segunda-feira, abril 30, 2007

Fotografias (12)

S/título - fotografia de JC

História(s) da Música Popular (41)



Ora pois vamos lá aos Beach Boys, dentro deste capítulo dedicado à surf music vocal. Mas atenção: dois pontos prévios que considero importantes.


  1. Em primeiro lugar, neste capítulo apenas teremos os Beach Boys enquanto grupo dedicado à surf music. Quer isto dizer que a seu período mais criativo e importante, de “Pet Sounds”, Smiley Smile” e “Wild Honey”, das experiências de estúdio de Brian Wilson, ficará para mais tarde e terá também direito a capítulo próprio e bem mais desenvolvido. Merece. Não vão, pois, encontrar aqui temas como “Good Vibrations”, “Sloop John B”, “God Only Knows”, “Heroes And Villains” etc. É esperar pela altura própria; tenham lá paciência mas o rigor tem destas coisas.

  2. Em segundo lugar que não iremos transformar este capítulo da vocal surf music num repositório dos êxitos do grupo – que foram muitos; penso que todos os conhecemos demasiado bem e por isso não faria muito sentido. Prefiro não gastar muito tempo nem muito espaço no servidor com o assunto e, isso sim, focar preferencialmente mais algumas facetas e temas menos conhecidos.

Colocadas as coisas deste modo, aí vamos nós agora.

O grupo, formado em 1961 em Hawthorne, Baixa Califórnia, no seu line-up mais importante contou com a presença dos três irmãos Wilson (Brian, Carl e Dennis), do primo Mike Love (o mais velho do grupo, nascido em 1941) e do amigo Al Jardine, tudo isto com a supervisão e gestão do pai Wilson (Murray). Para ser verdadeiro, só um dos membros do grupo era surfista (Dennis) e mesmo assim dizem os meus amigos dedicados ao surf que não era lá grande coisa. No fundo, limitaram-se a cavalgar aquele que era o mundo um pouco fútil da Baixa Califórnia: surf, “miúdas” e festas de garagem. Digamos que parvos não eram de todo! Conta Brian Wilson que, um dia, o seu irmão Dennis (o único surfista, sex symbol do grupo e que regressava da praia e do surf) lhe propôs que compusessem algo sobre o assunto, e terá sido assim que tudo começou.

Depois de terem tocado e cantado sob vários nomes (Pendletones, Kenny and the Cadets), já como Beach Boys gravam “Surfin” (10/4/61), para a pequena etiqueta Candix (consta que o acontecimento rendeu $200 a cada um dos membros do grupo), que se torna um êxito local e lhes abre as portas da “major” Capitol. O resto é história, mas lá iremos já que por hoje nos ficamos por este “Surfin” que integraria o seu primeiro álbum, “Surfin’ Safari”, também nome do seu primeiro tema no hit parade (#14). "Surfin" foi composto por Brian Wilson e Mike Love, que é também o lead singer. O álbum inclui também uma versão de “Moon Dawg”, um original dos Gamblers que incluí no capítulo dedicado ao surf instrumental e que é tido como o tema que deu origem à surf music, e do célebre “Summertime Blues” de Eddie Cochran, que nada tem que ver com estas coisas do surf.

sábado, abril 28, 2007

Camané e a Orquestra Sinfónica

Parece que Camané (o fadista) irá dar um concerto (vários) acompanhado pela Orquestra Sinfónica Portuguesa. E por um "combo" de jazz. Nele interpretará Cole Porter, Kurt Weill, Brel, Gainsbourg, Beatles e Sinatra (não sei se me escapa algum). É sempre muito mau sinal quando se trilham estes caminhos. Isto é, quando alguém vindo da música popular tenta, através de incursões na música erudita, nas suas margens ou no campo do music-hall, obter para si mesmo uma caução de "qualidade". Respeitada e respeitável. Normalmente, aí começa a decadência. Por aí, começará a tornar-se desinteressante. Daí, talvez venham os proventos. Os exemplos são muitos: de Elvis Presley a Amália. Mas a inversa também é verdadeira, e alguns vindos da música erudita tentam a fama através do music-hall, da chamada "música ligeira". E os Pavarotti e Placidos Domingo deste mundo aí estão para o provar. É pena!

Lisboa

Tempo de recuperar os meus posts anteriores sobre a crise autárquica em Lisboa. Ver aqui o de 31 de Janeiro deste ano e aqui o de 22 de Fevereiro. Nada mais a acrescentar. Pelo menos, por enquanto.

Cinema e Rock & Roll (1)



"Blackboard Jungle", de Richard Brooks (1955)

Talvez não se trate verdadeiramente de um filme sobre o rock & roll, mas sobre ele pesa a responsabilidade de o ter lançado para o mundo. “Blackboard Jungle” (em Portugal “Sementes de Violência”) sendo essencialmente um filme sobre a deliquência juvenil, fenómeno frequentemente associado ao r&r mas que foi apenas, tal como ele, mais uma das manifestações que marcaram a ruptura social, cultural e geracional do pós guerra, foi, de facto, o filme que deu a conhecer a nova música ao mundo, através de “Rock Around The Clock” de Bill Haley and His Comets.

Curiosamente, Bill Haley é um fenómeno relativamente atípico no mundo do rock e dos teenage rebels dos fifties, tendo passado um pouco ao lado do centro do movimento e a sua imagem pouco ou nada se identificando com ele, já que na altura era já trintão (nasceu em 1925), tinha um ar bem comportado e vinha do conservador mundo do country & western. Pode dizer-se que mais do que um genuíno rocker, Bill Haley como que “cavalgou” a nova música e a nova des-ordem emergentes.

O tema “Rock Around The Clock” (originalmente gravado por um tal Sunny Dae) já tinha sido editado por Bill Haley antes (1954) do filme ter sido rodado e exibido, não tendo obtido grande êxito, e foi a sua integração na banda sonora de “Blackboard Jungle” que o catapultou para #1 e para o êxito mundial – e Haley para a fama! Haley por pouco tempo, uma vez que a sua imagem e way of living and acting pouco se identificavam com o rock & roll. O tema viverá para sempre, tal como o filme de Richard Brooks a ele indissoluvelmente ligado.

Em Portugal, quando o disco foi editado, salvo erro pela Valentim de Carvalho, em 78 rpm, a loja aceitava encomendas, tal foi a loucura. Pelo menos tenho disso uma vaga ideia (era e seria ainda uma criança), por conversas captadas lá em casa aos “crescidos” e que são algumas das minhas primeiras memórias de vida, tal como o disco itself que os meus pais compraram sem eu nada entender do que se passava, claro está.

Pois aqui fica um pequeno clip, com o “professor” Glenn Ford, mais tarde na minha vida meu herói de alguns westerns e filmes sobre a WWII.

quinta-feira, abril 26, 2007

PS e PSD em luta pelo controle dos "media"

Hesito se devo começar por “vai por aí uma algazarra” ou “já não há qualquer pachorra”, mas o resultado será o mesmo – e por isso o melhor talvez seja usar ambos. Pois então, vai por aí uma algazarra e eu já não tenho pachorra para a luta pelo controle da comunicação social por parte do governo ou da oposição (leia-se, PSD). Expliquemo-nos. Desde os idos do pós PREC – seja, desde o início dos anos 80 – que, ao contrário do que acontece aqui com o nosso vizinho do lado (mas não só), não existe um registo de controle directo dos media pelos partidos (versão maximalista) ou por correntes ideológicas mais ou menos ligadas aos partidos (versão minimalista). Excepção para o DN e para a RTP que sempre alinharam pelo governo, qualquer que ele fosse. Entretanto a cena começou a mudar, e o primeiro movimento (até ver, digo-o com reservas) foi a mudança de direcção do DN, que parece querer subtraí-lo à óptica governamental.

Aproveitando a maré, eis se não quando o PSD oficial (porque parece que no partido há quem não esteja de acordo) lançou a ideia da privatização da RTP (coisa em relação á qual, diga-se, não tenho qualquer oposição de fundo, mas, devo também dizer que a actual situação não me maçará assim tanto), tentando subtraí-la ao comando e controle do governo. O raciocínio era simples: pertencendo a SIC ao grupo Impresa (de Francisco Pinto Balsemão, militante nº 1 do PSD) a “partilha”, com a privatização da RTP e sua possível entrega a uma entidade “simpática” para a oposição, estaria mais composta, pelo menos em teoria, já que, na prática, para um Balsemão jornalista e empresário, talvez as coisas não fossem assim tão simples.

Pois estava o PSD nestas cogitações quando lhe entrou o inimigo pela porta das traseiras, na pessoa da TVI, da Prisa, do PSOE e do PS. E lá se foi a estratégia e o negócio... Fico muito confortável? Não, não fico. A sério que não, muito menos com Pina Moura por perto; não estou muito habituado a ver partidos a dominar os media e talvez não ache um bom princípio. Mais a mais, a memória do PREC e do pós PREC também não me ajuda lá muito. Mas ver os PSD’s “armados” em virgens vestais alarmados com a vinda dos lobos, confesso, dá-me vontade de rir! É que “isto” é como na tradução portuguesa do filme de Soderbergh: por muito que se esforcem, “ninguém sai mesmo ileso”!!!

quarta-feira, abril 25, 2007

Absolut ads (3)

"Freiheit" (1986)

25 de Abril, P.R. e A. R.

Um pouco inesperadamente (eu, que fui seu aluno, talvez não esperasse lá muito) a modernidade, na sessão solene do 25 de Abril na Assembleia da República, foi-nos deixada entrever pelo discurso do Presidente da República. Aliás, no final, ao ver os aplausos depois de ter escutado o discurso, quem tivesse chegado de outro planeta e não conhecesse o registo das últimas eleições presidenciais não perceberia muito bem quem era de esquerda, direita ou de centro, o que, mais uma vez, me leva a interrogar se os deputados agem por indução ou controle remoto ou se efectivamente são, além de deputados, cidadãos autónomos dotados de inteligência, ideias e capacidade de agir de acordo com ambas.

25 de Abril e a música popular

É no período imediatamente anterior ao 25 de Abril que se constrói a modernidade na música popular portuguesa, com José Afonso, Sérgio Godinho e José Mário Branco, fundamentalmente. Nesse sentido, “Cantigas de Maio” é um álbum chave, aquele que não hesitaria considerar (muitos serão de opinião idêntica – peço desculpa pela falta de originalidade) o melhor de sempre da música popular portuguesa.

Curiosamente, a revolução e o pós revolução pouco trazem de interessante neste campo. A revolução, apenas o GAC – Grupo de Acção Cultural -, dinamizado por José Mário Branco e que nos trouxe dois álbuns inovadores de excelente qualidade, um pouco esquecidos e sem reedição em CD (tanto quanto sei): “Pois Canté” e “Ronda da Alegria”. O pós revolução, António Variações, já que considero o movimento do "novo rock português" musical e genericamente desinteressante e sobreavaliado pela crítica e meios; interessante, sim, apenas do ponto de vista sociológico, pois trata-se de uma das primeiras manifestações genuínas de cultura suburbana.

Quanto ao resto, saliente-se a revalorização e recuperação do fado, nos últimos anos, e de parte importante do seu espólio. De louvar, pois trata-se de um “género” único da música popular e uma das formas mais importantes de expressão da cultura popular portuguesa. Noutra dimensão, espero também se venha a reavaliar um pouco a obra de um autor incluído naquilo que se convencionou chamar de “nacional cançonetismo”, mas que, apesar disso, merece um olhar mais atento, pelo menos em parte da sua obra: Nóbrega e Sousa.

25 de Abril

O 25 de Abril foi um projecto de modernidade. De tornar Portugal uma sociedade mais aberta e cosmopolita, mais urbana e menos rural, mais laica, mais próxima da Europa, em ideias e vivências (mas também dos USA), e mais afastada dos valores decadentes do último império colonial. Mais letrada e menos segregacionista e segregada do mundo. De maior liberdade individual e colectiva e de cidadania acrescida. De maior espírito de iniciativa. De maior responsabilidade de cada um e de menor tutela dos Estado e das instituições. Da maior solidariedade que a própria liberdade pressupõe e da maior coesão a que se obriga. De maior tolerância às ideias e aceitação de modos de vida vários. Acho também que de menores preconceitos.

Para a minha geração, nos últimos anos da adolescência e início da idade adulta em 1974, e para a o grupo social em que me inseria (burguês, urbano, cosmopolita, uma vida confortável e futuro mais ou menos garantido se não preguiçasse ou “asneirasse” demasiado) o antagonismo e contestação para com o regime nasce, fundamentalmente, dessa ausência de modernidade que o esse mesmo regime “oferecia”. Nuns anos sessenta e setenta de ruptura de ideias, ideais e valores, de formas e modos de vida, a ditadura negava-nos a participação nessa aventura que, aos soluços e pelas frestas, lá nos ia chegando da Grã-Bretanha, dos USA e também de França. A uma década de luta contra a guerra do Vietnam, do Maio de 68, do movimento Hippie e do LSD, da swinging London ou da marcha sobre Washington, o regime contrapunha a guerra colonial, a segregação sexual nas escolas, a imposição de valores e comportamentos sociais e culturais (até na música!) herdados de antes da WWII e que já não eram os nossos. Impunha-nos os filmes que podíamos ver (com “cortes” ou sem eles), a música que podíamos publicamente ouvir, os livros que podíamos comprar, os concertos a que (não) podíamos assistir e o modo como nos devíamos comportar. Por último, proibia ou dificultava as nossas idas ao estrangeiro antes da “tropa” e até nos sonegava alguns cursos que gostaríamos de tirar - principalmente aqueles que se situavam no campo das ciências sociais, pois claro. Por isso, para muitos de nós o 25 de Abril foi tudo o que não tínhamos tido fruído de uma só vez e de um só gole, e foi assim que o vivemos: foi o Maio de 68 e Woodstock, a marcha sobre Washington e o rock & roll e os swinging sixties, a rive gauche e a “libertação”, tudo temperado com uns “pózinhos” de revolução de Outubro. Foi o nosso tempo, não de sermos “rebels without a cause” mas de utopias e causas várias, muitas vezes vivido do lado errado, como saudavelmente seria de esperar e de louvar.

Talvez por isso estremeço quando vejo o PCP (hoje em dia talvez o partido onde menos reconheço qualquer resquício de modernidade e abertura) apoderar-se da iconografia do 25 de Abril e usá-la em seu proveito. Quando os vejo “afunilar”, sectariamente, os valores e ideias que estiveram na base da revolução e das suas tantas vivências, afastando os muitos que, nesse período, de muitas e várias formas e modos, hoje à esquerda ou à direita, nele reconheceram uma das suas “melhores horas”. Por isso apenas reconheço no desfile que todos os anos desce a Avenida da Liberdade comemorando (?) este dia, uma manifestação de um passadismo retrógrado, nos antípodas da modernidade e do futuro que foi Abril, dirigido e apropriado por um partido defensor de regimes por onde as ideias e vidas que nos levaram a antagonizar a ditadura de Salazar e Caetano nunca passaram, e eram tanto ou ainda mais antagonizadas do que no Portugal da ditadura. Reconheço o papel do PCP na luta contra a ditadura (embora não tão determinante como o próprio pretende fazer crer), a abnegação e heroísmo inigualáveis de muitos dos seus militantes, mas, felizmente, se a memória histórica molda os nossos valores culturais é com a inovação e a rebeldia que se constrói o futuro.

terça-feira, abril 24, 2007

Clássicos do Cinema (31)

"On The Waterfront", de Elia Kazan (1954)

Exércitos actuais e comportamentos militares

No “Público” de hoje (sem link), o Tenente-Coronel Piloto-Aviador Brandão Ferreira interroga-se, a propósito do comportamento, considerado inadequado, dos militares britânicos capturados (ou raptados) pelo Irão, sobre se “estará a tropa inglesa de boa saúde”. A questão é um pouco mais profunda, e remete para a natureza dos exércitos, ideologias de suporte e guerras actuais.

O modelo de exército do século XX era, com maiores ou menores adaptações, o dos exércitos construídos após o fim do Ancien Régime, do recrutamento geral e obrigatório baseado na ideia de “defesa da pátria”, que lhe servia de suporte ideológico, um conceito também ele herdado da época áurea dos nacionalismos do século XIX. Foi este modelo que combateu nas guerras entre nações, desde Napoleão até à WWII, e é este modelo, em primeiro lugar através da crise da ideologia que o suporta, que começa a ser posto em causa nas guerras coloniais dos anos cinquenta (Indochina), e subsequentes (Portugal), ou nos conflitos localizados da guerra fria (Vietnam/USA e Afeganistão/URSS). Os resultados são bem conhecidos, tanto no campo estritamente militar como contestação e modificação dos comportamentos, até aí, tidos como “próprios” de um soldado numa situação de guerra.

No final do século passado, e, com especial incidência, nos primeiros anos deste século, após o fim da “guerra fria”, o modelo começa a mudar e o exército profissional toma conta dos teatros de guerra. Já não estamos perante o recrutamento obrigatório – o exército de “todo o povo” – nem “a defesa da pátria em perigo” é o cimento ideológico que lhe dá coesão. Estamos perante homens e mulheres que fazem da “vida militar” a sua profissão e se oferecem para os teatros de guerra por mor da melhoria das suas condições de vida (leia-se, financeiras), por vezes com algum gosto de aventura e de conhecer o mundo à mistura. É esta a sua motivação principal e, por via dela, os comportamentos esperados terão de ser necessariamente outros. De que modo irão os Estados enfrentar este problema e como poderão, nestas circunstâncias e em que condições, adoptar códigos de conduta militar adequados e passíveis de cumprimento? É este, efectivamente, o desafio actual.

Anglophilia (33)
























Fortnum & Mason - Since 1707
Piccadilly 181, London

segunda-feira, abril 23, 2007

História(s) da Música Popular (41)

Jan and Dean - "Dead Man's Curve" (1964)

Vocal Surf (III)

Ora aqui está o último capítulo de “História(s) da Música Popular dedicado a Jan & Dean, escolhendo para terminar o seu “Dead Man’s Curve”, # 8 do Hit Parade em 1964. Duas questões.
  • Muitas cidades, terras e “terrinhas” têm a sua "Dead Man’s Curve" (o termo está generalizado nos países de língua inglesa e em português pode traduzir-se por “curva da morte” – também por aí há algumas!) mas aqui refere-se a uma curva específica no Sunset Boulevard.
  • Jan Berry não teve o seu acidente de carro nesta curva, nem ele foi inspiração para o tema: o acidente foi em 1966, já numa fase decadente da sua carreira, e a gravação de “Dead Man’s Curve” é de 1964.

Tendo dito isto, aqui vai, em vídeo, com carros e tudo a ilustrar – como convém e “pertence” – “Dead Man’s Curve”, assim nos despedindo de Jan (Berry) & Dean (Torrence).

PS - E atenção!!!, que virão aí os Beach Boys (ou uma parte da sua obra, pois a mais adulta – a de “Pet Sounds” e Cia – ficará para mais tarde).

O Boavista F. C. e Valentim Loureiro: uma história exemplar

No “Mais Futebol”, Luís Sobral escreve um artigo interessante sobre a actual decadência do Boavista F. C., poucos anos depois de se ter sagrado campeão nacional e ter chegado à segunda fase da “Champions League” e às meias-finais da Taça UEFA. Não vai, no entanto, ao fundo da questão. Vejamos.

O Boavista foi, nas décadas de 80 e 90, o instrumento fundamental da ascensão ao poder de Valentim Loureiro, tal como o FCP o foi para o poder económico, empresarial e político emergente no Grande Porto após a normalização democrática do 25 de Novembro de 1975. Essa afirmação política e empresarial de Valentim Loureiro passou, em primeiro lugar, pela “lavagem” de imagem depois dos seus problemas com a justiça militar na fase final da ditadura, que nada tiveram que ver com a política mas sim com o seu comportamento e actuação enquanto oficial de Administração Militar. O ter ascendido a presidente do Boavista possibilitou, pois, não só a “lavagem” dessa imagem (tornando-o conhecido e permitindo-lhe o acesso fácil aos media), como, com a habitual complacência da normalmente subserviente, e pouco dada a críticas e investigações, imprensa desportiva, mostrar “obra feita” no clube, credibilizando-o e criando para si próprio uma imagem de “fazedor”, empreendedor e gestor competente. Foi alicerçado na imagem e poder assim conseguidos que teceu a sua teia de relações e tráfico de influências, que lhe permitiram a sua ascensão política e desportiva, levando-o a vice-presidente do PSD, autarca, administrador do Metro do Porto e presidente da Liga de Futebol Profissional (e por aí fora...). Mas, se foi a presidência do Boavista F. C. a base, o ponto de partida para a criação deste seu poder, foi esse mesmo poder, criado numa teia de relações que passou inclusivamente pelas ligações à Guiné Bissau, que lhe permitiu levar o Boavista F. C. a campeão nacional, investindo o suficiente no futebol do clube, quando isso foi indispensável para a prossecução dos seus objectivos, e dominando as estruturas de decisão desportiva, desde o ministro (José Lello) ao dirigente máximo da arbitragem (Pinto de Sousa), passando pela sua própria eleição como presidente da Liga. Foi esta estrutura, a teia gigante assim construída durante anos, que inclusivamente passou por ser o único dos “não grandes” a cometer a loucura de construir um estádio de 30 000 lugares (raramente mais de 5 000 estão ocupados) para o Euro 2004, que levou o Boavista F. C., mesmo com um treinador medíocre e iletrado (que a partir daí acumulou despedimentos e fiascos por todo o sítio por onde passou), a campeão nacional, cumprindo mais um passo no percurso traçado, para si mesmo, por Valentim Loureiro no seu projecto de poder pessoal. Uma vez conseguidos os objectivos fundamentais, de imediato o clube desinvestiu, pois nada no projecto indiciava sustentabilidade, e basta comparar, a preços constantes, os orçamentos dos seus anos dourados com os orçamentos actuais. Sobreveio, com a entrada na “zona euro”, a perda de poder do “norte”, a nível político e empresarial, e o “Apito Dourado”, retirando-lhe poder no seu partido, no futebol e nos media, foi uma machadada decisiva neste seu projecto.

É uma história exemplar do Portugal das últimas décadas.

domingo, abril 22, 2007

Eusébio, o telejornal e as eleições francesas

Gosto muito de futebol. Tenho enorme apreço e consideração por Eusébio, como futebolista, benfiquista e cidadão. Daqui os meus votos de melhoras muito rápidas, para que o possa ver de novo, rapidamente, junto ao "banco" do Benfica, toalha branca/fetiche enrolada no braço a torcer e sofrer pelo glorioso com uma intensidade que mais ninguém no mundo é capaz de igualar.
Mais ainda, considero relevantes as notícias sobre o seu estado de saúde. Mas, mesmo assim, que raio de bicho terá mordido à RTP para, em dia de eleições presidenciais francesas, abrir o telejornal das 20h com a notícia sobre Eusébio? É claro que não vai faltar quem diga que o fez por Sarkozy ter sido o candidato mais votado e que outro galo cantaria se tivesse sido Ségo. E a RTP, claro, pôs-se a jeito!... Cá por mim, que nem vivi estas eleições com especial intensidade ou preferência (talvez tivesse votado Ségolène ou Bayrou), não quero acreditar. Mas essa história de não acreditar em bruxas...

Outras Músicas (23)

Charlie Patton (1891 - 1934) - "A Spoonful Blues"

"Conselho Nacional contra (???) a Violência no Desporto"

Na passada sexta-feira reuniu o “Conselho Nacional contra a Violência no Desporto”. Face aos graves acontecimentos registados no último Benfica-FCP, esperaríamos algumas medidas concretas e drásticas para eliminar de vez com violência nos estádios, na maior parte dos casos originada pelo comportamento das “claques”, algo que está manifestamente a prejudicar a indústria do futebol e a que os ingleses, na pátria do hooliganismo, puseram cobro há já mais de uma década. Optimismo a mais, claro está. Penalizar as claques que entoam cânticos obscenos e racistas e que contenham apelos à violência (do tipo “Oh, Pinto da Costa vai para o caralho”, “Eu só quero ver Lisboa a arder”, “Lagartos e tripeiros, todos paneleiros” ou “Em cada lampião, um cabrão”) nem pensar! Proibir a entrada nos estádios a símbolos para-nazis e ofensivos, o que é isso? Forçar quem tenha comportamentos e atitudes impróprias a abandonar o estádio, nunca jamais! Impedir a entrada nos estádios a quem tenha reiteradamente comportamentos neste âmbito, está na lei mas não se aplica. Penalizar pontualmente, ou com jogos à porta fechada, os clubes cujos adeptos incorram comprovadamente em comportamento violento e ilegal? Esqueçam. Saber exactamente o que se fez em Inglaterra e aplicar por cá? Ui, que susto!!!
Não. Os senhores do tal “Conselho Nacional contra a Violência no Desporto” decidiram que o combate passa por medidas tão "radicais" como o registo das claques e pela melhoria da formação dos stewards!!! Ah, e para que tudo se proceda “nos conformes”, no dia seguinte reuniram com os clubes, Liga e FPF pedindo ajuda para a legalização das ditas claques, o que é mais ou menos o mesmo do que pôr a raposa a tomar conta dos ovos e das galinhas! Resta acrescentar que o apoio dos clubes a claques não legalizadas (actualmente, todas) já pode ser sancionado com o impedimento de organizar eventos desportivos – lei nº 16/2004 – mas o CNVD acha não existe razão para agir. Toda a notícia, publicada no “Público” de ontem, seria uma verdadeira comédia, se não fosse, isso sim,trágica! Mas, digo-vos, vale como retrato de algo mais ou menos parecido com um país!

sexta-feira, abril 20, 2007

Disse "Inglês Técnico"?

Recebi há pouco, via internet (deve andar por aí a circular) a já célebre prova de “Inglês Técnico”, devidamente corrigida, do primeiro-ministro José Sócrates (que raio, faz-me sempre alguma confusão que o homem não assine nem seja referido com e pelos apelidos). Bom, vamos passar por cima dos erros e imperfeições, pois estão lá assinalados (alguns) e já muita gente se debruçou sobre o assunto. Vamos mesmo muito para além disso. O que, de facto, me faz alguma confusão e me intriga é o facto de existir num curso de engenharia, ainda por cima no último ano, uma cadeira de “Inglês Técnico”. “Inglês Técnico”? É que, “cá para mim”, inglês suficiente já qualquer aluno, neste nível, deve saber (e a Universidade Independente pensa o mesmo, pois esta era apenas uma cadeira que versava sobre uma área específica da língua o que pressupõe um domínio já razoável da mesma) , e o vocabulário técnico, em minha opinião que gosto de pensar “coisas”, devia ser adquirido ao longo do curso, na consulta de bibliografia publicada na língua original. Ou não será assim? Inglês Técnico”? Fazer redacções e ditados no último ano de uma universidade de engenharia? Mesmo aquela? Mas está mesmo tudo doido? Oh, homem!, faça mas é o “Proficiency” do “Britânico”, engate umas “bifas” e, entretanto, leia uns livros em inglês! Verá que resulta. Dá trabalho, claro - mas também algum prazer - mas lá que resulta, resulta!

O presidente do FCP

O presidente do FCP, a personalidade portuguesa mais genuinamente parecida com um "Padrinho", acaba de declarar que "transformou uma empregada de alterne em escritora". Para além do mau gosto da declaração - que fica com quem a pronunciou - esqueceu-se de acrescentar que, antes disso, a transformou em sua mulher e madrasta de sua filha.

William Blake: "Songs of Innocence and of Experience" (11)

The Sun does arise,
And make happy the skies.
The merry bells ring,
To welcome the Spring.
The sky-lark and thrush,
The birds of the bush,
Sing louder around,
To the bells chearful sound,
While our sports shall be seen
On the Ecchoing Green.

Old John with white hair
Does laugh away care,
Sitting under the oak,
Among the old folk.

"The Ecchoing Green" (1ª parte) - poema e ilustração de William Blake para "Songs of Innocence and of Experience"

quinta-feira, abril 19, 2007

"Arte Popular" no "Estado Novo"

Página do livro, Vida e Arte do Povo Português, planeado por Francisco Lage, Luís Chaves e Paulo Ferreira, executado sob a direcção artística de Paulo Ferreira, com desenhos seus e fotografias de Mário Novais na Litografia Nacional Porto. Secretariado da Propaganda Nacional, Edição da Secção de Propaganda e recepção da Comissão Nacional dos Centenários. Com uma introdução de António Ferro. Lisboa, 1940

Sobre as formas de tratamento em Portugal: uma história simples

Aqui há uns anos (alguns), trabalhava comigo, na subsidiária portuguesa de um grande grupo empresarial americano, um francês, ruivo e sardento, de origem irlandesa, feitio um pouco irascível como pertence por tradição e definição apressada aos descendentes da ilha vizinha dos britânicos. Além de colegas, tínhamos uma relação hierárquica, pois, como se diz no jargão das empresas, ele “reportava” a mim. Falávamos em português, excepto quando ele, irritado com alguma discordância ou opinião não partilhada, resolvia praguejar em francês, não para que eu não o entendesse, pois bem me sabia de origem francófona e fluente na língua de Rosseau e Molière, mas talvez porque isso lhe era mais fácil e, simultaneamente, assim também contribuísse para que acabássemos mais facilmente a rir, desanuviando o ambiente.

Mal roçávamos, na altura, os trinta anos e tratávamo-nos pelo primeiro nome e por você, numa empresa em que os títulos académicos eram, no dia a dia, ignorados ou desconhecidos e apenas constariam dos respectivos CV arquivados no departamento de recursos humanos. Pois um dia, o bom do B. (vamos chamar-lhe assim) decidiu perguntar-me: J, você que é português mas de cultura francófona é a única pessoa que eu conheço que me pode explicar uma coisa. Nós tratamo-nos por você e pelo primeiro nome, como à maioria dos nossos colegas que assim também nos tratam. Você e eu tratamos o presidente da companhia por você e pelo primeiro nome, mas você trata o motorista dele por Sr. A, a senhora dos cafés por Srª Dona X e permite que ambos o tratem pelo primeiro nome. Não percebo, confesso que não percebo!

Bom, lá tentei, o melhor que pude e soube, dar-lhe um curso acelerado sobre as formas e nuances de tratamento em Portugal. Inclusivamente, sobre o facto de uma das minhas avós, sua compatriota, apesar de viver em Portugal desde os dezoito ou vinte anos, nunca ter sido tratada - entre criadas, porteira, modista e comerciantes do bairro - por Srª Dona mas sim de “Madame”. Sobre a história dos Doutores e Engenheiros o pobre do B. já tinha sido há muito avisado, embora continuasse a fazer-lhe alguma confusão quando, fora da empresa mas na vida profissional, assim se lhe dirigiam. Sobre o resto, incluindo a diferenciação de tratamento ao motorista e senhora dos cafés, acho terá sido mais complicado, apesar dos meus reconhecidos dotes pedagógicos. Quem sabe ainda hoje estará para perceber!?

Um país de tristes...

Confesso que não resisti até ao fim, mas parece-me que a política esteve particularmente ausente no debate entre Paulo Portas e Ribeiro e Castro, ontem na RTP1. Aliás, nos últimos tempos a política e as ideias teimam em estar particularmente ausentes do debate em Portugal. E, curiosamente, quando existe, esse debate político é mesmo assim mediatizado pelo espectáculo, como aconteceu com o cartaz (aliás, excelente) do “Gato Fedorento” sobre os “meninos” do PNR. Até na “bola”, o que mais se discute não são tácticas nem sistemas, modelos ou estratégias, mas a personalidade de um treinador e o resultado de um único jogo, que o pode ou não levar ao despedimento. É um país de tristes, uma tristeza de país.

quarta-feira, abril 18, 2007

"Que floresçam mil flores"... (9)


O Portugal da "bimbolândia" (2)

Do "Público" de hoje. Ou seja: depois da Fórmula Um em Paredes, temos Hollywood em Beja pela mão do "celebrado" Saleiro e do ex-vereador Breyner.

"Saleiro quer transformar Beja na Hollywood da Europa
18.04.2007, Carlos Dias
A instalação de uma cidade do cinema em Beja é o novo objectivo para a região baixo-alentejana e que acaba de ser anunciado pelo presidente da Associação Comercial do Distrito de Beja (ACDB), António Saleiro. O projecto está a ser dinamizado pelo actor Nicolau Breyner, natural do concelho de Serpa. António Saleiro disse ontem na Rádio Pax de Beja que já "convidou as forças vivas da região", sejam autarcas, empresários, agricultores e ainda a diocese de Beja para estarem presentes numa reunião que vai realizar-se no próximo sábado, para os incentivar a "abraçar o projecto liderado por Nicolau Breyner". O empresário está convencido do êxito da iniciativa, "se tivermos capacidade e engenho para avançar" com o projecto da instalação no concelho de Beja de uma cidade do cinema que Hollywood já anunciou querer instalar no espaço europeu, focando a grande vantagem de estar a ser construído o aeroporto de Beja, que considera "uma das melhores infra--estruturas em termos de mobilidade e ligação com o mundo". O presidente da ACDB revelou que Nicolau Breyner lhe comunicou a intenção de poder ali instalar a cidade do cinema. Como o actor "tem uma ligação muito directa com os homens do cinema americano", António Saleiro acredita que estes possam optar pela instalação em Beja em detrimento "de Marrocos, Argélia, Espanha ou até mesmo Montijo", referiu António Saleiro, destacando a disponibilidade já manifestada pela Câmara Municipal de Beja, governador civil e diocese de Beja de "abraçar a ideia", que, só por si, justifica a "razão de existir" do aeroporto, cujas obras arrancaram na segunda-feira. Sintetizando o que será a cidade do cinema em Beja, Saleiro explicou que é uma infra-estrutura "onde podem ser montados cenários e onde permanentemente temos actores e actrizes de todo o mundo a fazer filmagens" coordenados a partir de Hollywood.A partir do momento que os americanos revelaram interesse para instalar na Europa uma cidade do cinema, e como "nós estamos em condições para o poder fazer", só falta convencê--los "que é em Beja que deve ser feita", defende o presidente da associação de comerciantes de Beja. Saleiro enfatiza a vantagem de estar a ser construído o aeroporto de Beja, que garantirá ligação com o mundo".
Regionalização? Não, obrigado!

No "aftermath" da derrota. Algumas questões s/ o futebol do Benfica (2) - Que fazer?

O costume. A Benfica chega ao fim da época sem nada ganhar e o treinador é posto em causa. Discordo. Não sendo eu um “fanático” de Fernando Santos e não considerando a sua continuidade como indispensável, não é essa a questão fundamental, muito longe disso. Analisei em post anterior várias questões importantes por onde passam os problemas do futebol do clube. Vejamos agora quais as soluções.

Partamos de dois princípios: não conheço o que se passa no balneário e nos bastidores e por isso não me debruçarei sobre o assunto nem tecerei teorias da conspiração tanto a gosto de alguns comentadores encartados; partirei do princípio que todos os 13/14 jogadores que têm sido mais utilizados por Fernando Santos continuarão no clube (incluindo Nuno Assis), não especulando sobre hipotéticas saídas. Vejamos então:
  1. Tal como uma empresa deve ter uma política de contratação e gestão de “recursos humanos” o clube tem de que ter uma política de contratações, salários, integração, etc, muito bem definida. Não pode contratar, como até aqui, um pouco casuisticamente, uma vez acertando, outras não, integrando ou não os jogadores na equipa consoante “o que a época vai dando”. Isso permitir-lhe- á errar menos e, assim, rentabilizar os seus recursos.
  2. Não vejo uma razão suficientemente forte para afastar o treinador, uma vez que não só não terá cometido erros que o justifiquem como iniciou algo que se revelava há muito necessário e que, numa primeira fase, constituiria um risco: a mudança do modelo e do sistema de jogo da equipa, passando de uma equipa de “espera” e contra-ataque, baseada num 4x2x3x1, para uma equipa que assume o jogo, de “ataque continuado” e circulação de bola, baseada num 4x4x2 em losango. É uma mudança essencial para quem terá de “assumir” o jogo em 95% das ocasiões, jogando contra equipas “fechadas” junto à sua área. Mesmo que a direcção do clube se decida pela mudança do comando técnico (o que, reafirmo, não constitui o key issue que levará à resolução dos problemas) deverá privilegiar a contratação de um treinador que perfilhe o mesmo ou um modelo de jogo semelhante, mantendo, tanto quanto possível, a identidade da equipa.
  3. Terá de emprestar Moreira para onde este possa jogar e evoluir – nunca vender o seu passe, pelo menos de momento. O clube não tem referências fundamentais vindas da “formação” e Moreira, até pela empatia que criou com os adeptos, pode vir a ser, no futuro, um activo importante.
  4. Terá de contratar um defesa direito mais consistente a defender, mais inteligente na integração do seu jogo com o colectivo, mais alto (o que permitirá melhorar o déficit da equipa neste campo e o jogo na sua área defensiva), mas simultaneamente capaz de se integrar com alguma facilidade nas acções ofensivas, questão essencial no actual modelo de jogo da equipa.
  5. A contratação de mais um central parece ser indispensável, até para uma ideal integração progressiva de David Luiz, que vem da 3ª divisão do Brasil e tem apenas 19 anos. Se for suficientemente polivalente para ser alternativa no lugar de pivot defensivo (o “trinco”), melhor ainda.
  6. Partindo do princípio que Rui Costa poderá jogar mais um ano, mas sempre limitado (fará 36 anos na próxima época) a 20 ou 30’ por jogo, e que Simão, Nuno Assis e até mesmo Karagounis (em último caso) poderão assumir o vértice mais adiantado do “losango”, a equipa precisa de um médio “box to box” que possa entrar “de caras” na 1ª equipa e um outro como alternativa.
  7. Mantorras, pelo seu passado no clube e pelo historial da sua lesão, pela ligação a Luís Filipe Vieira e pelas suas afirmações recentes, tornou-se num elemento “desestruturante” no grupo. Seria melhor emprestá-lo ou dispensá-lo.
  8. Por fim, a questão-chave: um striker que valha 15/20 golos por época, que potencie o poder fisico-atlético da equipa e a sua capacidade para jogar na área contrária, e um outro que possa constituir uma alternativa credível, mesmo que a prazo.


Para além disso, será importante que a direcção transmita para todo o futebol do clube, “para baixo”, um exemplo do seu relacionamento com os adeptos e de gestão do plantel mais baseados no rigor e menos num populismo de emoções certas no curto prazo, mas de ausência efectiva de resultados no presente e de credibilidade no futuro.

Estas são - em minha opinião, claro está - as verdadeiras questões a enfrentar. Tudo o resto serão elementos distractivos, que evitam a concentração no essencial e que, como tal, deverão ser evitados.

terça-feira, abril 17, 2007

"Personalidades": Valentim Loureiro, Alberto João Jardim e Jorge Coelho

Alguns políticos portugueses construíram para si personalidades que lhes permitem ser avaliados e verem as suas opiniões escrutinadas pela opinião pública (talvez seja mais correcto dizer, pela opinião publicada) de modo muito particular, com condescendência e bonomia. Têm, por assim dizer, direito a alguma indulgência e aquilo que dito ou protagonizado por outros seria avaliado pelos padrões comuns, no seu caso tem direito a ser considerado em função e de acordo com as especificidades desse perfil, da “marca” que para si construíram. Nada de muito grave, poderíamos concluir, não fosse o caso de isso lhes conceder um estatuto especial e privilegiado, quase como se tratasse de uma casta, uma aristocracia “às avessas” que corresponde a baixos padrões éticos e não a um comportamento de excelência.

Três exemplos. O comportamento grosseiro e rufia de Valentim Loureiro - cujos problemas com a justiça, civil ou militar, não são de hoje - a notória falta de educação que constitui sobrepor o seu tom de voz a todos os outros, interrompendo-os – e assim seria considerado se assumido por qualquer outro – é muitas vezes assumido como voluntarismo, como marca distintiva de empreendorismo, de alguém que é uma força da natureza na sua vontade de “realizar”, de não se deixar vencer. Como símbolo de quem não se deixa abater, de uma vontade indómita que até terá levado o seu clube a campeão nacional.

Já em outro desses exemplos, o de Alberto João Jardim, o seu verbo desabrido, por vezes (muitas) mesmo brejeiro e denunciando as alegrias e descontracção que o álcool contribui para libertar, é significado de proximidade com o povo, de intimidade com quem o considera “um deles” e não se revê nos “mouros” lá do “contenente”. É, no fundo, reflexo de comunhão com os seus, ou com aqueles que o próprio Jardim tenta erradamente apresentar como sendo seus iguais, no fundo desvalorizando-os. Por vezes, também, é visto como se fosse senhor de uma irresponsabilidade desculpável, um pouco como o “bobo”, o tonto da aldeia a quem quase tudo é permitido na medida em que isso contribua para nos divertir sem, no essencial, pôr quase nada em causa.

Por último, Jorge Coelho. Os seus discursos de uma demagogia eivada do mais rasteiro populismo, a sua aparente impreparação intelectual e déficit de cosmopolitismo quando comparados com os seus parceiros de debate, são interpretados como reflexo da sua proximidade e intimidade com as bases do partido, com o Portugal mais profundo onde tem a sua influência o que lhe concede o “dom” da capacidade mobilizadora das massas. Enfim, são considerados como o elemento positivo indispensável ao controle do aparelho, como se esse fosse constituído por uma massa acéfala só assim despertada e controlável. Por fim, a sua tantas vezes falta de pensamento próprio, de autonomia crítica, é apenas considerada como lealdade, quase sendo considerado como o guardião do Santo Graal partidário.

São análises erróneas, oriundas da nossa tradicional falta de rigor e de exigência e da condescendência para com a mediocridade. Do medo do confronto. Do debate ligeiro e superficial e da menorização da política e da estratégia. São, simultaneamente, sintomas e factores potenciadores do nosso atraso.

segunda-feira, abril 16, 2007

Absolut ads (2)

"Crazy Horse" (1998)

História(s) da Música Popular (40)


"Vocal Surf" (II)

Ora vamos lá contar uma história. Parece que nos anos anteriores à WWII muitos americanos afectados pela grande depressão e pelas grandes tempestades de poeira dos anos trinta nas planícies do midwest se viram obrigados a emigrar para o oeste, e muitos ter-se-ão fixado assim na Califórnia para refazerem as suas vidas. E desses, alguns lá se fixaram em Pasadena, pequena cidade de pouco mais de 100 mil habitantes na zona de LA. Como a vida é muito ingrata e os homens vivem em média menos tempo do que as mulheres, parece que lá por Pasadena se morria muito, e foi assim muitos terão morrido nos anos cinquenta deixando viúvas inconsoláveis e carros na garagem que essas mesmas viúvas quase não usavam. E foi também assim que por lá nasceu mais um argumento de venda para os negociantes de carros em segunda mão, o carro da “velhinha” de Pasadena quase sem uso e que ela queria vender (claro que esta argumentação não é nova e conhecemo-la com adaptações locais um pouco por todo o lado). Mas pronto, assim terá nascido também mais um surf hit para Jan and Dean, só que, neste caso, a “velhinha” era mesmo uma acelera, como convém a verdadeiros surf riders!

Pois “Little Old Lady From Pasadena” é de 1964 e, apesar de ter sido só #3 e não #1 como “Surf City”, é talvez o tema de Jan and Dean mais conhecido aqui pelo rectângulo. Será mesmo assim?
PS. Ah, parece que a velhinha existia mesmo e era actriz de cinema e televisão. Chamava-se Kathryn Minner e foi também protagonista de uma campanha de publicidade para a "Dodge".

O Mundo em Guerra (32)

USA

"Novas Oportunidades" - mais um caso de falta de profissionalismo

A campanha de publicidade integrada na iniciativa do governo “Novas Oportunidades” tem gerado críticas e alguns anticorpos (a este propósito, ver “Arrastão”, por exemplo). Alguns consideram-na ofensiva para determinadas profissões menos qualificadas e para quem não teve oportunidade de estudar. Não sei se com ou sem razão, essas críticas. Nem isso é muito relevante; o que é importante é que existem. Mas o que é ainda mais importante é que essas reacções bem poderiam ter sido “despistadas” se a campanha tivesse sido testada. E minimizadas assim as hipóteses de erro. E se mesmo assim os resultados tivessem sido negativos, isto é, se o problema não tivesse sido detectado no teste (pode acontecer), o governo e os seus autores estariam a salvo de quaisquer responsabilidades e poderiam apresentar prova de “boas práticas”. Acresce que o custo do research (pré-teste) corresponde apenas a uma pequena parte do valor investido na campanha, facilmente recuperável pois permite maior eficácia. Se não se fez foi apenas por falta de rigor e profissionalismo. Por desleixo ou por ignorância. Que sai caro, muito caro, como se prova! Não só neste caso como no antecedente "Allgarve". Como em dezenas de campanhas anteriores.

domingo, abril 15, 2007

"Pressões" jornalísticas e democracia

Ministros, secretários de estado, assessores de imprensa e empresas de comunicação “esfalfam-se” todos os dias para que notícias favoráveis ao governo “saiam” na comunicação social e as desfavoráveis sejam evitadas. O mesmo fazem, através dos seus dirigentes e das suas assessorias mediáticas, as principais empresas e instituições privadas (e de utilidade pública, algumas) deste país. Por sua vez, jornais, rádios, televisões e jornalistas, desde directores a simples estagiários, tentam resistir a essas e outras pressões (dos accionistas dos próprios “meios”, por exemplo), quando isso lhes interessa, ou não resistir (idem) tentando não perder as suas fontes, as suas entrevistas em exclusivo ou as suas notícias em primeira mão. E para isso pressionam as suas fontes, tentam manter-se nas suas boas graças e concedem-lhes benesses jornalísticas. Isto é, fazem pela “vidinha”, a sua e a do orgão de comunicação para o qual trabalham, assegurando a sua promoção profissional e o êxito do seu jornal, rádio ou estação de TV junto de leitores e anunciantes. Têm responsabilidades perante a comunidade, os leitores, ouvintes ou espectadores, e também perante os próprios accionistas. Em última análise, os orgãos responsáveis deontologicamente pela profissão deverão zelar pelo cumprimento das regras a que se obrigam, bem como os tribunais pelo cumprimento das leis por que se rege o país, estado ou autonomia regional. E aqui, sim, é preciso estar bem atento perante certas decisões recentes. É assim em democracia, a qual não existe de outro modo; tal como não existe sem eleições, sem livre iniciativa, sem liberdade de associação, etc. Tal como será tão mais forte quanto maior for o grau de coesão e integração social .

Claro que na ditadura de Salazar e Caetano o que acima se descreve não existia, pois havia a censura. Como também não existe nos países dos “queridos líderes”, sejam eles onde forem ou chamem-se eles o que se chamarem. Aí todos os “meios” são do Estado. Ainda alguém tem dúvidas sobre a escolha?

sexta-feira, abril 13, 2007

Grandes Séries (13)


Mais um clip de "Lipstick On Your Collar" (Dennis Potter, 1993) desta vez do quarto episódio e uma vez mais featuring Ewan McGregor, aqui imitando e fingindo que canta o célebre "Be-Bop-A-Lula" de Gene Vincent.

O Portugal da "bimbolândia"

Andamos todos por aqui entretidos a discutir a vida sexual (desculpem, académica) do 1º ministro e de repente damos de caras com esta notícia:

“A autarquia de Paredes vai construir um parque industrial para o sector automóvel. O objectivo é criar condições para a instalação de empresas do sector, escolas técnicas e ainda uma pista de automobilismo capaz de receber treinos de Fórmula 1. A pista deverá ser concebida pelos homens do patrão da F1, o conhecido Bernie Ecclestone. O investimento, numa primeira fase, é da ordem dos cinco milhões de euros.” (“Semanário Económico”, 13.04.07)

Acho que nada de melhor poderia existir para nos trazer imediatamente de volta, de modo brutal, a esta nossa realidade provinciana, da falta de rigor, do desperdício, do alheamento da realidade do mundo e da vida, das decisões centradas em ideias fantasistas de quem – lá na “terrinha” - se acha o centro do mundo e da inteligência indígena, perante os salamaleques dos subservientes do costume e a ideia, mil vezes repetida, de que “quer pôr Paredes no mapa”. Pois já viram bem o que seria ter o Fernando Alonso a curvar em derrapagem controlada lá em Paredes? Quantos espanhóis isso iria trazer lá do Principado das Astúrias que até nem é assim tão longe? De facto, talvez o “Semanário Económico” nos esteja a fazer um favor ao publicar a notícia, pois ela poderá muito bem ter o condão de alertar quem de direito para o enorme disparate, já que chamar à realidade luminárias de onde partiu tal ideia deve ser tarefa bem impossível, condenada ao insucesso.

Regionalização? Não, obrigado!!!

"Lucy in the Sky with Diamonds" (5)

Lee Conklin foi o autor, em 1969, deste cartaz para um concerto dos Iron Butterfly at Filmore East

No "aftermath" da derrota. Algumas questões s/ o futebol do Benfica

Independentemente da “curteza” do plantel, em relação à qual já tudo foi dito (o Benfica tem 13/14 jogadores de primeira equipa), eis alguma questões a merecerem resolução por parte dos responsáveis do meu clube:
  1. A equipa do Benfica apresenta um muito claro déficit de altura. Num normal escalonamento inicial, apenas três jogadores têm mais de 1,80m (Luisão, Katsouranis e Anderson ou David Luiz – todos eles centrais e um médio) e, pior ainda, a “moda” estatística aproxima-se perigosamente do 1,70m (Petit, Simão, Nélson, Leo, Karagounis e Miccoli – não falando já de Manu e Paulo Jorge). Em alta competição, já não se usa.
  2. Apresenta, também, uma enorme insuficiência de “presença” e de poder físico-atlético na área contrária, com a consequente incapacidade de nela jogar. Raramente Nuno Gomes ganha uma disputa aos defesas contrários, quer no centro quer nas alas, principalmente no jogo aéreo, o que também torna inútil o recurso ao jogo directo quando as circunstâncias do jogo o poderiam aconselhar. Essa insuficiência tem sido disfarçada com os remates de longe, os livres e o avanço dos centrais e de Katsouranis nas bolas paradas. Mas quando Luisão e o grego não estão...
  3. Ligado com o tema anterior, o Benfica não tem um verdadeiro striker desde os tempos de Van Hooijdonk e João Tomás. A nível interno a “coisa” lá se vai disfarçando, tal como quando a equipa, no tempo de Trapattoni e Koeman, jogava em contra-ataque. Jogando num 4-4-2 em losango, em circulação de bola e “ataque continuado”, a carência é por demais evidente. A ausência de convicção de Nuno Gomes no momento do remate é confrangedora. Com tantas contratações inúteis, não dá para compreender. Que raio, também não se pede um Drogba!
  4. As transições ofensivas e a criação de desequilíbrios no ataque dependem demasiado (ainda mais quando Simão está em menos boa forma) da acção atacante dos laterais, o que “descompensa” defensivamente a equipa, principalmente quando Luisão não está e Katsouranis (o grande pêndulo da equipa) está a meio gás. A situação piora porque Nelson não tem nem a ciência nem a experiência e inteligência de jogo de Leo, acabando as jogadas pelo flanco direito demasiadas vezes em centros “para o pinhal”, ou, pior ainda, perdas de bola infantis e passes para os adversários apanhando a equipa em “contra pé”. Independentemente de alguns fogachos e de tentar corrigir falhas no seu posicionamento defensivo e na sua integração no colectivo, dificilmente Nelson virá a ser um lateral de categoria.

E se a direcção e o treinador do Benfica pensassem a sério em resolver isto?

quinta-feira, abril 12, 2007

Recomendação

A SIC Mulher anuncia para os próximos sábado e domingo (à uma da manhã, mas não se pode ter tudo) a mini-série “Painted Ladies”, com “Dame” Helen Mirren. Valerá a pena a noitada, posso assegurar.

Anglophilia (32)


1º ministro, juventudes partidárias e carreiras académicas

Em Portugal, existe a tradição de os políticos ostentarem um grau académico, normalmente, e no mínimo, a licenciatura. Até no PCP, “partido da classe operária” com uma tradição de forja de lideres dela oriundos, isso acontece pelo menos desde que Cunhal ascendeu a secretário geral, sendo a excepção, de muito fresca data, Jerónimo de Sousa, curiosamente, divergências à parte, um excelente político muito bem preparado para as funções que exerce. É natural que assim seja, não só porque se espera que sejam os melhores a governar, e a isso corresponderá em princípio uma melhor qualificação escolar, como porque os políticos são normalmente oriundos das classes “mais favorecidas” (digamos assim), o que facilita essa sua progressão na vida académica. As excepções, aqueles de meios mais pobres que ascenderam na sua formação escolar, servem para confirmar a regra, em princípio dados os seus dotes de excelência.

Mas há ainda mais. Em Portugal, o empreendorismo nunca teve, por razões históricas e de regime, grande prestígio, autonomia ou desenvolvimento. Industrialização incipiente e tardia, condicionamento de acesso durante a ditadura, anátema ideológico durante e no pós revolução são apenas algumas das razões. Também será difícil, reconheçamos, ou até mesmo impossível nos dias de hoje dadas as exigências, conciliar uma carreira política bem sucedida com uma actividade profissional no sector privado com igual sucesso. Mais uma razão, portanto, para não se estranhar que os políticos sejam maioritariamente oriundos de actividades ligadas ao Estado, e, por maioria de razões, da área académica. Não digo que isso seja desejável, limita-se a ser lógico e a acontecer de facto.

Mas o problema começa agora, quando os primeiros políticos oriundos das juventudes partidárias começam a aspirar ou a chegar a lugares de destaque. Iniciados na política da intriga e do aparelho desde muito novos (muitas vezes desde o secundário) pouco ou nenhum tempo lhes terá sobrado para uma carreira académica prestigiante numa universidade que requeira exigência de estudo e forme competências. E a alternativa aí está, em todo o seu esplendor: não querendo, possivelmente por acharem desprestigiante quando comparados com a geração ou gerações anteriores, assumirem essa sua situação, de facto, recorrem a licenciaturas de valor mais do que duvidoso, obtidas de um modo que se aproxima do clandestino em universidades privadas cuja actividade académica está muitas vezes longe de constituir o seu core business. E, aqui como em qualquer outro negócio ou actividade, todos sabemos que um almoço nunca é de graça!

quarta-feira, abril 11, 2007

O 1º ministro e a entrevista

Breve nota: após a parte juicy da entrevista do 1º ministro e a entrada na parte boring, nada, ou quase, posso acrescentar a este meu post. Apenas algo mais e marginal à questão-chave. Se o governo, na pessoa do 1º ministro ou do ministro das finanças, não deu indicações à Caixa Geral de Depósitos numa questão estrategicamente tão importante como a orientação do seu voto na Assembleia Geral que decidiu sobre a desblindagem dos estatutos da PT, então para que serve manter a Caixa como banco público?

O 1º ministro na RTP

Desvalorizando o Parlamento, o primeiro-ministro irá hoje à RTP dar explicações sobre o seu curriculum académico. Será que ainda o veremos todos os meses no "Forum TSF" e no "Opinião Pública" da SIC a prestar contas ao país sobre a governação?

História(s) da Música Popular (39)

Jan and Dean
"Vocal surf"

Ora, pois vamos lá voltar á surf music que já se faz tarde e Jan (Berry) and Dean (Torrence) não podem esperar. Pois Jan and Dean, ambos naturais de LA, Ca - muito menos conhecidos que os Beach Boys – foram autores de uma série impressionante de êxitos entre 1958 e 1966, ano em que um desastre de carro em Whittier Boulevard (não foi na “Dead Man’s Curve” – um dos seus maiores êxitos) quase matou Jan Berry. Eram colegas na equipa de futebol (americano, o nosso diz-se soccer) da Emerson Junior High School quando gravaram o seu primeiro single (“Jennie Lee”), mas o êxito chegou só em 1963 com o #1 “Surf City” escrito por Jan (Berry) e – imaginem lá!!! – por Brian Wilson (o dos Beach Boys, claro), responsável, mais tarde, pelo inesquecível “Pet Sounds”, um dos melhores álbuns de sempre (o melhor?) da música popular. Mas isso é já outra conversa, restando por agora acrescentar que Dean (Torrence) também canta no célebre Barbara Ann dos rapazes de Brian Wilson. Uma promiscuidade!

Mas depois de alguns êxitos – para além de “Surf City” ainda ouviremos por aqui "Little Old Lady From Pasadena" (#3, 1964) e "Dead Man’s Curve” (#8, também 1964), eis se não quando, em Abril de 1965, Jan (Berry) resolveu chocar com um camião a 100 à hora matando três dos seus passageiros e ficando (quase) amnésico durante anos. De tal modo que só em 1973 se passou novamente a lembrar das “letras” das músicas...

Mas pronto, para já aqui fica a “Surf City” de Jan and Dean, com um vídeo obtido com a colaboração do "You Tube" e de... Walt Disney!!! Até já!

terça-feira, abril 10, 2007

The Classic Era of American Pulp Magazines (30)

Ilustração de Amos Sewell para o "Nick Carter Magazine" (Novembro de 1934)

Os "estudos" do primeiro-ministro

Sejamos claros: a questão não é se o primeiro-ministro possui ou não a tal licenciatura, mestrado, pós-graduação, MBA e não sei bem o que mais, bem como os comprovativos que possa apresentar passados pelas instituições competentes para o fazer. Aparentemente, disso ninguém duvida. A questão é, isso sim, de que modo e a troco de quê eles foram efectivamente concedidos e qual o seu efectivo valor no mercado... E aqui entramos num mundo demasiado fluído e cheio de sombras, como já deu bem para perceber e concluir. O que também significa que nada de conclusivo irá acontecer, para além da eterna suspeição, claro.

segunda-feira, abril 09, 2007

Da arquitectura, dos estádios e dos bairros

Por norma - e bom gosto - não vejo os jogos do campeonato português na televisão, excepto os do meu clube (o Benfica), quando não vou ao estádio, e os Sporting/FCP ou vice-versa. No entanto, sábado à noite dispus-me a ver o Braga-Sporting, uma vez que era o jogo entre o terceiro e quarto classificados e de importância fundamental para o desfecho do campeonato. Aguentei até ao minuto 35, depois de verificar que o Braga não era capaz de fazer mais do que três passes seguidos, de menos de cinco metros, sem perder a bola, e que era também totalmente incapaz de construir uma jogada com princípio, meio e fim. Decidi-me pela leitura dos jornais de fim de semana piscando o olho de vez em quando para o Athletic Bilbao – Valência.

Mas os tais 35’ a ver jogar só o Sporting deram-me espaço e tempo para pensar um pouco sobre aquele estádio de Braga, obra premiada e emblemática da arquitectura nacional e não só. Convém dizer que nunca lá assisti a nenhum jogo, e só vi o estádio em directo e ao vivo – isto é: no local – na fase final da sua construção, aí pelos finais de Agosto de 2003. A “coisa” impressionou-me, como já me tinha impressionado quando vi as primeiras maquettes da net. Mas os primeiros jogos via TV mergulharam-me de imediato em algumas pungentes dúvidas e interrogações que o tempo se encarregaria de confirmar. Como diria o tal senhor francês, um estádio de futebol serve para se jogar e ver o dito. Melhor ainda, serve de local onde se produzem espectáculos de futebol que se desejam ser o mais bem sucedidos e vendáveis possível. Cumprirá o estádio do arquitecto Souto Moura tais desígnios? Sinceramente, eu, que não consigo fazer um risco direito no papel, acho que não. Em primeiro lugar, porque o facto de não ter bancadas nos topos prejudica a proximidade do público, o “calor humano” (passe o chavão) tão necessário ao espectáculo. Basta ver que um dos segredos do êxito da “Premiership” é essa proximidade entre público e jogadores, essa “homogeneização” e simbiose dos intervenientes assim conseguida, quando Frank Lampard (por exemplo) corre para os adeptos a festejar um golo ou quando é focado o público atrás das balizas nos pontapés de canto e nos livres mais perigosos. O estádio de Braga torna o espectáculo frio e distante, e basta compará-lo com algum jogo no “Bessa” (um estádio nos seus antípodas em termos conceptuais) que tenha mais de 15.000 pessoas a assistir. Em segundo lugar, já houve queixas de que o lugar era frio e desconfortável, o que não estranho, pois, para além de uma situação em zona de ventos (pareceu-me), a inexistência de bancadas atrás das balizas contribui não só para o ambiente emocionalmente frio como também (imagino) para uma maior exposição do público ao frio e ao vento.

Penso estarmos perante mais um caso de arquitectura inimiga do utilizador (o contrário de user friendly) o que é, infelizmente, bem mais comum do que seria desejável. Durante anos vivi na zona da avenida de Roma/ avenida EUA, e algo de semelhante é aí também verificável. A Avenida EUA foi considerada durante muito tempo um exemplo de urbanismo moderno, com os seus prédios assentes sobre “estacas”, perpendiculares à rua, com espaços verdes entre eles e sem comércio. Pelo contrário, a avenida de Roma é um exemplo típico de urbanização tradicional, com prédios paralelos à rua, sem espaços verdes e o comércio situado nos pisos térreos integrando-se com a habitação. Hoje é uma zona segura, onde milhares de pessoas passeiam diariamente entre lojas, cafés e “dois dedos” de conversa e vizinhança. Pelo contrário, a avenida EUA é mais insegura, fria (em temperatura e ausência de peões) e ventosa, pois a disposição urbanística permite que o vento circule com mais facilidade e a ausência de comércio não contribui para potenciar o “passeio” e o tornar agradável. Acresce que os espaços verdes são pouco utilizados, excepto para a actividade higiénica (?) canina, como é tão habitual em Lisboa.

Enfim, esta história da arquitectura faz-me lembrar um pouco o festival de Cannes do filme publicitário: os filmes que ganham prémios muito raramente cumprem o seu objectivo de publicitar eficazmente uma marca, e por isso nunca os vemos passar na televisão ou no cinema, pois o seu objectivo último joga-se apenas nesse mesmo festival...

sábado, abril 07, 2007

Outras Músicas (22)



Georg Friedrich Händel (1685 - 1759) - "Messiah", HWV 56 (1741). Côro "Hallelujah".
The Boston Pops Orchestra and the Tanglewood Festival Chorus dirigidos por John Williams.

sexta-feira, abril 06, 2007

Clássicos do Cinema (30)

"The 39 Steps", de Alfred Hitchcock (1935)

A propósito do Espanyol-Benfica

A identidade de uma equipa é algo de estrutural, e a adaptação dessa identidade às características do adversário, como é fácil de entender, constitui algo de conjuntural. Preparar e implementar essa adaptação mantendo a respectiva identidade, ou até reforçando-a nos jogos mais decisivos, significa manter o que é essencial modificando o que pode ser considerado pontual e adaptável, reforçando as hipóteses de sucesso. É, pois, uma atitude que revela inteligência. Mudar de identidade, descaracterizando a equipa, além de revelar provincianismo e um complexo de inferioridade notório, significa sacrificar a estratégia à táctica, o essencial ao acessório. É revelador de falta de inteligência e conduz normalmente ao descalabro. Para além dos eventuais prejuízos desportivos, podia, e poderá, ter conduzido o Benfica á perda de um ou dois milhões de euros de receitas.

Do "TGV"

Em Espanha estão situadas duas das maiores cidades europeias, Madrid (2.5 milhões de habitantes e uma área urbana com mais de 5 milhões) e Barcelona, com mais de 1 milhão e meio de habitantes e cerca de 3.5 milhões na área metropolitana. Em França, Paris tem mais de 2 milhões de habitantes e uma área metropolitana onde a população ultrapassa os 9 milhões, para além de uma enorme população flutuante. Tanto Espanha como França possuem, a uma distância superior a 450 km de Madrid, Barcelona e Paris (por vezes a 600 ou mais km), uma rede de cidades de média dimensão, como Valência, Sevilha, Lyon, Marselha ou Bordéus, todas elas com uma população, quer nas cidades quer nas respectivas áreas metropolitanas, igual ou superior a Lisboa. Esta terá, hoje em dia, uma população inferior a 600.000 habitantes, 2.8 milhões na área urbana. Porto, a segunda cidade portuguesa, dista de Lisboa apenas 300 km e a sua população pouco ultrapassa os 250 mil habitantes. Na sua área urbana viverão pouco mais de um milhão de pessoas.

Justifica-se, portanto, que tanto Espanha como França, ainda por cima países com uma mais moderna e sofisticada estrutura empresarial, possuam, ou estejam a construir, uma rede de comboios de alta velocidade para ligar essas cidades, o que antes só era possível fazer com rapidez utilizando o avião como meio de transporte. Pelas mesmas razões se justifica que Lisboa se conecte a essa rede através de uma linha que a ligue à cidade mais importante da península, distante 600 km, e, cada vez mais, o seu mais importante centro empresarial e de negócios: Madrid. Nesse caso, colocando Madrid e Lisboa à distância de + ou - 2h, o comboio de alta velocidade será competitivo com o avião.

Distando Lisboa e o Porto apenas 300km (e já não falo da distância ridícula entre o Porto e Vigo ou da efectiva importância das duas cidades enquanto centros de negócios), essa distância pode ser perfeitamente percorrida em menos de duas horas pelos comboios pendulares, com uma linha adequada, tornando a utilização do comboio perfeitamente competitiva com o automóvel ou o avião. Não consigo encontrar, portanto, qualquer justificação para a construção de uma linha de alta velocidade entre Lisboa e Porto ou, muito menos, entre esta cidade e Vigo. Será apenas, uma vez mais, megalomania, vício de novo rico(?) ou uma cedência a vaidades locais e tráficos de influências vários que todos teremos que pagar?

quinta-feira, abril 05, 2007

Absolut ads (1)

Marilyn (1995)

Chelsea...

Nos jornais portugueses, o silêncio sobre o assunto é absolutamente ensurdecedor (patrioteirismo oblige). Mas o Chelsea está a jogar um futebol estereotipado, repetitivo, tipo “meia bola e força”. Sem ponta de criatividade ou imaginação. Ao contrário do Man. United, o seu jogo é “chato”, não empolga, limitando-se a fazer jogo directo à espera que alguém (Drogba) resolva na área. São muito poucas ideias para quem quer ganhar o que quer que seja e, claro, tem tido dificuldade em fazê-lo - e quando o consegue é tipo "abre-latas", como no jogo contra o Watford United. Ontem foi assim, tal como contra o FCP. Tipo copy/paste, com Cañizares a fazer de Helton só que o Valência não é o FCP e, por isso, os “blues” não foram além do empate. Por outro lado, na equipa Ballack e Shevchenko parecem enxertos mal sucedidos, como se não fizessem parte daquela “companhia” e fossem apenas estrelas convidadas. Por muito que Mourinho tente agora valorizar o Valência e desvalorizar o PSV e o resultado conseguido pelo Liverpool, se for eliminado será uma derrota amarga e com consequências para a sua imagem. Mesmo que fique milionário...

Muito para além da licenciatura de José Sócrates

Penso que quem esteja minimamente atento à educação dos filhos já saberia que a grande maioria das universidades privadas lecciona cursos para cujas habilitações não existem, em noventa e tal por cento dos casos, colocações em número suficiente no mercado de trabalho; são, pois, fonte de desemprego. Mesmo assim insistem, pois partirão do princípio que mais vale um desempregado, ou um empregado do shopping, com uma licenciatura do que sem ela.

Passámos também a saber, e não só a desconfiar - embora a desconfiança fosse muita, tipo “rabo escondido com gato todo de fora” – que essas mesmas universidades privadas, além de espaço privilegiado para lavagem de dinheiro e negócios muito obscuros, são também campo para a concessão de licenciaturas fictícias e tráfico de influências com o Estado e a governação, o que não deixa de nos levar a pensar nas “facilidades” que esses negócios ilícitos podem assim obter em esferas, no mínimo, próximas da governação.

Quem anda na vida dos negócios e das empresas (privadas) também sabe há muito o que valem essas licenciaturas como garantia de saber científico e proficiência profissional, pelo que quem as apresenta como credencial básica de formação escolar é normalmente relegado para o esquecimento quando se trata de processos de admissão.

Mas atenção: há uma área em que as coisas se passam diferentemente, e essa área é o Estado e a Administração Pública. No funcionalismo público existem duas carreiras estanques, a carreira administrativa e a técnica, sendo que esta última é reservada a licenciados (mesmo que a sua licenciatura nada tenha a ver com o trabalho ou tarefa a desempenhar). Quem apresente uma licenciatura, mesmo que em “Sociologia da Vida dos Morcegos” atribuída pela universidade da Parvónia de Baixo, tem ingresso imediato e automático na “carreira técnica”, com todos os benefícios e regalias inerentes incluindo a habitual progressão automática. E como a progressão é mesmo automática, a partir daí não importam essas medíocres ou “forjadas”, ou outras bem melhores, qualificações ou desempenhos. Pelo contrário, quem não possui qualquer licenciatura está condenado a ser “administrativo” toda a vida, mesmo que seja um funcionário exemplar e manifeste capacidades para o exercício de outras funções de maior exigência e qualificação. É um resquício de um corporativismo medievo, sem qualquer razão de existência no século XXI e sem paralelismo no sector privado. Será certamente origem de injustiças e de disfuncionalidades várias que não contribuirão, em nada, para a eficácia e modernidade da Administração e do país.

quarta-feira, abril 04, 2007

Outras Músicas (21)


Bill Monroe & The Blue Grass Boys - "Close By" (1957)

William Blake: "Songs of Innocence and of Experience" (10)

"Nurse's Song". Ilustração e poema de William Blake para "Songs of Innocence and of Experience"
When the voices of children are heard on the green,
And laughing is heard on the hill,
My heart is at rest within my breast,
And everything else is still.
"Then come home, my children, the sun is gone down,
And the dews of night arise;
Come, come, leave off play, and let us away,
Till the morning appears in the skies."


"No, no, let us play, for it is yet day,
And we cannot go to sleep;
Besides, in the sky the little birds fly,
And the hills are all covered with sheep."
"Well, well, go and play till the light fades away,
And then go home to bed.
"The little ones leaped, and shouted, and laughed,
And all the hills echoed.

terça-feira, abril 03, 2007

Estranho país, este...

Estranho país, este, onde uma aterragem “nem assim de muita emergência” de um avião da TAP em Luanda e os problemas da transportadora para conseguir hotel para todos os passageiros são notícia importante, com direito a vários passenger statement e tudo, de vários noticiários na rádio e televisão. Estranho? Não tanto assim... Restos, ainda presentes, de um país de emigrantes e de uma guerra colonial em que os aviões da TAP eram o elo de ligação e a memória presente de um país distante, mas onde se queria sempre voltar, com o qual de imediato o português se identificava e reencontrava mal os via estacionados na placa de um aeroporto de um país estrangeiro, mesmo que lhe dissessem que aquela terra também era Portugal. Assim se estabeleceu uma relação de afecto com algo que era “nosso”, tanto como o eram o Benfica dos relatos ao domingo à tarde (suponho que na “onda curta”), os chouriços que vinham "lá da terra", os espectáculos dos cantores populares ainda antes de serem “pimba” e a cerveja “Sagres” comprada – sei lá – na loja do bidonville... E agora digam lá que vão privatizar a TAP!... Por mim, não tenho nada de especial a obstar. Mas talvez primeiro tenham de convencer essas memórias e quem ainda as possui de que se pode privatizar o património de um país, um “pedaço da mãe-pátria”!

segunda-feira, abril 02, 2007

O Mundo em Guerra (31)

France

"Que floresçam mil flores"... (8)


Benfica-FCP

Duas notas sobre o Benfica-FCP.
  1. Apesar de toda evolução verificada e de Eriksson (primeiro) e Mourinho (depois) terem destruído de vez o mito do futebol de “trazer por casa” de José Maria Pedroto - o grande responsável por anos de atraso do futebol indígena - o futebol português ainda é demasiado “burilado”, demasiado “habilidoso”, muito “bola no pé”, relativamente pouco dinâmico e objectivo nos seus processos de jogo e, principalmente, apresenta ainda um claro déficit em termos fisico-atléticos e de presença atacante na área. Atente-se no facto de nos últimos FCP-Sporting e Benfica-FCP todos os golos terem sido marcados de “bola parada”, em remates de longe ou por defesas centrais - ou com clara interferência directa destes. O mesmo se verificou com o golo da selecção portuguesa na Sérvia e com os escassos dois golos marcados pelos “ponta de lança” portugueses na fase final do Mundial de 2006. Mais ainda, o melhor marcador do campeonato português não é um “ponta de lança” e apenas marcou, até agora, 10 golos! Compare-se com o que se passa nos principais campeonatos europeus...

    Só isto explica que um jogador como Nuno Gomes, que não ganha uma disputa de bola com os defesas contrários, apresenta uma total desconcentração competitiva, ausência de convicção frente à baliza contrária e marca um golo “todos os de vez em quando” depois de falhar vários, continue a ser titular do Benfica e da selecção nacional...
  2. Parece que, de novo, mais alguns membros das Sturmabteilung do presidente do FCP (os mesmos que assobiaram o minuto de silêncio em memória de Manuel Bento) provocaram distúrbios no Estádio da Luz, tendo mesmo ferido algumas pessoas. Gostaria de saber se, no próximo e seguintes jogos do FCP, continuarão a ser autorizados a frequentar os estádios e a aterrorizar quem gosta de futebol e dos seus clubes. No local onde os instalaram no estádio, já lá vi esta época adeptos do Celtic (dez mil), do Man. United e do F. C. Copenhaga sem que nada de negativo (bem antes pelo contrário) se tenha passado. Entretanto, já ouvi hoje José Guilherme Aguiar (o mesmo que é comentador residente de um programa da SIC Notícias sobre futebol que parece uma viagem ao passado), qual Ernst Röhm sem a sua Nacht der Langen Messer, declarar que a responsabilidade era dos organizadores do jogo. Aceito que tenham alguma responsabilidade no sucedido (como entraram very lights para a bancada???); mas como é que gente desta ainda é autorizada a assistir a jogos de futebol?