domingo, junho 05, 2011

As opções políticas de Isabel Jonet

Com as suas afirmações de hoje à TSF, criticando o Estado Social (o que me espanta, vindo de uma católica, mas parece que a tradição já não é o que era), Isabel Jonet assumiu opções claramente políticas que remetem para os papéis que Estado e organizações de solidariedade social devem desempenhar nas democracias modernas, para elas arrastando a instituição (Banco Alimentar Contra a Fome) que tem vindo a dirigir com indiscutível sucesso. Está no seu pleníssimo direito e tal constitui até um acto clarificador, que saúdo. Mas não me reconhecendo nas afirmações de Isabel Jonet e não compartilhando de tal visão da sociedade, nem admitindo que a minha colaboração consubstanciada no esparguete e no azeite entregues graciosamente seja utilizada para tais fins de natureza política com os quais discordo, será também em função dessa clarificação, assim assumida, que a partir de agora passará a contar com menos um cidadão cooperante. Lamento.

8 comentários:

Anónimo disse...

E somos dois a menos cidadãos cooperantes. A srª deve ter ir jantar com um tal de Catroga e..."passou-se". Se calhar discutiram pintelhos

Nuno Manuel Costa disse...

Estou plenamente de acordo!
Também eu vou rever a minha colaboração com o BA.

Abraço.

ié-ié disse...

Completamente de acordo, JC! Mas foi na entrevista na TVI ao MRS que fiquei desapontado. Parecia o "Nobre de saias". E se eu revi a minha colaboração com a AMI, também o vou fazer com o Banco Alimentar! Mas na próxima que me tentarem entregar um saco, digo mesmo que me recuso em protesto contra as declarações da senhora. E vou deixar o meu protesto no site deles.

LT

JC disse...

Ainda a semana passada tinha colaborado. Mas vou fazer o mesmo: na próxima vez recusarei o saco e darei as devidas explicações.

Anónimo disse...

Sem deixar de concordar com as razões expostas, caro JC (confesso que também nunca tive muitas dúvidas sobre o entendimento que a senhora faria da sua acção "assistencialista"), vou continuar a aceitar o saco e a tentar pôr comida lá dentro. não é a Jonet que a come nem é para ela, ou por ela, que o faço, mas por todos os que precisam mesmo e a quem o BA consegue chegar de modo eficaz, esperando que um dia todos eles deixem de precisar de ajuda (eu sei que isso não acontecerá, mas era bom, era...).
carlos

JC disse...

Pois, mas prefiro passar a oferecer a minha solidariedade a quem não a utlize para fins políticos c/ os quais estou em desacordo. E não falta aí a quem.
Cumprimentos

Rui disse...

Caro JC,
Permita-me que discorde com o que se vai escrevendo. Nunca discuti aqui politica nem vou discutir. O que IJ diz, se tem alguma conotação, é com o bom senso e não com o neo liberalismo. É verdade que muitos cidadãos passaram a “achar que têm direito a todas as prestações sociais e dão-no como adquirido. Muitas vezes, preferem ir para o subsídio de desemprego do que ter um emprego, ainda que ele seja menos bem pago, porque sabem que vão ter a prestação social no final do mês».Casos de abuso são aos milhares! Porquê? Porque o sistema o permite... Solidariedade social? Claro que sim! Mas com muito rigor e dentro das possibilidades de um Orçamento realista. Sou absolutamente contra os extremos em que situo a Bélgica por exemplo ou os EUA. Eu vou continuar a ajudar o Banco Alimentar que é uma notável organização da sociedade civil.
E desculpe...Isto deveria ser uma politica e não "politica"...

Abraço

Rui

JC disse...

É óbvio que haverá mtºs casos de abuso no que refere as prestações sociais. Sem dúvida; que se investigue e se punam os prevaricadores. Mas, quanto a mim, que me considero um género de social-democrata liberal - mas não um ultra-liberal - tal não pode nem deve pôr em causa o princípio do Estado-Social, adaptando-o aos recursos financeiros existentes. Instituições da chamada "sociedade civil", como é o caso do BACF, são mtº mtº importantes, não o nego, como complemento do que o Estado Providência não consegue ou não pode suportar (sempre apoiei o BACF e os meus filhos, quando mais jovens, colaboraram nas recolhas) e não como elemento nuclear que se substitui às transferências sociais. Mas, para além disso, não devem servir para serem cavalgadas c/ fins políticos tão claros como o fez Isabel Jonet.
Um abraço, caro Rui.