quinta-feira, setembro 24, 2009

Os portugueses e as línguas estrangeiras

Segundo uma notícia do “Público”, 51.3% dos portugueses entre os 25 e os 64 anos não falam qualquer língua estrangeira. Este é, seguramente, um dos factores potenciadores do nosso atraso. Mas, pior do que isso, e algo em que fui reparando ao longo da minha vida profissional, em média, entre pessoas qualificadas e ocupando lugares de responsabilidade em empresas ou instituições, o grau de domínio do inglês, para os que o falam, é consideravelmente inferior ao da maioria dos países do norte da Europa, e não superior ao de outros países latinos. Normalmente, na Europa, apenas os gregos demonstravam piores aptidões.

Acresce a tudo isto, o que já não é pouco em termos de “handicap”, o ter verificado, embora essa tendência se venha felizmente a atenuar, possuírem os portugueses, em média, menor aptidão para expressarem de forma organizada os seus raciocínios em público, mesmo na sua língua materna, facto cada vez mais penalizador tendo em conta as modificações operadas nos últimos anos na organização empresarial.

Estas são duas questões que a introdução do inglês no 1º e 2º anos de escolaridade e o intercâmbio através do programa Erasmus vão com certeza ajudar a resolver, mas que exigem também alguma actuação séria dos governos. Sugere-se a introdução do castelhano como segunda língua obrigatória no secundário (em substituição do francês) e de aulas de expressão oral.

10 comentários:

Rui disse...

Aqui estamos de acordo, embora fosse interessante apresentar termos de comparabilidade entre os países designados ironicamente de PIGUES (Portugal, Itália, Grécia e Espanha). Custa-me a acreditar que a Espanha esteja muito melhor do que nós...Até porque dobram todos os filmes o que não ajuda nada, sobretudo na aprendizagem do inglês. Concordo em absoluto quanto a aulas de expressão oral, mas vou mais longe pois acrescescentaria a necessidade de as complementar com actividades teatrais obrigatórias. Só assim é que poderemos vir a ter, de uma forma maciça, bons comunicadores. E isto a começar na pré-primária. O problema é arranjar bons professores e em quasntidade suficiente. Mas é preciso começar por algum lado. Qualquer americano de quintas categorias está à vontade perante uma plateia e fala com naturalidade. Eu conheço isso por experiencia própria, porque tive de fazer ao longo da minha vida vários cursos cá dentro e lá fora para adquirir algum à-vontade nas apresentações que tenhode fazer com regularidade.

JC disse...

Itália e França francamente melhor. Espanha está longe de ser uniforme. Os catalães sempre falaram melhor inglês do que os castelhanos, mas nos últimos tempos a melhoria tem sido geral. E já não dobram os filmes todos: muitos passam tb na versão legendada. Quanto à expressão teatral, estou 100% de acordo. Só não o afirmei aqui para não acharem estava a exagerar...
Trabalhei em 4 multinacionais; por isso, tb tenho grande experiência do assunto, tal como você.
Abraço

Rui disse...

Em España há algumas salas de cinema que passam filmes legendados. Eu sei. Mas o problema está na televisão que tem muito maior penetração.Para alem disoo o nuestros hermanos tem um problema gutural, um problema com a chamada trave da lingua, que os impede de ter uma pronunciação minimamente aceitavel. I lôbe you....como exemplo...

JC disse...

Os castelhanos e galegos. Não os catalães, p. ex.

Rui disse...

O catalão está intimamente ligado, como o português, ao languedoc. A excepção confirma a regra...A Catalunha será portanto excepção entre as outras 4 Españas...

Anónimo disse...

Doa a quem doer a geração acima dos 40 está abaixo de cão. São mais analfabetos, têm uma 4ª classe e acham que sabem tudo etc. As coisas demoram a mudar.
Outra coisa que se repara em Portugal é uma atitude simpática em relação a quem não domina o português, isto é, a atitude contrária da arrogância dos castelhanos ou a ignorância crassa de muitos ingleses.
O facto do português ser uma língua latina só ajuda na aprendizagem doutras línguas latinas, nas palavras inglesas de origem latina ou ainda nas muitas palavras de origem latina que há em muitas áreas científicas.
Isso de aprender as regras e padrões gramaticais não é o pior. Todavia, lembrar-se e aprender muitas palavras novas completamente desconhecidas e estranhas demora sempre muito mais tempo. É por isso que os portugueses conseguem aprender rapidamente outras línguas latinas. Quando se conhece as palavras é muito mais fácil. Em contrapartida, os húngaros têm de aprender tudo do zero se aprenderem inglès, alemão, espanhol ou qualquer outra língua indo-europeia.
Também já era tempo dos falantes de português começarem a vender a nossa língua e abandonarmos os complexos de inferioridade. Temos a 3ª língua da UE em nº de falantes.
Quantos aos galegos ë preciso dizer que partilhamos a mesma lïngua e sempre falei português com galegos e eles galego. Tem dado sempre para nos entendermos. É algo de semelhante que se passa na Escandinávia. Partilham a mesma língua com dialectos diferentes, mas separados pela política e história.
PB

JC disse...

Meu caro anónimo: devo lembrá-lo que ingleses(principalmente) e castelhanos (e outros espanhóis) pouca necessidade têm de aprender uma outra língua...

Rui disse...

JC,

Voila...

http://crossroadsmag.eu/2006/05/law-will-get-spaniards-speaking-foreign-languages/


"Law will get Spaniards speaking foreign languages
May 16, 2006
It is not just the British who are hopeless with foreign languages – more than half of Spaniards only speak their mother tongue

But a new law is about to change this, introducing English into classrooms at an earlier age.

The Organic Law of Education, passed by parliament earlier this year, will mean children aged between 3 and six will start learning a foreign language.

Later, a second foreign language may be introduced.

In regions around Spain, schools are also starting to introduce more foreign languages.

In Andalusia, 140 state schools offer bilingual education with French and German too.

In Madrid there are 80 bilingual schools.

But training and resources have been a problem in many cases.

The move comes after the Eurobarometer survey found Spain was near the bottom of table of countries in terms of ability to speak foreign languages.

It was ahead only of Hungary, Portugal, Italy, Britain and Ireland in terms of speaking another tongue.

Indeed, a survey revealed 56 percent of Spaniards speak only their own language.

Source: Expatica Spain, EFE, 16 May 2006

JC disse...

Pois, mas o problema - ou a ausência dele - é que cada vez mais gente no mundo fala castelhano, mesmo nos USA. Inglês e castelhano serão cada vez mais as línguas universais.Quem falar bem ambas, trabalhará em qualquer parte do mundo.

Rui disse...

Completamente de acordo. Apenas queria dizer que em circunstancias iguais um portugês a falar inglês dá 10 a 0 a un nuestro hermano. Então no que diz respeito à pronuncia...