Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
domingo, outubro 14, 2012
Ironias...
segunda-feira, outubro 01, 2012
Os políticos e a experiência empresarial
segunda-feira, maio 14, 2012
As afirmações de Pedro Passos Coelho, a política e os negócios
segunda-feira, janeiro 02, 2012
Alguma coerência, sff
domingo, março 06, 2011
Portugal e Alemanha: uma comparação a propósito do caso do BV Borussia Dortmund
Vem isto a propósito daquilo que escrevi no “post” anterior sobre o BV Borussia Dortmund, um colosso do futebol alemão, 6 vezes vencedor da Bundesliga, vencedor da Taça das Taças em 1966 e Campeão Europeu em 1997. Pois perante a iminência da bancarrota, o BV Borussia Dortmund não só teve a coragem para afastar atavismos e mostrar a flexibilidade de ideias suficiente para vender o seu Westfalenstadion, passando a alugá-lo para os jogos disputados “em casa”, como, inclusivamente, o mundo empresarial alemão mostrou ter dinamismo e o poderio suficientes para aparecer quem o comprasse, vendendo de seguida o “naming” a uma seguradora para ajudar na rentabilização do investimento. Assim, o BVB não só vendeu o seu estádio, como joga agora no mesmo recinto (que já não lhe pertence) denominado Signal Iduna Park. Pelo meio, conseguiu contudo um significativo encaixe de capital, indispensável à sua recuperação como clube: será este ano campeão. Foram-se o anéis; ficaram os dedos.
Em Portugal, onde nem sequer foi possível conseguir um acordo entre SLB e SCP para a construção, racional, de um estádio municipal em Lisboa, já alguém imaginou ser possível uma solução como esta para clubes como o SLB, SCP ou FCP? Diferenças...
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
A Alexandre Soares dos Santos recomenda-se contenção na linguagem.
O que me parece é que este comportamento de Soares dos Santos, enquadrando as já habituais queixas ouvidas sobre a falta de apoio do governo português aos empresários, em contraste com o que – segundo ele – se passa na Polónia, onde o grupo JM tem actividade relevante, só demonstra, uma vez mais, a razão dos que assinalam a falta de preparação e profissionalismo tantas vezes atribuída aos empresários portugueses, bem como a sua tradicional dependência estatal. Também uma enorme ausência de cultura democrática. Melhor serviço prestado a PCP e BE seria difícil imaginar.
Tudo isto é lamentável e, de facto, retrato, não de uma geração "rasca", mas de um país demasiado rasca.
quarta-feira, novembro 24, 2010
Como é óbvio!
Como é óbvio! Mas ainda acrescento: devem essas empresas ter também em conta outras questões tais como a sua própria rentabilidade, política de recursos humanos, plano estratégico, etc, etc... Significa isto, por exemplo, que não faz qualquer sentido que uma empresa de capitais públicos ou onde o Estado tenha uma participação decisiva e que apresente uma rentabilidade elevada e lucros significativos não remunere os seus trabalhadores em conformidade. Ou que sendo a política de incentivos e “fringe benefits” parte estruturante da cultura da empresa ela seja alterada em prejuízo do “ambiente” empresarial e, como consequência, dos resultados obtidos. Estes são apenas dois exemplos...
Não nos esqueçamos também que, para o bem e para o mal, justa ou injustamente, existe uma diferença entre aqueles que são remunerados via Orçamento Geral do Estado ou que exercem a sua actividade em empresas que apenas subsistem por via de indemnizações compensatórias, cuja variação salarial vai impactar directamente as contas públicas, e aqueles outros cujas empresas que geram os seus próprios recursos. É a vida...
sexta-feira, novembro 19, 2010
Dividendos: "malagueta no cu dos outros não arde!"
Tendo dito isto, acho muito interessante a hipocrisia de muitos os que se manifestam contra a atitude das empresas em causa, como se não reagissem de modo semelhante quando entopem, com “bichas” intermináveis, as bombas de gasolina antes do próximo aumento de preço dos combustíveis – ou vão “meter gasolina” a Badajoz - ou correm a adquirir serviços ou açambarcar produtos antes do próximo aumento do IVA.
Pois... “malagueta no cu dos outros não arde”.
terça-feira, julho 20, 2010
O PSD e o despedimento individual: um país "hire & fire"?
Tendo dito isto, e sabendo que em Portugal o despedimento colectivo está já facilitado o que permite o normal, desejável (numa economia de livre iniciativa) e sempre necessário ajustamento das empresas às variações estruturais dos mercados, percebe-se mal o afã colocado pelo PSD, na sua proposta de revisão constitucional, na liberalização do despedimento individual. Em boa verdade – e não entrando aqui em linha de conta com questões de ordem social, o que não significa esquecer a sua relevância - em vez de premiar as boas empresas, incentivar as boas práticas de gestão e valorizar os recursos humanos, a proposta do PSD de Passos Coelho vai exactamente no sentido contrário: ao fomentar o modelo “hire & fire”, premeia, de um modo geral, as más empresas e todos aqueles para quem, erradamente, os recursos humanos estão no degrau mais baixo das suas preocupações enquanto gestores e empresários. Coloca-se, pois, nos antípodas da modernidade e do progresso, fomentando o imobilismo e o retrocesso em vez da necessária restruturação do tecido empresarial.
domingo, maio 02, 2010
Prémios e bónus...
Independentemente de podermos considerar que alguns dos prémios e bónus de alguns dos executivos de algumas empresas poderão estar claramente sobreavaliados face à importância efectiva da sua contribuição para os resultados alcançados, ler este artigo do “Público” será, por certo, importante para baixar o tom geral de demagogia e populismo com que o assunto tem vindo a ser tratado tratado.
terça-feira, abril 13, 2010
Salários e prémios de gestores e a situação concreta de cada empresa
Bom, como disse, não me vou pronunciar sobre o caso em concreto, mas apenas aproveitar o facto para vincar que, em termos gerais, se trata de um raciocínio falacioso. Os objectivos estabelecidos para qualquer empresa e para os seus gestores de topo, e outros, têm sempre em linha de conta (ou devem ter) as condições concretas em que a empresa opera, quer internas, quer externas, neste último caso ao nível dos mercados e das variáveis macro-económicas. Serão, portanto, sempre muito diferentes entre si os objectivos estabelecidos para empresas que operam em situações de mercado díspares (é costume ver citadas a EDP e a CP, como exemplos extremos) ou, até, para uma mesma empresa em conjunturas macro-económicas diferentes. Assim sendo, e vincando mais uma vez não me pronunciar sobre o caso concreto que tem dado origem à discussão, não me parece faça qualquer sentido contestar salários e prémios com base em tal argumentação.
Já agora: também não me parece seja tida como boa a argumentação apresentada salientando o facto de algumas dessas empresas serem comparticipadas pelo Estado ou este ter nelas uma palavra determinante enquanto accionista, assistindo-lhe um certo dever de “reserva moral”, digamos assim. Em muitos desses casos, trata-se de empresas onde o Estado convive com accionistas privados, alguns deles internacionais, e em muitas das suas áreas de negócio estratégicas operando em mercados externos altamente competitivos e concorrenciais. Mais ainda: se o Estado tem nelas uma palavra importante isso acontece, frequentemente, porque se tratam de áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do país - e cito, por exemplo, as novas tecnologias ou as energias alternativas. Há pois que ter também cuidado quando se fala em afastar o Estado dos negócios e analisar, caso a caso e antes de meter tudo no mesmo saco da ideologia, a justificação para essa presença.
Como disse, existem certamente bons argumentos para defender ou contestar os salários e prémios dos gestores; o que não pode acontecer é deixarmos de ter em atenção os diversos casos concretos ou deixarmo-nos levar, na sua contestação ou defesa, pela demagogia ou apenas por questões de ordem moral. Aí, temos a caldo entornado.
sábado, abril 03, 2010
As redes sociais e as empresas - ou os "fretes" do "Público"
A utilização de uma rede social (“Facebook”) por parte de trabalhadores da TAP para criticar a empresa veio, ao que parece, lançar em Portugal – onde gosta de se discutir o sexo dos anjos e andar às voltas de um qualquer tema como o cão sobre si próprio antes de se deitar - a discussão sobre tal assunto. Inutilmente, como aqui o disse, já que o código de conduta e comportamentos exigíveis pelas empresas aos seus funcionários, definido por códigos próprios e/ou pelas leis gerais do país, aplica-se a qualquer situação, não necessitando de adaptações específicas e bastando a aplicação do bom senso. Aliás, basta ver nesta notícia como uma empresa onde nada é deixado ao acaso, como a Coca-Cola, ignora olimpicamente a questão, já não falando da Caixa Geral de Depósitos e da TAP que, sendo grandes empresas nacionais, é suposto regerem-se pelas “melhores práticas”.
Mas, claro, como há sempre um jurista disponível para vender a sua “expertise” e alguém disposto a fazer-lhe o frete, o “Público” de hoje lá avança em sub-título, contradizendo o essencial do corpo do artigo e as afirmações de representantes das três empresas citadas, que “a informação que circula nas redes sociais pode destruir a reputação de uma empresa” (gostaria de saber de onde o “Público” e a jornalista Ana Rita Faria retiraram essa conclusão e, já agora, que dêem exemplos do que afirmam). A resposta está no corpo do artigo, onde aparece o tal jurista de serviço, neste caso o advogado João Laborinho Lúcio, a dramatizar a questão do modo mais adequado a vender essa sua “expertise”, afirmando que “a existência de códigos de conduta que estabelecem as obrigações do trabalhador quanto à utilização das redes sociais dá mais segurança à entidade patronal, permitindo que, em caso de violação daqueles deveres, esta inicie mais rapidamente um processo disciplinar, que pode chegar ao despedimento com justa causa”. Ou ainda acrescentando que “as empresas devem assumir uma vigilância activa em relação à sua reputação e uso da marca nas redes sociais".
Claro que, honra lhe seja feita, o advogado Laborinho Lúcio está apenas atento à sua oportunidade de negócio, face a uma realidade emergente. Demonstra que é esperto e empreendedor, o que é louvável. Já o mesmo não direi de um jornal que já foi de referência e que, neste caso, constrói uma notícia a partir do nada apenas para servir de suporte promocional a alguém que teve uma boa ideia. Quanto às empresas, do que conheço daquelas onde o profissionalismo e a gestão de recursos humanos são levados “a sério” e não se resumem à "abertura de processos disciplinares" - e como se deduz das afirmações dos profissionais referidos no artigo – estão atentas e, sem complicações ou legislação adicional desnecessária, mas com bom senso q.b e experiência acumulada, estarão perfeitamente à altura para lidar com o assunto. Aliás, a TAP já o provou.
terça-feira, novembro 17, 2009
O Bloco de Esquerda e o almoço
Nas empresas de maior dimensão e mais estruturadas é habitual existir uma verba, normalmente incluída no orçamento aprovado para cada direcção ou departamento, destinada a pequenas acções de relações públicas: pequenas ofertas a funcionários que deixam a empresa, refeições oferecidas a empregados, colaboradores ou àqueles com quem a empresa se relaciona na sua actividade (fornecedores, clientes, entidades oficiais, etc – os chamados “stakeholders”), pequenas ofertas de Natal (não, não estou a falar de corrupção, mas daqueles presentes de poucas dezenas de euros normalmente denominados no jargão da gestão como “good will offers) e acções de teor semelhante. Enfim, e para não ser exaustivo, um conjunto de actos de gestão que a empresa assume como podendo contribuir para um seu bom ambiente interno e correcto relacionamento com o “meio-ambiente” em que se movimenta. Habitualmente, e em proporção com meios financeiros movimentados, é um verba modesta, desse modo pouco ou nada afectando os resultados da empresa.
Parece-me ser este o caso - perfeitamente justificado, portanto – de um almoço, que nada tem de privado, oferecido a uma secretária de estado cessante. Numa empresa pública, mormente, como é o caso, naquelas que apresentam prejuízos elevados, essas acções devem ser eliminadas? Penso que não, pois isso em nada iria contribuir, antes pelo contrário, para uma melhoria dos seus resultados e do relacionamento interno e externo da empresa. Bom senso e parcimónia, isso sim, devem presidir à respectiva orçamentação e controle de execução. E é exactamente a isso (a floresta), a não ao simples e, parece-me, mais do que justificado almoço (a árvore), que os deputados (quaisquer, e não apenas os do BE) devem estar atentos.
Conforme tenho repetidamente afirmado, é bem tempo de nos deixarmos destes "fait-divers" populistas para voltarmos a falar de política.
segunda-feira, agosto 24, 2009
O estudo da FEP, os empresários e as visitas oficiais
Bom, não ignorando que muitos dos resultados dessas visitas não serão por vezes assim tão tangíveis, pelo menos no curto prazo, sabendo que existem mercados emergentes onde só se consegue entrar encostado ao Estado e não menosprezando o interesse dessa rede de negócios entre participantes (cabe-me perguntar para que servem as associações, mas enfim...) existe algo que os empresários convidados não podem abertamente afirmar e que no tecido empresarial português é (tem sido) de uma enorme importância, e para o qual essas visitas são feitas exactamente à medida: o estabelecimento de uma rede de contactos e negócios, até de tráfico de influências, entre os empresários e o Estado, instrumento até aqui indispensável ao desenvolvimento de ambos e na base do qual o país alicerçou o seu crescimento desde o salazarismo (pelo menos). Por isso mesmo se compreende também que da parte do Estado “não existam critérios definidos na escolha das empresas convidadas” (é outra das conclusões do estudo): ficam pois os convites ao dispor das conveniências de ocasião e da cedências às pressões do momento.
Apenas uma nota adicional: quem disser que vai mudar este estado de coisas poderá até estar cheio de boas intenções, mas seguramente estará a mentir.
domingo, fevereiro 15, 2009
Que regras para a "ajuda" às empresas?
De facto, não me parece se possam estabelecer, neste caso, regras estritas, quase como um código ou um manual de instruções do estilo “check list”: empresas com mais de X funcionários, com facturação superior a tanto, inseridas nos sectores tais e tais, exportanto n% da sua produção, com y% de trabalhadores com formação superior e por aí fora. Pura e simplesmente, não me parece alguma vez tal coisa, a existir, pudesse funcionar eficazmente e no tempo útil requerido. Será com certeza impopular admiti-lo, mas parece-me que estamos perante um assunto que terá uma abordagem muito mais eficiente se feita apenas na base de alguns guidelines mais ou menos flexíveis, não abdicando, em alguns desses princípios orientadores, de questões que se prendem com a importância estratégica e estruturante das empresas e do sector em que se integram, da região em que se situam e da sua importância na coesão social local, da sua eventual vocação exportadora, da esperada competitividade futura. Digamos que muito dependente da lógica e do bom-senso, algo que tantas vezes falta a políticos e governantes e em quem, por isso mesmo, é tarefa árdua confiar. Assim sendo, um contra-senso, o que se propõe? Sem dúvida, mas em situação de dificuldade ímpar não me parecem existir opções que não passem por simples governantes se verem obrigados a transformarem-se, por vezes em aparente “contra-natura”, em respeitados “homens de estado”... Tal como, na guerra, a necessidade de sobrevivência tantas vezes cria "heróis", pois claro...
domingo, fevereiro 08, 2009
A Convenção do "Bloco" e os despedimentos
Como resultado, se o remédio fosse aplicado a sociedade e a economia portuguesas não morreriam da doença (o desemprego e a falta de competitividade das empresas) mas certamente de tal “cura”. E se decidissem deixar-se de fantasias?
terça-feira, outubro 28, 2008
Do salário mínimo...
Lembrei-me disto mesmo a propósito da recente polémica sobre o aumento do salário mínimo, anunciado por José Sócrates, e que gerou um coro unânime de protestos das associações empresariais e mesmo de alguns economistas que normalmente estão perto das posições governamentais. Claro que seria bem melhor que esse aumento pudesse ser realizado em época de prosperidade e expansão económica, contribuindo para “limpar” o tecido empresarial das empresas e sectores menos competitivos sem que o eventual aumento de desemprego e possível menor crescimento económico tivessem consequências demasiado gravosas, mas deve a actual conjuntura afastar de todo qualquer perspectiva nesse sentido?
Independentemente de questões de ordem humana e de justiça social, que têm o seu peso mas prefiro aqui deixar de lado (até porque as boas intenções nem sempre conduzem ao resultado desejado e podem mesmo ter um efeito contrário ao pretendido), e pondo de parte as mais do que prováveis motivações eleiçoeiras, pergunto-me se o mesmo tipo de raciocínio utilizado quando da “alta” dos combustíveis não poderá, em certa medida, ser também aqui utilizado, e se o provável aumento controlado do salário mínimo não poderá forçar uma maior eficácia e racionalização de processos nas empresas onde os salários muito baixos ainda têm um peso excessivo no custo do produto final. Apesar do reconhecido primitivismo da gestão de muitas dessas empresas e do peso excessivo da mão de obra nos custos totais recomendarem cautelas e caldos de galinha, admito que vale a pena assumir o risco, e não me surpreenderia demasiado se os resultados obtidos não fossem tão catastróficos como por aí se tende a fazer crer. Gostaria de ter razão...
segunda-feira, outubro 06, 2008
Assédio sexual? Sim, mas perde metade quem não vê a outra face das coisas.
quinta-feira, junho 26, 2008
Umas notas despretenciosas sobre o Código de Trabalho
Posto isto, vamos passar um pouco a “voo de pássaro” sobre um ou outro ponto em relação aos quais arrisco dar opinião.
Parece-me bem relevante a flexibilidade obtida com a possibilidade de estender até às 12h o tempo de trabalho diário. Do ponto de vista dos empregadores e da sociedade em geral já se disse tudo (ou quase). Mas, alto aí, também, pelo menos em certa medida (já lá iremos), me parece em princípio favorável para os empregados, que assim podem adquirir uma maior liberdade para o gozo dos seus tempos livres, quaisquer que eles sejam, inclusivamente podendo com maior facilidade tratar de assuntos relevantes, extra-trabalho, nessas horas e dias assim libertos. Vou ser claro: por mim, preferiria trabalhar durante uma semana (por exemplo) 10 ou 12 horas diárias e ser depois compensado em horas e dias pelos créditos adquiridos, trabalhando menos horas ou tendo assim ganho o direito a dias inteiramente livres. Mas, claro está, também existem problemas: a sociedade está maioritariamente estruturada em função do horário de trabalho "9 to 5" e, por vezes, será difícil a um empregado sujeito a um regime não fixo resolver alguns problemas práticos da sua vida familiar (escola dos filhos, por exemplo), bem como do seu tempo de lazer (a telenovela ou o futebol da noite, para não ir mais longe). Acresce que as chamadas “horas extraordinárias” se tornaram frequentemente, pela sua regularidade, um complemento “ordinário” do salário, por vezes demasiado baixo, modelo que a flexibilidade vem pôr em causa. O mesmo se passa com as dispensas por este ou aquele motivo, normalmente tempo retirado ao normal horário de trabalho e que, em parte, uma maior flexibilidade de horários pode deixar sem justificação. Percebo, por isso, e para além da habitual algazarra do PCP e da CGTP, que, mesmo para as almas mais puras e bem intencionadas, a questão não seja muito pacífica e levante alguns problemas, resolúveis no médio prazo mas de abordagem difícil no imediato. Mas é uma inevitabilidade a que a sociedade terá que se ir adaptando. Sooner the better.
Já me parece perfeitamente justificado que o governo tenha abandonado a peregrina ideia do despedimento por inadaptação ao posto de trabalho (como prová-lo?). Quem conhecer um pouco da realidade empresarial portuguesa sabe que existe uma multitude de organizações que admitem sem qualquer cuidado ou rigor, não têm quaisquer planos de formação de e para os seus colaboradores, nenhuma estratégia ou plano de negócio estruturado e em que tudo está entregue ao livre arbítrio de um “patrão”, muitas vezes ignorante, “chico-esperto” e mal preparado. Admitir o despedimento por “inadaptação” seria, no fundo, premiar este tipo de situações - a ineficiência - e, mais ainda, elevar em algumas empresas o “hire and fire” a modelo preferencial de gestão, assim como quem faz do recurso ao aborto não a excepção, em último caso, mas o método anti-conceptivo por excelência. Nas empresas mais estruturadas questões deste tipo são excepção e não regra e, na maioria dos casos, resolvidas sem grandes tumultos ou tempestades.
Para concluir: em termos globais não me parece o resultado justifique o esforço despendido. Seria bem mais importante, por exemplo, que tal esforço fosse aplicado em outras áreas de urgência bem mais premente. Só para dar um exemplo, que tal a reforma da Administração Pública? Pois é, mas daqui a um ano há eleições... Uma chatice!