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quarta-feira, outubro 08, 2014

Desta vez vale a pena ler José Manuel Fernandes

Raramente estou de acordo com José Manuel Fernandes, um dos mais radicais defensores do actual governo e integrante da "vanguarda ideológica" que o colocou no poder e o sustenta. Mas tenho de reconhecer que JMF, desta vez, e de um modo geral, tem razão e põe o dedo na ferida; e a ferida é o eterno problema, este ano lectivo catastrófico, da colocação de professores. 

No que diz respeito a questões de educação, afasta-me de JMF, entre outras coisas, a questão fundamental da "soit disant" "liberdade de escolha". Mas quanto ao que aqui enuncia sobre a colocação de professores tem, de um modo geral, a minha concordância. Indispensável ler.

quarta-feira, dezembro 18, 2013

Crato: mais um ministro caído ás mãos de Nogueira

O que mais me espanta nos acontecimentos de hoje com a tal prova de avaliação de professores é o modo como alguém tão experiente politicamente, que, inclusivamente, fez o seu tirocínio e se formou na "boa e velha escola" do marxismo-leninismo, se deixou enredar numa teia da qual era fácil de ver não sairia incólume, e cujo resultado prático é, mais uma vez, o reforço as posições de Mário Nogueira e da Fenprof. E tudo isto por uma questão que, em minha opinião, está longe de ser essencial, mesmo fazendo um esforço para me colocar "nos sapatos" (e na estratégia) do ministro Crato. Ou acharia o ministro que os sindicatos da UGT (outra derrotada do dia) riscam alguma coisa nesta questão do sindicalismo e da mobilização dos professores? Quando uma das primeiras acções do seu "consulado" foi transformar numa caricatura a avaliação de professores herdada dos governos PS, "comprando créditos" à Fenprof, pensava teria percebido. Pelos vistos, ou não percebeu ou rapidamente se esqueceu.

domingo, novembro 17, 2013

"Que floresçam mil empresas", camarada Pires de Lima.

Dificilmente se encontraria melhor exemplo do modo como muita gente do governo e entre os seus defensores e inspiradores encara a política do que a proposta tonta de Pires de Lima para tornar o "empreendedorismo" disciplina do ensino obrigatório. Para além da inoportunidade, num momento em que o inglês deixa de ser obrigatório no 1º ciclo, e de não conseguir entender muito bem qual o conteúdo programático de tal disciplina, o que esta proposta revela é não só a enorme colonização actual da política, do pensamento, das ideias e da sociedade pelo mundo dos negócios, como a insistência numa distorcida visão ideológica de e para um país cujo problema fundamental seria a demasiada dependência do Estado e a ausência de vocação empresarial dos seus cidadãos. Vindo de que vem, alguém que, em outras ocasiões, já deu provas de alguma inteligência e bom-senso, penso estarmos apenas perante uma tentativa - por sinal bastante canhestra, o que se estranha - de justificar os actuais níveis de desemprego culpabilizando os cidadãos por serem pouco empreendedores e se terem deixado "amolecer" na "zona de conforto" do trabalho assalariado. Mas enfim, apesar do ex-maoísta ser o ministro Nuno Crato, que felizmente não comprou a ideia, pois "que floresçam mil empresas", camarada Pires de Lima.  

quarta-feira, setembro 18, 2013

"Do you speak english" lá das docas, Mr. Crato?

Quem, como eu, fez a maior parte do seu percurso profissional em empresas multinacionais, habituou-se a conhecer bem dois problemas que afectam os trabalhadores portugueses, principalmente quadros médios, mas também quadros superiores e até alguns executivos, no seu relacionamento internacional, por comparação com os seus homólogos dos países do norte da Europa: menor fluência no inglês e dificuldade em expor, de modo claro e estruturado, as suas ideias em público. Por isso mesmo, saudei e achei de importância decisiva a introdução, com carácter obrigatório, do inglês no 1º ciclo do ensino básico, como medida indispensável para aumentar a competitividade das empresas e trabalhadores portugueses num mundo globalizado. Sou mesmo de opinião que o castelhano deveria tornar-se obrigatório nos 2º e 3º ciclos: digamos que quem for fluente em português, castelhano e inglês trabalha em qualquer empresa e em qualquer parte do mundo.

Exactamente por isso, foi sem surpresa (deste governo há que esperar tudo) mas com alguma raiva mal contida que tomei conhecimento do fim da obrigatoriedade do ensino do inglês no 1º ciclo, decretado pelo ministro Crato. Mas, no fundo, e pensando bem, trata-se de uma medida coerente: se o objectivo é "empobrecer" e reduzir salários como estratégia de competitividade empresarial, para que serve saber falar e escrever inglês, para além da meia dúzia de palavras, mal pronunciadas, necessárias para servir umas "imperiais" aos turistas ou "engatar umas bifas"? A pergunta que faço é, no entanto, mais séria: como é que os portugueses (trabalhadores, empresários, gestores) aceitam tudo isto sem um sobressalto cívico digno desse nome? Sem esse sobressalto cívico, e digo-o com tristeza, acabam por ter o que merecem.

terça-feira, junho 25, 2013

Professores e ministério: um caso exemplar

Concorde-se ou não com ela, a greve dos professores tinha objectivos concretos e bem definidos: lutar contra o chamado regime de mobilidade especial e as 40 horas de trabalho semanal. Estávamos, portanto, perante uma negociação que colocava em cima da mesa questões de ordem laboral, e não perante objectivos, digamos assim, "macro-políticos" (demissão do ministro ou do governo, etc, etc) ou de ordem mais geral e abstracta (contra a "austeridade", a "troika", etc). A greve foi, portanto, e neste caso, uma arma utilizada no sentido de dar mais força à posição negocial dos professores, fragilizando a posição do ministério de Nuno Crato e obrigando-o a maiores cedências. Tal como, aliás, e do lado do ministério, o foi o recurso à convocação de todos os professores para o dia da realização do exame de Português. 

Não negando aos portugueses, como é óbvio, a legitimidade de fazerem greves por razões "macro políticas" ou de carácter mais abstracto, desde que respeitando a legalidade, penso que o acordo agora alcançado entre sindicatos e ministério da Educação é o corolário lógico de um processo negocial difícil mas exemplar, que prova a negociação, mesmo que nela ambas as partes possam recorrer por vezes a posições mais extremadas para fazerem valer as suas posições, acaba, na maioria das vezes, por compensar. Claro que o facto de estarmos neste caso perante dirigentes sindicais e um ministro ambos com larga experiência e sólidos conhecimentos e formação política só pode ter ajudado, mas até por isso mesmo estamos perante um caso que, no seu desenvolvimento e conclusão, pode ser visto como exemplar e que a democracia só pode saudar.

Nota final: que dirão agora Marcelo Rebelo de Sousa e Miguel Sousa Tavares, que consideraram a greve dos professores se saldou por uma derrota dos sindicatos?    

segunda-feira, junho 17, 2013

"Shame on you", ministro Crato

Está instalada a "salganhada" nas escolas perante o silêncio de um Ministério que, envergonhado, deixa o espaço mediático "todinho" à mercê dos sindicatos e dos alunos. Estes, claro, com um Mário Nogueira exultante à cabeça, aproveitam a "graça concedida". Se prova adicional do amadorismo e do radicalismo voluntarista de quem nos governa fosse necessária (não é), ela estaria aqui bem à vista. "Shame on you", ministro Nuno Crato e lembre-se que logo à noite pode vir dizer o que quiser, pois independentemente de tudo o que possa vir a afirmar, já perdeu a sua batalha hoje de manhã. É que entre governar e "mandar uns palpites" mais ou menos populistas em qualquer Plano Inclinado vai uma grande distância, sabia? 

quinta-feira, maio 09, 2013

Exames do 4º ano: "stress" ou política?

Colocar o foco da oposição aos exames do 4º ano na "stress" que isso possa causar às crianças parece-me errado, e os defensores do governo nos "media" e na "blogosfera", já o tendo percebido, agarram-se à contestação de tal ideia, onde até podem ter alguma razão e recolher apoio popular, como lapa a rocha. Por algum "stress" que os exames possam causar, e não sendo eu pedopsiquiatra nem tendo conhecimentos relevantes sobre a matéria, não me parece tal seja de molde a originar, na generalidade, grandes problemas a alunos de nove anos, e não será também esse o sentimento dominante no país. Ao invés, a contestação devia estar focada, isso sim, na demonstração do facto de o país estar a alocar recursos e esforços a uma acção dirigida no sentido errado e que, por isso mesmo, nada contribui para a melhoria da formação e desenvolvimento das crianças e alunos. Essa, sim, é uma questão política, e como tal deveria ser ela  o centro da contestação ao populismo "cratista". Como muito bem o faz Daniel Oliveira.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

José Manuel Fernandes tenta comprar lã mas sai tosquiado

Tentando provar que em Portugal se gasta demasiado em educação com resultados medíocres, José Manuel Fernandes faz publicar hoje no "Blasfémias", sem quaisquer comentários, o "mapping" que acima reproduzo. Deixando de lado, por comodidade de raciocínio, embora esteja longe de ser irrelevante, o ponto de partida de cada país (Portugal no início do século XX tinha cerca de 85% de analfabetos), a condição socio-económica, muito diferente em cada país, e a evolução nos últimos anos (estamos perante uma análise estática), coisas determinantes mas pelas quais JMF passa como "cão por vinha vindimada" apenas porque tal não convém à tese que pretende demonstrar, saliento o seguinte: não sendo, com certeza, objectivo para o país passar para o quadrante "despesa reduzida com maus resultados", sendo o salto para o quadrante "despesa reduzida com bons resultados" um passo demasiado grande no curto-prazo, portanto impossível de realizar, cabe a Portugal fazer um esforço para conseguir "saltar" para o quadrante "despesa elevada com bons resultados", aquele que mais parece ao alcance do país, aumentando assim, por via da melhoria dos resultados conseguidos, a eficácia do seu investimento nesta área. Ora não só não me parece seja essa a política actualmente prosseguida pelo ministro Nuno Crato - e que JMF defende - como é fácil concluir, olhando para o passado recente, que terão sido, em termos gerais, as políticas e reformas tentadas e/ou implementadas no consulado de Maria de Lurdes Rodrigues as mais adequadas para que o país conseguisse dar esse salto. Infelizmente, por cedência ao conservadorismo sindical, foram interrompidas demasiado cedo e agora abandonadas e, em certos casos, revertidas por este governo.

sexta-feira, setembro 07, 2012

A aliança Crato/Nogueira ou a tempestade quase perfeita

Sabendo que a sua política reaccionária em nada afecta o poder dos sindicatos do sector, o ministro Nuno Crato dá-se até ao luxo de lançar uma pequena provocação a Mário Nogueira, exibindo de forma arrogante as certezas de que, ao contrário do que aconteceu no consulado de Maria de Lurdes Rodrigues - que, de facto, com a avaliação e a reestruturação das carreiras pôs em causa o poder da Fenprof e os interesses corporativos dos professores - não haverá contestação nas ruas. Estamos assim, neste momento, perante um género de tempestade quase perfeita: uma "santa aliança" entre o ministro da Educação mais reaccionário da democracia e um poderoso sindicato conservador e corporativo afecto ao Partido Comunista. Pior seria quase impossível, e mais uma vez se prova que nada de verdadeiramente progressivo e sustentável se conseguirá levar por diante na Educação sem uma derrota clara do actual poder sindical.

quinta-feira, maio 31, 2012

A "comunidade" de Nuno Crato

Pensava eu - que gosto de pensar coisas - que o melhor e mais produtivo trabalho a favor da comunidade que se poderia pedir um jovem do ensino obrigatório prestasse era tornar-se melhor aluno, melhorar os seus conhecimentos, progredir no sua carreira de estudante, melhorar o seu aproveitamento e chegar mais longe no seu percurso académico. Enfim, ensiná-lo a ser mais solidário, mas também mais competitivo, uma vez que ambas as características não é necessário se anulem mutuamente. Para tal, quando as coisas não corressem tão bem quanto seria de desejar, os alunos com problemas de aprendizagem ou de integração contariam com o apoio da sua escola, de professores, colegas e dos respectivos "stakeholders" (permitam-me designá-los assim), pais, autarquias, empresas e instituições da região e por aí fora. Assim funcionam as sociedades mais desenvolvidas e civilizadas, o que não exclui se não fomentem a disciplina, o rigor e a criação de um indispensável ambiente favorável à aprendizagem, sendo que pelo termo não se designam apenas a capacidade para saber demonstrar o teorema de Cauchy, conhecer a curva de Gauss ou, para ser mais prosaico, ler o Frei Luís de Sousa de fio a pavio - uma chatice. Tudo isso é importante, direi mesmo fundamental, mas acho uma das coisas a crise actual prova é que está longe de ser exclusivo para que se possa entender o mundo.

Mas parece que para o ministro Nuno Crato as coisas poderão não ser bem assim, e tremo só de pensar que a sua concepção de trabalho em favor da comunidade se possa vir a assemelhar demasiado a castigo penitenciário e contribuir assim para segregar e afastar ainda mais o jovem da escola e da comunidade na qual ele já manifesta dificuldade em se inserir. Quero acreditar não seja esse o caso, e por isso aguardo serenamente explicações adicionais vindas do Ministério da Educação. 

quarta-feira, março 28, 2012

O regresso do diploma do 2º grau

Nos meus tempos de criança (e ao tempo que isso foi...), o exame da 4ª classe servia para conferir aos portugueses um determinado grau de ensino (chamava-se, salvo erro, o 2º grau) indispensável para a obtenção de alguns certificados e para o exercício de determinadas profissões. Por exemplo, sem o 2º grau não se podia tirar a carta de condução ou ser jogador de futebol. Para quem prosseguia os estudos, nem sequer tal exame era necessário (nunca o fiz), bastando o chamado "exame de admissão aos liceus", efectuado no liceu da área de residência com direito a fato e gravata e "tudo o mais que uma família precisava".

Agora, com nove anos de ensino obrigatório, o ministro Crato resolveu desenterrar tal coisa, vá lá saber-se porquê mas quer-me parecer que por mero preconceito ideológico. Não me parecendo tal exame possa vir a contribuir para uma melhoria efectiva dos conhecimentos adquiridos e diminuição do abandono escolar, seria bem melhor que tempo e recursos fossem aplicados em acções que directamente tal fomentassem. Exemplos? Bom, não sendo nem nunca tendo sido professor, formação adequada e melhor pagamento (um diferencial positivo) aos professores que leccionem em escolas inseridas em áreas problemáticas e em turmas com dificuldades de aprendizagem, permitindo atrair para aí docentes melhores e mais qualificados, talvez fosse uma solução. De igual modo, conceder às escola maior autonomia na contratação dos seus professores, permitindo uma maior adequação dos docentes às escolas onde leccionam e identificação com o ambiente geral, métodos pedagógicos, etc, talvez também não fosse má ideia. Ah!, e não aceitar a estupidez que é a diminuição da carga horária aos professores mais antigos, aproveitando a sua disponibilidade assim acrescida para apoio aos alunos e turmas em dificuldade, talvez também pudesse contribuir. Mas qual quê! Afrontar as corporações é "cena que não assiste" a este governo.  

quarta-feira, março 07, 2012

O ministério de Nuno Crato

Se querem um verdadeiro retrato das prioridades deste governo, olhem, por favor, para o Ministério da Educação: total capitulação perante os poderosos sindicatos do sector e nenhuma verdadeira reforma que possibilite melhorar a qualificação dos professores, a formação dos alunos e, no geral, a capacidade competitiva dos portugueses. Surpresa? Nenhuma: então o objectivo assumido não é mesmo o empobrecimento? Volta, Mª de Lurdes. Por mim, nunca te acusei e desde sempre estiveste perdoada.

domingo, dezembro 18, 2011

O primeiro-ministro e os professores

Ora vamos lá deixar de ser politicamente correctos e concluir que Pedro Passos Coelho tem razão (calma, não tirem conclusões precipitadas...) quanto às soluções que preconiza para o desemprego dos professores: na ausência de oportunidades em outras áreas empresariais, emigrar talvez seja mesmo melhor do que ficar no desemprego e sempre aligeira o orçamento de Estado. Pois... só que o mundo, a História e a política estão pejados de cadáveres cheios de razão, e, além do mais, Passos Coelho não é um comentador político, um jornalista, um politólogo, muito menos um "blogger" do "Blasfémias" embora por vezes pareça sê-lo ou puxar-lhe para tal coisa o pé. Pedro Passos Coelho é o primeiro-ministro deste país, eleito democraticamente e a cujos cidadãos deve responder pelos seus actos e os do seu governo, e incitar os portugueses à emigração é uma ofensa que nem Salazar ousou; um erro político de enorme gravidade que num país, digamos, um pouco mais civilizado só poderia levar o primeiro-ministro à demissão. Por muito menos do que isso, por uma anedota sem graça e a despropósito ou por um par de corninhos dedicado a um deputado, já ministros deixaram nesses momentos de o ser. Duas brincadeiras de criança, quando comparadas com esta afirmação do primeiro-ministro de Portugal. Por isso, para não engrossar os números do desemprego e não prejudicar os objectivos orçamentais, que tal também emigrar, senhor primeiro-ministro? 

Nota: Já agora: que têm a Fenprof e o ubíquo sindicalista Nogueira a dizer a isto? E o ministro Crato?

segunda-feira, dezembro 12, 2011

A História

Esta actual equipa do Ministério da Educação parece ter uma e só uma política. Os alunos têm dificuldade em Matemática? Dão pontapés na gramática? Não sabem onde fica o Yang-Tsé ou acham que Maria Antonieta é o nome artístico de Kirsten Dunst (ou acham coisa nenhuma)? "Catrapumba", toma lá mais carga horária sem cuidar de saber se isso resolve alguma coisa. Em princípio acham que tal é popular, já que "os malandros" precisam é de estudar em vez de andarem a jogar "playstation" ou a divertirem-se em manobras de iniciação sexual (Cruzes, Jesus, Credo!).

Falemos da História, que é uma disciplina que me interessa. Fiz o liceu ainda no tempo da ditadura e a disciplina, que se prolongava até ao antigo 7º ano para quem, como eu, ia para Economia, era uma fraude, mesmo quando se não se falava especificamente de Portugal. Mais horas lectivas significaria pois fraude acrescida. Do tempo dos meus  filhos, já nos anos 90, não guardo nenhuma recordação tenha a dsciplina despertado neles qualquer interesse estimulante pelo passado, numa família em que o culto pela História não é frase vã. E se a fraude já não era tão completa e requintada, também não me parece o programa e modo como a disciplina era leccionada fosse de molde a possibilitar os alunos aprendessem o que quer que fosse para que pudessem entender melhor o mundo do passado e do presente. Pressinto que actualmente a coisa não tenha melhorado de sobremaneira, até pela ignorância e falta de preparação da maioria dos professores.

Mais tempo lectivo, então? Pois, é fácil, mas parece-me inadequado, sendo bem mais corajoso e profícuo olhar para os programas, para a preparação dos docentes e para o modo como o ensino da História é ministrado. Tal como também é fácil, mas completamente inadequado, querer resolver os problemas de produtividade aumentado 1/2 hora ao horário de trabalho e anulando quatro feriados: em ambos os casos a mentalidade tacanha e retrógrada, reveladora da preguiça mental e dos preconceitos ideológicos de quem dirige, é a mesma. E derrubar muros à cabeçada ensina-nos a tal História nunca terá dado resultado que se visse.

sábado, setembro 10, 2011

O acordo sobre a avaliação dos professores, os sindicatos e o PCP

O governo conseguiu ontem à noite a sua primeira vitória. Enfim, não dá para grande foguetório, mas é, indiscutivelmente, uma vitória.

Ao conseguir o acordo da FNE para o sistema de avaliação de professores sem abdicar de duas questões essenciais e que sempre tinham sido rejeitadas pelos sindicatos (quotas e reflexo na progressão das carreiras), o governo não só resolve um dos problemas deixado pendente pelo executivo de José Sócrates, e que tinha estado na origem do seu enfraquecimento, como, em certa medida,  consegue neutralizar uma FENPROF colaborante q.b. e evitar a repetição de um ambiente de crispação e de manifestações de rua entre a classe. A pergunta que se deve fazer é pois a seguinte: porque não foi possível tal acordo durante os dois executivos anteriores? Por clara inépcia política e negocial da equipa dirigida por Maria de Lurdes Rodrigues (ministra cuja acção sempre por aqui elogiei) ou porque, apanhado o governo do PS numa armadilha "em tenaz" entre o PSD/CDS, por um lado, e o PCP/BE, por outro, o que era na altura essencial para a oposição, em acção conjugada, era o enfraquecimento e queda do governo?  Isto remete-nos para uma outra pergunta, que, em certa medida, responderá à anterior: para a estratégia do PCP, onde o resultado eleitoral assume um papel relativamente subalterno face à sua estratégia que privilegia a influência sindical e a luta de "massas", é preferível um PS no governo ou entregar este a uma maioria de direita?

segunda-feira, agosto 22, 2011

Quotas e cedências

Parece-me perfeitamente razoável o estabelecimento de uma quota de 5% para os professores com a classificação de "excelente". Já a quota de 25% para os classificados com "muito bom" me parece claramente um exagero e uma concessão aos sindicatos. Uma quota de 15/20% para as "top two boxes" ("excelente" e "muito bom"), com a grande maioria dos professores avaliados (60/65%) a integrarem as classes do "meio" (bom e suficiente),  parecer-me-ia bem mais de acordo com a norma conhecida de outras áreas e com o que se sabe da realidade do sector.

quarta-feira, julho 20, 2011

Matemática e Português

Não sou nem nunca fui professor, e por isso a minha experiência didáctica é necessariamente muito limitada. Mas, apesar disso, interrogo-me sobre se a falta de aproveitamento nas disciplinas de matemática e português tem assim tanto que ver com o número de tempos lectivos das disciplinas em causa, e, por isso, se resolve com o aumento do número de horas lectivas das matérias, como decretou agora o ministro Nuno Crato retomando uma ideia que, tanto quanto julgo saber, já vem de Mª de Lurdes Rodrigues, se as suas origens são bem diferentes e diversas, devendo o problema ser encarado de forma mais abrangente, que integre ou não esse aumento da carga horária. Por mim, opinião de quase-leigo, ligo mais a falta de aproveitamento na disciplina de português à ausência de hábitos de leitura (nenhuma novidade, aqui) e na matemática ao facto de ser uma disciplina que, para além de um trabalho diário, sistemático e muitas vezes repetitivo, exige uma capacidade de concentração bem maior do que qualquer outra. Como isto se resolve? Integra tal resolução o aumento da carga horária e constitui esta elemento-chave? Francamente, não sei. Mas, muito mais do que decisões que me parecem mais ou menos avulsas embora caiam sempre bem, gostaria de conhecer qual a estratégia do governo para ajudar a resolver tal problema.