embora em ligeiro declínio, etc, etc, etc (nesta óptica, acrescente o que achar por bem). Some-se a isto um rival (SCP) que, embora com menor potencial, tem sabido, com inteligência, encontrar a estabilidade e coerência de gestão necessárias, a par de uma estratégia clara de investimento centrada na formação, para lhe proporcionarem nesta década resultados que o SLB já não poderá alcançar. Sabendo que dificilmente poderá liderar, escolheu os seus objectivos com critério e uma estratégia e planos de acção compatíveis com esse desiderato, beneficiando da péssima gestão do SLB.
Mas poderão dizer – e já vi escrito – que Mourinho não precisou de tal tempo para tornar o FC e o Chelsea ganhadores. Ilusão... O projecto do FCP tem trinta anos, e Mourinho apenas lhe levou o “plus” necessário da sua competência e liderança para ganhar a nível europeu. O projecto do Chelsea começou com Abramovich e Ranieri e já tinha valido uma meia-final da Champions League em 2004. Mourinho, tal como aconteceu no FCP, levou o que ainda lhe faltava. Querem outros exemplos, agora com o SLB? Gutmann não teria existido sem o projecto que começou com Otto Glória, de profissionalização do clube, e Eriksson chegou e teve êxito no clube, com todo o seu mérito, quando este ainda mantinha um lastro ganhador e um mínimo de gestão coerente - teve aqui um papel um tanto ou quanto semelhante ao de Mourinho no FCP.
Vejamos ainda outra questão. Nem todos os modelos de jogo requerem o mesmo tempo de adaptação para serem entendidos e assimilados, automatizados por uma equipa, principalmente se vão contra rotinas de muitos anos ou se confrontam com a ausência completa delas. É muito mais fácil e rápido, desde que se disponha de jogadores de habilidade e qualidade técnica de passe e “drible” acima da média, como são os que normalmente actuam no campeonato português, implementar um modelo de posse e circulação de bola, de contenção ou contra-ataque apoiado, de passe de pé para pé e com jogadores e sectores muito próximos uns dos outros, de menor risco de perda de bola e, logo, também de menor risco de emergência de desequilíbrios defensivos, do que um modelo de futebol mais amplo, com jogadores e sectores mais distantes, mais exigente nos seus equilíbrios e compensações, mais físico. Mas, em compensação, no primeiro caso ou temos jogadores de excepção, como é tradicional na selecção brasileira ou no Barça actual, ou é muito mais difícil criar rupturas que permitam marcar golos e ganhar. É, normalmente e com as excepções indicadas, um futebol pouco ganhador, principalmente quando se joga a altíssimo nível, e vejam-se as dificuldades do SCP do “losango” quando compete internacionalmente, do CSKA de Moscovo ao Real Madrid, Barça e Bayern deste ano. Podemos contestar se o modelo que Quique quer implementar no SLB o poderá levar ao sucesso; mas, indiscutivelmente, será – e é, de certeza – de mais difícil e morosa implementação.
Agora a questão principal. Pode, num campeonato em que a maioria das equipas que defronta o SLB joga num “bloco baixo”, num futebol de contenção e contra-ataque apoiado e que privilegia o povoamento do meio-campo, com pseudo avançados muito móveis, o modelo que Quique Flores ter e trazer, a prazo, sucesso ao SLB? Aqui as minhas dúvidas (só isso: dúvidas e não certezas positivas ou negativas), mas não estou nelas sozinho pois já tenho visto o tema por ai glosado e eu próprio, in illo tempore, a isso me referi. Mas essa era a questão-chave a debater quando Rui Costa e LFV optaram pela sua contratação e que terão agora que analisar com o treinador. Com uma pequena chamada de atenção: contrariamente ao que por aí (“A Bola”) já vi escrito, não valerá a pena manter o treinador e “obrigá-lo” a mudar o seu “modelo de jogo” e princípios de gestão; forçá-lo a agir contra as suas convicções, tornando-o num “peixe fora de água”, seria, então, emendar um erro com outro ainda maior. Pequenos ajustamentos são algo que a própria inteligência de Quique saberá ditar; modificações radicais, forçosamente “contra-natura”, acabarão por se chocar contra essa sua própria inteligência e conduzir ambos – Quique e o projecto - ao naufrágio. Veremos o que acontece.
terça-feira, abril 14, 2009
LFV, Rui Costa, Quique Flores e o projecto do S. L. Benfica - 2. A filosofia de gestão de Quique e o seu "modelo de jogo"
Nota prévia: quem estiver à espera de ouvir falar sobre arbitragens, golos falhados, substituições bem ou mal feitas, "entrega ao jogo" e coisas semelhantes é favor não ler este "post".
Não assim há tanto tempo como isso, a direcção dos clubes de futebol contratava jogadores - que aliás se mantinham no clube anos a fio - e, posteriormente, sabe-se lá com que critérios mas penso que variáveis, contratava um treinador, normalmente um antigo jogador, que tinha por missão “dar” a preparação física e “armar” a equipa. Mais coisa menos coisa, em épocas em que o empirismo ainda dominava num desporto – o futebol – ao qual a ciência desportiva chegou tarde, em que o “cheiro do balneário” fazia as vezes de ideologia corporativa, era assim que as coisas se passavam. Nos principais clubes portugueses, como as grandes referências enquanto jogadores eram na maioria das vezes pouco mais do que analfabetos funcionais, contratava-se um treinador estrangeiro, com outra mundividência e que, assim, mais facilmente se poderia impor ao tal mitológico balneário. Era o “mister”.
Como sabemos, hoje não é assim. Ao contratar-se um treinador contrata-se também uma equipa técnica, uma concepção e uma filosofia de gestão que deve ligar com a “cultura” do clube (a tal mística), uma ideia, princípios e modelo de jogo que devem ser compatíveis com os objectivos que se querem atingir em determinada realidade competitiva (as competições a disputar), que constitui o mercado onde os diferentes clubes (players) vão competir. Quem se quiser dar ao trabalho de ler o livro “Mourinho, Porquê Tantas Vitórias?”, de Bruno Oliveira, Nuno Amieiro, Nuno Resende e Ricardo Barreto (Gradiva), que é, muito mais do que um livro sobre futebol e sobre José Mourinho, um excelente texto sobre gestão, entenderá bem melhor o que estou a dizer e o que está em causa.
Ora foi exactamente este “pacote” que o SLB contratou ao admitir Quique Flores como treinador e, logo, a primeira pergunta a fazer será: em que medida e até que ponto as duas filosofias de gestão – da equipa de Quique e do SLB – se casam? Em que medida as ideias de Quique cabem na “cultura” (mística) do SLB? Estas deveriam ter sido – e deverão ser hoje – duas questões essenciais que Rui Costa deverá colocar a si próprio, não sem que antes devesse ter colocado uma outra fundamental: em que medida as suas próprias concepções e as de ambos (Rui Costa e Quique) são compatíveis com as de LFV, partindo do princípio que estas últimas são dominantes? Não estando por dentro, não conhecendo os intervenientes a não ser pela sua intervenção pública, deixo a interrogação sem resposta. Mas, conhecendo o “way of doing the things” de muita gente onde encontro, infelizmente, bastantes semelhanças com o que me é dado a observar em LFV, permito-me ter fundamentadas dúvidas, o que remete de imediato para a determinação de qual o elo fraco de todo este complexo processo.
Vem de seguida a questão do “modelo de jogo” e da sua compatibilidade. O SLB joga num chamado “bloco baixo” (defesa e meio-campo recuados) com transições ofensivas rápidas efectuadas pelos extremos ou através de passes longos para as costas da defesa contrária. Um modelo que, contrariamente ao que é comum no futebol português onde tem predominado, a partir do fim da era do grande Benfica dos anos 60, o futebol de contenção (excepção o FCP de Mourinho e, agora, de Jesualdo - daí o seu sucesso), circulação e posse de bola, de contra-ataque “apoiado”, privilegia o passe longo, de risco e onde não se dá especial importância ao domínio do jogo mas sim ao respectivo controlo. Com excepção notória do Barça, é o modelo vigente em Espanha e no Liverpool de Rafa Benitez, e ainda no passado domingo vi o Real Madrid jogar desse modo procurando as transições rápidas através das correrias de Roben ou dos passes longos para Gonzalo Higuaín. No SLB este modelo expressa-se, e exprime-se, através de um 4X4X2 clássico e de ambos, modelo e sistema, resultam as seguintes consequências a nível de perfil de jogadores:
- A não necessidade de um nº10 clássico, tão do agrado da crítica indígena. Mesmo jogando com alguém nessas funções, será sempre um “híbrido” como Carlos Martins, mais perto (nas características, que não na categoria) de um Deco ou de um Frank Lampard do que de um Rui Costa.
- A importância de um “ponta de lança” rápido e móvel, mas também poderoso, que recolha as bolas enviadas para trás da defesa contrária e aguente o corpo a corpo em velocidade (David Suazo). Cardozo, neste modelo, é um corpo estranho.
- Extremos que possam executar diagonais e, assim, aparecerem na área e rematarem, em vez de efectuarem o tradicional movimento “ir à linha e centrar” para um qualquer “poste” (já ninguém joga assim no primeiro mundo futebolístico e veja-se a dificuldade de um Peter Crouch em se impor). Simão já jogava desse modo no “losango” de Fernando Santos e assim continua a fazê-lo no Atlético, tal como Arjen Roben no Madrid e Kalou e Malouda no Chelsea. Por isso, muitas vezes jogam no “lado contrário”. Simão e Roben (novamente o mesmo exemplo) fazem-no; Di Maria tem imensa dificuldade em consegui-lo. Daqui se depreende também a lógica de utilização de Pablo Aimar no lado esquerdo.
- O modelo de passe longo, de maior risco, e a existência de extremos que “forçam” o “um para um” tornam indispensável a preferência por laterais mais defensivos, frequentemente centrais de origem o que lhes permite complementar os centrais e tornar a equipa, sem “pontas de lança” do tipo “poste”, mais alta nas bolas paradas, ao contrário do que acontece nos modelos de posse e circulação de bola expressos no 4X4X2 em losango que requerem laterais mais ofensivos dada a inexistência de extremos clássicos. David Luiz é o exemplo no Benfica, mas Jamie Carragher joga muitas vezes a lateral no Liverpool e Sérgio Ramos no Madrid. Também a lesão de Bosingwa trouxe á evidência a utilidade de Ivanovic, um central de origem com 1,88m que foi autor de dois golos no jogo da Champions contra o Liverpool. Veja-se também como Quique, na ausência de um extremo direito (Balboa foi um flop), prefere utilizar do lado onde existe um lateral com maior vocação atacante (Maxi) alguém como Ruben Amorim.
- Voltando especificamente ao SLB, Luisão e Sidnei são centrais lentos, que não podem marcar muito á frente e têm dificuldade perante quem lhes aparece embalado. Daí Quique, no seu modelo, recorrer a jogadores de meio-campo mais “pressionantes”, como Yebda. Essa lentidão explica também a opção frequente por Miguel Vítor, mais rápido e, assim, também mais capaz de cobrir as laterais e marcar mais á frente. Perde na "força aérea" o que ganha em rapidez.
Este é o “modelo” e o perfil de jogadores que o servem. Como se pode verificar existe uma lógica, uma coerêcia entre o modelo e os jogadores (melhores ou piores) existentes. Será essa lógica, essa ideia e modelo de jogo compatível com os objectivos a que o SLB se propõe nas provas que disputa, no “mercado” em que quer ser competitivo?
Tenho algumas dúvidas (o que significa apenas isso – dúvidas – e não a sua negação), mas veremos o porquê delas no próximo “post”.
Próximo "post" sobre este tema: o modelo de jogo do SLB e a sua compatibilidade com os objectivos e as provas que disputa.
segunda-feira, abril 13, 2009
LFV, Rui Costa, Quique Flores e o projecto do S. L. Benfica - 1. O processo de selecção do treinador e o perfil de Quique Flores
Bom, tendo dito isto, encaixa Quique Flores, os seus "curriculum vitae" e perfil, no que deve ser, no actual momento, o treinador que sirva o que julgo ser, ou deveria ser, o projecto do SLB? Obedeceu a sua escolha a um método criterioso? Vejamos...
Digamos que no que diz respeito ao processo de selecção (e aqui estamos ainda a falar apenas de Luís Filipe Vieira e Rui Costa), algo me deixa um pouco preocupado sobre a consistência da escolha e, subsequentemente, do projecto que lhe deveria estar na base. Tanto quanto se sabe, a primeira opção terá sido Eriksson, neste momento e circunstâncias uma clara cedência e apelo a um sebastianismo messiânico. Felizmente que tal se não consumou. A segunda hipótese terá sido Queiroz, alguém indiscutivelmente preparado, que conhece bem e por dentro o grande futebol, mas que nunca conseguiu nenhum resultado relevante fora dos escalões de formação para os quais parece vocacionado, pese a sua já longa carreira. Assim sendo, o que me deixa preocupado não é Quique ter sido terceira escolha, mas sim o facto de nem Queiroz parecer ter nada que ver com Eriksson, nem ambos com Quique Flores. Ou seja, o que me deixa preocupado é a inconsistência de perfis e o modo como encaixam ou não num projecto que, em função dessa mesma inconsistência, parece não existir.
E Quique? Bom, não conheço pessoalmente Quique Flores e nunca assisti a um treino no Seixal. Descontando esta importante ressalva, Quique tem fama de conhecedor e rigoroso, estudioso e actualizado. É jovem, tem ainda uma carreira curta e nunca ganhou nada de importante, tendo, portanto, um caminho a percorrer se quiser chegar ao topo. Digamos que “tem de fazer pela vida” e parece ser ambicioso. Para além disso, já treinou o Valência, uma equipa da 1ª divisão europeia, com algum sucesso e num campeonato de topo. Conhece, portanto, o “grande futebol”, tem “mundo” e conhecimento do mercado mundial, o que era manifestamente uma weakness de Fernando Santos. É culto e parece inteligente, fazendo um bom “match”, em termos de perfil, com Rui Costa e com os jogadores de que dispõe, muitos deles (Aimar, Reyes, Suazo) vindos desse mesmo “grande futebol”. Alguém os imagina a serem treinados por Cajuda ou Jorge Jesus? Para além disso, tem um discurso cosmopolita, que contrasta com a linguagem da maioria dos treinadores “indígenas”, fazendo, nesse aspecto, lembrar Eriksson. Tudo parece, portanto, encaixar sem grandes problemas de princípios num clube que deveria afirmar um projecto "de contraste" com o FCP. Ah, e o modelo de jogo que perfilha, algo importante quando se selecciona o treinador? Essa é, talvez, a minha maior dúvida. Mas deixemos o assunto para o próximo “post”.
Próximo “post” sobre este tema: os princípios e modelo de jogo de Quique Flores.
sábado, abril 11, 2009
As opções de Luís Filipe Vieira e Rui Costa
Luís Filipe Vieira e Rui Costa têm duas opções no final da época, perante um terceiro lugar que se avizinha. E ambas para demonstrarem uma vontade de ruptura com um passado que, a repetir-se, dificilmente e só por uma conjugação de factores extraordinários não conduzirá aos mesmos resultados catastróficos.
A primeira é manterem Quique Flores demonstrando que a sua escolha não foi aposta cega mas pensada em face da adequação do seu perfil ao clube e a um projecto de médio prazo que possa levar o SLB a reconquistar a hegemonia no futebol português. Demonstrarão assim que o clube não é dirigido casuisticamente, que a sua política de recursos humanos tem alguma consistência e não voga ao sabor dos ventos da “rua benfiquista” e de uma imprensa por interesses, opções ou seguidismo, maioritariamente “companheira de estrada” do FCP. Conquistarão o respeito de ambos, actualmente perdido.
A segunda é assumirem o falhanço do seu projecto, principalmente LFV na verificação dos fracos resultados da sua política desportiva num mandato já longo, e apresentarem a sua demissão abrindo o caminho para eleições antecipadas e uma nova equipa de gestão com diferentes métodos e imagem.
Fico a aguardar...
segunda-feira, março 16, 2009
SLB: em defesa de Quique e Rui Costa e contra a inconstância dos últimos anos.
Fernando Santos, um treinador provinciano mas competente, o único português para além de José Mourinho que treina com regularidade e relativo sucesso no 1º mundo futebolístico, embora numa 2ª divisão europeia, adoptava um modelo de posse e circulação de bola, apoiado num 4X4X2 em losango. Como tinha Nelson e Leo, laterais atacantes indispensáveis para jogar desse modo - isto é, sem extremos –, bem como um ponta de lança e um médio que entravam bem nas alas (Miccoli e Karagounis) e Simão, anteriormente um extremo, é um jogador tacticamente culto, que entende bem as diversas situações do jogo e sabe aparecer no meio, na área, o “todo” fazia sentido. Com esta base sugeriu a contratação de um “poste de área”, que lhe possibilitasse a adopção de um modelo alternativo quando necessário. Veio Cardozo.
De repente, Miccoli e Karagounis, jogadores base deste modelo, saíram. A importância de Simão aumentava exponencialmente (até por causa das bolas paradas) e Fernando Santos lá preparou a época fazendo de Simão o seu jogador-base. Ficou sem ele depois da pré-época. Como conhece mal o mercado mundial, não havia ainda Rui Costa nas suas actuais funções e já era tarde, vieram os disparates na maioria das contratações.
Depois de uma época com um treinador medíocre (Camacho), em que se não descortinava a existência de um qualquer modelo ou ideia de jogo, veio Quique, um treinador espanhol do 1º mundo futebolístico que, tal como Rafa Benitez, adopta um modelo de transições rápidas e passes longos num 4X4X2 clássico. Houve que contratar extremos, mandar embora os laterais demasiado atacantes e que por isso “não cabiam”, felizmente que Rui Costa abandonou pois um nº10 como ele, apesar da sua enorme categoria, dificilmente entraria nestas contas e lá se foi ao mercado contratar um ponta de lança rápido e móvel como Suazo. Resultado? Agora Cardozo, por quem o SLB pagou cerca de 10 milhões, parece demasiadas vezes um corpo estranho num modelo que dificilmente o comporta, excepto como solução de último recurso.
Tem sido esta a inconstância e o disparate do Benfica dos últimos anos. Não se pode repetir.
Nota: A responsabilidade da crise do Benfica passa também muito pelos benfiquistas que não integram os orgãos dirigentes. Não falando de alguns idiotas úteis que de futebol nada entendem, ver associados que são glórias do clube, como José Augusto, propor hoje em “O Jogo” o despedimento de Quique Flores e a contratação de treinadores como Manuel Cajuda ou Jorge Jesus, sabendo que um projecto consequente para o clube tem obrigatoriamente de comportar um treinador da 1ª divisão europeia, só pode fazer arrepiar os cabelos. Que raio, caro Zé, a idade não explica tudo e você sempre me pareceu jovem de espírito!
sábado, março 14, 2009
Sport Lisboa e Benfica: escrito e publicado a 9 de Janeiro, reiterado agora após a derrota com o Vitória de Guimarães
quarta-feira, janeiro 07, 2009
De como os jogos com o V. de Guimarães são essenciais para se compreender o Benfica de Quique Flores
Isso permite ao SLB explanar com mais nitidez e hipóteses de sucesso aquele que é o seu modelo de jogo actual, de tentativa de pressão alta e transições ofensivas rápidas, com avançados móveis, explorando os espaços abertos, as perdas de bola do adversário e apanhando a equipa contrária desposicionada. Se não consegue sucesso de forma directa, provoca faltas e todos sabemos como a equipa é forte nessas situações. Foi por este motivo que ganhou os dois jogos com o Vitória, em Guimarães, sem grandes dificuldades.
Quando isso não sucede, contra equipas que jogam com um bloco muito baixo e só “saem” pela certa, revelando maior segurança de bola e provocando assim menos faltas na sua zona defensiva, a equipa revela inúmeras dificuldades. Desse modo enerva-se, balanceia-se demais no ataque e desposiciona-se. Desequilibra-se, sendo apanhada com facilidade no chamado contra-pé. Sucedeu assim contra o Nacional e contra o Trofense, por exemplo (não vi o jogo contra o Metalist).
Esta é a questão fundamental - e penso Quique Flores já o entendeu -, depois de despojada de questões de menor importância (o que não quer dizer que não a tenham) relacionadas com sistemas, rendimento de jogadores, empenho, etc, etc. Portanto, é em função dela e sabendo que o Benfica terá que disputar 80 ou 90% dos seus jogos contra equipas perfilhando um modelo de jogo idêntico ao do Trofense, Leixões, etc, que deve também ser colocada a Quique a pergunta fundamental, à qual ele deverá responder convicta e justificadamente: “será que o modelo de jogo actual do Benfica pode responder com sucesso a esta questão?” “Porquê e de que modo o pode fazer?” É apenas uma questão de tempo, treino e entrosamento?; de ajuste nos recursos humanos – até? Ou é algo desajustado face á realidade e, assim, condenado ao insucesso quase certo?
Já agora duas questões mais acessórias:
- David Luiz é a melhor opção do Benfica para defesa esquerdo, principalmente quando a equipa adopta um 4X4X2 clássico.
- Miguel Vítor é o central mais rápido do plantel. Algo a ter em conta.
terça-feira, janeiro 06, 2009
SLB: de uma vez por todas e para que não restem dúvidas
Para que esse objectivo seja conseguido ele nunca deve ser sacrificado ao curto prazo, e a estratégia e os planos de acção que o servem ser preteridos ou subalternizados por questões conjunturais, laterais e inconsequentes. Antes pelo contrário: definido o objectivo, ajustada a estratégia e os planos de acção adequados, estes devem ir sofrendo pequenas modificações e aperfeiçoados, entre Rui Costa e Quique Flores, à medida das necessidades: total flexibilidade táctica desde que em consonância com a estratégia e os objectivos; inflexibilidade estratégica, o que significa, entre outras coisas, “nenhuma concessão à “rua” ou a quem internamente a representa (à bom entendeur...). Ser governado pela “rua” ou por quem a tem representado, ao mais alto nível, nos orgãos dirigentes do SLB tem sido sempre parte do problema e do seu agravamento, nunca da solução.
Para ser ainda mais claro: mudar de treinador e de plantel à primeira decepção ou em resultado da opinião da inconsequente imprensa desportiva ou dos interesses que esta conjunturalmente representa tem sido a receita que conduziu o SLB ao descalabro, depois de um dos piores presidentes da história do SLB ter dado o pontapé de saída para a decadência ao decidir trocar uma equipa de futebol por mais uns degraus de cimento no estádio; prometer “os amanhãs que cantam”, já ali ao virar da esquina, é apenas mais uma miragem. O despedimento de um treinador, talvez demasiado humilde e com ausência de carisma, mas competente como Fernando Santos, depois de uma época aceitável e só porque no último minuto o Leixões conseguiu empatar, por troca com mais um “Messias”, foi uma cedência à “rua” benfiquista que apenas prova o que aqui digo.
Neste sentido, seria talvez a altura de Rui Costa garantir que a receita não é mais do mesmo. De explicar claramente a todos os benfiquistas, de forma solene e institucional, o que está em causa. De lhes dar a escolher, e de garantir publicamente a Quique Flores o seu apoio para além dos resultados conjunturais. Rui Costa tem de entender que a sua credibilidade enquanto dirigente passa por este projecto e, assim, agir em conformidade, provando que “é vermelho e competente”. E do seu benfiquismo nunca ninguém pôde ter dúvidas.
sexta-feira, dezembro 19, 2008
A racionalidade de Quique
quarta-feira, dezembro 17, 2008
Scolari e Quique Flores
segunda-feira, dezembro 01, 2008
Ai o "meu" Benfica!...
- É impossível ganhar quando a intensidade de jogo que a equipa consegue manter durante a maior parte do tempo é tão demasiado baixa, só conseguindo jogar a um ritmo superior durante períodos muito curtos. Quando se passa para as competições europeias, onde o ritmo é outro, o problema torna-se ainda mais premente. Isto tem como resultado, na maior parte do tempo, conceder a iniciativa de jogo ao adversário e sobrecarregar, física e mentalmente, a defesa, que acaba a jogar sobre brasas e a cometer demasiados erros.
- Essa intensidade de jogo demasiado baixa é principalmente fruto da quase ausência de bolas ganhas no meio-campo adversário, por dificuldade em jogar em “pressão alta,” e do elevado número de bolas perdidas fruto de passes errados e de más opções de jogo, principalmente por parte um jogador como Carlos Martins. É atabalhoado e pouco inteligente. Pensa normalmente mal e, por isso, escolhe demasiadas vezes a pior opção. Não se percebe como, já desde os tempos do Sporting, tem “boa imprensa”.
- A inexistência de um defesa-esquerdo que saiba o que deve fazer em campo também não ajuda. Quando a isto se junta um guarda-redes fora de forma, tudo tem tendência a piorar.
- Preocupante.
sexta-feira, novembro 28, 2008
Quique...
Quique Flores parece-me um treinador organizado, rigoroso, extremamente profissional. Com conhecimento do futebol que se joga a alto nível, cosmopolita. Enfim, competente. Em função disso, a equipa e cada um dos seus elementos sabem perfeitamente o que devem fazer em campo, talvez de um modo demasiado cibernético, em função de um plano elaborado ao pormenor. Receio que essa sua força se transforme também na respectiva fraqueza quando o jogo não decorre de acordo com o plano prévio: a equipa tem então dificuldade em reagir por si própria, em adaptar-se às circunstâncias, em procurar por ela as soluções para o imprevisto. Foi assim contra o FCP quando Katsouranis resolveu “asneirar”, o que não estava no programa. Foi assim ontem quando um golo no primeiro minuto “baralhou” o “plano de batalha”.
Pois, prova-se que os grupos são sempre espelho dos verdadeiros líderes... Para o bem e para o mal.
sexta-feira, outubro 03, 2008
Julgam que não ia falar do "meu" Benfica?
terça-feira, setembro 23, 2008
Paços de Ferreira - Benfica
Duas notas sobre o jogo de ontem :
- A equipa joga em transições ofensivas muito rápidas, como sempre jogaram as grandes equipas do Benfica, mas por isso tem dificuldade em gerir a posse de bola e controlar o jogo, perdendo a bola com frequência, em passes de risco, e desequilibrando-se demasiadas vezes porque joga com a baliza nos olhos. Para agravar, Yebda (um tipo de jogador que há muito fazia falta ao Benfica, uma espécie de Sromberg menos exuberante) não é um “6” posicional clássico, percorrendo muito terreno e ocupando grandes espaços. Com a capacidade táctica de Katsouranis o equilíbrio será outro (já o é com Ruben Amorim), bem como com uma defesa mais estabilizada e com uma melhor participação dos avançados nas acções defensivas o que, no entanto, nunca será um ponto forte da equipa com estes jogadores e este modelo de jogo. Digamos que há uma ideia; mas é preciso consolidá-la.
- De qualquer modo, há que ter em atenção que alguns dos golos sofridos nos últimos jogos tiveram a sua origem em situações casuísticas, tal como o "penalty" despropositado de Katsouranis contra o FCP, o 3º golo, “por tabela”, do Nápoles, o “frango de Quim e outro golo “de tabela” ontem. Não dura sempre...
domingo, agosto 31, 2008
Benfica-FCP (2)
O problema chamou-se, isso sim, Katsouranis: a partir do momento em que se apanhou em vantagem por via de uma decisão estúpida do grego, o FCP optou por colocar o jogo onde queria, fechando os espaços e dificultando a rapidez dessas mesmas transições, enquanto o Benfica, para quem o empate seria um razoável resultado nesta fase de construção da equipa, se via obrigado a avançar no terreno libertando metros quadrados para o jogo de Lucho, Rodriguez e Lisandro... Este foi, de facto, o problema, o que penaliza ainda mais o desastre que foi a actuação do grego, quando quer, um excelente jogador, a central ou no meio-campo.
Já agora e uma vez mais: há quanto tempo anda o meu clube a tentar contratar um central de categoria num infindável desperdício de recursos? Já lá vão Alcides, Zoro, Stretnovic, Edcarlos, agora Sidnei. Acho que já esqueci alguns...
segunda-feira, agosto 04, 2008
Será que Quique Flores encontrou finalmente um modelo de jogo?
De qualquer modo, com as modificações operadas na 2ª parte continuo com dúvidas se Quique Flores estará convencido, pois, para manter este modelo, Makukula, e não Nuno Gomes, deveria ter rendido Cardozo e Yebda deveria ter entrado em vez de Bynia, por exemplo. Aguardemos.
domingo, agosto 03, 2008
Onde se explica a Quique Flores porque o Benfica não é o Getafe
Convém portanto lembrar, agora em termos puramente futebolísticos, que, pelo menos que me lembre (e estou em idade de já me lembrar de muitas coisas e ainda não ter esquecido outras tantas), nenhuma equipa do Benfica fez História sem assumir o jogo, sem entrar para o campo para fazer algo mais do que esperar o erro do adversário, sem jogar em transições rápidas forçando o adversário a esse mesmo erro, sem desgastar a defesa adversária forçando a quebra física e a desconcentração fatal. Aliás, pela própria natureza do campeonato português, em que 95% dos jogos são jogados contra equipas defensivas, que, elas sim, jogam no erro do adversário, não pode o Benfica jogar de outra forma sem se condenar ao fracasso. Mais ainda, também não me lembro de nenhuma equipa do Benfica ter tido sucesso que se visse sem jogar com uma “referência de área”; faz parte da sua cultura futebolística, do seu modelo de jogo assumido ao longo de anos de conquistas, da sua filosofia ganhadora, da “mística”, como antes se dizia. Também da necessidade de jogar contra defesas super-povoadas, como as que normalmente enfrenta. Foi assim, tanto quanto a minha memória de vivo alcança, desde José Águas, de José Torres (o Canadá Dry), passando por Jordão, Artur Jorge, Maniche, Mats Magnusson, Rui Águas, Pierre Van Hooijdonk. É também assim, através da perpetuação de um modelo de jogo que, com as adaptações necessárias aos tempos que mudam e à evolução do futebol, se transmite de geração em geração, passando a constituir, também ele, “heritage”, património do clube, que se contribui para a construir e cimentar a tal “mística”, que por defeito de formação e mania de ser diferente prefiro chamar de cultura e filosofia de empresa. Sven Goran Eriksson, inteligente e cosmopolita, percebeu-o depressa; recusou um qualquer brasileiro que Fernando Martins lhe queria impingir e foi buscar Michael Maniche. Fernando Santos, benfiquista de sempre e por isso nado e criado nessa cultura - e profissional competente – tinha-o aprendido desde o berço; por isso foi buscar Cardozo, independentemente das reservas que se possam colocar quanto à sua valia enquanto jogador (e eu já por aqui as coloquei e não retiro uma vírgula ao que escrevi). Será agora o tempo e o momento de Rui Costa fazer entender isto mesmo no seu clube de sempre.