segunda-feira, janeiro 07, 2013

E se este governo cumprir a legislatura?

Por muito mal que se comporte este governo, e a não ser em caso de cataclismo sério, que não me parece se vislumbre (graves alterações da ordem pública, por exemplo), existe uma condição "sine qua non" para que possa ser encarada a sua substituição antes de cumprida a actual legislatura: que o PS descole finalmente nas sondagens e assim consiga apresentar aos portugueses uma clara alternativa de governo (o que não quer dizer necessariamente de política), o que significa poder alcançar uma maioria absoluta em eleições legislativas antecipadas. Deste modo, discordo dos que dizem que tudo dependerá, pelo menos de forma directa, da execução orçamental, dos resultados das eleições autárquicas, do comportamento da economia, etc, etc. Claro que uma muito má execução orçamental, péssimos resultados nas eleições autárquicas por parte de PSD e CDS, continuação da recessão e tudo o resto a correr mal poderão contribuir para uma mudança significativa nas intenções de voto dos portugueses, no comportamento do CDS, da facção cristã-democrata do PSD e nas pressões populares e mediáticas sobre o governo. Mas sem que dessa mudança significativa das intenções de voto dos portugueses resulte a possibilidade clara do PS poder vir a formar governo sem grandes dificuldades, não me parece possível o actual governo não venha a cumprir a legislatura. É que por muito que nos custe - e neste caso custará - o voluntarismo na política está longe de ser bom conselheiro.

5 comentários:

Anónimo disse...

...ficaremos cada vez pior.

O PS não é alternativa. A contribuição de Socrates para o descalabro das contas públicas foi notório. Seguro é o Passos do PS.

Mas acredito que isto vá acabar mal.

Cumprimentos

murphy V. disse...

Esteve sempre evidente o caminho para este buraco, muitos por "clubite ideológica" não quiseram ver...

http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/01/o-fardo-do-juros-o-chico-espertismo-e-o.html

JC disse...

Apenas uma nota: claro que José Sócrates tb fez asneiras e deu a sua contribuição para o desequilíbrio das contas públicas. Mas a sua responsabilidade não é tão grande como mtªs vezes se quer fazer crer. Veja o que se passou em Espanha, que tinha baixo endividamento do Estado e um superavit nas contas públicas.
Cumprimentos

Anónimo disse...

Caro JC

Parcialmente de acordo. O problema Espanhol chama-se banca...e os "disparates" que a mesma fez, que têm levado à injecção de valores astronómicos de dinheiro (dos contribuintes) para recapitalizar a dita cuja banca. Se juntarmos a isto a bolha imobiliária, o caldo fica (quase) completo.
Por cá apesdar de tudo o problema (origem) é ligeiramente diferente, embora tenhamos os casos BPN, BPP e agora BANIF. Os valores são menores e a dimensão também, se comparada com os espanhoies, mas o dinheiro para recapitalização sai do bolso dos mesmos.
Mas no fundo o que está em causa é uma estratégia bem definida, neo-liberal (?), de nos colocar ao nivel chinês, com mão de obra ao preço da chuva e ausência de direitos...custe o que custar.
Veremos os próximos capitulos.

Cumprimentos

JC disse...

O BPN e o BPP são casos de polícia, de origem criminosa, e, como tal, merecem análise e tratamento diferentes. Se a investigação criminal foi ou está a ser bem conduzida e os alegados responsáveis serão punidos de acordo com os crimes eventualmente praticados, isso já é outra conversa. Mas em relação à Banca em geral há sempre uma interrogação que devemos ter em mente: quais as consequências para o nosso dinheiro, emprego, empresas, famílias, etc se o Estado não interviesse? (c/ o nosso dinheiro, claro, o Estado não tem outro). Não querendo com isto dizer o Estado tenha agido sempre bem ou de boa-fé, devemos fazer sempre este raciocínio quando pensamos nestes assuntos. Veremos como vai evoluir a intervenção no BANIF. Quanto à chamada estratégia de "empobrecimento", se acompanha o "blog" - penso que sim - sabe o que de mtº errado penso dela e o modo como tenho manifestado o meu desacordo.
Cumprimentos