Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
segunda-feira, abril 23, 2012
O ex-inspector Cristovão e o seu "assassinato público"
domingo, junho 12, 2011
A fusão das polícias ou "era bom, não era?"
sexta-feira, agosto 22, 2008
Os polícias e o estado de direito
Segundo o Rádio Clube, “os polícias estão frustrados com as novas leis penais e lamentam que haja cada vez mais suspeitos de crimes que são detidos, vão a tribunal, mas voltam para a rua”.
Dois comentários:
- Para os polícias, o estado de direito democrático – a separação de poderes, o primado e a proporcionalidade das leis, a independência dos tribunais, a presunção de inocência, etc - são um incómodo. Por eles, investigavam, julgavam, prendiam e ninguém pensava mais no assunto. Nada de que já não suspeitássemos pelo que "vemos, ouvimos e lemos" dos últimos processos mediáticos e do livro do Inspector Amaral, mas assim, preto no branco, tudo fica bem mais claro. Estamos conversados... É que até mesmo a PIDE não abdicava de um arremedo de tribunal.
- Se isso acontece, isto é, se os suspeitos são libertados, será que os nossos polícias já alguma vez pensaram se terão investigado correctamente e produzido as provas adequadas a serem aceites como válidas em tribunal? Vá lá, pensem lá nisso um pouco no intervalo dos tais "safanões dados a tempo"... Depois de se habituarem a pensar... vão ver que não custa nada e até pode ser que se habituem!
domingo, agosto 10, 2008
Hercule Poirot e Gonçalo Amaral
quinta-feira, julho 24, 2008
Inspector Gonçalo Amaral: um exemplo de empreendorismo!
segunda-feira, maio 05, 2008
Ainda a unificação das polícias
sexta-feira, outubro 05, 2007
"Madeleine McCann e o Caso do Polícia Falador"
- Infelizmente para todos, e por via do chamado “caso Joana”, os antecedentes recentes da PJ de Portimão e do inspector Gonçalo Amaral estão longe da reputação inatacável.
- Desde o seu início, desde a própria noite do desaparecimento de Madeleine McCann (não será necessário adiantar as razões: são de todos bem conhecidas) que o caso continha em si todos os ingredientes para se tornar de resolução difícil, mediático (pior, feito à medida dos tablóides ingleses) e com repercussões internacionais. Requereria, pois, o maior bom senso, sobriedade e rigor no seu tratamento por parte da PJ, seja, colaboração imediata da polícia britânica, com meios mais sofisticados e actualizados e larga experiência em casos semelhantes (basta ver com regularidade a Sky News e acompanhar algumas séries policiais inglesas que, ficção à parte, acabam por reflectir o que se passa na sociedade), preservação do local do crime, não subalternização de nenhuma hipótese ou potencial suspeito credíveis e, uma vez que estamos a falar de cidadãos de um outro país, com hábitos e cultura diferentes, e de um caso que envolve algo de sentimentalmente doloroso como o desaparecimento de uma criança, algum pudor nos comportamentos do “dia a dia” que, por exemplo, evitasse o triste espectáculo dos prolongados almoços com vinho e whisky que caíram como “sopa no mel” na voracidade dos tablóides ingleses - e não só.
- Como se sabe, a PJ de Portimão não só não actuou neste registo como, desde o princípio e através de comentadores ex-inspectores e outros Flores, nos tentou vender a tese da “cabala” e da conspiração, das pressões neste ou naquele sentido (não será tempo de os portugueses se convencerem, de uma vez por todas, que as ditas pressões fazem parte da nossa vida e saber trabalhar e decidir sob pressão é normalmente o que distingue os muito bons dos restantes?) que, normalmente, existam ou não, não são mais do que manifestação de impotência e capitulação face à resolução do projecto que se tem pela frente. A entrevista de Gonçalo Amaral foi apenas o último episódio dessa impotência.
- Também foi visível, durante todo o processo e com maior evidência quando elas pareciam tornar-se mais necessárias, a avareza com que governo, director da PJ e quem de direito prodigalizaram declarações de confiança e apoio à PJ de Portimão, seja por falta de confiança no seu trabalho ou por quaisquer outras razões. Para a opinião pública, a partir de determinado momento isso passou a ser um dado do problema; os operacionais da PJ ter-se-ão apercebido disso, por certo, bem mais cedo. Não me parece que tenham tido isso em atenção, e se o tiveram actuaram como não deviam.
- Independentemente da natureza do crime e de quem o cometeu, o que não vem agora ao caso, para a PJ de Portimão e para o inspector Amaral, por culpa própria, o caso só poderia acabar assim: uma vergonha e um enxovalho. Um atestado de incompetência.
terça-feira, setembro 18, 2007
O profissionalismo dos McCann e o "lado de cá"
Culpados ou não se verá (?), e esperemos a justiça seja capaz de o determinar sem qualquer ponta de dúvida. Mas algo se pode dizer desde já com toda a justiça e com uma grande chapelada: o enorme profissionalismo da defesa dos McCann, que actua com a precisão de um relógio e mexe as suas pedras com o rigor de um grande mestre do xadrez. Tudo acontece como e quando deve acontecer: o regresso a Inglaterra; o perfil dos advogados contratados; a mudança dos assessores de comunicação e o seu perfil e antecedentes; as notícias, nada inocentes, saídas nos media, mesmo nos portugueses - sendo escolhidos os mais “sérios” como o “Público” -, sobre casos anteriores e semelhantes em que se provaram erros judiciais; o surgimento de peritos altamente qualificados na área cientifica e, por fim, o foco no grande telhado de vidro da PJ que constitui o “Caso Joana”. E, claro, simultaneamente com tudo isto e em pano de fundo, a normal cooperação entre polícias, actuando a inglesa na sombra com o silêncio dos inocentes.
Todo um rigor e profissionalismo que me parece, por contraste, começar a abrir algumas brechas na coesão do lado da investigação, que durante alguns dias viveu e se alimentou de uma “fuga para a frente” talvez não inteiramente consistente em função dos dados recolhidos e parecendo eventualmente reversível: recusa do Conselho Superior da Magistratura a divulgar elementos sobre o caso; indecisões sobre futuras audições e recusa do juiz de instrução à sua audição em Portugal; demissão ou afastamento de Olegário Sousa; hipóteses fantasiosas sobre o destino do corpo(?) e afirmações ridículas e irrelevantes para o caso, sopradas para os media, sobre a personalidade de Kate McCann, o seu perfil psicológico e o relacionamento com os filhos.
Gostaria de ter a certeza que os responsáveis pela investigação têm a perfeita noção dos terrenos que pisam e do que está em jogo. Infelizmente, em função do que vejo e dos antecedentes, estou longe de ter essa mesma certeza. Esperemos, pelo menos, que a televisão do Serviço Público não volte a cair na armadilha Barra da Costa, seja ela qual for ou chame-se como se chamar. É que é o mínimo...
segunda-feira, setembro 10, 2007
Vamos avaliar a PJ?
Bom, de qualquer modo, tendo dito isto e sabendo que, no fim do dia, a avaliação última tem necessariamente que ver com a resolução dos casos que investiga, penso seria este o momento indicado para algum escrutínio mediático sobre a nossa polícia de investigação criminal, centrado em questões muito simples que nos permitissem lançar alguma luz sobre a sua efectiva excelência. Por exemplo, como são recrutados os seus membros? Qual a sua origem, formação de base e posterior evolução? Que cursos frequentam? Como é feita a formação interna? Existem protocolos com polícias estrangeiras para frequência de estágios, cursos de formação, troca de experiências (case studies), actualização, etc? Existem procedimentos institucionalizados de avaliação permanente dos seus membros? Como progridem nas suas carreiras? Como comparam as suas estruturas orgânicas e de funcionamento com as suas congéneres da UE? Com que frequência são efectuadas auditorias e avaliações externas?
Fiquemo-nos por aqui... Senhores jornalistas e “meios” de referência, alguém aceita o repto?