terça-feira, novembro 04, 2008

Paulo Castro Rangel, com nome do meio e tudo!

Existem nas sociedades – em todas – pessoas das quais nunca escutámos ou lemos nada de especialmente brilhante ou inovador, sinais de desempenho notável nas funções que desempenharam no passado, nada, mas mesmo nada, que as tivesse feito stand out from the crowd, mas que, no entanto, nos são sistematicamente apresentadas como sendo a antítese de tudo isso: brilhantes, notáveis, eruditas, cultas, de uma competência técnica e profissional a toda a prova. Existem vários exemplos bastante próximos, e já aqui falei da desilusão que tem constituído a performance da António Costa enquanto presidente da CML e comentador residente na “Quadratura do Círculo” da SIC Notícias, duas funções suficientemente distantes nas suas características para que, em pelo menos uma delas, fosse possível ouvir ou notar no citado algo que confirmasse as “suspeitas” de brilhantismo, ou pelo menos de competência, que tão bem nos tinham sido “vendidas”. Mas quando o produto é mau não existe boa campanha promocional que o torne um êxito e, mais cedo ou mais tarde, perante a “prova do algodão”, o engano é descoberto e o flop destino certo. Razões? Certamente várias, desde a preguiça na utilização das “little grey cells” (é muito mais fácil repetir o que se ouviu) à falta de qualidade e/ou interesses vários de muitos jornalistas e fazedores de opinião, blogosfera incluída para que não me acusem de discriminação.

Bom, mas toda esta introdução tem um outro destinatário, para além do já mencionado António Costa. Refiro-me, agora, ao actual presidente do grupo parlamentar do PSD, Paulo Castro Rangel de seu nome, como diria o malogrado e divertido Alves dos Santos da TV dos meus salad days. Confesso, quando da sua nomeação para o cargo, nunca ter percebido das razões do entusiasmo que, um pouco por todo o lado, entre apoiantes do PSD e seus opositores, por aí grassou, na cidade e no mundo, como se alguém houvera descoberto a quintissência do génio político. Do ouvido e lido no antecedente, nada me ficara, excepto o irresistível impulso para não ler ou mudar de canal ou frequência. Mau sinal! Mas eis senão quando, do passado fim de semana, aí vem um enorme coelho saído da cartola, quase diria uma lebre bem orelhuda: no preciso momento em que o governo nacionaliza o BPN perante quase unânime aprovação e reconhecimento dessa mesma inevitabilidade, por questões que são do conhecimento geral e por isso me escuso referir (já agora, gostaria de saber o que aconteceria se, na conjuntura actual, o governo deixasse falir o banco, como alguns à posteriori sugerem), Paulo Castro Rangel, com uma rigorosa noção dos timings políticos, acusa-o de querer impor um “capitalismo de estado”. De repente, esfrego os olhos; talvez tenha lido mal. Não, não o que Paulo Castro Rangel afirmou (diz que se referia às obras públicas, mas, na sua falta de noção de timing, esta afirmação apenas o terá convencido a si próprio), mas a lista de administradores e gestores do BPN. A rever: José Oliveira e Costa, Manuel Dias Loureiro, Daniel Sanches, Guilherme Oliveira Martins. Ah, e o inevitável Miguel Cadilhe, o mais político dos ex-ministros das finanças – agora queixando-se de ter sido vitimado pelo seu próprio veneno - e personalidade desde sempre dedicada a efectuar a ligação entre os interesses económicos nortenhos, o Estado e os governos. Tudo empreendedores de reconhecido mérito, executivos graduados nas melhores escolas de gestão - de Stanford a Kellog, do INSEAD ao MIT, pois claro. Gente de primeira água da chamada “sociedade civil”... Mas será que alguém duvida?

6 comentários:

gin-tonic disse...

Aqui no bairro pergunta-se: "mas ainda não foi ninguém preso?", isto num bairo em que o pão nosso de cada dia é gente - nem todos!- ser engavetada por roubar os trocos das velhotas à porta do "Minipreço", o produto de um dia de trabalho à senhora da lavandraia etc.etc.
Sou dos que não concordo que políticos com responsabilidades em cargos públicos, botem opinião em programas como a "Quadratura do Circulo" ou outro qualquer.
Quanto a António Costa não foi contemplado com a cruzinha no meu boletim de voto, mas do seu trabalho esperava algo mais , se bem que reconheça que a tarefa não é fácil, mesmo nada fácil. Mas nem sido uma desilusão, e digo-o com mágoa porque, acima de tudo, amo esta cidade.

JC disse...

Pois.Comentário político é para jornalistas, sociólogos, politólogos e políticos retirados. Não digo que estes sejam isentos, mas pelo menos o risco de terem uma agenda própria é bem menor.

VdeAlmeida disse...

Então e o Lobo Xavier e o José Pacheco Pereira são políticos retirados?
Pior que o Costa acho eu, é a lata do Lobo Xavier que come à mesa de vários conselhos de administração (quuantos são? quuantos são?) e não se coíbe de criticar o governo especialmente nas áreas onde especialmente lhe "toca". Ora, pois não!
Quanto ao JPP nem queria comentar, mas não resisto a dizer que aquele homem, que é o verdadeiro guru dos aprendizes políticos, não deixa escapar nada: consegue comentar desde o corte das calças do Georges W. Bush (para elogiar), ao corte de cabelo do Barack Obama (para deitar abaixo). Ele há pessoas incoerentes, mas o JPP não o é: segue inexoravelmente a sua via-sacra política da extrema-esquerda, até à extrema-direita (lá chegará, lá chegar´´a, que eu já lhe li um texto a defender o líder dos skin head) sem titubear

Abraço

JC disse...

Meu caro V de Almeida:
Não disse que JPP e Lobo Xavier fossem políticos retirados. Não o são, claro, mtº longe disso. Quando foquei a má prestação de A. Costa na "Quadratura..." estava a penas a referi-la em si mesma, porque, não estando qualquer dos 3 comentadores político retirado, o A. Costa me parece pior preparado política e culturalmente. Esperava mais e gostava de ver bem melhor, já que por vezes a sua prestação é bastante medíocre.

Quanto ao Lobo Xavier, já referi por aqui, várias vezes, o facto que menciona (Ver http://eusouogatomaltes.blogspot.com/2006/12/saia-da-carolina-3.html ; http://eusouogatomaltes.blogspot.com/2008/02/lobo-xavier-e-o-caso-bexiga.html ; http://eusouogatomaltes.blogspot.com/2006/12/antnio-lobo-xavier-e-o-apito-dourado.html ;). Lembro-me mesmo de ter por aqui afirmado que não basta ele fazer uma declaração prévia de interesses (como já fez) antes de discutir um assunto. Pura e simplesmente, deveria abdicar de o discutir!
Olhe, já agora, veja pf o meu texto de hoje s/ o JPP, se tiver "pachorra".
Completamente de acordo consigo, portanto!
Abraço e boa sorte para logo são os votos de um lampião!

gin-tonic disse...

No essencil, não discordo em nada do que foi escrito, mas se falei no António Costa foi apenas porque ele é Presidente da Câmara de Lisboa. Claro que ele não está no programa como tal. A questão está – e eu não vejo o programa – é que se um daqueles dois artistas que lá estão, lhe coloca perguntas sobre os inúmeros casos que atormentam a vida da CML o que é que ele faz? Assobia para o lado? Revela teores das discussões do executivo? As soluções para os problemas a que o executivo já chegou?
Não me parece que esteja correcto. Com tanta gente que o PS tem para botar opinião, porquê o António Costa?
Tanto quanto li, quem escolhe os substitutos dos elementos do programa que vão saindo, são os que ficam. E ali não há inocência nenhuma. Quando escolheram o Jorge Coelho, quando escolheram o António Costa, apetecia-lhes não a discussão séria de problemas, mas a cegada. Tanto um como outro, que nem sequer são brilhantes como comentadores políticos, não deviam ter aceite entrar na cegada.

JC disse...

Bom, depois da "noitada" até ás 4h da manhã vamos ver se já estou bem acordado...
Não, JPP e ALX nem sequer lhe colocam questões s/ a CML. O AC é, pura e simplesmente, fraquinho, o que faz com que os outros 2 consigam defender mtº melhor as suas agendas próprias. Como mtº bem diz o VdeAlmeida, um s/ o PSD outro, outro s/ os seus negócios e interesses pessoais. É pena, pois o PS tem estado sempre mal representado e uma boa representação deste traria interesse renovado ao programa.Tb penso que são o ALX e o JPP a escolherem o 3º comentador, o que limita sempre essa escolha. Para além disso, mesmo que se discorde do personagem - e eu discordo mtªs vezes - JPP tem uma enorme bagagem cultural, o que dá sempre mtº jeito.