- Maria Luís Albuquerque, uma secretária de Estado fragilizada pelas dúvidas (ou mais do que isso) suscitadas pela sua actuação no caso dos contratos "swap", irá levar consigo essa fragilidade para um governo já de si mesmo muito fragilizado pela demissão de Vítor Gaspar e pelo descrédito dos resultados obtidos em dois anos de governação. De tudo isto apenas poderá resultar uma ainda maior debilidade desse mesmo governo. Assim sendo, a oposição tem agora a oportunidade para subir à rede e acabar o ponto com um violento "smash". Se tem agressividade suficiente para o fazer é dúvida que persiste.
- Quando um primeiro-ministro, perante a demissão de um dos membros do seu governo, apenas consegue preencher essa vaga recorrendo a um dos seus secretários de Estado, entrando assim em processo acelerado de autofagia política, demonstra urbi et orbi que a capacidade de atracção e credibilidade desse mesmo governo, mesmo perante as elites políticas e tecnocráticas, se esgotou. O sinal está dado de forma bem clara.
- Continuo a ouvir alguns "media" falarem de "remodelação governamental", revelando algum incómodo perante a saída de Vítor Gaspar. Como diria José Pacheco Pereira, "língua de pau". Na verdade, convém esclarecer que não se trata de uma remodelação, no tradicional sentido do termo, mas da demissão, a seu pedido, do número dois do governo. Faz a sua diferença.
- Focou hoje bem demonstrado para que servem os tais "briefings" diários do governo: para nada, ou melhor, não passam de uma manobra de baixo ilusionismo. Se os jornalistas - e peço desculpa pela expressão - "os tivessem no sítio", amanhã não punham lá os pés.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
segunda-feira, julho 01, 2013
4 pequenas notas sobre o "swap" Gaspar/Albuquerque
quarta-feira, agosto 31, 2011
O PIB em 2013 contado às crianças e ensinado ao povo
sexta-feira, agosto 12, 2011
"Who framed Vítor Gaspar"?
quinta-feira, julho 14, 2011
A conferência de imprensa
quarta-feira, abril 27, 2011
Ainda o "caso" Teixeira dos Santos
sexta-feira, abril 22, 2011
O sacrifício pascal de Teixeira dos Santos
- Em primeiro lugar a necessidade do PS, com muitos nomes nas listas ligados aos dois últimos governos, criar perante os eleitores alguma imagem de ruptura com esses mesmos governos. Não o podendo nem querendo fazer através de José Sócrates, o nome mais lógico seria, e foi, o de Teixeira dos Santos, que nos últimos meses, como Ministro das Finanças, viu a sua imagem colar-se à dos fracassos do governo.
- Depois das afirmações muito negativas de António Costa sobre a conferência de imprensa da manhã de 11 de Março (foi esta a data, não foi?), não custa a crer que Teixeira dos Santos tenha sido sacrificado em nome do equilíbrio de nomes e tendências no seio do Partido Socialista.
sexta-feira, março 11, 2011
Que se passa com as contas públicas?
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
O Governador e as bruxas
quinta-feira, novembro 18, 2010
Os cortes salariais são "para sempre"? Ou são como os amores: "para sempre" enquanto duram?
Tudo este arrazoado vem a propósito de ter ouvido esta manhã na TSF uma citação do ministro Teixeira dos Santos sobre a medida ser excepcional – penso que adoptada apenas para o tempo de “crise” - ou “para sempre” (o ministro afirmou ser “para sempre”), bem como um comentário de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a constitucionalidade de cada uma das opções: "sim", como medida temporária; "não" se for para sempre. Bom, descontando o facto de “para sempre” serem apenas os amores quando começam (são como os referendos: nunca se sabe como acabam!), confesso, enquanto leigo, não entender lá muito bem, sendo os salários e outras regalias da Administração Pública negociados anualmente, como se pode determinar se tal medida é “para sempre” ou apenas temporária, nem como o ministro Teixeira dos Santos e o actual governo, por definição, numa democracia, exercendo funções temporariamente, podem definir tal coisa per omnia saeculum saeculorum.
Claro que ouvirei argumentar: pois se se tratar de medida temporária a base de negociação do próximo ano, ou de qualquer dos seguintes a partir do momento se decida terminou a crise (quem tem autoridade para tal?), será a dos vencimentos antes da actual redução. rubbish: tratando-se de uma negociação entre governo e sindicatos, estes últimos, tal como sempre têm feito até aqui, irão basear as suas reivindicações, não no ano anterior, mas tendo por base o “poder de compra” que consideram ter perdido (ou ganho) num conjunto de anos. Mais ainda, tratando-se de uma negociação, será o poder, a relação de forças entre as partes (governo e sindicatos), a definir o seu desfecho, e o actual (e também futuro?) corte nos salários irá sempre pesar no confronto.
Estas são pois as dúvidas que me permito colocar às afirmações de ambos, ministro Teixeira dos Santos e Marcelo Rebelo de Sousa . Por mim, talvez tenha chegado o tempo para, de modo livre, citar alguém que, apesar de não ser lá muito das minhas simpatias, aqui e ali até consegue falar com algum a propósito: Cavaco Silva, ele mesmo, quando afirma que se anda a falar de mais.
sexta-feira, novembro 12, 2010
Remodelar?
Existirão actualmente algumas vantagens reais numa remodelação governamental, leia-se, na substituição do Ministro das Finanças?
Vejamos as perguntas que temos de fazer e ás quais é obrigatório dar resposta:
- Pese embora as más execuções orçamentais de 2009 e 2010 tenham um responsável bem definido na pessoa de Teixeira dos Santos (é o ministro, para todos os efeitos), em que medida e até que ponto o seu desempenho foi determinante nessa má prestação? Assim sendo, isto é, uma vez as conclusões tiradas, até que ponto uma sua substituição poderia resolver o problema nos próximos anos?
- Foram determinadas com rigor as causas dessas más prestações e implementadas as medidas para as corrigir no futuro, isto é, em 2011? Que papel desempenhou nesse processo (a ter existido) a actual equipa do Ministério das Finanças?
- Nas circunstâncias actuais, é possível substituir Teixeira dos Santos por alguém com experiência e credibilidade suficientes, dando garantias a mercados, investidores, cidadãos e UE? Que impactos, positivos e negativos, trariam a sua substituição e o nome do seu substituto?
Poderão existir outras, mas pelo menos estas três necessitarão de uma avaliação ponderada e de uma resposta inequívoca antes de José Sócrates tomar qualquer decisão. Remodelar apenas para se mostrar que se está activo (não está, como já se percebeu) e se mantém a liderança de um governo que quase se parece reduzir ao Ministro das Finanças e a Pedro Silva Pereira, dando simultaneamente resposta a algum ruído e a algumas vozes internas do PS como a “Pasionaria” Ana Gomes,só poderá trazer resultados desastrosos e acelerar a decrepitude do actual governo.
terça-feira, novembro 09, 2010
7%?
sábado, outubro 16, 2010
Orçamento às 23.30h?
O do Estado foi entregue às 23.30h e segue-se conferência de imprensa amanhã às 10h? Pff... Desculpem-me a arrogância, mas, só por isto, Teixeira dos Santos não terá muitas histórias para contar aos netos...
sexta-feira, outubro 08, 2010
O "sobe & desce" do "Público" terá descoberto a quadratura do círculo?
“Os caminhos da grave crise que o país vive vão todos dar ao ministro da Finanças, responsável por um duro plano de cortes. O pior é que o governo tudo faz para reduzir drasticamente o défice, mas, como se vê pelas várias projecções (ontem foi o Banco de Portugal), nada acontece no combate ao desemprego ou no crescimento da economia”
Pergunta: o “Público” descobriu a “quadratura do círculo” e é capaz de me explicar (e sobretudo ao ministro das Finanças) como se diminui drasticamente o défice e, simultaneamente, se combate o desemprego e faz crescer a economia? Ou a intenção era apenas colocar um “setinha” para baixo na foto de Teixeira dos Santos? É que, se era esse o caso, poderiam antes ter escolhido, com total a propósito, os 2.9% de aumento dos funcionários públicos, a diminuição de 1 p.p. no IVA, a cedência a Isabel Alçada na questão dos professores, etc, etc. Assim, apenas demonstram ignorância e dão uma triste imagem do jornalismo que se vai por aí praticando!
terça-feira, fevereiro 02, 2010
A ameaça de demissão do ministro das finanças terá mais que se lhe diga?
terça-feira, janeiro 26, 2010
Orçamento 2010: duas pequenas notas em tempo real
- Percebe-se desde já o atraso na entrega e apresentação do orçamento, embora o Ministro das Finanças o não tenha mencionado: ao contrário do habitual, em que o governo tenta mascarar o “déficit”, deve ter estado à última hora a esticar o de 2009 até aos 9.3% com o objectivo de apresentar uma redução de 1% para 2010.
- É certamente louvável que Teixeira dos Santos dê uma conferência de imprensa a hora tão tardia para apresentação à comunicação social e, assim, aos portugueses de um documento tão importante como o orçamento de estado, principalmente na actual conjuntura. É bom que os portugueses se comecem a familiarizar com estas questões e a compreender melhor o que tem implicações no seu dia a dia. Mas pergunto: não o deveria fazer em primeiro lugar na Assembleia da República, aos deputados, legítimos representantes eleitos do povo português?
sexta-feira, novembro 14, 2008
O Orçamento de Estado e a fábula do sapo e do escorpião
terça-feira, outubro 21, 2008
Ferreira Leite, Teixeira dos Santos e as previsões de crescimento económico
quarta-feira, outubro 15, 2008
O orçamento: crescimento, "déficit" e aquilo que me parece ser um erro político do governo
Tendo dito isto, acho que o governo, ao prever um “déficit” para 2009 igual ao de 2008 (2.2%) com um crescimento pouco provável do PIB de 0.6% (o FMI prevê 0.1%, embora saibamos que é, por norma, pessimista, e os 0.8% previstos para este ano ainda não são facto consumado), estará a arriscar demasiado a, pela primeira vez, não cumprir as metas estipuladas para o “déficit” público, arriscando-se a trocar muita coisa (uma área em que granjeou merecida reputação de seriedade e rigor e sucesso) por pouco, nada ou mesmo coisa nenhuma. Politicamente – penso – teria sido bem mais sensata uma previsão um pouco abaixo (v.g. 2%), mesmo que à custa de algumas "benesses" (seria necessário fazer contas), que permitisse uma mais do que provável revisão posterior para um valor que não ultrapassasse os 2.2% deste ano. Assim, no fio da navalha, qualquer revisão “em baixa” dos 0.6% de crescimento (Francisco Van Zeller já invocou a ajuda de Deus e eu próprio, agnóstico, no caso dele, católico, teria mesmo já mandado rezar algumas missas), arrisca-se a “atirar” o valor do "déficit" para um nível superior ao deste ano, o que constituirá um enorme falhanço e um erro político de monta por parte do governo.