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sexta-feira, janeiro 16, 2015

Pires de Lima e Álvaro Santos Pereira

Juro não tenho qualquer procuração para defender o ex-ministro Álvaro Santos Pereira, nem sequer o conhecendo pessoalmente ou, muito menos, tendo com ele qualquer ligação. Acrescento que nem sequer achei a sua acção à frente do Ministério da Economia especialmente competente, ou incompetente. Santos Pereira limitou-se a "pôr-se a jeito" com aquelas histórias do "Álvaro" e dos "pastéis de nata" e como teve o azar de ficar responsável pelo Ministério em tempo de vacas esqueléticas, não tinha experiência ou peso políticos que se visse e vinha "de fora", foi trucidado por um jornalismo cobarde sempre pronto a fazer "pushing ball" dos mais fracos. Como conclusão, e isto apesar do disparatado livro de "memórias" que escreveu sobre os seus tempos de ministro, muito dificilmente alguém, nas circunstâncias, teria tido hipótese de fazer muito melhor. "Álvaro", um accadémico vindo de uma outra cultura e talvez não sendo demasiado esperto ou inteligente, expôs-se, e isso foi-lhe fatal.

Vem isto a propósito da autêntica "barracada" do ministro Pires de Lima sobre o acordo com os sindicatos da TAP e que levou ontem à incredulidade o seu companheiro de partido Lobo Xavier ("Quadratura do Círculo") e hoje a um categórico desmentido do primeiro-ministro em pleno parlamento. É que, convenhamos, não estamos aqui perante uma "boutade" (essa já Pires de Lima tinha ensaiado com as "taxas e taxinhas" e não se saiu demasiado bem), um pequeno lapso ditado pela inexperiência política, uma afirmação sem ou com irrelevantes consequências; estamos perante um acto político importante que, surpreendentemente, revela uma total falta de tacto político e de bom senso e um desconhecimento completo da legislação do trabalho inadmissível num ministro da Economia. Mas, ao contrário de Santos Pereira ("o Álvaro"), Pires de Lima, talvez por via da imagem de competência construída ao longo da sua carreira de gestor e da sua importância como putativo número dois do CDS, talvez também por, com a sua experiência e origem social, ter aprendido a "resguardar-se, sabe-se lá se também por compromissos e cumplicidades com os "media" que soube construir e gerir durante anos, tem aquilo que se chama de boa imprensa. E, convenhamos, é isto que faz toda a diferença.

domingo, novembro 09, 2014

Do circunspecto ministro Pires de Lima

Não sou dos que acham a Assembleia da República deva ser um conjunto de meninos de coro, aprumados, bem afinadinhos, angelicais, onde o recurso a alguma palavra ou expressão tida como mais ousada possa ser motivo de escândalo. Aliás, qualquer país com cultura democrática a tradição parlamentar é exactamente o contrário de tal coisa, não sendo raro o recurso aos radicalismo e violência discursivas, às expressões irónicas e jocosas, aos risos e pateadas e aos apartes com maior ou menor sentido de humor. Apesar de tudo, vamos já longe das "bengaladas" e das polémicas que se arriscavam a acabar num qualquer descampado no dia seguinte pela alvorada. Quem não tem capacidade ou poder de encaixe para tal, melhor será que se dedique a outras áreas da política ou a "caçar gambozinos". 

Exactamente por isso, e sendo dos que consideram grave falta desrespeitar o parlamento (por exemplo, mentindo, como manifestamente o fez a actual ministra das Finanças, ou prestando falsas declarações) não sou dos que pensam o ministro Pires de Lima, pese embora o inequívoco mau gosto revelado na forma escolhida para se expressar e que nada tem a ver com a sua habitual imagem de pessoa circunspecta, faltou ao respeito à Assembleia da República com aquela sua cena das "taxas e taxinhas". Terá, isso sim, contribuído para criar uma pior imagem de si próprio, alguém que me parece nada acrescentou no cargo ao tão vilipendiado ministro Álvaro mas que, ao contrário do seu antecessor, tem beneficiado daquilo a que se convencionou chamar "boa imprensa". Digamos que Pires de Lima, um membro do governo que, como disse - e beneficiando dos favores mediáticos - tem sabido resguardar-se, escolheu mal o "mood & tone" da sua intervenção e, muito justamente, está e virá a pagar o preço justo por essa sua escolha. Tanto pior para si e para o governo de que faz parte.    

terça-feira, outubro 21, 2014

"Cá vamos, cantando e rindo"...

Resultado dos últimos anos de governação (e não estou só a falar deste governo) em áreas importantes do tecido empresarial português: EDP, REN e Fidelidade vendidas ao Estado chinês, TAP um pouco ao "Deus dará" (género, "privatiza agora, afinal  não privatiza") grupo BES falido, PT a implodir e uma boa parte da comunicação social e da energia (Amorim Energia/Galp) nas mãos da cleptocracia angolana. No entretanto, o ministro Álvaro era gozado na imprensa e nas redes sociais por causa dos "pasteis de nata" e o seu sucessor, Pires de Lima, que, vá lá saber-se porquê, até tem "boa imprensa", anda desaparecido em combate ou entretido numas diatribes contra António Costa. Enfim... "cá vamos, cantando e rindo".

domingo, novembro 17, 2013

"Que floresçam mil empresas", camarada Pires de Lima.

Dificilmente se encontraria melhor exemplo do modo como muita gente do governo e entre os seus defensores e inspiradores encara a política do que a proposta tonta de Pires de Lima para tornar o "empreendedorismo" disciplina do ensino obrigatório. Para além da inoportunidade, num momento em que o inglês deixa de ser obrigatório no 1º ciclo, e de não conseguir entender muito bem qual o conteúdo programático de tal disciplina, o que esta proposta revela é não só a enorme colonização actual da política, do pensamento, das ideias e da sociedade pelo mundo dos negócios, como a insistência numa distorcida visão ideológica de e para um país cujo problema fundamental seria a demasiada dependência do Estado e a ausência de vocação empresarial dos seus cidadãos. Vindo de que vem, alguém que, em outras ocasiões, já deu provas de alguma inteligência e bom-senso, penso estarmos apenas perante uma tentativa - por sinal bastante canhestra, o que se estranha - de justificar os actuais níveis de desemprego culpabilizando os cidadãos por serem pouco empreendedores e se terem deixado "amolecer" na "zona de conforto" do trabalho assalariado. Mas enfim, apesar do ex-maoísta ser o ministro Nuno Crato, que felizmente não comprou a ideia, pois "que floresçam mil empresas", camarada Pires de Lima.