Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
quarta-feira, julho 24, 2013
Rui Machete e a "vox populi"
quinta-feira, fevereiro 07, 2013
BPN: a "Grande Reportagem" da SIC
quarta-feira, agosto 03, 2011
BPN/BIC: uma decisão política
quarta-feira, janeiro 05, 2011
BPN/SLN: as responabilidades políticas - friso: "políticas" - de Cavaco Silva
Quem se dá ao trabalho de acompanhar este “blog” sabe que não contribuo para o peditório da discussão “da” política (o que é diferente da “discussão política”) baseada em “casos” e em questões de ordem moral, ambas dominantes ao tempo do PSD m-l de Ferreira Leite e Pacheco Pereira. Para além de ambas as questões esconderem normalmente a ausência de ideias e projectos, ou o seu oportuno encobrimento, os “casos” são assuntos que compete à justiça resolver, e até trânsito em julgado de sentença proferida por tribunal competente todos são inocentes. Este é um princípio basilar do Estado de Direito Democrático do qual não abdico. Para além disso, por detrás e na base da política feita de “casos” esconde-se, na grande maioria das vezes, o populismo mais rasteiro. Quanto à “moral”, ou questões dessa ordem como “a verdade”, quando tende a dominar a vida política estamos a meio caminho (ou mais do que isso) do totalitarismo mais perigoso. Lembram-se da “superioridade moral dos comunistas” ou da subordinação da liberdade aos “superiores interesses da Nação” (assim mesmo, com maiúscula) e à “moral cristã?”.
Bom, exactamente por estes motivos saudei e admirei as atitudes de Luís Marques Mendes (o mais competente líder do PSD dos últimos anos) ao colocar a questão das “grandes obras públicas” no centro do debate político e ter definido o afastamento de alguns autarcas, envoltos em “casos”, não por via de qualquer lei ou princípio geral e abstracto mas usando de critérios puramente políticos. Do mesmo modo, saudei e soltei um "uff!.." de alívio quando, após a eleição de Pedro Passos Coelho e não deixando de manifestar as minhas concordâncias ou discordâncias com o que ele propunha, a política e a discussão de ideias tornaram a assumir o posto de comando no PSD e, por arrasto, na vida pública. Falando do PS e do governo anterior, estive-me completamente “borrifando” para o facto do primeiro-ministro José Sócrates ter ou não falado verdade ao país no “caso” PT, tendo na altura salientado, desde início, não necessitar de tal coisa para saber que um negócio com essas características e nessas condições, num país como Portugal, nunca poderia ser concluído sem o aval do Estado – e quem manda no Estado é o governo eleito pelos cidadãos. Mais ainda, acrescentei que muito mal andará um político que não saiba mentir ao seu povo sempre que necessário e as circustâncias políticas assim o exijam. Pobre Churchill, se nunca tivesse mentido!
Como é óbvio, não mudo de ideias por estar agora em causa, no chamado “caso” BPN, uma personalidade política pela qual nutro – e não o escondo – clara antipatia, e do qual me afastam concepções de vida (do seu conservadorismo, da superioridade moral que gosta de assumir, do ascetismo que gosta de evidenciar e do seu perfil de quem carrega aos ombros o peso do mundo) e políticas: sendo, gostaria de pensar que como ele, defensor da democracia, do Estado Social e da economia baseada na livre iniciativa, considero Cavaco Silva, e já por aqui, neste “blog”, tratei de explicar as razões, certamente um dos maiores responsáveis pelo modelo económico que nos conduziu “ao estado a que isto chegou”, pedindo a frase emprestada ao saudoso capitão Salgueiro Maia. Por isso mesmo, pouco ou nada me interessa a quem o actual Presidente comprou as acções da SLN e a quem as vendeu - desde que o tenha feito legalmente, claro - nem de tal necessito para tirar ilações políticas – friso: “políticas” – do assunto. E, assim sendo, quais serão elas? Bom, o que o caso BPN /SLN vem, mais um vez, evidenciar e trazer à discussão é aquela que foi uma das principais e mais nefastas características do chamado período “cavaquista”, seja, o assalto ao Estado e aos negócios por uma nova burguesia emergente e sem escrúpulos protegida e acolitada pela “nomenklatura” de então. Foi o “regabofe” do novo riquismo, da sociedade emergente em que o sucesso era apresentado com um fim que justificava todos os meios (lembram-se do Valentim Loureiro que levou o Boavista F.C. à bancarrota,do Isaltino autarca modelo e de muitos outros que continuam hoje a acoitar-se da “Comissão de Honra” do candidato Cavaco Silva?) tudo isto ancorado numa conjuntura nacional e internacional favorável, no legado do governo Soares/Hernâni Lopes (o melhor governo da democracia) e na abundância e esbanjamento dos fundos estruturais. São estas as responsabilidades políticas de Cavaco Silva que o assunto MPN/SLN veio trazer à luz do dia para quem andava distraído ou tem a memória curta, e é sobre elas, e não sobre a quem comprou ou vendeu as tais acções (desde que o tenha feito legalmente, repito), que deve ser questionado e responder politicamente, assumindo todas as suas responsabilidade. E digamos que a carga será bem pesada...
segunda-feira, julho 20, 2009
A propósito do BPN e, agora, de Arlindo Cunha: o "cavaquismo" como projecto de sociedade ao qual quase ninguém escapa ileso
É o falhanço do projecto de sociedade cuja denúncia fez os dias de glória do “Independente”: o Portugal do dinheiro novo, da sociedade afluente inculta e boçal, da glorificação dos “empresários” e do "sucesso" e do escárnio dos intelectuais, das minorias cultas, do trabalho organizado e do "saber". Um projecto, sejamos claros mais uma vez, a que o actual Presidente da República deu cobertura (daí a sua incomodidade) e a que o próprio PS, principalmente ao nível autárquico, esteve longe de ficar imune e impune. Tudo isto perante um PCP prisioneiro dos seus fantasmas ideológicos e um CDS em desagregação, incapaz de perceber a diferença entre o oiro durável e o pechisbeque de ocasião. Como no filme, infelizmente, ninguém sai ileso e é esse o drama. Ainda hoje.
quinta-feira, junho 04, 2009
"Casos": novas e sensacionais revelações amanhã?
domingo, maio 31, 2009
Cavaco Silva: as acções da SLN ou a perda da inocência
É que se até aqui o chamado “cavaquismo” e a casta de arrivistas, novos-ricos e parvenues por si gerada, os mega-negócios feitos à sombra do Estado e potenciados pelo dinheiro fácil dos fundos estruturais e da política do betão, eram vistos como algo a que Cavaco Silva era alheio, manifestando mesmo, perante o fenómeno, até um conveniente e distanciado “nojo” (no fundo residia aqui o tão propalado incómodo do então primeiro-ministro perante o “partido”, o modo como este funcionava e os interesses que perseguia), a partir do momento em que o actual presidente aparece como um dos participantes e beneficiário, mesmo que relativamente pouco importante e somente enquanto accionista, naquele que é um caso de polícia e, certamente e pelo que se sabe, o negócio mais sujo do "cavaquismo", em algo com ligações ao que de pior existe nos negócios escuros internacionais (até ao tráfico de armas), a imagem impoluta e a autoridade moral do actual Presidente da República não podem deixar de sair afectadas. Pior: a confiança pessoal e política manifestada até ao fim em Dias Loureiro, a tibieza que aqui assinalei na sua actuação neste caso e que o insuspeito José Pacheco Pereira não deixou esta semana também de referir, até mesmo a nomeação de alguém com o perfil bem conhecido de Manuel Dias Loureiro como conselheiro de estado, não deixarão de ser vistas por muita gente, mesmo que com o seu “quê” de injustiça, como resultado da ligação de Cavaco Silva, enquanto accionista e beneficiário das mais-valias geradas, aos negócios do grupo. Ou mesmo como resultado de um seu favorecimento.
Mais uma vez friso que nada de ilegal ou ilícito estará em equação, mas digamos que Cavaco Silva terá perdido esta semana a sua aura de inocência. Por alguma razão, não consta alguma vez Oliveira Salazar tenha jogado na bolsa ou tido participação em negócio!
Duas notas:
- Não me parece que o anunciado distanciamento de José Pacheco Pereira face à actuação do presidente da República neste caso seja desinteressado. Se, por um lado, pode aparecer como uma pequena e fria vingança de JPP para com o PSD “dos negócios” que sempre o execrou enquanto intelectual e pensador político (apesar de JPP dizer reconhecer-se no PSD dos "self-made men" – tem aqui o resultado), por outro pode também representar um sinal de que a campanha de Rangel estará a fazer nascer no PSD uma nova classe dirigente (Rui Rio, o próprio Rangel), de ideias mais próximas do neo-liberalismo e sem o estigma e o incómodo, a herança de um estado tutelar, que o "cavaquismo" pode representar. Aguardemos.
- Seria interessante saber se a família Cavaco Silva era uma habitual investidora no mercado de capitais ou se as acções da SLN constituem um caso mais ou menos isolado. Não é indiferente para a imagem do PR o investimento na SLN ser um entre tantos (o que aligeiraria as consequências políticas que este caso lhe possa acarretar), único ou quase exclusivo.
terça-feira, maio 26, 2009
Duas notas muito breves sobre as declarações de Oliveira e Costa
- Receio bem que o futuro julgamento do caso BPN se possa vir a transformar no julgamento do regime. Para já, a “confissão” de hoje de Oliveira e Costa, que parece ter assumido o estatuto de “arrependido” em plena campanha eleitoral, dá muito jeito ao PS. Aguarda-se o contra-ataque do PSD, talvez com “novas revelações” no "caso" Freeport. Há muito que deixei de ser ingénuo!
- O que sempre mais me espantou não foi o modo como o Presidente da República a seu tempo se manifestou relativamente à manutenção de Dias Loureiro como Conselheiro de Estado. Confesso tenho algumas dúvidas se poderia comportar-se de outro modo, embora eu tivesse preferido ouvir de Cavaco Silva algo mais claro. O que sempre mais me espantou e causou estranheza foi, isso sim, o facto de alguma vez ter nomeado Conselheiro de Estado alguém como Dias Loureiro, cujo perfil era desde sempre bem conhecido! Mistérios que o futuro esclarecerá? Para já, Oliveira e Costa colocou o Presidente da República em dificuldades. Para já, o PS rejubila - e tem razões para isso.
terça-feira, novembro 25, 2008
Os erros, ou as opções, de Cavaco Silva
domingo, novembro 23, 2008
O Presidente da República, Dias Loureiro e o BPN
Nos últimos tempos, o Presidente da República parece demonstrar alguma dificuldade no modo como utiliza os meios de intervenção e influência de que dispõe. Nos casos em que se esperaria, e requereria, uma intervenção pública, como nos casos da Madeira, terá optado, e preferido, exercer a sua influência de modo mais discreto. Noutras, em que talvez esse modelo resguardado se revelasse preferível, como, por exemplo, na questão do estatuto dos Açores, preferiu o dramatismo encenado de uma comunicação ao país. Agora, quando ninguém questiona, nem nunca questionou, séria e credivelmente, a sua honestidade, e teria sido bem melhor para si e para o país utilizar a sua influência discreta para conseguir a renúncia de Dias Loureiro ao cargo de conselheiro de estado, onde este chegou por sua indicação, resolveu emitir um comunicado desmentindo qualquer eventual ligação ao BPN. Ao preço a que andam os desmentidos, seria bem melhor para todos que se tivesse mantido em silêncio.
segunda-feira, novembro 10, 2008
A ilusão "cavaquista"...
Afinal, depois de despido do seu manto, o rei vai nu? Não ousarei chegar a tal ponto, mas já nada mais o cobre do que um véu diáfano de ilusão.
quinta-feira, novembro 06, 2008
BPN: cobardia política
terça-feira, novembro 04, 2008
Paulo Castro Rangel, com nome do meio e tudo!
Existem nas sociedades – em todas – pessoas das quais nunca escutámos ou lemos nada de especialmente brilhante ou inovador, sinais de desempenho notável nas funções que desempenharam no passado, nada, mas mesmo nada, que as tivesse feito stand out from the crowd, mas que, no entanto, nos são sistematicamente apresentadas como sendo a antítese de tudo isso: brilhantes, notáveis, eruditas, cultas, de uma competência técnica e profissional a toda a prova. Existem vários exemplos bastante próximos, e já aqui falei da desilusão que tem constituído a performance da António Costa enquanto presidente da CML e comentador residente na “Quadratura do Círculo” da SIC Notícias, duas funções suficientemente distantes nas suas características para que, em pelo menos uma delas, fosse possível ouvir ou notar no citado algo que confirmasse as “suspeitas” de brilhantismo, ou pelo menos de competência, que tão bem nos tinham sido “vendidas”. Mas quando o produto é mau não existe boa campanha promocional que o torne um êxito e, mais cedo ou mais tarde, perante a “prova do algodão”, o engano é descoberto e o flop destino certo. Razões? Certamente várias, desde a preguiça na utilização das “little grey cells” (é muito mais fácil repetir o que se ouviu) à falta de qualidade e/ou interesses vários de muitos jornalistas e fazedores de opinião, blogosfera incluída para que não me acusem de discriminação.
Bom, mas toda esta introdução tem um outro destinatário, para além do já mencionado António Costa. Refiro-me, agora, ao actual presidente do grupo parlamentar do PSD, Paulo Castro Rangel de seu nome, como diria o malogrado e divertido Alves dos Santos da TV dos meus salad days. Confesso, quando da sua nomeação para o cargo, nunca ter percebido das razões do entusiasmo que, um pouco por todo o lado, entre apoiantes do PSD e seus opositores, por aí grassou, na cidade e no mundo, como se alguém houvera descoberto a quintissência do génio político. Do ouvido e lido no antecedente, nada me ficara, excepto o irresistível impulso para não ler ou mudar de canal ou frequência. Mau sinal! Mas eis senão quando, do passado fim de semana, aí vem um enorme coelho saído da cartola, quase diria uma lebre bem orelhuda: no preciso momento em que o governo nacionaliza o BPN perante quase unânime aprovação e reconhecimento dessa mesma inevitabilidade, por questões que são do conhecimento geral e por isso me escuso referir (já agora, gostaria de saber o que aconteceria se, na conjuntura actual, o governo deixasse falir o banco, como alguns à posteriori sugerem), Paulo Castro Rangel, com uma rigorosa noção dos timings políticos, acusa-o de querer impor um “capitalismo de estado”. De repente, esfrego os olhos; talvez tenha lido mal. Não, não o que Paulo Castro Rangel afirmou (diz que se referia às obras públicas, mas, na sua falta de noção de timing, esta afirmação apenas o terá convencido a si próprio), mas a lista de administradores e gestores do BPN. A rever: José Oliveira e Costa, Manuel Dias Loureiro, Daniel Sanches, Guilherme Oliveira Martins. Ah, e o inevitável Miguel Cadilhe, o mais político dos ex-ministros das finanças – agora queixando-se de ter sido vitimado pelo seu próprio veneno - e personalidade desde sempre dedicada a efectuar a ligação entre os interesses económicos nortenhos, o Estado e os governos. Tudo empreendedores de reconhecido mérito, executivos graduados nas melhores escolas de gestão - de Stanford a Kellog, do INSEAD ao MIT, pois claro. Gente de primeira água da chamada “sociedade civil”... Mas será que alguém duvida?