Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
sexta-feira, setembro 19, 2008
Será que um vírus do "Gato Maltês" infectou José Pacheco Pereira?
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Aqui se explica a JPP porque para o "bom povo" (e não só) a licenciatura do 1º ministro e as suas casas tipo "maison" não são bem a mesma coisa
Em primeiro lugar, para o “povo” uma licenciatura “comprada” ou “de favor” - licenciatura para muitos inatingível e que corresponde ao passaporte para uma vida mais desafogada e para a ascensão social - é algo só ao alcance dos ricos e poderosos, daqueles a quem o dinheiro ou o relacionamento social, cuja obtenção é muitas vezes vista como ferida de ilicitude, concederam esse privilégio. Mais ainda, é olhada como uma concorrência desleal por quem, por ausência de meios ou de capacidade, não tem possibilidades de a obter, ou tendo-as, constata uma dualidade entre os sacrifícios por si feitos, em seu favor ou dos filhos, e as facilidades concedidas a outrém. Portanto, o “esquema” que parece transpirar do processo de licenciatura do primeiro-ministro é algo que os fere no mais íntimo do seu ser, perante o qual sentem uma mal contida repulsa epidérmica.
Já na questão dos “projectos” a realidade é bem diferente: trata-se de um pequeno estratagema, como tantos outros, algo nas margens da legalidade mas a quem todos já recorreram ou sabem um dia poder vir a ter de recorrer para lhes resolver um qualquer problema na Câmara, na “Junta”, na “regedoria” se ainda a houvesse. É algo do dia-a-dia, com quem têm uma relação de proximidade e sabem é comum e tacitamente aceite. Que faz parte da sua vida, que também lhes pertence. Aliás, basta olhar para as fotografias das casas para perceber isto mesmo, como isto faz parte do seu pequeno mundo, tal como também o faz a pequena corrupção local, nas Câmaras e nas “Juntas”, mas de que são também elemento essencial e tantas vezes beneficiários para “ultrapassar a burocracia desses gajos lá de Lisboa que nunca aqui vieram e não conhecem a realidade do país”.
É claro que a um outro nível, o das elites urbanas e educadas, o facto de o jornal ser propriedade de quem é e isso, verdade ou mentira, poder pressupor pressões e desígnios “insondáveis” (mesmo que se esteja a ser injusto no julgamento) também em nada ajuda á valorização da notícia, como não ajuda o facto de ser a segunda investigação ao passado do primeiro-ministro com idêntica origem, mesmo que ambas sejam, como de facto o são, peças jornalísticas de qualidade e bem fundamentadas que em nada se confundem com o sensacionalismo tablóide.
É esta a realidade, mais do que qualquer tentativa governamental de desvalorizar e calar o assunto - que, claro, tudo leva a crer também exista. Uma injustiça, talvez, mas como seria o mundo sem elas? Provavelmente, sem qualquer tipo de “charme”.
quinta-feira, dezembro 13, 2007
A "noite" do Porto...
Na “Quadratura do Círculo” de ontem (SIC Notícias), Pacheco Pereira afirmou que os recentes acontecimentos na “noite” do Porto estão de certo modo ligados ao que ele sugeriu serem as relações espúrias entre alguma actividade económica (construção civil, por exemplo) e claques de futebol (mormente FCP), promiscuidade essa especialmente fomentada no tempo em que o PS era dominante na Câmara do Porto e à qual Rui Rio veio, de certo modo, pôr termo. Mais ainda, afirmou Pacheco Pereira ser um fenómeno específico da cidade do Porto (peço desculpa se o rigor não é total mas penso consegui exprimir, na generalidade, o que pensa e disse JPP) e que é sintomático que o filme “Corrupção” tenha por cenário a cidade.
Em primeiro lugar a minha “chapelada”: JPP consegue condensar numa frase, que é também um programa político, a defesa do seu amigo Rui Rio e o ataque a dois dos seus principais inimigos de estimação: a “futebolite” (a expressão é dele) e o Partido Socialista. Mas tem razão! Tem mesmo toda a razão, só que as suas afirmações se limitam a ser uma mera, embora verdadeira e tocando onde mais dói, constatação da realidade, e há que levar a análise um pouco mais longe, tentando encontrar as razões profundas dessa – vamos chamar-lhe assim – especificidade portuense. Pois vamos a isso, começando por afirmar que nada me liga ao Porto, cidade onde me desloquei maioritariamente por questões profissionais, onde nunca vivi e com a qual não mantenho laços familiares ou de excepcional afectividade.
Algumas pessoas do Porto costumavam dizer-me que Lisboa era uma cidade aristocrática e o Porto uma cidade burguesa, o que, podendo à primeira vista ser considerado uma versão do lugar comum “Porto, capital do trabalho” (todas as cidades portuguesas são, hoje em dia, capitais de qualquer coisa – até as Caldas da Rainha...?!), contém em si algo de verdadeiro: historicamente, Lisboa, capital do império, sempre foi a cidade da Administração, da Banca e dos grandes grupos económicos ligados ao capital financeiro e à aristocracia (Alfredo da Silva, por exemplo, casou a filha com o conde do Cartaxo, D. Manuel de Melo) e o Porto do empreendorismo burguês, mais individualista, mercantil e exportador. A própria localização das duas cidades parece não ser alheia a estes modelos, sendo que para as fábricas da zona de Lisboa emigram os proletários agrícolas do Alentejo e Ribatejo, sem terra, ou até camponeses das Beiras que pela distância perdem mais facilmente as suas ligações às “terras” de origem, e o Porto recruta a sua mão de obra no minifúndio circundante, onde essa ligação à terra se mantém e os proventos dela retirados ajudam à manutenção dos baixos salários numa indústria de pouco valor acrescentado. Também nas mulheres, fruto de uma indústria considerada mais “vocacionada” para a mão-de-obra feminina (têxteis, etc) e onde o salário assume muitas vezes a forma de um complemento ao rendimento familiar. É isto que, em traços muito gerais e grosseiros, o 25 de Abril vai encontrar, tendo como resultado uma muito maior implantação do PCP e "esquerda revolucionária" naquilo que passou para a história do PREC, e não só, como a “Cintura Industrial de Lisboa”. Mas como, com este “arrazoado” mais ou menos histórico, queremos chegar aos homicídios da noite portuense? Vamos ver...
É esta estrutura empresarial e social que faz com que a luta contra a hegemonia do PCP no pós 25 de Abril se venha a “centrar” no norte, muitas vezes com recurso a algum bas fond da região para determinado tipo de acções mais marginais, nas margens da legalidade mas, por necessidade, reconhecidas e incentivadas. É também este tipo de estrutura empresarial e estes acontecimentos históricos que vão dar origem a uma hegemonia económica do norte nos tempos subsequentes, tendo como ponta de lança e cimento ideológico o Futebol Clube do Porto na sua luta, também ela nem sempre clara e muitas vezes recorrendo a métodos mais ou menos subterrâneos, contra a “capital”, e constituindo a sua principal claque, com as suas ligações espúrias, uma “tropa de choque” (SturmAbteilung) disponível. É a partir da estrutura política do Partido Socialista no Porto e em aliança com ela, aliança começada a forjar durante o PREC e na luta contra o PCP por si maioritariamente dirigida (muitos futuros dirigentes do PS portuense, como Fernando Gomes, nascem aí), que este “modelo” alcançou força e influência políticas. É o empreendorismo e individualismo do norte, o seu espírito de iniciativa fundado em razões históricas e tão presente na sua estrutura empresarial onde a pequena empresa é elemento constitutivo essencial - e exemplo do sucesso desse esforço individual - que fomenta a livre iniciativa e ânsia de enriquecimento rápido, o que tendo muito de positivo, claro, também impele, numa região onde a formação escolar é tradicionalmente baixa, ao recurso a expedientes e actividades facilmente lucrativas mas nem sempre legítimas, muitas vezes ilegais ou, pelo menos, situadas na área da economia subterrânea. Por fim, é o menor cosmopolitismo do Porto ou até mesmo um certo provincianismo social, um certo novo-riquismo com raízes já fundas e moldado por esta estrutura, que tornará o negócio “da noite”, com características que bem o diferenciam de Lisboa, especialmente apetecível e lucrativo, porque muito frequentado e também ao abrigo de um estatuto de alguma impunidade estabelecido pelas cumplicidades ao longo dos anos forjadas e pelas interdependências tecidas.
Pois voltemos então ao princípio: tem razão José Pacheco Pereira (um portuense) quanto às especificidades da “noite” do Porto. Foi este o “caldo de cultura”, este entrelaçar de vários tráficos de influência e cumplicidades várias forjadas ao longo de anos, que, aqui traçado na forma de um esboço ligeiro, esteve e está na base dos acontecimentos recentes, o que torna o caso bem mais melindroso e de resolução complexa e prova, uma vez mais, como se isso fosse necessário, que tudo tem duas faces: muito do que jogou a favor da democracia, em determinado tempo e contexto históricos, joga agora contra ela. “Cruel dilema”, como diria Vasco Santana!
quarta-feira, outubro 31, 2007
Pacheco Pereira, o tratado e o PSD
segunda-feira, outubro 15, 2007
Pacheco Pereira e o referendo ao Tratado Europeu
quinta-feira, agosto 23, 2007
Um "post" ainda mais "silly"
Sim, eu sei que é mesmo silly season. Mesmo muito silly – e a PJ nunca mais “deslinda” o caso McCann e a agitação no Benfica durou pouco (pelo menos, até ver). Mas será que temos mesmo de ocupar o nosso tempo de veraneio com os ataques e contra-ataques dos defensores do governo e da oposição (leia-se PSD) tendo estes últimos como pretexto uns idiotas que destruíram um hectare de milho transgénico e aqueles outros uns financiamentos, do tipo “rabo escondido com gato todo de fora”, de uma empresa ao PSD, do tipo “mas sou só eu, cadê os outros”? E será que José Pacheco Pereira e Vital Moreira, “pontas de lança” das respectivas equipas na "blogosfera", não têm mesmo mais nada com que se entreter? Livra!...
segunda-feira, julho 23, 2007
Pacheco Pereira e a crise dos partidos
Um dos problemas gerados pela necessidade rápida de implantação, em todo o território nacional, dos partidos que se opunham ao PCP no pós 25 de abril foi o seu crescente domínio pela província e, assim, por gente, por um lado, talvez bem intencionada mas mal preparada politicamente e, por outro, por arrivistas que viram aí uma oportunidade única de se afirmarem social e financeiramente, numa sociedade com uma classe média frágil em número e “educação”, tão mais frágil quanto mais caminhamos para a base da pirâmide afastando-nos daqueles que eram – e ainda são, apesar de tudo – os centros onde mais se concentram as elites (Lisboa e Porto). Esse domínio, moldando a cultura e o way of doing the things partidário, foi apenas mais uma das razões que contribuiu para “expulsar” os melhores e mais bem preparados politicamente, com uma visão mais “larga”, estratégica e cosmopolita da “coisa pública”, tal como... o próprio José Pacheco Pereira.