- Em primeiro lugar, dificilmente terá convencido alguém, fora da esfera dos adversários mais radicais da privatização, que a sua mudança de opinião, desde o governo de António Guterres, com Jorge Coelho como ministro responsável, para actualidade, se deveu não a diferentes circunstâncias políticas e económicas, o que seria lógico e legítimo, mas sim a puro e simples oportunismo partidário, seja, da sua passagem do governo para a oposição. Acresce que as dúvidas que recaem sobre a compra da empresa de manutenção e engenharia no Brasil, negócio ruinoso decidido durante um governo PS, enfraquecem a posição actual do partido dirigido por António Costa, situação que me parece ter sido negligenciada na gestão do actual processo.
- Para além disso, conhecida a ligação emocional dos portugueses com a TAP, parece-me o PS ter explorado bem mais essa vertente do que a apresentação de um racional convincente que justificasse a manutenção do carácter público da empresa.
- Acresce que aquele argumento demagógico e facilmente rebatível relacionando o valor da venda da empresa com o salário de Jorge Jesus é um pouco como a "cereja em cima do bolo" de uma gestão errada do processo, cobrindo de ridículo o deputado Rui Paulo Figueiredo e afectando gravemente a sua credibilidade presente e futura como representante ou porta-voz do partido.
- Por último, custa compreender como o Partido Socialista foi bem menos combativo em processos de venda de activos estratégicos, como a REN, a estados ditatoriais estrangeiros - onde não existe verdadeira liberdade empresarial, de grandes empresas, como a EDP, ao estado chinês, se mantém estranhamente silencioso face ao domínio da Banca portuguesa pelos estados angolano e chinês e guarda para a privatização da TAP, apesar de todas as legítimas dúvidas que ainda possam existir sobre as condições da operação e o seu êxito futuro, uma energia combativa que raramente se lhe tem visto. Exigia-se ao PS, como única alternativa viável a este governo, uma bem melhor gestão do processo.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
terça-feira, junho 16, 2015
O PS e a privatização da TAP: exigia-se bem melhor
segunda-feira, maio 04, 2015
A greve dos pilotos: para além da propaganda
sexta-feira, abril 17, 2015
Governo: um plano "B" para a TAP?
sexta-feira, janeiro 16, 2015
Pires de Lima e Álvaro Santos Pereira
quinta-feira, dezembro 18, 2014
TAP: governo e sindicatos: dois níveis de responsabilidade
terça-feira, dezembro 16, 2014
A TAP: do abstracto ao concreto
domingo, julho 27, 2014
Seguro e a TAP
- As razões que tornariam interessante para esses capitais a compra de 50% da TAP e por que razão o Estado português deveria optar por essa solução e não por quaisquer outros eventuais interessados ou pela alienação da totalidade do capital da companhia aérea.
- Se considera que em Angola e Moçambique existem capitais privados. Por exemplo, se considera os investimentos angolanos, e, já agora, também chineses, em Portugal investimentos privados. Caso os não considere, e como, segundo a sua proposta, 50% do capital continuaria na posse do Estado, deveria esclarecer se preferia subordinar os interesses da TAP e do Estado português aos interesses dos governos de Angola e Moçambique em vez de abrir o seu capital a privados.
- Por último, se acha que mesmo com 50% do capital (partindo o princípio que alguém aceitaria um partilha deste tipo) mas com parceiros com o poder de Angola e Brasil o Estado português teria peso suficiente na parceria para decidir fosse o que fosse. Parece que ainda não percebeu o que se passa na CPLP.
sexta-feira, dezembro 21, 2012
Algumas perguntas a propósito da não-venda da TAP
- Aceitamos como "boa" a explicação sobre as garantias bancárias (parece-me bem mais um pretexto do género dos que se arranjam para acabar os namoros...) e as narrativas oficiais do governo ou será melhor investigar um pouco mais? Até agora, o que tenho visto do lado do governo, das oposições e do jornalismo é deveras pobre - e o Natal não pode servir de desculpa para tudo.
- Tratando-se de uma empresa com um grande ligação emocional aos portugueses, não estaremos perante uma decisão em que os factores de natureza política foram determinantes e da qual o governo espera vir a tirar os respectivos dividendos, independentemente de se tratar (a não-venda a Efromovich) de uma decisão correcta ou incorrecta em termos estratégicos e puramente económico-financeiros? E se estamos perante uma decisão em que as questões políticas stricto sensu podem ter sido determinantes, existirá uma moeda de troca, sendo a TAP a cenoura oferecida aos portugueses e faltando saber qual será o chicote? (RTP/Angola?).
- Sabendo que, em princípio, apenas de fora da Europa poderá vir um comprador que permita manter o "hub" em Lisboa, o governo tem alternativas a prazo? Quais?
- Que implicações tem esta decisão e a manutenção ou não do "hub" em Lisboa - que poderá estar em causa? - na privatização da ANA?
- Quem são ou foram os promotores e responsáveis pelo negócio no Brasil e como se chegou à situação actual?
- Qual a estratégia do governo para a ligação de Portugal ao exterior - ibérica, europeia e transatlântica - abarcando o transporte aéreo e a rede europeia de alta-velocidade? E como se articula tudo isto com a estratégia de desenvolvimento económico (caso exista), com especial enfoque no turismo e na captação de investimento estrangeiro?
segunda-feira, dezembro 17, 2012
A TAP e os símbolos nacionais
segunda-feira, julho 26, 2010
Villaverde Cabral e a TAP
sábado, abril 03, 2010
As redes sociais e as empresas - ou os "fretes" do "Público"
A utilização de uma rede social (“Facebook”) por parte de trabalhadores da TAP para criticar a empresa veio, ao que parece, lançar em Portugal – onde gosta de se discutir o sexo dos anjos e andar às voltas de um qualquer tema como o cão sobre si próprio antes de se deitar - a discussão sobre tal assunto. Inutilmente, como aqui o disse, já que o código de conduta e comportamentos exigíveis pelas empresas aos seus funcionários, definido por códigos próprios e/ou pelas leis gerais do país, aplica-se a qualquer situação, não necessitando de adaptações específicas e bastando a aplicação do bom senso. Aliás, basta ver nesta notícia como uma empresa onde nada é deixado ao acaso, como a Coca-Cola, ignora olimpicamente a questão, já não falando da Caixa Geral de Depósitos e da TAP que, sendo grandes empresas nacionais, é suposto regerem-se pelas “melhores práticas”.
Mas, claro, como há sempre um jurista disponível para vender a sua “expertise” e alguém disposto a fazer-lhe o frete, o “Público” de hoje lá avança em sub-título, contradizendo o essencial do corpo do artigo e as afirmações de representantes das três empresas citadas, que “a informação que circula nas redes sociais pode destruir a reputação de uma empresa” (gostaria de saber de onde o “Público” e a jornalista Ana Rita Faria retiraram essa conclusão e, já agora, que dêem exemplos do que afirmam). A resposta está no corpo do artigo, onde aparece o tal jurista de serviço, neste caso o advogado João Laborinho Lúcio, a dramatizar a questão do modo mais adequado a vender essa sua “expertise”, afirmando que “a existência de códigos de conduta que estabelecem as obrigações do trabalhador quanto à utilização das redes sociais dá mais segurança à entidade patronal, permitindo que, em caso de violação daqueles deveres, esta inicie mais rapidamente um processo disciplinar, que pode chegar ao despedimento com justa causa”. Ou ainda acrescentando que “as empresas devem assumir uma vigilância activa em relação à sua reputação e uso da marca nas redes sociais".
Claro que, honra lhe seja feita, o advogado Laborinho Lúcio está apenas atento à sua oportunidade de negócio, face a uma realidade emergente. Demonstra que é esperto e empreendedor, o que é louvável. Já o mesmo não direi de um jornal que já foi de referência e que, neste caso, constrói uma notícia a partir do nada apenas para servir de suporte promocional a alguém que teve uma boa ideia. Quanto às empresas, do que conheço daquelas onde o profissionalismo e a gestão de recursos humanos são levados “a sério” e não se resumem à "abertura de processos disciplinares" - e como se deduz das afirmações dos profissionais referidos no artigo – estão atentas e, sem complicações ou legislação adicional desnecessária, mas com bom senso q.b e experiência acumulada, estarão perfeitamente à altura para lidar com o assunto. Aliás, a TAP já o provou.
terça-feira, janeiro 26, 2010
Pilotos da TAP não terão a noção do ridículo?
Bom, o assunto não passaria de um “fait divers” que cobriria os seus protagonistas de ridículo não fosse o relevo dado por uma comunicação social incapaz de fazer as perguntas certas na hora e local certos; o facto de existir sempre alguém capaz de dar guarida aos maiores disparates (um tal Paulo Pinto de Albuquerque, lembram-se?) e de, assim, se compor o ramalhete de um país em que a incapacidade de se hierarquizarem os assuntos e problemas e dele se extrair o que é verdadeiramente essencial parece ser doença crónica. É um país muito ruidoso e, como todos sabemos, nada melhor do que o ruído para abafar a melodia.