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domingo, outubro 14, 2012

Ironias...

O que não deixa de ser irónico no que esta "história" da Tecnoforma/Passos Coelho/Relvas revela, é ser um primeiro-ministro que na sua vida profissional nada mais fez do que saltar do Estado para a gestão(?) de empresas cuja existência e actividade dependiam exclusivamente desse mesmo Estado e das benesses do poder político a ter vindo propor, em campanha eleitoral, a "retirada do Estado da vida das empresas", "a diminuição do peso de "Estado", a "libertação da sociedade civil" e outras orientações do mesmo teor. É que das duas, uma: ou se tratou de um muito católico arrependimento pelos pecados cometidos, de uma bem mais "maoísta" autocrítica revolucionária com regresso "à linha justa" ou então, pura e simplesmente e tal como a promessa de não aumento de impostos, estivemos perante mais um estratagema, infelizmente não virgem em Portugal, para arrecadar mais um "votitos" nas eleições, que isto da vida custa a todos.

Mas atenção: é este o "ambiente" em que esta gente cresceu e se habituou a viver e, por isso mesmo, é bom estar atento ao que se passa nas privatizações e na futura e provável concessão da RTP, que de Miguel Relvas depende. Isto caso não queiramos ver substituído o saudável - em termos genéricos - princípio de o "Estado sair das empresas" por um outro, no mínimo, bem menos higiénico e ainda mais promíscuo, das "empresas a entrar no Estado". "Rapidamente e em força", claro.

segunda-feira, outubro 01, 2012

Os políticos e a experiência empresarial

O inenarrável Camilo Lourenço diz hoje no "Jornal de Negócios" que "um dos maiores problemas da classe política portuguesa é ter pouca ou nenhuma experiência empresarial". Espero não se estivesse a referir às de Passos Coelho e Relvas, mas certo, não nego a experiência empresarial, o seu "way of thinking" e a adopção de alguns princípios da gestão das empresas possam trazer uma contribuição positiva à política e à governação. Sem dúvida que sim, desde que o primado da política se mantenha. Mas o que me parece evidente é exactamente o contrário: o problema, o verdadeiro problema tem sido a chegada à política e a funções governativas, vindos das empresas do PSI 20, de universidades de gestão sem dúvida conceituadas e de organizações como o "Compromisso Portugal" e o "Fórum para a Competitividade" de gente sem qualquer experiência política, que, acima de tudo, despreza essa mesma política, age como se ela fosse desnecessária e pretende, não enriquecê-la com o rigor da sua experiência empresarial, mas substituí-la por princípios que lhe são estranhos e até adversos. Os Borges, Moedas e "tutti quanti" aí estão para o provar.

É que, e ao contrário do que diz Camilo Lourenço, talvez muito melhor ideia fosse as universidades de gestão mais conceituadas e as "blue-chip companies" passarem a incorporar nos seus "curricula" e "way of thinking" alguns princípios importantes da política e da boa governação. Acho ficaríamos todos a ganhar com o intercâmbio.

segunda-feira, maio 14, 2012

As afirmações de Pedro Passos Coelho, a política e os negócios

As já célebres afirmações de Pedro Passos Coelho sobre a oportunidade que pode significar uma situação de desemprego, algo que parece retirado da prelecção de um gestor de recursos humanos, de uma acção de formação de uma empresa de "outplacement" ou, pior, de um daqueles manuais do tipo "50 dicas para se você ficar desempregado", demonstram ainda uma outra coisa: a colonização a que têm sido sujeitas a linguagem e prática políticas, nos últimos anos, por conceitos e um "way of thinking" oriundos da área empresarial, dos negócios e da gestão, algo que não está desligado do próprio domínio crescente da política por esse mundo dos negócios. Claro que não nego a importância positiva que a experiência, metodologias e pensamentos típicos da gestão empresarial poderão ter na actividade política, antes pelo contrário: penso que elas fazem falta a muitos dos seus actuais protagonistas. Mas uma coisa é "influência", outra, bem diferente, é "colonização"; e política e negócios são áreas bem diferentes de actividade, como tal devendo adoptar lógicas de funcionamento e linguagens diferenciadas. Caso isso não aconteça, e não sendo, nem podendo ser, as empresas terreno de eleição da actividade democrática, é a própria democracia que pode começar a estar em perigo.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Alguma coerência, sff

Será com certeza muito popular protestar pelo facto da Sociedade Francisco Manuel dos Santos ter transferido uma parte significativa das acções que detinha no grupo Jerónimo Martins para a sua subsidiária na Holanda. Mas o que também me parece é que não se pode passar a vida a apelar - e bem - à competitividade das empresas portuguesas e à sua internacionalização e depois protestar ou acusar de "vende pátrias" os accionistas e empresas que resolvem tomar aquele tipo de decisões, algo que já li no "twitter" vindo de gente responsável. Alguma coerência, precisa-se.

domingo, março 06, 2011

Portugal e Alemanha: uma comparação a propósito do caso do BV Borussia Dortmund

Portugal é um país com uma sociedade cheia de atavismos, pouco dinâmica, nada ousada ou empreendedora. Em que toda a gente tem medo de desagradar ao vizinho e fugir ao lugar comum. Porquê? Bom, acho que tudo terá muito a ver com um país só muito tarde deixou de ser rural e agrícola; um país longe dos centros de decisão, do cosmopolitismo e onde existiam apenas dois centro urbanos dignos desse nome, embora um deles, o Porto, onde a ruralidade exerceu durante muito tempo papel predominante. Um país onde, por via dessa sua estrutura rural e do afastamento do centro europeu, a religião católica romana exerceu até muito tarde um papel limitativo dos valores da liberdade e da iniciativa. Claro que, dito isto, desnecessário será falar de uma estrutura empresarial fraca e também ela muito influenciada por estes mesmos valores.

Vem isto a propósito daquilo que escrevi no “post” anterior sobre o BV Borussia Dortmund, um colosso do futebol alemão, 6 vezes vencedor da Bundesliga, vencedor da Taça das Taças em 1966 e Campeão Europeu em 1997. Pois perante a iminência da bancarrota, o BV Borussia Dortmund não só teve a coragem para afastar atavismos e mostrar a flexibilidade de ideias suficiente para vender o seu Westfalenstadion, passando a alugá-lo para os jogos disputados “em casa”, como, inclusivamente, o mundo empresarial alemão mostrou ter dinamismo e o poderio suficientes para aparecer quem o comprasse, vendendo de seguida o “naming” a uma seguradora para ajudar na rentabilização do investimento. Assim, o BVB não só vendeu o seu estádio, como joga agora no mesmo recinto (que já não lhe pertence) denominado Signal Iduna Park. Pelo meio, conseguiu contudo um significativo encaixe de capital, indispensável à sua recuperação como clube: será este ano campeão. Foram-se o anéis; ficaram os dedos.

Em Portugal, onde nem sequer foi possível conseguir um acordo entre SLB e SCP para a construção, racional, de um estádio municipal em Lisboa, já alguém imaginou ser possível uma solução como esta para clubes como o SLB, SCP ou FCP? Diferenças...

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

A Alexandre Soares dos Santos recomenda-se contenção na linguagem.

Pode gostar-se muito, pouco ou nada de José Sócrates e do seu governo. Pode mesmo odiar-se o primeiro-ministro e estar com ele em profundo desacordo político. Detestá-lo enquanto personalidade; às suas atitudes e comportamentos. Às políticas que o seu governo prossegue. Mas quando oiço o presidente do grupo Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, referir-se em público, através da televisão e em reunião formal, ao primeiro-ministro como “o Sócrates” (há pouco no Telejornal – RTP), utilizando tom e linguagem mais próprios das caixas de comentários e dos “fóruns de opinião”, pergunto-me que imagem está a projectar de si próprio, do grupo de empresas que dirige e do empreendorismo em geral. Mais: que exemplo está a dar aos seus accionistas, funcionários, “stakeholders” e público em geral, e se permitirá que estes também a ele, Soares dos Santos, se refiram em público e em reuniões formais como “o Alexandre”.

O que me parece é que este comportamento de Soares dos Santos, enquadrando as já habituais queixas ouvidas sobre a falta de apoio do governo português aos empresários, em contraste com o que – segundo ele – se passa na Polónia, onde o grupo JM tem actividade relevante, só demonstra, uma vez mais, a razão dos que assinalam a falta de preparação e profissionalismo tantas vezes atribuída aos empresários portugueses, bem como a sua tradicional dependência estatal. Também uma enorme ausência de cultura democrática. Melhor serviço prestado a PCP e BE seria difícil imaginar.

Tudo isto é lamentável e, de facto, retrato, não de uma geração "rasca", mas de um país demasiado rasca.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Como é óbvio!

"Todas as empresas que estão numa área de competição, de concorrência, que vivem no mercado com outras empresas, têm de obedecer, não às mesmas regras dos institutos públicos ou da Administração Central, mas às regras do mercado" (Pedro Passos Coelho).

Como é óbvio! Mas ainda acrescento: devem essas empresas ter também em conta outras questões tais como a sua própria rentabilidade, política de recursos humanos, plano estratégico, etc, etc... Significa isto, por exemplo, que não faz qualquer sentido que uma empresa de capitais públicos ou onde o Estado tenha uma participação decisiva e que apresente uma rentabilidade elevada e lucros significativos não remunere os seus trabalhadores em conformidade. Ou que sendo a política de incentivos e “fringe benefits” parte estruturante da cultura da empresa ela seja alterada em prejuízo do “ambiente” empresarial e, como consequência, dos resultados obtidos. Estes são apenas dois exemplos...

Não nos esqueçamos também que, para o bem e para o mal, justa ou injustamente, existe uma diferença entre aqueles que são remunerados via Orçamento Geral do Estado ou que exercem a sua actividade em empresas que apenas subsistem por via de indemnizações compensatórias, cuja variação salarial vai impactar directamente as contas públicas, e aqueles outros cujas empresas que geram os seus próprios recursos. É a vida...

sexta-feira, novembro 19, 2010

Dividendos: "malagueta no cu dos outros não arde!"

Algumas empresas (PT, Portucel, J. Martins) irão antecipar o pagamento de dividendos aos seus accionistas para evitar o agravamento de tributação no próximo ano. Agindo – como acontece - dentro da mais clara legalidade, só posso saudar tal medida, mostrando as administrações dessas empresas estarem atentas a um dos seus principais (mas atenção: não único) deveres: remunerarem os seus accionistas nas melhores condições possíveis. Aliás, neste caso quem mostrou estar pouco atento foi o governo, não acautelando devidamente os interesses que defende e tinham estado na base do previsto agravamento tributário.

Tendo dito isto, acho muito interessante a hipocrisia de muitos os que se manifestam contra a atitude das empresas em causa, como se não reagissem de modo semelhante quando entopem, com “bichas” intermináveis, as bombas de gasolina antes do próximo aumento de preço dos combustíveis – ou vão “meter gasolina” a Badajoz - ou correm a adquirir serviços ou açambarcar produtos antes do próximo aumento do IVA.

Pois... “malagueta no cu dos outros não arde”.

terça-feira, julho 20, 2010

O PSD e o despedimento individual: um país "hire & fire"?

Algo que permite normalmente distinguir as boas das más empresas é o cuidado posto no recrutamento, selecção e formação dos seus colaboradores. Também, claro está, nos salários e regalias sociais oferecidas face às médias do sector. Fácil de entender: as empresas são formadas por pessoas e ter os melhores e mais empenhados profissionais e oferecer-lhes estabilidade aumenta exponencialmente as possibilidades de sucesso, permitindo-lhes crescer e fortalecerem-se e, assim, remunerar melhor accionistas e trabalhadores para além de possibilitar um empenhamento mais activo no meio envolvente. Por isso mesmo, aquilo que o jargão anglo-saxónico designa normalmente como empresas “hire & fire” (contrata e despede) é sempre olhado de soslaio e com desconfiança pela sociedade e pelo mercado.

Tendo dito isto, e sabendo que em Portugal o despedimento colectivo está já facilitado o que permite o normal, desejável (numa economia de livre iniciativa) e sempre necessário ajustamento das empresas às variações estruturais dos mercados, percebe-se mal o afã colocado pelo PSD, na sua proposta de revisão constitucional, na liberalização do despedimento individual. Em boa verdade – e não entrando aqui em linha de conta com questões de ordem social, o que não significa esquecer a sua relevância - em vez de premiar as boas empresas, incentivar as boas práticas de gestão e valorizar os recursos humanos, a proposta do PSD de Passos Coelho vai exactamente no sentido contrário: ao fomentar o modelo “hire & fire”, premeia, de um modo geral, as más empresas e todos aqueles para quem, erradamente, os recursos humanos estão no degrau mais baixo das suas preocupações enquanto gestores e empresários. Coloca-se, pois, nos antípodas da modernidade e do progresso, fomentando o imobilismo e o retrocesso em vez da necessária restruturação do tecido empresarial.

domingo, maio 02, 2010

Prémios e bónus...

Independentemente de podermos considerar que alguns dos prémios e bónus de alguns dos executivos de algumas empresas poderão estar claramente sobreavaliados face à importância efectiva da sua contribuição para os resultados alcançados, ler este artigo do “Público” será, por certo, importante para baixar o tom geral de demagogia e populismo com que o assunto tem vindo a ser tratado tratado.

terça-feira, abril 13, 2010

Salários e prémios de gestores e a situação concreta de cada empresa

A propósito dos salários e prémios de gestores, cuja justeza – acho – varia caso e caso e, portanto, não é susceptível de ser discutida de modo genérico a não ser de um ponto de vista moral – e por aí não vou: já há demasiadas questões morais a intrometerem-se onde não devem -, é frequentemente apresentado como argumento, a propósito de António Mexia, que sendo a EDP, na prática, quase monopolista, o que em muitas áreas de negócio do grupo está bem longe de ser verdade, seria muito fácil a qualquer gestor mediano atingir os objectivos estabelecidos.

Bom, como disse, não me vou pronunciar sobre o caso em concreto, mas apenas aproveitar o facto para vincar que, em termos gerais, se trata de um raciocínio falacioso. Os objectivos estabelecidos para qualquer empresa e para os seus gestores de topo, e outros, têm sempre em linha de conta (ou devem ter) as condições concretas em que a empresa opera, quer internas, quer externas, neste último caso ao nível dos mercados e das variáveis macro-económicas. Serão, portanto, sempre muito diferentes entre si os objectivos estabelecidos para empresas que operam em situações de mercado díspares (é costume ver citadas a EDP e a CP, como exemplos extremos) ou, até, para uma mesma empresa em conjunturas macro-económicas diferentes. Assim sendo, e vincando mais uma vez não me pronunciar sobre o caso concreto que tem dado origem à discussão, não me parece faça qualquer sentido contestar salários e prémios com base em tal argumentação.

Já agora: também não me parece seja tida como boa a argumentação apresentada salientando o facto de algumas dessas empresas serem comparticipadas pelo Estado ou este ter nelas uma palavra determinante enquanto accionista, assistindo-lhe um certo dever de “reserva moral”, digamos assim. Em muitos desses casos, trata-se de empresas onde o Estado convive com accionistas privados, alguns deles internacionais, e em muitas das suas áreas de negócio estratégicas operando em mercados externos altamente competitivos e concorrenciais. Mais ainda: se o Estado tem nelas uma palavra importante isso acontece, frequentemente, porque se tratam de áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do país - e cito, por exemplo, as novas tecnologias ou as energias alternativas. Há pois que ter também cuidado quando se fala em afastar o Estado dos negócios e analisar, caso a caso e antes de meter tudo no mesmo saco da ideologia, a justificação para essa presença.

Como disse, existem certamente bons argumentos para defender ou contestar os salários e prémios dos gestores; o que não pode acontecer é deixarmos de ter em atenção os diversos casos concretos ou deixarmo-nos levar, na sua contestação ou defesa, pela demagogia ou apenas por questões de ordem moral. Aí, temos a caldo entornado.

sábado, abril 03, 2010

As redes sociais e as empresas - ou os "fretes" do "Público"

A utilização de uma rede social (“Facebook”) por parte de trabalhadores da TAP para criticar a empresa veio, ao que parece, lançar em Portugal – onde gosta de se discutir o sexo dos anjos e andar às voltas de um qualquer tema como o cão sobre si próprio antes de se deitar - a discussão sobre tal assunto. Inutilmente, como aqui o disse, já que o código de conduta e comportamentos exigíveis pelas empresas aos seus funcionários, definido por códigos próprios e/ou pelas leis gerais do país, aplica-se a qualquer situação, não necessitando de adaptações específicas e bastando a aplicação do bom senso. Aliás, basta ver nesta notícia como uma empresa onde nada é deixado ao acaso, como a Coca-Cola, ignora olimpicamente a questão, já não falando da Caixa Geral de Depósitos e da TAP que, sendo grandes empresas nacionais, é suposto regerem-se pelas “melhores práticas”.

Mas, claro, como há sempre um jurista disponível para vender a sua “expertise” e alguém disposto a fazer-lhe o frete, o “Público” de hoje lá avança em sub-título, contradizendo o essencial do corpo do artigo e as afirmações de representantes das três empresas citadas, que “a informação que circula nas redes sociais pode destruir a reputação de uma empresa” (gostaria de saber de onde o “Público” e a jornalista Ana Rita Faria retiraram essa conclusão e, já agora, que dêem exemplos do que afirmam). A resposta está no corpo do artigo, onde aparece o tal jurista de serviço, neste caso o advogado João Laborinho Lúcio, a dramatizar a questão do modo mais adequado a vender essa sua “expertise”, afirmando que “a existência de códigos de conduta que estabelecem as obrigações do trabalhador quanto à utilização das redes sociais dá mais segurança à entidade patronal, permitindo que, em caso de violação daqueles deveres, esta inicie mais rapidamente um processo disciplinar, que pode chegar ao despedimento com justa causa”. Ou ainda acrescentando que “as empresas devem assumir uma vigilância activa em relação à sua reputação e uso da marca nas redes sociais".

Claro que, honra lhe seja feita, o advogado Laborinho Lúcio está apenas atento à sua oportunidade de negócio, face a uma realidade emergente. Demonstra que é esperto e empreendedor, o que é louvável. Já o mesmo não direi de um jornal que já foi de referência e que, neste caso, constrói uma notícia a partir do nada apenas para servir de suporte promocional a alguém que teve uma boa ideia. Quanto às empresas, do que conheço daquelas onde o profissionalismo e a gestão de recursos humanos são levados “a sério” e não se resumem à "abertura de processos disciplinares" - e como se deduz das afirmações dos profissionais referidos no artigo – estão atentas e, sem complicações ou legislação adicional desnecessária, mas com bom senso q.b e experiência acumulada, estarão perfeitamente à altura para lidar com o assunto. Aliás, a TAP já o provou.

terça-feira, novembro 17, 2009

O Bloco de Esquerda e o almoço

Segundo nos informam os “media” e o próprio “site” do Bloco de Esquerda, este terá questionado o governo sobre o almoço de despedida, que o BE classifica como privado, oferecido por três empresas públicas do sector dos transportes, entre as quais a Refer e a CP, à secretária de estado cessante Ana Paula Vitorino, almoço esse pago com recurso aos cartões de crédito dessas empresas. Faz bem o BE, por um lado, pois essa (questionar o executivo, controlar os actos governativos e zelar pela boa gestão das empresas públicas) é uma das funções essenciais dos deputados e que estes devem exercer sem inibições e sempre que julgarem necessário. Mas, por outro lado, terá o BE razão? Pessoalmente, e apenas pelo que me foi dado ler pois não possuo mais qualquer outra informação sobre o assunto, acho que não. Porquê?

Nas empresas de maior dimensão e mais estruturadas é habitual existir uma verba, normalmente incluída no orçamento aprovado para cada direcção ou departamento, destinada a pequenas acções de relações públicas: pequenas ofertas a funcionários que deixam a empresa, refeições oferecidas a empregados, colaboradores ou àqueles com quem a empresa se relaciona na sua actividade (fornecedores, clientes, entidades oficiais, etc – os chamados “stakeholders”), pequenas ofertas de Natal (não, não estou a falar de corrupção, mas daqueles presentes de poucas dezenas de euros normalmente denominados no jargão da gestão como “good will offers) e acções de teor semelhante. Enfim, e para não ser exaustivo, um conjunto de actos de gestão que a empresa assume como podendo contribuir para um seu bom ambiente interno e correcto relacionamento com o “meio-ambiente” em que se movimenta. Habitualmente, e em proporção com meios financeiros movimentados, é um verba modesta, desse modo pouco ou nada afectando os resultados da empresa.

Parece-me ser este o caso - perfeitamente justificado, portanto – de um almoço, que nada tem de privado, oferecido a uma secretária de estado cessante. Numa empresa pública, mormente, como é o caso, naquelas que apresentam prejuízos elevados, essas acções devem ser eliminadas? Penso que não, pois isso em nada iria contribuir, antes pelo contrário, para uma melhoria dos seus resultados e do relacionamento interno e externo da empresa. Bom senso e parcimónia, isso sim, devem presidir à respectiva orçamentação e controle de execução. E é exactamente a isso (a floresta), a não ao simples e, parece-me, mais do que justificado almoço (a árvore), que os deputados (quaisquer, e não apenas os do BE) devem estar atentos.

Conforme tenho repetidamente afirmado, é bem tempo de nos deixarmos destes "fait-divers" populistas para voltarmos a falar de política.

segunda-feira, agosto 24, 2009

O estudo da FEP, os empresários e as visitas oficiais

O “Jornal de Notícias” faz hoje eco dos resultados de um estudo da Faculdade de Economia da Universidade Porto afirmando que as empresas convidadas a integrar as viagens oficiais de Presidente da República e primeiro-ministro tiram poucas vantagens dessa participação, não aproveitando todo o potencial que poderiam proporcionar. Mais, noticia o JN, os empresários afirmam que o objectivo mais valorizado “é o estabelecimento de redes de negócios com outros participantes na visita oficial”.

Bom, não ignorando que muitos dos resultados dessas visitas não serão por vezes assim tão tangíveis, pelo menos no curto prazo, sabendo que existem mercados emergentes onde só se consegue entrar encostado ao Estado e não menosprezando o interesse dessa rede de negócios entre participantes (cabe-me perguntar para que servem as associações, mas enfim...) existe algo que os empresários convidados não podem abertamente afirmar e que no tecido empresarial português é (tem sido) de uma enorme importância, e para o qual essas visitas são feitas exactamente à medida: o estabelecimento de uma rede de contactos e negócios, até de tráfico de influências, entre os empresários e o Estado, instrumento até aqui indispensável ao desenvolvimento de ambos e na base do qual o país alicerçou o seu crescimento desde o salazarismo (pelo menos). Por isso mesmo se compreende também que da parte do Estado “não existam critérios definidos na escolha das empresas convidadas” (é outra das conclusões do estudo): ficam pois os convites ao dispor das conveniências de ocasião e da cedências às pressões do momento.

Apenas uma nota adicional: quem disser que vai mudar este estado de coisas poderá até estar cheio de boas intenções, mas seguramente estará a mentir.

domingo, fevereiro 15, 2009

Que regras para a "ajuda" às empresas?

Tem sido muito criticada, e é um pouco por todo o lado "vox populli", a aparente ausência de regras claras, estritas, sobre as condições que devem presidir, em tempo desta crise, ao auxílio estatal a empresas. A lógica do “falatório” parece ser simples: porquê a empresa A e não a B?; porquê a Quimonda, o sector automóvel e não o têxtil?; porquê a empresa de um grande grupo económico e não a loja de comida feita da Dona Graciete ou o talho do Sr. Joaquim? Poderíamos continuar por aí fora... Mas, devo dizer, talvez se esteja a confundir um pensamento simples, e como tal, facilmente aceite, na sua lógica, por todos, com a simplificação de um problema, assim contribuindo para uma sua análise e compreensão deficientes. As afirmações de Paulo Portas sobre a obrigatoriedade de empresas “ajudadas” não puderem despedir integram-se neste mesmo estado de espírito e, tal como no caso da proposta de Francisco Louçã de empresas que apresentassem lucro serem proibidas de efectuar despedimentos, são um completo disparate, demagogia da mais rasteira que teria como consequência a morte pela cura em substituição de igual trágico acontecimento caso a doença se mantivesse. Dinheiro desperdiçado, pura e simplesmente, pois impediria restruturações eventualmente necessárias para assegurar a competitividade futura.

De facto, não me parece se possam estabelecer, neste caso, regras estritas, quase como um código ou um manual de instruções do estilo “check list”: empresas com mais de X funcionários, com facturação superior a tanto, inseridas nos sectores tais e tais, exportanto n% da sua produção, com y% de trabalhadores com formação superior e por aí fora. Pura e simplesmente, não me parece alguma vez tal coisa, a existir, pudesse funcionar eficazmente e no tempo útil requerido. Será com certeza impopular admiti-lo, mas parece-me que estamos perante um assunto que terá uma abordagem muito mais eficiente se feita apenas na base de alguns guidelines mais ou menos flexíveis, não abdicando, em alguns desses princípios orientadores, de questões que se prendem com a importância estratégica e estruturante das empresas e do sector em que se integram, da região em que se situam e da sua importância na coesão social local, da sua eventual vocação exportadora, da esperada competitividade futura. Digamos que muito dependente da lógica e do bom-senso, algo que tantas vezes falta a políticos e governantes e em quem, por isso mesmo, é tarefa árdua confiar. Assim sendo, um contra-senso, o que se propõe? Sem dúvida, mas em situação de dificuldade ímpar não me parecem existir opções que não passem por simples governantes se verem obrigados a transformarem-se, por vezes em aparente “contra-natura”, em respeitados “homens de estado”... Tal como, na guerra, a necessidade de sobrevivência tantas vezes cria "heróis", pois claro...

domingo, fevereiro 08, 2009

A Convenção do "Bloco" e os despedimentos

Do primeiro dia (sábado) da Convenção do “Bloco de Esquerda” retive do discurso de Francisco Louçã - professor de economia – a ideia, aliás muito aplaudida pelos ??? (será convencionistas?), propondo que as empresas que apresentassem lucros ficassem impedidas de efectuar despedimentos. Ideia bizarra e inaplicável, claro, já que não só penaliza as empresas mais competitivas, com melhor gestão e que fizeram a tempo o seu “trabalho de casa”, como impede que estas se preparem ainda melhor para enfrentar o futuro, quer “emagrecendo”, se e quando necessário, quer substituindo trabalhadores e quadros por outros mais qualificados e adaptados às funções, mantendo padrões de competitividade elevados.

Como resultado, se o remédio fosse aplicado a sociedade e a economia portuguesas não morreriam da doença (o desemprego e a falta de competitividade das empresas) mas certamente de tal “cura”. E se decidissem deixar-se de fantasias?

terça-feira, outubro 28, 2008

Do salário mínimo...

Quando da recente “alta” dos preços dos combustíveis, defendi aqui a não intervenção do estado, alegando, entre outras razões, que essa era uma boa oportunidade para a racionalização do seu consumo e utilização, tanto ao nível das empresas como das famílias onde existiam, e ainda existem, enormes desperdícios que é necessário eliminar, permitindo essa racionalização manter os custos de produção e os orçamentos familiares aos níveis anteriores – ou perto deles.

Lembrei-me disto mesmo a propósito da recente polémica sobre o aumento do salário mínimo, anunciado por José Sócrates, e que gerou um coro unânime de protestos das associações empresariais e mesmo de alguns economistas que normalmente estão perto das posições governamentais. Claro que seria bem melhor que esse aumento pudesse ser realizado em época de prosperidade e expansão económica, contribuindo para “limpar” o tecido empresarial das empresas e sectores menos competitivos sem que o eventual aumento de desemprego e possível menor crescimento económico tivessem consequências demasiado gravosas, mas deve a actual conjuntura afastar de todo qualquer perspectiva nesse sentido?

Independentemente de questões de ordem humana e de justiça social, que têm o seu peso mas prefiro aqui deixar de lado (até porque as boas intenções nem sempre conduzem ao resultado desejado e podem mesmo ter um efeito contrário ao pretendido), e pondo de parte as mais do que prováveis motivações eleiçoeiras, pergunto-me se o mesmo tipo de raciocínio utilizado quando da “alta” dos combustíveis não poderá, em certa medida, ser também aqui utilizado, e se o provável aumento controlado do salário mínimo não poderá forçar uma maior eficácia e racionalização de processos nas empresas onde os salários muito baixos ainda têm um peso excessivo no custo do produto final. Apesar do reconhecido primitivismo da gestão de muitas dessas empresas e do peso excessivo da mão de obra nos custos totais recomendarem cautelas e caldos de galinha, admito que vale a pena assumir o risco, e não me surpreenderia demasiado se os resultados obtidos não fossem tão catastróficos como por aí se tende a fazer crer. Gostaria de ter razão...

segunda-feira, outubro 06, 2008

Assédio sexual? Sim, mas perde metade quem não vê a outra face das coisas.

A propósito desta notícia do “Público”. O assédio sexual nos locais de trabalho é uma realidade indesmentível, que penso mais notória nas empresas menos estruturadas, onde trabalham pessoas menos preparadas, - logo, mais fragilizáveis - e o chamado “patrão” ou “chefe” à antiga ainda se comportam como donos e senhores da vida dos seus súbditos. Eu próprio, na minha vida profissional feita em outro tipo de empresas, já presenciei, aqui e ali, um ou outro caso sem relevância de maior porque a estrutura da própria empresa não permitia que ele se desenvolvesse, matando-o no ovo. Mas, sejamos claros mesmo com o risco de entrarmos no “politicamente incorrecto”: gostaria também de ouvir falar, com igual ou pelo menos alguma veemência - e já que estamos numa questão da chamada igualdade de género - de quem faz rápidas carreiras profissionais sem outra justificação que não seja a chamada posição horizontal, ou outras se para tanto lhes sobrar imaginação e espero bem que sim. Apenas por uma questão de justiça... E igualdade, já agora.

quinta-feira, junho 26, 2008

Umas notas despretenciosas sobre o Código de Trabalho

Não sou dos que consideram as leis do trabalho em vigor em Portugal grande “empecilho” ao desenvolvimento empresarial. As empresas mais estruturadas não têm grande problema em viver com elas, muito menos as multinacionais ou o investimento directo estrangeiro, neste caso, e ao contrário do que por aí se diz, não constituindo essas leis qualquer entrave relevante para a competitividade portuguesa (os entraves são bem outros e, infelizmente, também mais difíceis de vencer). Aparentemente a questão só será relevante do ponto de vista da luta ideológica, de instrumento de combate para a obtenção de outras cedências, ou para as empresas pouco organizadas e estruturadas, de baixíssimo valor acrescentado e, por isso, com destino mais ou menos certo, ou incerto, no médio prazo.
Posto isto, vamos passar um pouco a “voo de pássaro” sobre um ou outro ponto em relação aos quais arrisco dar opinião.

Parece-me bem relevante a flexibilidade obtida com a possibilidade de estender até às 12h o tempo de trabalho diário. Do ponto de vista dos empregadores e da sociedade em geral já se disse tudo (ou quase). Mas, alto aí, também, pelo menos em certa medida (já lá iremos), me parece em princípio favorável para os empregados, que assim podem adquirir uma maior liberdade para o gozo dos seus tempos livres, quaisquer que eles sejam, inclusivamente podendo com maior facilidade tratar de assuntos relevantes, extra-trabalho, nessas horas e dias assim libertos. Vou ser claro: por mim, preferiria trabalhar durante uma semana (por exemplo) 10 ou 12 horas diárias e ser depois compensado em horas e dias pelos créditos adquiridos, trabalhando menos horas ou tendo assim ganho o direito a dias inteiramente livres. Mas, claro está, também existem problemas: a sociedade está maioritariamente estruturada em função do horário de trabalho "9 to 5" e, por vezes, será difícil a um empregado sujeito a um regime não fixo resolver alguns problemas práticos da sua vida familiar (escola dos filhos, por exemplo), bem como do seu tempo de lazer (a telenovela ou o futebol da noite, para não ir mais longe). Acresce que as chamadas “horas extraordinárias” se tornaram frequentemente, pela sua regularidade, um complemento “ordinário” do salário, por vezes demasiado baixo, modelo que a flexibilidade vem pôr em causa. O mesmo se passa com as dispensas por este ou aquele motivo, normalmente tempo retirado ao normal horário de trabalho e que, em parte, uma maior flexibilidade de horários pode deixar sem justificação. Percebo, por isso, e para além da habitual algazarra do PCP e da CGTP, que, mesmo para as almas mais puras e bem intencionadas, a questão não seja muito pacífica e levante alguns problemas, resolúveis no médio prazo mas de abordagem difícil no imediato. Mas é uma inevitabilidade a que a sociedade terá que se ir adaptando. Sooner the better.

Já me parece perfeitamente justificado que o governo tenha abandonado a peregrina ideia do despedimento por inadaptação ao posto de trabalho (como prová-lo?). Quem conhecer um pouco da realidade empresarial portuguesa sabe que existe uma multitude de organizações que admitem sem qualquer cuidado ou rigor, não têm quaisquer planos de formação de e para os seus colaboradores, nenhuma estratégia ou plano de negócio estruturado e em que tudo está entregue ao livre arbítrio de um “patrão”, muitas vezes ignorante, “chico-esperto” e mal preparado. Admitir o despedimento por “inadaptação” seria, no fundo, premiar este tipo de situações - a ineficiência - e, mais ainda, elevar em algumas empresas o “hire and fire” a modelo preferencial de gestão, assim como quem faz do recurso ao aborto não a excepção, em último caso, mas o método anti-conceptivo por excelência. Nas empresas mais estruturadas questões deste tipo são excepção e não regra e, na maioria dos casos, resolvidas sem grandes tumultos ou tempestades.

Para concluir: em termos globais não me parece o resultado justifique o esforço despendido. Seria bem mais importante, por exemplo, que tal esforço fosse aplicado em outras áreas de urgência bem mais premente. Só para dar um exemplo, que tal a reforma da Administração Pública? Pois é, mas daqui a um ano há eleições... Uma chatice!

sábado, setembro 22, 2007

Mourinho, Abramovich e as empresas

Na sua essência, o conflito que opôs José Mourinho a Abramovich não é muito diferente de centenas ou milhares de outros que, em muitas empresas portuguesas, se manifestam entre executivos e técnicos qualificados, de um lado, e donos das empresas, do outro, a quem o dinheiro e o ownership concedem a apetência e o legítimo direito de “mandar” mas a quem a falta a necessária preparação para que efectivamente o saibam fazer.