Confesso estou aqui a torcer-me e retorcer-me tentando não responder a esta senhora da forma directa como desejaria e certamente ela merecia pelas suas continuadas provocações. Mas como acho sou pessoa educada, vou tentar evitá-lo. Mas não, não são gaffes, lapsos de comunicação, afirmações que entendemos mal. Nada disso: são mesmo provocações e esta senhora é mesmo assim. E não só não o esconde como faz gala nisso, gozando na cara com todos aqueles que, apesar de discordarem das suas afirmações, insistem em contribuir para o Banco Alimentar Contra a Fome, a instituição onde Isabel Jonet ancora o seu poder para uma intervenção política reaccionária e fortemente ideológica. E insisto: quem continua a contribuir para o Banco Alimentar, enquanto ele for dirigido por Isabel Jonet, desculpando-se com a efectiva actividade meritória da instituição (existem dezenas de IPSS, religiosas ou não, para as quais se pode contribuir em alternativa) ou escudando-se nos tais "brandos costumes" mal atribuídos aos portugueses, ou em qualquer outra desculpa esfarrapada, está a caucionar com essa sua atitude a difusão da ideologia e práticas políticas de que Isabel Jonet se faz portadora e activista. E mais não digo para não correr o risco de me exceder...
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
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terça-feira, dezembro 11, 2012
segunda-feira, dezembro 03, 2012
Das razões do sucesso do "Banco Alimentar"
Independentemente dos méritos de gestora e relações públicas de Isabel Jonet, existem duas facetas fundamentais e independentes da sua presidente que estiveram na base do sucesso do Banco Alimentar Contra a Fome:
- Em primeiro lugar o facto da contribuição ser em géneros, em produtos alimentares, logo, destinados a combater a "fome" (cujo objectivo, aliás, está inscrito no próprio nome da instituição, reforçando o fim a que se destina), sempre tida, a par com a doença, como "o maior flagelo da humanidade". Ao contrário das contribuições em dinheiro, que podem ser aplicadas consoante a vontade ou as necessidades dos destinatários, neste caso o "dador" sabe, à partida, a que tipo de ajuda o seu donativo se irá destinar. Para além disso, existe na sociedade portuguesa (pelo menos, na portuguesa) uma tradição, muito judaico-cristã, assistencialista, da "sopa dos pobres" e de nojo ao dinheiro, não poucas vezes ligado à ideia que poderá ser gasto "na taberna" ou esbanjado sabe-se lá onde: vinho, jogo, mulheres, isto é, coisas ligadas ao vício pagão e não à virtude cristã. Isto para não falar dos "pobres ao cuidado de cada família", que nos batiam à porta com regularidade e aos quais de dava habitualmente como esmola roupa e comida. Assim existia a garantia da "genuinidade" da pobreza. Independentemente dos méritos da sua acção - que os tem - é toda esta tradição e valores que o Banco Alimentar recupera, adaptando-a à contemporaneidade.
- Depois, a metodologia utilizada, de recolha nos supermercados, locais de enorme concentração (por alguma razão políticos em campanha privilegiam mercados e feiras), com voluntários muito jovens e quase sempre em número excessivo face ao trabalho necessário, com pilhas de produtos doados colocados à porta já prontos para serem distribuídos, dá enorme visibilidade e um certo ar de "festa" à acção, potenciando a sua mediatização televisiva e quase "forçando" os cidadãos a contribuir (será uma quase vergonha se alguém não alinhar com a maioria numa causa tida por justa a altruísta). Digamos que, tal como as reuniões femininas definem o conceito "Tupperware" e fizeram o êxito da marca, é a recolha nos supermercados e o modo como é efectuada que definem o conceito "Banco Alimentar",a sua "uniqueness", e muito contribuíram para o sucesso da instituição. Pena que Isabel Jonet, que não foi a criadora do conceito mas terá tido a sua quota-parte de mérito no desenvolvimento da instituição, se sirva de uma marca de indiscutível sucesso e de meritória actividade para a sua militância política. Mas isso são já "outros quinhentos"...
Nota: os responsáveis pela comunicação do Banco Alimentar Contra a Fome fizeram este fim de semana um excelente trabalho, conseguindo minimizar os efeitos das (no mínimo) polémicas declarações anteriores de Isabel Jonet.
sexta-feira, novembro 09, 2012
Isabel Jonet e o seu "negócio"
Ao defender o "empobrecimento" e ao atacar o Estado Social, Isabel Jonet está "apenas" a fazer o que qualquer accionista ou gestor de empresa privada faria: a defender e a tentar fortalecer o seu "negócio", a sua actividade, mesmo que, neste caso, sem imediatos intuitos lucrativos. É que se a economia e o Estado Social conseguirem cumprir com todas as suas funções e não existirem portugueses pobres ou estes se tornarem numa minoria irrelevante, instituições como o Banco Alimentar Contra a Fome extinguem-se, uma vez que a ausência de "mercado" tornaria desnecessária a existência de instituições com semelhante "objecto social". O que Isabel Jonet tem feito, mesmo que sub-conscientemente, com as suas mais do que infelizes declarações é precisamente tentar fazer crescer o seu "source of business", essencial para o desenvolvimento da instituição a que preside e, consequentemente, para o crescimento do poder político e social da sua directora, que neles se baseia. No fundo, Isabel Jonet limita-se a prosseguir ferozmente os seus interesses, deixando a nu quais as intenções que, em última análise, a movem na sua actividade. Estamos pois perante uma verdade ferozmente nua, embora coberta por um muito pouco diáfano manto de solidariedade, em vez de fantasia...
domingo, maio 27, 2012
Pequenas notas de um domingo à tarde (4) - o Banco Alimentar Contra a Fome
Tenho-me mantido fiel aos meus princípios e depois destas afirmações políticas de Isabel Jonet de ataque ao Estado Social deixei de contribuir para o Banco Alimentar Contra a Fome, uma ideia e uma organização que até aí tinham sempre merecido a minha simpatia e colaboração. Este fim de semana lá tive de explicar novamente aos voluntários da organização presentes no supermercado as razões da minha recusa. E confesso tenho mesmo pena de ter sido obrigado a esta decisão. Paciência...
domingo, junho 05, 2011
As opções políticas de Isabel Jonet
Com as suas afirmações de hoje à TSF, criticando o Estado Social (o que me espanta, vindo de uma católica, mas parece que a tradição já não é o que era), Isabel Jonet assumiu opções claramente políticas que remetem para os papéis que Estado e organizações de solidariedade social devem desempenhar nas democracias modernas, para elas arrastando a instituição (Banco Alimentar Contra a Fome) que tem vindo a dirigir com indiscutível sucesso. Está no seu pleníssimo direito e tal constitui até um acto clarificador, que saúdo. Mas não me reconhecendo nas afirmações de Isabel Jonet e não compartilhando de tal visão da sociedade, nem admitindo que a minha colaboração consubstanciada no esparguete e no azeite entregues graciosamente seja utilizada para tais fins de natureza política com os quais discordo, será também em função dessa clarificação, assim assumida, que a partir de agora passará a contar com menos um cidadão cooperante. Lamento.
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