Ora agora imaginem lá que os vinhos passavam a ser identificados não pelo seu "terroir", pela sua denominação de origem, pelas castas com que são produzidos, produtor, enólogo responsável e assim sucessivamente, mas apenas pelas suas características, sejam, "taninoso", "encorpado", tipo de aromas e cor, "frutado", etc, etc. Achavam graça? Era essa a informação fundamental que queriam ter? Cá por mim, não acharia graça nenhuma, mas é isso que já acontece com o "café em pastilhas", que é identificado não pela sua origem, variedade (arábica ou robusta), lote de composição, etc, mas pelos adjectivos de "suave", "aromático, "encorpado" e por aí fora. Gostam assim? Pois, talvez gostem, mas o problema para mim é que beber café em casa de amigos (quase todos aderiram às "pastilhas") se tornou uma verdadeira tortura.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
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quarta-feira, janeiro 23, 2013
quarta-feira, dezembro 12, 2012
Do declínio da "bica"
Parece que a crise, o aumento do IVA e o café em "pastilhas" (vulgo "Nespresso") serão responsáveis por cerca de menos dez milhões de "bicas" vendidas este ano no chamado "on trade", isto é, fora de casa. Tudo más razões: a melhor razão para se beber mais vezes café em casa é que, se soubermos escolher um bom café e o formos moendo "au fur et à mesure" (e eu prefiro o Colômbia Supremo, o Arábica Maragogype, da América latina, ou o etíope Moka Harar), ele sabe muito melhor, feito em balão ou até naquelas pequenas cafeteiras prateadas de "ir ao lume". Para além disso, podemos bebê-lo confortavelmente sentados num sofá, a ler, conversar ou ver qualquer coisa de interessante na televisão. Só vantagens, pois claro.
quinta-feira, maio 17, 2012
Frivolidades para tempos de crise: o café
Os portugueses bebem muito café. E isto é apenas uma constatação. Mas será que gostam mesmo de café? Será que, em vez de irem ao supermercado da esquina e comprarem o Sical cinco estrelas do costume, são capazes de ir a uma boa loja de cafés, experimentarem ou fazerem eles os próprios lotes ou, como gosto de fazer, irem comprando cafés das suas várias origens, em grão, moendo mais ou menos à medida das necessidades e assim irem aprendendo a conhecer as suas diferenças? E será que preferem um bom café de balão ou "saco" feito em casa ao "expresso" indiferenciado da cafetaria do bairro? Tenho dúvidas, mas serve tudo isto para dizer a quem efectivamente gosta de um bom café e não prescinde do açucar que se deixe dessa história de açucar branco ou amarelo, mais ou menos refinado. Só existe no mundo um tipo de açucar adequado para o café, que não altera, interfere muito pouco e até realça os seus sabores e aromas, e esse é o açucar em cristais, como o da fotografia acima.
Claro que, em época de crise, me vão perguntar se tudo isto não acaba por se tornar bem mais caro... Claro que não, desde que não opte pelo Jamaica Blue Mountain ou pelo Kona (chama-se e escreve-se mesmo assim) do Hawaii (por exemplo, sugiro o Colômbia Supremo, o Arábica Maragogype da Guatemala ou o Moka Harrar etíope). E até pode ficar bem mais barato desde que abdique dos inexpressivos "expressos" bebidos regularmente na leitaria do bairro. Bebe melhor café, com maior sofisticação, no conforto de sua casa e ainda poupa dinheiro. Uma verdadeira "quadratura do círculo".
segunda-feira, dezembro 10, 2007
Os portugueses e o café...
Comecei a beber café muito novo, para aí com 12 ou 13 anos ou coisa do género. Talvez por influência do meu pai, quando, por vezes, o acompanhava, ao fim da tarde, nas tertúlias do “Belenenses”, o clube da tradição familiar, que se reuniam no café Nicola; talvez por hábito de me sentar ao lanche junto da cama de uma das minhas avós durante a sua doença; talvez por causa da loja de chás e cafés, a poucos metros de casa dos meus pais, onde passava diariamente e de onde vinha um cheiro de que gostava, aproveitando para ficar alguns minutos a ver na montra os montinhos de café de vários lotes e com nomes sugestivos, os rebuçados Heller coloridos e os bombons da Regina com corações desenhados no papel de prata em que se embrulhavam e que as raparigas tinham por hábito (“possidoneira” suprema, diga-se) guardar entre as folhas dos livros. Talvez por nada disto, e tudo o que disse não passem de memórias quase esquecidas de infância sem qualquer influência no hábito, mas o que é certo é que lá em casa o café era omnipresente, trazido em grão e moído na altura desse mesmo Nicola quando, em época pré- supermercados, apenas aí os seus lotes se vendiam.
Serve este intróito para dizer quanto estranho o hábito, tão português, de sair após almoço ou o jantar para beber um “expresso”, não mais do que sofrível, no café da esquina, normalmente local pouco ou nada acolhedor ou recomendável, em vez de, em balão ou apenas naquelas pequenas cafeteiras prateadas de “ir ao lume”, beber um bom café (prefiro o “Moka Harrar” ou o "Colômbia Supremo", já que o Kona havaiano ou o Blue Mountain da Jamaica têm preços que desencorajam qualquer mortal sem aspirações a novo-rico emergente) sentado no meu confortável sofá da sala, acompanhado por um pequeno quadrado de chocolate preto e, por vezes, um excelente LBV não filtrado. Será que isto significa que não bebo café fora de casa? Claro que bebo, excepto no Algarve onde a qualidade da água torna o "beber um café fora" um sacrifício semelhante ao óleo de fígado de bacalhau. Mas normalmente faço-o de manhã, quando saio, já que o pequeno almoço, excepto ao fim de semana, não é normalmente dado às “grandes calmas” de degustar um bom café. Ou se almoço ou janto fora, claro. Mas isso de sair do conforto de uma casa e de um bom café em troca de um balcão frio e barulhento, ou então – nova moda – importar para dentro de casa o hábito do expresso ou do café em pastilhas, sem denominação de origem, do George Clooney, é pelo menos tão mau como o chá em saquetas, que está para o verdadeiro chá como o café solúvel ou o descafeínado estão para o café. Bom, mas isto do chá já outra conversa que fica para ocasião mais propícia.
Serve este intróito para dizer quanto estranho o hábito, tão português, de sair após almoço ou o jantar para beber um “expresso”, não mais do que sofrível, no café da esquina, normalmente local pouco ou nada acolhedor ou recomendável, em vez de, em balão ou apenas naquelas pequenas cafeteiras prateadas de “ir ao lume”, beber um bom café (prefiro o “Moka Harrar” ou o "Colômbia Supremo", já que o Kona havaiano ou o Blue Mountain da Jamaica têm preços que desencorajam qualquer mortal sem aspirações a novo-rico emergente) sentado no meu confortável sofá da sala, acompanhado por um pequeno quadrado de chocolate preto e, por vezes, um excelente LBV não filtrado. Será que isto significa que não bebo café fora de casa? Claro que bebo, excepto no Algarve onde a qualidade da água torna o "beber um café fora" um sacrifício semelhante ao óleo de fígado de bacalhau. Mas normalmente faço-o de manhã, quando saio, já que o pequeno almoço, excepto ao fim de semana, não é normalmente dado às “grandes calmas” de degustar um bom café. Ou se almoço ou janto fora, claro. Mas isso de sair do conforto de uma casa e de um bom café em troca de um balcão frio e barulhento, ou então – nova moda – importar para dentro de casa o hábito do expresso ou do café em pastilhas, sem denominação de origem, do George Clooney, é pelo menos tão mau como o chá em saquetas, que está para o verdadeiro chá como o café solúvel ou o descafeínado estão para o café. Bom, mas isto do chá já outra conversa que fica para ocasião mais propícia.
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