segunda-feira, junho 08, 2009

Em defesa das sondagens

Por muito que as empresas de sondagens se esforcem, existe algo que não podem ultrapassar: o facto de existirem pessoas que declaram ir votar num partido e, depois, optam por se abster ou votam, de facto, num outro. Nada mais difícil num estudo de mercado do que cada um declarar, com veracidade, qual o seu sentido de voto.

7 comentários:

gin-tonic disse...

Partindo do principio de que existem inquiridos que não respondam com veracidade quando lhes é perguntado qual o partido em que irão votar, isso não deverá ser numa quantidade que permita os erros que se verificaram nestas eleições. Não sendo técnico admito mesmo que essa possibilidade é um dado adquirido e a ter em conta. Só as empresas poderão responder sobre o que lhes saíu mal nestas eleições, porque nem sequer quero pensar que tenha existido algo com vista a salvaguardar os interesses do PS ou do Governo. Mas lá que é estranho lá isso é.
Tanto quanto me apercebo as pessoas, quando inquiridas telefonicamente, o que querem é despachar o chato que lhes interrompeu, a novela, o futebol. o que quer que seja. Ou desligam o telefone, ou dizem o que lhes vem à cabeça, muito poucos compreendem o trabalho das empresas de sondagens.
Um facto é que o descrédito face às sondagens está a generalizar-se...

JC disse...

Não sou técnico de estudos de mercado, mas toda a vida tenho lidado com eles. Por isso, conheço razoavelmente o assunto. Existem, quanto a mim, duas questões em aberto: o problema dos telefones fixos, cada vez em menor nº, e a veracidade das respostas. Mas no caso dos telefones fixos, a sondagem por voto em urna anula a questão (acho). No caso das respostas erróneas, já estamos perante um problema bem mais complicado. A verdade é que as sondagens à boca das urnas, onde se pergunta onde efectivamente se votou e onde é utilizado o sistema de voto em urna, deram mais ou menos certo. Aguardo o que vai dizer o Pedro Magalhães, do Centro de Sondagens da Católica, por quem tenho consideração. Mas, devo dizer-te, afasto completamente da ideia qualquer favorecimento ao PS ou a quem quer que seja.
Abraço

JC disse...

Repara outra coisa. Quando a abstenção é mtº elevada, como foi o caso, o risco de erro é maior. Muita gente diz que vai votar e acaba por não ir e outra que não pensa ir acaba por votar. A abstenção prevista nas sondagens pode assim corresponder à real, mas o sentido de voto variar significativamente. Mas espero por uma explicação dos técnicos.
Outra questão: a sobrevalorização do Bloco de Esqª nas sondagens e a constante subvalorização do CDS. Terá que ver c/ questões de se afirmar de acordo c/ a "moda" (no Bloco) e de medo de ser identificado com a dtª mais radical? Tudo questões que merecem atenção.

NP disse...

Se calhar o melhor é deixarem de se fazer. Falham sempre... seja lá por causa de todo o blá, blá já aqui expresso... seja "de propósito"! A verdade é que têm servido de "arma de arremesso político"!

Reparem no ridículo da SIC, na noite das eleições europeias, ao bater tanto na tecla da sondagem para as legislativas... e quais os resultados que apresentavam! Curioso... ou talvez não!

Isto das sondagens... PS... SIC E RTP.... parafraseando o ditado: quem não quer ser lobo... não lhe veste a pele!

JC disse...

Não é verdade que errem sempre, caro NP, mesmo que considere que o que aqui digo é "blá, blá". A maior parte das vezes acertam, tendo em conta a margem de erro.

O problema da sondagem da SIC para as legislativas foi de imediato assinalado por António Barreto: mtª gente irá mudar o seu sentido de voto após conhecidos os resultados da europeias, pelo que a sondagem apresentada deixará, de imediato e após conhecedos os resultados das europeias, de reflectir as intenções de voto dos eleitores. O problema tb é que mtª gente nã sabe "ler" as sondagens, mas isso é outra questão.

NP disse...

Atenção: "erram sempre" era uma força de expressão e quando falei em "blá, blá" foi para não estar a repetir o que o JC e outros comentadores já tinham dito. Não tem o tom depreciativo que entendeu, ok?

É claro que o António Barreto desmontou logo "a coisa"... mas creio que a SIC continuou a "bater na mesma tecla"! Admito que possa estar enganado... mas foi o que me pareceu!

JC disse...

Continuou de facto a vender o seu peixe. Uma sondagem custa mtº dinheiro... Mas, como vê, pouca repercussão teve em outros "media" e na opinião de comentadores e políticos, o que prova a sua inutilidade. Mais uma vez: as empresas de sondagens são sérias. Têm é de rever alguma da sua metodologia e estou certo o irão fazer.