Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
terça-feira, março 03, 2015
A Banca portuguesa "nacionalizada"?
quarta-feira, dezembro 10, 2014
O triste espectáculo de Salgado e Ricciardi
sexta-feira, julho 25, 2014
O que bancos e banqueiros deviam saber mas tem andado esquecido
quarta-feira, abril 10, 2013
Bruno de Carvalho e o populismo
segunda-feira, maio 03, 2010
Grandes obras públicas e crédito para as PMEs (o que quer que estas sejam...)
Bom, independentemente do que vou dizer de seguida não significar concordância ou discordância com as tais “obras públicas” (a minha posição é conhecida dos leitores habituais do “blogue”), e para além das tais PMEs estarem longe de se constituir numa realidade homogénea e muitas viverem na órbita das “malvadas” grandes empresas e, assim, beneficiarem da expansão destas por via do crédito que as financia, esse tal mecanismo de vasos comunicantes está muito longe de, na prática, ser uma realidade incontroversa. O que frequentemente limita o acesso ao crédito de grande parte dessas PMEs é, isso sim, e muito mais, o risco acrescido que representam pela sua falta de competitividade no mercado, deficiente gestão e estrutura financeira desequilibrada, o que significa que o crédito concedido para “o vaso de cima” (grandes obras públicas) não irá necessariamente escassear no vaso inferior (PMEs), pelo menos na mesma proporção ou sequer semelhante. Mais ainda, as grandes obras públicas até poderão constituir para muitas PMEs indirectamente envolvidas uma oportunidade acrescida de acesso ao crédito, pela garantia acrescida que a expansão dos seus negócios e o seu envolvimento com um ou mais projectos onde o Estado é parte “motora” pode representar para a Banca.
Digamos que o problema não é este, nem “grandes obras públicas” e “PMEs” podem ser assim, de modo simplista, atadas num molho e postas em confronto numa luta de galos políticos por um poleiro eleitoral. A questão deverá ser, isso sim: “o que poderá efectivamente contribuir para um aumento da competitividade do país permitindo-lhe, a prazo, aumentar os seus actuais débeis níveis de crescimento de forma sustentada? Esta, e não outra, é que é, de facto, a questão-chave à qual o país terá de responder.
sexta-feira, março 06, 2009
Uma pequena e despretensiosa reflexão sobre a Caixa Geral de Depósitos, a propósito das acções da Cimpor
A questão-chave deve, isso sim, ser procurada a montante, onde ela teve origem, e essa é essencialmente uma questão política: que papel deve ter a “Caixa”, enquanto banco público, no mercado e no sector financeiro, onde a banca privada é dominante e maioritária? Deve actuar como qualquer outro banco ou deve reservar para si um papel específico? Pois é aqui que entram em jogo uma série de questões, desde as de natureza política e ideológica àquelas mais ligadas aos negócios - tão legítimas, aliás como as primeiras. Não sendo um “estatista” nem um ultra-liberal, como cidadão a quem parece útil a manutenção da “Caixa” como banco público, penso que, embora sujeita a determinado tipo de "guidelines" e controles específicos em virtude da sua natureza jurídica (pública) e que condicionem e/ou exijam regras de segurança reforçadas para determinados tipos de operações, face àquele que me parece dever ser o conceito “segurança com eficiência” por que se deve reger em virtude de ser exactamente isso o que os seus clientes nela procuram, nunca a CGD poderá deixar de, com as limitações indicadas (e admito que outras) e inerentes ao seu estatuto público, ter a agilidade suficiente para ser um player competitivo no mercado, o que significa adoptar para si uma parte significativa do “way of doing the things” dos seus concorrentes privados. Sem isso, dificilmente poderá ver reconhecido no mercado esse conceito de “segurança com eficiência”, e tenderá a voltar aos seus velhos tempos de uma vetusta instituição do Estado em que só a primeira das realidades (segurança) era cumprida.
segunda-feira, janeiro 12, 2009
Armando Vara e a demagogia do "Público"
Tendo dito isto, e falando agora em termos gerais e abstractos, não me parece exista lugar para qualquer tipo de escândalo pelo facto de ele – Vara -, ou qualquer outro quadro em situação idêntica, ser promovido ao escalão máximo de vencimento a posteriori, uma vez isso sendo prática comum da sua entidade empregadora. Trata-se de um fringe benefit ao qual acedeu quando da sua admissão na categoria que exerce, fazendo parte das regalias que a “Caixa” concederá aos seus directores e administradores tal como, eventualmente, neste e/ou noutros casos, muitas empresas proporcionam carro para uso particular, seguros de vida e de saúde, taxas de juro bonificadas, casa e viagens gratuitas para si e família (se "expatriados"), signing bonus, stock options, etc, etc. Nada de especialmente estranho, portanto. E o “Público” bem o sabe, como também sabe que está a ser demagógico e que Vara é um alvo fácil.
O que pode estar em causa, isso sim, são, a montante, as qualificações de Vara para as funções que exerce e o seu eventual papel de comissário político. Tal como poderiam estar os bónus eventualmente atribuídos sem justificação pelos resultados alcançados ou os vencimentos exessivos face às práticas do mercado. Mas isso são questões gerais e abstractas e, portanto, não personificáveis. Ou, como diriam os nossos amigos(?) de além-atlântico, “serão outros quinhentos” que no seu devido tempo já foram analisados e questionados.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
A Banca e a Caixa
sábado, dezembro 13, 2008
Descodificar Belmiro...
No caso do TGV e do novo aeroporto (leia-se: a nova “grande cidade” aeroportuária), questões onde Belmiro até tem maioritariamente razão (apenas a ligação Lisboa-Madrid é defensável e, no curto prazo, de um ponto de vista fundamentalmente político, embora no longo prazo o caso possa mudar de figura e ter um carácter estruturante), todos sabemos que a construção de ambos tenderia a secundarizar e regionalizar o aeroporto Sá Carneiro e, em alguma medida, a região norte centrada no Porto, sendo lícito pensar que poderiam contribuir para fazer da Grande Lisboa o principal polo competitivo do país em termos peninsulares. Ora não só Belmiro de Azevedo já manifestou o seu eventual interesse na gestão das Pedras Rubras, autonomizado dos restantes aeroportos nacionais, como estas duas grandes obras públicas teriam como consequência algum enfraquecimento da posição negocial e reivindicativa do “norte” (leia-se: Porto), algo que estaria bem longe de se mostrar favorável aos interesses do grupo Sonae que cresceu e alcançou notoriedade e importância cavalgando e contribuindo para a “onda nortenha” do pós 25 de Abril (décadas de 70 e 80 do século passado)

Quanto à Banca, bom... nunca os esforços de Belmiro de Azevedo para conseguir uma posição significativa no sector financeiro foram coroados de correspondente êxito. Portanto... e à bon entendeur...
quinta-feira, dezembro 04, 2008
BPP
Compreende-se mal que o governo vá em socorro de um banco gestor de fortunas e daqueles que lá entregaram o seu dinheiro para gerir e frutificar, evitando, com o seu aval, a respectiva falência. Certo. Aceita-se e compreende-se bem a indignação manifestada pelo “povo da SIC”, sempre tão lesto contra os “ricos e poderosos” - versão moderna de “les aristocrates á la lanterne” –, nos fóruns de opinião, assim como a honesta discordância de comentadores e analistas, de muita gente que pensa. Claro, não serei eu a criticá-los. Mas tentemos ir um pouco mais longe: será que algum governo, de um pequeno país e de uma pequena economia como Portugal, ainda para mais com uma pequeníssima classe empresarial sempre com os seus interesses cruzando-se com os do estado (e inversamente), que se reveja politicamente num sistema democrático baseado na livre iniciativa e no mercado (baseado, e não exclusivo, para que não restem dúvidas), poderia, no presente tempo de grave crise mundial, arriscar um conflito e uma eventual quebra de cooperação com alguns os investidores do BPP e a falência do banco? (não estamos nos USA, convém lembrar). Pondo de parte a questão da dívida ao JP Morgan – que me parece ser pouco mais do que a justificação "patriótica" que “dá jeito” -, que reflexos isso teria na chamada confiança e em muitos negócios (estou a falar dos honestos) em curso, alguns deles envolvendo o governo? No procurado e necessário apoio do e ao mundo económico e financeiro que permita “aligeirar” a crise? No crescimento económico e no emprego? Eu próprio, sobre o assunto, me permito ter muito mais dúvidas do que certezas, e aqui as expresso apenas como tentativa de pensar um pouco mais longe e mais fundo não arriscando opinião definitiva. Será justo? Isso não será com certeza, mas como era bom que fosse a justiça a comandar o mundo...
quinta-feira, novembro 06, 2008
BPN: cobardia política
quarta-feira, outubro 08, 2008
Um pensamento ligeirinho sobre a crise, para manter o moral elevado...
Se algo podemos agradecer às nacionalizações de 1975, na conjuntura inevitáveis, foi elas terem permitido, posteriormente e na sequência da abertura do sector bancário à iniciativa privada, a emergência de um sistema financeiro moderno e eficiente, competitivo, que parece (parece - knock on wood) resistir bem à crise internacional. Claro que o facto de Portugal ser uma economia pequena e periférica também ajuda bastante (alguma vez haveria de ser), mas será justo lembrar pela positiva um sector, muitas vezes (algumas com razão), alvo das nossas críticas e injúrias. No entanto, cautelas e caldos de galinha vão parecendo ser cada vez mais receita adequada já que, como dizia alguém ligado ao futebol, também neste campo e nos tempos que vão correndo o que hoje é verdade poderá vir a ser mentira lá mais para o fim da tarde. Sem especial ofensa aos meus amigos sportinguistas, “lagarto, lagarto”!