Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
quinta-feira, março 06, 2014
"Nós somos o poder"?
quarta-feira, dezembro 19, 2012
"Empobrecimento", terceiro-mundismo e forças de segurança
segunda-feira, julho 09, 2012
"Mais rápidos do que a própria sombra"
quinta-feira, agosto 11, 2011
À atenção da PSP, GNR e populismo ultra-securitário
Nota: vale a pena ler a entrevista na íntegra.
domingo, junho 12, 2011
A fusão das polícias ou "era bom, não era?"
quarta-feira, dezembro 22, 2010
O triste espectáculo de duas forças de segurança
terça-feira, outubro 27, 2009
A GNR e o estado de direito democrático (uma vez mais, infelizmente)
Apenas três perguntas a propósito desta notícia, já que começo a estar um pouco farto de bradar no (quase) deserto:
- O alegado traficante disparou contra os agentes da GNR ou outros quaisquer cidadãos pondo em grave risco a integridade destes?
- O tráfico de droga, uma vez provado nos tribunais competentes, é passível de condenação à morte?
- Podem as forças policiais, num estado de direito democrático, ser elas próprias a definir e aplicar as penas?
Ficam as perguntas e, como habitualmente nestes casos, aguardo pacientemente os impropérios. Mas - que querem? - não consigo deixar de tentar fazer de Portugal um país civilizado.
quarta-feira, abril 01, 2009
GNR: o que acontece a militares que decidem injuriar em público o respectivo ministro?
Acabo de ler no “Público” que na manifestação de ontem organizada pela Associação de Profissionais da Guarda (APG) cerca de um milhar de manifestantes terão chamado “mentiroso” ao Ministro da Administração Interna, Rui Pereira. Sejamos claros. A Guarda Nacional Republicana é um corpo de segurança militarizado, sujeito, portanto, à respectiva disciplina. Em minha opinião, mal, já que não consigo compreender por que razão a segurança dos cidadãos está em certas zonas a cargo de uma polícia civil (a PSP) e noutras de um corpo militar (a GNR), como se existissem cidadãos de primeira e de segunda. Mas é assim, infelizmente, e enquanto assim for os elementos da GNR, mesmo na sua luta, justa ou injusta não me cabe aqui pronunciar, estarão (ou deverão estar) sempre sujeitos a esse mesmo regulamento disciplinar e às sanções nele previstas pelo seu incumprimento. Estranho, portanto, que num estado de direito democrático não só os elementos de uma estrutura militar tenham direito a manifestar-se na via pública como qualquer outra organização sindical civil (incluindo os sindicatos da PSP, já que esta é uma polícia civil) como, inclusivamente, a injuriar a sua hierarquia, neste caso o respectivo ministro da tutela, Rui Pereira. Gostaria de saber o que seria e aconteceria se as associações e membros das forças armadas, ou de qualquer das suas “armas”, desfilassem na rua injuriando o ministro Severiano Teixeira ou os respectivos chefes de estado-maior.
Não nego que, à semelhança do que acontece com as forças armadas, os militares da GNR tenham todo o direito às suas associações profissionais. Mas estas deverão essencialmente, numa organização militar como a GNR, agir junto das respectivas hierarquias na defesa dos interesses e melhoria das condições de trabalho dos seus associados e nunca, por nunca, ser confundidas, nos seus objectivos e modelos de funcionamento, com quaisquer outro tipo de organizações sindicais civis, mesmo as representativas da PSP, sob pena de subversão e/ou enfraquecimento do papel que compete à GNR e às estruturas militares na defesa do estado de direito democrático e da segurança dos cidadãos.
Fico, pois, a aguardar quais as consequências para os actos praticados.
sexta-feira, março 13, 2009
Segurança, criminalidade e a ausência de quaisquer ilusões
- A oposição à esquerda (PCP e “Bloco”) vai afirmar a culpa cabe inteirinha à crise e ao desemprego, ás políticas “neo-liberais”, ao novo código de trabalho, à falta de integração dos imigrantes, esquecendo que embora tudo isso possa ter a sua influência está muito longe de constituir explicação cabal ou até principal.
- O PSD dirá que a culpa é do governo e do ministro Rui Pereira e ponto final, para não se baralhar demasiado com propostas que, de facto, não tem ou nada acrescentam.
- O PS e o governo vão tentar assobiar para o lado, dizer que contrataram mais polícias (como se isso resolvesse algo de fundamental), que grande parte da responsabilidade é da crise internacional, que Portugal ainda é um país seguro (o que é verdade) e tratarão de passar adiante, tal cão em vinha vindimada pois o assunto em causa lhes não convém. Um dia destes lá virão anunciar algumas medidas para sossegar os espíritos, pois me parece bem ser este um campo onde se podem perder uns milhares votos.
- O PP estará nas suas populistas “sete quintas”, clamando contra a imigração, a favor da musculação das polícias e apelando a penas agravadas, esquecendo Paulo Portas (que é jurista) aquilo que eu (que não sou jurista) bem sei: que não existe correlação entre a gravidade das penas e a criminalidade violenta.
- As associações sindicais das polícias tentarão colher frutos e benefícios, chamem-se eles mais “meios” (dinheiro, carros, armas novas), limitações aos direitos liberdades e garantias (leia-se, por exemplo, adoptar a prisão preventiva como pena sem julgamento) ou, mais prosaicamente, o direito a disparar a matar sobre quem lhes apareça pela frente, de preferência crianças, pretos, ciganos ou brasileiros.
- Ah!, e há o OSCOT do senhor general Garcia Leandro, que encontrará aqui algum motivo para uns minutos de tempo de antena e para justificar a sua preguiçosa existência.
Sejamos claros: o aumento da criminalidade (do actual tipo de criminalidade, moderna e organizada) é consequência da terciarização da sociedade portuguesa, da sua rápida passagem de uma sociedade rural e tradicional a urbana e suburbana, da sua transformação numa sociedade mais aberta e cosmopolita, da imigração gerada pelo desenvolvimento e pelo crescimento, da integração europeia, o que significa ser o preço a pagar pelo maior bem-estar geral e pela modernidade. É, digamos assim, uma “doença” de civilização. Alguém quer voltar atrás?
Mas também, note-se, tudo isto é agravado por um modelo de desenvolvimento que gerou bem estar mas simultaneamente enormes desigualdades, bolsas suburbanas de exclusão mal resolvidas pelo Estado com a criação de guetos, por forças policiais ainda (apesar dos progressos registados) pouco profissionais e uma GNR militarizada e, principalmente, por governos e políticos demasiado sensíveis aos apelos dos vários populismos, tentando resolver não os problemas “de facto”, de forma consequente, mas actuando ao ritmo da opinião pública e publicada dos tablóides e do “povo da SIC. Assim será mais uma vez, todos o sabemos sem alimentar quaisquer ilusões.
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Acidentes de trânsito, prevenção e GNR
terça-feira, agosto 26, 2008
O governo, o "sentimento geral de insegurança" e os "media" - nota adicional
sexta-feira, agosto 22, 2008
Os polícias e o estado de direito
Segundo o Rádio Clube, “os polícias estão frustrados com as novas leis penais e lamentam que haja cada vez mais suspeitos de crimes que são detidos, vão a tribunal, mas voltam para a rua”.
Dois comentários:
- Para os polícias, o estado de direito democrático – a separação de poderes, o primado e a proporcionalidade das leis, a independência dos tribunais, a presunção de inocência, etc - são um incómodo. Por eles, investigavam, julgavam, prendiam e ninguém pensava mais no assunto. Nada de que já não suspeitássemos pelo que "vemos, ouvimos e lemos" dos últimos processos mediáticos e do livro do Inspector Amaral, mas assim, preto no branco, tudo fica bem mais claro. Estamos conversados... É que até mesmo a PIDE não abdicava de um arremedo de tribunal.
- Se isso acontece, isto é, se os suspeitos são libertados, será que os nossos polícias já alguma vez pensaram se terão investigado correctamente e produzido as provas adequadas a serem aceites como válidas em tribunal? Vá lá, pensem lá nisso um pouco no intervalo dos tais "safanões dados a tempo"... Depois de se habituarem a pensar... vão ver que não custa nada e até pode ser que se habituem!
quarta-feira, agosto 13, 2008
Uma história de violência (VIII)
terça-feira, agosto 12, 2008
Uma história de violência (VII) - o silêncio dos partidos
Sendo a questão da criminalidade e segurança, bem como o crescente sentimento de largos sectores população no sentido de aceitação de uma deriva securitária crescente que possa mesmo pôr em causa certos elementos definidores do estado de direito, uma questão sem dúvida importante na sociedade portuguesa actual, pouco interessando para o caso que esse sentimento seja claramente desproporcional face à efectiva dimensão do problema, estranho, mesmo tendo em conta a desculpa da silly season, o silêncio dos partidos sobre o assunto.
Parece que finalmente o BE se pronunciou, pela voz de Fernando Rosas e isso é de saudar, bem como a sua posição que reputo de maioritariamente correcta, mas o BE é um partido minoritário no Parlamento e na sociedade portuguesa não estando eu certo que as suas convicções democráticas e em favor do estado de direito sejam assim tão enérgicas em outras áreas da política e da governação. Não tendo grandes dúvidas sobre qual será a posição de princípio do CDS/PP, gostava de ouvir a opinião dos dois principais partidos sobre o assunto – e não apenas a do governo pela voz do ministro das polícias -, para não me ver obrigado a interpretar este silêncio ensurdecedor como mais um acto de cobardia política.
Uma história de violência (VI)
Obrigar um pré-adolescente de onze ou doze anos a participar num acto criminoso, como um assalto, é um acto ignóbil e deve, por si só, merecer punição legal, para além da que é devida ao acto criminoso em si. Mas atenção: a responsabilidade pela sua integridade física não se esgota em quem o integrou nesse acto criminoso. Para ser mais concreto, e no caso de Loures, não se pode afirmar “a responsabilidade pelo acontecido é dos pais” e... ponto final! Polícia e criminosos não são face e verso de uma mesma realidade. Estes agem à margem da legalidade, àquela compete-lhe fazer cumprir a lei de um estado democrático e direito, estando também a ela sujeitos. Por isso mesmo, não podem fazer justiça pelas próprias mãos e devem ter como objectivo último levar os alegados criminosos a responder pelos seus actos perante os tribunais competentes e as leis da república, com todas as garantias de defesa previstas mormente aquela que afirma que até prova em contrário todos os cidadãos são inocentes e que todos são iguais perante a lei e têm direito a uma defesa justa. Mais ainda, essa pena deve, também ela, ser proporcional ao crime em causa. Em função desse seu estatuto e desse objectivo último, devem as polícias usar da força com parcimónia e apenas com a proporcionalidade necessária ao cumprimento desse seu desiderato, pelo que - e o que vou dizer será politicamente incorrecto – será mesmo preferível deixar escapar meia-dúzia de criminosos de 2ª ou 3ª extracção com igual meia-dúzia de milhares de euros a pôr em risco a vida de uma criança ou de outros cidadãos inocentes. Mesmo em relação a eventuais criminosos, constitui uma clara desproporção de forças e desrespeito pela lei atirar a matar num caso como o do assalto de Loures. É tudo isto que distingue a civilização da barbárie, uma polícia competente e profissional de um bando de malfeitores.
Nota: muitos daqueles que agora glorificam as acções das polícias nos casos do BES e de Loures, que estão muito longe de serem casos de grande criminalidade organizada ou terrorismo, incentivando-as à justiça por conta própria, serão os mesmos que espumam de raiva nos diversos fóruns de “opinião pública” contra os “ricos e poderosos”, os “grandes tubarões” e “grandes criminosos e corruptos” que nunca são presos ou condenados preocupando-se a polícia apenas em “apanhar” o “peixe miúdo”. O problema não é deles, que não sabem o que dizem. o problema é de quem, com responsabilidades governativas, cede a este tipo de comportamentos e atitudes demagógicas.
segunda-feira, agosto 11, 2008
Uma história de violência (V)
Só quem não conheça o triste registo das polícias neste país bem expresso nos sucessivos relatórios da Amnistia Internacional, a sua tradicional falta de profissionalismo e preparação que tem como resultado a facilidade com que carregam no gatilho acertando em tudo o que mexe, ou então, como foi o caso, quem perfilha a demagogia mais rasteira, poderia pensar que a forma como foi gerida e inconscientemente louvada a participação da PSP no assalto à dependência do BES não traria, mais dia menos dia, maus resultados e desastrosas consequências. Infelizmente, mais cedo do que esperava quando escrevi este post sobre o modo como um dos piores e mais desastrados ministros deste governo, Rui Pereira (um autêntico “chega-me isso” do PS) geriu o acontecimento. Aguardo com interesse o que dirá agora e qual a sua autoridade para tomar as decisões que, neste caso, se justificam. Escancarou a caixa de Pandora; agora que a feche, se for capaz.
segunda-feira, maio 05, 2008
Ainda a unificação das polícias
terça-feira, março 25, 2008
As pulsões autoritárias ("there's something in the air")
domingo, novembro 25, 2007
Em louvor do Inspector - Geral da Administração Interna
Pedra de toque importante na “civilidade” e qualidade de uma democracia é o modo como actuam e se comportam as suas polícias, a forma como se relacionam e interagem com os cidadãos e a sociedade, como se comportam no cumprimento dos seus deveres de combate à criminalidade e protecção dos cidadãos. O seu grau de profissionalismo e preparação, a adequação, em termos da proporção dos meios empregues, a cada uma das situações que enfrentam. Pela sua própria natureza e registo histórico, principalmente num país de larga tradição autoritária e de grau de educação abaixo de sofrível, a tendência para o autoritarismo, para a assunção fácil de uma política de intimidação e intolerância autistas em vez do objectivo de servir o cidadão, de arrogância para com alguém que até há bem pouco era “um seu igual” na modéstia, ou de vingança perante os que, por nascimento, educação ou dinheiro, sempre se habituou a invejar, são riscos enormes que só uma preparação de qualidade e um rigoroso controle permanente, sem transigências, permitem minimizar. Daí a extrema importância da entrevista ao “Expresso” do Inspector Geral da Administração Interna, Clemente Lima, que reputo de notável como exemplo de cidadania e empenhamento no caminho para um país mais civilizado, uma sociedade mais aberta e tolerante. Está lá tudo o que nos devia preocupar: a existência de uma polícia de carácter militar (para cidadãos de 2ª?) a par de uma outra civil; a desproporção dos meios muitas vezes utilizados contra delitos menores, inclusivamente o uso indiscriminado de armas de fogo; o desrespeito e a desconsideração pelo cidadão; a relativa impunidade dos agentes que prevaricam; o exibicionismo gratuito; os gastos inúteis e a falta de preparação técnica; a mentalidade obsoleta. Por fim, a proposta assumida de um futuro apenas com uma polícia, civil. É uma entrevista contra a corrente, quando o sentimento dominante na sociedade, mesmo dentro de uma esquerda normalmente mais liberal a anti-securitária (daí algum silêncio desta?), é no sentido de um reforço dos métodos e das práticas. Fez bem, o cidadão Clemente Lima: faz-nos acreditar no primado da inteligência e num país ainda com futuro. Respirável. Civilizado.